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terça-feira, 15 de setembro de 2026

Antonín Dvorak (1841-1904) - Symphony No.8 in G, Op.88 e Johannes Brahms (1833-1897) - Symphony No.3 in F, Op.90

Nascido em 1922, Suitner construiu grande parte de sua trajetória profissional na Alemanha e em outros importantes centros musicais europeus. Sua carreira também esteve profundamente ligada ao Japão. O maestro realizou sua primeira visita ao país em 1971 e, posteriormente, tornou-se regente honorário da NHK Symphony Orchestra. Entre sua chegada ao Japão e sua última apresentação, em 1989, acumulou uma série de concertos que, segundo o texto do livreto, permaneceram na memória dos músicos e do público como momentos particularmente marcantes da história da orquestra.

O aspecto mais revelador do perfil artístico de Suitner está em sua concepção da interpretação. O maestro não procurava sobrepor à partitura uma personalidade exterior por meio de efeitos, teatralidade ou gestos de autopromoção. Ao contrário, entendia que o intérprete deveria colocar-se a serviço da obra, permitindo que sua beleza, suas estruturas e sua respiração fossem reveladas. A interpretação, nessa perspectiva, não é uma demonstração de autoridade do regente, mas uma forma de fazer com que a música adquira vida diante do ouvinte.

Essa concepção parece especialmente apropriada às duas sinfonias escolhidas para o álbum. Em Dvořák, Suitner encontra uma obra de extraordinária riqueza melódica e colorística. Composta em 1889 e estreada em Praga no ano seguinte sob a direção do próprio compositor, a Oitava Sinfonia nasceu em um período particularmente produtivo da carreira de Dvořák. A partitura apresenta uma sucessão de contrastes entre lirismo, dança, energia rítmica e exuberância orquestral. O primeiro movimento, Allegro con brio, abre o ciclo; seguem-se o Adagio, o Allegretto grazioso – Molto vivace e o Allegro, ma non troppo.

A trajetória da obra também revela a dimensão internacional alcançada por Dvořák. A sinfonia foi publicada originalmente por uma editora inglesa e, por isso, chegou a ser associada à Inglaterra em algumas referências. O livreto, contudo, ressalta que essa designação não corresponde ao conteúdo da obra. O caráter essencialmente dvořákiano da partitura está justamente na maneira como o compositor transforma elementos de sua experiência musical em uma linguagem sinfônica ampla, sem reduzir a obra a um simples exercício de nacionalismo.

Com Brahms, o desafio interpretativo é diferente. A Terceira Sinfonia, composta em 1883, pertence ao período de plena maturidade do compositor. Sua criação ocorreu quando Brahms já havia consolidado sua posição como um dos grandes continuadores da tradição sinfônica alemã. O livreto destaca, entretanto, o peso dessa tradição sobre o compositor: escrever para orquestra significava inevitavelmente confrontar-se com a sombra de Beethoven, cuja grandeza estabelecera um padrão difícil de ignorar.

Brahms levou vinte e um anos, segundo o texto, para concluir sua Primeira Sinfonia. O êxito alcançado por essa obra contribuiu para lhe dar confiança e abriu caminho para uma produção sinfônica mais concentrada. A Terceira surgiu seis anos depois da Segunda e, embora seja uma obra de dimensões relativamente compactas, concentra uma enorme variedade de tensões e estados de espírito. Seus quatro movimentos — Allegro con brio, Andante, Poco allegretto e Allegro — articulam vigor, introspecção, melancolia e dramaticidade.

É precisamente nesse ponto que a interpretação de Suitner adquire especial interesse. O livreto insiste em que o maestro não buscava uma interpretação “de Suitner”, mas uma leitura em que a própria obra pudesse revelar sua beleza. Em Brahms, isso significa preservar a densidade estrutural sem transformar a música em um exercício excessivamente pesado ou monumental. A sonoridade da NHK Symphony Orchestra torna-se, assim, veículo para uma concepção em que clareza, equilíbrio e profundidade caminham juntos.

As duas gravações também possuem um valor documental particular. Dvořák foi registrado em 30 de janeiro de 1973, durante uma apresentação no Osaka Festival Hall, enquanto Brahms foi gravado em 16 de novembro de 1989, no NHK Hall, em Tóquio. O intervalo de dezesseis anos entre os registros transforma o álbum em uma espécie de arco histórico da presença de Suitner à frente da orquestra.

O livreto sugere ainda que a importância de Suitner no Japão ultrapassou a simples realização de bons concertos. Seu trabalho contribuiu para o amadurecimento da NHK Symphony Orchestra, que, ao longo dos anos, desenvolveu maior segurança técnica e liberdade expressiva. A comparação entre as duas gravações, portanto, permite ouvir também a evolução de um conjunto que encontrou no maestro um intérprete capaz de combinar conhecimento, disciplina e sensibilidade.

No fim, o legado apresentado por este registro não está apenas nas duas grandes sinfonias de Dvořák e Brahms. Está sobretudo em uma ideia de interpretação: quanto mais profundamente o intérprete compreende a obra, menos precisa chamar atenção para si mesmo. Suitner parece ter acreditado que a verdadeira autoridade do regente nasce da capacidade de escutar a partitura e conduzir a orquestra para dentro dela. É uma postura de humildade artística que, décadas depois, continua conferindo às suas gravações com a NHK Symphony Orchestra um interesse que ultrapassa o valor meramente histórico.

Uma boa apreciação! 

01 - Dvorak Symphony No.8 in G,op.88
02 - Dvorak Symphony No.8 in G,op.88
03 - Dvorak Symphony No.8 in G,op.88
04 - Dvorak Symphony No.8 in G,op.88
05 - Brahms Symphony No.3 in F,op.90
06 - Brahms Symphony No.3 in F,op.90
07 - Brahms Symphony No.3 in F,op.90
08 - Brahms Symphony No.3 in F,op.90

NHK Symphony Orchestra, Tokyo

Otmar Suitner, regente

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sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Johannes Brahms (1833-1897) - Clarinet Sonatas & Clarinet Trio

O Trio para clarinete, violoncelo e piano em lá menor, op. 114, e as Duas Sonatas para clarinete e piano, op. 120, nasceram de uma circunstância inesperada. Em 1890, depois de concluir o Quinteto de Cordas op. 111, Brahms chegou a anunciar que pretendia encerrar sua carreira de compositor. O encontro com o clarinetista Richard Mühlfeld (1856–1907), contudo, alteraria decisivamente esse propósito.

Mühlfeld, integrante da Orquestra da Corte de Meiningen desde 1879 e primeiro clarinetista da formação desde 1881, impressionou profundamente Brahms. O compositor ficou particularmente fascinado pela sonoridade e pelas sutilezas interpretativas do músico e chegou a pedir-lhe que explicasse detalhadamente as possibilidades técnicas de seu instrumento. Em março de 1891, retomou o trabalho criativo. No verão daquele mesmo ano, em Bad Ischl, compôs o Trio op. 114 e o Quinteto para clarinete e cordas op. 115.

O Trio op. 114 apresenta a estrutura clássica em quatro movimentos, mas a linguagem revela imediatamente o Brahms da maturidade. O primeiro, um Allegro em forma sonata modificada, contrapõe dois temas. O principal, apresentado pelo violoncelo e pelo clarinete, possui caráter elegíaco; o segundo, em dó maior, conserva, apesar da mudança de tonalidade, uma tonalidade emocional melancólica. Brahms volta a explorar seu conhecido gosto pela escrita contrapontística: na repetição do tema, clarinete e violoncelo estabelecem um cânone em espelho. O desenvolvimento parte de uma citação do tema principal e, pouco a pouco, conduz à recapitulação.

O segundo movimento, Adagio, oferece um contraste com a atmosfera sombria do primeiro. Em ré maior, apresenta uma melodia lírica e expressiva, embora não abandone inteiramente aquela melancolia característica do Brahms tardio. O terceiro movimento, um Andantino, aproxima-se do universo da dança: seu caráter de minueto é transformado em uma espécie de valsa encantadora, à qual se acrescenta, no episódio central, um Ländler de sabor mais rústico. A escrita, entretanto, permanece rigorosamente trabalhada, com as três partes instrumentais entrelaçando-se em condições de relativa igualdade.

O Allegro final retoma a forma sonata modificada. O tema principal, introduzido pelo violoncelo, possui amplitude quase rapsódica, enquanto o segundo tema, em mi menor, é mais hesitante. Mais uma vez, Brahms emprega o cânone entre clarinete e violoncelo. O movimento termina mantendo a tonalidade de lá menor, característica que confere à obra uma conclusão menos triunfal do que reflexiva.

As Sonatas para clarinete e piano op. 120 pertencem às últimas composições de Brahms. Foram escritas no verão de 1894, durante sua estada em Ischl, e dedicadas a Mühlfeld. O compositor presenteou o clarinetista com o manuscrito, acompanhado de uma dedicatória na qual expressava sua gratidão ao “mestre de seu belo instrumento”.

As duas obras foram apresentadas inicialmente em círculos privados, em Berchtesgaden, em setembro de 1894. Em janeiro do ano seguinte, Brahms e Mühlfeld realizaram em Viena as primeiras apresentações públicas. Brahms e seu editor, Simrock, chegaram a retardar a publicação para assegurar ao clarinetista, por algum tempo, o privilégio de executar as peças.

A Sonata em fá menor, op. 120 nº 1, começa com um motivo apresentado em uníssono pelo piano. O clarinete responde com uma ampla melodia elegíaca, que gradualmente se transforma em um tema de caráter rapsódico. Brahms alterna momentos de grande tensão com passagens de maior serenidade, explorando as possibilidades expressivas do clarinete sem jamais transformá-lo em mero instrumento virtuosístico.

O segundo movimento, Andante un poco Adagio, introduz uma atmosfera mais luminosa. A melodia do clarinete encontra no piano um interlocutor igualmente importante, e a escrita contrapontística reaparece de maneira engenhosa. No terceiro movimento, Brahms recorre novamente ao universo do Ländler, antes de conduzir a sonata ao Finale, um rondó de grande vitalidade. O tema recorrente evidencia uma característica que parece ter sido especialmente importante para o compositor: a capacidade do clarinete de passar de um legato extremamente suave para um staccato quase “falado”.

A Sonata em mi bemol maior, op. 120 nº 2 percorre caminhos bastante diferentes. Com apenas três movimentos, começa com um Allegro de caráter extremamente lírico. O tema principal, “cantado” pelo clarinete, produz a impressão de uma verdadeira canção sem palavras. A exposição apresenta ainda outros temas de natureza cantabile, enquanto o desenvolvimento transforma e combina os materiais anteriores por meio de uma escrita contrapontística particularmente elaborada.

O Andante con moto introduz uma atmosfera de dança estilizada. O movimento central aproxima-se novamente do Ländler, mas sua aparente simplicidade esconde o cuidadoso entrelaçamento das três partes instrumentais. O Allegro conclusivo é mais compacto e rapsódico, encerrando a obra com uma série de variações sobre um tema gracioso. Na quinta variação, Brahms altera o andamento para Allegro e desloca o material para mi bemol menor, explorando o contraste entre os modos — procedimento característico das séries de variações.

O que torna essas obras especialmente significativas é que Brahms não trata o clarinete apenas como veículo de virtuosismo. Ao contrário, encontra nele uma voz adequada à sua estética tardia: introspectiva, calorosa, melancólica e profundamente humana. A sonoridade do instrumento permite ao compositor explorar regiões expressivas próximas da voz cantada, enquanto o piano e o violoncelo participam ativamente do discurso musical.

Essa concepção também explica por que as obras foram consideradas, no próprio encarte, como peças “feitas sob medida” para o clarinete. Embora Brahms tenha autorizado versões das sonatas para viola e piano e para violino e piano, o texto ressalta que é com o clarinete que sua linguagem encontra plena realização. As concessões feitas à prática musical não eliminam a impressão de que o instrumento de Mühlfeld estava no centro da concepção dessas partituras.

Uma boa apreciação! 

Johannes Brahms (1833-1897) - 

01 - Sonata No. 1 for Clarinet and Piano in F Minor, Op
02 - Sonata No. 1 for Clarinet and Piano in F Minor, Op
03 - Sonata No. 1 for Clarinet and Piano in F Minor, Op
04 - Sonata No. 1 for Clarinet and Piano in F Minor, Op
05 - Sonata No. 2 for Clarinet and Piano in E Flat Majo
06 - Sonata No. 2 for Clarinet and Piano in E Flat Majo
07 - Sonata No. 2 for Clarinet and Piano in E Flat Majo
08 - Trio for Clarinet, Violoncello and Piano in A Mino
09 - Trio for Clarinet, Violoncello and Piano in A Mino
10 - Trio for Clarinet, Violoncello and Piano in A Mino
11 - Trio for Clarinet, Violoncello and Piano in A Mino

Robert Oberaigner, clarinete
Michael Schöch, piano
Norbert Anger, violoncelo 

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domingo, 9 de agosto de 2026

Johannes Brahms (1833-1897) - Symphonies No. 1-4

"Gianandrea Noseda figura entre os raros maestros capazes de transitar com igual autoridade entre o repertório operístico e o sinfônico. Em artigo publicado em 2021 por ocasião de sua estreia como Diretor-Geral de Música da Ópera de Zurique, o jornal suíço Neue Zürcher Zeitung resumiu essa versatilidade de forma eloquente: “Em retrospecto, é impossível dizer se Noseda é um maestro de ópera melhor do que um maestro sinfônico, ou vice-versa.” A observação sintetiza a amplitude artística de um regente cuja carreira se destaca tanto nos grandes palcos líricos quanto nas principais salas de concerto do mundo.

Durante sua atuação em Zurique, Noseda dedicou especial atenção à obra de Johannes Brahms, conduzindo um ciclo que reafirmou sua afinidade com o universo sinfônico do compositor alemão. Após uma interpretação amplamente elogiada do Ein deutsches Requiem (Um Réquiem Alemão), o maestro voltou-se para as quatro sinfonias de Brahms, dirigindo-as à frente da Orquestra da Ópera de Zurique em uma série de concertos que agora chega ao público em forma de álbum.

Compostas entre 1876 e 1885, as quatro sinfonias representam um dos pontos culminantes do romantismo orquestral. Nelas, Brahms consolidou uma linguagem que concilia o rigor formal herdado da tradição clássica com uma extraordinária intensidade expressiva, criando obras que permanecem entre os pilares do repertório sinfônico.

As interpretações reunidas nesta gravação foram registradas ao vivo em diferentes apresentações realizadas na Ópera de Zurique. A atmosfera do concerto confere às execuções um senso particular de espontaneidade e energia, preservando a comunicação direta entre maestro, orquestra e público. Sob a direção de Noseda, essas partituras revelam toda a riqueza de sua arquitetura, o refinamento da escrita orquestral e a profundidade emocional que caracterizam a maturidade criativa de Brahms.

Mais do que uma simples integral das sinfonias, este lançamento documenta o encontro entre um dos mais respeitados maestros da atualidade e um repertório central da tradição sinfônica. O resultado reafirma tanto a excelência da Orquestra da Ópera de Zurique quanto a capacidade de Gianandrea Noseda de extrair dessas obras um equilíbrio convincente entre vigor dramático, clareza estrutural e lirismo, oferecendo uma leitura que se insere com destaque na ampla discografia dedicada ao compositor".

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Johannes Brahms (1833-1897) - 

DISCO 01

01. Symphony No. 1 in C Minor, Op. 68: I. Un poco sostenuto - Allegro - Meno allegro
02. Symphony No. 1 in C Minor, Op. 68: II. Andante sostenuto
03. Symphony No. 1 in C Minor, Op. 68: III. Un poco allegretto e grazioso
04. Symphony No. 1 in C Minor, Op. 68: IV. Adagio - Più Andante - Allegro non troppo, ma con brio – Più allegro
05. Symphony No. 3 in F Major, Op. 90: I. Allegro con brio: Un poco sostenuto - Tempo I
06. Symphony No. 3 in F Major, Op. 90: II. Andante
07. Symphony No. 3 in F Major, Op. 90: III. Poco allegretto
08. Symphony No. 3 in F Major, Op. 90: IV. Allegro - Un poco sostenuto

DISCO 02

01. Symphony No. 2 in D Major, Op. 73: I. Allegro non troppo
02. Symphony No. 2 in D Major, Op. 73: II. Adagio non troppo - L'istesso tempo, ma grazioso
03. Symphony No. 2 in D Major, Op. 73: III. Allegretto grazioso (quasi andantino) – Presto ma non assai
04. Symphony No. 2 in D Major, Op. 73: IV. Allegro con spirito
05. Symphony No. 4 in E Minor, Op. 98: I. Allegro non troppo
06. Symphony No. 4 in E Minor, Op. 98: II. Andante moderato
07. Symphony No. 4 in E Minor, Op. 98: III. Allegro giocoso - Poco meno presto - Tempo I
08. Symphony No. 4 in E Minor, Op. 98: IV. Allegro energico e passionato - Più allegro 

Orchester der Oper Zürich
Gianandrea Noseda, regente 

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quinta-feira, 16 de julho de 2026

Johannes Brahms (1833-1897) - Symphony No. 2 in D Major, Op. 73, Symphony No. 3 in F Major, Op. 90 e Tragic Overture, Op. 81

É curioso que Brahms tenha levado quinze anos para escrever a sua monumental Primeira Sinfonia. Ele parecia saber que, após Beethoven, escrever uma sinfonia era um gesto por demasia excessivo. Demandava uma responsabilidade incomensurável. Por sua, a escrita da Segunda para a Terceira teve um intervalo de apenas seis anos. Olhando de fora parece um tempo excessivo, todavia, quando falamos de Brahms, é tempo curto. 

Brahms era um compositor meticuloso. Revisava. Analisava. Buscava profundidade. Sua música era absoluta. Procurava fugir das grandiloquências wagnerianas tão costumeiras em seu tempo. Ele olhava para trás e só enxergava a tradição de Bach, Haydn, Mozart e Beethoven. 

A sua Segunda Sinfonia é do ano de 1877. O trabalho nasceu após o triunfo da Primeira. rahms retirou-se para Pörtschach, às margens do lago Wörthersee, na Áustria, onde encontrou um ambiente de rara tranquilidade. O resultado foi uma obra frequentemente comparada à "Pastoral" de Beethoven, embora essa analogia diga apenas parte da verdade. Sim, a Segunda Sinfonia respira ar puro, montanhas e lagos. Mas seu lirismo nunca é ingênuo. Sob a superfície luminosa existe uma melancolia discreta, quase outonal, que impede qualquer leitura excessivamente otimista.

A Terceira é do ano de 1883. Ela é menos contemplativa do que a Segunda. É possível perceber uma camada de inquietação existencial abaixo de sua superfície. Seu discurso alterna momentos de ímpeto triunfal, com reflexões que espargem uma fragrância de resignação. 

A Abertura Trágica é do ano de 1880. Nesse mesmo período, vale lembrar que Brahms escreveu a festiva Abertura para um festival acadêmico.  A Abertura Trágica é bem diversa daquela obra. Trata-se de uma das obras orquestrais mais concentradas de Brahms. Em pouco mais de quinze minutos, o compositor constrói uma atmosfera de tensão permanente, baseada em ritmos incisivos, contrastes abruptos e uma escrita orquestral de extraordinária densidade.

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Johannes Brahms (1833-1897) - 

01 - Symphony No. 2 in D Major, Op. 73_ I. Allegro non troppo
02 - Symphony No. 2 in D Major, Op. 73_ II. Adagio non troppo
03 - Symphony No. 2 in D Major, Op. 73_ III. Allegretto grazioso. Quasi andantino - Presto ma non as
04 - Symphony No. 2 in D Major, Op. 73_ IV. Allegro con spirito
05 - Symphony No. 3 in F Major, Op. 90_ I. Allegro con brio
06 - Symphony No. 3 in F Major, Op. 90_ II. Andante
07 - Symphony No. 3 in F Major, Op. 90_ III. Poco allegretto
08 - Symphony No. 3 in F Major, Op. 90_ IV. Allegro - Un poco sostenuto
09 - Tragic Overture, Op. 81

Philharmonia Orchestra
Carlo Maria Giulini, regente 

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quarta-feira, 10 de junho de 2026

Johannes Brahms (1833-1897) - The Five Sonatas for Violin & Piano, Vol. 2

"Ulf Wallin e Roland Pöntinen realizaram sua primeira gravação em duo para a BIS em 1991 e, desde então, construíram uma discografia amplamente elogiada pela crítica, abrangendo repertórios que vão de Schumann e Liszt a Alfred Schnittke, passando por Schoenberg e Hindemith. Com o presente álbum, os dois músicos concluem seu mais recente projeto: a gravação integral das obras de Johannes Brahms para violino e piano.

O ciclo reúne não apenas as três célebres sonatas numeradas para violino e piano, pilares do repertório camerístico romântico, mas também o Scherzo da chamada Sonata F.A.E. e as versões para violino que o próprio Brahms preparou de suas duas sonatas originalmente compostas para clarineta e piano.

Wallin e Pöntinen iniciam este volume com a Sonata nº 2 em Mi bemol maior, Op. 120, escrita em 1894 para clarineta e posteriormente adaptada pelo compositor para o violino. A transcrição exigiu uma revisão substancial da parte solista: como a extensão da clarineta alcança notas mais graves do que aquelas disponíveis ao violino, Brahms precisou reformular diversas passagens. Essas alterações repercutiram diretamente na escrita pianística, tornando necessária a elaboração de uma nova edição da partitura para piano.

O programa prossegue com a Segunda e a Terceira Sonatas para Violino, em Lá maior e Ré menor, respectivamente. Ambas foram compostas durante o verão de 1886, em Thun, na Suíça, e revelam vínculos estilísticos profundos, embora habitem universos expressivos radicalmente distintos. Enquanto uma se caracteriza por sua luminosidade lírica e serenidade contemplativa, a outra explora uma linguagem mais dramática e apaixonada, demonstrando a extraordinária amplitude emocional alcançada por Brahms em sua produção camerística da maturidade.

Ao encerrar essa abrangente jornada pelo repertório brahmsiano para violino e piano, Wallin e Pöntinen reafirmam as qualidades que tornaram sua parceria tão respeitada: refinamento estilístico, inteligência musical e uma notável capacidade de equilibrar profundidade interpretativa e clareza estrutural".

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Johannes Brahms (1833-1897) - 

Sonata in E flat major, Op. 120 No. 2

01. I. Allegro amabile
02. II. Allegro appassionato
03. III. Andante con moto

Sonata No. 2 In A Major, Op. 100
04. I. Allegro amabile
05. II. Andante tranquillo - Vivace - Andante
06. III. Allegretto grazioso (quasi Andante)

Sonata No. 3 in D Minor, Op. 108
07. I. Allegro
08. II. Adagio
09. III. Un poco presto e con sentimento
10. IV. Presto agitato

Ulf Wallin, violino
Roland Pöntinen, piano 

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quinta-feira, 4 de junho de 2026

Johannes Brahms (1833-1897) - The Five Sonatas for Violin & Piano, Vol. 1

À pergunta “Quantas sonatas para violino e piano Johannes Brahms compôs?”, muitos apreciadores de música de câmara responderiam prontamente: três. Alguns talvez acrescentassem, sem hesitação, as respectivas tonalidades e números de opus. Se instados a ir além, um número menor lembraria também da chamada Sonata F.A.E., fruto de uma colaboração entre o jovem Brahms, Albert Dietrich e seu mentor, Robert Schumann. Poucos, porém, recordariam das duas sonatas do Opus 120, compostas em 1894 para clarinete (ou viola) e piano, mas publicadas no ano seguinte em versões para violino preparadas pelo próprio compositor.

A adaptação exigiu um trabalho substancial. Como a extensão da clarineta em si bemol alcança notas uma quarta abaixo do registro do violino, Brahms foi obrigado a revisar profundamente a parte solista. Essas alterações repercutiram inevitavelmente na escrita pianística, tornando necessária a preparação de uma nova edição da partitura para piano.

A experiente parceria formada pelo violinista Ulf Wallin e pelo pianista Roland Pöntinen decidiu agora registrar a totalidade das sonatas de Brahms para violino e piano. Os resultados são apresentados em dois discos, dos quais o primeiro reúne a Sonata nº 1 em Sol maior, Op. 78 — a primeira das três sonatas oficialmente concebidas para essa formação —, a Sonata em Fá menor do Opus 120 e o célebre Scherzo extraído da Sonata F.A.E.

Para completar o programa, Wallin e Pöntinen acrescentam transcrições de duas das canções mais líricas de Brahms, ampliando o retrato de um compositor cuja inspiração melódica e profundidade expressiva transcendem fronteiras de gênero e formação instrumental.

Johannes Brahms (1833-1897) - 

Sonata in F minor, Op. 120 No. 1
01. I. Allegro appassionato
02. II. Andante un poco Adagio
03. III. Allegretto grazioso
04. IV. Vivace

from the ‘F.A.E. Sonata’, WoO 2
05. Scherzo (Allegro)

Sonata No. 1 In G Major, Op. 78
06. I. Vivace ma non troppo
07. II. Adagio
08. III. Allegro molto moderato
09. O kühler Wald, Op. 72 No. 3
10. An die Nachtigall, Op. 46 No. 4

Ulf Wallin, violino
Roland Pöntinen, piano

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segunda-feira, 25 de maio de 2026

Johannes Brahms (1833-1897) - Tragische Ouverture d-Moll, Op. 81 e Symphonie Nr. 4 in e-Moll, Op. 98



Brahms é um dos meus compositores indispensáveis. Tudo o que ele escreveu possui um aspecto arrojado, de uma intencionalidade desconcertante, de uma consciência crítica que impressiona. Seu aspecto reservado era uma característica que salta de sua música. Brahms era um continuador da tradição da música absoluta. Seu intento era honrar os nomes da tradição musical. Quando escrevia, procurava seguir aquilo que Bach, Haydn, Mozart e Beethoven haviam iniciado. Fugia das inovações wagnerianas; da megalomania. Procurava sugerir mais do que romper, embora não dispensasse a crítica sutil.

A “Tragische Ouvertüre” deixa isso evidente desde os primeiros compassos. Não há ali a teatralidade explosiva da ópera wagneriana nem a tentativa de construir personagens ou narrativas explícitas. A tragédia, em Brahms, é interiorizada. Diferentemente do romantismo mais expansivo, Brahms evita o excesso sentimental. Sua dor não transborda; ela se disciplina; transgride sem alardes.

Essa estética da contenção atinge sua forma mais radical na Quarta Sinfonia. Escrita em 1885, a obra frequentemente soa como uma reflexão sobre o esgotamento da grande tradição sinfônica germânica. O primeiro movimento alterna lirismo e fatalismo com impressionante equilíbrio; o segundo assume um caráter quase arcaico; o terceiro rompe momentaneamente a atmosfera sombria com uma energia impetuosa, quase dionisíaca. Mas é no quarto movimento que Brahms realiza um de seus gestos mais extraordinários.

Ao concluir a sinfonia com uma “passacaglia” - forma barroca baseada na repetição obstinada de um tema - Brahms recorre deliberadamente ao passado. Não se trata, contudo, de um exercício arqueológico. O uso dessa forma antiga adquire significado filosófico: a repetição deixa de ser apenas técnica composicional e se transforma em expressão de destino. Em vez de uma conclusão triunfal, típica da tradição romântica heroica, a Quarta Sinfonia oferece uma sensação de lucidez amarga. A música avança sem prometer redenção.

Nesse aspecto, Brahms parece dialogar com o clima intelectual pessimista do fim do século XIX, marcado pela influência de Arthur Schopenhauer e pela crescente percepção de decadência da cultura europeia. Sua música não possui o heroísmo afirmativo de Beethoven nem o impulso revolucionário de Wagner. Existe nela uma consciência histórica aguda: a percepção de que a tradição ainda sobrevive, mas já carrega em si sinais de fragilidade.

Não deixe de ouvir essa excelente versão com Kurt Sanderling. Uma boa apreciação!

Johannes Brahms (1833-1897) - 

01 - Brahms Tragische Ouvert¨¹re d-Moll, Op. 81
02 - Brahms Symphonie Nr. 4 in e-Moll, Op. 98 - I. Allegro non troppo
03 - Brahms Symphonie Nr. 4 in e-Moll, Op. 98 - II. Andante moderato
04 - Brahms Symphonie Nr. 4 in e-Moll, Op. 98 - III. Allegro giocoso ¨C Poco meno...
05 - Brahms Symphonie Nr. 4 in e-Moll, Op. 98 - IV. Allegro energico e passionato...

Swedish Radio Symphony Orchestra
Kurt Sanderling, regente 

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quarta-feira, 15 de abril de 2026

Johannes Brahms (1833-1897) - Sonata for Clarinet and Piano No. 2 in E-Flat Major, Op. 120 No. 2 e Sonata for Clarinet and Piano No. 1 in F Minor, Op. 120 No. 1


Tenho escutado com recorrência este disco ao longo da semana. Sua beleza e delicadeza me eleva e me deixa absorto. Nele, há as duas sonatas para piano e clarinete, Op. 120, de Brahms. Especialmente, a No.1 é uma das obras mais bonitas e delicadas da história da música. É o “Brahms tardio” em estado puro. Impressiona pela beleza profundamente humana, pela sofisticação; pelo lirismo à flor da pele; pela atmosfera contemplativa, por exemplo, do segundo movimento (Andante un poco adagio); pelas emoções que suscita; pela introspecção que aponta para dentro, que nos convida ao recolhimento.

Após anunciar sua aposentadoria em 1890, Brahms parecia decidido a encerrar sua produção. No entanto, durante uma visita à corte de Meiningen, ele ouviu o clarinetista Richard Mühlfeld, membro da orquestra local. O impacto foi imediato.

Encantado com o timbre caloroso e a expressividade do instrumento nas mãos de Mühlfeld, Brahms voltou a compor. Dessa inspiração nasceram quatro obras fundamentais para o repertório do clarinete, incluindo as duas sonatas Op. 120.

Existem outras interpretações – com outros instrumentos fazendo o papel do clarinete. O próprio Brahms autorizou essas versões alternativas já em sua época. Contudo, penso que o som “fanhoso” do instrumento confira um efeito etéreo e contemplativo a essas duas joias musicais. Tudo parece fica meio suspenso quando as escutamos.

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Johannes Brahms (1833-1897) - 

01. András Schiff & Jörg Widmann – Sonata for Clarinet and Piano No. 2 in E-Flat Major, Op. 120 No. 2: 1. Allegro amabile (08:35)
02. András Schiff & Jörg Widmann – Sonata for Clarinet and Piano No. 2 in E-Flat Major, Op. 120 No. 2: 2. Allegro appassionato (05:17)
03. András Schiff & Jörg Widmann – Sonata for Clarinet and Piano No. 2 in E-Flat Major, Op. 120 No. 2: 3. Andante con moto - Allegro (07:40)
04. András Schiff – Intermezzi for Piano: 1. I (00:46)
05. András Schiff – Intermezzi for Piano: 2. Zart singend (01:22)
06. András Schiff – Intermezzi for Piano: 3. Mit dunkler Glut (Agitato sempre) (11:59)
07. András Schiff – Intermezzi for Piano: 4. Wiegenlied (Ruhig fließend) (04:13)
08. András Schiff – Intermezzi for Piano: 5. Lento un poco andante (01:40)
09. András Schiff & Jörg Widmann – Sonata for Clarinet and Piano No. 1 in F Minor, Op. 120 No. 1: 1. Allegro appassionato (08:08)
10. András Schiff & Jörg Widmann – Sonata for Clarinet and Piano No. 1 in F Minor, Op. 120 No. 1: 2. Andante un poco adagio (05:08)
11. András Schiff & Jörg Widmann – Sonata for Clarinet and Piano No. 1 in F Minor, Op. 120 No. 1: 3. Allegretto grazioso (04:24)
12. András Schiff & Jörg Widmann – Sonata for Clarinet and Piano No. 1 in F Minor, Op. 120 No. 1: 4. Vivace (05:19)

András Schiff, piano
Jörg Widmann, clarinete

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sábado, 28 de março de 2026

Johannes Brahms (1833-1897) - Violin Concerto in D major Op. 77 e Robert Schumann (1810-1856) - Violin Concerto in D minor WoO 23

O Concerto para violino e orquestra, o Opus 7, de Brahms, é um espetáculo. Um verdadeiro monumento. Foi escrito em 1878. O Concerto de Brahms é fruto de uma colaboração intensa com o grande violinista da época, Joseph Joachim. Mais do que um intérprete, Joachim foi conselheiro técnico e artístico - ajudando Brahms a escrever uma parte de violino que fosse desafiadora, mas idiomática. 
 
À primeira audição, o concerto pode soar grandioso, até “sinfônico”. E não é por acaso: Brahms, já consagrado, tratou a orquestra como protagonista tanto quanto o solista. Isso rompe com a tradição mais virtuosística dos concertos anteriores, nos quais o violino frequentemente brilha sozinho. Brahms procura seguir a tradição deixada por Beethoven, cujo concerto para violino era um modelo quase intocado.
 
Já o Concerto para violino - menos conhecido que o de Brahms. Escrito em 1853, tem uma trajetória quase novelesca. Também dedicado a Joseph Joachim, ele foi composto em um período delicado da vida do compositor, pouco antes de sua internação devido a problemas de saúde mental.

Joachim, juntamente com Clara Schumann e o próprio Brahms, decidiu não divulgar a obra. Acreditava-se que ela refletia o estado mental fragilizado de Schumann e poderia prejudicar sua reputação. O manuscrito permaneceu guardado por décadas.

A peça só veio a público em 1937, em um contexto controverso: foi promovida na Alemanha durante o regime nazista, em parte como alternativa “germânica” ao repertório de origem judaica (como o concerto de Mendelssohn). Apesar desse uso político, a obra ganhou vida própria.

Musicalmente, o concerto de Schumann foge ao brilho virtuosístico tradicional. O primeiro movimento é denso e introspectivo; o segundo, profundamente lírico; e o terceiro traz uma dança peculiar, quase mecânica, que por muito tempo foi mal compreendida.

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

01 - Violin Concerto in D major Op. 77 I. Allegro non troppo
02 - Violin Concerto in D major Op. 77 II. Adagio
03 - Violin Concerto in D major Op. 77 III. Allegro giocoso ma non troppo vivace
04 - Violin Concerto in D minor WoO 23 I. In kraftigem, nicht zu schnellen tempo
05 - Violin Concerto in D minor WoO 23 II. Langsam
06 - Violin Concerto in D minor WoO 23 III. Lebhaft, doch nicht schnell

Bournemouth Symphony Orchestra
Pietari Inkinen, regente
Ilia Kaler, violino 

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sábado, 7 de março de 2026

Johannes Brahms (1833-1897) - Symphony No. 2 in D Major, Op. 73 e Symphony No. 4 in E Minor, Op. 98

Extraído da apresentação do disco:

"A Primeira Sinfonia de Johannes Brahms tornou-se célebre pelo longo período de gestação: foram 21 anos entre a concepção e a estreia. O intervalo refletia tanto o rigor autocrítico do compositor quanto o peso das expectativas de seu tempo, já que muitos acreditavam que sua obra sinfônica daria continuidade direta ao legado de Ludwig van Beethoven.

Em contraste marcante, a Segunda Sinfonia teve um processo muito mais rápido. Iniciada em junho de 1877, foi apresentada ao público apenas seis meses depois, sob a regência de Hans Richter e interpretada pela Vienna Philharmonic. A obra também difere da anterior em seu caráter: mais leve, luminosa e de atmosfera pastoral.

Após um intervalo de cerca de seis anos, Brahms voltou ao gênero sinfônico em 1883. Nesse período, compôs em rápida sucessão a Terceira e a Quarta Sinfonias. A Quarta, iniciada em 1884, teve estreia em outubro de 1885, com o próprio compositor à frente da Meiningen Court Orchestra.

A obra destaca-se especialmente pelo movimento final, estruturado como uma Passacaglia - forma musical extremamente rara em sinfonias. Além disso, é a única das sinfonias de Brahms a terminar em tonalidade menor, conferindo à conclusão um caráter particularmente dramático".

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!

Johannes Brahms (1833-1897) - 

01. Symphony No. 2 in D Major, Op. 73: I. Allegro non troppo (18:19)
02. Symphony No. 2 in D Major, Op. 73: II. Adagio non troppo (8:17)
03. Symphony No. 2 in D Major, Op. 73: III. Allegretto grazioso (4:58)
04. Symphony No. 2 in D Major, Op. 73: IV. Allegro con spirito (9:27)
05. Symphony No. 4 in E Minor, Op. 98: I. Allegro non troppo (13:08)
06. Symphony No. 4 in E Minor, Op. 98: II. Andante moderato (11:28)
07. Symphony No. 4 in E Minor, Op. 98: III. Allegro giocoso (6:12)
08. Symphony No. 4 in E Minor, Op. 98: IV. Allegro energico e passionato (9:37)

Bergen Philharmonic Orchestra
Edward Gardner, regente 

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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Johannes Brahms (1833-1897) - Symphony No. 2 in D Major, Op. 73 e Academic Festival Overture in C Minor, Op. 80

Sempre que vou ouvir a música de Brahms, passo a ser todo atenção. Sei que ali existe algo grandioso, sensível, digno de que os sentidos se apropriem de cada elemento, de cada insinuação. Neste disco, por exemplo, eis que surgem dois dos trabalhos orquestrais mais significativos do compositor.

O primeiro deles é a Sinfonia No. 2, considerada uma espécie de “sinfonia pastoral” do compositor, justamente pelos idílios e pelas reflexões densas. A obra é luminosa, um pouco diferente dos demais trabalhos sinfônicos do compositor, sempre calcados pelo apelo dramático, pelas incursões por galáxias luminosas. Talvez, esse espírito de afirmação da vida seja resultado do momento em que ela foi escrita, no verão de 1877, enquanto o compositor se encontrava passando uma temporada às margens do lago Wörthersee, na Áustria. Há uma alegria que emana dela, mas essa alegria nunca é ingênua. Ela parece apontar que, mesmo em dias bonitos, ensolarados, é preciso prestar atenção por onde se caminha e ter consciência dos próprios passos.

E a última obra do disco é a festiva “Abertura para um Festival Acadêmico”, composta por volta de 1880. Ela, diferente da Sinfonia No. 2, revela uma atmosfera espirituosa - e quase irreverente. A obra é fruto de uma circunstância bastante curiosa. Após receber um doutorado honorário pela Universidade de Breslau, o compositor apresentou a obra. Esperava-se que fosse algo solene e ligado à circunstância que satisfazia a existência da homenagem. Pelo contrário, Brahms de maneira bastante incomum escreveu uma obra baseada em canções estudantis populares. Ou seja, trata-se de algo que fugia à regra, já que a personalidade é ligada à frugalidade e a expansões contidas. Percebe-se que essa máxima, talvez, não seja totalmente eficaz.

De qualquer forma, é ótimo ouvir esses dois trabalhos extraordinários. Brahms nos mostra que a música é uma forma de pensar e refletir sobre o mundo. Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

 Johannes Brahms (1833-1897) - 

01. Symphony No. 2 in D Major, Op. 73 -  I. Allegro non troppo
02. Symphony No. 2 in D Major, Op. 73 -  II. Adagio non troppo
03. Symphony No. 2 in D Major, Op. 73 -  III. Allegretto grazioso
04. Symphony No. 2 in D Major, Op. 73 -  IV. Allegro con spirito
05. Academic Festival Overture in C Minor, Op. 80

Gewandhausorchester

Herbert Blomstedt, regente 

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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Johannes Brahms (1833-1897) - Symphony No. 3 in F Major, Op. 90 e Symphony No. 4 in E Minor, Op. 98

 

Brahms é um dos meus compositores favoritos da vida. Quem, esporadicamente, aparece por aqui, já percebeu a minha predileção por ele. Sua música é a elevação do humano a categorias do indescritível. Brahms era um sujeito absolutamente reservado e crítico. Não gostava de aparecer. Possuía um senso de respeito pelos vultos do passado, entre eles se inscreviam Haydn, Mozart e Beethoven. Esse respeito, essa percepção da grandiosidade desses sujeitos, fez com que o compositor demorasse bastante a incursionar pelo mundo das obras sinfônicas.

Seu grande modelo de perfeição era Beethoven. Entendemos o compositor. Na sua cabeça, o que poderia ser escrito e pensado após Beethoven? Certamente, muitos esboços foram rasgados. Hoje, enquanto escutamos as quatro sinfonias que escreveu, lamentamos que ele não tenha avançado até à Nona como fez seu grande ídolo.

Neste disco, encontramos as sinfonias 3 e 4. As duas foram escritas na década de 1880, em um período de grande maturidade para o compositor. Nesse período, enquanto a música programática, operística, os poemas sinfônicos se apegavam às grandes histórias de personagens, Brahms seguia pela outra margem do rio. Não se abalava com isso. Para ele o que contava era aquilo que ele chamava de “música absoluta”, ou seja, aquela que não precisa de um enredo para existir. Ela por si só possui eloquência.

Os dois trabalhos aqui colocados não se preocupam em explicitar histórias medievais ou de heróis, como ocorria com a música de Wagner. Sua preocupação é permitir que a música fale – profundamente – sobre o que é ser humano – a força, fragilidade, os silêncios, as ambiguidades, os dilemas existenciais, em suma, a grande tarefa que é existir em um mundo repleto de variáveis, de mudanças.

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

01. Symphony No. 3 in F Major, Op. 90: 1. Allegro con brio 
02. Symphony No. 3 in F Major, Op. 90: 2. Andante 
03. Symphony No. 3 in F Major, Op. 90: 3. Poco allegretto 
04. Symphony No. 3 in F Major, Op. 90: 4. Allegro 
05. Symphony No. 4 in E Minor, Op. 98: 1. Allegro non troppo 
06. Symphony No. 4 in E Minor, Op. 98: 2. Andante moderato 
07. Symphony No. 4 in E Minor, Op. 98: 3. Allegro giocoso 
08. Symphony No. 4 in E Minor, Op. 98: 4. Allegro energico e passionato 

Australian Chamber Orchestra

Richard Tognetti, regente

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terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Johannes Brahms (1833-1897) - Clarinet Quintet in B Minor, Op. 115 e Clarinet Sonata in E-Flat Major, Op. 120 No. 2

Tenho uma profunda admiração pela música de Johannes Brahms. Para mim, um dos maiores poetas da história. Neste disco, encontramos duas peças extraordinárias, escritas já no final de sua vida. Longe de denotarem uma ideia de cansaço, elas exalam delicadeza e uma sabedoria musical incomum. Trata-se de obras de alguém que aprendeu a conviver com o silêncio; com reflexões demoradas. Afirmo isso, pois dizem os historiadores que Brahms era um sujeito de poucos amigos, que gostava da solidão; que se recolhia e experimentava delicados silêncios.

O Opus 115 foi escrito em 1881, um período de maturidade do compositor. O clarinete se junta a um quarteto de cordas (dois violinos, uma viola e um violoncelo). Não há disputas. Existe um diálogo, um colóquio delicado de cada um dos instrumentos. Há momentos de uma funda densidade melancólica, de gestos sombrios; mas há outros momentos de profunda e enternecida ternura. É uma das obras mais belamente escritas pelo compositor. O clarinete parece nos falar, num gesto íntimo, de histórias antigas, de coisas que se foram, que se perderam nas curvas do tempo. É bonito de morrer.

Já a Sonata para clarinete e piano, o Opus 120, foi escrito pelo compositor em 1894, três anos antes da sua morte. É uma obra de maturidade, de síntese, de alguém que não precisa provar mais nada à vida. Aqui acontece um gesto de delicada intimidade, pois há o encontro – apenas – do clarinete e do piano. A sala é iluminada pela cumplicidade, pelo gesto sobranceiro de alguém que confessa segredos. Há finas camadas de humor, de uma leveza, de alguém que aprendeu a se entusiasmar com a presença. Brahms descreve a vida como uma conversa entre dois indivíduos que estão pouco preocupados com o tempo, com as exigências da agenda. A conversa é leve, despojada, sem preocupação. É uma crônica de como deveria ser o encontro de duas pessoas que se querem bem.

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Johannes Brahms (1833-1897) - 

01. Clarinet Quintet in B Minor, Op. 115 -  I. Allegro
02. Clarinet Quintet in B Minor, Op. 115 -  II. Adagio
03. Clarinet Quintet in B Minor, Op. 115 -  III. Andantino
04. Clarinet Quintet in B Minor, Op. 115 -  IV. Con moto
05. Clarinet Sonata in E-Flat Major, Op. 120 No. 2 -  I. Allegro amabile
06. Clarinet Sonata in E-Flat Major, Op. 120 No. 2 -  II. Allegro appassionato - Sostenuto
07. Clarinet Sonata in E-Flat Major, Op. 120 No. 2 -  III. Andante con moto - Allegro-più tranquillo

Lindsay String Quartet 

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quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Johannes Brahms (1833-1897) - Piano Concerto No.2 in B Flat Major, Op.83

Uma obra-prima incontestável. Escrito entre os anos de 1878 e 1881, o Concerto para piano e orquestra No. 2, de Brahms, é uma obra cujos adjetivos são insuficientes. Nele, encontramos equilíbrio; Brahms propõe um diálogo amplo, maduro e profundamente arquitetado entre o piano e orquestra.

Brahms extrapola a convenção e escreve quatro movimentos, o que aproxima a obra quase de uma sinfonia. Maduro e seguro de si, o compositor parece ir além dos concertos.  O Segundo Concerto de Brahms é uma afirmação de equilíbrio entre intelecto e emoção, rigor formal e liberdade expressiva. É música que exige não apenas técnica extraordinária do solista, mas também escuta atenta. Ele se derrama em um lirismo que procura fugir dos esquemas sentimentais do romantismo. Brahms emociona sem ser piegas. Coisa de gente sabida.

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Johannes Brahms (1833-1897) - 

01 Brahms_ Piano Concerto No.2 in B Flat Major, Op.83 - 1. Allegro non troppo
02 Brahms_ Piano Concerto No.2 in B Flat Major, Op.83 - 2. Allegro appassionato
03 Brahms_ Piano Concerto No.2 in B Flat Major, Op.83 - 3. Andante - Più adagio
04 Brahms_ Piano Concerto No.2 in B Flat Major, Op.83 - 4. Allegretto grazioso - Un poco più presto 

Wiener  Philharmoniker
Bernard Haitink, regente
Vladimir Ashkenazy, piano 

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quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Johannes Brahms (1833-1897) - Symphony No. 4 in E Minor, Op. 98 e Ludwig van Beethoven (1770-1827) - Symphony No. 7 in A Major, Op. 92

Primeira postagem de 2026. Após 16 anos de blog, ainda continuamos por aqui. Impelimos a marcha solitariamente. Em abril, se tudo der certo, chegaremos ao décimo sétimo ano de existência. Em 2025, foram 470 postagens; um número bem menor que o de 2024; naquela ocasião, foram 630. Mas, é importante mencionar que, naquele ano, não havia texto inserido nas postagens, algo que voltamos a fazer em 2025. 

O fato é que após tanto tempo, fica um questionamento: até quando continuar? Além disso, outra pergunta surge: por que continuar a fazer um trabalho como este em tempos de Spotify, Amazon Music, Deezer ou Tidal, por exemplo? Não sei. Talvez, eu o faça (1), pois me força a ouvir música clássica diariamente - algo sem a qual eu não consigo viver; (2) por ser uma forma prazerosa de aprender com a vida de artistas extraordinários; e (3) pela possibilidade de fazer algo em prol da beleza. Isso parece meio vago, mas são justificativas que estruturam a a minha vontade. 

Sei que, às vezes, pareço meio insensível, pois não respondo às mensagens para revalidar links quebrados. Não parece, mas leio todos os pedidos. É difícil atender a todas as solicitações. Tenho os arquivos. Revalidá-los é um trabalho de outra ordem, que exige tempo. E tempo para mim é uma coisa complicada. Portanto, peço desculpas pelo fato de não atender à maioria das solicitações. Vou tentar me esforçar, em 2026, para ser mais rápido; e, ao menos, uma vez por semana, restaurar um arquivo quebrado. 

Escutei o presente disco ontem. Escute-o também. Todo início de ano, promessas são feitas. Eu, por exemplo, prometi para mim mesmo que, em 2026, lerei mais poesia - pelo menos um poema por dia.  Também desejo que você faça o mesmo. A melhor forma de começar o ano é entrando em contato com a beleza, com o indizível, portanto escute as duas sinfonias deste disco. 

Mais uma vez, aos seis visitantes que ainda frequentam este espaço - ou àqueles que chegam por aqui de forma acidental -, desejo um extraordinário 2026. Que a beleza - e a música propicia isso - conduza os nossos afetos. Boa apreciação!

01. Symphony No. 4 in E Minor, Op. 98: I. Allegro non troppo (12:53)
02. Symphony No. 4 in E Minor, Op. 98: II. Andante moderato (12:19)
03. Symphony No. 4 in E Minor, Op. 98: III. Allegro giocoso (7:01)
04. Symphony No. 4 in E Minor, Op. 98: IV. Allegro energico e passionato (10:54)
05. Symphony No. 7 in A Major, Op. 92: I. Poco sostenuto - Vivace (15:08)
06. Symphony No. 7 in A Major, Op. 92: II. Allegretto (9:34)
07. Symphony No. 7 in A Major, Op. 92: III. Presto - Assai meno presto (8:14)
08. Symphony No. 7 in A Major, Op. 92: IV. Allegro con brio (7:34)

Chicago Symphony Orchestra
Carlo Maria Giulini, regente 

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segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

Johannes Brahms (1833-1897) - String Sextets

A estética de Brahms é inconfundível. Podemos distinguí-la a alguns metros de distância. Há uma beleza e uma clareza estrutural únicas, que afirmam a genialidade do compositor. As duas obras encontradas neste disco (e que gravação!) estão separadas por um período de cinco anos. A primeira é do ano de 1860 e, a segunda, de 1865. 

O Sexteto em Si bemol maior, Op. 18, concluído quando Brahms ainda buscava afirmar-se como compositor, revela um artista consciente da tradição vienense, mas já dotado de voz própria.  Já o Sexteto em Sol maior, Op. 36, Brahms dá um passo decisivo rumo a uma escrita mais introspectiva e arquitetonicamente complexa. 

São obras cuja beleza indica o senso apurado de Brahms. Nas duas obras o compositor mostra pleno domínio da formação camerística ampliada, produzindo texturas ricas sem sacrificar a distinção das linhas individuais. 

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Johannes Brahms (1633-1897) - 

01 - I. Allegro ma non troppo
02 - II. Andante ma moderato
03 - III. Scherzo. Allegro molto
04 - IV. Rondo. Poco allegretto e grazioso
05 - I. Allegro non troppo
06 - II. Scherzo. Allegro non troppo — Presto giocoso
07 - III. Poco adagio
08 - IV. Poco allegro

Belcea Quartet 

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domingo, 2 de novembro de 2025

Klaus Tennstedt - The Great EMI Recordings - Beethoven & Brahms (CDs 1, 2, 3 & 4 de 14)

Adoro essas caixas que fazem um apanhado da obra de certos artistas. No caso em questão, encontramos nesta postagem, 14 discos sob a regência do maestro alemão Klaus Tennstedt, nascido em 1926 e morto em 1998. O regente ficou conhecido pelo trabalho realizado à frente da Filarmônica de Londres; todavia, ele regeu outras orquestras importantes da Europa e dos Estados Unidos. Destaques: Orquestra Sinfônica de Chicago, Orquestra da Filadélfia, Metropolitan Opera House e Filarmônica de Nova York.

Tennstedt ficou conhecido ficou conhecido como o "O maestro da alta voltagem" pela intensidade com que regia. Ele esteve à frente da Filarmônica de Londres entre os anos de 1976 a 1987 e realizou ciclos extraordinários. Destacam-se, por exemplo, suas gravações de Mahler. Neste disco, temos um conjunto bem amplo de compositores. Sua especialidade além de Mahler - Bruckner, Wagner e Beethoven. Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!

DISCO 01

01 - Symphony No. 3 in E flat major (-Eroica-), Op. 55- I. Allegro con brio
02 - Symphony No. 3 in E flat major (-Eroica-), Op. 55- II. Marcia funebre- Adagio...
03 - Symphony No. 3 in E flat major (-Eroica-), Op. 55- III. Scherzo- Allegro vivace
04 - Symphony No. 3 in E flat major (-Eroica-), Op. 55- IV. Finale- Allegro molto
05 - Die Geschöpfe des Prometheus (The Creatures of Prometheus), ballet, Op. 43- O...
06 - Coriolan Overture, Op. 62
07 - Egmont, incidental music, Op. 84- Overture

DISCO 02

01 - Symphony No. 6 in F major ('Pastoral'), Op. 68 I. Allegro ma non troppo. Awa...
02 - Symphony No. 6 in F major ('Pastoral'), Op. 68 II. Andante molto mosso. Scen...
03 - Symphony No. 6 in F major ('Pastoral'), Op. 68 III. Allegro. Peasants' Merry...
04 - Symphony No. 6 in F major ('Pastoral'), Op. 68 IV. Allegro. The Storm
05 - Symphony No. 6 in F major ('Pastoral'), Op. 68 V. Allegretto. Shepherd's Hym...
06 - Symphony No. 8 in F major, Op. 93 I. Allegro vivace e con brio
07 - Symphony No. 8 in F major, Op. 93 II. Allegretto scherzando
08 - Symphony No. 8 in F major, Op. 93 III. Tempo di menuetto
09 - Symphony No. 8 in F major, Op. 93 IV. Allegro vivace
10 - Fidelio, overture, Op. 72c

DISCO 03

01 - Symphony No.1 in C minor op.68 - I. Un poco sostenuto - Allegro - Meno allegro
02 - Symphony No.1 in C minor op.68 - II. Andante sostenuto
03 - Symphony No.1 in C minor op.68 - III. Un poco allegretto e grazioso
04 - Symphony No.1 in C minor op.68 - IV. Adagio - Più andante - Allegro non tropp...
05 - Ein deutsches Requiem op.45 - I. Selig sind, die da Leid tragen
06 - Ein deutsches Requiem op.45 - II. Denn alles Fleisch, es ist wie Gras

DISCO 04

01 - A German Requiem III. Herr, Lehr Doch Mich
02 - A German Requiem IV. Wie Lieblich Sind Deine Wohnungen
03 - A German Requiem V. Ihr Habt Nun Trauigkeit
04 - A German Requiem VI. Denn Wir Haben Hie Keine Bleibende Statt
05 - A German Requiem VII. Selig Sind Die Toten
06 - Schicksalslied, Op. 54

London Philharmonic Orchestra
London Philharmonic Choir
BBC Symphony Chorus

Klaus Tennestedt, regente 

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domingo, 26 de outubro de 2025

Johannes Brahms (1833-1897) - The 4 Symphonies, Overtures, Violin Concerto & Variations on a Theme by Haydn

Postagem, simplesmente, imperdível. Abaixo, uma excelente artigo da Revista Concerto para conhecer o compositor:

"Johannes Brahms nasceu em 7 de maio de 1833 na cidade portuária de Hamburgo, ao norte da Alemanha, como o segundo dos três filhos do casal Johann Jakob Brahms e Johanna Henrika Christiane Nissen. Foi o pai, um contrabaixista, que lhe passou os primeiros ensinamentos musicais. A partir dos 7 anos, Johannes passou a estudar piano com Otto Cossel, que mais tarde o apresentou a Eduard Marxsen, compositor e regente da Filarmônica de Hamburgo, músico de grande reputação no norte da Alemanha. Foi Marxsen quem iniciou o jovem Brahms na arte e no culto a grandes mestres como Bach, Mozart e Beethoven.

Ao enfatizar o estudo da composição na apreensão de obras de compositores do passado (algo raro até então), Marxsen foi responsável por uma das principais características da obra de Brahms, que é a forte relação com o passado e com a tradição clássica. Por um lado, isso se reflete na abundante produção de sonatas, músicas de câmara, concertos, sinfonias e outros gêneros próprios do Classicismo. Por outro, Brahms notabilizou-se pela oposição a correntes vanguardistas – em especial a música de Franz Liszt e Richard Wagner –, apesar de, no plano pessoal, ter mantido cordial relacionamento com esses compositores.

Antes de deslanchar sua carreira como compositor, Brahms atuou de forma intensa como “músico prático”. Na juventude, batia cartão como acompanhador de cantores numa companhia de marionetes, além de garantir a música e a dança de festividades diversas em um cotidiano atarefado e extenuante. Como compositor, o rigor e a religiosidade com que encarava a criação musical fizeram que destruísse muitas composições e que se escondesse em pseudônimos, tal como o G. W. Marks de uma coleção de peças para piano a quatro mãos.

O ano de 1853 marca um ponto decisivo na vida de Brahms. Ao empreender uma turnê junto com o violinista Eduard Reményi, Brahms amplia sua reputação, além de travar contato com proeminentes personalidades do mundo musical, tais como o violinista Joseph Joachim (para quem posteriormente dedicaria seu Concerto para violino), Liszt e a família Schumann. Robert, o compositor, foi generoso em receber e apadrinhar o jovem artista. Por sua vez, Clara, esposa de Robert e uma das mais aclamadas pianistas profissionais da época, divulgou a criação de Brahms ao inserir as obras dele em seus recitais e suas apresentações, dando início um vínculo que foi muito além das cordialidades musicais".

Texto completo aqui 

Johannes Brahms (1833-1897) - 

01. Symphony No. 1 in C Minor, Op. 68: I. Un poco sostenuto - Allegro (13:58)
02. Symphony No. 1 in C Minor, Op. 68: II. Andante sostenuto (9:19)
03. Symphony No. 1 in C Minor, Op. 68: III. Un poco allegretto e grazioso (4:31)
04. Symphony No. 1 in C Minor, Op. 68: IV. Finale. Adagio (16:41)
05. Symphony No. 3 in F Major, Op. 90: I. Allegro con brio (13:03)
06. Symphony No. 3 in F Major, Op. 90: II. Andante (8:46)
07. Symphony No. 3 in F Major, Op. 90: III. Poco allegretto (6:18)
08. Symphony No. 3 in F Major, Op. 90: IV. Allegro (8:34)
09. Symphony No. 2 in D Major, Op. 73: I. Allegro non troppo (20:02)
10. Symphony No. 2 in D Major, Op. 73: II. Adagio non troppo (9:04)
11. Symphony No. 2 in D Major, Op. 73: III. Allegretto grazioso. Quasi andantino (5:01)
12. Symphony No. 2 in D Major, Op. 73: IV. Allegro con spirito (8:49)
13. Symphony No. 4 in E Minor, Op. 98: I. Allegro non troppo (13:02)
14. Symphony No. 4 in E Minor, Op. 98: II. Andante moderato (12:23)
15. Symphony No. 4 in E Minor, Op. 98: III. Allegro giocoso (6:19)
16. Symphony No. 4 in E Minor, Op. 98: IV. Allegro energico e passionato (10:11)
17. Academic Festival Overture, Op. 80 (9:32)
18. Tragic Overture, Op. 81 (13:32)
19. Violin Concerto in D Major, Op. 77: I. Allegro non troppo (21:00)
20. Violin Concerto in D Major, Op. 77: II. Adagio (8:50)
21. Violin Concerto in D Major, Op. 77: III. Allegro giocoso, ma non troppo vivace (7:47)
22. Variations on a Theme by Haydn, Op. 56a "St. Antoni Chorale" (18:06)

The Cleveland Orchestra
Christoph von Dohnányi, regente
Thomas Zehetmair, violino 

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sábado, 6 de setembro de 2025

Johannes Brahms (1833-1897) - Cello Sonata No. 1 in E Minor, Op. 38, Cello Sonata No. 2 in F Major, Op. 99 e Cello Sonata No. 2 in F Major, Op. 99: Ballata and Ballabile, Op. 160

Encontramos neste disco duas das mais bonitas e delicadas obras do repertório. O Op. 38 de Brahms é, para mim, uma das coisas mais impressionantes escritas por Brahms. Elaborada entre os anos de 1862 e 1865, naquele lento e gradual movimento do compositor, como se maturasse com muita reverência cada nota. Outra coisa importante a se dizer é o encontro perfeito entre os dois instrumentos. Brahms sabia, como ninguém, proporcionar esse encontro.

A Sonata No. 2 é do ano de 1886, ou seja, mais de vinte anos depois, quando o compositor era um espécie de reverendo instrumentalizado; dono de todas as referências e digno de respeito. A diferença é notável: se na primeira obra predomina a introspecção e o peso romântico, aqui encontramos um compositor expansivo, de linguagem mais ousada. Em vinte anos, o compositor desenvolvera novas percepções; a finalidade estética é completamente outra.

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

01. Cello Sonata No. 1 in E Minor, Op. 38: I. Allegro non troppo
02. Cello Sonata No. 1 in E Minor, Op. 38: II. Allegro quasi Menuetto
03. Cello Sonata No. 1 in E Minor, Op. 38: III. Allegro
04. Cello Sonata No. 2 in F Major, Op. 99: I. Allegro vivace
05. Cello Sonata No. 2 in F Major, Op. 99: II. Adagio affettuoso
06. Cello Sonata No. 2 in F Major, Op. 99: III. Allegro passionato
07. Cello Sonata No. 2 in F Major, Op. 99: IV. Allegro molto
08. Cello Sonata No. 2 in F Major, Op. 99: Ballata and Ballabile, Op. 160: No. 1, Ballata

Steffan Morris, violoncelo
Alasdair Beatson, piano

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quinta-feira, 21 de agosto de 2025

Johannes Brahms (1833-1897) - Violin Concerto in D Major, Op. 77 e Piano Concerto No. 1 in D Minor, Op. 15 e Robert Schumann (1810-1856) -

"Após escrever as duas primeiras sinfonias durante um curto intervalo de tempo, Brahms se dedicou não apenas ao segundo concerto para piano, mas também a seu Concerto para violino, que concluiu em 1878 e dedicou a seu grande amigo Joseph Joachim. 

Poucos anos depois, em 1881, Brahms terminou a Sinfonia nº 3, que foi chamada por Hans Richter, maestro que a estreou em 1883 junto à Filarmônica de Viena, como a Eroica de Brahms, em mais uma aproximação com Beethoven. Mais curta dentre as quatro sinfonias do compositor, essa obra apresenta diversas particularidades para os ouvintes, mesmo em uma primeira audição, como o fato de que todos os movimentos terminam em dinâmicas suaves ou de que a partitura é recheada de melodias memoráveis.

Daqui

Em 1854, aos 21 anos, Brahms começou a escrever uma sonata para dois pianos. Tencionava a princípio fazer dela sua Sinfonia nº 1, mas depois de inúmeras revisões, a composição acabou assumindo a forma de seu Concerto nº 1 para Piano e Orquestra em Ré Menor, Op. 15.

Para dar-lhe a forma final de Concerto, ele descartou da versão original uma marcha fúnebre em forma de Sarabanda e acrescentou, ao término, um Rondó alegre. 

Segundo comentários do violinista Joseph Joachim, o primeiro movimento retrataria a terrível impressão produzida em Brahms pela tentativa de suicídio de seu amigo e mentor Robert Schumann.

O manuscrito do segundo movimento trazia a inscrição: “Benedictus qui venit in nomine Domini” (Bendito o que vem em nome do Senhor) – Brahms chamava Schumann de “Domine”. Quem seria, então, o enviado de Schumann? Uma interpretação leva a crer ter sido Clara, esposa de Schumann, pois em uma carta que Brahms enviou a ela, posteriormente, afirmou: “Estou pintando um belo retrato seu: vai ser o Adagio“. 

 Daqui

01 - Brahms_ Violin Concerto in D Major, Op. 77_ I. Allegro non troppo (Live)
02 - Brahms_ Violin Concerto in D Major, Op. 77_ II. Adagio (Live)
03 - Brahms_ Violin Concerto in D Major, Op. 77_ III. Allegro (Live)
04 - Schumann_ Piano Quartet in E-Flat Major, Op. 47_ I. Sostenuto assai - Allegro ma non troppo (Live)
05 - Schumann_ Piano Quartet in E-Flat Major, Op. 47_ II. Scherzo. Molto vivace (Live)
06 - Schumann_ Piano Quartet in E-Flat Major, Op. 47_ III. Andante cantabile (Live)
07 - Schumann_ Piano Quartet in E-Flat Major, Op. 47_ IV. Finale. Vivace (Live)
08 - Brahms_ Piano Concerto No. 1 in D Minor, Op. 15_ I. Maestoso - Poco più moderato (Live)
09 - Brahms_ Piano Concerto No. 1 in D Minor, Op. 15_ II. Adagio (Live)
10 - Brahms_ Piano Concerto No. 1 in D Minor, Op. 15_ IV. Rondo (Live)

Royal Concertgebouw Orchestra Amsterdam
Bernard Haitink, regente
Frank P. Zimmermann, violino
RCO CHamber Soloists
Vesko Eschkenazy, violino
Henk Rubingh, viola
Gregor Horsch, violoncelo
Emanuel Ax, piano 

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