quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Johannes Brahms (1833-1897) - Symphony No. 3 in F Major, Op. 90 e Symphony No. 4 in E Minor, Op. 98

 

Brahms é um dos meus compositores favoritos da vida. Quem, esporadicamente, aparece por aqui, já percebeu a minha predileção por ele. Sua música é a elevação do humano a categorias do indescritível. Brahms era um sujeito absolutamente reservado e crítico. Não gostava de aparecer. Possuía um senso de respeito pelos vultos do passado, entre eles se inscreviam Haydn, Mozart e Beethoven. Esse respeito, essa percepção da grandiosidade desses sujeitos, fez com que o compositor demorasse bastante a incursionar pelo mundo das obras sinfônicas.

Seu grande modelo de perfeição era Beethoven. Entendemos o compositor. Na sua cabeça, o que poderia ser escrito e pensado após Beethoven? Certamente, muitos esboços foram rasgados. Hoje, enquanto escutamos as quatro sinfonias que escreveu, lamentamos que ele não tenha avançado até à Nona como fez seu grande ídolo.

Neste disco, encontramos as sinfonias 3 e 4. As duas foram escritas na década de 1880, em um período de grande maturidade para o compositor. Nesse período, enquanto a música programática, operística, os poemas sinfônicos se apegavam às grandes histórias de personagens, Brahms seguia pela outra margem do rio. Não se abalava com isso. Para ele o que contava era aquilo que ele chamava de “música absoluta”, ou seja, aquela que não precisa de um enredo para existir. Ela por si só possui eloquência.

Os dois trabalhos aqui colocados não se preocupam em explicitar histórias medievais ou de heróis, como ocorria com a música de Wagner. Sua preocupação é permitir que a música fale – profundamente – sobre o que é ser humano – a força, fragilidade, os silêncios, as ambiguidades, os dilemas existenciais, em suma, a grande tarefa que é existir em um mundo repleto de variáveis, de mudanças.

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

01. Symphony No. 3 in F Major, Op. 90: 1. Allegro con brio 
02. Symphony No. 3 in F Major, Op. 90: 2. Andante 
03. Symphony No. 3 in F Major, Op. 90: 3. Poco allegretto 
04. Symphony No. 3 in F Major, Op. 90: 4. Allegro 
05. Symphony No. 4 in E Minor, Op. 98: 1. Allegro non troppo 
06. Symphony No. 4 in E Minor, Op. 98: 2. Andante moderato 
07. Symphony No. 4 in E Minor, Op. 98: 3. Allegro giocoso 
08. Symphony No. 4 in E Minor, Op. 98: 4. Allegro energico e passionato 

Australian Chamber Orchestra

Richard Tognetti, regente

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