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sábado, 3 de outubro de 2026

Ludwig van Beethoven (1770-1827) - Ouverture 'Leonore' No. 3, Op. 72b e Symphony No. 5 in C minor, Op. 67 e Dmitri Shostakovich (1906-1975) - Symphony No. 1 in F minor, Op. 10

A passagem de Constantin Silvestri (1913–1969) pelo Japão ocupa um lugar singular na história da NHK Symphony Orchestra. Nascido na Romênia, o maestro deixou seu país em 1959, transferiu-se para Paris e, dois anos depois, assumiu a direção da Bournemouth Symphony Orchestra, na Inglaterra. Em 1967, obteve a cidadania britânica. Morreu em Londres, aos 55 anos, vítima de câncer. Sua trajetória internacional, contudo, inclui uma relação particularmente significativa com o Japão, onde suas apresentações à frente da NHK Symphony Orchestra contribuíram para consolidar sua reputação entre os músicos e o público locais.

O material dedicado a essas gravações recupera especialmente sua temporada de 1964, quando Silvestri esteve à frente da NHK entre março e maio. Naquele período, a orquestra não mantinha um regente titular permanente e costumava convidar maestros para períodos de um a dois meses. Silvestri realizou seis gravações públicas e concertos extraordinários, além de duas apresentações regulares, conduzindo ao todo oito programas. Entre as obras registradas estavam a Sinfonia nº 9, “Do Novo Mundo”, de Dvořák, e a Sinfonia nº 4, de Tchaikovsky, que posteriormente chegaram ao catálogo fonográfico.

O conjunto de registros associado a essa passagem revela um maestro cuja abordagem estava longe da mera reprodução literal da partitura. Segundo os depoimentos reunidos no encarte, Silvestri era conhecido por introduzir mudanças espontâneas durante os ensaios e por buscar, nos concertos, uma dose calculada de imprevisibilidade. O produtor da NHK responsável pelo registro, Tatsuya Hosono, descreve um profissional cuja maneira de trabalhar podia surpreender os músicos: alterações na condução dos ensaios, mudanças repentinas em determinados aspectos da interpretação e uma preparação que nem sempre obedecia aos procedimentos convencionais.

Essa liberdade, entretanto, não significava falta de preparação. Pelo contrário: os relatos destacam que Silvestri recorria a ensaios minuciosos para alcançar a espontaneidade desejada no momento da apresentação. Seu objetivo parecia ser fazer com que a estrutura construída durante a preparação servisse de suporte para uma interpretação capaz de reagir às circunstâncias do concerto. A tensão entre planejamento e improvisação torna-se, assim, um dos elementos centrais de sua imagem artística.

O encarte também registra a percepção de que Silvestri possuía especial interesse pelo repertório da Europa Central e Oriental. Seu trabalho com a NHK incluiu obras de Dvořák, Tchaikovsky, Schubert, Bruckner, Beethoven, Mozart, Brahms, Haydn, entre outros compositores. A programação de seus concertos revela, portanto, um repertório amplo, no qual a tradição sinfônica germânica convivia com compositores eslavos e com obras do século XX.

Um dos pontos de destaque é a gravação da Sinfonia nº 8 em Sol maior, Op. 88, de Antonín Dvořák. A obra foi registrada em 1973, já depois da morte de Silvestri, em uma gravação da NHK, mas o repertório de Dvořák ocupa posição importante entre as obras que o maestro apresentou no Japão. 

A relação de Silvestri com a NHK não se limitou, contudo, às apresentações. O maestro também deixou uma impressão marcante entre os músicos. Depoimentos citados no material ressaltam sua capacidade de produzir, no concerto, efeitos que não eram necessariamente previsíveis a partir dos ensaios. Essa característica aparece associada à sua maneira de construir tensão e expectativa: o trabalho preparatório podia parecer excessivamente rigoroso ou peculiar, mas adquiria outra dimensão quando a música finalmente chegava ao palco.

Sua carreira ajuda a compreender essa personalidade artística. Antes de estabelecer-se no Ocidente, Silvestri havia desenvolvido uma importante trajetória na Romênia. Em 1935, passou a trabalhar na Ópera de Bucareste como pianista e maestro e, posteriormente, ocupou posições de destaque na vida musical romena. Depois da Segunda Guerra Mundial, dirigiu a Filarmônica Nacional e acumulou funções de direção e ensino. A partir dos anos 1950, sua carreira internacional ganhou impulso, incluindo os três Grand Prix du Disque consecutivos recebidos em 1957, 1958 e 1959 por gravações de obras de Dvořák e Khachaturian.

Em 1956, Silvestri iniciou sua presença mais constante no Ocidente, estabelecendo-se em Paris e ampliando progressivamente suas atividades internacionais. Em 1961, tornou-se regente titular da Bournemouth Symphony Orchestra, instituição com a qual permaneceria até sua morte. Sua agenda também o levou a Londres e a outros importantes centros musicais europeus, enquanto suas gravações passaram a circular internacionalmente.

O próprio maestro, em entrevista reproduzida no material, apresenta uma visão bastante ampla da atividade musical. Para ele, a existência de uma grande orquestra podia transformar uma cidade em referência cultural, como ocorria com localidades que se tornaram conhecidas justamente por suas instituições musicais. Nesse sentido, sua passagem pelo Japão também pode ser compreendida como parte de uma circulação internacional de músicos, repertórios e modelos de vida orquestral que ajudou a aproximar diferentes tradições musicais.

Os registros da NHK associados a Silvestri preservam, assim, mais do que interpretações de um determinado repertório. Eles documentam o encontro entre um dos maestros mais singulares de sua geração e uma orquestra que, naquele período, consolidava sua presença no cenário internacional. A combinação entre disciplina de ensaio, liberdade no palco e forte personalidade interpretativa explica por que sua passagem pelo Japão permaneceu como uma referência na memória da NHK Symphony Orchestra.

No caso de Silvestri, o registro fonográfico assume valor particularmente importante: sua morte prematura, em 1969, interrompeu uma carreira que ainda se encontrava em plena atividade. As gravações e os testemunhos reunidos no material permitem, portanto, acompanhar não apenas o repertório que ele conduziu, mas também uma concepção de interpretação em que a fidelidade à obra convivia com o risco calculado de cada apresentação.

Uma boa apreciação! 

01 - Ouvertüre 'Leonore' No. 3, Op. 72b
02 - Symphony No. 5 in C minor, Op. 67 - I. Allegro con brio
03 - II. Andante con moto
04 - III. Scherzo Allegro
05 - IV. Allegro
06 - Symphony No. 1 in F minor, Op. 10 - I. Allegretto
07 - II. Allegro
08 - III. Lento
09 - IV. Lento - Allegro molto

NHK Symphony Orchestra, Tokyo
Constantin Silvestri, regente 

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domingo, 27 de setembro de 2026

Dmitri Shostakovich (1906-1975) - Chamber Music

Dmitri Shostakovich é, sem dúvida, um dos compositores mais importantes do século XX. Sua produção alcançou praticamente todos os grandes gêneros musicais, das sinfonias à ópera, passando pelas trilhas para cinema, pela música ligeira, pelos concertos e, naturalmente, pela música de câmara. É justamente a contribuição do compositor a esse último universo que esta coleção procura apresentar em uma abrangente seleção de obras.

Entre os destaques estão alguns dos títulos mais conhecidos de seu repertório camerístico, como a Sinfonia de Câmara de Rudolf Barshai, adaptação do Quarteto de Cordas nº 8 de Shostakovich, o Quarteto de Cordas nº 1 e o Quinteto com Piano. Reunidas no mesmo conjunto, essas obras permitem acompanhar diferentes aspectos da linguagem do compositor e de sua extraordinária capacidade de transitar entre forma, intensidade dramática e expressão pessoal.

O álbum também reserva espaço para obras menos conhecidas e verdadeiras joias do catálogo de Shostakovich. Entre elas estão peças raramente ouvidas para dois pianos, como a breve e espirituosa Tarantella, que explora um lado mais leve e incisivo de sua escrita, e o Concertino, op. 94, obra de caráter dramático e quase cinematográfico.

A seleção é completada por uma homenagem particularmente significativa: o Prelúdio em memória de Dmitri Shostakovich, de Alfred Schnittke. A peça funciona como uma espécie de epílogo ao percurso apresentado pela coleção e evidencia a influência que Shostakovich exerceu sobre compositores de gerações posteriores.

Ao reunir obras célebres e páginas menos familiares, o álbum oferece, assim, um panorama amplo da produção camerística de Shostakovich. Mais do que uma simples coletânea de favoritos, trata-se de um percurso que evidencia a diversidade de sua escrita e a dimensão expressiva de um compositor cuja produção se estendeu por praticamente todos os territórios da música de concerto do século XX.

Uma boa apreciação! 

Dmitri Shostakovich (1906-1975) - 

DISCO 01

01 - String Quartet No. 8 in C Minor Op. 110 (Arr. for String Orchestra by Rudolf Barshai) _ I. Largo
01 - String Quartet No. 8 in C Minor Op. 110 (Arr. for String Orchestra by Rudolf Barshai) _ I. Largo
03 - String Quartet No. 8 in C Minor Op. 110 (Arr. for String Orchestra by Rudolf Barshai)_ III. Allegretto
04 - String Quartet No. 8 in C Minor Op. 110 (Arr. for String Orchestra by Rudolf Barshai)_ IV. Largo
05 - String Quartet No. 8 in C Minor Op. 110 (Arr. for String Orchestra by Rudolf Barshai)_ V. Largo
06 - 6 Verses, Op. 143 (Arr. for Voice & String Quartet by Lera Auerbach)_ No. 1, My Poetry
07 - 6 Verses, Op. 143 (Arr. for Voice & String Quartet by Lera Auerbach)_ No. 2, Whence Comes This Tenderness_
08 - 6 Verses, Op. 143 (Arr. for Voice & String Quartet by Lera Auerbach)_ No. 3, Hamlet's Dialogue with His Conscience
09 - 6 Verses, Op. 143 (Arr. for Voice & String Quartet by Lera Auerbach)_ No. 4, The Poet and the Tsar
10 - 6 Verses, Op. 143 (Arr. for Voice & String Quartet by Lera Auerbach)_ No. 5, No, a Drum Was Heard
11 - 6 Verses, Op. 143 (Arr. for Voice & String Quartet by Lera Auerbach)_ No. 6, To Anna Akhmatova
12 - 2 Pieces for String Octet, Op. 11_ No. 1, Prelude
13 - 2 Pieces for String Octet, Op. 11_ No. 2, Scherzo
14 - Prelude in Memoriam Dmitri Shostakovich

DISCO 02

01 - Piano Quintet in G Minor, Op. 57_ I. Prelude. Lento - Poco più mosso
02 - Piano Quintet in G Minor, Op. 57_ II. Fugue. Adagio
03 - Piano Quintet in G Minor, Op. 57_ III. Scherzo. Allegretto
04 - Piano Quintet in G Minor, Op. 57_ IV. Intermezzo. Lento
05 - Piano Quintet in G Minor, Op. 57_ V. Finale. Allegretto
06 - String Quartet No. 4 in D Major, Op. 83_ I. Allegretto
07 - String Quartet No. 4 in D Major, Op. 83_ II. Andantino
08 - String Quartet No. 4 in D Major, Op. 83_ III. Allegretto
09 - String Quartet No. 4 in D Major, Op. 83_ IV. Allegretto
10 - String Quartet No. 1 in C Major, Op. 49_ I. Moderato
11 - String Quartet No. 1 in C Major, Op. 49_ II. Moderato
12 - String Quartet No. 1 in C Major, Op. 49_ III. Allegro molto
13 - String Quartet No. 1 in C Major, Op. 49_ IV. Allegro

DISCO 03

01 - Suite for 2 Pianos in F-Sharp Minor, Op. 6_ I. Prelude. Andantino
02 - Suite for 2 Pianos in F-Sharp Minor, Op. 6_ II. Danse fantastique
03 - Suite for 2 Pianos in F-Sharp Minor, Op. 6_ III. Nocturne. Andante
04 - Suite for 2 Pianos in F-Sharp Minor, Op. 6_ IV. Finale. Allegro
05 - Piano Sonata No. 1 in C Major, Op. 12_ Allegro (1)
06 - Piano Sonata No. 1 in C Major, Op. 12_ Meno mosso (1)
07 - Piano Sonata No. 1 in C Major, Op. 12_ Adagio (1)
08 - Piano Sonata No. 1 in C Major, Op. 12_ Allegro (2)
09 - Piano Sonata No. 1 in C Major, Op. 12_ Poco meno mosso
10 - Piano Sonata No. 1 in C Major, Op. 12_ Adagio (2)
11 - Piano Sonata No. 1 in C Major, Op. 12_ Lento
12 - Piano Sonata No. 1 in C Major, Op. 12_ Allegro (3)
13 - Piano Sonata No. 1 in C Major, Op. 12_ Meno mosso (2)
14 - Piano Sonata No. 1 in C Major, Op. 12_ Moderato
15 - Piano Sonata No. 1 in C Major, Op. 12_ Allegro (4)
16 - Piano Sonata No. 2 in B Minor, Op. 61_ I. Allegretto
17 - Piano Sonata No. 2 in B Minor, Op. 61_ II. Largo
18 - Piano Sonata No. 2 in B Minor, Op. 61_ III. Moderato

DISCO 04

01 - Concertino for 2 Pianos in A Minor, Op. 94
02 - 24 Preludes, Op. 34_ No. 1 in C Major
03 - 24 Preludes, Op. 34_ No. 2 in A Minor
04 - 24 Preludes, Op. 34_ No. 3 in G Major
05 - 24 Preludes, Op. 34_ No. 4 in E Minor
06 - 24 Preludes, Op. 34_ No. 5 in D Major
07 - 24 Preludes, Op. 34_ No. 6 in B Minor
08 - 24 Preludes, Op. 34_ No. 7 in A Major
09 - 24 Preludes, Op. 34_ No. 8 in F-Sharp Minor
10 - 24 Preludes, Op. 34_ No. 9 in E Major
11 - 24 Preludes, Op. 34_ No. 10 in C-Sharp Minor
12 - 24 Preludes, Op. 34_ No. 11 in B Major
13 - 24 Preludes, Op. 34_ No. 12 in G-Sharp Minor
14 - 24 Preludes, Op. 34_ No. 13 in F-Sharp Major
15 - 24 Preludes, Op. 34_ No. 14 in E-Flat Minor
16 - 24 Preludes, Op. 34_ No. 15 in D-Flat Major
17 - 24 Preludes, Op. 34_ No. 16 in B-Flat Minor
18 - 24 Preludes, Op. 34_ No. 17 in A-Flat Major
19 - 24 Preludes, Op. 34_ No. 18 in F Minor
20 - 24 Preludes, Op. 34_ No. 19 in E-Flat Major
21 - 24 Preludes, Op. 34_ No. 20 in C Minor
22 - 24 Preludes, Op. 34_ No. 21 in B-Flat Major
23 - 24 Preludes, Op. 34_ No. 22 in G Minor
24 - 24 Preludes, Op. 34_ No. 23 in F Major
25 - 24 Preludes, Op. 34_ No. 24 in D Minor
26 - Song of the Great Rivers, Op. 95_ Waltz (Version for Piano 4 Hands)
27 - Ballet Suite No. 2_ III. Polka (Version for 2 Pianos)
28 - Merry March for 2 Pianos
29 - Tarantella for 2 Pianos

Petersen Quartet
Moscow Virtuosi

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domingo, 20 de setembro de 2026

Andris Nelsons & City of Birmingham Symphony Orchestra - Richard Strauss, Stravinsky e Shostakovich (CDs 5, 6, 7, 8 & 9 de 9)

Vamos à segunda e última postagem com os discos dessa formidável caixa. O repertório é de primeira linha. Nos cinco discos finais, encontramos Richard Strauss, Stravinsky e Shostakovich. Para ser franco, tenho uma grande predileção por esse tipos de material, pois sou um grande admirador de música orquestral. 

Três do cinco discos trazem os poemas sinfônicos de Richard Strauss - "Sinfonia Alpina", "Assim falou Zaratustra", "Don Juan", entre outros. Em seguida, encontramos "O pássaro de fogo", de Stravinsky; e, para finalizar, o registro da "Sinfonia Leningrado", de Shostakovich. É um material cuja excelência é inquestionável.

Uma boa apreciação! 

DISCO 05

01 - Eine Alpensinfonie, Op. 64, TrV 233_ Nacht
02 - Eine Alpensinfonie, Op. 64, TrV 233_ Sonnenaufgang
03 - Eine Alpensinfonie, Op. 64, TrV 233_ Der Anstieg
04 - Eine Alpensinfonie, Op. 64, TrV 233_ Eintritt in den Wald
05 - Eine Alpensinfonie, Op. 64, TrV 233_ Wanderung neben dem Bache
06 - Eine Alpensinfonie, Op. 64, TrV 233_ Am Wasserfall
07 - Eine Alpensinfonie, Op. 64, TrV 233_ Erscheinung
08 - Eine Alpensinfonie, Op. 64, TrV 233_ Auf blumigen Wiesen
09 - Eine Alpensinfonie, Op. 64, TrV 233_ Auf der Alm
10 - Eine Alpensinfonie, Op. 64, TrV 233_ Durch Dickicht und Gestrüpp auf Irrwegen
11 - Eine Alpensinfonie, Op. 64, TrV 233_ Auf dem Gletscher
12 - Eine Alpensinfonie, Op. 64, TrV 233_ Gefahrvolle Augenblicke
13 - Eine Alpensinfonie, Op. 64, TrV 233_ Auf dem Gipfel
14 - Eine Alpensinfonie, Op. 64, TrV 233_ Vision
15 - Eine Alpensinfonie, Op. 64, TrV 233_ Nebel steigen auf
16 - Eine Alpensinfonie, Op. 64, TrV 233_ Die Sonne verdüstert sich allmählich
17 - Eine Alpensinfonie, Op. 64, TrV 233_ Elegie
18 - Eine Alpensinfonie, Op. 64, TrV 233_ Stille vor dem Sturm
19 - Eine Alpensinfonie, Op. 64, TrV 233_ Gewitter und Sturm, Abstieg
20 - Eine Alpensinfonie, Op. 64, TrV 233_ Sonnenuntergang
21 - Eine Alpensinfonie, Op. 64, TrV 233_ Ausklang
22 - Eine Alpensinfonie, Op. 64, TrV 233_ Nacht (Reprise)
23 - Salomes Tanz, TrV 215a
24 - Applause

DISCO 06

01 - Also sprach Zarathustra, Op. 30, TrV 176_ Einleitung
02 - Also sprach Zarathustra, Op. 30, TrV 176_ Von den Hinterweltlern
03 - Also sprach Zarathustra, Op. 30, TrV 176_ Von der großen Sehnsucht
04 - Also sprach Zarathustra, Op. 30, TrV 176_ Von den Freuden- und Leidenschaften
05 - Also sprach Zarathustra, Op. 30, TrV 176_ Das Grablied
06 - Also sprach Zarathustra, Op. 30, TrV 176_ Von der Wissenschaft
07 - Also sprach Zarathustra, Op. 30, TrV 176_ Der Genesende
08 - Also sprach Zarathustra, Op. 30, TrV 176_ Das Tanzlied
09 - Also sprach Zarathustra, Op. 30, TrV 176_ Nachtwandlerlied
10 - Don Juan, Op. 20, TrV 156
11 - Till Eulenspiegels lustige Streiche, Op. 28, TrV 171

DISCO 07

01 - Der Rosenkavalier Suite, WoO 145, TrV 227d
02 - Ein Heldenleben, Op. 40, TrV 190_ I. Der Held
03 - Ein Heldenleben, Op. 40, TrV 190_ II. Des Helden Widersacher
04 - Ein Heldenleben, Op. 40, TrV 190_ III. Des Helden Gefährtin
06 - Ein Heldenleben, Op. 40, TrV 190_ V. Des Helden Friedenswerke
07 - Ein Heldenleben, Op. 40, TrV 190_ VI. Des Helden Weltflucht und Vollendung

DISCO 08

01 - The Firebird (Original Version)_ No. 1, Introduction
02 - The Firebird (Original Version)_ No. 2, The Enchanted Garden of Koschei
03 - The Firebird (Original Version)_ No. 3, Appearance of the Firebird, Pursued by Prince Ivan
04 - The Firebird (Original Version)_ No. 4, Dance of the Firebird
05 - The Firebird (Original Version)_ No. 5, Capture of the Firebird by Prince Ivan
06 - The Firebird (Original Version)_ No. 6, Supplication of the Firebird
07 - The Firebird (Original Version)_ No. 7, Appearance of the Thirteen Enchanted Princesses
08 - The Firebird (Original Version)_ No. 8, The Princesses' Game with the Golden Apples
09 - The Firebird (Original Version)_ No. 9, Sudden Appearance of Prince Ivan
10 - The Firebird (Original Version)_ No. 10, Round Dance. The Princesses' Khorovod
11 - The Firebird (Original Version)_ No. 11, Daybreak
12 - The Firebird (Original Version)_ No. 12, Prince Ivan Penetrates Koschei's Palace
13 - The Firebird (Original Version)_ No. 13, Magic Carillon - Appearance of Koschei's
14 - The Firebird (Original Version)_ No. 14, Arrival of Koschei the Immortal
15 - The Firebird (Original Version)_ No. 15, Dialogue of Koschei and Prince Ivan
16 - The Firebird (Original Version)_ No. 16, Intercession of the Princesses
17 - The Firebird (Original Version)_ No. 17, Appearance of the Firebird
18 - The Firebird (Original Version)_ No. 18, Dance of Koschei' Retinue,
19 - The Firebird (Original Version)_ No. 19, Infernal Dance of All Koschei's Subjects
20 - The Firebird (Original Version)_ No. 20, Lullaby
21 - The Firebird (Original Version)_ No. 21, Koschei's Awakening
22 - The Firebird (Original Version)_ No. 22, Koschei's Death
23 - The Firebird (Original Version)_ No. 23, Profound Darkness
24 - The Firebird (Original Version)_ No. 24, Disappearance of Koschei's Palace
25 - Symphony of Psalms_ I. Exaudi orationem meam, Domine
26 - Symphony of Psalms_ II. Expectans expectavi, Dominum
27 - Symphony of Psalms_ III. Alleluia. Laudate Dominum

DISCO 09

01 - Symphony No. 7 in C Major, Op. 60 _Leningrad__ I. Allegretto
02 - Symphony No. 7 in C Major, Op. 60 _Leningrad__ II. Moderato (Poco allegretto)
03 - Symphony No. 7 in C Major, Op. 60 _Leningrad__ III. Adagio
04 - Symphony No. 7 in C Major, Op. 60 _Leningrad__ IV. Allegro non troppo

City of Birminghan Symphony Orchestra
Andris Nelsons, regente 

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quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Dmitri Shostakovich (1906-1975) - Three Chamber Symphonies

 

Há algo de particularmente revelador no projeto que reúne três “sinfonias de câmara” de Dmitri Shostakovich (1906–1975) em arranjos de Rudolf Barshai (1924–2010). Em vez de simplesmente ampliar a sonoridade dos quartetos de cordas, Barshai transforma obras concebidas para quatro instrumentistas em peças para conjuntos mais numerosos, revelando dimensões orquestrais que permaneciam implícitas no original. O álbum, lançado pela Naxos, apresenta os arranjos do Primeiro, Oitavo e Quarto Quartetos de Cordas, interpretados pelos Kiev Soloists sob a direção de Dmitry Yablonsky.

A ideia de transcrever os quartetos de Shostakovich para forças maiores não é um episódio isolado. O compositor escreveu ao longo da vida 15 quartetos de cordas, conjunto que se tornou uma das realizações fundamentais da música de câmara do século XX. Quase todos eles acabaram recebendo algum tipo de transcrição para formações ampliadas, e Barshai foi o principal responsável por esse movimento. Violista, integrante do Borodin Quartet entre 1945 e 1953 e fundador da Moscow Chamber Orchestra em 1955, ele manteve uma relação profissional estreita com Shostakovich até a morte do compositor.

O Primeiro Quarteto, escrito entre maio e julho de 1938 e originalmente associado ao subtítulo Spring-time, representa o lado mais luminoso e despretensioso do programa. A transcrição de Barshai, realizada em 1995 para a Orchestra Sinfonica di Milano Giuseppe Verdi e estreada no ano seguinte, preserva a ingenuidade e a economia expressiva da obra, mas permite que elas sejam percebidas em uma superfície sonora mais ampla. O primeiro movimento alterna uma melodia melancólica com um segundo tema de caráter igualmente plaintivo; o segundo assume a forma de uma série de variações sobre uma melodia de sabor folclórico; e o terceiro introduz um scherzo cuja elegância é reforçada por um movimento de barcarola. O finale, mais energético, conduz a obra a uma conclusão decidida.

Se o Primeiro Quarteto revela um Shostakovich mais espontâneo, o Oitavo Quarteto, de 1960, conduz o ouvinte para uma atmosfera completamente diferente. Composto em apenas três dias, enquanto o músico trabalhava em uma trilha para cinema em Dresden, o quarteto nasceu em um período de profundas transformações pessoais e assumiu um caráter marcadamente autobiográfico. Shostakovich introduz na partitura citações de obras anteriores e, sobretudo, o célebre motivo DSCH, construído a partir das letras musicais correspondentes ao seu próprio nome.

Na transcrição, esse caráter confessional ganha uma dimensão quase sinfônica. O primeiro movimento começa com o motivo DSCH em tom sombrio, seguido por uma linha meditativa da viola e uma cantilena dos violinos. A aparente consolação é interrompida pelo retorno do motivo inicial. O segundo movimento irrompe violentamente, com um tema pulsante lançado de um grupo de cordas a outro, enquanto o terceiro transforma o material anterior em um intermezzo inquieto. Depois de uma passagem marcada por dissonâncias, o quarto movimento retorna às sombras iniciais e encaminha a obra para uma conclusão contida, suspensa entre desespero e resignação.

O Quarto Quarteto, composto entre abril e dezembro de 1949, ocupa uma posição particularmente importante no álbum. Escrito em uma época em que grande parte da produção de Shostakovich estava proibida de ser apresentada publicamente, o quarteto só teve sua estreia oficial em Moscou, em dezembro de 1953, pelo Beethoven Quartet. Barshai produziu a transcrição décadas mais tarde, apresentada pela primeira vez em 1990, em uma transmissão radiofônica de Cardiff. Diferentemente dos arranjos do Primeiro e do Oitavo Quartetos, sua versão incorpora, além das cordas, madeiras, corne inglês, duas trompas, trompete, percussão e tímpano.

Essa ampliação altera significativamente a perspectiva da obra. As inflexões judaicas presentes na música do final dos anos 1940 tornam-se particularmente perceptíveis, enquanto o conjunto instrumental ressalta a dimensão sinfônica de uma partitura que, em sua versão original, pode parecer menos monumental que os quartetos que a cercam. O primeiro movimento parte de uma ampla melodia sustentada pelas cordas graves; o segundo apresenta uma das páginas mais comoventes de Shostakovich, inicialmente confiada ao oboé; o terceiro assume a forma de um scherzo discreto, enquanto o finale acumula tensão até uma transformação vigorosa do material temático.

A proposta de Barshai, portanto, não deve ser entendida apenas como uma tentativa de produzir versões “maiores” dos quartetos. Seu trabalho funciona como uma espécie de lente de aumento: a ampliação da formação permite ouvir de outra maneira os contrastes de timbre, as linhas secundárias e os conflitos internos da escrita de Shostakovich. O arranjador conhecia profundamente essa linguagem e sua relação com o compositor ajudou a conferir legitimidade artística a essas novas versões.

A interpretação cabe aos Kiev Soloists, conjunto de câmara sediado na capital ucraniana, formado majoritariamente por jovens músicos e reconhecido por sua atuação tanto na música ocidental quanto no repertório contemporâneo. O grupo mantém vínculos especialmente estreitos com compositores como Krzysztof Penderecki, Valentin Silvestrov e Myroslav Skoryk. À frente do ensemble está Dmitry Yablonsky, violoncelista e regente nascido em Moscou, cuja carreira inclui apresentações em importantes salas internacionais e colaborações com diversas orquestras. Ele é o regente principal dos Kiev Soloists desde 2014.

O resultado é um álbum que propõe uma escuta particularmente interessante de Shostakovich. Entre a delicadeza do Primeiro Quarteto, a dimensão autobiográfica e sombria do Oitavo e a densidade histórica do Quarto, as três obras mostram como a música de câmara do compositor pode assumir novas proporções sem perder sua identidade. Barshai não transforma simplesmente quartetos em pequenas sinfonias: ele revela a dimensão sinfônica que já estava latente dentro deles.

Uma boa apreciação! 

Dmitri Shostakovich (1906-1975) - 

01 - I. Moderato
02 - II. Moderato
03 - III. Allegro molto
04 - IV. Allegro
05 - I. Largo
06 - II. Allegro molto
07 - III. Allegretto
08 - IV. Largo
09 - V. Largo
10 - I. Allegretto
11 - II. Andantino
12 - III. Allegretto
13 - IV. Allegretto

Kiev Soloists
Dmitry Yablonsky 

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terça-feira, 18 de agosto de 2026

Dmitri Shostakovich (1906-1975) - Symphony no.13 in B flat minor, Op.113, ‘Babi Yar’ e Sergei Prokofiev (1891-1953) October, Cantata Op.74 (excerpts)

"Uma gravação de extraordinário valor histórico reúne duas obras profundamente marcadas pela realidade política da antiga União Soviética: a Cantata para o 20º Aniversário da Revolução de Outubro, de Sergei Prokofiev, e a Sinfonia nº 13 – Babi Yar, de Dmitri Shostakovich. Mais do que um simples registro fonográfico, o álbum preserva momentos decisivos da vida musical soviética e revela como dois dos maiores compositores russos do século XX enfrentaram, cada um à sua maneira, as complexas relações entre arte, poder e memória histórica.

O grande destaque da gravação é a preservação da segunda apresentação pública da Sinfonia nº 13, realizada em 20 de dezembro de 1962, utilizando o texto original do poeta Yevgeny Yevtushenko. O poema Babi Yar, que denuncia o massacre de milhares de judeus executados pelos nazistas na ravina ucraniana de mesmo nome e critica o antissemitismo persistente na sociedade soviética, provocou intensa controvérsia política. Apesar das pressões exercidas por Nikita Khrushchov para que o texto fosse alterado, esta interpretação mantém integralmente a versão concebida pelo poeta, conferindo à obra toda a força de sua denúncia e de sua dimensão humanitária.

Assim como na estreia, a sinfonia emerge como uma poderosa balada heroica e fúnebre. Sua atmosfera combina indignação, luto e espírito de resistência, transformando a homenagem às vítimas de Babi Yar em uma reflexão universal sobre a violência, a intolerância e a memória coletiva.

O álbum inclui ainda a monumental Cantata para o 20º Aniversário da Revolução de Outubro, uma das obras mais ambiciosas de Sergei Prokofiev. Escrita para celebrar as duas décadas da Revolução Bolchevique, a partitura percorre, ao longo de dez movimentos contrastantes, os principais episódios da formação da União Soviética. Utilizando textos de Karl Marx, Vladimir Lênin e Josef Stalin, a cantata narra acontecimentos que vão da tomada do Palácio de Inverno, em 1917, passando pelas dificuldades enfrentadas durante a guerra civil, pelo funeral de Lênin em 1924, pelo processo de industrialização e coletivização agrícola da década de 1930, até a consolidação do regime stalinista com a Constituição de 1936.

A obra começou a ser composta em 1936, por encomenda do Comitê de Rádio de Toda a União e de Boris Gusman, amigo de Prokofiev. Concluída no verão do ano seguinte, deveria integrar as celebrações oficiais do vigésimo aniversário da Revolução. Entretanto, o agravamento da repressão política contra artistas durante o período dos Grandes Expurgos levou o compositor a retirar a obra de circulação antes mesmo de sua estreia.

A Cantata permaneceu inédita durante quase três décadas. Sua primeira apresentação só ocorreria em maio de 1966, treze anos após a morte de Prokofiev. Nesse intervalo, o cenário político havia mudado profundamente: Stalin já havia falecido e sua figura passara a ser oficialmente condenada durante o processo de desestalinização promovido pelo governo soviético.

Reunindo essas duas obras emblemáticas, o álbum ultrapassa o interesse estritamente musical e assume o caráter de documento histórico. Ao mesmo tempo em que evidencia o extraordinário talento criativo de Prokofiev e Shostakovich, permite compreender como ambos dialogaram, de formas distintas, com as tensões ideológicas de seu tempo. O resultado é um registro de enorme relevância artística e documental, indispensável para compreender as complexas relações entre música, política e história no século XX".

Uma boa apreciação! 

Dmitri Shostakovich (1906-1975) - 

Symphony no.13 in B flat minor, Op.113, ‘Babi Yar’

01. I. Adagio – Babi Yar
02. II. Allegretto – Humour
03. III. Adagio – In the store
04. IV. Largo – Fears (Terror)
05. V. Allegretto – A career

Sergei Prokofiev (1891-1953)

October, Cantata Op.74 (excerpts)

06. I. Prelude – Moderato. Allegro
07. II. The Philosophers – Andante assai
08. VI. Revolution – Andante non troppo-Più mosso-Allegro moderato-Precipitato-Adagio molto
09. VII. Victory – Andante
10. IX. Symphony – Allegro energico – Meno mosso

Moscow Philharmonic Orchestra
RSFSR Academic Choir
Yurlov State Choir

Kirill Kondrashin, regente
Vitaly Gromadsky, baixo 

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domingo, 26 de julho de 2026

Martha Argerich - The Piano Concertos Collection - Prokofiev, Beethoven, Shostakovich, Ravel, J.S. Bach e Tchaikovsky

"The Piano Concertos Collection reúne, em dezenove faixas, um amplo panorama da extraordinária arte pianística de Martha Argerich, uma das intérpretes mais admiradas e influentes da atualidade. Gravado integralmente ao vivo, o álbum registra a pianista argentina em diferentes momentos de sua carreira, revelando a intensidade, a espontaneidade e o virtuosismo que a transformaram em uma referência incontornável da interpretação pianística.

O repertório percorre algumas das mais importantes páginas do concerto romântico, sem deixar de lado obras marcantes do século XX. Essa diversidade permite acompanhar as múltiplas facetas da personalidade musical de Argerich, capaz de transitar com igual naturalidade entre o lirismo, a exuberância técnica e a profundidade expressiva.

Ao longo da coletânea, a pianista divide o palco com um elenco de prestigiados maestros e orquestras. Entre eles destacam-se Charles Dutoit à frente da Orquestra Filarmônica de Israel, Lahav Shani, Sylvain Cambreling dirigindo a Orquestra Sinfônica de Hamburgo e o pianista Adrian Iliescu, parceiros que contribuem para evidenciar diferentes aspectos da interpretação da artista. Cada colaboração acrescenta novas cores ao conjunto, oferecendo leituras marcadas pelo diálogo constante entre solista e orquestra.

O programa percorre universos estéticos bastante distintos. A energia impetuosa dos concertos de Sergei Prokofiev evidencia o vigor e a ousadia técnica de Argerich, enquanto a escrita refinada de Maurice Ravel revela sua precisão cristalina e extraordinária riqueza de timbres. Em contraste, as obras de Johann Sebastian Bach e Ludwig van Beethoven permitem apreciar uma intérprete de rara profundidade musical, capaz de conciliar rigor estrutural, sensibilidade poética e intensa comunicação emocional.

Mais do que uma simples antologia, The Piano Concertos Collection constitui um retrato abrangente de uma artista cuja carreira redefiniu os padrões da interpretação pianística nas últimas décadas. A atmosfera das apresentações ao vivo acrescenta um elemento de espontaneidade que intensifica a força de cada execução, preservando a tensão criativa e a emoção do momento irrepetível do concerto.

Para admiradores de longa data, a coletânea oferece uma síntese eloquente das qualidades que fizeram de Martha Argerich uma verdadeira lenda do piano. Para novos ouvintes, representa uma excelente porta de entrada para o universo artístico de uma intérprete cuja combinação de técnica fulgurante, imaginação musical e intensidade expressiva continua a estabelecer um parâmetro de excelência na música de concerto".

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!  

01. Piano Concerto No. 3 in C Major, Op. 26: I. Andante – Allegro
02. Piano Concerto No. 3 in C Major, Op. 26: II. Tema con variazioni
03. Piano Concerto No. 3 in C Major, Op. 26: III. Allegro ma non troppo
04. Piano Concerto in B-Flat Major No. 2, Op. 19: I. Allegro con brio
05. Piano Concerto in B-Flat Major No. 2, Op. 19: II. Adagio
06. Piano Concerto in B-Flat Major No. 2, Op. 19: III. Rondo. Molto allegro
07. Concerto for Piano, Trumpet and String Orchestra in C Minor, Op. 35: I. Allegro moderato
08. Concerto for Piano, Trumpet and String Orchestra in C Minor, Op. 35: II. Lento
09. Concerto for Piano, Trumpet and String Orchestra in C Minor, Op. 35: III. Moderato
10. Concerto for Piano, Trumpet and String Orchestra in C Minor, Op. 35: IV. Allegro con brio
11. Piano Concerto in G Major: I. Allegramente
12. Piano Concerto in G Major: II. Adagio assai
13. Piano Concerto in G Major: III. Presto
14. Concerto for Four Harpsichords and Strings in A Minor, BWV. 1065: I. Allegro
15. Concerto for Four Harpsichords and Strings in A Minor, BWV. 1065: II. Largo
16. Concerto for Four Harpsichords and Strings in A Minor, BWV. 1065: III. Allegro
17. Piano Concerto No. 1 in B Minor, Op. 23: II. Andantino semplice – Prestissimo – Tempo I
18. Piano Concerto No. 1 in B Minor, Op. 23: III. Allegro con fuoco
19. Piano Concerto No. 1 in B Minor, Op. 23: I. Allegro non troppo e molto maestoso

Symphoniker Hamburg
Sylvain Cambreling, regente
Israel Philharmonic Orchestra
Lahav Shani, regente
Symphoniker Hamburg
Charles Dutoit
Sergei Nakariakov, trumpete
Martha Argerich, piano
 

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quarta-feira, 15 de julho de 2026

Dmitri Shostakovich (1906-1975) - Symphony No. 5 in D Minor, Op. 47 e Symphony No. 12 - "The Year 1917"

A relação entre Shostakovich e Mravinsky começou em 1937, ano decisivo tanto para o compositor quanto para a cultura soviética. Após a violenta condenação da ópera Lady Macbeth de Mtsensk pelo jornal Pravda, o compositor viu sua carreira ameaçada e tornou-se alvo da vigilância ideológica do regime stalinista. Nesse contexto, a estreia da Sinfonia nº 5 representou muito mais que o lançamento de uma nova obra: foi uma espécie de reabilitação pública de seu autor. A recepção calorosa da estreia, em novembro daquele ano, devolveu a Shostakovich um espaço que parecia definitivamente perdido.

Durante décadas, a Quinta Sinfonia foi oficialmente apresentada como uma demonstração da reconciliação do compositor com os ideais do realismo socialista. O próprio Shostakovich declarou que o final oferecia uma resposta otimista aos conflitos apresentados nos movimentos iniciais. Entretanto, essa interpretação nunca deixou de provocar controvérsias. Muitos ouvintes passaram a perceber naquele triunfo final uma vitória imposta, quase forçada, cuja grandiosidade esconde um sofrimento que jamais desaparece completamente.

É justamente nesse ponto que a leitura de Yevgeny Mravinsky adquire importância histórica. O maestro recusava qualquer interpretação simplista do último movimento como celebração triunfal. Em vez disso, conduzia a música como uma marcha inexorável rumo ao desconhecido, preservando a ambiguidade emocional da partitura. Sob sua batuta, a monumental coda deixa de soar como uma apoteose inequívoca para transformar-se em um desfecho inquietante, quase um julgamento inevitável, onde a tensão nunca é totalmente resolvida.

Do ponto de vista musical, a Quinta Sinfonia representa uma impressionante síntese da tradição russa e centro-europeia. Ecos de Tchaikovsky aparecem na dimensão lírica e no tema do homem diante do destino. A grandiosidade épica aproxima a obra de Borodin, enquanto a influência de Gustav Mahler manifesta-se tanto na riqueza da orquestração quanto na ironia amarga do Allegretto. Há ainda reminiscências de Wagner no Largo e passagens cuja linguagem harmônica evoca Sibelius. Essa extraordinária rede de referências nunca compromete a personalidade do compositor; pelo contrário, revela um Shostakovich plenamente consciente da tradição que herdou e disposto a reinventá-la sob circunstâncias políticas dramáticas.

Se a Quinta tornou-se símbolo da sobrevivência artística, a Sinfonia nº 12, composta em 1961 e intitulada O Ano de 1917, ocupa uma posição bem mais controversa dentro do catálogo do compositor. Oficialmente dedicada à memória de Lenin, ela foi durante muito tempo interpretada como uma obra de propaganda soviética. Contudo, uma observação mais cuidadosa revela uma realidade muito mais complexa.

Segundo o texto do encarte, Shostakovich associava essa sinfonia a lembranças pessoais da Revolução Russa. Ainda criança, testemunhara a chegada de Lenin à Estação Finlândia, em Petrogrado, mas sua memória mais vívida era a morte brutal de um garoto atingido pelo sabre de um cavaleiro cossaco durante a confusão popular. Ao mesmo tempo, a obra pode ser entendida como uma homenagem velada a amigos vítimas dos expurgos stalinistas, entre eles o diretor teatral Vsevolod Meyerhold e o marechal Mikhail Tukhachevsky, ambos executados pelo regime.

Musicalmente, a Décima Segunda mantém a estrutura contínua da Sinfonia nº 11, ligando seus quatro movimentos sem interrupção. O primeiro, Petrogrado Revolucionária, apresenta um discurso marcial que evolui a partir de um material temático bastante concentrado. Já Razliv surpreende pelo caráter contemplativo, construído sobre amplas frases dos sopros que criam uma atmosfera quase pastoral. O breve movimento Aurora utiliza a percussão para evocar o famoso cruzador cuja salva simbolizou o início da Revolução de Outubro, preparando a chegada do grandioso final, O Amanhecer da Humanidade. Embora carregado de solenidade, esse encerramento também revela a extraordinária habilidade orquestral de Shostakovich, cuja escrita supera o simples caráter narrativo para alcançar verdadeira arquitetura sinfônica.

Nenhum outro maestro parecia mais apto a defender esse repertório do que Yevgeny Mravinsky. Nascido em São Petersburgo em 1903, assumiu a direção da Filarmônica de Leningrado em 1938, permanecendo à frente da orquestra durante mais de quatro décadas. Seu nome tornou-se inseparável do conjunto e da música soviética. Foi responsável pela estreia de diversas obras fundamentais de Prokofiev, Miaskovsky e Kabalevsky, além de manter uma relação artística privilegiada com Shostakovich, que lhe dedicou a Sinfonia nº 8, composta em 1943.

Mravinsky era conhecido pelo rigor quase absoluto de seus ensaios e pela extraordinária precisão sonora que extraía da Filarmônica de Leningrado. Seu repertório era relativamente restrito, mas profundamente amadurecido ao longo dos anos, o que explica por que tantas de suas gravações continuam sendo consideradas referências interpretativas. Após a morte de Stalin, as turnês internacionais da orquestra revelaram ao Ocidente uma escola de execução caracterizada pela disciplina, pela intensidade dramática e por um refinamento tímbrico incomum.

As gravações reunidas nesta edição preservam esse legado em momentos distintos da parceria entre maestro e compositor. A Sinfonia nº 5 foi registrada ao vivo em Moscou, em 24 de outubro de 1965, enquanto a Sinfonia nº 12 corresponde à histórica primeira execução pública da obra, realizada em Leningrado em 1º de outubro de 1961, posteriormente transmitida pela Rádio de Praga. Mais do que documentos históricos, são interpretações capazes de revelar a complexidade emocional dessas partituras e a profunda compreensão que Mravinsky possuía da linguagem de Shostakovich.

Mais de meio século depois, essas leituras continuam impressionando não apenas pela excelência técnica da orquestra, mas pela capacidade de transformar cada compasso em narrativa histórica. Sob a batuta de Mravinsky, Shostakovich deixa de ser apenas o compositor da União Soviética para tornar-se um cronista da condição humana, alguém que encontrou na linguagem sinfônica uma maneira de registrar medo, esperança, resignação e resistência. Poucas parcerias entre compositor e intérprete alcançaram tamanho grau de identificação. Escutá-las hoje é ouvir não apenas duas grandes sinfonias, mas uma época inteira traduzida em música.

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Dmitri Shostakovich (1906-1975) - 

01 - Symphony No. 5 in D Minor, Op. 47_
02 - Symphony No. 5 in D Minor, Op. 47_
03 - Symphony No. 5 in D Minor, Op. 47_
04 - Symphony No. 5 in D Minor, Op. 47_
05 - I. Revolutionnary Petrograd
06 - II. Razliv
07 - III. Aurora
08 - IV. The Dawn of Humanity

Leningrad Philharmonic Orchestra
Evgeny Mravinsky, regente 

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sexta-feira, 3 de julho de 2026

Dmitri Shostakovich (1906-1975) - The Cello Concertos


Após uma década de trabalho contínuo, Andris Nelsons e a Orquestra Sinfônica de Boston encerram seu premiado projeto dedicado a Dmitri Shostakovich com a apresentação da aclamada integral das sinfonias do compositor. Gravado na excepcional acústica da Symphony Hall de Boston, o ciclo beneficia-se de uma qualidade sonora de altíssimo nível, capaz de revelar com extraordinária nitidez a riqueza orquestral e a complexidade expressiva da escrita shostakovichiana.

O álbum traz ainda a participação especial de Yo-Yo Ma, que oferece interpretações inspiradas dos dois Concertos para Violoncelo, obras que figuram entre as mais importantes do repertório do instrumento. O Primeiro Concerto, de notável inventividade, foi composto para Mstislav Rostropovich, amigo próximo do compositor e destinatário de uma partitura célebre por suas enormes exigências técnicas e expressivas. A obra também ocupa um lugar especial na trajetória artística de Yo-Yo Ma, tendo representado um dos primeiros marcos de sua carreira internacional.

Em contraste, o Segundo Concerto para Violoncelo revela um Shostakovich muito mais introspectivo e contemplativo. Escrito como uma espécie de presente que o compositor ofereceu a si próprio por ocasião de seu sexagésimo aniversário, a partitura abandona o ímpeto virtuosístico do concerto anterior para mergulhar em uma atmosfera de reflexão, melancolia e profunda humanidade.

Combinando a visão interpretativa de Andris Nelsons, a excelência da Sinfônica de Boston e a extraordinária musicalidade de Yo-Yo Ma, este lançamento constitui o ponto culminante de um dos mais importantes projetos discográficos dedicados à obra de Shostakovich nas últimas décadas. O resultado é um registro que alia rigor artístico, intensidade emocional e excelência técnica, reafirmando a permanente atualidade da música de um dos grandes sinfonistas do século XX.

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Dmitri Shostakovich (1906-1975) - 

01 I. Allegretto
02 II. Moderato
03 III. Cadenza
04 IV. Allegro Con Moto
05 I. Largo
06 II. Scherzo. Allegretto
07 III. Finale. Allegretto

Boston Symphony Orchestra
Andris Nelsons, regente
Yo-Yo Ma, violoncelo 

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terça-feira, 2 de junho de 2026

Dmitry Shostakovich (1906-1975) - Chamber Symphony Op. 73a, Symphony for Strings Op. 118a

Shostakovich foi um compositor marcado pelas ambiguidades do século XX. Celebrado pelo regime soviético em determinados momentos e perseguido em outros, aprendeu a transformar a música em linguagem metafórica. Em suas sinfonias e quartetos, a ironia, o medo, a resignação e a resistência coexistem numa tensão permanente. Dissociar a música do compositor dos eventos pelos quais passou diminui a significação de sua obra.

Neste disco encontramos duas obras orquestradas, a partir de quartetos de cordas. A “Chamber Symphony Op. 73a” é derivada do Terceiro Quarteto. Composto em 1946, ele já continha uma narrativa implícita sobre a guerra, a devastação e a fragilidade humana. Na versão sinfônica, as cordas adquirem uma dimensão quase cinematográfica. Os momentos de aparente serenidade são continuamente ameaçados por explosões de violência rítmica e harmônica. O ouvinte nunca encontra repouso duradouro. Há sempre uma sombra atravessando a paisagem sonora. Algo que incomoda; que remete a um mal-estar.

O primeiro movimento sugere uma normalidade enganosa. Os temas surgem com elegância clássica, mas logo revelam fissuras. Nos movimentos centrais, Shostakovich constrói um universo de sarcasmo e brutalidade. As danças parecem grotescas; as marchas, ameaçadoras. É música que sorri com os dentes cerrados.

Já a “Symphony for Strings Op. 118ª” apresenta um Shostakovich tardio, mais introspectivo, mas não menos contundente. Baseada no Décimo Quarteto, escrito em 1964, a obra carrega o peso de uma vida inteira de conflitos internos. Stálin morrera dez anos antes. O compositor havia se consolidado como um dos maiores de sua geração.

Nessa fase, o drama torna-se mais concentrado. As melodias parecem surgir de um lugar distante, quase espectral. O tratamento das cordas evidencia uma extraordinária economia de meios: poucas notas podem carregar um universo emocional inteiro. É uma música que fala da passagem do tempo, da mortalidade e da persistência da consciência diante do inevitável.

Um baita disco. Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Dmitry Shostakovich (1906-1975) - 

01 - I. Allegretto
02 - II. Moderato con moto
03 - III. Allegro non troppo
04 - IV. Adagio
05 - V. Moderato
06 - I. Andante
07 - II. Allegretto furioso
08 - III. Adagio
09 - IV. Allegretto - Andante

Kiev Virtuosi
Dmitry Yablonsky, regente 

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sexta-feira, 29 de maio de 2026

Dmitri Shostakovich (1906-1975) - 24 Preludes, Op. 34, Sergei Prokofiev (1891-1953) - Visions fugitives, Op. 22 e Kurt Weill (1900-1950) - 7 Stucke nach der Dreigroschenoper

"Benjamin Schmid certamente não foge a desafios. Ao lado da pianista Lisa Smirnova, concebeu um programa incomum, inteiramente construído em torno de transcrições. O recital reúne, em primeiro lugar, quatorze dos vinte e quatro Prelúdios Op. 34 de Shostakovich adaptados para violino por Dmitri Tsyganov. Como se isso não bastasse — e talvez justamente porque as versões de Tsyganov já são relativamente conhecidas —, Schmid recupera ainda os arranjos realizados em 1993 pelo músico russo Viktor Derevianko para as Visions fugitives Op. 22 de Prokofiev. Por fim, deslocando o foco geográfico para o Ocidente, interpreta as sete peças extraídas de A Ópera dos Três Vinténs nas célebres transcrições de Stefan Frenkel.

A primeira questão surge naturalmente: quarenta e uma faixas em apenas cinquenta e quatro minutos de música, sem uma única obra originalmente concebida para violino. Funciona? A resposta depende tanto da convicção dos intérpretes quanto da qualidade intrínseca dos arranjos. Dois desses conjuntos já resistiram ao teste do tempo; o Prokofiev-Derevianko, por sua vez, será novidade para muitos ouvintes. Vale, portanto, concentrar a atenção na execução.

A maioria dos violinistas costuma selecionar apenas meia dúzia dos Prelúdios de Tsyganov para recitais ou gravações. Alguns incluem peças isoladas; outros, mais especializados, apresentam grupos mais extensos. Raramente alguém grava mais da metade das dezenove transcrições realizadas pelo arranjador. Nesse contexto, a decisão de Schmid de registrar quatorze delas é digna de elogio, embora houvesse espaço para incluir a coleção completa. Fica a dúvida: teria o violinista reservas em relação às cinco peças ausentes, ou teria a gravadora preferido evitar que o programa assumisse um caráter excessivamente documental? Há uma certa sensação de oportunidade perdida. Afinal, Schmid poderia ter ido além e completado o ciclo incorporando também as cinco transcrições que Lera Auerbach realizou, em 2000, dos prelúdios restantes.

Quanto às peças selecionadas, Schmid demonstra notável liberdade interpretativa. Não hesita em introduzir uma aspereza quase abrasiva ao timbre no Prelúdio nº 6, nem em explorar o caráter irônico e ligeiramente sardônico do nº 13. No célebre nº 10, um dos mais conhecidos da série, chega a adotar um andamento ainda mais veloz que o registrado por Camilla Wicks e Sixten Ehrling em sua histórica gravação. Schmid e Smirnova também mostram inteligência na organização do programa, embaralhando parcialmente a sequência original: iniciam com o Prelúdio nº 24 e encerram com o vigoroso nº 20, mantendo, no entanto, uma narrativa geral que preserva em grande parte a progressão cronológica do conjunto.

As transcrições de Prokofiev realizadas por Viktor Derevianko permanecem uma relativa raridade discográfica. O arranjador foi um músico de grande prestígio, discípulo de Heinrich Neuhaus e colaborador de Shostakovich após 1970, antes de emigrar para Israel em 1976. As Visions fugitives aparecem aqui completas e na ordem tradicional, embora saibamos que foram compostas em momentos distintos. Schmid e Smirnova revelam-se intérpretes ideais dessa nova roupagem instrumental. É fascinante ouvir o célebre Allegretto (nº 3) transformado para violino, assim como apreciar a expressividade errante do nº 7 ou a energia impulsiva do nº 15. Em determinado momento, no nº 17, chega-se até a ouvir uma profunda expiração de Schmid, testemunho involuntário do envolvimento físico exigido pela música.

As sete peças de Weill na versão de Frenkel continuam sendo uma descoberta irresistível. Adaptam-se perfeitamente à variedade tímbrica de Schmid e à sua habilidade em moldar as linhas melódicas. Na Cannon Song, percebe-se claramente sua familiaridade com o universo do jazz: o fraseado exibe uma flexibilidade rítmica admirável. Já na Tango Ballad, o vibrato deliberadamente esfumaçado revela-se particularmente eficaz.

Bem executado e excelentemente gravado, este recital é acompanhado por notas de programa claras e informativas. Trata-se, sem dúvida, de um lançamento voltado a um público específico, mas que merece ser explorado por qualquer amante do violino disposto a aventurar-se por repertórios menos convencionais".

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Dmitri Shostakovich (1906-1975) - 

01. 24 Preludes, Op. 34 (arr. D.M. Tsiganov for violin and piano): No. 24 in D Minor, Allegretto [01:21]
02. 24 Preludes, Op. 34 (arr. D.M. Tsiganov for violin and piano): No. 2 in A Minor, Allegretto [01:02]
03. 24 Preludes, Op. 34 (arr. D.M. Tsiganov for violin and piano): No. 6 in B Minor, Allegretto [01:21]
04. 24 Preludes, Op. 34 (arr. D.M. Tsiganov for violin and piano): No. 10 in C-Sharp Minor, Moderato non troppo [01:46]
05. 24 Preludes, Op. 34 (arr. D.M. Tsiganov for violin and piano): No. 12 in G-Sharp Minor, Allegretto non troppo [01:52]
06. 24 Preludes, Op. 34 (arr. D.M. Tsiganov for violin and piano): No. 13 in F-Sharp Major, Moderato [01:05]
07. 24 Preludes, Op. 34 (arr. D.M. Tsiganov for violin and piano): No. 15 in D-Flat Major,Allegretto [00:54]
08. 24 Preludes, Op. 34 (arr. D.M. Tsiganov for violin and piano): No. 16 in B-Flat Minor, Andantino [01:06]
09. 24 Preludes, Op. 34 (arr. D.M. Tsiganov for violin and piano): No. 17 in A-Flat Major, Largo [01:42]
10. 24 Preludes, Op. 34 (arr. D.M. Tsiganov for violin and piano): No. 18 in F Minor, Allegretto [00:52]
11. 24 Preludes, Op. 34 (arr. D.M. Tsiganov for violin and piano): No. 19 in E-Flat Major, Andantino [01:50]
12. 24 Preludes, Op. 34 (arr. D.M. Tsiganov for violin and piano): No. 21 in B-Flat Major, Allegretto poco moderato [00:52]
13. 24 Preludes, Op. 34 (arr. D.M. Tsiganov for violin and piano): No. 22 in G Minor, Adagio [02:04]
14. 24 Preludes, Op. 34 (arr. D.M. Tsiganov for violin and piano): No. 20 in C Minor, Allegretto [00:50]

Sergei Prokofiev (1891-1953) - 

15. Visions fugitives, Op. 22 (arr. V. Derewianko for violin and piano): I. Lentamente [00:59]
16. Visions fugitives, Op. 22 (arr. V. Derewianko for violin and piano): II. Andante [01:16]
17. Visions fugitives, Op. 22 (arr. V. Derewianko for violin and piano): III. Allegretto [01:03]
18. Visions fugitives, Op. 22 (arr. V. Derewianko for violin and piano): IV. Animato - Piu sostenuto [01:07]
19. Visions fugitives, Op. 22 (arr. V. Derewianko for violin and piano): V. Molto giocoso [00:26]
20. Visions fugitives, Op. 22 (arr. V. Derewianko for violin and piano): VI. Con eleganza [00:46]
21. Visions fugitives, Op. 22 (arr. V. Derewianko for violin and piano): VII. Pittoresco [01:54]
22. Visions fugitives, Op. 22 (Arr. V. Derewianko For Violin And Piano): VIII. Commodo [01:25]
23. Visions fugitives, Op. 22 (arr. V. Derewianko for violin and piano): IX. Allegretto tranquillo [01:04]
24. Visions fugitives, Op. 22 (arr. V. Derewianko for violin and piano): X. Ridicolosamente [00:58]
25. Visions fugitives, Op. 22 (arr. V. Derewianko for violin and piano): XI. Con vivacita [01:15]
26. Visions fugitives, Op. 22 (arr. V. Derewianko for violin and piano): XII. Assai moderato [01:10]
27. Visions fugitives, Op. 22 (Arr. V. Derewianko For Violin And Piano): XIII. Allegretto [00:51]
28. Visions fugitives, Op. 22 (arr. V. Derewianko for violin and piano): XIV. Feroce [01:08]
29. Visions fugitives, Op. 22 (arr. V. Derewianko for violin and piano): XV. Inquieto [00:51]
30. Visions fugitives, Op. 22 (arr. V. Derewianko for violin and piano): XVI. Dolente [01:53]
31. Visions fugitives, Op. 22 (Arr. V. Derewianko For Violin And Piano): XVII. Poetico [01:20]
32. Visions fugitives, Op. 22 (Arr. V. Derewianko For Violin And Piano): XVIII. Con Una Dolce Lentezza [01:15]
33. Visions fugitives, Op. 22 (arr. V. Derewianko for violin and piano): XIX. Presto agitatissimo e molto accentuato [00:47]
34. Visions fugitives, Op. 22 (arr. V. Derewianko for violin and piano): XX. Lento irrealmente [01:52]

Kurt Weill (1900-1950) - 

35. 7 Stucke nach der Dreigroschenoper (arr. S. Frenkel): No. 1. Moritat vom Mackie Messer (The Ballad of Mack the Knife) [02:38]
36. 7 Stucke nach der Dreigroschenoper (arr. S. Frenkel): No. 2. Ruf aus der Gruft (Call from the Grave) [00:59]
37. 7 Stucke nach der Dreigroschenoper (arr. S. Frenkel): No. 3. Ballade vom angenehmen Leben (The Ballad of Pleasant Living) [02:11]
38. 7 Stucke nach der Dreigroschenoper (arr. S. Frenkel): No. 4. Pollys Lied (Polly's Song) [01:37]
39. 7 Stucke nach der Dreigroschenoper (arr. S. Frenkel): No. 5. Zuhalterballade (The Procurer's Ballad) [01:32]
40. 7 Stucke nach der Dreigroschenoper (arr. S. Frenkel): No. 6. Seerauberjenny (Pirate Jenny) [01:21]
41. 7 Stucke nach der Dreigroschenoper (arr. S. Frenkel): No. 7. Kanonensong (Cannon Song) 

Benjamin Schmid, violino
Lisa Smirnova, piano 

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