Mostrando postagens com marcador Debussy. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Debussy. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Claude Debussy (1862-1918) - Prelude a l'apres-midi d'un faune e Le Martyre de Saint Sebastien e Maurice Ravel (1875-1937) - Ma Mere l'Oye e La Valse

O Prélude à l’après-midi d’un faune, concluído em 1894, foi a primeira grande obra orquestral de Debussy. Inspirado no poema homônimo de Stéphane Mallarmé, tornou-se posteriormente a base para o célebre balé de Vaslav Nijinsky, apresentado em Paris em 1912. 

Musicalmente, a obra nasce quase do silêncio. O motivo inicial, confiado à flauta solo, parece emergir da ausência de som e permanece envolto em uma atmosfera de suspensão. O encarte chama atenção para a recorrência desse motivo e para o predomínio de uma dinâmica extremamente contida, frequentemente situada entre piano e pianissimo. O silêncio, portanto, não é simples ausência: transforma-se em elemento estrutural da música.

A dimensão sensual da obra tornou-se particularmente evidente na coreografia de Nijinsky. A estreia do balé, em 29 de maio de 1912, provocou controvérsia justamente pela maneira como o coreógrafo traduziu em movimentos a atmosfera erótica do poema de Mallarmé.

Le Martyre de Saint Sébastien, criado em 1911 a partir do mistério teatral de Gabriele D’Annunzio, apresenta uma concepção muito mais ampla de espetáculo. A obra combinava teatro, dança, canto e música, tendo Ida Rubinstein no papel de São Sebastião. O texto do encarte destaca a peculiar fusão realizada por D’Annunzio entre elementos do culto cristão a São Sebastião, a tradição grega ligada a Adônis e uma concepção estética na qual a beleza adquire dimensão quase religiosa.

Debussy trabalhou rapidamente na partitura, contando com a colaboração de André Caplet, responsável pela instrumentação e posteriormente pela preparação dos fragmentos sinfônicos para apresentação em concerto. O disco oferece justamente cinco desses fragmentos, totalizando 23min46s.

Se Debussy encontra no silêncio e na sugestão uma forma de expressão, Ravel frequentemente procura produzir o efeito oposto: uma aparência de simplicidade que encobre uma construção extremamente sofisticada. É essa característica que o compositor e contemporâneo Reynaldo Hahn reconhecia em Ma mère l’oye: a capacidade de criar, de maneira complexa, a impressão de uma simplicidade quase infantil.

A suíte nasceu originalmente para piano a quatro mãos, entre 1908 e 1910, e foi posteriormente orquestrada por Ravel. Inspirada nos contos de Charles Perrault, reúne cinco peças deliberadamente simples em sua superfície, mas cuidadosamente trabalhadas. A versão orquestral data de 1911 e recebeu posteriormente uma ampliação destinada ao balé.

Em La Valse, entretanto, Ravel abandona qualquer aparência de inocência. A obra, concebida entre 1919 e 1920, procura evocar a atmosfera da Viena do século XIX e de Johann Strauss. O compositor descreveu uma cena na qual nuvens giratórias revelam gradualmente casais dançando, até que a visão se transforma em um grande salão povoado por uma multidão de dançarinos.

Embora concebida inicialmente com possibilidades coreográficas, La Valse não foi incorporada ao repertório dos Ballets Russes de Sergei Diaghilev. O próprio Diaghilev teria reconhecido a qualidade da obra, mas recusado sua utilização como balé, observando que se tratava antes de uma espécie de “pintura de um balé”. A primeira apresentação como balé somente ocorreria em 1929, com coreografia de Bronislava Nijinska.

É justamente nessa obra que o encarte identifica uma diferença essencial entre Ravel e Debussy. Ravel frequentemente compõe “música sobre música”: parte de formas, estilos e materiais preexistentes para reconstruí-los sob uma nova perspectiva. Em La Valse, a lembrança da valsa vienense converte-se progressivamente em algo inquietante, como se a própria tradição estivesse sendo vista através de um espelho deformador.

O mérito maior deste programa está, portanto, em evitar uma leitura superficial de Debussy e Ravel como representantes de uma mesma escola. O encarte insiste na diferença fundamental entre ambos: Debussy busca a originalidade musical consciente de que ela é, em última instância, inalcançável; Ravel tende a refletir sobre a própria música, reelaborando materiais e contextos culturais já existentes.

No Prélude, Debussy aproxima-se do vazio por meio do silêncio; em La Valse, Ravel chega a ele pela saturação e pela dissolução da dança. Entre esses extremos estão a sensualidade de Saint Sébastien e a aparente ingenuidade de Ma mère l’oye. O resultado é um programa que apresenta quatro obras muito diferentes, mas unidas por uma mesma questão: como transformar movimento, corpo, memória e imaginação em matéria puramente sonora?

Uma boa apreciação! 

01 - Prelude a l'apres-midi d'un faune
02 - Le Martyre de Saint Sebastien- 1.Le Cour de Lys. Prelude
03 - Le Martyre de Saint Sebastien- Dansse extatique et Final du 1er Acte
04 - Le Martyre de Saint Sebastien- La Passion
05 - Le Martyre de Saint Sebastien- 4. Le Bon Pasteur
06 - Ma Mere l'Oye- Pavane de la Belle au bois dormant
07 - Ma Mere l'Oye- Petit Poucet
08 - Ma Mere l'Oye- Laideronette, Imperatrice des Pagodes
09 - Ma Mere l'Oye- Les entretiens de la Belle et de la Bete
10 - Ma Mere l'Oye- Le jardin feerique
11 - La Valse

Orchester der Beethovenhalle Bonn
Marc Soustrot, regente 

Você pode comprar este disco na Amazon

*Para acessar o link, por favor, clicar na imagem.

 

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Claude Debussy (1862-1918) - La Mer e Images


Durante décadas, Claude Debussy foi apresentado como o grande representante do impressionismo musical. A classificação é conveniente, mas insuficiente. Em vez de simplesmente pintar paisagens sonoras ou reproduzir efeitos da natureza, Debussy transformou a própria linguagem da música. Suas obras não descrevem o mar, o vento ou a luz: elas se tornam esses fenômenos. É justamente essa ideia que atravessa o ensaio do musicólogo Harry Halbreich, dedicado sobretudo a La Mer e às Images pour orchestre, duas das maiores realizações sinfônicas do compositor.

Halbreich rejeita a visão de um Debussy preocupado apenas com a cor instrumental ou com atmosferas vagas. Para ele, a verdadeira inovação reside na arquitetura das obras. Embora a superfície pareça livre e espontânea, a estrutura é rigorosa e orgânica, crescendo como um organismo vivo. Diferentemente da forma clássica tradicional, construída por blocos bem definidos, Debussy faz sua música evoluir continuamente, sem rupturas bruscas, em um processo de permanente transformação temática. É essa lógica interna que explica por que sua música continua soando moderna mais de um século depois.

Essa concepção encontra uma de suas expressões máximas em La Mer (1903-1905). Longe de ser um poema sinfônico descritivo, a obra é apresentada por Halbreich como uma verdadeira sinfonia em três movimentos. De l'aube à midi sur la mer surge lentamente, como um oceano que desperta e cresce até alcançar um clímax monumental. Em Jeux de vagues, talvez a página mais refinada de toda a produção orquestral de Debussy, a música abandona qualquer ideia de narrativa para tornar-se movimento puro, um jogo incessante de ritmos, timbres e harmonias que jamais repousam. Finalmente, Dialogue du vent et de la mer reúne toda essa energia em um final de extraordinária potência dramática, onde vento, mar e orquestra parecem fundir-se numa única força.

Ainda mais ousadas são as Images pour orchestre, compostas entre 1905 e 1912. Debussy abandona qualquer exotismo superficial para criar três universos radicalmente distintos. Gigues evoca uma Escócia imaginária, permeada por melancolia e pelo timbre nostálgico do oboé d'amore. Ibéria, frequentemente considerada uma das maiores páginas da música francesa, recria uma Espanha inventada, feita não de citações folclóricas, mas de lembranças, perfumes, ritmos e luminosidades. Curiosamente, Debussy jamais havia visitado a Espanha quando escreveu grande parte da obra; sua Península Ibérica nasce da imaginação, confirmando sua célebre frase de que, quando não se pode viajar, resta viajar pela fantasia. O tríptico encerra-se com Rondes de printemps, celebração luminosa inspirada por antigas canções populares francesas, na qual a memória coletiva transforma-se em matéria sinfônica.

O ensaio também chama atenção para a extraordinária modernidade da orquestração debussiana. Em vez de utilizar os instrumentos apenas para reforçar melodias, Debussy transforma cada timbre em elemento estrutural da composição. Celesta, harpas, madeiras, cordas divididas e delicadas combinações de metais produzem cores inéditas, enquanto os ritmos e as harmonias se renovam constantemente. A orquestra deixa de ser apenas um veículo de potência sonora para converter-se em um laboratório de texturas e transparências.

As páginas finais do libreto apresentam ainda o maestro Emmanuel Krivine e a Orchestre Philharmonique du Luxembourg, responsáveis pela gravação. Krivine construiu uma carreira marcada tanto pelo grande repertório germânico quanto pela defesa da música francesa, característica que faz desta interpretação uma escolha particularmente feliz. Sob sua direção, a orquestra luxemburguesa alia precisão técnica, refinamento tímbrico e clareza estrutural, qualidades indispensáveis para revelar a riqueza da escrita de Debussy.

Mais do que um impressionista, Debussy emerge dessas obras como um dos grandes arquitetos da música moderna. Sua revolução não consistiu em romper com a tradição, mas em transformá-la a partir de dentro, substituindo a rigidez das formas pelo crescimento orgânico, pela contínua metamorfose dos temas e pela invenção de uma linguagem orquestral sem precedentes. La Mer e Images permanecem, ainda hoje, como algumas das mais fascinantes demonstrações de que a música pode sugerir infinitos mundos sem jamais precisar descrevê-los literalmente.

Uma boa apreciação! 

Claude Debussy (1862-1918) -

01 - La Mer, symphonic sketches (3) for orchestra, L. 109- 1. De l'aube à midi sur...
02 - La Mer, symphonic sketches (3) for orchestra, L. 109- 2. Jeux de vagues
03 - La Mer, symphonic sketches (3) for orchestra, L. 109- 3. Dialogue du vent et ...
04 - Images (3), for orchestra, L. 122- 1. Gigues
05 - Images (3), for orchestra, L. 122- 2. Iberia. Par les rues et par les chemins
06 - Images (3), for orchestra, L. 122- 2. Iberia. Les Parfums de la nuit
07 - Images (3), for orchestra, L. 122- 2. Iberia. Le Matin d'un jour de fête
08 - Images (3), for orchestra, L. 122- 3. Rondes de printemps

Orchestre Philharmonique du Luxemburg
Emmanuel Krivine, regente 

Você pode comprar este disco na Amazon

*Para acessar o link, por favor, clicar na imagem.

 

terça-feira, 11 de agosto de 2026

Claude Debussy (1862-1918) - The Complete Préludes for Solo Piano

Escritos entre 1909 e 1913 e publicados em dois livros de doze peças cada, eles representam um dos pontos culminantes da literatura pianística não apenas pela sofisticação técnica, mas pela extraordinária liberdade poética que inauguram. Debussy não pretende narrar histórias nem pintar quadros sonoros de forma literal; prefere sugerir paisagens, personagens, lembranças e sensações, deixando que a imaginação do ouvinte complete aquilo que a música apenas insinua.

Uma das características mais curiosas da coleção é a posição dos títulos. Debussy optou por colocá-los apenas ao final de cada prelúdio, entre parênteses, para que a música fosse ouvida antes que qualquer imagem mental condicionasse a escuta. Ainda assim, basta conhecer nomes como La Cathédrale engloutie, Voiles, Ondine ou Feux d'artifice para perceber como cada peça parece abrir uma janela para um universo próprio.

O Primeiro Livro percorre uma impressionante variedade de cenários. Há a solenidade quase escultórica de Danseuses de Delphes; o caráter enigmático de Voiles, construído sobre a escala de tons inteiros; o vento que percorre os campos em Le Vent dans la Plaine; os perfumes e sons crepusculares inspirados em Baudelaire; a violência quase orquestral de Ce qu'a vu le vent d'Ouest; a delicadeza lírica de La Fille aux cheveux de lin; o humor espanhol de La Sérénade interrompue; a monumentalidade mística de La Cathédrale engloutie; a travessura shakespeariana de La Danse de Puck e o espírito do teatro de variedades em Minstrels. Debussy alterna constantemente introspecção, ironia, exuberância e contemplação, criando uma sucessão de atmosferas que jamais se repetem.

O Segundo Livro aprofunda ainda mais essa linguagem. Debussy explora harmonias mais ousadas e uma escrita pianística de extraordinária invenção. Surgem neblinas em Brouillards, folhas mortas, paisagens espanholas evocadas em La Puerta del Vino, fadas retiradas das ilustrações de Arthur Rackham, referências a Charles Dickens, vasos funerários do Egito Antigo, desafios puramente pianísticos em Les Tierces alternées e, finalmente, um espetacular espetáculo de fogos de artifício encerrando a coleção, no qual ecos distantes da Marselhesa aparecem quase como uma lembrança perdida entre as explosões luminosas.

O libreto da pianista Anna Tsybuleva revela também uma dimensão profundamente pessoal dessa música. Seu primeiro contato com Debussy aconteceu aos cinco anos de idade, quando sua mãe lhe apresentou La Fille aux cheveux de lin. Desde então, a pianista passou anos tentando compreender como transformar em som elementos tão intangíveis quanto vento, luz, reflexos na água ou o canto de Ondina. Para ela, interpretar Debussy exige recuperar a capacidade infantil de observar o mundo com espanto, curiosidade e ausência de julgamentos. Não por acaso, dedica esta gravação à memória da mãe, cuja presença continua associada àquele primeiro prelúdio ouvido na infância.

Essa concepção artística encontra perfeita tradução em sua interpretação. Vencedora do Leeds International Piano Competition em 2015, Anna Tsybuleva construiu uma carreira marcada pela combinação de refinamento técnico e intensa sensibilidade poética. A crítica frequentemente destaca justamente essa capacidade de criar uma atmosfera íntima mesmo nas maiores salas de concerto, qualidade especialmente adequada ao universo delicado e sugestivo dos Préludes.

Mais de um século após sua composição, os Préludes continuam a soar surpreendentemente modernos. Debussy rompe com o virtuosismo exibicionista do século XIX para transformar o piano em um laboratório de cores, timbres e texturas. Cada peça parece existir entre o real e o imaginário, entre a descrição e o sonho. A interpretação de Anna Tsybuleva compreende plenamente esse espírito: em vez de oferecer respostas definitivas, convida o ouvinte a percorrer um mundo de sugestões, no qual cada audição revela novos detalhes. É precisamente essa capacidade de permanecer inesgotável que faz dos Préludes uma das maiores realizações da música para piano de todos os tempos.

Uma boa apreciação!

Claude Debussy (1862-1918) -

01 - Préludes, Book 1_ I. Danseuses de Delphes
02 - Préludes, Book 1_ II. Voiles
03 - Préludes, Book 1_ III. Le Vent Dans la Plaine
04 - Préludes, Book 1_ IV. Les Sons Et Les Parfums Tournent Dans L'air Du Soir
05 - Préludes, Book 1_ V. Les Collines D'Anacapri
06 - Préludes, Book 1_ VI. Des Pas Sure la Neige
07 - Préludes, Book 1_ VII. Ce Qu'a Vu Le Vent D'ouest
08 - Préludes, Book 1_ VIII. La Fille Aux Cheveux de Lin
09 - Préludes, Book 1_ IX. La Sérénade Interrompue
10 - Préludes, Book 1_ X. La Cathédrale Engloutie
11 - Préludes, Book 1_ XI. La Danse de Puck
12 - Préludes, Book 1_ XII. Minstrels
13 - Préludes - Book 2_ I. Brouillards
14 - Préludes, Book 2_ II. Feuilles Mortes
15 - Préludes, Book 2_ III. La Puerta del Vino
16 - Préludes, Book 2_ IV. Les Fées Sont D'exquises Danseuses
17 - Préludes, Book 2_ V. Bruyères
18 - Préludes, Book 2_ VI. General Lavine - Excentric
19 - Préludes, Book 2_ VII. La Terrasse Des Audiences Du Clair de Lune
20 - Préludes, Book 2_ VIII. Ondine
21 - Préludes, Book 2_ IX. Hommage À S. Pickwick Esq., P.P.M.P.C
22 - Préludes, Book 2_ X. Canope
23 - Préludes, Book 2_ XI. Les Tierces Alternées
24 - Préludes, Book 2_ XII. Feux D'artifice

Anna Tsybuleva, piano

Você pode comprar este disco na Amazon

*Para acessar o link, por favor, clicar na imagem.

sábado, 23 de maio de 2026

Claude Debussy (1862-1918) - Violin Sonata, Cello Sonata, Piano Trio etc

 

"As obras reunidas neste CD pertencem tanto ao início quanto ao período final da trajetória criativa de Debussy e, por isso mesmo, revelam um compositor distante da imagem impressionista com a qual seu nome costuma ser associado. O Trio para Piano em Sol maior é uma obra de exuberante romantismo, em que ressoam ecos de Schumann e Franck. Já as sonatas para violoncelo e para violino integram o projeto das seis sonatas iniciado por Debussy em 1915, interrompido prematuramente por sua morte, em 1918 - apenas três chegaram a ser concluídas. Nessas partituras, a escrita se torna mais transparente, com acentos neoclássicos e, por vezes, uma mordacidade rítmica e humorística que remete a Stravinsky. Os intérpretes deste álbum - Federico Guglielmo, Luigi Puxeddu e Jolanda Violante — construíram sua reputação sobretudo no repertório de música antiga, o que confere a estas leituras uma abordagem arejada, espontânea e cheia de vitalidade. Como complemento, o disco inclui arranjos de peças célebres como Rêverie, Arabesque, Minstrels e La fille aux cheveux de lin, além de duas miniaturas juvenis para violoncelo e piano.

O vibrante Trio para Piano em Sol maior desperta imagens de renovação e de paisagens primaveris: riachos cintilantes, flores silvestres e relva coberta de orvalho. Sob o patrocínio de Madame von Meck — célebre mecenas também de Tchaikovsky —, Debussy compôs essa obra promissora e luminosa durante o verão de 1880. Aos dezessete anos, sua voz autoral ainda se formava, e a influência de Franck, Schumann e Brahms se faz perceptível na textura, na arquitetura e na intenção musical. Ainda assim, já emergem traços de charme, leveza e espírito inventivo, enquanto o Finale se afirma com ousadia e vigor. O Trio Stradivari interpreta a peça com calor e delicadeza, construindo um diálogo luminoso de emoções. Essa abordagem flexível e cantabile se evidencia particularmente no uso do pizzicato no segundo movimento, um scherzo-intermezzo de refinada elegância.

Debussy acreditava ser dever do compositor “encontrar a fórmula sinfônica adequada ao seu tempo, aquela exigida pelo progresso, pela audácia e pela vitória da modernidade”, acrescentando com ironia que “o século dos aviões tinha direito à sua própria música”. Escrita nos últimos anos de sua vida, a Sonata para Violino, permeada por discretas reminiscências de Couperin, resgata a essência do barroco francês sob uma linguagem ao mesmo tempo fresca e radicalmente moderna. A interpretação apresentada aqui revela grande sensibilidade, expondo a atmosfera expansiva da obra, seus contrastes cintilantes e sua agilidade expressiva. Abalado pelo impasse sangrento da guerra e atormentado pela doença, Debussy iniciou a sonata em 1916 e só a concluiu no ano seguinte. Ao estreá-la, confessou, exasperado: “Escrevi esta sonata apenas para me livrar dela, pressionado pelo meu querido editor.” Em seguida, porém, ofereceu uma observação mais reveladora: “Esta sonata terá interesse documental como exemplo do que um homem doente pode produzir em tempos de guerra.” Apesar disso, o humor travesso do Intermède e a construção dramática do Finale revelam uma vontade obstinada de permanecer vital, recusando-se a sucumbir à fraqueza ou ao desalento. A obra se torna, assim, um testemunho do espírito combativo de Debussy, em que beleza e pathos atravessam até os trechos mais concisos. O Trio Stradivari aborda essa música com inteligência e compreensão profundas.

A Sonata para Violoncelo, composta em 1915, tinha inicialmente o sugestivo título Pierrot fait fou avec la lune. A referência provavelmente remete ao poema de Albert Giraud que inspirou o Pierrot Lunaire de Schoenberg, escrito três anos antes. O final do século XIX e o início do XX testemunharam, aliás, um renovado fascínio pelas figuras da commedia dell’arte, especialmente Pierrot. Talvez melhor descrita como “um raio de luar aprisionado numa bela garrafa da Boêmia”, nas palavras de Giraud, a sonata reúne uma profusão de elementos interligados: fragmentos líricos agudos que evocam o falsete masculino, mudanças abruptas de andamento, rubatos exagerados, justaposições tonais inesperadas e uma recusa deliberada da regularidade métrica - tudo isso contido dentro de uma forma clássica. Luigi Puxeddu oferece aqui uma interpretação colorida e evocativa.

As peças restantes confirmam a convicção de Debussy de que era preciso “buscar uma disciplina dentro da liberdade” e não se deixar governar por fórmulas oriundas de “filosofias decadentes”, destinadas, segundo ele, “aos espíritos fracos”. Obras como Minstrels e a Première Arabesque, com seus ritmos quase jazzísticos e arpejos fluidos, recebem interpretações vigorosas e límpidas desses músicos consumados. Em perfeita sintonia, os três intérpretes articulam delicadamente contraste, continuidade e refinamento tímbrico. O romantismo impetuoso de Puxeddu reverbera no Intermezzo L27, acompanhado com inteligência e sensibilidade por Jolanda Violante, enquanto o Scherzo L26 surge como uma escapada leve, espirituosa e irreverente.

Este é um CD que celebra a impressionante diversidade da personalidade musical de Debussy. Mais do que uma coletânea de obras, oferece um retrato amplo de suas influências, de seu humor e de suas estratégias composicionais. A gravação desafia a visão limitada de Debussy como compositor exclusivamente impressionista e, ao fazê-lo, o Trio Stradivari revela uma imagem mais rica e complexa de sua música - das emoções que o moviam às técnicas que utilizava para traduzi-las em som. Peças familiares como La fille aux cheveux de lin e a Première Arabesque reaparecem aqui com frescor e espontaneidade renovados. Entre os excelentes músicos reunidos, Federico Guglielmo destaca-se como um intérprete particularmente inventivo e poeticamente cativante".

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Claude Debussy (1862-1918) - 

01. Piano Trio in G major, L3 - I. Andantino con moto allegro (09:04)
02. Piano Trio in G major, L3 - II. Scherzo-Intermezzo: Moderato con allegro (03:30)
03. Piano Trio in G major, L3 - III. Andante espressivo (03:55)
04. Piano Trio in G major, L3 - IV. Finale: Appassionato (05:27)
05. Violin Sonata in G minor, L140 - I. Allegro vivo (05:28)
06. Violin Sonata in G minor, L140 - II. Intermede: Fantasque et leger (04:14)
07. Violin Sonata in G minor, L140 - III. Finale: Tres anime (04:32)
08. Cello Sonata in D minor, L135 - I. Prologue: Lent, sostenuto e molto risoluto (04:42)
09. Cello Sonata in D minor, L135 - II. Serenade: Moderement anime (03:32)
10. Cello Sonata in D minor, L135 - III. Final: Anime, leger et nerveux (03:38)
11. Intermezzo for cello and piano, L27 (05:29)
12. Scherzo for cello and piano, L26 (05:24)
13. Minstrels for violin and piano (Preludes L117, No.12) (02:23)
14. La fille aux cheveux de lin for violin and piano (Preludes L117, No.8) (02:36)
15. Premiere arabesque for violin and piano, L66 (04:57)
16. Romance for cello and piano, L79 No.1 (02:09)
17. Reverie for cello and piano, L68 (04:38)

Trio Stradivari
Federico Guglielmo, violino
Luigi Puxeddu, violoncelo
Jolanda Violante, piano 

Você pode comprar este disco na Amazon

*Para acessar o link, por favor, clicar na imagem.

*Se possível, deixe um comentário. Sua participação é importante. Ela ajuda a manter o nosso blog!

 

segunda-feira, 11 de maio de 2026

Joshua Bell - Voice of the Violin

Texto de apresentação do disco: 

"Temo que isso ainda subestime a qualidade etérea com que Bell extrai notas musicais vivas de seu Stradivarius. A comunhão espiritual que se estabelece entre um virtuose e seu instrumento é o que torna possível a conexão entre intérprete e ouvinte. O instrumento transforma-se em uma voz singular, capaz de transmitir a essência da música - ela própria uma extensão do compositor. Quando essa relação é pura, sua qualidade torna-se imensurável e indizível, comunicando-se apenas entre espíritos, e alcançando plenitude ainda maior nas mãos de uma alma afim. Joshua Bell possui exatamente esse tipo de vínculo: não apenas entre o autor da obra e a excelência do instrumento, mas também entre o compositor e o público. Bell se destaca como a ponte perfeita entre todos eles.

Constantemente incentivados a “cantar” através de seus instrumentos, músicos de cordas naturalmente buscam reproduzir o mais belo de todos os instrumentos musicais: a voz humana. Não surpreende, portanto, que desejem literalmente colocar os dedos sobre os tesouros do repertório vocal. Joshua Bell apropriou-se de algumas das mais célebres canções e árias operísticas, de Mozart aos românticos, passando por Orff. Lentamente conduzidas, sustentadas, líricas e, sim, profundamente “cantáveis”, essas melodias sedutoras e de ampla carga emocional adaptam-se com extraordinária naturalidade ao violino.

Grande parte dos arranjos leva a assinatura de J.A.C. Redford, conhecido compositor de cinema e televisão. E, de fato, as cordas pulsantes e as modulações abruptas típicas de trilhas sonoras permeiam suas orquestrações, em contraste surpreendente com a linguagem original dos compositores. Em “Beau soir”, de Debussy, o pianista Frederic Chiu acompanha Bell com tamanha sensibilidade que se chega a desejar que o piano tivesse substituído a orquestra em todas as canções. As transcrições violinísticas da linha vocal permanecem fiéis aos originais, exceto pelo hábito quase compulsivo de Redford de adicionar oitavas nas repetições e saltar do registro mais grave ao mais agudo.

Naturalmente, Bell executa tudo isso com maestria — e é justamente a interpretação o grande destaque. Seu timbre é arrebatadoramente belo: quente nas cordas graves, luminoso nos registros agudos e sempre intensamente expressivo. Seu amor pela música e sua compreensão instintiva de sua simplicidade interior, de seu anseio romântico e de seu ardor apaixonado atingem diretamente o coração do ouvinte.

Na única participação violinística autenticamente escrita para o instrumento, o obbligato de “Morgen!”, de Richard Strauss, Bell divide a cena com a soprano Anna Netrebko, dona de uma voz dourada. Inicialmente intensa em excesso, ela gradualmente se entrega a um desfecho mágico e sereno".  

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

01. Vocalise, Op. 34, No. 14 (Rachmaninoff) (5:51)
02. Ave Maria (Schubert) (4:43)
03. Pourquoi me reveiller from Werther (Massenet) (2:37)
04. Apres un reve, Op. 7, No. 1 (Faure) (2:50)
05. Song To The Moon from Rusalka (Dvorak) (5:28)
06. Laudate Dominum from Vesperae solennes de confessore (Mozart) (4:43)
07. None But The Lonely Heart, Op. 6/6 (Tchaikovsky) (2:51)
08. Una Furtiva Lagrima from L'Elisir d'Amore (Donizetti) (4:17)
09. In trutina from Carmina Burana (Orff) (2:34)
10. May Breezes from Songs without Words, Op. 62, No. 1 (Mendelssohn) (2:18)
11. Beau soir (Debussy) (2:32)
12. Estrellita (Ponce) (3:16)
13. Nana (Bercuese) from Siete conciones populares Espanolas (De Falla) (2:12)
14. Je crois entendre encore from The Pearl Fishers (Bizet) (3:31)
15. Morgen! Op. 27, No. 4 (R. Strauss) (3:41)

Joshua Bell, violino

Você pode comprar este disco na Amazon

*Para acessar o link, por favor, clicar na imagem.

*Se possível, deixe um comentário. Sua participação é importante. Ela ajuda a manter o nosso blog!

 

terça-feira, 14 de abril de 2026

P. I. Tchaikovsky (1840-1893) - The Queen of Spades, Op. 68 TH 10_ Overture, Claude Debussy (1862-1918) - Prélude à l’après-midi d’un faune, L. 86 e La mer, L. 109 etc


Textinho da Wikipédia trazendo alguns dados biográficos da carreira de Svetlanov:

"Svetlanov nasceu em Moscou e estudou regência com Alexander Gauk no Conservatório de Moscou . A partir de 1955, regeu no Teatro Bolshoi , sendo nomeado maestro principal em 1962. De 1965 a 1979, foi maestro principal da Orquestra Sinfônica Estatal da URSS (atual Orquestra Sinfônica Estatal Russa). Em 1979, foi nomeado maestro convidado principal da Orquestra Sinfônica de Londres . Svetlanov também foi diretor musical da Orquestra Residentie ( Haia ) de 1992 a 2000 e da Orquestra Sinfônica da Rádio Sueca de 1997 a 1999.

Em 2000, Svetlanov foi demitido de seu cargo na Orquestra Sinfônica Estatal Russa pelo ministro da cultura da Rússia, Mikhail Shvydkoy . O motivo alegado foi que Svetlanov estava passando muito tempo regendo no exterior e pouco tempo em Moscou.

Svetlanov destacou-se particularmente por suas interpretações de obras russas – ele abrangeu toda a gama da música russa, de Mikhail Glinka aos dias atuais. Ele também foi um dos poucos maestros russos a reger toda a obra sinfônica de Gustav Mahler .

Suas próprias composições incluem um Quarteto de Cordas (1948), Daugava, Poema Sinfônico (1952), Fantasia Siberiana para Orquestra, Op. 9 (1953), Images d'Espagne , Rapsódia para orquestra (1954), Sinfonia (1956), Poema Festivo (1966),  Variações Russas para harpa e orquestra (1975), Concerto para Piano em dó menor (1976) e Poema para Violino e Orquestra "À Memória de David Oistrakh" (1975).  Ele compôs a Fantasia Siberiana em 1953/54, em colaboração com Igor Yakushenko [1932-1999].

Svetlanov também era um pianista extremamente competente, tendo gravado três obras notáveis: o Trio para Piano nº 2 em Ré menor e a Sonata para Violoncelo op. 19 de Sergei Rachmaninoff , e um disco de música para piano de Nikolai Medtner .

A Warner Music France lançou uma "Édition officielle Yevgeny Svetlanov" apresentando o legado de gravações de Svetlanov como maestro e pianista, que em julho de 2008 já somava 35 volumes em CDs, frequentemente em caixas com vários CDs. O maior deles é a caixa com 16 CDs contendo as sinfonias completas de Nikolai Myaskovsky , cuja música Svetlanov dedicou-se integralmente".
 

01 - The Queen of Spades, Op. 68 TH 10_ Overture (Live at Royal Festival Hall, London)
02 - Prélude à l’après-midi d’un faune, L. 86 (Live at Royal Festival Hall, London)
03 - La mer, L. 109_ I. De l’aube à midi sur la mer (Live at Royal Festival Hall, London)
04 - La mer, L. 109_ II. Jeux de vagues (Live at Royal Festival Hall, London)
05 - La mer, L. 109_ III. Dialogue du vent et de la mer (Live at Royal Festival Hall, London)
06 - 5 Études-tableaux, Op. 39_ No. 2 in A Minor (Arr. for Orchestra by Ottorino Respighi)
07 - 8 Études-tableaux, Op. 33_ No. 6 in E-Flat Major (Arr. for Orchestra by Ottorino Respighi) (
08 - Overture on Hebrew Themes, Op. 34 (Live at Royal Festival Hall, London)

Philharmonia Orchestra (1-5)
BBC Symphony Orchestra (6,7)
London Symphony Orchestra (8)

Yevgeny Svetlanov, regente 

Você pode comprar este disco na Amazon

*Para acessar o link, por favor, clicar na imagem.

*Se possível, deixe um comentário. Sua participação é importante. Ela ajuda a manter o nosso blog!

 

quinta-feira, 19 de março de 2026

Maurice Ravel (1875-1937) - Gaspard de la Nuit e Piano Concerto in G major e Claude Debussy (1862-1918) - Children's Corner

Da apresentação do disco:

"Um tributo a Arturo Benedetti Michelangeli, pianista italiano de aura quase mítica e temperamento imprevisível; um perfeccionista de repertório rigorosamente selecionado, no qual as obras de Scarlatti dialogavam com Debussy e Ravel, enquanto os grandes românticos alemães, de Beethoven a Brahms, eram elevados e amplificados, evidenciando a solidez de sua construção musical.

Seu catálogo de gravações é enxuto, concentrado sobretudo em peças de Debussy e Ravel, além de algumas de Beethoven. Curiosamente, costumava adquirir gravações piratas ao vivo de seus próprios concertos para presentear amigos, em vez de recorrer às suas versões “oficiais”.

Esta antologia francesa reúne interpretações lendárias, marcadas por um toque inimitável — reconhecível pela flexibilidade sonora e pela pureza de estilo. Um clássico revivido".

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Maurice Ravel (1875-1937) - 

Gaspard de la Nuit (1908)
01. Ondine
02. Gibet
03. Scarbo

Piano Concerto in G major (1929-31)
04. I. Allegramente
05. II. Adagio assai
06. III. Presto
07. Valses nobles et sentimentales (1911)

Claude Debussy (1862-1918) - 

Children's Corner (1910)
08. Doctor Gradus ad parnassum (modérément animé)
09. Jimbo's Lullaby (assez modéré)
10. Serenade for the doll (allegretto ma non troppo, léger et gracieux)
11. The snow is dancing (modérément animé)
12. The little shepherd (très modéré)
13. Golliwog's cake-walk (allegro giusto)

London Philharmonia Orchestra
Ettore Gracis, regente
Arturo Benedetti Michelangeli, piano 

Você pode comprar este disco na Amazon

*Para acessar o link, por favor, clicar na imagem.

*Se possível, deixe um comentário. Sua participação é importante. Ela ajuda a manter o nosso blog!

 

quinta-feira, 12 de março de 2026

Claude Debussy (1862-1918) - Images, 2 Arabesques, L'Isle joyeuse, Berceuse heroique etc

 

Debussy foi um sujeito comprometido com a subversão. Frequentemente, a sua música é associada a algo insosso, sem cor, sem energia, o que julgo ser uma profunda precipitação. O compositor foi o mestre das insinuações, alguém que não gostava de lances previsíveis. Para o compositor francês, as grandes narrativas, o fausto criado pela música eloquente e chamativa do período romântico deveria ser substituída pela discrição, pelas cores, por atmosferas decantadas. O compositor parece suspender a ideia do tempo. Sua música paira no ar.

Isso fica mais explícito em Images I (1905) e Images II (1907).  O título não é casual. Para Debussy, a música poderia sugerir paisagens, movimentos e sensações com a mesma liberdade que a pintura impressionista sugeria luz e forma. Não por acaso, a crítica frequentemente aproxima sua obra do universo de artistas como Claude Monet, embora Debussy rejeitasse rótulos fáceis. O que importa, em “Images”, é a experiência sensorial: a música não descreve literalmente, mas evoca.

A importância estética dessas obras vai muito além de sua beleza pianística. Debussy redefiniu a linguagem musical ao explorar escalas não tradicionais, harmonias paralelas e uma relação inédita com o timbre. Em vez de conduzir o ouvinte por tensões e resoluções previsíveis, ele constrói ambientes sonoros onde a cor harmônica tem papel central. Essa abordagem influenciou profundamente compositores do século XX - de Maurice Ravel a Olivier Messiaen - e abriu caminho para novas concepções de forma e sonoridade.

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!

Claude Debussy (1862-1918) - 

01 - Images, Livre 1 1. Reflets dans l'eau
02 - Images, Livre 1 2. Hommage a Rameau
03 - Images, Livre 1 . Mouvement
04 - Images Livre 2 1. Cloches a travers les feuilles
05 - Images Livre 2 2. Et la lune descend sur le temple qui fut
06 - Images Livre 2 3. Poissons d'or
07 - D'un cahier d'esquisses
08 - L'Isle joyeuse
09 - Arabesque no 1
10 - Arabesque no 2
11 - Hommage a Haydn
12 - Reverie
13 - Page d'album
14 - Berceuse heroique

Zoltán Kocsis, piano  

Você pode comprar este disco na Amazon

*Para acessar o link, por favor, clicar na imagem.

*Se possível, deixe um comentário. Sua participação é importante. Ela ajuda a manter o nosso blog!

 

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Claude Debussy (1862-1918) - The Complete Préludes - Book I e Book II

Compreender Claude Debussy (1862-1918) é muito mais complicado do que parece. Também é muito mais simples do que parece. É como fazer uma jornada cheia de labirintos pra chegar num lugar e, só então, perceber que tinha um atalho. Você, caso não conheça de música clássica, vai ouvir sons e vai achá-los mágicos. Daí vai tentar esmiuçar, compreender, dissecar, só pra depois perceber que a música de Debussy foi feita pra escutar. Escutar atentamente, claro. E então deixar-se levar pelas sensações. Aí está o atalho: a música dele é menos técnica e mais pura mágica. Não que ele seja fraco tecnicamente, sua orquestração e escrita para piano, para qualquer instrumentação, de fato, são perfeitas.

Era um compositor espetacular, conhecedor das velhas formas e um pianista excepcional - Igor Stravinsky conta que ele e Debussy fizeram uma audição privada da sua Sagração da Primavera numa versão de piano a 4 mãos, com Debussy praticamente lendo à primeira vista.

Você só vai entender as intenções desse compositor ao escutá-lo um punhado de vezes. Eu acho que é por isso que as pessoas mais velhas se tornam à música clássica. Elas têm mais paciência. A obra de Debussy é episódica, você tem que apreciar os momentos. 

Aliás, vamos entender o 1º (e o 2º) Livro de Prelúdios como uma coletânea de contos. É só dividir esses contos em parágrafos: meio caminho andado. Ele foi um dos primeiros compositores modernos, saindo do romantismo. Enquanto que no romantismo as músicas são bem descritivas, ainda que apenas de sentimentos, no modernismo elas tendem a ser mais abstratas. É até interessante que Debussy tenha colocado títulos para cada prelúdio. Mas, na partitura, ele coloca o título no fim. Genial! Você deve ler a peça como se não soubesse do que se trata e, então, descobrir.

O que é um prelúdio? 

Nesse sentido usado por Debussy, trata-se de peças para piano com durações diversas (2 e pouco a quase 8 minutos) e com forma livre. Ou seja, a peça se desenvolve sem "ter que fazer" nada: ao gosto do compositor. Ele os compôs entre 1909 e 1910.

Johann Sebastian Bach escreveu O Cravo Bem Temperado, com 24 prelúdios e fugas, cada um em uma das tonalidades existentes. Depois compôs outro livro. Isso abriu precedente para que compositores, famosamente Frédéric Chopin, fizessem seus prelúdios. Chopin fez um livro de 24, respeitando a ideia das 24 tonalidades. Debussy fez 2 livros de 12. Mas ele não fez um para cada tonalidade. Os dele são bem livres. Cada um tem um título, que vem de algum poema (Baudelaire) ou simplesmente de uma alusão.

Daqui

Claude Debussy (1862-1918) - 

01 - Préludes _ Book 1, L.117_ 1. Danseuses de Delphes
02 - Préludes _ Book 1, L.117_ 2. Voiles
03 - Préludes _ Book 1, L.117_ 3. Le vent dans la plaine
04 - Préludes _ Book 1, L.117_ 4. Les sons et les parfums tournent dans l'air du soir
05 - Préludes _ Book 1, L.117_ 5. Les collines d'Anacapri
06 - Préludes _ Book 1, L.117_ 6. Des pas sur la neige
07 - Préludes _ Book 1, L.117_ 7. Ce qu'a vu le vent d'ouest
08 - Préludes _ Book 1, L.117_ 8. La fille aux cheveux de lin
09 - Préludes _ Book 1, L.117_ 9. La sérénade interrompue
10 - Préludes _ Book 1, L.117_ 10. La cathédrale engloutie
11 - Préludes _ Book 1, L.117_ 11. La danse de Puck
12 - Préludes _ Book 1, L.117_ 12. Minstrels
13 - Préludes - Book 2, L.123_ 1. Brouillards
14 - Préludes - Book 2, L.123_ 2. Feuilles mortes
15 - Préludes - Book 2, L.123_ 3. La puerta del vino
16 - Préludes - Book 2, L.123_ 4. _Les fées sont d'exquises danseuses_
17 - Préludes - Book 2, L.123_ 5. Bruyères
18 - Préludes - Book 2, L.123_ 6. _General Lavine_ - eccentric
19 - Préludes - Book 2, L.123_ 7. La terrasse des audiences du clair de lune
20 - Préludes - Book 2, L.123_ 8. Ondine
21 - Préludes - Book 2, L.123_ 9. Hommage à S. Pickwick, Esq., P.P.M.P.C
22 - Préludes - Book 2, L.123_ 10. Canope
23 - Préludes - Book 2, L.123_ 11. Les tierces alternées
24 - Préludes - Book 2, L.123_ 12. Feux d'artifice

Hans Henkemans, piano 

Você pode comprar este disco na Amazon

*Para acessar o link, por favor, clicar na imagem.

*Se possível, deixe um comentário. Sua participação é importante. Ela ajuda a manter o nosso blog!

 

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Claude Debussy (1862-1918) - String Quartet in G Minor, Op. 10, L. 85 e Karol Szymanowski (1882-1937) - String Quartet No. 1 in C Major, Op. 37 e String Quartet No. 2, Op. 56

 

Recordo-me, de quando comecei a ouvir música de câmara, isso há quase trinta anos, tive algumas dificuldades. A experiência de deleite foi lenta e gradual. Achava de difícil assimilação. Conseguia ouvir compositores como Haydn ou Mozart, mas ficava explícita uma dificuldade à medida que as obras chegavam ao século XX. Acredito que esse seja o dilema daquelas pessoas que iniciam gradualmente a ouvir a música chamada clássica, principalmente música de câmara.

É importante mencionar que, ao longo dos séculos, a música de câmara proporcionou experimentações ousadas, o que acabou por se tornar em um laboratório relevante de novas possibilidades sonoras. É o que, por exemplo, encontramos neste disco. São três obras – uma de Debussy e outras duas do polonês Szymanowski.

O Opus 10, de Debussy, é o único quarteto de cordas escrito por ele. É uma verdadeira joia. Como tudo que fez, Debussy procurou romper com a influência da música alemã do século XIX, apesar de a obra ser do ano de 1893. Em vez de desenvolver temas de forma tradicional, ele apostou em cores sonoras, em harmonias ousadas, que se insinuam ao longo dos quatro movimentos. O resultado é a construção de uma espécie de pintura musical, um quadro capaz de criar impressões sensoriais. É uma das obras camerísticas de que mais gosto.

Já no caso de Szymanowski, o Opus 37 foi composto em 1917, no momento em que a Europa encontrava-se mergulhada na Primeira Guerra Mundial. A obra é um marco na carreira do compositor, pois representou uma espécie de ruptura com o romantismo tardio e o aproximou de uma linguagem mais moderna, influenciado pela música de Ravel e Debussy. O resultado é uma música introspectiva e elegante.

Já o Opus 2 do compositor polonês, foi escrito em 1927. É uma obra mais concisa, ousada e pessoal. Szymanowski incorpora elementos do folclore polonês, combinando com uma escrita moderna, rítmica e repleta de contrastes. É uma música direta, menos contemplativa do que o Opus 37.

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

01 - String Quartet in G Minor, Op. 10, L. 85_ I. Animé et très décidé
02 - String Quartet in G Minor, Op. 10, L. 85_ II. Assez vif et bien rythmé
03 - String Quartet in G Minor, Op. 10, L. 85_ III. Andantino, doucement expressif
04 - String Quartet in G Minor, Op. 10, L. 85_ IV. Très modéré - Très mouvementé
05 - String Quartet No. 1 in C Major, Op. 37_ I. Lento assai - Allegro moderato
06 - String Quartet No. 1 in C Major, Op. 37_ II. Andantino semplice. In modo d’una canzone
07 - String Quartet No. 1 in C Major, Op. 37_ III. Vivace - Scherzando alla burlesca. Vivace ma non
08 - String Quartet No. 2, Op. 56_ I. Moderato
09 - String Quartet No. 2, Op. 56_ II. Vivace scherzando
10 - String Quartet No. 2, Op. 56_ III. Lento

Belcea Quartet 

Você pode comprar este disco na Amazon

*Para acessar o link, por favor, clicar na imagem.

*Se possível, deixe um comentário. Sua participação é importante. Ela ajuda a manter o nosso blog!

 

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Claude Debussy (1862-1918) - Etudes, CD 143, Sergei Prokofiev (1891-1953) - Etudes, Op. 2 e Béla Bartók (1881-1945) - 3 Etudes, Sz. 72

Este disco é um muito bom. Reúne três dos mais importantes compositores do século XX. Embora tenham nascido no final do século XIX, foram responsáveis por determinar o destino da música do século XX. O disco reúne "estudos" de Debussy, Prokofiev e Bartók. Diferentemente dos famosos estudos de Chopin, que eram repletos de camadas de poesia, lirismo e técnica, os estudos aqui encontrados não são apenas uma realização de destreza estética; eles estão carregados por uma linguagem que aponta para a a possibilidade sonora, estética e de expressividade.

O primeiro deles é o de Debussy. Foram escritos entre os anos de 1915 e 1917. É o seu último grande ciclo para piano. O piano deixa de ser meramente percussivo e passa a ter uma fluidez e uma ambiguidade sonora e inventiva. É bonito e poético. É um exercício de ousadia estética. 

Em seguida, aparece o Opus 2 de Prokofiev. Foi escrito em 1909. À época, o compositor tinha apenas dezenove anos de idade. O russo não procura a sutileza, mas, sim, o impacto. A estética do choque, da energia e da ironia, marcas que seguirão o compositor pelos anos à frente. E, finalmente, aparece Bartók. Os três estudos aqui apresentados foram escritos em 1918 e revelam um compositor interessado tanto na exploração técnica quanto na reorganização profunda da linguagem musical.Os estudos apresentam estruturas rigorosas, padrões repetitivos e uma pulsação quase primitiva, que antecipa muitas das experimentações do século XX.

Sendo assim, não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!

01 - Etudes, CD 143_ I. Pour les cinq doigts (d'après Monsieur Czerny)
02 - Etudes, CD 143_ II. Pour les tierces
03 - Etudes, CD 143_ III. Pour les quartes
04 - Etudes, CD 143_ IV. Pour les sixtes
05 - Etudes, CD 143_ V. Pour les octaves
06 - Etudes, CD 143_ VI. Pour les huit doigts
07 - Etudes, CD 143_ VII. Pour les degrés chromatiques
08 - Etudes, CD 143_ VIII. Pour les agréments
09 - Etudes, CD 143_ IX. Pour les notes répétées
10 - Etudes, CD 143_ X. Pour les sonorités opposées
11 - Etudes, CD 143_ XI. Pour les arpèges composés
12 - Etudes, CD 143_ XII. Pour les accords
13 - Etudes, Op. 2_ I. Allegro in D Minor
14 - Etudes, Op. 2_ II. Moderato in E Minor
15 - Etudes, Op. 2_ III. Andante semplice in C Minor
16 - Etudes, Op. 2_ IV. Presto energico in C Minor
17 - 3 Etudes, Sz. 72_ I. Allegro molto
18 - 3 Etudes, Sz. 72_ II. Andante sostenuto – Più mosso
19 - 3 Etudes, Sz. 72_ III. Rubato – Molto sostenuto – Tempo giusto – Rubato

Garrick Ohlsson, piano 

Você pode comprar este disco na Amazon

*Para acessar o link, por favor, clicar na imagem.

*Se possível, deixe um comentário. Sua participação é importante. Ela ajuda a manter o nosso blog!

 

terça-feira, 11 de novembro de 2025

Claude Debussy (1862-1918) - String Quartet in G-Sharp Minor, Op. 10 e Maurice Ravel (1875-1937) - String Quartet in F-Sharp Major

Postagem delicada com a música francesa. Na verdade, trata-se de duas obras icônicas de Debussy e Ravel. Tanto Debussy quanto Ravel somente escreveram um quarteto de cordas cada. O Opus 10, de Debussy, é do ano de 1893. O compositor não mais voltaria a escrever algo do gênero. O que escreveu foi suficiente para influenciar e promover mudanças. Embora estruturado classicamente em quatro movimentos, ele rompia com as convenções com sua sonoridade "ultramoderna" e colorida, chegando a ser criticado por soar "muito orquestral".  O compositor prioriza a cor, a textura e o efeito atmosférico.

Já o Quarteto de cordas, de Ravel, é outra joia da música francesa. Foi escrito em 1903. Ou seja, dez anos após a escrita de Debussy. Ravel, de fato, se modelou na estrutura do quarteto de seu antecessor, especialmente na unidade cíclica do material temático e na exploração de timbres. Ravel estava então na casa dos 20 anos e dedicou a obra ao seu professor, Gabriel Fauré (que, ironicamente, não a apreciou totalmente na estreia. O quarteto de Ravel distingue-se pela sua mestria técnica e um senso mais evidente de contenção emocional e artesanato neoclássico, contrastando com a "liberdade impressionista" de Debussy. Se o quarteto de Debussy é "efusivo e sem inibições", o de Ravel demonstra inovação dentro das formas tradicionais.

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

01 - String Quartet in G-Sharp Minor, Op. 10, ._ Animé et trés décidé
02 - String Quartet in G-Sharp Minor, Op. 10, ._ Assez vif et bien rythmé
03 - String Quartet in G-Sharp Minor, Op. 10, ._ Andantino, doucement expressif
04 - String Quartet in G-Sharp Minor, Op. 10, ._ Trés modéré
05 - String Quartet in F-Sharp Major, ._ Allegro moderato. Tres doux
06 - String Quartet in F-Sharp Major, ._ Assez vif. Tres rythmé
07 - String Quartet in F-Sharp Major, ._ Tres lent
08 - String Quartet in F-Sharp Major, ._ Vif et agité

The Vlach Quartet 

Você pode comprar este disco na Amazon

*Para acessar o link, por favor, clicar na imagem.

*Se possível, deixe um comentário. Sua participação é importante. Ela ajuda a manter o nosso blog!

 

terça-feira, 30 de setembro de 2025

Claude Debussy (1862-1918) - Nocturnes, Images, Prélude à l'après-midi d'un faune & Marche écossaise


Debussy foi um sujeito que inseriu mudanças fenomenais na música do século XX. O francês mudou a forma de como se percebe a música, de como se deve apreciá-la. Sua música ganha atmosferas mais sugestivas do que declarativas e estruturais. Neste disco, encontramos algumas das extraordinárias peças que escreveu; boas para iniciar uma incursão pelas suas produções impressionistas.

A primeira delas são os deliciosos “Nocturnes”, escritos no ano de 1899. Debussy colore o céu, o mar e noite com pinceladas sonoras, repletas de texturas fascinantes. Não são “noturnos” no sentido chopiniano, intimistas ao piano, mas paisagens sonoras que sugerem nuvens, festas e sereias. Debussy troca a lógica do discurso musical pelo fascínio da cor.

Outra obra fascinante é a luxuriosa “Prélude à l’après-midi d’un faune”, escrita no ano de 1894. Inspirada em um poema de Mallarmé, a obra é revolucionária sob vários aspectos. Ela praticamente sugere para onde iria a música do século XX. A flauta que inaugura a obra não anuncia uma narrativa, mas um estado de suspensão — como se o ouvinte fosse convidado a entrar em um sonho etéreo.

Curiosa é a “Marche écossaise sur un thème populaire”, uma obra menos citada, mas reveladora. Partindo de um tema folclórico escocês, Debussy joga com exotismo e ironia. É como se dissesse: “Posso dialogar com tradições distantes sem me curvar ao academicismo”. A peça mostra seu gosto pela liberdade e pela reinvenção.

“Images”, escrita entre 1905 e 1912, é uma obra em que se percebe a consolidação da busca por uma pintura sonora. Ao orquestrar reflexos, danças e impressões, Debussy sugere que a música pode ser um espelho fragmentado da realidade — como uma tela impressionista que não descreve, mas deixa cintilar.

E, por fim, a última obra do disco é “Jeux”, de 1913. Foi encomendada por Diaghilev. É uma obra ousada e parece antecipar a linguagem de Stravinsky. “Jeux” em francês significa “jogos”, “brincadeiras”, “divertimentos”. O enredo — um jogo noturno de tênis, trivial e moderno — contrasta com a complexidade da partitura. Debussy mostra que a arte podia dialogar com a vida contemporânea sem perder profundidade.

Curiosamente, essas gravações realizadas por Désiré-Emile Inghelbrecht, são dos anos 50. A qualidade é espetacular. O maestro era multitarefas – escritor, regente, produtor. Foi amigo de Debussy. Morreu em 1965; este ano, faz 60 anos de sua partida.

 Claude Debussy (1862-1918) - 

01. Nocturnes, CD 98, L. 91: No. 1, Nuages (6:24)
02. Nocturnes, CD 98, L. 91: No. 2, Fêtes (6:57)
03. Nocturnes, CD 98, L. 91: No. 3, Sirènes (10:07)
04. Prélude à l'après-midi d'un faune, CD 87a, L. 86 (9:46)
05. Marche écossaise sur un thème populaire, CD 83b, L. 77 (6:52)
06. Images, CD 118a, L. 122: Pt. 2 "Iberia": I. Par les rues et par les chemins (7:16)
07. Images, CD 118a, L. 122: Pt. 2 "Iberia": II. Les parfums de la nuit (8:40)
08. Images, CD 118a, L. 122: Pt. 2 "Iberia": III. Le matin d'un jour de fête (4:20)
09. Images, CD 118a, L. 122: Pt. 1 "Gigues" (7:46)
10. Images, CD 118a, L. 122: Pt. 3 "Rondes de printemps" (8:40)
11. Jeux, CD 133a, L. 126 (19:23)

Orchestre National de La Radiodiffusion Française
Désiré-Emile Inghelbrecht, regente 

Você pode comprar este disco na Amazon

*Para acessar o link, por favor, clicar na imagem.

*Se possível, deixe um comentário. Sua participação é importante. Ela ajuda a manter o nosso blog!

 

sexta-feira, 1 de agosto de 2025

Claude Debussy (1862-1918) - Préludes

Compreender Claude Debussy (1862-1918) é muito mais complicado do que parece. Também é muito mais simples do que parece. É como fazer uma jornada cheia de labirintos pra chegar num lugar e, só então, perceber que tinha um atalho. Você, caso não conheça de música clássica, vai ouvir sons e vai achá-los mágicos. Daí vai tentar esmiuçar, compreender, dissecar, só pra depois perceber que a música de Debussy foi feita pra escutar. Escutar atentamente, claro. E então deixar-se levar pelas sensações. Aí está o atalho: a música dele é menos técnica e mais pura mágica. Não que ele seja fraco tecnicamente, sua orquestração e escrita para piano, para qualquer instrumentação, de fato, são perfeitas.

Era um compositor espetacular, conhecedor das velhas formas e um pianista excepcional - Igor Stravinsky conta que ele e Debussy fizeram uma audição privada da sua Sagração da Primavera numa versão de piano a 4 mãos, com Debussy praticamente lendo à primeira vista. Você só vai entender as intenções desse compositor ao escutá-lo um punhado de vezes. Eu acho que é por isso que as pessoas mais velhas se tornam à música clássica. Elas têm mais paciência. A obra de Debussy é episódica, você tem que apreciar os momentos. Aliás, vamos entender o 1º (e o 2º) Livro de Prelúdios como uma coletânea de contos. É só dividir esses contos em parágrafos: meio caminho andado. Ele foi um dos primeiros compositores modernos, saindo do romantismo. Enquanto que no romantismo as músicas são bem descritivas, ainda que apenas de sentimentos, no modernismo elas tendem a ser mais abstratas. É até interessante que Debussy tenha colocado títulos para cada prelúdio. Mas, na partitura, ele coloca o título no fim. Genial! Você deve ler a peça como se não soubesse do que se trata e, então, descobrir.

O que é um prelúdio? 

Nesse sentido usado por Debussy, trata-se de peças para piano com durações diversas (2 e pouco a quase 8 minutos) e com forma livre. Ou seja, a peça se desenvolve sem "ter que fazer" nada: ao gosto do compositor. Ele os compôs entre 1909 e 1910.

Johann Sebastian Bach escreveu O Cravo Bem Temperado, com 24 prelúdios e fugas, cada um em uma das tonalidades existentes. Depois compôs outro livro. Isso abriu precedente para que compositores, famosamente Frédéric Chopin, fizessem seus prelúdios. Chopin fez um livro de 24, respeitando a ideia das 24 tonalidades. Debussy fez 2 livros de 12. Mas ele não fez um para cada tonalidade. Os dele são bem livres. Cada um tem um título, que vem de algum poema (Baudelaire) ou simplesmente de uma alusão.

Daqui

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Claude Debussy (1862-1918) -

Préludes I

01. Danseuses de Delphes (3:09)
02. Voiles (3:39)
03. Le vent dans la plaine (2:05)
04. «Les sons et les parfums tournent dans l’air du soir» (3:19)
05. Les collines d’Anacapri (2:59)
06. Des pas sur la neige (4:20)
07. Ce qu’a vu le vent d’ouest (3:31)
08. La fille aux cheveux de lin (2:24)
09. La sérénade interrompue (2:42)
10. La cathédrale engloutie (6:51)
11. La danse de Puck (2:50)
12. Minstrels (2:33)

Préludes II

13. Brouillards (3:16)
14. Feuilles mortes (2:41)
15. La Puerta del Vino (3:39)
16. Les fées sont d’exquises danseuses (2:43)
17. Bruyères (2:43)
18. «General Lavine» — excentric (2:44)
19. La terrasse des audiences du clair de lune (4:23)
20. Ondine (2:58)
21. Hommage à S. Pickwick Esq. P.P.M.P.C. (2:10)
22. Canope (2:56)
23. Les tierces alternées (2:23)
24. Feux d’artifice (4:49)

Steven Osborne, piano

Você pode comprar este disco na Amazon

*Para acessar o link, por favor, clicar na imagem.

*Se possível, deixe um comentário. Sua participação é importante. Ela ajuda a manter o nosso blog!

 

segunda-feira, 7 de abril de 2025

Claude Debussy (1862-1918) - Études & Pour le piano

Eis que surge mais um disco com a música de Debussy. A música para piano de Debussy, sem sombras de dúvida, foi um marco fundamental na história da música ocidental. Ela foi responsável por romper com as convenções harmônicas e formais do romantismo do século XIX. E uma das páginas importantes de sua obra são os “Études”. Compostos em 1915, três anos antes da morte do compositor, eles representam o domínio técnico e expressivo do compositor sobre o instrumento.

As obras foram dedicadas à memória de Chopin que revolucionou a técnica pianística no século anterior. Os “Estudos” são compostos por 12 peças. Em um primeiro momento, as obras não sugerem nada de especial. Todavia, essa impressão é meramente aparente, pois estão impregnadas pelo selo distintivo da linguagem debussyana e são pequenas obras-primas de experimentação sonora.

As composições são singelas, introspectivas, pequenas paisagens impressionistas. As obras dizem muito sem recorrer ao virtuosismo tão característico dos compositores românticos. Dessa forma, o francês rompe com a tradição romântica centrada em Beethoven, Brahms e Liszt. Debussy utiliza cores e texturas que influenciariam outros compositores que lhe sucederam. Vale mencionar Boulez e Messiaen, dois dos nomes mais importantes da música do século XX. A interpretação das obras do compositor – neste disco - fica a cargo do pianista escocês Steven Osborne. Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!

 Claude Debussy (1862-1918) -

01 - No. 1, Pour les cinq doigts (d'après M. Czerny)
02 - No. 2, Pour les tierces
03 - No. 3, Pour les quartes
04 - No. 4, Pour les sixtes
05 - No. 5, Pour les octaves
06 - No. 6, Pour les huit doigts
07 - No. 7, Pour les degrés chromatiques
08 - No. 8, Pour les agréments
09 - No. 9, Pour les notes répétées
10 - No. 10, Pour les sonorités opposées
11 - No. 11, Pour les arpèges composés
12 - No. 12, Pour les accords
13 - I. Prélude
14 - II. Sarabande
15 - III. Toccata
16 - La plus que lente
17 - Berceuse héroïque
18 - Étude retrouvée (Reconstr. Howat)

Steven Osborne, piano

Você pode comprar este disco na Amazon

*Para acessar o link, por favor, clicar na imagem.

*Se possível, deixe um comentário. Sua participação é importante. Ela ajuda a manter o nosso blog!

 

terça-feira, 1 de abril de 2025

Claude Debussy (1862-1918) - Prélude à l'après-midi d'un faune, L. 86, Nocturnes, L. 98 e Images, L. 122

Já tive dificuldades em ouvir Debussy. Não gostava do sabor da sua música. Hoje, tenho uma admiração desmedida por suas composições. Ainda bem. Amadurecemos. Evoluímos. O universo é muito generoso com a gente. Se não fosse assim, perderíamos a oportunidade de perceber, de crescer, de atentar para fatos e fenômenos. Aprendi a gostar das paisagens, das imagens sinestésicas do compositor. Foi justamente por causa dessa característica, que o compositor revolucionou a linguagem harmônica do século XX.

Neste disco, encontramos três de suas obras orquestrais mais representativas. Faltou só “La Mer” para ficar completo. A primeira delas é “Prélude à l'après-midi d'un faune”, composta em 1894. A obra foi inspirada em poema homônimo de Stéphane Mallarmé. O que chama atenção é a atmosfera sensual e onírica que a obra procura retratar. A melodia conduzida pela flauta que abre a obra cria um cenário de languidez e mistério, enquanto a orquestração rica em cores vai criando as imagens sensuais do poema. Sua linguagem inovadora.

A segunda obra do disco é “Nocturnes”, escrita para orquestra e coro feminino. Cada movimento explora uma atmosfera diferente. É uma obra de grande beleza, de emblemática leveza; há uma riqueza nas texturas. O próprio compositor escreveu a respeito: “O título Noturnos deve ser entendido aqui em um sentido geral e, sobretudo, decorativo. Não se trata, portanto, da forma usual de um noturno, mas das várias impressões e efeitos especiais da luz que a palavra sugere. Nuages (“nuvens”) evoca o aspecto imutável do céu com o movimento lento e melancólico das nuvens, que se dissolvem em tons de cinza com leves toques de branco.  Fêtes (“festas”) trazem o ritmo vibrante, dançante da atmosfera, com lampejos súbitos de luz. Há também o episódio da procissão (uma visão deslumbrante, quimérica), que passa pela cena festiva e se mistura com ela. Mas o pano de fundo permanece sempre o mesmo: o festival com sua mistura de música e poeira luminosa participando do ritmo geral. Sirènes (“sereias”) nos mostra o mar com seus incontáveis ritmos e então, dentre as ondas prateadas pela luz da lua, ouve-se o canto misterioso das Sereias que riem e vão embora”. Os “Noturnos” são do ano de 1899.

A terceira obra do disco é “Images”, escrita entre os anos de 1905 e 1912. É uma obra cuja estrutura é bem audaciosa. Debussy procura explorar um universo sonoro com melodias escocesas (“Gigues”), com a exuberância das cores da música espanhola (“Iberia”) e a leveza primaveril (“Rondes de printemps”).

As três obras são demonstrações da genialidade do compositor. Elas foram responsáveis promover uma revolução na música do século XX. Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Claude Debussy (1862-1918) -

01 - Debussy_ Prélude à l'après-midi d'un faune, L. 86
02 - Debussy_ Nocturnes, L. 98_ I. Nuages
03 - Debussy_ Nocturnes, L. 98_ II. Fêtes
04 - Debussy_ Nocturnes, L. 98_ III. Sirènes
05 - Debussy_ Images, L. 122_ I. Gigues
06 - Debussy_ Images, L. 122_ II. Ibéria
07 - Debussy_ Images, L. 122_ III. Rondes de printemps

Royal Concertgebouw Orchestra
Bernard Haitink, regente
Mariss Jansons, regente

Você pode comprar este disco na Amazon

*Para acessar o link, por favor, clicar na imagem.

*Se possível, deixe um comentário. Sua participação é importante. Ela ajuda a manter o nosso blog!

 

sábado, 11 de janeiro de 2025

Camille Saint-Säens (1835-1921) - Carnival of the Animals, R. 125, Piano Concerto No. 2 in G Minor, Op. 22 etc, Maurice Ravel (1875-1932) - Pavane pour une infante défunte, M. 19 etc

01. Carnival of the Animals, R. 125: Ia. Introduction
02. Carnival of the Animals, R. 125: Ib. Royal March of the Lion
03. Carnival of the Animals, R. 125: II. Hens and Cocks
04. Carnival of the Animals, R. 125: III. Wild Asses
05. Carnival of the Animals, R. 125: IV. Tortoises
06. Carnival of the Animals, R. 125: V. The Elephant
07. Carnival of the Animals, R. 125: VI. Kangaroos
08. Carnival of the Animals, R. 125: VII. Aquarium
09. Carnival of the Animals, R. 125: VIII. Personages with Long Ears
10. Carnival of the Animals, R. 125: IX. The Cuckoo in the Depths of the Woods
11. Carnival of the Animals, R. 125: X. Aviary
12. Carnival of the Animals, R. 125: XI. Pianists
13. Carnival of the Animals, R. 125: XII. Fossils
14. Carnival of the Animals, R. 125: XIII. The Swan
15. Carnival of the Animals, R. 125: XIV. Finale
16. Piano Concerto No. 2 in G Minor, Op. 22: I. Andante sostenuto
17. Piano Concerto No. 2 in G Minor, Op. 22: II. Allegro scherzando
18. Piano Concerto No. 2 in G Minor, Op. 22: III. Presto
19. Pavane pour une infante défunte, M. 19
20. Petite Suite, CD 71: I. En bateau
21. Petite Suite, CD 71: II. Cortège
22. Petite Suite, CD 71: III. Menuet
23. Petite Suite, CD 71: IV. Ballet
24. Requiem, Op. 48: VII. In paradisium (Arr. Naoumoff for Piano)
25. Lakmé: Flower Duet (Arr. Naoumoff for Piano)
26. 6 Etudes, Op. 111: No. 6, Toccata d'après le cinquième concerto
27. Pavane, Op. 50 (Version for Piano)
28. 30 Etudes, Op. 26: No. 10 in F-Sharp Minor. Adagio
29. 4 Pièces romantiques, Op. 30: No. 4, Romance sans paroles
30. Valse lente
31. Miocheries, Op. 126: No. 13, La toute petite s'endort
32. D'un jardin clair
33. Carnival of the Animals, R. 125: XIII. The Swan (Arr. Naoumoff for Piano 4 Hands)

Gewandhausorchester Leipzig
Andris Nelsons, regente
Lang Lang, piano
Gina Alice, piano

Você pode comprar este disco na Amazon

*Para acessar o link, por favor, clicar na imagem.

*Se possível, deixe um comentário. Sua participação é importante. Ela ajuda a manter o nosso blog viver!

 

domingo, 8 de dezembro de 2024

Maurice Ravel (1875-1937) - Daphnis et Chloe, Suite No.2, Valses Nobles et Sentimentales e Bolero e Claude Debussy (1862-1918) - Nocturnes for Orchestra e Petite Suite Nos. 1 - 4

 

01 - Daphnis et Chloe, Suite No.2 - 1. Lever du joir
02 - Daphnis et Chloe, Suite No.2 - 2. Pantomime
03 - Daphnis et Chloe, Suite No.2 - 3. Danse generale
04 - Valses Nobles et Sentimentales - 1. Modere
05 - Valses Nobles et Sentimentales - 2. Assez Lent
06 - Valses Nobles et Sentimentales - 3. Modere
07 - Valses Nobles et Sentimentales - 4. Assez anime
08 - Valses Nobles et Sentimentales - 5. Presque lent
09 - Valses Nobles et Sentimentales - 6. Assez vif
10 - Valses Nobles et Sentimentales - 7. Moins vif
11 - Valses Nobles et Sentimentales - 8. Epilogue Lent
12 - Bolero
13 - Debussy, Claude  Nocturnes for Orchestra - 1. Nuages (Clouds)
14 - Debussy, Claude  Nocturnes for Orchestra - 2. Fetes (Festivals)
15 - Debussy, Claude  Nocturnes for Orchestra - 3. Sirenes (Sirens)
16 - Debussy, Claude  Petite Suite - 1. En Bateau
17 - Debussy, Claude  Petite Suite - 2. Cortege
18 - Debussy, Claude  Petite Suite - 3. Menuet
19 - Debussy, Claude  Petite Suite - 4. Ballet

Detroit Symphony Orchestra
Paul Paray, regente
Wayne State University
Women's Glee Club

Malcolm John, regente

Você pode comprar este disco na Amazon

*Para acessar o link, por favor, clicar na imagem.

*Se possível, deixe um comentário. Sua participação é importante. Ela ajuda a manter o nosso blog viver!

 

terça-feira, 10 de setembro de 2024

Rafał Blechacz & Bomsori Kim - Debussy, Fauré, Szymanowski & Chopin

 

01. Sonata No. 1 for Violin and Piano in A Major, Op. 13: 1. Allegro molto 08:48
02. Sonata No. 1 for Violin and Piano in A Major, Op. 13: 2. Andante 06:24
03. Sonata No. 1 for Violin and Piano in A Major, Op. 13: 3. Allegro vivo 03:55
04. Sonata No. 1 for Violin and Piano in A Major, Op. 13: 4. Allegro quasi presto 05:03
05. Sonata for Violin and Piano in G Minor, L. 140: 1. Allegro vivo 05:11
06. Sonata for Violin and Piano in G Minor, L. 140: 2. Intermède. Fantasque et léger 04:25
07. Sonata for Violin and Piano in G Minor, L. 140: 3. Finale. Très animé 04:41
08. Sonata for Violin and Piano in D Minor, Op. 9: 1. Allegro moderato, patetico 09:15
09. Sonata for Violin and Piano in D Minor, Op. 9: 2. Andantino tranquillo 06:20
10. Sonata for Violin and Piano in D Minor, Op. 9: 3. Allegro molto, quasi presto 04:53
11. Nocturne No. 20 in C-Sharp Minor, Op. posth. (Arr. for Violin and Piano by Milstein) 03:51

Rafał Blechacz, piano
Bomsori Kim, violino

Você pode comprar este disco na Amazon

*Para acessar o link, por favor, clicar na imagem.

*Se possível, deixe um comentário. Sua participação é importante. Ela ajuda a manter o nosso blog viver!

 

domingo, 28 de julho de 2024

Daniel Barenboim plays Debussy

 

01. Daniel Barenboim Claude Debussy - Préludes / Book 1, L. 117 : Debussy: Préludes / Book 1, L. 117 - I. Danseuses de Delphes
02. Daniel Barenboim Claude Debussy - Préludes / Book 1, L. 117 : Debussy: Préludes / Book 1, L. 117 - II. Voiles
03. Daniel Barenboim Claude Debussy - Préludes / Book 1, L. 117 : Debussy: Préludes / Book 1, L. 117 - III. Le vent dans la plaine
04. Daniel Barenboim Claude Debussy - Préludes / Book 1, L. 117 : Debussy: Préludes / Book 1, L. 117 - IV. Les sons et les parfums tournent dans l'air du soir
05. Daniel Barenboim Claude Debussy - Préludes / Book 1, L. 117 : Debussy: Préludes / Book 1, L. 117 - V. Les collines d'Anacapri
06. Daniel Barenboim Claude Debussy - Préludes / Book 1, L. 117 : Debussy: Préludes / Book 1, L. 117 - VI. Des pas sur la neige
07. Daniel Barenboim Claude Debussy - Préludes / Book 1, L. 117 : Debussy: Préludes / Book 1, L. 117 - VII. Ce qu'a vu le vent d'ouest
08. Daniel Barenboim Claude Debussy - Préludes / Book 1, L. 117 : Debussy: Préludes / Book 1, L. 117 - VIII. La fille aux cheveux de lin
09. Daniel Barenboim Claude Debussy - Préludes / Book 1, L. 117 : Debussy: Préludes / Book 1, L. 117 - IX. La sérénade interrompue
10. Daniel Barenboim Claude Debussy - Préludes / Book 1, L. 117 : Debussy: Préludes / Book 1, L. 117 - X. La cathédrale engloutie
11. Daniel Barenboim Claude Debussy - Préludes / Book 1, L. 117 : Debussy: Préludes / Book 1, L. 117 - XI. La danse de Puck
12. Daniel Barenboim Claude Debussy - Préludes / Book 1, L. 117 : Debussy: Préludes / Book 1, L. 117 - XII. Minstrels
13. Daniel Barenboim Claude Debussy - Debussy: La plus que lente, L. 121
14. Daniel Barenboim Claude Debussy - Debussy: Élégie, L. 138
15. Dietrich Fischer-Dieskau Orchestre de Paris Daniel Barenboim Claude Debussy - 3 Ballades de François Villon, L. 119 : Debussy: 3 Ballades de François Villon, L. 119 - No. 1, Ballade de Villon à s'amye
16. Dietrich Fischer-Dieskau Orchestre de Paris Daniel Barenboim Claude Debussy - 3 Ballades de François Villon, L. 119 : Debussy: 3 Ballades de François Villon, L. 119 - No. 2, Ballade que Villon fait à la requeste de sa mère pour prier Nostre Dame
17. Dietrich Fischer-Dieskau Orchestre de Paris Daniel Barenboim Claude Debussy - 3 Ballades de François Villon, L. 119 : Debussy: 3 Ballades de François Villon, L. 119 - No. 3, Ballade des femmes de Paris
18. Dietrich Fischer-Dieskau Karl Engel Claude Debussy - 3 Chansons de France, L. 102 : Debussy: 3 Chansons de France, L. 102 - No. 2, La grotte
19. Dietrich Fischer-Dieskau Karl Engel Claude Debussy - Debussy: Mandoline, L. 29
20. Martha Argerich Staatskapelle Berlin Daniel Barenboim Claude Debussy - Fantaisie for Piano and Orchestra, L. 73 : Debussy: Fantaisie for Piano and Orchestra, L. 73 - I. Andante ma non troppo
21. Martha Argerich Staatskapelle Berlin Daniel Barenboim Claude Debussy - Fantaisie for Piano and Orchestra, L. 73 : Debussy: Fantaisie for Piano and Orchestra, L. 73 - II. Lento e molto espressivo
22. Martha Argerich Staatskapelle Berlin Daniel Barenboim Claude Debussy - Fantaisie for Piano and Orchestra, L. 73 : Debussy: Fantaisie for Piano and Orchestra, L. 73 - III. Allegro molto
23. Michael Barenboim Daniel Barenboim Claude Debussy - Violin Sonata in G Minor, L. 140 : Debussy: Violin Sonata in G Minor, L. 140 - I. Allegro vivo
24. Michael Barenboim Daniel Barenboim Claude Debussy - Violin Sonata in G Minor, L. 140 : Debussy: Violin Sonata in G Minor, L. 140 - II. Intermède. Fantasque et léger
25. Michael Barenboim Daniel Barenboim Claude Debussy - Violin Sonata in G Minor, L. 140 : Debussy: Violin Sonata in G Minor, L. 140 - III. Finale. Très animé
26. Kian Soltani Daniel Barenboim Claude Debussy - Cello Sonata in D Minor, L. 135 : Debussy: Cello Sonata in D Minor, L. 135 - I. Prologue. Lent
27. Kian Soltani Daniel Barenboim Claude Debussy - Cello Sonata in D Minor, L. 135 : Debussy: Cello Sonata in D Minor, L. 135 - II. Sérénade et Finale. Modérément animé
28. Kian Soltani Daniel Barenboim Claude Debussy - Cello Sonata in D Minor, L. 135 : Debussy: Cello Sonata in D Minor, L. 135 - III. Finale. Animé
29. Staatskapelle Berlin Daniel Barenboim Claude Debussy - La mer, L. 109 : Debussy: La mer, L. 109 - I. De l'aube à midi sur la mer
30. Staatskapelle Berlin Daniel Barenboim Claude Debussy - La mer, L. 109 : Debussy: La mer, L. 109 - II. Jeux de vagues
31. Staatskapelle Berlin Daniel Barenboim Claude Debussy - La mer, L. 109 : Debussy: La mer, L. 109 - III. Dialogue du vent et de la mer
32. Daniel Barenboim Claude Debussy - Estampes, L. 100 : Debussy: Estampes, L. 100 - I. Pagodes
33. Daniel Barenboim Claude Debussy - Estampes, L. 100 : Debussy: Estampes, L. 100 - II. La soirée dans Grenade
34. Daniel Barenboim Claude Debussy - Estampes, L. 100 : Debussy: Estampes, L. 100 - III. Jardins sous la pluie
35. Daniel Barenboim Claude Debussy - Suite bergamasque, L. 75 : Debussy: Suite bergamasque, L. 75 - III. Clair de lune
36. Orchestre de Paris Daniel Barenboim Claude Debussy - ボクシンノゴゴヘノゼンソウキョク : Debussy: Prélude à l'après-midi d'un faune, L. 86
37. Orchestre de Paris Daniel Barenboim Michel Debost Claude Debussy - Images For Orchestra, L. 122 : Debussy: Images For Orchestra, L. 122 - I. Gigues
38. Orchestre de Paris Daniel Barenboim Claude Debussy - Images for Orchestra, L. 122 / II. Ibéria : Debussy: Images for Orchestra, L. 122 / II. Ibéria - I. Par les rues et par les chemins
39. Orchestre de Paris Daniel Barenboim Claude Debussy - Images for Orchestra, L. 122 / II. Ibéria : Debussy: Images for Orchestra, L. 122 / II. Ibéria - II. Les parfums de la nuit
40. Orchestre de Paris Daniel Barenboim Claude Debussy - Images For Orchestra, L. 122 / II. Ibéria : Debussy: Images For Orchestra, L. 122 / II. Ibéria - III. Le matin d'un jour de fête
41. Orchestre de Paris Daniel Barenboim Claude Debussy - Images for Orchestra, L. 122 : Debussy: Images for Orchestra, L. 122 - III. Rondes de printemps
42. Orchestre de Paris Daniel Barenboim Claude Debussy - La mer, L. 109 : Debussy: La mer, L. 109 - I. De l'aube à midi sur la mer
43. Orchestre de Paris Daniel Barenboim Claude Debussy - La mer, L. 109 : Debussy: La mer, L. 109 - II. Jeux de vagues
44. Orchestre de Paris Daniel Barenboim Claude Debussy - La mer, L. 109 : Debussy: La mer, L. 109 - III. Dialogue du vent et de la mer
45. Orchestre de Paris Daniel Barenboim Claude Debussy - Nocturnes, L. 91 : Debussy: Nocturnes, L. 91 - No. 1 Nuages
46. Orchestre de Paris Daniel Barenboim Claude Debussy - Nocturnes, L. 91 : Debussy: Nocturnes, L. 91 - No. 2 Fêtes
47. Orchestre de Paris Daniel Barenboim Claude Debussy - Nocturnes, L. 91 : Debussy: Nocturnes, L. 91 - No. 3 Sirènes
48. Orchestre de Paris Daniel Barenboim Claude Debussy - Printemps, L. 61 : Debussy: Printemps, L. 61 - No. 1 Très Modéré
49. Orchestre de Paris Daniel Barenboim Claude Debussy - Printemps, L. 61 : Debussy: Printemps, L. 61 - No. 2 Modéré
50. Orchestre de Paris Daniel Barenboim Claude Debussy - Le Martyre de Saint Sébastien - Fragments symphoniques, L. 124 : Debussy: Le Martyre de Saint Sébastien - Fragments symphoniques, L. 124 - I. La Cour des Lys
51. Orchestre de Paris Daniel Barenboim Claude Debussy - Le Martyre de Saint Sébastien - Fragments symphoniques, L. 124 : Debussy: Le Martyre de Saint Sébastien - Fragments symphoniques, L. 124 - II. Danse extatique et Final du 1er Acte
52. Orchestre de Paris Daniel Barenboim Claude Debussy - Le Martyre de Saint Sébastien - Fragments symphoniques, L. 124 : Debussy: Le Martyre de Saint Sébastien - Fragments symphoniques, L. 124 - III. La Passion
53. Orchestre de Paris Daniel Barenboim Claude Debussy - Le Martyre de Saint Sébastien - Fragments symphoniques, L. 124 : Debussy: Le Martyre de Saint Sébastien - Fragments symphoniques, L. 124 - V. Le Bon Pasteur
54. Orchestre de Paris Daniel Barenboim Claude Debussy - Debussy: Deux Fanfares du Martyre de Saint Sébastien, L. 124: Concile Des Faux Dieux: Prelude (Act 3) 

Você pode comprar este disco na Amazon

*Para acessar o link, por favor, clicar na imagem.

*Se possível, deixe um comentário. Sua participação é importante. Ela ajuda a manter o nosso blog viver!