segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Jazz - Alice Coltrane (1937-2007) - Ptah, The El Daoud (1970)

Lançado em 1970 pelo selo Impulse!, Ptah, the El Daoud, de Alice Coltrane (1937–2007), é um álbum que evidencia a busca da pianista, harpista e compositora por uma linguagem musical em que o jazz se aproxima da espiritualidade, da contemplação e da experimentação sonora. Gravado em Nova York, o disco reúne quatro composições de sua autoria e conta com um grupo de músicos de destaque, entre eles Pharoah Sanders e Joe Henderson, nos saxofones, Ron Carter, no contrabaixo, e Ben Riley, na bateria. A própria Alice Coltrane assume o piano e a harpa, além de tocar sinos. O resultado é uma música que combina improvisação, rigor na organização dos materiais e uma atmosfera de intensa concentração.

A trajetória artística de Alice esteve profundamente ligada à de seu marido, o saxofonista John Coltrane, uma das figuras centrais da renovação do jazz na década de 1960. Após a morte dele, em 1967, Alice aprofundou uma pesquisa musical marcada pela espiritualidade e pelo interesse por tradições filosóficas e religiosas orientais. Em Ptah, the El Daoud, essa orientação não aparece como mero elemento decorativo ou conceitual: ela se manifesta na própria construção da música, na repetição de motivos, no desenvolvimento dos improvisos e na maneira como os instrumentos se relacionam. O álbum sugere um universo em que a experiência sonora se transforma em caminho de introspecção e busca de transcendência.

A faixa que dá título ao disco abre o programa com uma interação expressiva entre o contrabaixo de Ron Carter, a bateria de Ben Riley e as linhas dos saxofones. O encadeamento dos motivos e a presença marcante da seção rítmica criam uma base sobre a qual os solistas desenvolvem suas ideias. Pharoah Sanders e Joe Henderson apresentam abordagens contrastantes: o primeiro explora uma expressividade mais visceral, enquanto o segundo privilegia uma construção intelectual e abstrata. Essa oposição não fragmenta a composição; ao contrário, amplia suas possibilidades e confere profundidade ao diálogo musical.

Em Turiya & Ramakrishna, Alice Coltrane conduz a música para uma atmosfera contemplativa. O título faz referência a conceitos e figuras associados à espiritualidade hindu: turiya designa um estado de consciência que ultrapassa as condições ordinárias da experiência, enquanto Ramakrishna foi um mestre religioso indiano do século XIX. A composição apresenta uma sonoridade delicada, organizada em torno de uma linha melódica simples, cujas notas adquirem significados expressivos por meio das variações e dos ornamentos. O resultado é uma música de caráter meditativo, na qual a simplicidade aparente convive com uma elaborada construção instrumental.

Blue Nile mantém o caráter introspectivo, mas evidencia outras possibilidades de combinação entre os instrumentos. O contrabaixo e a bateria sustentam o fluxo musical sem restringir a liberdade dos solistas, enquanto os saxofones exploram diferentes intensidades e direções melódicas. A participação de Alice Coltrane amplia a paleta sonora do conjunto, aproximando o piano e a harpa de uma concepção musical que não depende exclusivamente do virtuosismo individual. O efeito é o de uma textura em permanente transformação, na qual cada instrumento contribui para a construção de um ambiente comum.

O álbum chega ao seu ponto mais extenso com Mantra, composição de 16 minutos que retoma a dimensão espiritual sugerida pelo título. A palavra remete a uma fórmula ou oração repetida como parte de uma prática meditativa. Na interpretação, a repetição e a expansão dos materiais musicais favorecem a concentração, enquanto os improvisos prolongam a experiência sonora sem a necessidade de uma narrativa convencional. A música parece avançar por estados sucessivos de intensidade e repouso, valorizando tanto o que é explicitamente executado quanto aquilo que surge das relações entre os instrumentos.

Em Ptah, the El Daoud, Alice Coltrane demonstra que o jazz pode ser, simultaneamente, espaço de liberdade improvisatória, investigação tímbrica e expressão de uma visão espiritual do mundo. A personalidade dos solistas permanece evidente, mas a música não se reduz a uma sucessão de demonstrações individuais: o sentido do álbum emerge da interação entre os músicos e da coerência que une suas quatro faixas. Mais do que um registro de jazz de vanguarda, a gravação constitui um testemunho da busca artística de Alice Coltrane por uma sonoridade capaz de aproximar criação musical, contemplação e experiência interior.

Uma boa apreciação! 

Alice Coltrane (1937-2007) - 

01. Ptah, The El Daoud
02. Turiya & Ramakrishna
03. Blue Nile
04. Mantra

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Brazilian Music for Chamber Orchestra - Carlos Gomes, Francisco Braga, Alberto Nepomuceno e Leopoldo Miguéz

O álbum Serenata – Brazilian Music for Chamber Orchestra, lançado pelo selo Naxos, apresenta um panorama da música orquestral brasileira do século XIX e do início do século XX por meio de obras de Antônio Carlos Gomes (1836–1896), Alberto Nepomuceno (1864–1920), Francisco Braga (1868–1945) e Leopoldo Miguéz (1850–1902). Interpretado pela English Chamber Orchestra sob a regência de Neil Thomson, o disco integra a série The Music of Brazil, iniciativa vinculada ao projeto Brasil em Concerto, promovido pelo Ministério das Relações Exteriores. A proposta é ampliar o conhecimento internacional sobre a produção musical brasileira, recuperando partituras historicamente relevantes, algumas das quais tiveram circulação restrita ou receberam suas primeiras gravações.

O repertório reúne composições que revelam diferentes maneiras de dialogar com as correntes estéticas europeias. Durante o século XIX, a criação de conservatórios, academias e sociedades musicais contribuiu para o desenvolvimento da vida concertística no Brasil. As bolsas de estudo concedidas pelo Estado também possibilitaram que compositores brasileiros aperfeiçoassem sua formação na Europa, onde entraram em contato com tendências que influenciariam suas obras. Entretanto, a produção desse período não se limita à imitação de modelos estrangeiros: a variedade de linguagens presente no álbum evidencia escolhas individuais e diferentes formas de apropriação da tradição musical europeia.

A participação de Antônio Carlos Gomes é representada pela Sonata para cordas, composta em Milão, em 1894. Conhecido internacionalmente por sua produção operística, sobretudo por Il Guarany, o compositor demonstra aqui sua capacidade de trabalhar com a música instrumental sem recorrer diretamente ao universo dramático da ópera. A obra possui quatro movimentos e apresenta uma organização pouco convencional: o Allegro scherzoso antecede o movimento lento, enquanto o finale recebe o subtítulo O burrico de pau, referência a uma brincadeira infantil em que as crianças simulam cavalgar. Gomes traduz essa imagem por meio de ostinatos rítmicos, pizzicatos e do recurso col legno, no qual os instrumentistas utilizam a madeira do arco para produzir o som. O resultado combina domínio técnico, imaginação e elementos de caráter descritivo.

Alberto Nepomuceno aparece com duas composições distintas: a Suíte Antiga, op. 11, originalmente escrita para piano em 1893, e a Serenata, de 1902. A primeira revela o interesse do compositor pelas danças de períodos anteriores, reinterpretadas segundo a sensibilidade romântica. Sua amizade com o norueguês Edvard Grieg ajuda a compreender o ambiente artístico em que a obra foi concebida. Escrita em Bergen, a suíte estreou em um encontro musical na residência de Grieg; no ano seguinte, Nepomuceno transpôs três de seus quatro movimentos para cordas, versão apresentada pela Filarmônica de Berlim. A composição aproxima formas antigas de uma linguagem expressiva mais moderna, mostrando como o passado podia servir de matéria para novas experiências musicais.

A Serenata, por sua vez, é uma obra em movimento único, composta em Petrópolis. Sua primeira seção apresenta uma melodia leve e graciosa nos violinos, sustentada pelo acompanhamento em pizzicato. Em seguida, o caráter se torna mais dramático, antes que uma breve transição conduza ao retorno do material inicial. Essa estrutura cria um contraste expressivo sem abandonar a unidade da composição. A escrita de Nepomuceno evidencia sua afinidade com formas líricas e sua habilidade para construir uma narrativa musical concisa, na qual a transformação do ambiente sonoro é tão importante quanto o retorno ao ponto de partida.

Francisco Braga está representado pelo Madrigal-Pavana, de 1901, peça cujo título combina duas tradições: o madrigal, forma de origem vocal marcada pelo lirismo, e a pavana, dança de andamento moderado e passos pausados. A junção dessas referências evoca o ambiente dos salões de dança do Rio de Janeiro durante a Belle Époque. A obra também ilustra a influência francesa na formação estética de Braga, que estudou composição com Jules Massenet no Conservatório de Paris. Sua trajetória, assim como a de outros compositores brasileiros do período, demonstra a importância dos intercâmbios internacionais para a consolidação da música de concerto no país.

Leopoldo Miguéz completa o programa com a Suíte à Antiga, op. 25, de 1893. Embora utilize uma orquestra de dimensões consideráveis, com madeiras, metais, tímpanos e cordas, a obra evita a retórica grandiosa de alguns de seus poemas sinfônicos. No Prelúdio, predominam as texturas polifônicas e os procedimentos imitativos. A Sarabanda restringe a participação às cordas, criando uma atmosfera austera; a Gavota recupera o conjunto orquestral e introduz maior fluidez rítmica. Na Ária, um solo melancólico de oboé ganha destaque, enquanto o Double apresenta uma versão variada da mesma música, agora com a flauta em evidência. A Giga encerra a suíte com o tratamento fugado de seu tema. O percurso revela a habilidade de Miguéz para reinterpretar danças antigas com recursos de composição e orquestração próprios do romantismo.

A reunião dessas obras permite compreender o romantismo brasileiro como um campo de experiências mais diversificado do que sugerem as classificações estéticas tradicionais. Carlos Gomes, Nepomuceno, Braga e Miguéz estabeleceram relações distintas com as tradições italiana, alemã e francesa, adaptando-as às próprias concepções artísticas. Ao recuperar esse repertório, Serenata também desempenha uma função histórica: amplia a presença internacional de compositores brasileiros e contribui para que obras menos conhecidas voltem a integrar a vida musical. Sob a direção de Neil Thomson, a English Chamber Orchestra oferece ao público a oportunidade de descobrir uma produção que ultrapassa os nomes e gêneros mais consagrados, revelando a riqueza da criação instrumental brasileira na passagem do século XIX para o XX.

Uma boa apreciação!

01 - I. Allegro animato
02 - II. Allegro scherzoso
03 - III. Largo
04 - IV. Vivace
05 - Madrigal-pavana
06 - I. Minuet
07 - II. Air
08 - III. Rigaudon
09 - Serenata, SN6.13
10 - I. Prelúdio
11 - II. Sarabanda
12 - III. Gavota
13 - IV. Ária e double
14 - V. Giga

English Chamber Orchestra
Neil Thomson, regente 

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domingo, 25 de outubro de 2026

Luciano Berio (1925-2003) - Sequenzas I-XIV for Solo Instruments

Entre 1958 e 2002, Luciano Berio compôs suas 14 Sequenze para instrumentos solo, um ciclo que explora não apenas as possibilidades técnicas, expressivas e tímbricas de cada instrumento, mas também os limites da própria atuação do intérprete. Cada peça exige domínio técnico excepcional, sensibilidade musical, amplo controle dos recursos sonoros, capacidade teatral e grande resistência física. Não surpreende, portanto, que as Sequenze ocupem lugar de destaque no repertório contemporâneo e sejam frequentemente utilizadas como peças de prova em conservatórios e concursos de música.

Em 1998, a Deutsche Grammophon lançou uma caixa com três discos que reunia interpretações notáveis das 13 Sequenze então existentes, além de uma transcrição para saxofone alto da Sequenza IX, originalmente destinada ao clarinete. Agora, o selo Naxos apresenta sua própria leitura do ciclo, com interpretações de nível internacional. A coleção inclui a Sequenza XIV, para violoncelo, composta em 2002, um ano antes da morte de Berio, e uma versão para saxofone soprano da Sequenza VII, originalmente escrita para oboé.

A comparação entre as gravações da Deutsche Grammophon e da Naxos revela diferenças tanto na concepção interpretativa quanto na captação sonora. Na Sequenza XII, para fagote, por exemplo, os saltos rápidos e os multifônicos penetrantes de Pascal Gallois ganham impacto incisivo na gravação da Deutsche Grammophon, favorecidos pela proximidade dos microfones. Ken Munday, na versão da Naxos, apresenta uma sonoridade menos agressiva, mas mais encorpada nas passagens longas e sustentadas. Já na Sequenza VI, para viola, Christophe Desjardins imprime intensidade cortante à seção inicial, marcada por acordes de caráter quase ciclônico. Steven Dunn, na Naxos, opta por um andamento ligeiramente mais lento, permitindo que as alturas e os ritmos cruzados respirem com maior liberdade.

Na Sequenza VIII, para violino, Jaspar Wood oferece uma interpretação convincente, embora os acordes em duas cordas simultâneas de Jeanne-Marie Conquer, na edição da Deutsche Grammophon, revelem maior variedade e diferenciação tímbrica. A comparação da Sequenza II, para harpa, coloca em equilíbrio duas qualidades distintas: os contrastes dinâmicos acentuados de Frédérique Cambreling, na Deutsche Grammophon, e a clareza de Erica Goodman, na Naxos, nas passagens rápidas, etéreas e de grande fluidez.

A Sequenza III, para voz feminina, evidencia outra oposição de abordagens. A soprano Tony Arnold, na Naxos, explora com vivacidade as mudanças abruptas de humor e o caráter irreverente da composição. Luisa Castellani, na Deutsche Grammophon, por sua vez, apresenta maior flexibilidade vocal e percorre uma extensão mais ampla de registros. A cantora foi, nos últimos anos de vida de Berio, uma das intérpretes preferidas do compositor.

Na Sequenza IV, para piano, Boris Berman demonstra extraordinária precisão técnica. Segundo a avaliação crítica, uma captação sonora mais rica em cores e nuances poderia ter valorizado ainda mais sua interpretação, que teria condições de rivalizar com a elegância descontraída de Florent Boffard, na Deutsche Grammophon. Já na Sequenza X, para trompete em dó, Berio utiliza a ressonância do piano para criar continuidade entre as frases musicais. Na gravação da Deutsche Grammophon, Gabriele Cassone se destaca pelo timbre robusto, próximo ao do flugelhorn, e pela impecável execução de notas repetidas. Guy Few, na Naxos, conquista pela inclinação jazzística que imprime ao início de determinadas frases.

No conjunto, a edição da Naxos constitui uma alternativa consistente à caixa da Deutsche Grammophon, embora não necessariamente a substitua. Mais do que uma simples competição entre intérpretes, a comparação evidencia a riqueza das possibilidades abertas pela música de Berio: obras que transformam os recursos técnicos dos instrumentos em matéria de experimentação sonora e fazem do intérprete uma parte essencial da própria investigação musical.

Uma boa apreciação! 

DISCO 01

01. Nora Shulman - Sequenza I for flute (05:19)
02. Erica Goodman - Sequenza II for harp (09:22)
03. Tony Arnold - Sequenza III for female voice (07:43)
04. Boris Berman - Sequenza IV for piano (10:57)
05. Alain Trudel - Sequenza V for trombone (05:32)
06. Steven Dann - Sequenza VI for viola (14:56)
07. Matej Sarc - Sequenza VIIa for oboe (09:07)

DISCO 02

01. Jasper Wood - Sequenza VIII for violin (12:35)
02. Joaquin Valdepenas - Sequenza IX for clarinet (14:01)
03. Guy Few - Sequenza X for trumpet and resonance piano (17:10)
04. Pablo Sainz Villegas - Sequenza XI for guitar (16:20)

DISCO 03

01. Ken Munday - Sequenza XII for bassoon (16:25)
02. Joseph Petric - Sequenza XIII for accordion (chanson) (08:15)
03. Darrett Adkins - Sequenza XIV for cello (13:05)
04. Wallace Halladay - Sequenza VIIb for soprano saxophone (07:15)
05. Wallace Halladay - Sequenza IXb for alto saxophone (13:43)

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sábado, 24 de outubro de 2026

Ludwig van Beethoven (1770-1827) - Piano Concertos 1-3 & Triple Concerto

O pianista Reed Tetzloff estreou no Lincoln Center, em Nova York, em 2012, apresentando-se com a Mannes Orchestra no Alice Tully Hall. No mesmo ano, realizou seu primeiro recital solo em Nova York, no Merkin Hall. Desde então, tem desenvolvido uma carreira marcada por apresentações com orquestras de diferentes países e regiões dos Estados Unidos.

Entre os conjuntos com os quais atuou como solista estão a Lake Superior Chamber Orchestra, as orquestras Mississippi Valley e Minnesota, a Moscow Virtuosi Chamber Orchestra e a Rochester Philharmonic. Sua experiência inclui ainda apresentações com as sinfônicas de Cincinnati, Tbilisi, Queens e Wayzata, ampliando sua presença no cenário musical norte-americano e internacional.

Em 2015, Tetzloff participou do XV Concurso Internacional Tchaikovsky, uma das mais importantes competições de música erudita do mundo, chegando à etapa semifinal entre os doze pianistas selecionados. Ao longo de sua trajetória, também conquistou prêmios em diversos concursos internacionais, entre eles o American Protégé, o Beijing International Music Festival and Academy, o Bradshaw and Buono, o Cincinnati World Piano Competition, o Five Towns Music and Art Foundation, o Schimmel e o Concurso Internacional de Piano de Tbilisi.

Durante seus estudos no Mannes College, o pianista venceu duas das mais importantes premiações da instituição destinadas a pianistas: o Concurso de Concertos (Concerto Competition) e o Concurso Nadia Reisenberg. Em 2014, recebeu ainda a bolsa internacional do Center for Musical Excellence (CME) e o Birte Moller Young Artists Award, reconhecimentos que contribuíram para o desenvolvimento de sua carreira artística.

Seu álbum de estreia, Sounds of Transcendence, foi financiado pelo Center for Musical Excellence, lançado comercialmente pelo selo Romeo Records e distribuído nos Estados Unidos, no Reino Unido, na Alemanha e no Japão. O registro marcou uma etapa importante na divulgação de seu trabalho para além das apresentações ao vivo.

Tetzloff mantém presença frequente em espaços culturais de Nova York. Entre os locais em que se apresentou estão o Weill Recital Hall, no Carnegie Hall, os consulados da Bulgária, da Alemanha e da Polônia, o Ukrainian Cultural Institute, o Museum of the City of New York, a Jewish Historical Society, a Ana Tzarev Gallery e o Union Club. Sua atividade artística reúne, assim, apresentações em importantes salas de concerto e participações em instituições culturais e diplomáticas.

Uma boa apreciação! 

Ludwig van Beethoven (1770-1827) - 

01. Beethoven: Piano Concerto No. 1 in C Major, Op. 15: I. Allegro con brio
02. Beethoven: Piano Concerto No. 1 in C Major, Op. 15: II. Largo
03. Beethoven: Piano Concerto No. 1 in C Major, Op. 15: III. Rondo. Allegro
04. Beethoven: Piano Concerto No. 2 in B-Flat Major, Op. 19: I. Allegro con brio
05. Beethoven: Piano Concerto No. 2 in B-Flat Major, Op. 19: II. Adagio
06. Beethoven: Piano Concerto No. 2 in B-Flat Major, Op. 19: III. Rondo. Allegro molto
07. Beethoven: Piano Concerto No. 3 in C Minor, Op. 37: I. Allegro con brio
08. Beethoven: Piano Concerto No. 3 in C Minor, Op. 37: II. Largo
09. Beethoven: Piano Concerto No. 3 in C Minor, Op. 37: III. Rondo. Allegro
10. Piano triple Concerto in C Major, Op. 56: I. Allegro
11. Beethoven: Piano triple Concerto in C Major, Op. 56: II. Largo
12. Beethoven: Piano triple Concerto in C Major, Op. 56: III. Rondo alla Polacca

Prague Philharmonic Orchestra
Paweł Kapuła, regente
Reed Tetzloff, piano
Alexandra Tirsu, violino
Danjulo Ishikaza, violoncelo 

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sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) - Concertos For Two & Three Pianos

Lançada originalmente em 1991, esta gravação passou por diversas reedições, algumas com alterações na qualidade sonora e na seleção de faixas. A longevidade do álbum, porém, não surpreende: desde o início, o registro se destacou pela qualidade das interpretações. Embora tenha sido superado, em determinados aspectos, por gravações realizadas com instrumentos de época, continua sendo uma referência entre as execuções de Mozart com instrumentos modernos.

Reunindo registros feitos em 1988 e 1990, o álbum foi originalmente concebido como o capítulo final do aclamado ciclo de concertos para piano de Wolfgang Amadeus Mozart conduzido artisticamente pelo pianista Murray Perahia. A obra central do programa é o Concerto para dois pianos e orquestra em mi bemol maior, K. 365, no qual Perahia divide o teclado com Radu Lupu, acompanhado pela English Chamber Orchestra. Sem a presença de um regente, os músicos constroem uma interpretação ao mesmo tempo ampla, imponente, minuciosa e espontânea.

O resultado é uma notável unidade entre solistas e orquestra. O material de abertura do primeiro movimento ganha força dramática na participação do conjunto instrumental, enquanto os dois pianistas respondem com diálogos flexíveis e explorações musicais cheias de sutileza. Em vez de se limitarem a alternar passagens de protagonismo, Perahia e Lupu parecem compartilhar uma mesma concepção da obra, equilibrando a dimensão concertante com a intimidade da conversa musical.

O disco também chama a atenção pela escolha de peças menos habituais no repertório de concerto. Entre elas está o Concerto para três pianos e orquestra em fá maior, K. 242, apresentado na versão para dois pianos preparada pelo próprio Mozart. A adaptação evidencia a versatilidade do compositor e confere à obra um caráter leve e despretensioso, que contribui para a variedade do programa.

Outra curiosidade é a Fantasia em fá menor, K. 608, originalmente composta para um instrumento mecânico conhecido como relógio musical, órgão mecânico ou Flötenuhr. Esse dispositivo reunia um mecanismo de relógio e pequenos tubos de órgão acionados automaticamente. Alguns exemplares eram acompanhados por painéis com cenas pastorais móveis, que podiam incluir representações de conteúdo erótico. Mozart transpôs a fantasia para dois pianos, e, posteriormente, Ferruccio Busoni ampliou essa versão, recorrendo a recursos cromáticos, fraseados de inspiração romântica tardia e indicações de pedal que transformaram a escrita original.

Na interpretação de Perahia e Lupu, a obra recebe ainda um tratamento particular: os pianistas recuperam trechos da composição original que haviam sido omitidos por Busoni. A escolha acrescenta uma nova camada de interesse a uma peça que, por sua própria história, já ocupa um lugar singular no catálogo mozartiano.

O programa termina com o pouco executado Andante e variações para piano a quatro mãos em sol maior, K. 501. A peça oferece um contraste oportuno com a versão de Busoni para a Fantasia K. 608, encerrando o disco com uma sonoridade mais despojada e equilibrando a diversidade de estilos e atmosferas que caracteriza a seleção.

Disponível em reedições de preço bastante acessível, o álbum continua sendo uma escolha especialmente atraente para quem deseja ouvir Mozart em interpretações de grande refinamento, com instrumentos modernos. Vale observar, contudo, que algumas edições incluem também música de Brahms, acréscimo que, segundo a avaliação crítica original, rompe a unidade cuidadosamente construída deste programa dedicado ao universo mozartiano.

Uma boa apreciação! 

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) - 

01. Concerto for 2 Pianos & Orchestra in E Flat Major K365: I. Allegro [0:09:40.00]
02. Concerto for 2 Pianos & Orchestra in E Flat Major K365: II. Andante [0:07:09.12]
03. Concerto for 2 Pianos & Orchestra in E Flat Major K365: III. Rondeaus [0:06:38.63]
04. Concerto for 3 Pianos & Orchestra in F Major K242: I. Allegro [0:08:11.00]
05. Concerto for 3 Pianos & Orchestra in F Major K242: II. Adagio [0:07:11.00]
06. Concerto for 3 Pianos & Orchestra in F Major K242: III. Rondo [0:05:20.00]
07. Fantasia in F Minor K608: I. Allegro Ritenuto [0:03:10.12]
08. Fantasia in F Minor K608: II. Andante [0:04:22.55]
09. Fantasia in F Minor K608: III. Allegro Ritenuto [0:02:36.08]
10. Andante and Variations for Four Hands in G Major K 501: Andante [0:01:12.55]
11. Andante and Variations for Four Hands in G Major K 501: Variation 1 [0:01:05.45]
12. Andante and Variations for Four Hands in G Major K 501: Var. 2 [0:01:03.62]
13. Andante and Variations for Four Hands in G Major K 501: Var. 3 [0:01:00.30]
14. Andante and Variations for Four Hands in G Major K 501: Var. 4 [0:01:23.48]
15. Andante and Variations for Four Hands in G Major K 501: Var. 5 [0:02:03.62]

English Chamber Orchestra
Murray Perahia, piano e direção
Radu Lupu, piano 

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quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Gustav Holst (1874-1934) - Orchestral Works

A música de Gustav Holst (1874–1934) revela um compositor cuja imaginação ultrapassou as fronteiras da tradição musical inglesa. Embora seja amplamente lembrado por Os Planetas, sua produção inclui obras orquestrais que exploram diferentes universos culturais, interesses filosóficos e possibilidades de expressão sinfônica. O álbum Holst: Cotswolds Symphony, lançado pelo selo Naxos, reúne cinco composições que permitem acompanhar aspectos importantes de sua formação e de seu desenvolvimento artístico: a abertura Walt Whitman, a Sinfonia The Cotswolds, A Winter Idyll, o poema sinfônico Indra e a Japanese Suite. A Orquestra Ulster interpreta o repertório sob a regência de JoAnn Falletta, em gravações realizadas em outubro de 2011, no Ulster Hall, em Belfast.

Nascido em uma família de músicos, Holst estudou no Royal College of Music, em Londres, onde estabeleceu uma amizade duradoura com Ralph Vaughan Williams. A relação entre os dois compositores foi marcada pela troca de ideias e pela crítica mútua de suas partituras. Antes de se dedicar prioritariamente à composição, Holst trabalhou como trombonista em companhias de ópera e orquestras, experiência que contribuiu para seu conhecimento prático dos instrumentos e das possibilidades da escrita orquestral. Mais tarde, sua atuação como professor, especialmente na St Paul’s Girls’ School e no Morley College, ajudou a conciliar a atividade criativa com as necessidades de sua vida profissional.

A abertura Walt Whitman, composta em 1899, evidencia o entusiasmo juvenil de Holst por Richard Wagner. A obra apresenta uma escrita expansiva e vigorosa, reveladora de um compositor que ainda buscava consolidar uma voz própria. Seu interesse pelo poeta norte-americano Walt Whitman relacionava-se à combinação de misticismo e realismo presente em sua literatura, características que também atraíram outros compositores britânicos da época. A abertura constitui, assim, um testemunho dos primeiros passos de Holst e de sua aproximação com ideias artísticas que ultrapassavam os limites estritos da tradição nacional.

A Sinfonia em fá maior, conhecida como The Cotswolds, foi escrita entre 1899 e 1900 e estreou em 1902. Embora seu primeiro movimento apresente referências à música folclórica britânica, o centro emocional da composição encontra-se no segundo movimento, a Elegy (In memoriam William Morris). A passagem homenageia William Morris, artista, escritor e defensor de ideias socialistas e utópicas, cuja influência intelectual também alcançou Holst. O caráter elegíaco confere à sinfonia uma profundidade particular, contrastando com o movimento de caráter mais vivo que a sucede e com o finale, que demonstra a segurança do compositor na condução dos recursos orquestrais.

Em A Winter Idyll, obra de 1897, a escrita orquestral já demonstra considerável domínio técnico, apesar de ter sido composta durante a juventude do músico. O encarte destaca a segurança com que Holst trabalha os instrumentos, resultado possivelmente de sua formação, da influência de seus professores e da experiência adquirida como instrumentista. A peça funciona, portanto, como um importante registro de seu amadurecimento artístico, anterior às composições que lhe dariam maior projeção pública.

O interesse de Holst por culturas não europeias ocupa lugar central em Indra, poema sinfônico composto em 1903. Inspirada em uma narrativa da mitologia indiana, a obra retrata o confronto entre Indra, divindade associada aos céus, à chuva e às tempestades, e o demônio Vritra. Segundo a lenda, Vritra provoca uma seca, mas acaba derrotado com a ajuda de Vishnu, permitindo o retorno das chuvas e a restauração da fertilidade da terra. Holst transforma essa narrativa em matéria musical, explorando o potencial dramático da luta entre as forças que ameaçam a vida e aquelas que restabelecem o equilíbrio natural. Seu interesse pela cultura indiana também se manifestou no estudo do sânscrito e na adaptação de textos do Rig Veda para hinos corais.

Já a Japanese Suite, op. 33, nasceu de uma encomenda ligada ao bailarino e coreógrafo japonês Michio Ito, que atuava em Londres e precisava de música com características japonesas para uma apresentação. Holst respondeu com uma sequência de peças que incorpora elementos de inspiração oriental. Entre elas, destacam-se a Dance of the Marionette, cuja linguagem pode evocar o universo de Petrushka, de Stravinsky, e a Dance of the Wolves, que encerra a suíte com energia e intensidade. A obra evidencia a curiosidade do compositor por diferentes tradições culturais e sua disposição para incorporar referências externas à música ocidental sem abandonar os recursos da orquestra sinfônica.

A seleção também permite compreender o contraste entre a trajetória relativamente discreta de muitas obras de Holst e o sucesso extraordinário de Os Planetas, cuja primeira execução pública integral ocorreu em 1920. A popularidade dessa composição acabou por ofuscar parte de sua produção posterior, embora trabalhos como Egdon Heath, St Paul’s Suite e Hymn of Jesus tenham conquistado reconhecimento em seus respectivos repertórios. Nesse contexto, o álbum conduz o ouvinte para além de sua obra mais célebre, revelando a variedade de interesses e a evolução da linguagem musical do compositor.

Sob a direção de JoAnn Falletta, a Ulster Orchestra apresenta um programa que aproxima diferentes momentos da carreira de Holst e diferentes fontes de inspiração. A regente norte-americana, conhecida por seu trabalho com repertórios variados e pela defesa da música de seu país, conduz a orquestra em um percurso que vai da exuberância wagneriana à evocação de mitos indianos e danças japonesas. O resultado é um retrato abrangente de Holst: um compositor que soube transformar referências literárias, folclóricas e culturais em experiências orquestrais distintas, ampliando os horizontes da música britânica do início do século XX.

Uma boa apreciação! 

Gustav Holst (1874-1934) - 

01. Walt Whitman Overture, Op. 7, H. 42
02. Symphony in F Major, Op. 8, H. 47 _The Cotswolds__ I. Allegro con brio
03. Symphony in F Major, Op. 8, H. 47 _The Cotswolds__ II. Elegy. Molto adagio
04. Symphony in F Major, Op. 8, H. 47 _The Cotswolds__ III. Scherzo. Presto - Allegretto
05. Symphony in F Major, Op. 8, H. 47 _The Cotswolds__ IV. Finale. Allegro moderato
06. A Winter Idyll, H. 31
07. Japanese Suite, Op. 33, H. 126_ I. Prelude. Song of the Fisherman
08. Japanese Suite, Op. 33, H. 126_ II. Ceremonial Dance
09. Japanese Suite, Op. 33, H. 126_ III. Dance of the Marionette
10. Japanese Suite, Op. 33, H. 126_ IV. Interlude. Song of the Fisherman
11. Japanese Suite, Op. 33, H. 126_ V. Dance Under the Cherry Tree
12. Japanese Suite, Op. 33, H. 126_ VI. Finale. Dance of the Wolves
13. Indra, Op. 13, H. 66

Ulster Orchestra
JoAnn Falletta, regente 

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quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Georg P. Telemann (1681-1767) - Six Sonatas for two Flutes

As seis sonatas para duas flautas de Georg Philipp Telemann (1681–1767), reunidas no álbum Six Sonatas for Two Flutes, oferecem um retrato expressivo da versatilidade de um compositor que ocupou posição central na música alemã do século XVIII. Interpretado pelos flautistas Conor Nelson e Eric Lamb, o repertório apresenta obras publicadas em 1726 que combinam o rigor contrapontístico do Barroco com a leveza e a elegância do estilo galante. A gravação, lançada pelo selo Paladino Music em 2023, foi realizada em junho de 2022 no Schloss Weinberg, na Áustria, e reúne as seis sonatas em um programa de aproximadamente 67 minutos.

Telemann foi um dos compositores mais produtivos e inventivos de sua época. Sua trajetória profissional passou por diferentes cidades alemãs, até que, em 1721, assumiu o posto de diretor musical municipal de Hamburgo, importante centro urbano e cultural. Sua produção abrange óperas, oratórios, cantatas religiosas, concertos e música de câmara. O encarte destaca que sobreviveram mais de três mil obras atribuídas ao compositor e que sua capacidade de combinar influências nacionais e estilos distintos contribuiu para o reconhecimento de seus contemporâneos.

A reputação de Telemann, entretanto, sofreu um declínio significativo no século XIX. Em um ambiente cultural que valorizava a figura romântica do artista genial e atormentado, sua extraordinária produtividade passou a ser interpretada por alguns como sinal de superficialidade. Além disso, sua imagem ficou em segundo plano diante da consagração de Johann Sebastian Bach como referência da música sacra alemã. Foi sobretudo a partir do final do século XX que sua importância histórica voltou a receber maior atenção, com o reconhecimento de sua inventividade e de sua contribuição para o desenvolvimento da linguagem musical europeia.

As seis sonatas para duas flautas constituem um exemplo particularmente revelador dessa criatividade. Escritas para dois instrumentos sem acompanhamento, as peças demonstram como Telemann transforma uma formação aparentemente modesta em espaço para a elaboração de um diálogo musical complexo. As duas vozes não se limitam a uma divisão convencional entre melodia e acompanhamento: alternam funções, compartilham o material temático e participam igualmente do desenvolvimento contrapontístico. Essa independência das partes confere às obras uma dinâmica própria, na qual a clareza da escrita convive com a riqueza das combinações sonoras.

A estrutura das sonatas evidencia o encontro entre tradição e renovação. Cada uma apresenta quatro movimentos, alternando andamentos lentos e rápidos, conforme a organização característica da sonata da chiesa. Os movimentos rápidos centrais exploram a escrita fugada, revelando o domínio de Telemann sobre o contraponto. Em contrapartida, os movimentos lentos privilegiam a expressividade melódica e uma linguagem próxima da música vocal, enquanto os finais frequentemente incorporam o impulso rítmico das danças. O resultado não é uma simples justaposição de estilos: elementos antigos e modernos se integram de maneira orgânica ao longo das seis obras.

Alguns momentos demonstram de maneira especial a imaginação do compositor. Na primeira sonata, o terceiro movimento, Andante, começa com características de um lamento, apoiado em um baixo ostinato que percorre um tetracorde cromático descendente. Na sexta sonata, o movimento Soave apresenta uma introdução que funciona como ritornelo, envolvendo uma seção melódica de caráter cantabile, marcada por motivos que evocam suspiros. Já o Presto dessa mesma sonata chama a atenção pelo equilíbrio entre a escrita fugada e passagens de textura mais leve. São exemplos de como Telemann explora recursos contrapontísticos sem sacrificar a expressividade ou a fluidez musical.

A importância dessas composições também se manifesta em sua recepção histórica. As sonatas circularam por diferentes centros europeus, com reedições em Amsterdã, Paris e Londres. Segundo o encarte, Georg Friedrich Händel aproveitou ideias temáticas desse conjunto em duas obras de 1743: o Dettingen Te Deum e o oratório Semele. O sucesso das peças contribuiu ainda para que Telemann continuasse explorando a formação de duo instrumental em publicações posteriores. O compositor e flautista Johann Joachim Quantz considerava suas sonatas modelos para a composição e para o ensino, ressaltando sua utilidade tanto para músicos experientes quanto para estudantes.

A interpretação de Conor Nelson e Eric Lamb coloca em evidência as características que tornam esse repertório tão atraente: o equilíbrio entre as vozes, a variedade dos afetos e a alternância entre densidade contrapontística e espontaneidade melódica. Nelson reúne experiência como solista e músico de câmara, enquanto Lamb combina atuação internacional com pesquisa sobre práticas interpretativas dos séculos XVII e XVIII. O encarte informa, porém, que esta gravação utiliza flautas modernas, detalhe importante para situar a proposta sonora do álbum.

Mais do que um conjunto de peças destinadas à exibição técnica, as seis sonatas revelam a riqueza de uma música concebida como conversa entre iguais. Nelas, a tradição barroca não impede a leveza, e a complexidade do contraponto não exclui a clareza. O álbum permite redescobrir um Telemann inventivo, atento às possibilidades expressivas dos instrumentos e capaz de transformar a intimidade de duas flautas em um universo musical de notável variedade.

Uma boa apreciação!

Georg P. Telemann (1681-1767) - 

01 - Sonata No. 1 in G Major, TWV 40_101 (1726)_ I. Soave
02 - Sonata No. 1 in G Major, TWV 40_101 (1726)_ II. Allegro
03 - Sonata No. 1 in G Major, TWV 40_101 (1726)_ III. Andante
04 - Sonata No. 1 in G Major, TWV 40_101 (1726)_ IV. Allegro
05 - Sonata No. 2 in G Major, TWV 40_101 (1726)_ I. Largo
06 - Sonata No. 2 in E Minor, TWV 40_102 (1726)_ II. Allegro
07 - Sonata No. 2 in E Minor, TWV 40_102 (1726)_ III. Affettuoso
08 - Sonata No. 2 in E Minor, TWV 40_102 (1726)_ IV. Vivace
09 - Sonata No. 3 in D Major, TWV 40_103 (1726)_ I. Dolce
10 - Sonata No. 3 in D Major, TWV 40_103 (1726)_ II. Allegro
11 - Sonata No. 3 in D Major, TWV 40_103 (1726)_ III. Largo
12 - Sonata No. 3 in D Major, TWV 40_103 (1726)_ IV. Vivace
13 - Sonata No. 4 in B Minor, TWV 40_104 (1726)_ I. Largo
14 - Sonata No. 4 in B Minor, TWV 40_104 (1726)_ II. Vivace
15 - Sonata No. 4 in B Minor, TWV 40_104 (1726)_ III. Gratioso
16 - Sonata No. 4 in B Minor, TWV 40_104 (1726)_ IV. Allegro
17 - Sonata No. 5 in A Major, TWV 40_105 (1726)_ I. Siciliano
18 - Sonata No. 5 in A Major, TWV 40_105 (1726)_ II. Vivace
19 - Sonata No. 5 in A Major, TWV 40_105 (1726)_ III. Andante
20 - Sonata No. 5 in A Major, TWV 40_105 (1726)_ IV. Allegro
21 - Sonata No. 6 in E Major, TWV 40_106 (1726)_ I. Affettuoso
22 - Sonata No. 6 in E Major, TWV 40_106 (1726)_ II. Presto
23 - Sonata No. 6 in E Major, TWV 40_106 (1726)_ III. Soave
24 - Sonata No. 6 in E Major, TWV 40_106 (1726)_ IV. Spirituoso

Conor Nelson, flauta
Eric Lamb, flauta 

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terça-feira, 20 de outubro de 2026

Jean Sibelius (1865-1957) - Symphony No. 2 in D Major, Op. 43

Jean Sibelius teria afirmado certa vez que Herbert von Karajan era o único regente capaz de compreender verdadeiramente sua música. Essa declaração, que se tornou emblemática da relação artística entre os dois, encontra uma expressão particularmente eloquente nesta gravação de 1980 da Sinfonia nº 2 em ré maior, op. 43, realizada por Karajan à frente da Filarmônica de Berlim.

O registro é apresentado como um testemunho extraordinário da afinidade entre o compositor finlandês e o maestro austríaco. Em vez de adotar a abordagem enxuta, austera e de tonalidade fria frequentemente associada à interpretação do repertório nórdico, Karajan privilegia uma leitura de proporções monumentais, explorando toda a potência sonora e a riqueza tímbrica da orquestra alemã.

A Segunda Sinfonia, composta entre 1901 e 1902, ocupa um lugar importante na trajetória de Sibelius. Sua escrita combina a construção sinfônica rigorosa com uma expressividade que alterna passagens de inquietação, atmosferas sombrias e momentos de crescente afirmação. A obra também se distingue pela maneira como seus materiais musicais são desenvolvidos e integrados em um percurso dramático de grande unidade.

Na interpretação de Karajan, os movimentos internos revelam uma atmosfera de mistério e tensão, enquanto o finale conduz a música a uma conclusão de caráter triunfal. O regente enfatiza os contrastes dinâmicos e a amplitude dos crescendos, fazendo com que a energia acumulada ao longo da sinfonia desembarque em um desfecho luminoso e avassalador.

É nesse contraste entre introspecção e afirmação que a gravação encontra sua força. A Filarmônica de Berlim responde à concepção do maestro com uma sonoridade densa, homogênea e de grande impacto, características que se tornaram marcas reconhecíveis da estética interpretativa de Karajan.

O resultado representa o chamado “som Karajan” em uma de suas manifestações mais grandiosas: uma interpretação que privilegia a amplitude orquestral, a intensidade dramática e a construção de um arco musical de proporções épicas. Para os admiradores de Sibelius e Karajan, esta gravação constitui um registro particularmente expressivo do encontro entre duas personalidades artísticas cuja afinidade musical se tornou lendária.

Uma boa apreciação! 

Jean Sibelius (1865-1957) -

01. Symphony No. 2 in D Major, Op. 43: I. Allegretto (9:56)
02. Symphony No. 2 in D Major, Op. 43: II. Tempo andante, ma rubato (14:38)
03. Symphony No. 2 in D Major, Op. 43: III. Vivacissimo (6:43)
04. Symphony No. 2 in D Major, Op. 43: IV. Finale. Allegro moderato (16:34)

Berliner Philharmoniker
Herbert von Karajan, regente 

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