domingo, 7 de junho de 2026

Piotr I. Tchaikovsky (1840-1893) - Symphony No.4 in F minor, Op.36, TH.27, Symphony No.5 in E minor, Op.64, TH.29 e Symphony No. 6 in B minor, Op. 74, TH 30 - Pathétique


 Tchaikovsky escreveu seis sinfonias. As seis possuem uma orquestração fabulosa. As de número 4, 5 e 6, geralmente, aparecem juntas em discos variados. Existem inúmeras gravações desse conjunto. Elas são uma espécie de trilogia poderosa sobre o destino.

A primeira dela, a Nº 4, foi escrita em 1877. É a mais explícita em sua narrativa. O próprio Tchaikovsky descreveu o motivo inicial dos metais como a representação do "Fatum", a força inexorável do destino que paira sobre a vida humana. Desde os primeiros compassos, a obra parece travar uma batalha entre a esperança e a inevitabilidade. O que impressiona não é apenas a qualidade da escrita orquestral, mas a sinceridade brutal da música. Não há heroísmo beethoveniano aqui. Há resistência, sofrimento e, sobretudo, a consciência de que certas forças são maiores do que nós.

A Quinta Sinfonia, escrita onze anos depois, assume um tom mais filosófico. Seu tema recorrente reaparece ao longo dos quatro movimentos como uma ideia obsessiva, quase um pensamento impossível de afastar. Muitos ouvintes interpretam a obra como uma trajetória das trevas para a luz, culminando em um final triunfal. Mas esse triunfo permanece controverso. Há quem veja nele uma vitória genuína da vontade humana; outros enxergam uma celebração forçada, uma máscara colocada sobre feridas ainda abertas.

Sexta Sinfonia, a célebre "Patética", que Tchaikovsky alcança sua expressão mais devastadora. É uma das minhas sinfonias favoritas da vida. Estreada poucos dias antes de sua morte, a obra desafia todas as convenções do gênero. Em vez de terminar com um final brilhante e afirmativo, ela encerra sua jornada em um lento movimento de despedida, que se dissolve gradualmente no silêncio. É uma metáfora da própria vida, repleta de paixões, que se dissolve como se uma esponja eliminasse a sujeira de um copo.

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Piotr I. Tchaikovsky (1840-1893) - 

DISCO 01

01. Symphony No.4 in F minor, Op.36, TH.27 -  1. Andante sostenuto - Moderato con anima -
02. Symphony No.4 in F minor, Op.36, TH.27 -  2. Andantino in modo di canzone 
03. Symphony No.4 in F minor, Op.36, TH.27 -  3. Scherzo. Pizzicato ostinato - Allegro 
04. Symphony No.4 in F minor, Op.36, TH.27 -  4. Finale (Allegro con fuoco) 

DISCO 02

01. Symphony No.5 in E minor, Op.64, TH.29 -  1. Andante - Allegro con anima 
02. Symphony No.5 in E minor, Op.64, TH.29 -  2. Andante cantabile, con alcuna licenza - Moderato con anima
03. Symphony No.5 in E minor, Op.64, TH.29 -  3. Valse (Allegro moderato)
04. Symphony No.5 in E minor, Op.64, TH.29 -  4. Finale (Andante maestoso - Allegro vivace)

DISCO 03

01. Symphony No. 6 in B minor, Op. 74, TH 30 - Pathétique 1. Adagio - Allegro non troppo 
02. Symphony No. 6 in B minor, Op. 74, TH.30 - Pathétique 2. Allegro con grazia 
03. Symphony No. 6 in B minor, Op. 74, TH.30 - Pathétique 3. Allegro molto vivace 
04. Symphony No. 6 in B minor, Op. 74, TH.30 - Pathétique 4. Finale (Adagio lamentoso - Andante) 

Wiener Philharmoniker
Rafael KUbelik, regente 

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quinta-feira, 4 de junho de 2026

Johannes Brahms (1833-1897) - The Five Sonatas for Violin & Piano, Vol. 1

À pergunta “Quantas sonatas para violino e piano Johannes Brahms compôs?”, muitos apreciadores de música de câmara responderiam prontamente: três. Alguns talvez acrescentassem, sem hesitação, as respectivas tonalidades e números de opus. Se instados a ir além, um número menor lembraria também da chamada Sonata F.A.E., fruto de uma colaboração entre o jovem Brahms, Albert Dietrich e seu mentor, Robert Schumann. Poucos, porém, recordariam das duas sonatas do Opus 120, compostas em 1894 para clarinete (ou viola) e piano, mas publicadas no ano seguinte em versões para violino preparadas pelo próprio compositor.

A adaptação exigiu um trabalho substancial. Como a extensão da clarineta em si bemol alcança notas uma quarta abaixo do registro do violino, Brahms foi obrigado a revisar profundamente a parte solista. Essas alterações repercutiram inevitavelmente na escrita pianística, tornando necessária a preparação de uma nova edição da partitura para piano.

A experiente parceria formada pelo violinista Ulf Wallin e pelo pianista Roland Pöntinen decidiu agora registrar a totalidade das sonatas de Brahms para violino e piano. Os resultados são apresentados em dois discos, dos quais o primeiro reúne a Sonata nº 1 em Sol maior, Op. 78 — a primeira das três sonatas oficialmente concebidas para essa formação —, a Sonata em Fá menor do Opus 120 e o célebre Scherzo extraído da Sonata F.A.E.

Para completar o programa, Wallin e Pöntinen acrescentam transcrições de duas das canções mais líricas de Brahms, ampliando o retrato de um compositor cuja inspiração melódica e profundidade expressiva transcendem fronteiras de gênero e formação instrumental.

Johannes Brahms (1833-1897) - 

Sonata in F minor, Op. 120 No. 1
01. I. Allegro appassionato
02. II. Andante un poco Adagio
03. III. Allegretto grazioso
04. IV. Vivace

from the ‘F.A.E. Sonata’, WoO 2
05. Scherzo (Allegro)

Sonata No. 1 In G Major, Op. 78
06. I. Vivace ma non troppo
07. II. Adagio
08. III. Allegro molto moderato
09. O kühler Wald, Op. 72 No. 3
10. An die Nachtigall, Op. 46 No. 4

Ulf Wallin, violino
Roland Pöntinen, piano

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quarta-feira, 3 de junho de 2026

Arcangelo Corelli (1653–1713) - Church Sonatas, Ops. 1 & 3

"Arcangelo Corelli ocupa um lugar singular na história da música. Embora seja reconhecido como um dos compositores mais célebres do período barroco, sua obra é surpreendentemente reduzida quando comparada à de contemporâneos como Handel ou Telemann: apenas seis coleções publicadas com número de opus, além de algumas peças preservadas em manuscritos. Enquanto a maioria dos compositores de sua época transitava entre diversos gêneros — música vocal sacra e profana, obras orquestrais, música de câmara e repertório para teclado —, Corelli concentrou praticamente toda a sua produção na música de câmara e em um único conjunto de obras “orquestrais”, embora essa designação talvez não seja a mais adequada para caracterizar seus concerti grossi.

Também ao contrário de muitos de seus pares, Corelli pouco viajou. Passou quase toda a vida em Roma. No final da década de 1680, Francesco II d’Este, duque de Módena, tentou repetidas vezes convencê-lo a ingressar em sua corte, mas o compositor recusou. Em compensação, dedicou ao duque as sonatas do Opus 3, recebendo em troca valiosos presentes como demonstração de apreço. As demais coleções de sonatas foram dedicadas a diferentes patronos romanos. O Opus 1 foi oferecido à rainha Cristina da Suécia, estabelecida em Roma após abdicar do trono e converter-se ao catolicismo. Já os Opus 2 e 4 foram dedicados a dois grandes mecenas eclesiásticos — os cardeais Pamphili e Ottoboni — conhecidos pelo generoso apoio às artes e, em especial, à música.

A influência de Corelli sobre a história da música foi imensa. Seus concerti grossi serviram de modelo para inúmeros compositores posteriores, entre eles Handel. A trio sonata tornou-se um dos principais gêneros da música de câmara durante a primeira metade do século XVIII, até ser gradualmente substituída por outras formações, como o trio com teclado. Obras desse tipo proliferaram por toda a Europa, especialmente voltadas ao crescente mercado de músicos amadores, quase sempre inspiradas nos modelos corellianos. Telemann, aliás, reconheceu explicitamente essa influência ao compor suas Sonates corellisantes. Ainda assim, Corelli não inventou o gênero: peças para dois instrumentos melódicos e baixo contínuo já existiam desde as primeiras décadas do século XVII. Na França, independentemente da tradição italiana, Lully escreveu seus Trios pour le coucher du roi. O mérito de Corelli foi reunir e consolidar diversos elementos, fixando uma forma que se tornaria referência fundamental para o gênero dali em diante.

As quatro coleções de trio sonatas costumam ser divididas em duas categorias: sonate da chiesa e sonate da camera. Corelli empregou explicitamente a expressão sonata da camera na página de rosto do Opus 2; os demais conjuntos aparecem simplesmente como sonate a tre. Apesar do nome, o termo sonata da chiesa não implica necessariamente uso litúrgico. Essas obras destinavam-se sobretudo ao ambiente doméstico refinado — salões privados e espaços de concerto frequentados pela aristocracia e pelas camadas mais altas da sociedade. Ainda assim, existem diferenças estruturais claras entre os dois grupos. As sonate da chiesa costumam apresentar quatro movimentos identificados por indicações de andamento, como grave, largo e allegro. Já as sonate da camera iniciam-se geralmente com um prelúdio seguido de uma sequência de danças.

O próprio Corelli, porém, jamais seguiu rigidamente esse esquema. Em cada coleção encontram-se sonatas com mais ou menos de quatro movimentos. Embora a sucessão tradicional lento-rápido-lento-rápido seja predominante, algumas peças começam com movimentos rápidos, enquanto outras apresentam três movimentos rápidos e apenas um lento. O Opus 1, em especial, revela-se o conjunto menos estruturado, sugerindo um compositor ainda experimentando possibilidades formais para a trio sonata.

Apesar da fama de Corelli, a atenção dedicada à sua obra permanece relativamente desequilibrada. Existem inúmeras gravações dos concerti grossi e das sonatas para violino do Opus 5, mas muito menos registros das trio sonatas. Seu discípulo Francesco Geminiani escreveu sobre ele: “Seu mérito não residia na profundidade erudita de um Alessandro Scarlatti, nem numa imaginação exuberante ou numa invenção particularmente rica em melodia ou harmonia, mas num ouvido refinadíssimo e num gosto delicado que o levavam a escolher as harmonias e melodias mais agradáveis e a construir as partes de modo a produzir o efeito mais encantador aos ouvidos.” O comentário pretendia ser um elogio, embora hoje possa soar quase depreciativo. Os músicos sabem que não é o caso, mas talvez intérpretes e gravadoras ainda temam que esse repertório não desperte grande interesse comercial.

Cabe justamente aos intérpretes transformar essa percepção por meio de execuções envolventes e expressivas. Nesse aspecto, as sonatas dos Opus 2 e 4 destacam-se amplamente. Os ritmos de dança são apresentados com clareza exemplar, enquanto os movimentos lentos revelam maior expressividade do que nos Opus 1 e 3. O som parece mais luminoso, caloroso e autenticamente italiano. Como os dois pares de coleções podem ser adquiridos separadamente, a recomendação recai sobretudo sobre as sonate da camera".

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!

Arcangelo Corelli (1653–1713) -

DISCO 01

Sonata da chiesa a tre in F Major, No. 1
01. I. Grave
02. II. Allegro
03. III. Largo
04. IV. Allegro

Sonata da chiesa a tre in E minor, No. 2
05. I. Grave
06. II. Vivace
07. III. Adagio
08. IV. Allegro

Sonata da chiesa a tre in A Major, No. 3
09. I. Grave
10. II. Allegro
11. III. Adagio
12. IV. Allegro

Sonata da chiesa a tre in A minor, No. 4
13. I. Vivace (attacca)
14. II. Adagio
15. III. Allegro
16. IV. Presto
17. V. Allegro

Sonata da chiesa a tre in B-flat minor, No. 5

18. I. Grave
19. II. Allegro
20. III. Adagio - Allegro
21. IV. Allegro

Sonata da chiesa a tre in B minor, No. 6

22. I. Grave
23. II. Largo
24. III. Adagio
25. IV. Allegro

Sonata da chiesa a tre in C Major, No. 7

26. I. Allegro
27. II. Grave
28. III. Allegro

Sonata da chiesa a tre in C minor, No. 8
29. I. Grave
30. II. Allegro
31. III. Largo
32. IV. Vivace

Sonata da chiesa a tre in G Major, No. 9

33. I. Allegro
34. II. Allegro
35. III. Adagio
36. IV. Allegro - Adagio

Sonata da chiesa a tre in G minor, No. 10
37. I. Grave
38. II. Allegro (attacca)
39. III. Allegro
40. IV. Adagio
41. V. Allegro

Sonata da chiesa a tre in D minor, No. 11

42. I. Grave
43. II. Allegro
44. III. Adagio
45. IV. Allegro

Sonata da chiesa a tre in D Major, No. 12
46. I. Grave
47. II. Largo e puntato
48. III. Grave
49. IV. Allegro

DISCO 02

Sonata da chiesa a tre in F Major, No. 1
01. I. Grave
02. II. Allegro
03. III. Vivace
04. IV. Allegro

Sonata da chiesa a tre in D Major, No. 2
05. I. Grave
06. II. Allegro
07. III. Adagio
08. IV. Allegro

Sonata da chiesa a tre in B-flat Major, No. 3
09. I. Grave
10. II. Vivace
11. III. Largo
12. IV. Allegro

Sonata da chiesa a tre in B minor, No. 4
13. I. Largo
14. II. Vivace
15. III. Adagio
16. IV. Presto

Sonata da chiesa a tre in D minor, No. 5

17. I. Grave
18. II. Allegro
19. III. Largo
20. IV. Allegro

Sonata da chiesa a tre in G Major, No. 6

21. I. Vivace
22. II. Grave
23. III. Allegro
24. IV. Allegro

Sonata da chiesa a tre in E minor, No. 7

25. I. Grave
26. II. Allegro
27. III. Adagio
28. IV. Allegro

Sonata da chiesa a tre in C Major, No. 8

29. I. Largo
30. II. Allegro
31. III. Largo
32. IV. Allegro

Sonata da chiesa a tre in F minor, No. 9
33. I. Grave
34. II. Vivace
35. III. Largo
36. IV. Allegro

Sonata da chiesa a tre in A minor, No. 10
37. I. Vivace
38. II. Allegro
39. III. Adagio
40. IV. Allegro

Sonata da chiesa a tre in G minor, No. 11

41. I. Grave
42. II. Presto
43. III. Adagio
44. IV. Allegro

Sonata da chiesa a tre in A minor, No. 12
45. I. Grave
46. II. Vivace
47. III. Allegro
48. IV. Allegro
49. V. Allegro

The Avison Ensemble 

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terça-feira, 2 de junho de 2026

Dmitry Shostakovich (1906-1975) - Chamber Symphony Op. 73a, Symphony for Strings Op. 118a

Shostakovich foi um compositor marcado pelas ambiguidades do século XX. Celebrado pelo regime soviético em determinados momentos e perseguido em outros, aprendeu a transformar a música em linguagem metafórica. Em suas sinfonias e quartetos, a ironia, o medo, a resignação e a resistência coexistem numa tensão permanente. Dissociar a música do compositor dos eventos pelos quais passou diminui a significação de sua obra.

Neste disco encontramos duas obras orquestradas, a partir de quartetos de cordas. A “Chamber Symphony Op. 73a” é derivada do Terceiro Quarteto. Composto em 1946, ele já continha uma narrativa implícita sobre a guerra, a devastação e a fragilidade humana. Na versão sinfônica, as cordas adquirem uma dimensão quase cinematográfica. Os momentos de aparente serenidade são continuamente ameaçados por explosões de violência rítmica e harmônica. O ouvinte nunca encontra repouso duradouro. Há sempre uma sombra atravessando a paisagem sonora. Algo que incomoda; que remete a um mal-estar.

O primeiro movimento sugere uma normalidade enganosa. Os temas surgem com elegância clássica, mas logo revelam fissuras. Nos movimentos centrais, Shostakovich constrói um universo de sarcasmo e brutalidade. As danças parecem grotescas; as marchas, ameaçadoras. É música que sorri com os dentes cerrados.

Já a “Symphony for Strings Op. 118ª” apresenta um Shostakovich tardio, mais introspectivo, mas não menos contundente. Baseada no Décimo Quarteto, escrito em 1964, a obra carrega o peso de uma vida inteira de conflitos internos. Stálin morrera dez anos antes. O compositor havia se consolidado como um dos maiores de sua geração.

Nessa fase, o drama torna-se mais concentrado. As melodias parecem surgir de um lugar distante, quase espectral. O tratamento das cordas evidencia uma extraordinária economia de meios: poucas notas podem carregar um universo emocional inteiro. É uma música que fala da passagem do tempo, da mortalidade e da persistência da consciência diante do inevitável.

Um baita disco. Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Dmitry Shostakovich (1906-1975) - 

01 - I. Allegretto
02 - II. Moderato con moto
03 - III. Allegro non troppo
04 - IV. Adagio
05 - V. Moderato
06 - I. Andante
07 - II. Allegretto furioso
08 - III. Adagio
09 - IV. Allegretto - Andante

Kiev Virtuosi
Dmitry Yablonsky, regente 

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segunda-feira, 1 de junho de 2026

Georg Philipp Telemann (1683-1767) - Chameleon

"Nenhum compositor do século XVIII dominou uma gama tão ampla de estilos musicais quanto Georg Philipp Telemann. Sua extraordinária versatilidade e inesgotável inventividade permitiram que sua linguagem permanecesse constantemente à frente de seu tempo ao longo de toda a carreira. Admirado por seus contemporâneos e profundamente respeitado pela geração seguinte, Telemann desfrutou de uma reputação imensa, consolidando-se como uma das figuras centrais da vida musical europeia.

Foi justamente essa capacidade camaleônica que levou o New Collegium - um dos mais promissores conjuntos da nova geração de intérpretes especializados em música antiga -  a dedicar seu primeiro álbum para o selo Ramée à impressionante diversidade estilística do compositor. O programa procura revelar um Telemann multifacetado, explorando toda a amplitude de sua paleta musical.

Algumas das obras reunidas certamente soarão familiares aos apreciadores do repertório barroco. Outras, porém, reservam descobertas particularmente atraentes, como o Trio de inspiração italiana para violino e violoncelo obbligato ou o pastoral Trio para dois violinos em scordatura, cuja sonoridade singular certamente surpreenderá muitos ouvintes.

À medida que Telemann transita entre diferentes estilos, influências e linguagens, assumindo e abandonando disfarces musicais com desconcertante naturalidade, o ouvinte é levado a uma pergunta inevitável: será realmente possível que toda essa diversidade provenha de um único compositor - e não de meia dúzia deles? É justamente nessa capacidade de transformação que reside uma das marcas mais fascinantes do gênio de Telemann".

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!  

Georg Philipp Telemann (1683-1767) - 

01. Quartet in E minor, TWV 43:e4 - Prélude

Sonata a flauto dolce, violino e cembalo in A Minor, TWV 42:a4
02. I. Largo
03. II. Vivace
04. III. Affettuoso
05. IV. Allegro
06. Menuet No. 17 in C major, TWV 34:67

Sonata a violino, violoncello e basso in G Major, TWV 42:G7
07. I. Vivace
08. II. Adagio
09. III. Allegro
10. Menuet No. 38 in F major, TWV 34:88

Suite from Der getreue Music-Meister

11. L'hiver, TWV 41:d1
12. Vîte (From Sinfonie à la françoise, TWV 41:h2)
13. Largo (From Recorder Sonata, TWV 41:F2)
14. Ouverture à la Polonoise (From Ouverture burlesque, TWV 32:2)
15. Sans-Souci (From Suite for Oboe and Continuo, TWV 41:g4)
16. Alla breve (From Sonata da chiesa, TWV 41:g5)
17. Lento (From Cello Sonata, TWV 41:D6
18. Pastourelle, TWV 41:D5 1:23
19. Menuet No. 7 in A minor, TWV 34:57

Concerto à 3, 2 violini discordati e violone in A major, TWV Anh. 42:A1
20. I. Affettuoso
21. II. Vivace
22. III. Aria
23. A1: IV. Bourrée
24. Menuet No. 48 in G major, TWV 34:48

Quartet in G minor, TWV 43:g4
25. I. Allegro
26. II. Adagio
27. III. Allegro
28.Quartet in E minor, TWV 43:e4 - Modéré

 New Collegium 

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domingo, 31 de maio de 2026

Bohuslav Martinů (1890-1959) - The Symphonies

"Em seu próximo álbum, o maestro Jakub Hrůša e a Orquestra Sinfônica de Bamberg dedicam-se à exploração das seis sinfonias de Bohuslav Martinů, um dos mais notáveis ciclos sinfônicos do século XX. Compostas durante o exílio americano do compositor, essas obras da maturidade artística combinam lirismo poético, tragédia épica e a inconfundível energia e coloração da tradição boêmia.

A Orquestra Sinfônica de Bamberg mantém uma profunda ligação histórica com Praga, herdando uma linhagem artística cujas raízes remontam ao Teatro dos Estados e à rica cultura musical da capital tcheca. Estabelecida em Bamberg desde 1946, a orquestra conquistou reconhecimento internacional graças à riqueza, ao calor e à personalidade de seu som.

Em uma parceria artística particularmente estreita, Jakub Hrůša e a Sinfônica de Bamberg dão vida a esse patrimônio comum com notável clareza, profundidade interpretativa e força expressiva, reafirmando os vínculos históricos e culturais que unem intérpretes e compositor".

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Bohuslav Martinů (1890-1959) -

01 Martinů_ Symphony No. 1, H. 289_ I. Moderato – Poco più mosso
02 Martinů_ Symphony No. 1, H. 289_ II. Scherzo. Allegro – Poco moderato
03 Martinů_ Symphony No. 1, H. 289_ III. Largo
04 Martinů_ Symphony No. 1, H. 289_ IV. Allegro non troppo
05 Martinů_ Symphony No. 2, H. 295_ I. Allegro moderato
06 Martinů_ Symphony No. 2, H. 295_ II. Andante moderato
07 Martinů_ Symphony No. 2, H. 295_ III. Poco allegro
08 Martinů_ Symphony No. 2, H. 295_ IV. Allegro
09 Martinů_ Symphony No. 3, H. 299_ I. Allegro poco moderato
10 Martinů_ Symphony No. 3, H. 299_ II. Largo
11 Martinů_ Symphony No. 3, H. 299_ III. Allegro – Andante
12 Martinů_ Symphony No. 4, H. 305_ I. Poco moderato
13 Martinů_ Symphony No. 4, H. 305_ II. Allegro vivo – Trio. Moderato
14 Martinů_ Symphony No. 4, H. 305_ III. Largo
15 Martinů_ Symphony No. 4, H. 305_ IV. Poco allegro
16 Martinů_ Symphony No. 5, H. 310_ I. Adagio – Allegro
17 Martinů_ Symphony No. 5, H. 310_ II. Larghetto
18 Martinů_ Symphony No. 5, H. 310_ III. Lento – Allegro
19 Martinů_ Symphony No. 6, H. 343 _Fantaisies symphoniques__ I. Lento – Andante moderato – Allegro – Lento
20 Martinů_ Symphony No. 6, H. 343 _Fantaisies symphoniques__ II. Poco allegro
21 Martinů_ Symphony No. 6, H. 343 _Fantaisies symphoniques__ III. Lento – Poco vivo – Adagio – Andante – Allegro – Moderato – Allegro vivace – Lento

Bamberger Symphoniker
Jakub Hrůša, regente 

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sábado, 30 de maio de 2026

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) - Symphony No. 41 in C Major, K. 551 - Jupiter, Symphony No. 38 in D Major, K. 504 - Prague e Symphony No. 39 in E-Flat Major, K. 543

Verão de 1788, Mozart viveria mais três anos. À época, o compositor tinha apenas 32 anos de idade. Para os padrões de hoje, diríamos que ele era um jovem; que estava na flor da idade. De maneira quase que indescritível, o compositor escreveu as sinfonias 39, 40 e 41 em poucas semanas, no verão de 1788. Lembrando que a 40 não aparece nesta postagem. Já a "Sinfonia Praga" é do ano de 1786. 

Recebe o nome por causa da cidade de Praga, hoje, capital da República Tcheca. A obra foi escrita em um período de grande sucesso de Mozart na cidade de Praga, a obra apresenta uma dimensão dramática e arquitetônica incomum para o gênero. Sua longa introdução lenta revela um compositor interessado em expandir os limites da forma sinfônica.  

A Sinfonia No. 39 toma um destino diferente. Diferentemente do caráter expansivo da "Praga", a nº 39 conquista pela nobreza de sua escrita e pela clareza de suas ideias musicais. Há nela uma serenidade que jamais se torna superficial. Mozart alcança o raro feito de produzir música refinada sem parecer artificial ou excessivamente intelectual. Tudo soa natural, como se a beleza surgisse espontaneamente.

A de Nº 41, "Júpiter", é o ponto culminante da evolução do compositor. Poucas obras sintetizam de maneira tão perfeita as qualidades do classicismo vienense. Sua grandiosidade não deriva de efeitos espetaculares, mas da extraordinária organização de seus elementos musicais. Um disco maravilhoso. 

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) - 

01. Vienna Symphony - Symphony No. 41 in C Major, K. 551 _Jupiter__ I. Allegro vivace
02. Vienna Symphony - Symphony No. 41 in C Major, K. 551 _Jupiter__ II. Andante cantabile
03. Vienna Symphony - Symphony No. 41 in C Major, K. 551 _Jupiter__ III. Menuetto. Allegretto
04. Vienna Symphony - Symphony No. 41 in C Major, K. 551 _Jupiter__ IV. Molto allegro
05. Vienna Symphony - Symphony No. 38 in D Major, K. 504 _Prague__ I. Adagio - Allegro
06. Vienna Symphony - Symphony No. 38 in D Major, K. 504 _Prague__ II. Andante
07. Vienna Symphony - Symphony No. 38 in D Major, K. 504 _Prague__ III. Presto
08. Vienna Symphony - Symphony No. 39 in E-Flat Major, K. 543_ I. Adagio - Allegro
09. Vienna Symphony - Symphony No. 39 in E-Flat Major, K. 543_ II. Andante con moto
10. Vienna Symphony - Symphony No. 39 in E-Flat Major, K. 543_ III. Menuetto. Allegretto
11. Vienna Symphony - Symphony No. 39 in E-Flat Major, K. 543_ IV. Finale. Allegro

Vienna Symphony Orchestra
Jascha Horenstein, regente 

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sexta-feira, 29 de maio de 2026

Dmitri Shostakovich (1906-1975) - 24 Preludes, Op. 34, Sergei Prokofiev (1891-1953) - Visions fugitives, Op. 22 e Kurt Weill (1900-1950) - 7 Stucke nach der Dreigroschenoper

"Benjamin Schmid certamente não foge a desafios. Ao lado da pianista Lisa Smirnova, concebeu um programa incomum, inteiramente construído em torno de transcrições. O recital reúne, em primeiro lugar, quatorze dos vinte e quatro Prelúdios Op. 34 de Shostakovich adaptados para violino por Dmitri Tsyganov. Como se isso não bastasse — e talvez justamente porque as versões de Tsyganov já são relativamente conhecidas —, Schmid recupera ainda os arranjos realizados em 1993 pelo músico russo Viktor Derevianko para as Visions fugitives Op. 22 de Prokofiev. Por fim, deslocando o foco geográfico para o Ocidente, interpreta as sete peças extraídas de A Ópera dos Três Vinténs nas célebres transcrições de Stefan Frenkel.

A primeira questão surge naturalmente: quarenta e uma faixas em apenas cinquenta e quatro minutos de música, sem uma única obra originalmente concebida para violino. Funciona? A resposta depende tanto da convicção dos intérpretes quanto da qualidade intrínseca dos arranjos. Dois desses conjuntos já resistiram ao teste do tempo; o Prokofiev-Derevianko, por sua vez, será novidade para muitos ouvintes. Vale, portanto, concentrar a atenção na execução.

A maioria dos violinistas costuma selecionar apenas meia dúzia dos Prelúdios de Tsyganov para recitais ou gravações. Alguns incluem peças isoladas; outros, mais especializados, apresentam grupos mais extensos. Raramente alguém grava mais da metade das dezenove transcrições realizadas pelo arranjador. Nesse contexto, a decisão de Schmid de registrar quatorze delas é digna de elogio, embora houvesse espaço para incluir a coleção completa. Fica a dúvida: teria o violinista reservas em relação às cinco peças ausentes, ou teria a gravadora preferido evitar que o programa assumisse um caráter excessivamente documental? Há uma certa sensação de oportunidade perdida. Afinal, Schmid poderia ter ido além e completado o ciclo incorporando também as cinco transcrições que Lera Auerbach realizou, em 2000, dos prelúdios restantes.

Quanto às peças selecionadas, Schmid demonstra notável liberdade interpretativa. Não hesita em introduzir uma aspereza quase abrasiva ao timbre no Prelúdio nº 6, nem em explorar o caráter irônico e ligeiramente sardônico do nº 13. No célebre nº 10, um dos mais conhecidos da série, chega a adotar um andamento ainda mais veloz que o registrado por Camilla Wicks e Sixten Ehrling em sua histórica gravação. Schmid e Smirnova também mostram inteligência na organização do programa, embaralhando parcialmente a sequência original: iniciam com o Prelúdio nº 24 e encerram com o vigoroso nº 20, mantendo, no entanto, uma narrativa geral que preserva em grande parte a progressão cronológica do conjunto.

As transcrições de Prokofiev realizadas por Viktor Derevianko permanecem uma relativa raridade discográfica. O arranjador foi um músico de grande prestígio, discípulo de Heinrich Neuhaus e colaborador de Shostakovich após 1970, antes de emigrar para Israel em 1976. As Visions fugitives aparecem aqui completas e na ordem tradicional, embora saibamos que foram compostas em momentos distintos. Schmid e Smirnova revelam-se intérpretes ideais dessa nova roupagem instrumental. É fascinante ouvir o célebre Allegretto (nº 3) transformado para violino, assim como apreciar a expressividade errante do nº 7 ou a energia impulsiva do nº 15. Em determinado momento, no nº 17, chega-se até a ouvir uma profunda expiração de Schmid, testemunho involuntário do envolvimento físico exigido pela música.

As sete peças de Weill na versão de Frenkel continuam sendo uma descoberta irresistível. Adaptam-se perfeitamente à variedade tímbrica de Schmid e à sua habilidade em moldar as linhas melódicas. Na Cannon Song, percebe-se claramente sua familiaridade com o universo do jazz: o fraseado exibe uma flexibilidade rítmica admirável. Já na Tango Ballad, o vibrato deliberadamente esfumaçado revela-se particularmente eficaz.

Bem executado e excelentemente gravado, este recital é acompanhado por notas de programa claras e informativas. Trata-se, sem dúvida, de um lançamento voltado a um público específico, mas que merece ser explorado por qualquer amante do violino disposto a aventurar-se por repertórios menos convencionais".

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Dmitri Shostakovich (1906-1975) - 

01. 24 Preludes, Op. 34 (arr. D.M. Tsiganov for violin and piano): No. 24 in D Minor, Allegretto [01:21]
02. 24 Preludes, Op. 34 (arr. D.M. Tsiganov for violin and piano): No. 2 in A Minor, Allegretto [01:02]
03. 24 Preludes, Op. 34 (arr. D.M. Tsiganov for violin and piano): No. 6 in B Minor, Allegretto [01:21]
04. 24 Preludes, Op. 34 (arr. D.M. Tsiganov for violin and piano): No. 10 in C-Sharp Minor, Moderato non troppo [01:46]
05. 24 Preludes, Op. 34 (arr. D.M. Tsiganov for violin and piano): No. 12 in G-Sharp Minor, Allegretto non troppo [01:52]
06. 24 Preludes, Op. 34 (arr. D.M. Tsiganov for violin and piano): No. 13 in F-Sharp Major, Moderato [01:05]
07. 24 Preludes, Op. 34 (arr. D.M. Tsiganov for violin and piano): No. 15 in D-Flat Major,Allegretto [00:54]
08. 24 Preludes, Op. 34 (arr. D.M. Tsiganov for violin and piano): No. 16 in B-Flat Minor, Andantino [01:06]
09. 24 Preludes, Op. 34 (arr. D.M. Tsiganov for violin and piano): No. 17 in A-Flat Major, Largo [01:42]
10. 24 Preludes, Op. 34 (arr. D.M. Tsiganov for violin and piano): No. 18 in F Minor, Allegretto [00:52]
11. 24 Preludes, Op. 34 (arr. D.M. Tsiganov for violin and piano): No. 19 in E-Flat Major, Andantino [01:50]
12. 24 Preludes, Op. 34 (arr. D.M. Tsiganov for violin and piano): No. 21 in B-Flat Major, Allegretto poco moderato [00:52]
13. 24 Preludes, Op. 34 (arr. D.M. Tsiganov for violin and piano): No. 22 in G Minor, Adagio [02:04]
14. 24 Preludes, Op. 34 (arr. D.M. Tsiganov for violin and piano): No. 20 in C Minor, Allegretto [00:50]

Sergei Prokofiev (1891-1953) - 

15. Visions fugitives, Op. 22 (arr. V. Derewianko for violin and piano): I. Lentamente [00:59]
16. Visions fugitives, Op. 22 (arr. V. Derewianko for violin and piano): II. Andante [01:16]
17. Visions fugitives, Op. 22 (arr. V. Derewianko for violin and piano): III. Allegretto [01:03]
18. Visions fugitives, Op. 22 (arr. V. Derewianko for violin and piano): IV. Animato - Piu sostenuto [01:07]
19. Visions fugitives, Op. 22 (arr. V. Derewianko for violin and piano): V. Molto giocoso [00:26]
20. Visions fugitives, Op. 22 (arr. V. Derewianko for violin and piano): VI. Con eleganza [00:46]
21. Visions fugitives, Op. 22 (arr. V. Derewianko for violin and piano): VII. Pittoresco [01:54]
22. Visions fugitives, Op. 22 (Arr. V. Derewianko For Violin And Piano): VIII. Commodo [01:25]
23. Visions fugitives, Op. 22 (arr. V. Derewianko for violin and piano): IX. Allegretto tranquillo [01:04]
24. Visions fugitives, Op. 22 (arr. V. Derewianko for violin and piano): X. Ridicolosamente [00:58]
25. Visions fugitives, Op. 22 (arr. V. Derewianko for violin and piano): XI. Con vivacita [01:15]
26. Visions fugitives, Op. 22 (arr. V. Derewianko for violin and piano): XII. Assai moderato [01:10]
27. Visions fugitives, Op. 22 (Arr. V. Derewianko For Violin And Piano): XIII. Allegretto [00:51]
28. Visions fugitives, Op. 22 (arr. V. Derewianko for violin and piano): XIV. Feroce [01:08]
29. Visions fugitives, Op. 22 (arr. V. Derewianko for violin and piano): XV. Inquieto [00:51]
30. Visions fugitives, Op. 22 (arr. V. Derewianko for violin and piano): XVI. Dolente [01:53]
31. Visions fugitives, Op. 22 (Arr. V. Derewianko For Violin And Piano): XVII. Poetico [01:20]
32. Visions fugitives, Op. 22 (Arr. V. Derewianko For Violin And Piano): XVIII. Con Una Dolce Lentezza [01:15]
33. Visions fugitives, Op. 22 (arr. V. Derewianko for violin and piano): XIX. Presto agitatissimo e molto accentuato [00:47]
34. Visions fugitives, Op. 22 (arr. V. Derewianko for violin and piano): XX. Lento irrealmente [01:52]

Kurt Weill (1900-1950) - 

35. 7 Stucke nach der Dreigroschenoper (arr. S. Frenkel): No. 1. Moritat vom Mackie Messer (The Ballad of Mack the Knife) [02:38]
36. 7 Stucke nach der Dreigroschenoper (arr. S. Frenkel): No. 2. Ruf aus der Gruft (Call from the Grave) [00:59]
37. 7 Stucke nach der Dreigroschenoper (arr. S. Frenkel): No. 3. Ballade vom angenehmen Leben (The Ballad of Pleasant Living) [02:11]
38. 7 Stucke nach der Dreigroschenoper (arr. S. Frenkel): No. 4. Pollys Lied (Polly's Song) [01:37]
39. 7 Stucke nach der Dreigroschenoper (arr. S. Frenkel): No. 5. Zuhalterballade (The Procurer's Ballad) [01:32]
40. 7 Stucke nach der Dreigroschenoper (arr. S. Frenkel): No. 6. Seerauberjenny (Pirate Jenny) [01:21]
41. 7 Stucke nach der Dreigroschenoper (arr. S. Frenkel): No. 7. Kanonensong (Cannon Song) 

Benjamin Schmid, violino
Lisa Smirnova, piano 

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quinta-feira, 28 de maio de 2026

Sergei Rachmaninov (1873-1943) - Symphonic Dances e Mikhail Pletnev (1957 - ) - Rachmaniana

 

Ao lado das Danças Sinfônicas de Rachmaninoff, este lançamento apresenta a gravação mundial de estreia de Rachmaniana, de Mikhail Pletnev, obra cuja primeira execução pública ocorreu em janeiro de 2026, na Elbphilharmonie de Hamburgo. As oito peças breves que compõem a suíte delineiam, com notável concisão, alguns dos traços mais característicos do universo rachmaninoviano: paixão, ternura, uma alegria de viver simultaneamente exuberante e marcada pela dor, além de uma melancolia que tudo permeia.

Pletnev evoca atmosferas sem recorrer diretamente à citação literal — embora algumas exceções confirmem a regra. A peça de abertura, intitulada Dance, traz linhas de baixos alternados, às vezes incisivamente acentuadas, que remetem ao início das Danças Sinfônicas. Sobre elas, ergue-se uma melodia descendente das trompas, posteriormente expandida pelo trompete. O timbre nostálgico do clarinete emerge de forma sutil e conduz a uma conclusão em que as notas da flauta quase esbarram no motivo do Dies irae. Um leve toque de ironia se revela essencial.

O espírito de Tchaikovsky paira sobre o Nocturne, uma valsa lenta e arrebatadora. A Serenade prossegue nesse clima dançante: o oboé, seguido de acordes pontuados e de uma poderosa ascensão dos violoncelos, introduz uma valsa viva cujo tema é retomado e desenvolvido pelo corne inglês e pelo fagote. O resultado evoca tanto O Quebra-Nozes quanto Scheherazade, embora preserve uma voz inteiramente própria.

É então que emerge com mais nitidez o Pletnev intérprete — o mesmo músico que, ainda jovem, causou sensação com suas transcrições pianísticas dos balés de Tchaikovsky. Paysage é uma orquestração fiel do Prelúdio Op. 32 nº 5 de Rachmaninoff, enriquecida por um delicado brilho das cordas. A melodia doce da flauta, sustentada por suaves passagens do clarinete, desenha uma paisagem sonora de rara beleza, uma espécie de “paraíso perdido”.

Aquilo que o pianista Pletnev consegue ressuscitar nas obras de outros compositores — unindo percepção estrutural e profundidade emocional de maneira inimitável — também se manifesta em sua escrita autoral. A penúltima peça, Proshchaniye (Farewell), é igualmente baseada numa reelaboração, desta vez da terceira peça dos Moments musicaux Op. 16 de Rachmaninoff. Seu caráter de “marcha fúnebre” é amplificado ao transformar os acordes sombrios do piano em um coral profundamente solene para as trompas.

Um Allegretto construído sobre o colorido diálogo entre madeiras e metais — ao qual as cordas se unem como um terceiro interlocutor, numa engenhosa inversão de papéis — e uma “melodia” conduzida pelos violoncelos em tercinas de sabor tchaikovskiano surgem como evocações de mundos sonoros desaparecidos. O finale virtuosístico assume a forma de uma vertiginosa dança húngara, quase uma “metamúsica” em seus ataques irônicos de xilofone, lembrando tanto a “música de brinquedo” da Sinfonia nº 15 de Shostakovich quanto a terceira das Danças Sinfônicas de Rachmaninoff — ainda que aqui pareça faltar a mesma profundidade abissal.

Pode-se chamar essa música de “contemporânea” apenas no sentido de ter sido composta em nosso tempo. Ela certamente não ignora tudo o que a música viveu desde a era de Rachmaninoff, e essas experiências se infiltram de forma extremamente sutil em sua linguagem. Mas Pletnev não segue o caminho, hoje tão comum, de retratar a feiura do mundo. Ao contrário, sua música afirma uma imaginação da beleza que talvez soe antiquada aos ouvidos modernos, mas da qual sentimos urgente necessidade.

Talvez seja simplesmente música. Ou, nas palavras do próprio Rachmaninoff: “Uma noite silenciosa banhada pela lua; o murmúrio das folhas; sinos distantes ao entardecer; aquilo que vai de coração a coração; amor. A irmã da música é a poesia — sua mãe, a melancolia.”

01. Symphonic Dances, Op. 45: I. Non allegro
02. Symphonic Dances, Op. 45: II. Andante con moto. Tempo di valse
03. Symphonic Dances, Op. 45: III. Lento assai – Allegro vivace
04. Rachmaniana: Dance
05. Rachmaniana: Nocturne
06. Rachmaniana: Serenade
07. Rachmaniana: Landscape
08. Rachmaniana: Allegretto
09. Rachmaniana: Melody
10. Rachmaniana: Farewell
11. Rachmaniana: Hungarian Dance

Rachmaninoff International Orchestra
Mikhail Pletnev, regente

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quarta-feira, 27 de maio de 2026

John Field (1782-1837) - Piano Concerto No. 2 in A-flat major, H. 31 e Piano Concerto No. 3 in E-flat major, H. 32

John Field é daqueles compositores do final do século XVIII e início do século XIX que aparecem nas notas de rodapé da história. Quando encontramos nomes como o seu, rapidamente paramos para fazer uma consulta por mera e fortuita curiosidade. Todavia, uma justiça deve ser feita – Field realizou uma grande contribuição à história da música. Atribuem a ele a invenção de uma forma musical denominada “noturno”, uma espécie de música mais intimista e para ser ouvida em momentos de maior reflexão e calmaria. Essa forma musical tornou-se mais conhecida com compositores como Chopin, Schubert e Fauré. Até mesmo aqui, no Brasil, o compositor Almeida Prado escreveu os seus maravilhosos noturnos.

Nesta postagem o que está em jogo são os seus concertos para piano. O disco traz os concertos Nº 2 e Nº 3. Talvez, tenha escutado os dois concertos apenas duas vezes. Trata-se de concertos que dialogam com a forma clássica, mas já respiram uma atmosfera intimista e de tépida melancolia. A linguagem que Field utiliza nos dois concertos se afasta do virtuosismo tão característico do século XIX. Não possuem o aspecto caudaloso e vulcânico de Liszt ou a densidade com forte dicção filosófica de Beethoven.

É uma música que exige atenção para ser percebida. É elegante. Sofisticada. Pouco preocupada com maneirismos. É leve. As frases e as insinuações parecem desaparecer facilmente. Field queria que sua música soasse poética por si só sem afetações ou técnicas exageradas. Talvez, tenha sido por isso que não alcançou o sucesso que os seus pares ostentarem em seu tempo – embora, não tenha sido um compositor irrelevante.

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

John Field (1782-1837) - 

01 Piano Concerto No. 2 in A-flat major, H. 31 - I. Allegro moderato
02 Piano Concerto No. 2 in A-flat major, H. 31 - II. Poco adagio
03 Piano Concerto No. 2 in A-flat major, H. 31 - III. Moderato innocente
04 Piano Concerto No. 3 in E-flat major, H. 32 - I. Allegro moderato
05 Piano Concerto No. 3 in E-flat major, H. 32 - II. Cantabile
06 Piano Concerto No. 3 in E-flat major, H. 32 - III. Rondo. Tempo di polacca

Concerto Köln
Andreas Staier, pianoforte
David Stern, regente

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terça-feira, 26 de maio de 2026

Richard Wagner (1813-1883) - Overtures and Preludes


 Afirmar que Wagner tenha sido um dos compositores mais importantes do século XIX é um baita de um lugar comum. Gosto de sua música. Não sou obrigado a admirar “o homem Wagner”, que era uma criatura preconceituosa e de trato complicado. Sua música era ambiciosa. Procurava fundir drama, psicologia, poesia, filosofia, mitologia em um único conjunto.

Wagner revolucionou a música, pois apontava para uma ambição: seu objetivo era transformar a concepção do que se considerava música até aquele momento. Podemos enxergá-lo por meio daquilo que escreveu. As formações orquestrais eram gigantescas. Ele não se preocupava sobre como a orquestra e os músicos executariam aquilo que ele pensou e escreveu. É preciso estar preparado para ouvir Wagner. Ao ouvi-lo, sabemos que a intenção de sua música é exprimir os sentimentos que não existem na terra.

As aberturas e prelúdios de suas óperas divergem das aberturas tradicionais, porquanto já entrega e evoca estados grandiosos, repletos de reflexões densas, repletas de ideais. São verdadeiras obras-primas. Frequentemente são executadas em salas de concertos por sintetizarem grandes reflexões filosóficas e psicológicas. Essas aberturas preparam o ouvinte para uma jornada. Um exemplo extraordinário é a abertura de “Tristão e Isolda”, que é um marco na história da música. Começa com o famoso "Acorde de Tristão", uma harmonia suspensa e sem resolução que simboliza o desejo eterno e a paixão dolorosa.  

Ou a abertura hipnótica de “Lohengrin”, que é uma meditação de beleza rara e etérea sobre o Santo Graal, começando nos violinos agudos e aumentando em volume e grandiosidade antes de suavizar novamente.

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!

Richard Wagner (1813-1883) - 

01. Bamberg Symphony Orchestra - Die Meistersinger von Nürnberg, WWV 96_ Overture
02. Anonymous - Lohengrin, WWV 75, Act I_ Prelude - Act III_ Prelude - Bridal Chorus
03. Bamberg Symphony Orchestra - Tannhäuser, WWV 70_ Overture
04. Bamberg Symphony Orchestra - Tristan und Isolde, WWV 90_ Overture
05. Luxembourg Radio Orchestra - Das Liebesverbot, WWV 38_ Overture
06. Hamburg Symphony Orchestra - Die Feen, WWV 32_ Overture

Bamberg Symphony Orchestra
Heirinch Hollreiser, regente
Hans Swarowsky, regente
Luxembourg Radio Orchestra
Hamburg Symphony Orchestra

Alois Springer, regente 

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segunda-feira, 25 de maio de 2026

Johannes Brahms (1833-1897) - Tragische Ouverture d-Moll, Op. 81 e Symphonie Nr. 4 in e-Moll, Op. 98



Brahms é um dos meus compositores indispensáveis. Tudo o que ele escreveu possui um aspecto arrojado, de uma intencionalidade desconcertante, de uma consciência crítica que impressiona. Seu aspecto reservado era uma característica que salta de sua música. Brahms era um continuador da tradição da música absoluta. Seu intento era honrar os nomes da tradição musical. Quando escrevia, procurava seguir aquilo que Bach, Haydn, Mozart e Beethoven haviam iniciado. Fugia das inovações wagnerianas; da megalomania. Procurava sugerir mais do que romper, embora não dispensasse a crítica sutil.

A “Tragische Ouvertüre” deixa isso evidente desde os primeiros compassos. Não há ali a teatralidade explosiva da ópera wagneriana nem a tentativa de construir personagens ou narrativas explícitas. A tragédia, em Brahms, é interiorizada. Diferentemente do romantismo mais expansivo, Brahms evita o excesso sentimental. Sua dor não transborda; ela se disciplina; transgride sem alardes.

Essa estética da contenção atinge sua forma mais radical na Quarta Sinfonia. Escrita em 1885, a obra frequentemente soa como uma reflexão sobre o esgotamento da grande tradição sinfônica germânica. O primeiro movimento alterna lirismo e fatalismo com impressionante equilíbrio; o segundo assume um caráter quase arcaico; o terceiro rompe momentaneamente a atmosfera sombria com uma energia impetuosa, quase dionisíaca. Mas é no quarto movimento que Brahms realiza um de seus gestos mais extraordinários.

Ao concluir a sinfonia com uma “passacaglia” - forma barroca baseada na repetição obstinada de um tema - Brahms recorre deliberadamente ao passado. Não se trata, contudo, de um exercício arqueológico. O uso dessa forma antiga adquire significado filosófico: a repetição deixa de ser apenas técnica composicional e se transforma em expressão de destino. Em vez de uma conclusão triunfal, típica da tradição romântica heroica, a Quarta Sinfonia oferece uma sensação de lucidez amarga. A música avança sem prometer redenção.

Nesse aspecto, Brahms parece dialogar com o clima intelectual pessimista do fim do século XIX, marcado pela influência de Arthur Schopenhauer e pela crescente percepção de decadência da cultura europeia. Sua música não possui o heroísmo afirmativo de Beethoven nem o impulso revolucionário de Wagner. Existe nela uma consciência histórica aguda: a percepção de que a tradição ainda sobrevive, mas já carrega em si sinais de fragilidade.

Não deixe de ouvir essa excelente versão com Kurt Sanderling. Uma boa apreciação!

Johannes Brahms (1833-1897) - 

01 - Brahms Tragische Ouvert¨¹re d-Moll, Op. 81
02 - Brahms Symphonie Nr. 4 in e-Moll, Op. 98 - I. Allegro non troppo
03 - Brahms Symphonie Nr. 4 in e-Moll, Op. 98 - II. Andante moderato
04 - Brahms Symphonie Nr. 4 in e-Moll, Op. 98 - III. Allegro giocoso ¨C Poco meno...
05 - Brahms Symphonie Nr. 4 in e-Moll, Op. 98 - IV. Allegro energico e passionato...

Swedish Radio Symphony Orchestra
Kurt Sanderling, regente 

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domingo, 24 de maio de 2026

Johann Sebastian Bach (1685-1750) - Matthaus Passion, BWV 244

 

Composta para a sexta-feira santa de 1727, executada na Igreja de São Tomás de Leipzig da qual Bach era o diretor musical, desde sempre essa “Paixão” foi planejada como algo importante. Já comentamos que Bach teve, por bom tempo, que compor cantatas semanais para a igreja. A “Paixão” se diferencia de todas elas não comente pela duração maior, mas pela ambição maior. Índice melhor disso é sua instrumentação: oito solistas vocais, dois coros, órgão e DUAS orquestras. A obra é grande por design.

Mais exemplos: lembram quando falei da estrutura básica da cantata bachiana, com seu esquema coro-ária-recitativo-coral? Ela está presente aqui, mas em grande escala e com vários twists. Bach aqui brinca de fundir seus moldes, criando compósitos incrivelmente expressivos. Vejam só: a obra já inicia LOGO DE CARA com dois coros sobrepostos a um coral, em que comentários poéticos de Picander são cantados em antífonas, e um hino luterano é cantado por um terceiro coro, ao mesmo tempo. É eletrizante! Funciona como se Bach mostrasse suas credenciais, desse um roundhouse kick e dissesse: “agora o BICHO VAI PEGAR!”.

E pegou mesmo! Seguem a esse coro-coro-coral absurdo mais 67 números de arrepiar os cabelos, em duas grandes partes (1-29, 30-68). É um desfile de momentos de beleza e profundidade inacreditáveis, que não somente contam a história do martírio de Jesus, mas despertam reflexões muito além de qualquer religião.

São cerca de duas horas e meia de música e é até difícil listar minhas partes favoritas. Em geral gosto dos coros (ah, os de abertura e fim de obra!), e das fusões, como o duo/coral do número 27, o recitativo/coro/ária/coro dos números 19-20 ou o recitativo/coro do número 67, o penúltimo. Várias árias ficaram imensamente célebres, como a de número 39, para voz de contralto (e violino obbligato); a de número 35, para tenor (e violoncelo obbligato); e especialmente a de número 65, para baixo, um dos supremos exemplos de alegria triste (ou tristeza alegre?) da história da música.

E pensar que tal monumento tenha passado quase 100 anos na obscuridade? Bach certamente promoveu mais uma ou duas audições da “Paixão” depois da estreia, mas depois disso a obra sumiu. Foi resgatada em 1829 por Mendelssohn e, aí sim, nunca mais deixou de ser reverenciada – universalmente, por músicos e plateia, cristãos e ateus, são-paulinos e corintianos…

Daqui 

Johann Sebastian Bach (1685-1750) - 

DISCO 01

01. First Part: Kommt, Ihr Tochter, Helft Mir Klagen   
02.  First Part. Recitative: Da Jesus Diese Rede   
03.  First Part. Chorale: Herzliebster Jesu   
04.  First Part. Recitative: Da Versammelten Sich   
05.  First Part: Ja Nicht Auf Das Fest/Recitative: Da Nun Jesus War Zu Bethanien   
06.  First Part: Wozu Dienet Dieser Unrath/Recitative: Da Das Jesus Merkete   
07.  First Part. Recitative: Du Lieber Heiland Du   
08.  First Part. Arie: Buss Und Reu   
09.  First Part. Recitative: Da Ging Hin Der Zwolfen Einer   
10.  First Part. Arie: Blute Nur, Du Liebes Herz   
11.  First Part. Recitative: Aber Am Ersten Tag Der Sussen Brod/Wo Willst Du, Dass Wir Dir Bereiten   
12.  First Part. Recitative: Gehet Hin In Die Stadt Zu Einem/Recitative: Und Sie Wurden Sehr Betrubt..."   
13.  First Part. Chorale: Ich Bin's, Ich Sollte Bussen   
14.  First Part. Recitative: Er Antwortete Und Sprach   
15.  First Part. Recitative: Wiewohl Mein Herz In Thranen Schwimmt   
16.  First Part. Arie: Ich Will Dir Mein Herze Schenken   
17.  First Part. Recitative: Und Da Sie Den Lobgesang Gesprochen Hatten   
18.  First Part. Chorale: Erkenne Mich, Mein Huter   
19.  First Part. Recitative: Petrus Aber Antwortete   
20.  First Part. Chorale: Ich Will Hier Bei Dir Stehen   
21.  First Part. Recitative: Da Kam Jesus Mit Ihnen Zu Einem Hofe   
22.  First Part. Recitative: O Schmerz!"  
23.  First Part. Arie: Ich Will Bei Meinem Jesu Wachen   
24.  First Part. Recitative: Und Ging Hin Ein Wenig   
25.  First Part. Recitative: Der Heiland Fallt Vor Seinem Vater Nieder  
26.  First Part. Arie: Gerne Will Ich Mich Bequemen   
27.  First Part. Recitative: Und Er Kam Zu Seinen Jungern   
28.  First Part. Chorale: Was Mein Gott Will  
29.  First Part. Recitative: Und Er Kam Und Fand Sie Aber Schlafend  

DISCO 02

01.  Second Part: So Ist Mein Jesus Nun Gefangen   
02.  Second Part: Und Siehe, Einer Von Denen   
03.  Second Part: O Mensch, Bewein Dein Sunde Gross   
04.  Second Part: Ach Nun Ist Mein Jesus Hin   
05.  Second Part: Die Aber Jesum Gegriffen Hatten   
06.  Second Part: Mir Hat Die Welt Truglich Gericht   
07.  Second Part: Mein Jesus Schweigt Zu Falschen Lugen   
08.  Second Part: Gedult!"   
09.  Second Part: Und Der Hohepriester Antwortete   
10.  Second Part: Da Speieten Sie Aus   
11.  Second Part: Wer Hat Dich So Geschlagen   
12.  Second Part: Petrus Aber Sass Draussen Im Palast   
13.  Second Part: Erbarme Dich, Mein Gott   
14.  Second Part: Bin Ich Gleich Von Dir Gewichen   
15.  Second Part: Des Morgens Aber   
16.  Second Part: Gebt Mir Meinen Jesum Wieder   
17.  Second Part: Sie Aber Hielten Einen Rat   
18.  Second Part: Befiel Du Deine Wege   
19.  Second Part: Auf Das Fest  
20.  Second Part: Wie Wunderbarlich Ist Doch Diese Strafe   
21.  Second Part: Der Landpfleger Sagte   
22.  Second Part: Er Hat Uns Allen Wohlgetan
23. Second Part: Aus Liebe Will Mein Heiland Sterben   

DISCO 03

01.  Third Part: Sie Aber Schrieen Noch Mehr   
02.  Third Part: Erbarm Es Gott   
03.  Third Part: Konnen Tranen Meiner Wangen   
04.  Third Part: Da Nahmen Die Kriegsknechte   
05.  Third Part: O Haupt Voll Blut Und Wunden   
06.  Third Part: Und Da Sie Ihn Verspottet Hatten   
07.  Third Part: Ja! Freilich Will In Uns Das Fleisch Und Blut   
08.  Third Part: Komm, Susses Kreuz, So Will Ich Sagen   
09.  Third Part: Und Als Sie An Die Statte Kamen   
10.  Third Part: Desgleichen Schmaheten Ihn Auch Die Morder   
11.  Third Part: Ach Golgatha, Unsel'ges Golgatha!   
12.  Third Part: Sehet, Jesus Hat Die Hand   
13.  Third Part: Und Von Der Sechsten Stunde An   
14.  Third Part: Wenn Ich Einmal Soll Scheiden   
15.  Third Part: Und Siehe Da   
16.  Third Part: Am Abend, Da Es Kuhle War   
17.  Third Part: Mach Dich Mein Herze Frei   
18.  Third Part: Und Joseph Nahm Den Leib   
19.  Third Part: Nun Ist Der Herr Zur Ruh Gebracht
20.  Third Part: Wir Setzen Uns Mit Tranen Nieder

Großer Chor des Berliner Rundfunks 
The Boys’ Chor der St. Hedwigs-Kathedrale Berlin
Runfunk-Sinfonieorchester Berlin 

Fritz Lehmann, regente 

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sábado, 23 de maio de 2026

Jazz - Randy Weston Trio - Jazz a la Bohemia (1956)

 

"Jazz à la Bohemia (1956), do Randy Weston Trio, é um registro histórico que captura com rara intensidade a energia vibrante do jazz dos anos 1950, ao mesmo tempo em que evidencia a voz composicional singular e o refinado senso rítmico de Randy Weston. Gravado ao vivo no lendário Café Bohemia, em Nova York, o álbum transmite toda a espontaneidade e a eletricidade de uma apresentação em clube intimista, onde cada frase musical parece nascer no instante da execução, equilibrando virtuosismo técnico e criatividade lúdica.

Ao piano, Weston funde blues, bebop e ritmos de inspiração africana, construindo uma base harmônica rica e profundamente pessoal. Ao seu lado, Sam Gill, no contrabaixo, e Art Blakey, na bateria, oferecem um acompanhamento pulsante e altamente interativo, impulsionando a música com energia constante e extraordinária coesão. O repertório alterna composições originais de grande balanço com releituras inventivas de standards, revelando tanto a precisão coletiva do trio quanto a expressividade individual de cada músico.

A atmosfera é simultaneamente íntima e explosiva, permitindo ao ouvinte sentir de perto o entusiasmo do público e a inventividade instantânea dos intérpretes. Jazz à la Bohemia permanece como um exemplo atemporal do esplendor do jazz de meados do século XX — uma celebração da performance ao vivo, do diálogo musical e da alegria inerente à exploração criativa".

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

01. Theme: Solemn Meditation
02. Just A Riff
03. You Go To My Head
04. Once In A While
05. Hold 'Em Joe
06. It's All Right With Me
07. Chessman's Delight
08. Theme: Solemn Meditation

Randy Weston - piano
Cecil Payne - baritone saxophone
Ahmed Abdul-Malik - bass
Wilbert Hogan - drums  

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Claude Debussy (1862-1918) - Violin Sonata, Cello Sonata, Piano Trio etc

 

"As obras reunidas neste CD pertencem tanto ao início quanto ao período final da trajetória criativa de Debussy e, por isso mesmo, revelam um compositor distante da imagem impressionista com a qual seu nome costuma ser associado. O Trio para Piano em Sol maior é uma obra de exuberante romantismo, em que ressoam ecos de Schumann e Franck. Já as sonatas para violoncelo e para violino integram o projeto das seis sonatas iniciado por Debussy em 1915, interrompido prematuramente por sua morte, em 1918 - apenas três chegaram a ser concluídas. Nessas partituras, a escrita se torna mais transparente, com acentos neoclássicos e, por vezes, uma mordacidade rítmica e humorística que remete a Stravinsky. Os intérpretes deste álbum - Federico Guglielmo, Luigi Puxeddu e Jolanda Violante — construíram sua reputação sobretudo no repertório de música antiga, o que confere a estas leituras uma abordagem arejada, espontânea e cheia de vitalidade. Como complemento, o disco inclui arranjos de peças célebres como Rêverie, Arabesque, Minstrels e La fille aux cheveux de lin, além de duas miniaturas juvenis para violoncelo e piano.

O vibrante Trio para Piano em Sol maior desperta imagens de renovação e de paisagens primaveris: riachos cintilantes, flores silvestres e relva coberta de orvalho. Sob o patrocínio de Madame von Meck — célebre mecenas também de Tchaikovsky —, Debussy compôs essa obra promissora e luminosa durante o verão de 1880. Aos dezessete anos, sua voz autoral ainda se formava, e a influência de Franck, Schumann e Brahms se faz perceptível na textura, na arquitetura e na intenção musical. Ainda assim, já emergem traços de charme, leveza e espírito inventivo, enquanto o Finale se afirma com ousadia e vigor. O Trio Stradivari interpreta a peça com calor e delicadeza, construindo um diálogo luminoso de emoções. Essa abordagem flexível e cantabile se evidencia particularmente no uso do pizzicato no segundo movimento, um scherzo-intermezzo de refinada elegância.

Debussy acreditava ser dever do compositor “encontrar a fórmula sinfônica adequada ao seu tempo, aquela exigida pelo progresso, pela audácia e pela vitória da modernidade”, acrescentando com ironia que “o século dos aviões tinha direito à sua própria música”. Escrita nos últimos anos de sua vida, a Sonata para Violino, permeada por discretas reminiscências de Couperin, resgata a essência do barroco francês sob uma linguagem ao mesmo tempo fresca e radicalmente moderna. A interpretação apresentada aqui revela grande sensibilidade, expondo a atmosfera expansiva da obra, seus contrastes cintilantes e sua agilidade expressiva. Abalado pelo impasse sangrento da guerra e atormentado pela doença, Debussy iniciou a sonata em 1916 e só a concluiu no ano seguinte. Ao estreá-la, confessou, exasperado: “Escrevi esta sonata apenas para me livrar dela, pressionado pelo meu querido editor.” Em seguida, porém, ofereceu uma observação mais reveladora: “Esta sonata terá interesse documental como exemplo do que um homem doente pode produzir em tempos de guerra.” Apesar disso, o humor travesso do Intermède e a construção dramática do Finale revelam uma vontade obstinada de permanecer vital, recusando-se a sucumbir à fraqueza ou ao desalento. A obra se torna, assim, um testemunho do espírito combativo de Debussy, em que beleza e pathos atravessam até os trechos mais concisos. O Trio Stradivari aborda essa música com inteligência e compreensão profundas.

A Sonata para Violoncelo, composta em 1915, tinha inicialmente o sugestivo título Pierrot fait fou avec la lune. A referência provavelmente remete ao poema de Albert Giraud que inspirou o Pierrot Lunaire de Schoenberg, escrito três anos antes. O final do século XIX e o início do XX testemunharam, aliás, um renovado fascínio pelas figuras da commedia dell’arte, especialmente Pierrot. Talvez melhor descrita como “um raio de luar aprisionado numa bela garrafa da Boêmia”, nas palavras de Giraud, a sonata reúne uma profusão de elementos interligados: fragmentos líricos agudos que evocam o falsete masculino, mudanças abruptas de andamento, rubatos exagerados, justaposições tonais inesperadas e uma recusa deliberada da regularidade métrica - tudo isso contido dentro de uma forma clássica. Luigi Puxeddu oferece aqui uma interpretação colorida e evocativa.

As peças restantes confirmam a convicção de Debussy de que era preciso “buscar uma disciplina dentro da liberdade” e não se deixar governar por fórmulas oriundas de “filosofias decadentes”, destinadas, segundo ele, “aos espíritos fracos”. Obras como Minstrels e a Première Arabesque, com seus ritmos quase jazzísticos e arpejos fluidos, recebem interpretações vigorosas e límpidas desses músicos consumados. Em perfeita sintonia, os três intérpretes articulam delicadamente contraste, continuidade e refinamento tímbrico. O romantismo impetuoso de Puxeddu reverbera no Intermezzo L27, acompanhado com inteligência e sensibilidade por Jolanda Violante, enquanto o Scherzo L26 surge como uma escapada leve, espirituosa e irreverente.

Este é um CD que celebra a impressionante diversidade da personalidade musical de Debussy. Mais do que uma coletânea de obras, oferece um retrato amplo de suas influências, de seu humor e de suas estratégias composicionais. A gravação desafia a visão limitada de Debussy como compositor exclusivamente impressionista e, ao fazê-lo, o Trio Stradivari revela uma imagem mais rica e complexa de sua música - das emoções que o moviam às técnicas que utilizava para traduzi-las em som. Peças familiares como La fille aux cheveux de lin e a Première Arabesque reaparecem aqui com frescor e espontaneidade renovados. Entre os excelentes músicos reunidos, Federico Guglielmo destaca-se como um intérprete particularmente inventivo e poeticamente cativante".

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Claude Debussy (1862-1918) - 

01. Piano Trio in G major, L3 - I. Andantino con moto allegro (09:04)
02. Piano Trio in G major, L3 - II. Scherzo-Intermezzo: Moderato con allegro (03:30)
03. Piano Trio in G major, L3 - III. Andante espressivo (03:55)
04. Piano Trio in G major, L3 - IV. Finale: Appassionato (05:27)
05. Violin Sonata in G minor, L140 - I. Allegro vivo (05:28)
06. Violin Sonata in G minor, L140 - II. Intermede: Fantasque et leger (04:14)
07. Violin Sonata in G minor, L140 - III. Finale: Tres anime (04:32)
08. Cello Sonata in D minor, L135 - I. Prologue: Lent, sostenuto e molto risoluto (04:42)
09. Cello Sonata in D minor, L135 - II. Serenade: Moderement anime (03:32)
10. Cello Sonata in D minor, L135 - III. Final: Anime, leger et nerveux (03:38)
11. Intermezzo for cello and piano, L27 (05:29)
12. Scherzo for cello and piano, L26 (05:24)
13. Minstrels for violin and piano (Preludes L117, No.12) (02:23)
14. La fille aux cheveux de lin for violin and piano (Preludes L117, No.8) (02:36)
15. Premiere arabesque for violin and piano, L66 (04:57)
16. Romance for cello and piano, L79 No.1 (02:09)
17. Reverie for cello and piano, L68 (04:38)

Trio Stradivari
Federico Guglielmo, violino
Luigi Puxeddu, violoncelo
Jolanda Violante, piano 

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sexta-feira, 22 de maio de 2026

Joseph Haydn (1732-1809) - Symphonies 88-92, Sinfonia Concertante

"Este CD, gravado ao vivo, provoca um raro sentimento de encantamento e surpresa. As sinfonias reunidas aqui figuram entre as maiores realizações de Haydn. Compostas entre 1788 e 1789, revelam toda a extensão de sua maestria técnica, inventividade inspirada e extraordinária amplitude emocional. No auge de sua maturidade criativa, o compositor experimenta novas formas, ousadas modulações e mudanças tonais, além de impressionantes contrastes de atmosfera e caráter.

Uma de suas marcas mais reconhecíveis é a alternância entre a serenidade dos tons maiores e a melancolia dos menores, sobretudo em suas variações. Mas as surpresas surgem a todo instante: a solenidade cede lugar à leveza espirituosa, a elegância ao sabor rústico, a tragédia a um humor travesso e irreverente. As célebres brincadeiras musicais de Haydn - como o golpe repentino dos tímpanos na Sinfonia “Surpresa” - tornaram-se lendárias. Já na Sinfonia nº 90, ele talvez leve esse espírito ao extremo: apresenta não um, mas dois falsos finais de efeito conclusivo, arrancando aplausos prematuros seguidos de risos constrangidos quando a música inesperadamente prossegue.

Simon Rattle explora esse momento com evidente prazer, registrando na gravação tanto os aplausos quanto a reação divertida da plateia, antes de repetir o movimento sem interrupções. Seu amor pela música transparece em cada compasso, acompanhado por uma orquestra que responde com absoluto comprometimento. A execução é brilhante e cristalina, o equilíbrio sonoro impecável, e o fraseado possui a naturalidade e a fluidez da fala humana.

Para valorizar ainda mais seus principais instrumentistas, Rattle inclui a encantadora Sinfonia concertante, cujas partes solistas para violino, violoncelo, oboé e fagote são de tal dificuldade que apenas músicos de excelência se atrevem a enfrentá-las. A interpretação é soberba, embora o violino soe um pouco distante na gravação. A captação sonora também acentua a tendência de Rattle a explorar extremos dinâmicos - convém manter o controle de volume à mão".

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!  

Joseph Haydn (1732-1809) - 

DISCO 01

Symphony No. 88 in G major
01. 1. Adagio - Allegro
02. 2. Largo
03. 3. Menuetto: Allegretto - Trio
04. 4. Finale: Allegro con spirito

Symphony No. 89 in F major
05. 1. Vivace
06. 2. Andante con moto
07. 3. Menuetto: Allegretto - Trio
08. 4. Finale: Vivace assai

Symphony No. 90 in C major
09. 1. Adagio - Allegro
10. 2. Andante
11. 3. Menuetto: Allegretto - Trio
12. 4. Finale Allegro assai
13. 4. Finale Allegro assai (alternate version)

DISCO 02

Symphony No. 91 in E flat major
01. 1. Largo - Allegro assai
02. 2. Andante
03. 3. Menuetto: un pocp allegretto - Trio
04. 4. Finale: Vivace

Symphony No. 92 in G major 'Oxford'
05. 1. Adagio - Allegro
06. 2. Adagio
07. 3. Menuetto: Allegretto - Trio
08. 4. Finale: Presto

Sinfonia Concertante in B flat major, Op. 84, Hob. I / 105

09. 1. Allegro
10. 2. Andante
11. 3. Allegro con spirito

Berliner Philharmoniker
Simon Rattle, regente 

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