domingo, 16 de agosto de 2026

Anton Bruckner (1824-1896) - Symphony No. 1 in C Minor, WAB 101, Symphony No. 2 in C Minor, WAB 102, Symphony No. 3 in D Minor, WAB 103 e Symphony No. 4 in E-Flat Major, WAB 104 - "Romantic" (CDs 1, 2, 3 e 4 de 9)

 

Já confessei a minha profunda admiração pelas sinfonias de Anton Bruckner. Preciso - sempre - voltar a elas. Absorver aquelas altas insinuações espirituais, as expectativas, as caudalosas tensões que se estruturam numa força que é ao mesmo tempo pesada e delicada. As sinfonias de Bruckner possui a energia disciplinada dos mosteiros; o poder silencioso das montanhas. 

Nem sempre foi assim: houve um tempo em que eu não conseguia ouvir o compositor austríaco.  Julgava-o maçante, enfadonho, repetitivo. Ainda que temos a oportunidade de repensar as nossas ações, de refletir sobre os nossos desatinos. Mudei minha maneira de pensar e, hoje, a música de Bruckner se tornou um deleite. 

Sempre que volto ao compositor, sei de tudo o que vai acontecer; mas é como se eu o escutasse pela primeira vez. É uma experiência com significações espirituais. Bruckner é daqueles compositores que não admitimos na primeira audição. Sua música é para os já iniciados. Tudo isso pelo fato de ele exigir atenção, esforço, disciplina. O prêmio tem o poder de uma contemplação. Com Bruckner, podemos perceber do que a humanidade é capaz. 

Este material que será postado em duas oportunidades é de primeira. A interpretação da Segunda - com o Riccardo Muti - ficou poderosa. Uma boa apreciação!

Anton Bruckner (1824-1896) - 

DISCO 01

01 - Symphony No. 1 in C Minor, WAB 101 (1877 Rev. Linz Version, Ed. Nowak)_ I. Allegro
02 - Symphony No. 1 in C Minor, WAB 101 (1877 Rev. Linz Version, Ed. Nowak)_ II. Adagio
03 - Symphony No. 1 in C Minor, WAB 101 (1877 Rev. Linz Version, Ed. Nowak)_ III. Scherzo.
04 - Symphony No. 1 in C Minor, WAB 101 (1877 Rev. Linz Version, Ed. Nowak)_ IV. Finale.

DISCO 02

01 - Symphony No. 2 in C Minor, WAB 102 (1872_77 Versions, Ed. Nowak)_ I. Moderato
02 - Symphony No. 2 in C Minor, WAB 102 (1872_77 Versions, Ed. Nowak)_ II. Andante. Feierlich, etwas bewegt
03 - Symphony No. 2 in C Minor, WAB 102 (1872_77 Versions, Ed. Nowak)_ III. Scherzo. Mässig schnell
04 - Symphony No. 2 in C Minor, WAB 102 (1872_77 Versions, Ed. Nowak)_ IV. Finale. Mehr schnell

DISCO 03

01 - Symphony No. 3 in D Minor, WAB 103_ I. Gemäßigt, mehr bewegt, misterioso
02 - Symphony No. 3 in D Minor, WAB 103_ II. Adagio. Bewegt, quasi andante
03 - Symphony No. 3 in D Minor, WAB 103_ III. Scherzo. Ziemlich schnell
04 - Symphony No. 3 in D Minor, WAB 103_ IV. Finale. Allegro

DISCO 04

01 - Symphony No. 4 in E-Flat Major, WAB 104 _Romantic_ (1878_80 Version, Ed. Nowak)_ I. Bewegt, nicht zu schnell
02 - Symphony No. 4 in E-Flat Major, WAB 104 _Romantic_ (1878_80 Version, Ed. Nowak)_ II. Andante quasi allegretto
03 - Symphony No. 4 in E-Flat Major, WAB 104 _Romantic_ (1878_80 Version, Ed. Nowak)_ III. Scherzo. Bewegt -
04 - Symphony No. 4 in E-Flat Major, WAB 104 _Romantic_ (1878_80 Version, Ed. Nowak)_ IV. Finale. Bewegt,

Wiener Philharmoniker
Claudio Abbado, regente (Symphonie # 1)
Riccardo Muti, regente (Symphonie # 2)
Bernard Haitink, regente (Symphonie # 3)
Karl Böhm, regente (Symphonie # 4)  

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sábado, 15 de agosto de 2026

Wolfgang Amadeus Mozart (175-1791) - Requiem, K. 626 e Mass in C Minor, K. 427 - "Great Mass"

"O maestro Yannick Nézet-Séguin reúne um elenco de primeira grandeza em seu novo álbum dedicado a duas das mais monumentais criações sacras de Wolfgang Amadeus Mozart: o Réquiem, K. 626, e a Grande Missa em Dó menor, K. 427. Gravado ao vivo no Festspielhaus Baden-Baden, durante o verão europeu de 2025, o lançamento reafirma a estreita relação do regente canadense com o universo mozartiano e oferece uma leitura de intensa força dramática e profunda espiritualidade.

Acompanhado por um quarteto de solistas formado pela soprano Ying Fang, a mezzo-soprano Emily D’Angelo, o tenor Stanislas de Barbeyrac e o barítono Michael Volle, Nézet-Séguin conta ainda com a excelência do RIAS Kammerchor e da Chamber Orchestra of Europe, dois conjuntos que figuram entre os mais prestigiados da cena musical europeia. A reunião desses intérpretes resulta em performances marcadas pelo equilíbrio entre precisão estilística, refinamento sonoro e expressividade.

O programa aproxima duas obras que ocupam posição singular na produção de Mozart. Inacabado e cercado por uma aura quase mítica, o Réquiem permanece como uma das partituras mais comoventes da história da música sacra, enquanto a Grande Missa em Dó menor revela um Mozart no auge de sua maturidade criativa, combinando a grandiosidade da tradição litúrgica com uma escrita coral e orquestral de extraordinária inventividade.

Sob a direção de Nézet-Séguin, ambas as obras são apresentadas como grandes dramas espirituais. O maestro evidencia tanto a intensidade emocional quanto a luminosidade que atravessam essas páginas, valorizando os contrastes entre contemplação e exaltação, entre a solenidade litúrgica e a humanidade profundamente comovente que caracteriza a linguagem do compositor.

A riqueza de detalhes da interpretação, aliada a uma concepção musical cuidadosamente elaborada, confere ao álbum uma identidade própria dentro da vasta discografia mozartiana. Longe de buscar efeitos grandiosos ou leituras excessivamente monumentais, Nézet-Séguin privilegia a clareza das texturas, a fluidez do discurso e a força expressiva do texto litúrgico, permitindo que a arquitetura das obras se revele com naturalidade.

Mais do que um novo registro de duas obras-primas amplamente conhecidas, este lançamento representa uma reflexão renovada sobre a dimensão humana e espiritual da música de Mozart. Graças à excelência do elenco, à qualidade dos conjuntos envolvidos e à visão artística de Yannick Nézet-Séguin, o álbum afirma-se como uma contribuição significativa à discografia do compositor, oferecendo uma interpretação que alia profundidade, beleza e intensa comunicação emocional".

Uma boa apreciação! 

Wolfgang Amadeus Mozart (175-1791) - 

01 Mozart_ Requiem, K. 626 (Compl. & Ed. Ostryzyga)_ I. Introitus. Requiem aeternam
02 Mozart_ Requiem, K. 626 (Compl. & Ed. Ostryzyga)_ II. Kyrie
03 Mozart_ Requiem, K. 626 (Compl. & Ed. Ostryzyga)_ III. Sequentia_ No. 1, Dies irae
04 Mozart_ Requiem, K. 626 (Compl. & Ed. Ostryzyga)_ III. Sequentia_ No. 2, Tuba mirum
05 Mozart_ Requiem, K. 626 (Compl. & Ed. Ostryzyga)_ III. Sequentia_ No. 3, Rex tremendae
06 Mozart_ Requiem, K. 626 (Compl. & Ed. Ostryzyga)_ III. Sequentia_ No. 4, Recordare
07 Mozart_ Requiem, K. 626 (Compl. & Ed. Ostryzyga)_ III. Sequentia_ No. 5, Confutatis
08 Mozart_ Requiem, K. 626 (Compl. & Ed. Ostryzyga)_ III. Sequentia_ No. 6, Lacrimosa
09 Mozart_ Requiem, K. 626 (Compl. & Ed. Ostryzyga)_ III. Sequentia_ No. 7, Amen
10 Mozart_ Requiem, K. 626 (Compl. & Ed. Ostryzyga)_ IV. Offertorium_ No. 1, Domine Jesu
11 Mozart_ Requiem, K. 626 (Compl. & Ed. Ostryzyga)_ IV. Offertorium_ No. 2, Hostias
12 Mozart_ Requiem, K. 626 (Compl. & Ed. Ostryzyga)_ V. Sanctus
13 Mozart_ Requiem, K. 626 (Compl. & Ed. Ostryzyga)_ VI. Benedictus
14 Mozart_ Requiem, K. 626 (Compl. & Ed. Ostryzyga)_ VII. Agnus Dei
15 Mozart_ Requiem, K. 626 (Compl. & Ed. Ostryzyga)_ VIII. Communio. Lux aeterna
16 Mozart_ Mass in C Minor, K. 427 _Great Mass_ (Reconstr., Compl. & Ed. Leisinger)_ I. Kyrie
17 Mozart_ Mass in C Minor, K. 427 _Great Mass_ (Reconstr., Compl. & Ed. Leisinger)_ II. Gloria_ a. Gloria in excelsis Deo
18 Mozart_ Mass in C Minor, K. 427 _Great Mass_ (Reconstr., Compl. & Ed. Leisinger)_ II. Gloria_ b. Laudamus te
19 Mozart_ Mass in C Minor, K. 427 _Great Mass_ (Reconstr., Compl. & Ed. Leisinger)_ II. Gloria_ c. Gratias agimus tibi
20 Mozart_ Mass in C Minor, K. 427 _Great Mass_ (Reconstr., Compl. & Ed. Leisinger)_ II. Gloria_ d. Domine Deus
21 Mozart_ Mass in C Minor, K. 427 _Great Mass_ (Reconstr., Compl. & Ed. Leisinger)_ II. Gloria_ e. Qui tollis peccata mundi
22 Mozart_ Mass in C Minor, K. 427 _Great Mass_ (Reconstr., Compl. & Ed. Leisinger)_ II. Gloria_ f. Quoniam tu solus
23 Mozart_ Mass in C Minor, K. 427 _Great Mass_ (Reconstr., Compl. & Ed. Leisinger)_ II. Gloria_ g. Jesu Christe
24 Mozart_ Mass in C Minor, K. 427 _Great Mass_ (Reconstr., Compl. & Ed. Leisinger)_ II. Gloria_ h. Cum sancto spiritu
25 Mozart_ Mass in C Minor, K. 427 _Great Mass_ (Reconstr., Compl. & Ed. Leisinger)_ III. Credo_ a. Credo in unum Deum
26 Mozart_ Mass in C Minor, K. 427 _Great Mass_ (Reconstr., Compl. & Ed. Leisinger)_ III. Credo_ b. Et incarnatus est
27 Mozart_ Mass in C Minor, K. 427 _Great Mass_ (Reconstr., Compl. & Ed. Leisinger)_ IV. Sanctus_ a. Sanctus
28 Mozart_ Mass in C Minor, K. 427 _Great Mass_ (Reconstr., Compl. & Ed. Leisinger)_ IV. Sanctus_ b. Hosanna in excelsis
29 Mozart_ Mass in C Minor, K. 427 _Great Mass_ (Reconstr., Compl. & Ed. Leisinger)_ V. Benedictus_ a. Benedictus, qui venit
30 Mozart_ Mass in C Minor, K. 427 _Great Mass_ (Reconstr., Compl. & Ed. Leisinger)_ V. Benedictus_ b. Hosanna in excelsis

The Chamber Orchestra of Europe
Rias Kammerchor

Yannick Nézet-Ségui, regente 

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sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Claude Debussy (1862-1918) - La Mer e Images


Durante décadas, Claude Debussy foi apresentado como o grande representante do impressionismo musical. A classificação é conveniente, mas insuficiente. Em vez de simplesmente pintar paisagens sonoras ou reproduzir efeitos da natureza, Debussy transformou a própria linguagem da música. Suas obras não descrevem o mar, o vento ou a luz: elas se tornam esses fenômenos. É justamente essa ideia que atravessa o ensaio do musicólogo Harry Halbreich, dedicado sobretudo a La Mer e às Images pour orchestre, duas das maiores realizações sinfônicas do compositor.

Halbreich rejeita a visão de um Debussy preocupado apenas com a cor instrumental ou com atmosferas vagas. Para ele, a verdadeira inovação reside na arquitetura das obras. Embora a superfície pareça livre e espontânea, a estrutura é rigorosa e orgânica, crescendo como um organismo vivo. Diferentemente da forma clássica tradicional, construída por blocos bem definidos, Debussy faz sua música evoluir continuamente, sem rupturas bruscas, em um processo de permanente transformação temática. É essa lógica interna que explica por que sua música continua soando moderna mais de um século depois.

Essa concepção encontra uma de suas expressões máximas em La Mer (1903-1905). Longe de ser um poema sinfônico descritivo, a obra é apresentada por Halbreich como uma verdadeira sinfonia em três movimentos. De l'aube à midi sur la mer surge lentamente, como um oceano que desperta e cresce até alcançar um clímax monumental. Em Jeux de vagues, talvez a página mais refinada de toda a produção orquestral de Debussy, a música abandona qualquer ideia de narrativa para tornar-se movimento puro, um jogo incessante de ritmos, timbres e harmonias que jamais repousam. Finalmente, Dialogue du vent et de la mer reúne toda essa energia em um final de extraordinária potência dramática, onde vento, mar e orquestra parecem fundir-se numa única força.

Ainda mais ousadas são as Images pour orchestre, compostas entre 1905 e 1912. Debussy abandona qualquer exotismo superficial para criar três universos radicalmente distintos. Gigues evoca uma Escócia imaginária, permeada por melancolia e pelo timbre nostálgico do oboé d'amore. Ibéria, frequentemente considerada uma das maiores páginas da música francesa, recria uma Espanha inventada, feita não de citações folclóricas, mas de lembranças, perfumes, ritmos e luminosidades. Curiosamente, Debussy jamais havia visitado a Espanha quando escreveu grande parte da obra; sua Península Ibérica nasce da imaginação, confirmando sua célebre frase de que, quando não se pode viajar, resta viajar pela fantasia. O tríptico encerra-se com Rondes de printemps, celebração luminosa inspirada por antigas canções populares francesas, na qual a memória coletiva transforma-se em matéria sinfônica.

O ensaio também chama atenção para a extraordinária modernidade da orquestração debussiana. Em vez de utilizar os instrumentos apenas para reforçar melodias, Debussy transforma cada timbre em elemento estrutural da composição. Celesta, harpas, madeiras, cordas divididas e delicadas combinações de metais produzem cores inéditas, enquanto os ritmos e as harmonias se renovam constantemente. A orquestra deixa de ser apenas um veículo de potência sonora para converter-se em um laboratório de texturas e transparências.

As páginas finais do libreto apresentam ainda o maestro Emmanuel Krivine e a Orchestre Philharmonique du Luxembourg, responsáveis pela gravação. Krivine construiu uma carreira marcada tanto pelo grande repertório germânico quanto pela defesa da música francesa, característica que faz desta interpretação uma escolha particularmente feliz. Sob sua direção, a orquestra luxemburguesa alia precisão técnica, refinamento tímbrico e clareza estrutural, qualidades indispensáveis para revelar a riqueza da escrita de Debussy.

Mais do que um impressionista, Debussy emerge dessas obras como um dos grandes arquitetos da música moderna. Sua revolução não consistiu em romper com a tradição, mas em transformá-la a partir de dentro, substituindo a rigidez das formas pelo crescimento orgânico, pela contínua metamorfose dos temas e pela invenção de uma linguagem orquestral sem precedentes. La Mer e Images permanecem, ainda hoje, como algumas das mais fascinantes demonstrações de que a música pode sugerir infinitos mundos sem jamais precisar descrevê-los literalmente.

Uma boa apreciação! 

Claude Debussy (1862-1918) -

01 - La Mer, symphonic sketches (3) for orchestra, L. 109- 1. De l'aube à midi sur...
02 - La Mer, symphonic sketches (3) for orchestra, L. 109- 2. Jeux de vagues
03 - La Mer, symphonic sketches (3) for orchestra, L. 109- 3. Dialogue du vent et ...
04 - Images (3), for orchestra, L. 122- 1. Gigues
05 - Images (3), for orchestra, L. 122- 2. Iberia. Par les rues et par les chemins
06 - Images (3), for orchestra, L. 122- 2. Iberia. Les Parfums de la nuit
07 - Images (3), for orchestra, L. 122- 2. Iberia. Le Matin d'un jour de fête
08 - Images (3), for orchestra, L. 122- 3. Rondes de printemps

Orchestre Philharmonique du Luxemburg
Emmanuel Krivine, regente 

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quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Wofgang Amadeus Mozart (1756-1791) - The Prussian Quartets

"As últimas obras de Wolfgang Amadeus Mozart para quarteto de cordas — os célebres Quartetos “Prussianos” — figuram entre os pontos culminantes da música de câmara do século XVIII. Embora amplamente registrados em disco, poucos alcançam o nível de excelência desta gravação do Emerson String Quartet, uma interpretação que alia refinamento técnico, profundidade musical e uma notável qualidade de captação sonora.

Um dos primeiros aspectos a chamar a atenção é justamente a engenharia de som. Gravado no pouco conhecido LeFrak Hall, no Queens College, em Nova York, o álbum oferece uma experiência auditiva excepcional. A disposição dos instrumentos no campo estereofônico recria com impressionante naturalidade a sensação de um concerto ao vivo, permitindo ao ouvinte perceber a individualidade de cada voz sem comprometer a perfeita integração do conjunto. É uma gravação que privilegia tanto a transparência quanto a riqueza tímbrica da escrita mozartiana.

Essa clareza sonora evidencia uma das maiores virtudes do Emerson String Quartet: o extraordinário equilíbrio entre seus integrantes. A coesão do grupo permite que as complexas linhas contrapontísticas dessas obras se desenvolvam com absoluta naturalidade, revelando toda a sofisticação da linguagem do último Mozart.

A denominação “Prussianos” remete ao rei Frederico Guilherme II da Prússia, violoncelista amador e patrono das artes, que encomendou a Mozart um conjunto de seis quartetos. O compositor, entretanto, concluiu apenas três. Em atenção ao gosto do monarca, conferiu ao violoncelo uma participação muito mais destacada do que era habitual no gênero, transformando-o em protagonista de um elaborado tecido contrapontístico que caracteriza sua produção camerística tardia.

O Emerson String Quartet compreende plenamente essa concepção. A leitura valoriza a autonomia da linha do violoncelo sem romper o equilíbrio do conjunto, permitindo que a riqueza polifônica emerja com grande sutileza. A interpretação evidencia como Mozart ampliou as possibilidades expressivas do quarteto de cordas, aproximando-o de uma escrita quase orquestral pela densidade de suas vozes.

Os andamentos adotados são relativamente rápidos, privilegiando a energia e a intensidade dramática em detrimento de uma visão excessivamente contemplativa ou formalista. Um exemplo particularmente revelador encontra-se no Trio do Minueto do Quarteto em Fá maior, K. 590, em que o insistente movimento cromático do violoncelo cria uma atmosfera de inquietação que se dissolve, de maneira quase mágica, em uma cadência clássica de surpreendente serenidade. É um momento em que o Emerson alia precisão técnica e refinamento expressivo com rara naturalidade.

Apesar do vigor interpretativo, o quarteto jamais perde o controle do discurso musical. Cada frase é construída com clareza, equilíbrio e senso arquitetônico, enquanto a equipe de gravação acompanha de perto as intenções dos músicos, oferecendo uma reprodução sonora que valoriza todos os detalhes da execução.

O resultado é uma interpretação de extraordinária vitalidade, capaz de renovar a escuta de obras frequentemente gravadas e amplamente conhecidas. Entre excelência técnica, inteligência interpretativa e uma captação sonora exemplar, este registro do Emerson String Quartet firma-se como uma das grandes referências discográficas dos Quartetos “Prussianos”, demonstrando, uma vez mais, por que a música de câmara de Mozart continua a representar um dos pontos mais elevados da criação musical ocidental".

Uma boa apreciação! 

Wofgang Amadeus Mozart (1756-1791) - 

String Quartet In D Major K. 575
01. Allegretto 7:45
02. Andante 4:30
03. Menuetto. Allegretto - Trio 5:29
04. Allegretto 6:10

String Quartet In B-Flat Major K. 589
05. Allegro 6:38
06. Larghetto 6:23
07. Menuetto. Moderato - Trio 6:19
08. Allegro Assai 3:54

String Quartet In F Major K. 590
09. Allegro Moderato 8:59
10. Andante 7:28
11. Menuetto. Allegretto - Trio 4:06
12. Allegro 7:02

Emerson String Quartet 

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quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Carl Philipp Emanuel Bach (1714-1788) - Symphony in E minor, Wq 178 e Cello Concerto in A minor, Wq 170 e Johann Sebastian Bach (1685-1750) - Keyboard Concerto No.1 in D minor, BWV 1052 e Die Himmel erzählen die Ehre Gottes, BWV76 - Sinfonia

Neste notável álbum de estreia da Orfeus Barock Stockholm, conjunto sueco especializado em instrumentos de época, pai e filho dividem o programa em uma seleção que permite acompanhar uma das transformações mais fascinantes da linguagem musical ocidental: a passagem do barroco maduro para a estética sensível que abriria caminho ao classicismo. O resultado é um percurso que une tradição e inovação, tendo como protagonistas Johann Sebastian Bach e seu segundo filho, Carl Philipp Emanuel Bach.

A gravação abre com a Sinfonia em Mi menor, Wq 178, de Carl Philipp Emanuel, uma obra que sintetiza como poucas o chamado Empfindsamer Stil ("estilo sensível"). Publicada originalmente em 1759, a sinfonia impressionou seus contemporâneos pela intensidade dramática, pelas mudanças repentinas de caráter e pela ousadia harmônica. Diferentemente de muitos compositores de sua geração, C. P. E. Bach elimina interrupções entre os dois primeiros movimentos e constrói uma narrativa contínua, culminando em um final de extraordinária energia que antecipa procedimentos formais explorados apenas décadas depois.

Embora ainda conserve elementos herdados do barroco, a escrita orquestral já aponta para um novo horizonte. A expressividade ocupa o lugar da ornamentação, enquanto o contraste emocional passa a orientar o discurso musical. Não por acaso, o libreto destaca a influência que essas sinfonias exerceram sobre compositores como Haydn, Mozart e até o jovem Mendelssohn.

No centro do programa está o Concerto para Cravo em Ré menor, BWV 1052, uma das obras mais célebres de Johann Sebastian Bach. Longe de ser um concerto concebido de uma só vez, trata-se do resultado de um longo processo de reelaboração. Bach adaptou movimentos provenientes de cantatas compostas por volta de 1728, transformando introduções instrumentais e um coro em um concerto para teclado de impressionante unidade artística. Durante essa reconstrução, reescreveu profundamente a parte do solista, enriquecendo-a com novos ornamentos, contrapontos e uma escrita muito mais elaborada para a mão esquerda.

A interpretação de Luca Guglielmi, que também dirige o conjunto, recupera o espírito dessa obra sem tratá-la como um monumento intocável. O músico utiliza uma versão adaptada da célebre cadência escrita por Johannes Brahms para o último movimento, demonstrando como diferentes gerações continuaram dialogando criativamente com a música de Bach.

A segunda contribuição de Carl Philipp Emanuel é o Concerto para Violoncelo em Lá menor, Wq 170, composto em 1750, justamente o ano da morte de Johann Sebastian. O próprio libreto o descreve como uma obra profundamente pessoal, marcada por um caráter melancólico e por discretas referências à música do pai. Mais importante, porém, é sua impressionante modernidade. A retórica barroca ainda está presente, mas a busca por uma expressão mais intensa e dramática anuncia um novo tempo. O violoncelista Johannes Rostamo, diretor artístico da Orfeus Barock Stockholm, interpreta a obra com grande liberdade expressiva e chega a escrever sua própria cadência para o primeiro movimento, incorporando, de maneira surpreendente, referências ao grupo britânico Radiohead. O resultado não pretende ser uma provocação, mas uma demonstração de que a boa música continua capaz de dialogar com qualquer época.

Como delicado epílogo, o disco apresenta a Sinfonia da Cantata BWV 76, originalmente escrita para oboé d'amore, viola da gamba e contínuo, aqui recriada para violino, violoncelo e baixo contínuo. Segundo os intérpretes, trata-se de uma homenagem à amizade entre os músicos envolvidos na gravação, quase um bis oferecido ao ouvinte ao final do concerto.

A Orfeus Barock Stockholm nasceu em 2015 por iniciativa de integrantes da Royal Stockholm Philharmonic Orchestra apaixonados pela interpretação historicamente informada. Tocando instrumentos de época, o grupo procura equilibrar rigor musicológico e espontaneidade interpretativa, explorando tanto o grande repertório barroco quanto compositores menos conhecidos. Este primeiro registro fonográfico demonstra que a proposta foi plenamente alcançada.

Mais do que reunir obras de dois compositores da mesma família, este álbum evidencia um dos momentos decisivos da história da música europeia. Em Johann Sebastian Bach, encontramos o ápice do barroco; em Carl Philipp Emanuel, ouvimos o nascimento de uma nova sensibilidade que prepararia o caminho para o classicismo. A interpretação calorosa da Orfeus Barock Stockholm torna essa transição não apenas compreensível, mas profundamente emocionante, lembrando que a evolução da música nunca acontece por rupturas absolutas, mas por diálogos constantes entre tradição e inovação.

Uma boa apreciação! 

Carl Philipp Emanuel Bach (1714-1788) - 

Symphony in E minor, Wq 178

01. I. Allegro assai
02. II. Andante moderato
03. III. Allegro

Johann Sebastian Bach (1685-1750) - 

Keyboard Concerto No.1 in D minor, BWV1052

04. I. Allegro
05. II. Adagio
06. III. Allegro

Carl Philipp Emanuel Bach (1714-1788) - 

Cello Concerto in A minor, Wq 170

07. I. Allegro assai
08. II. Andante
09. III. Allegro assai

Johann Sebastian Bach (1685-1750) - 

10. Die Himmel erzählen die Ehre Gottes, BWV76 - Sinfonia

Orfeus Barock Stockholm
Luca Guglielmi, cravo e regência
Johannes Rostamo, violoncelo

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terça-feira, 11 de agosto de 2026

Claude Debussy (1862-1918) - The Complete Préludes for Solo Piano

Escritos entre 1909 e 1913 e publicados em dois livros de doze peças cada, eles representam um dos pontos culminantes da literatura pianística não apenas pela sofisticação técnica, mas pela extraordinária liberdade poética que inauguram. Debussy não pretende narrar histórias nem pintar quadros sonoros de forma literal; prefere sugerir paisagens, personagens, lembranças e sensações, deixando que a imaginação do ouvinte complete aquilo que a música apenas insinua.

Uma das características mais curiosas da coleção é a posição dos títulos. Debussy optou por colocá-los apenas ao final de cada prelúdio, entre parênteses, para que a música fosse ouvida antes que qualquer imagem mental condicionasse a escuta. Ainda assim, basta conhecer nomes como La Cathédrale engloutie, Voiles, Ondine ou Feux d'artifice para perceber como cada peça parece abrir uma janela para um universo próprio.

O Primeiro Livro percorre uma impressionante variedade de cenários. Há a solenidade quase escultórica de Danseuses de Delphes; o caráter enigmático de Voiles, construído sobre a escala de tons inteiros; o vento que percorre os campos em Le Vent dans la Plaine; os perfumes e sons crepusculares inspirados em Baudelaire; a violência quase orquestral de Ce qu'a vu le vent d'Ouest; a delicadeza lírica de La Fille aux cheveux de lin; o humor espanhol de La Sérénade interrompue; a monumentalidade mística de La Cathédrale engloutie; a travessura shakespeariana de La Danse de Puck e o espírito do teatro de variedades em Minstrels. Debussy alterna constantemente introspecção, ironia, exuberância e contemplação, criando uma sucessão de atmosferas que jamais se repetem.

O Segundo Livro aprofunda ainda mais essa linguagem. Debussy explora harmonias mais ousadas e uma escrita pianística de extraordinária invenção. Surgem neblinas em Brouillards, folhas mortas, paisagens espanholas evocadas em La Puerta del Vino, fadas retiradas das ilustrações de Arthur Rackham, referências a Charles Dickens, vasos funerários do Egito Antigo, desafios puramente pianísticos em Les Tierces alternées e, finalmente, um espetacular espetáculo de fogos de artifício encerrando a coleção, no qual ecos distantes da Marselhesa aparecem quase como uma lembrança perdida entre as explosões luminosas.

O libreto da pianista Anna Tsybuleva revela também uma dimensão profundamente pessoal dessa música. Seu primeiro contato com Debussy aconteceu aos cinco anos de idade, quando sua mãe lhe apresentou La Fille aux cheveux de lin. Desde então, a pianista passou anos tentando compreender como transformar em som elementos tão intangíveis quanto vento, luz, reflexos na água ou o canto de Ondina. Para ela, interpretar Debussy exige recuperar a capacidade infantil de observar o mundo com espanto, curiosidade e ausência de julgamentos. Não por acaso, dedica esta gravação à memória da mãe, cuja presença continua associada àquele primeiro prelúdio ouvido na infância.

Essa concepção artística encontra perfeita tradução em sua interpretação. Vencedora do Leeds International Piano Competition em 2015, Anna Tsybuleva construiu uma carreira marcada pela combinação de refinamento técnico e intensa sensibilidade poética. A crítica frequentemente destaca justamente essa capacidade de criar uma atmosfera íntima mesmo nas maiores salas de concerto, qualidade especialmente adequada ao universo delicado e sugestivo dos Préludes.

Mais de um século após sua composição, os Préludes continuam a soar surpreendentemente modernos. Debussy rompe com o virtuosismo exibicionista do século XIX para transformar o piano em um laboratório de cores, timbres e texturas. Cada peça parece existir entre o real e o imaginário, entre a descrição e o sonho. A interpretação de Anna Tsybuleva compreende plenamente esse espírito: em vez de oferecer respostas definitivas, convida o ouvinte a percorrer um mundo de sugestões, no qual cada audição revela novos detalhes. É precisamente essa capacidade de permanecer inesgotável que faz dos Préludes uma das maiores realizações da música para piano de todos os tempos.

Uma boa apreciação!

Claude Debussy (1862-1918) -

01 - Préludes, Book 1_ I. Danseuses de Delphes
02 - Préludes, Book 1_ II. Voiles
03 - Préludes, Book 1_ III. Le Vent Dans la Plaine
04 - Préludes, Book 1_ IV. Les Sons Et Les Parfums Tournent Dans L'air Du Soir
05 - Préludes, Book 1_ V. Les Collines D'Anacapri
06 - Préludes, Book 1_ VI. Des Pas Sure la Neige
07 - Préludes, Book 1_ VII. Ce Qu'a Vu Le Vent D'ouest
08 - Préludes, Book 1_ VIII. La Fille Aux Cheveux de Lin
09 - Préludes, Book 1_ IX. La Sérénade Interrompue
10 - Préludes, Book 1_ X. La Cathédrale Engloutie
11 - Préludes, Book 1_ XI. La Danse de Puck
12 - Préludes, Book 1_ XII. Minstrels
13 - Préludes - Book 2_ I. Brouillards
14 - Préludes, Book 2_ II. Feuilles Mortes
15 - Préludes, Book 2_ III. La Puerta del Vino
16 - Préludes, Book 2_ IV. Les Fées Sont D'exquises Danseuses
17 - Préludes, Book 2_ V. Bruyères
18 - Préludes, Book 2_ VI. General Lavine - Excentric
19 - Préludes, Book 2_ VII. La Terrasse Des Audiences Du Clair de Lune
20 - Préludes, Book 2_ VIII. Ondine
21 - Préludes, Book 2_ IX. Hommage À S. Pickwick Esq., P.P.M.P.C
22 - Préludes, Book 2_ X. Canope
23 - Préludes, Book 2_ XI. Les Tierces Alternées
24 - Préludes, Book 2_ XII. Feux D'artifice

Anna Tsybuleva, piano

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segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Johann Sebastian Bach (1685-1750) - The 6 French Suites

"A jornada de Francesco Tristano pela obra para teclado de Johann Sebastian Bach ganha um novo capítulo com o lançamento da integral das Seis Suítes Francesas (BWV 812–817), compostas entre aproximadamente 1722 e 1725. Este é o quarto volume do ambicioso projeto desenvolvido pelo pianista luxemburguês para o selo naïve, que pretende registrar toda a produção de Bach para teclado.

As Suítes Francesas ocupam um lugar especial na trajetória artística de Tristano. Foi justamente esse ciclo que o levou a mergulhar de forma mais profunda e duradoura no universo bachiano. O intérprete destaca a beleza discreta e a serenidade quase contemplativa dessas obras, nas quais lirismo e clareza convivem com uma escrita de extraordinária precisão. Para ele, trata-se de uma música espontânea e expressiva, cuja fluidez jamais cede à pressa ou ao excesso de dramatização.

Sob uma aparente simplicidade, as Suítes Francesas revelam um refinamento estrutural notável. Depois da ampliação formal observada nas Suítes Inglesas — registradas por Tristano em 2025 —, Bach parece buscar aqui uma linguagem mais concentrada, condensando suas ideias em formas de extraordinária economia expressiva. Esse processo culminaria, posteriormente, na síntese magistral das Partitas, reunidas na primeira parte do Clavier-Übung, também já gravadas pelo pianista.

Apesar de sua importância, a execução integral das seis suítes permanece relativamente rara. A escrita despojada e a aparente ingenuidade das partituras escondem um sofisticado jogo de contrastes e uma elaboração formal de grande sutileza, fatores que tornam o ciclo um desafio interpretativo considerável. Obras como a Suíte em Mi maior, BWV 817, exemplificam essa delicada combinação entre concisão e riqueza expressiva.

Entre os destaques do programa figura justamente essa suíte, composta por nove movimentos cuidadosamente equilibrados. A obra oferece um amplo panorama das principais danças do barroco, reunindo Allemande, Courante, Sarabande, Gavotte, Bourrée, Gigue, Menuet polonais e Petit Menuet à la française. Nesta gravação, Tristano opta pela versão revisada da partitura, precedida pelo Prelúdio em Mi maior do primeiro livro de O Cravo Bem Temperado, estabelecendo uma introdução de grande coerência musical.

Do ponto de vista interpretativo, o pianista adota uma sonoridade particularmente calorosa e delicada. Em movimentos como a Allemande da Suíte BWV 814, a Sarabande da BWV 815 e a Air da BWV 813, privilegia um toque macio e intimista, ressaltando o caráter contemplativo dessas páginas. A opção contrasta de forma evidente com a abordagem mais expansiva e brilhante das Suítes Inglesas, registradas anteriormente, nas quais predominava uma sonoridade mais incisiva e de maior projeção.

Com este novo lançamento, Francesco Tristano reafirma seu compromisso de revisitar Bach sob uma perspectiva ao mesmo tempo rigorosa e pessoal. Ao explorar a elegância discreta e a profundidade das Suítes Francesas, o pianista acrescenta um capítulo de grande sensibilidade a um projeto que se consolida como uma das mais ambiciosas integrais contemporâneas da obra para teclado do compositor de Leipzig".

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

 

Johann Sebastian Bach (1685-1750) - 

01. French Suite No. 1 in D Minor, BWV 812: I. Allemande
02. French Suite No. 1 in D Minor, BWV 812: II. Courante
03. French Suite No. 1 in D Minor, BWV 812: III. Sarabande
04. French Suite No. 1 in D Minor, BWV 812: IV. Menuet I
05. French Suite No. 1 in D Minor, BWV 812: V. Menuet II
06. French Suite No. 1 in D Minor, BWV 812: VI. Gigue
07. French Suite No. 2 in C Minor, BWV 813: I. Allemande
08. French Suite No. 2 in C Minor, BWV 813: II. Courante
09. French Suite No. 2 in C Minor, BWV 813: III. Sarabande
10. French Suite No. 2 in C Minor, BWV 813: IV. Air
11. French Suite No. 2 in C Minor, BWV 813: V. Menuet (I)
12. French Suite No. 2 in C Minor, BWV 813: VI. Menuet (II, VWV 813a)
13. French Suite No. 2 in C Minor, BWV 813: VII. Gigue
14. French Suite No. 3 in B Minor, BWV 814: I. Allemande
15. French Suite No. 3 in B Minor, BWV 814: II. Courante
16. French Suite No. 3 in B Minor, BWV 814: III. Sarabande
17. French Suite No. 3 in B Minor, BWV 814: IV. Anglaise
18. French Suite No. 3 in B Minor, BWV 814: V. Menuet I
19. French Suite No. 3 in B Minor, BWV 814: VI. Menuet II (Trio)
20. French Suite No. 3 in B Minor, BWV 814: VII. Gigue
21. French Suite No. 4 in E-Flat Major, BWV 815: I. Allemande
22. French Suite No. 4 in E-Flat Major, BWV 815: II. Courante
23. French Suite No. 4 in E-Flat Major, BWV 815: III. Sarabande
24. French Suite No. 4 in E-Flat Major, BWV 815: IV. Gavotte
25. French Suite No. 4 in E-Flat Major, BWV 815: V. Air
26. French Suite No. 4 in E-Flat Major, BWV 815: VI. Menuet
27. French Suite No. 4 in E-Flat Major, BWV 815: VII. Gigue
28. French Suite No. 5 in G Major, BWV 816: I. Allemande
29. French Suite No. 5 in G Major, BWV 816: II. Courante
30. French Suite No. 5 in G Major, BWV 816: III. Sarabande
31. French Suite No. 5 in G Major, BWV 816: IV. Gavotte
32. French Suite No. 5 in G Major, BWV 816: V. Bourrée
33. French Suite No. 5 in G Major, BWV 816: VI. Loure
34. French Suite No. 5 in G Major, BWV 816: VII. Gigue
35. French Suite No. 6 in E Major, BWV 817: I. Prélude
36. French Suite No. 6 in E Major, BWV 817: II. Allemande
37. French Suite No. 6 in E Major, BWV 817: III. Courante
38. French Suite No. 6 in E Major, BWV 817: IV. Sarabande
39. French Suite No. 6 in E Major, BWV 817: V. Gavotte
40. French Suite No. 6 in E Major, BWV 817: VI. Menuet polonais
41. French Suite No. 6 in E Major, BWV 817: VII. Petit Menuet
42. French Suite No. 6 in E Major, BWV 817: VIII. Bourrée
43. French Suite No. 6 in E Major, BWV 817: IX. Gigue

Francesco Tristano Schlimé, piano 

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domingo, 9 de agosto de 2026

Johannes Brahms (1833-1897) - Symphonies No. 1-4

"Gianandrea Noseda figura entre os raros maestros capazes de transitar com igual autoridade entre o repertório operístico e o sinfônico. Em artigo publicado em 2021 por ocasião de sua estreia como Diretor-Geral de Música da Ópera de Zurique, o jornal suíço Neue Zürcher Zeitung resumiu essa versatilidade de forma eloquente: “Em retrospecto, é impossível dizer se Noseda é um maestro de ópera melhor do que um maestro sinfônico, ou vice-versa.” A observação sintetiza a amplitude artística de um regente cuja carreira se destaca tanto nos grandes palcos líricos quanto nas principais salas de concerto do mundo.

Durante sua atuação em Zurique, Noseda dedicou especial atenção à obra de Johannes Brahms, conduzindo um ciclo que reafirmou sua afinidade com o universo sinfônico do compositor alemão. Após uma interpretação amplamente elogiada do Ein deutsches Requiem (Um Réquiem Alemão), o maestro voltou-se para as quatro sinfonias de Brahms, dirigindo-as à frente da Orquestra da Ópera de Zurique em uma série de concertos que agora chega ao público em forma de álbum.

Compostas entre 1876 e 1885, as quatro sinfonias representam um dos pontos culminantes do romantismo orquestral. Nelas, Brahms consolidou uma linguagem que concilia o rigor formal herdado da tradição clássica com uma extraordinária intensidade expressiva, criando obras que permanecem entre os pilares do repertório sinfônico.

As interpretações reunidas nesta gravação foram registradas ao vivo em diferentes apresentações realizadas na Ópera de Zurique. A atmosfera do concerto confere às execuções um senso particular de espontaneidade e energia, preservando a comunicação direta entre maestro, orquestra e público. Sob a direção de Noseda, essas partituras revelam toda a riqueza de sua arquitetura, o refinamento da escrita orquestral e a profundidade emocional que caracterizam a maturidade criativa de Brahms.

Mais do que uma simples integral das sinfonias, este lançamento documenta o encontro entre um dos mais respeitados maestros da atualidade e um repertório central da tradição sinfônica. O resultado reafirma tanto a excelência da Orquestra da Ópera de Zurique quanto a capacidade de Gianandrea Noseda de extrair dessas obras um equilíbrio convincente entre vigor dramático, clareza estrutural e lirismo, oferecendo uma leitura que se insere com destaque na ampla discografia dedicada ao compositor".

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Johannes Brahms (1833-1897) - 

DISCO 01

01. Symphony No. 1 in C Minor, Op. 68: I. Un poco sostenuto - Allegro - Meno allegro
02. Symphony No. 1 in C Minor, Op. 68: II. Andante sostenuto
03. Symphony No. 1 in C Minor, Op. 68: III. Un poco allegretto e grazioso
04. Symphony No. 1 in C Minor, Op. 68: IV. Adagio - Più Andante - Allegro non troppo, ma con brio – Più allegro
05. Symphony No. 3 in F Major, Op. 90: I. Allegro con brio: Un poco sostenuto - Tempo I
06. Symphony No. 3 in F Major, Op. 90: II. Andante
07. Symphony No. 3 in F Major, Op. 90: III. Poco allegretto
08. Symphony No. 3 in F Major, Op. 90: IV. Allegro - Un poco sostenuto

DISCO 02

01. Symphony No. 2 in D Major, Op. 73: I. Allegro non troppo
02. Symphony No. 2 in D Major, Op. 73: II. Adagio non troppo - L'istesso tempo, ma grazioso
03. Symphony No. 2 in D Major, Op. 73: III. Allegretto grazioso (quasi andantino) – Presto ma non assai
04. Symphony No. 2 in D Major, Op. 73: IV. Allegro con spirito
05. Symphony No. 4 in E Minor, Op. 98: I. Allegro non troppo
06. Symphony No. 4 in E Minor, Op. 98: II. Andante moderato
07. Symphony No. 4 in E Minor, Op. 98: III. Allegro giocoso - Poco meno presto - Tempo I
08. Symphony No. 4 in E Minor, Op. 98: IV. Allegro energico e passionato - Più allegro 

Orchester der Oper Zürich
Gianandrea Noseda, regente 

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sábado, 8 de agosto de 2026

Carl Philipp Emanuel Bach (1714-1788) - Sonaten für Clavier und Flöte

"Este álbum convida o ouvinte a mergulhar no universo expressivo de Carl Philipp Emanuel Bach, compositor que desempenhou um papel decisivo na transição entre o barroco tardio e o classicismo. Filho de Johann Sebastian Bach, mas dotado de uma linguagem profundamente original, C. P. E. Bach tornou-se uma das figuras mais inovadoras do século XVIII, abrindo novos caminhos para a música instrumental e influenciando diretamente compositores como Haydn, Mozart e Beethoven.

As sonatas para teclado e flauta reunidas neste lançamento refletem com clareza esse momento de transformação estética. Embora ainda preservem a organização formal e o equilíbrio herdados da sonata em trio barroca, as obras revelam uma linguagem muito mais livre, marcada pela busca da expressividade, pela valorização do contraste e por uma intensa exploração das emoções humanas.

Um dos aspectos mais inovadores dessas partituras é o tratamento conferido ao teclado. Longe de exercer apenas a função de acompanhamento, o instrumento assume papel de absoluto protagonismo, estabelecendo um diálogo constante com a flauta. Essa igualdade entre os dois intérpretes cria uma escrita camerística de extraordinária riqueza, na qual as ideias musicais circulam livremente entre as vozes, antecipando características que se tornariam fundamentais na música clássica das décadas seguintes.

Essa concepção está intimamente ligada ao chamado Empfindsamer Stil — o “estilo sensível” —, corrente estética da qual Carl Philipp Emanuel Bach foi um dos maiores representantes. Caracterizada pela valorização da subjetividade, das mudanças repentinas de caráter e da expressão direta dos sentimentos, essa linguagem rompe com a estabilidade típica do barroco e inaugura uma nova forma de comunicação musical, mais íntima, espontânea e emocionalmente complexa.

Ao reunir essas sonatas, o álbum evidencia não apenas o extraordinário talento de C. P. E. Bach, mas também sua importância histórica como elo entre duas grandes épocas da música ocidental. São obras que conservam a solidez estrutural da tradição barroca, mas já apontam para um novo ideal de liberdade expressiva, fazendo deste repertório um dos capítulos mais fascinantes da evolução da música de câmara do século XVIII".

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Carl Philipp Emanuel Bach (1714-1788) -

01. Sonata in E Major for keyboard and flute Wq. 84: I. Allegretto (5:48)
02. Sonata in E Major for keyboard and flute Wq. 84: II. Adagio di molto (3:46)
03. Sonata in E Major for keyboard and flute Wq. 84: III. Allegro assai (3:44)
04. Sonata in C Major for keyboard and flute Wq. 87: I. Allegretto (4:10)
05. Sonata in C Major for keyboard and flute Wq. 87: II. Andantino (3:09)
06. Sonata in C Major for keyboard and flute Wq. 87: III. Allegro (3:42)
07. Sonata in G Major for keyboard and flute Wq. 85: I. Allegretto (4:39)
08. Sonata in G Major for keyboard and flute Wq. 85: II. Andantino (3:26)
09. Sonata in G Major for keyboard and flute Wq. 85: III. Allegro (3:27)
10. Harpsichord Sonata in G Minor Wq. 65/11: I. Allegro (3:10)
11. Harpsichord Sonata in G Minor Wq. 65/11: II. Andante (2:28)
12. Harpsichord Sonata in G Minor Wq. 65/11: III. Allegretto grazioso (2:51)
13. Sonata in G Major for keyboard and flute Wq. 86: I. Andante (2:07)
14. Sonata in G Major for keyboard and flute Wq. 86: II. Allegretto (4:29)
15. Sonata in G Major for keyboard and flute Wq. 86: III. Allegro (3:54)
16. Sonata in D Major for keyboard and flute Wq. 83: I. Allegro un poco (4:27)
17. Sonata in D Major for keyboard and flute Wq. 83: II. Largo (5:15)
18. Sonata in D Major for keyboard and flute Wq. 83: III. Allegro (4:14)

Tini Mathot, cravo
Reine-Marie Verhagen, flauta

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sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Dmitry B. Kabalevsky (1904-1987) - Piano Concerto No.1, Op.9 e Piano Concerto No.2, Op.23

 
Contemporâneo de Prokofiev e Shostakovich, construiu uma linguagem menos áspera e experimental, marcada pela clareza melódica, pelo vigor rítmico e por uma comunicação bastante direta com o público. Seus Concertos para Piano nº 1 e nº 2, reunidos nesta gravação da pianista In-Ju Bang com a Russian Philharmonic Orchestra, sob a regência de Dmitry Yablonsky, permitem acompanhar a formação dessa personalidade musical e descobrir um repertório que permanece injustamente à sombra dos concertos russos mais conhecidos.

Escrito em 1928, o Concerto para Piano nº 1 em Lá menor, Op. 9, pertence aos primeiros anos da carreira de Kabalevsky. O compositor ainda estudava no Conservatório de Moscou e encontrava-se em pleno processo de definição de sua linguagem. Não surpreende, portanto, que a obra revele ecos da tradição romântica russa e, ao mesmo tempo, da modernidade que então transformava a música soviética. O piano assume papel de grande destaque, alternando passagens vigorosas e virtuosísticas com episódios de lirismo mais íntimo.

O que chama atenção nesse primeiro concerto é justamente sua combinação de juventude e segurança. Kabalevsky não rompe com a tradição do concerto romântico: solista e orquestra continuam envolvidos em um diálogo dramático, e a escrita pianística conserva o brilho esperado de uma obra do gênero. Entretanto, já aparecem características que se tornariam marcas do compositor, sobretudo a objetividade das formas, o impulso rítmico e a preferência por melodias facilmente reconhecíveis. Mesmo nos momentos mais densos, sua música raramente abandona a clareza.

O Concerto para Piano nº 2 em Sol menor, Op. 23, escrito poucos anos depois, em 1935, apresenta um compositor mais seguro de seus recursos. A obra seria posteriormente revista, em 1973, mas preserva o espírito de sua concepção original. Aqui, o equilíbrio entre virtuosismo e expressão torna-se ainda mais evidente. A escrita pianística é exigente, porém o solista não aparece apenas como protagonista de uma exibição técnica: integra-se constantemente à estrutura orquestral e participa da construção dos contrastes dramáticos.

O segundo concerto também revela com maior nitidez a capacidade de Kabalevsky para transformar materiais aparentemente simples em música de grande eficácia. Há momentos de energia quase percussiva, passagens marcadas por humor e vivacidade e episódios de lirismo que remetem à tradição russa. Essa alternância entre tensão e espontaneidade ajuda a explicar a acessibilidade de sua linguagem. Kabalevsky podia ser moderno sem transformar a modernidade em obstáculo para o ouvinte.

Essa característica acabaria se tornando central em sua trajetória. Professor e autor de numerosas peças destinadas a estudantes, Kabalevsky defendia uma música capaz de aproximar formação técnica e prazer estético. Seus concertos, embora muito mais ambiciosos do que suas célebres obras pedagógicas, compartilham dessa preocupação com a comunicação. Há complexidade, mas ela permanece subordinada à expressão; há virtuosismo, mas raramente como finalidade em si mesmo.

Nesta gravação, In-Ju Bang enfrenta os dois concertos com a combinação necessária de força, precisão e lirismo, enquanto Dmitry Yablonsky e a Russian Philharmonic Orchestra ressaltam a riqueza das cores orquestrais sem obscurecer o piano. A interpretação contribui para mostrar que essas obras merecem ser conhecidas para além de seu valor histórico.

Ouvir os dois primeiros concertos de Kabalevsky lado a lado é, sobretudo, acompanhar um compositor descobrindo a própria voz. Entre a herança do romantismo russo e as novas exigências estéticas do século XX, emerge uma música franca, vigorosa e surpreendentemente comunicativa. Talvez seja justamente essa ausência de afetação que explique seu encanto: Kabalevsky não procura desconcertar o ouvinte, mas conquistá-lo pela força das ideias e pelo prazer imediato de fazer música.

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Dmitry B. Kabalevsky (1904-1987) - 

01 - Piano Concerto No.1, op.9 - I. Moderato quasi andantino
02 - Piano Concerto No.1, op.9 - II. Moderato - Allegro assai
03 - Piano Concerto No.1, op.9 - III. Vivace marcato
04 - Piano Concerto No.2, op.23 - I. Allegro moderato
05 - Piano Concerto No.2, op.23 - II. Andantino semplice
06 - Piano Concerto No.2, op.23 - III. Allegro molto

Russian Philharmonic Orchestra
Dmitry Yablonsky, regente
In-JU Bang, piano 

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quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Carl Nielsen (1865-1931) - Helios, Op. 17, FS 32, Concerto, Op. 57, FS 129 e Symphony No. 5, Op. 50, FS 97

"A série dedicada às sinfonias de Carl Nielsen, conduzida por Edward Gardner à frente da Orquestra Filarmônica de Bergen, prossegue com uma das obras mais singulares do compositor dinamarquês: a Sinfonia nº 5. O programa é complementado pela abertura Helios e pelo Concerto para Clarineta, que tem Alessandro Carbonare como solista. O álbum reúne, assim, três partituras capazes de revelar diferentes aspectos da personalidade criativa de Nielsen, do luminoso retrato da natureza à tensão dramática de sua escrita tardia.

Composta em 1903, durante uma temporada na Grécia, Helios nasceu em circunstâncias particularmente sugestivas. Nielsen acompanhava sua esposa, a escultora Anne Marie, que havia recebido uma bolsa para copiar obras da Antiguidade conservadas na Acrópole. Em cerca de dez a doze minutos, o compositor transforma em música o percurso diário do sol sobre o Mar Egeu: o amanhecer, a luminosidade plena do meio-dia e, finalmente, o desaparecimento do astro no horizonte. A força evocativa da partitura fez dela uma das obras mais frequentemente executadas de Nielsen.

De natureza muito diferente é o Concerto para Clarineta, composto em 1928. Estruturado em um único grande movimento dividido em quatro seções, o concerto foi dedicado ao clarinetista Aage Oxenvad, amigo de Nielsen e responsável por sua primeira apresentação. A obra pertence à fase final da produção do compositor e concentra em sua escrita uma linguagem marcada por contrastes, tensão e grandes exigências expressivas. Nesta gravação, a parte solista fica a cargo de Alessandro Carbonare.

No centro do programa encontra-se a Sinfonia nº 5, composta entre 1920 e 1922. Excepcional dentro do catálogo de Nielsen, a obra está organizada em apenas dois movimentos - caso único entre suas sinfonias. Diferentemente de outras partituras sinfônicas da maturidade, também não recebeu um subtítulo, característica que permite compreendê-la como uma manifestação de “música pura”, menos vinculada a um programa explicitamente descritivo.

Isso não significa, porém, ausência de conflito ou significado. O próprio Nielsen definiu a sinfonia como uma representação da “divisão entre escuridão e luz, da batalha entre o mal e o bem”, estabelecendo ainda uma oposição entre “Sonhos e Ações”. Essa permanente luta de forças tornou-se um dos elementos mais marcantes da obra e contribuiu para que muitos comentaristas passassem a enxergá-la como uma espécie de “sinfonia de guerra”.

Nielsen rejeitou, contudo, a ideia de que estivesse deliberadamente retratando a Primeira Guerra Mundial. Segundo o compositor, o conflito não estava diretamente em seus pensamentos durante a criação da partitura. Ao mesmo tempo, reconheceu a impossibilidade de escapar completamente das transformações provocadas pela experiência histórica, observando que “nenhum de nós é o mesmo que era antes da guerra”.

Sob a direção de Edward Gardner, a Filarmônica de Bergen dá continuidade, portanto, a uma série que procura iluminar a riqueza e a originalidade do universo sinfônico de Nielsen. Reunindo a luminosidade mediterrânea de Helios, a personalidade inquieta do Concerto para Clarineta e o monumental confronto de forças da Quinta Sinfonia, o programa oferece um retrato expressivo de um compositor que fez do contraste, da energia e da tensão entre opostos alguns dos fundamentos de sua linguagem musical".

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Carl Nielsen (1865-1931) - 

01. Helios, Op. 17, FS 32 (1903)

Concerto, Op. 57, FS 129 (1928)
02. I. Allegretto un poco – A tempo, ma tranquillo – Cadenza – Tempo I – Allegro non troppo – Più allegro – Tempo I
03. II. Poco adagio – A tempo, ma tranquillo – Più mosso – Poco adagio –
04. III. Allegro non troppo – Meno – Molto cantabile e ben tenuto – Molto espressivo e ben tenuto – Poco più mosso – Un poco meno – Cadenza – Adagio – Più vivo – Adagio –
05. IV. Allegro vivace – Molto tranquillo – Tempo I – Poco adagio – Allegro – Tempo I (Allegro vivace) – Poco meno

Symphony No. 5, Op. 50, FS 97 (1920) - 
06. I. Tempo giusto – Tranquillo – Tranquillo –
07. Adagio – Cadenza [snare drum] – Tranquillo – Cadenza [clarinet]
08. II. Allegro – Un poco di più –
09. Presto –
10. Andante poco tranquillo –
11. Allegro (Tempo I)

Bergen Philharmonic Orchestra
Edward Gardner, regente
Allessandro Carbonare, clarinet (2-5) 

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quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Pyotr Ilyich Tchaikovsky (1840-1893) - Serenade for Strings in C major, Op. 48, Edward Elgar (1857-1934) - Serenade for Strings in E minor, Op. 20 e Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) - Serenade in G major, KV 525 "Eine kleine Nachtmusik"

"Para celebrar seus 75 anos de história, a Orquestra de Câmara de Zurique reuniu em um novo álbum algumas das obras mais queridas de seu repertório. Concebida como uma homenagem tanto aos músicos quanto ao público que acompanhou sua trajetória ao longo de décadas, a gravação sintetiza uma tradição artística marcada pela excelência interpretativa e pela permanente renovação.

Fundada em 1945 pelo maestro Edmond de Stoutz, a Orquestra de Câmara de Zurique construiu uma trajetória de grande prestígio, percorrendo um repertório que se estende do barroco à criação contemporânea. Ao longo desse caminho, o conjunto consolidou uma identidade própria, caracterizada pela precisão, pela flexibilidade e por uma sonoridade especialmente adequada às exigências da literatura para orquestra de câmara.

Para este lançamento comemorativo, os músicos unem-se ao diretor musical Daniel Hope na escolha de três serenatas clássicas que ocupam lugar privilegiado na história do conjunto. São obras que representam não apenas alguns dos momentos mais conhecidos do repertório para cordas, mas também uma tradição interpretativa cultivada pela orquestra ao longo de sua existência.

A escolha da serenata como fio condutor do programa mostra-se particularmente significativa. Associado à leveza, à elegância e ao prazer da convivência musical, o gênero permite evidenciar algumas das principais virtudes de uma formação camerística: equilíbrio entre as vozes, transparência das texturas, refinamento do fraseado e estreita comunicação entre os intérpretes.

Mais do que simplesmente revisitar páginas consagradas, este álbum assume assim o caráter de uma celebração. Ao lado de Daniel Hope, a Orquestra de Câmara de Zurique transforma seus 75 anos em música, reafirmando uma identidade construída entre tradição e renovação e oferecendo ao público um retrato afetivo de algumas das obras que ajudaram a definir sua história artística".

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Pyotr Ilyich Tchaikovsky (1840-1893)

Serenade for Strings in C major, Op. 48

01. 1. Pezzo in forma di sonatina. Andante non troppo - Allegro moderato
02. 2. Valse. Moderato. Tempo di Valse
03. 3. Élégie. Larghetto elegiaco
04. 4. Finale. Tema russo. Andante - Allegro con spirito 

Edward Elgar (1857-1934)

Serenade for Strings in E minor, Op. 20

05. 1. Allegro piacevole
06. 2. Larghetto
07. 3. Allegretto

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791)

Serenade in G major, KV 525 "Eine kleine Nachtmusik"

08. 1. Allegro
09. 2. Romance. Andante
10. 3. Menuetto. Allegretto - Trio
11. 4. Rondo. Allegro

Zürcher Kammerorchester
Daniel Hope, regente 

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terça-feira, 4 de agosto de 2026

Ludwig van Beethoven (1770-1827) - Piano Trios, Op. 70 & 121

Três músicos de projeção internacional decidiram unir suas trajetórias em 2011 e deram origem ao Hamlet Piano Trio, conjunto que desde então vem conquistando crescente reconhecimento no cenário camerístico mundial. Seus integrantes já haviam construído carreiras sólidas tanto como solistas quanto como músicos de câmara, experiência que rapidamente se refletiu na identidade artística do trio. O primeiro álbum do grupo, dedicado aos Trios para Piano de Mendelssohn, recebeu elogios da crítica internacional. Neste novo lançamento, o conjunto volta-se para Ludwig van Beethoven e para a linguagem revolucionária que marcou seus primeiros anos em Viena.

Quando Beethoven chegou à capital austríaca, sua personalidade musical provocou reações contraditórias. Para muitos ouvintes da época, aquela música parecia excessivamente brutal, obstinada, inquieta e até inconveniente. O jovem pianista virtuose, porém, estava determinado a construir também uma carreira como compositor e pouco se importava com a incompreensão daqueles que ainda não estavam preparados para sua linguagem.

Essa determinação pode ser percebida até mesmo na maneira como Beethoven organizou sua produção. Ao estabelecer-se em Viena, praticamente deixou de lado as obras escritas anteriormente em Bonn e iniciou uma nova contagem de seu catálogo. Não por acaso, reservou o Opus 1 justamente para seus primeiros Trios para Piano, obras que funcionavam como uma espécie de cartão de apresentação do jovem compositor diante da sofisticada sociedade musical vienense.

A recepção, contudo, esteve longe de ser consensual. Um crítico da época reconheceu que Beethoven seguia um caminho próprio, mas classificou esse percurso como “bizarro e cansativo”. Reclamava da ausência de melodias facilmente reconhecíveis, das modulações inesperadas, das progressões harmônicas pouco convencionais e do acúmulo de dificuldades que, segundo ele, acabavam por esgotar a paciência e o prazer do ouvinte.

Beethoven respondeu com a concisão e a segurança que se tornariam características de sua personalidade: “Eles não entendem nada.” O tempo acabaria lhe dando razão. Anos depois, ainda lembrando daquele julgamento desfavorável, o compositor não hesitaria em chamar o crítico de “boi”.

A anedota ilustra de maneira eloquente o impacto causado pelos primeiros Trios para Piano de Beethoven. Aquilo que parte do público vienense interpretava como obstinação ou excentricidade era, na verdade, o surgimento de uma linguagem que começava a desafiar as convenções do classicismo e a ampliar os horizontes da música de câmara.

É justamente esse Beethoven inquieto, ousado e determinado a seguir seu próprio caminho que o Hamlet Piano Trio procura recuperar neste álbum. Depois da elogiada incursão pelo universo de Mendelssohn, o conjunto volta-se para as origens da trajetória vienense de um compositor que inicialmente desconcertou seus contemporâneos, mas cuja música acabaria por transformar definitivamente a história da tradição instrumental europeia".

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Ludwig van Beethoven (1770-1827) - 


01. Piano Trio No.5 in D Major, Op. 70 No.1 "Geister-Trio": I. Allegro vivace e con brio
02. Piano Trio No.5 in D Major, Op. 70 No.1 "Geister-Trio": II. Largo assai ed espressivo
03. Piano Trio No.5 in D Major, Op. 70 No.1 "Geister-Trio": III. Presto
04. Piano Trio in E-Flat Major, Op. 70 No.2: I. Poco sostenuto-Allegro ma non troppo
05. Piano Trio in E-Flat Major, Op. 70 No.2: II. Allegretto
06. Piano Trio in E-Flat Major, Op. 70 No.2: III. Allegretto man non troppo
07. Piano Trio in E-Flat Major, Op. 70 No.2: IV. Finale. Allegro
08. 10 Variations on 'Ich bin der Schneider Kakadu', Op.121a

Hamlet Piano Trio 

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segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Sergei Rachmaninov (1873-1943) - 24 Preludes

Os 24 Prelúdios de Sergei Rachmaninoff constituem uma das grandes sínteses do pianismo tardo-romântico. Neles, densidade emocional, lirismo delicado e virtuosismo explosivo convivem em equilíbrio permanente, formando um vasto panorama das possibilidades expressivas do piano. Justamente por suas elevadas exigências técnicas e pela complexidade de seu universo emocional, apresentações e gravações da integral permanecem menos frequentes do que as dedicadas a outras obras importantes do repertório pianístico.

É nesse contexto que se destaca a nova gravação da pianista sul-coreana Noh Ye-jin, realizada ao piano Fazioli F278. O lançamento não apenas acrescenta uma nova interpretação à extensa discografia de Rachmaninoff, mas também representa um marco particular: trata-se da primeira gravação integral dos 24 Prelúdios realizada por uma pianista coreana.

O projeto é resultado de aproximadamente quatro anos de preparação. Durante esse período, Noh Ye-jin dedicou-se ao estudo do conjunto como algo que ultrapassa uma simples sucessão de peças independentes. Seu trabalho procura revelar as melodias ocultas, as mudanças de atmosfera e as múltiplas camadas emocionais que atravessam essas páginas, construindo uma visão abrangente do universo pianístico de Rachmaninoff.

Mais do que vencer os formidáveis desafios técnicos impostos pela partitura, a intérprete demonstra especial atenção à dimensão lírica e introspectiva da música. Sua abordagem busca transformar os 24 Prelúdios em um percurso coerente e orgânico, no qual cada peça conserva sua personalidade ao mesmo tempo que participa de uma narrativa musical mais ampla.

O álbum representa, assim, um momento significativo na trajetória artística de Noh Ye-jin. Ao enfrentar um dos grandes monumentos do repertório para piano, a intérprete evidencia não apenas domínio técnico, mas também amadurecimento musical e sensibilidade para penetrar nas regiões mais íntimas da escrita de Rachmaninoff. O resultado promete enriquecer a discografia dedicada ao compositor e oferecer uma nova perspectiva sobre uma coleção que permanece entre as realizações mais exigentes e fascinantes do pianismo romântico.

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Sergei Rachmaninov (1873-1943) -

01. Prelude, Op. 3, No. 2 in C-sharp minor
02. 10 Preludes, Op. 23: Prelude, Op. 23, No. 1 in F-sharp minor
03. 10 Preludes, Op. 23: Prelude, Op. 23, No. 2 in B-flat major
04. 10 Preludes, Op. 23: Prelude, Op. 23, No. 3 in D minor
05. 10 Preludes, Op. 23: Prelude, Op. 23, No. 4 in D major
06. 10 Preludes, Op. 23: Prelude, Op. 23, No. 5 in G minor
07. 10 Preludes, Op. 23: Prelude, Op. 23, No. 6 in E-flat major
08. 10 Preludes, Op. 23: Prelude, Op. 23, No. 7 in C minor
09. 10 Preludes, Op. 23: Prelude, Op. 23, No. 8 in A-flat major
10. 10 Preludes, Op. 23: Prelude, Op. 23, No. 9 in E-flat minor
11. 10 Preludes, Op. 23: Prelude, Op. 23, No. 10 in G-flat major
12. 13 Preludes, Op. 32: Prelude, Op. 32, No. 1 in C major
13. 13 Preludes, Op. 32: Prelude, Op. 32, No. 2 in B-flat minor
14. 13 Preludes, Op. 32: Prelude, Op. 32, No. 3 in E major
15. 13 Preludes, Op. 32: Prelude, Op. 32, No. 4 in E minor
16. 13 Preludes, Op. 32: Prelude, Op. 32, No. 5 in G major
17. 13 Preludes, Op. 32: Prelude, Op. 32, No. 6 in F minor
18. 13 Preludes, Op. 32: Prelude, Op. 32, No. 7 in F major
19. 13 Preludes, Op. 32: Prelude, Op. 32, No. 8 in A minor
20. 13 Preludes, Op. 32: Prelude, Op. 32, No. 9 in A major
21. 13 Preludes, Op. 32: Prelude, Op. 32, No. 10 in B minor
22. 13 Preludes, Op. 32: Prelude, Op. 32, No. 11 in B major
23. 13 Preludes, Op. 32: Prelude, Op. 32, No. 12 in G-sharp minor
24. 13 Preludes, Op. 32: Prelude, Op. 32, No. 13 in D-flat major 

Yejin Noh, piano 

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domingo, 2 de agosto de 2026

Johann Sebastian Bach (1685-1750) - Brandenburg Concertos, Orchestral Suites

"Para os ouvintes mais familiarizados com a obra de Johann Sebastian Bach, é provável que já existam gravações favoritas dos Concertos de Brandemburgo e das Suítes Orquestrais. Para quem começa a explorar esse repertório, porém, esta coleção de três CDs, com Neville Marriner à frente da Academy of St Martin in the Fields, continua sendo uma opção particularmente atraente, combinando qualidade artística, excelente execução e uma abordagem acessível dessas obras fundamentais do barroco.

Realizadas em 1984 e 1985, as gravações conservam uma qualidade sonora bastante convincente para os padrões do início da era digital. Do ponto de vista interpretativo, Marriner não adota com o mesmo rigor as práticas historicamente informadas associadas a especialistas como Gustav Leonhardt ou Trevor Pinnock. Sua leitura, contudo, está longe de ignorar os conhecimentos musicológicos sobre o período. O resultado é um Bach elegante, vigoroso e musicalmente consistente, ainda que executado em instrumentos modernos — característica que poderá incomodar os defensores mais rigorosos dos instrumentos de época.

A Academy of St Martin in the Fields apresenta sua habitual excelência técnica. A execução é limpa, precisa e profundamente musical. Se a sonoridade não possui os timbres peculiares dos instrumentos históricos e pode parecer mais encorpada do que aquela preferida pelos admiradores de um barroco mais enxuto, dificilmente se poderá acusar essas interpretações de falta de vitalidade ou colorido.

Nos Concertos de Brandemburgo, Marriner privilegia energia e clareza, apoiado por solistas de excelente nível. O resultado é robusto e frequentemente empolgante. Um dos grandes destaques surge no Concerto de Brandemburgo nº 5, no qual George Malcolm assume o célebre solo de cravo com vigor e extraordinária presença, projetando-se claramente sobre o conjunto orquestral.

As interpretações das quatro Suítes Orquestrais também se destacam pelo cuidado técnico, pela aproximação criteriosa às práticas barrocas e pela qualidade da captação digital. Particularmente interessante é a Suíte nº 2 em Si menor, apresentada com um caráter mais vigoroso do que o habitual e executada com a mesma desenvoltura das suítes mais extrovertidas que a sucedem.

Nas Suítes nº 3 e nº 4, ambas em Ré maior, os metais assumem naturalmente posição de destaque, conferindo às interpretações um caráter festivo e jubiloso. Marriner e seus músicos exploram com entusiasmo essa dimensão cerimonial da escrita de Bach, sem comprometer a clareza das texturas.

O contraste mais expressivo aparece na célebre Ária da Suíte nº 3, posteriormente popularizada como Air on the G String. Aqui, a exuberância cede lugar à introspecção. A Academy interpreta a página com excepcional delicadeza, permitindo que sua serenidade melódica surja sem sentimentalismo excessivo.

Embora as décadas seguintes tenham produzido inúmeras gravações historicamente informadas capazes de oferecer perspectivas diferentes sobre essas obras, o Bach de Marriner mantém seu interesse. A elegância, a precisão e a vitalidade da Academy of St Martin in the Fields fazem desta coleção uma excelente introdução aos Concertos de Brandemburgo e às Suítes Orquestrais — e, mesmo para ouvintes experientes, um testemunho valioso de uma tradição interpretativa que soube conciliar o refinamento da orquestra moderna com uma compreensão cada vez mais profunda do estilo barroco".

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Johann Sebastian Bach (1685-1750) - 

DISCO 01

Brandenburg Concerto No. 1 in F major, BWV 1046

01. 1. Allegro
02. 2. Adagio
03. 3. Allegro
04. 4. Menuet 1 - Trio 1 - Menuet 2 - Polonaise - Menuet 3 - Trio 2 - Menuet 4

Brandenburg Concerto No. 2 in F major, BWV 1047
05. 1. Allegro
06. 2. Andante
07. 3. Allegro assai

Brandenburg Concerto No. 3 in G major, BWV 1048

08. 1. Allegro
09. 2. Adagio
10. 3. Allegro

Brandenburg Concerto No. 4 in G major, BWV 1049
11. 1. Allegro
12. 2. Andante
13. 3. Presto

DISCO 02

Brandenburg Concerto No. 5 in D major, BWV 1050
01. 1. Allegro
02. 2. Affettuoso
03. 3. Allegro

Brandenburg Concerto No. 6 in B flat major, BWV 1051

04. 1. Allegro
05. 2. Adagio ma non tanto
06. 3. Allegro

Orchestral Suite No. 1 in C major, BWV 1066

07. 1. Overture
08. 2. Courante
09. 3. Gavotte 1 & 2
10. 4. Forlane
11. 5. Menuet 1 & 2
12. 6. Bourrée 1 & 2
13. 7. Passepied 1 & 2

DISCO 03

Orchestral Suite No. 2 in B minor, BWV 1067

01. 1. Overture
02. 2. Rondeau
03. 3. Sarabande
04. 4. Bourrée 1 & 2
05. 5. Polonaise
06. 6. Menuet
07. 7. Badinerie

Orchestral Suite No. 3 in D major, BWV 1068
08. 1. Overture
09. 2. Air
10. 3. Gavotte 1 & 2
11. 4. Bourrée
12. 5. Gigue

Orchestral Suite No. 4 in D major, BWV 1069

13. 1. Overture
14. 2. Bourrée 1 & 2
15. 3. Gavotte
16. 4. Menuet 1 & 2
17. 5. Réjouissance

Academy of St Martin in the Fields
Neville Marriner, regente 

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