terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Anton Bruckner (1824-1896) - Symphony No. 9 in D minor


A Nona é a última sinfonia composta por Anton Bruckner. Nem mesmo ele — que ao longo de toda a vida escreveu quase exclusivamente sinfonias — conseguiu ultrapassar a marca simbólica do número nove, a “coluna de Hércules” estabelecida pelo titânico Beethoven. A obra permaneceu, além disso, inacabada, faltando-lhe o quarto movimento; trata-se, portanto, de um verdadeiro torso: não menos sublime e monumental, mas sem uma conclusão que confirme sua completude.

A questão foi amplamente debatida e continua a ser. A obra não foi concluída por um acaso — a morte do compositor — ou permaneceu incompleta porque, após o terceiro movimento, espécie de comovente despedida do mundo, essa sinfonia já não poderia ser finalizada, ou estaria secretamente completa nessa forma, à semelhança de outra célebre “Inacabada” (a Sinfonia em si menor de Franz Schubert)? Nem mesmo a cronologia ajuda a desfazer o mistério. Bruckner compôs os três primeiros movimentos entre 1891 e 1894, com base em esboços de 1887. Rascunhos para o Finale, de consistência muito fragmentária e aproximativa, datam de 1894 a 1896, ano de sua morte. Em teoria, mesmo considerando a lentidão com que Bruckner compunha, teria havido tempo para dar uma conclusão à sinfonia, e é certo que o autor pensava nisso. Na prática, porém, não o fez — ou não viveu o bastante para fazê-lo.

Não é o único mistério que paira sobre essa partitura de um espírito aparentemente tão límpido quanto enigmático. Há, por exemplo, a dedicatória, ao mesmo tempo ingênua e fervorosa, que a acompanha — “Dem lieben Gott”, “Ao bom Deus” — logo após a dedicatória da Oitava Sinfonia ao imperador Francisco José, seu grande protetor em vida. Teria Bruckner pensado em entregar esse fruto maduro de sua arte, sobretudo se pressentido como derradeiro, ao protetor celeste que venerava como crente, sob o signo de uma transcendência ultraterrena?

Essa é a tese sustentada pelo importante estudioso bruckneriano Sergio Martinotti, que, reconhecendo na obra uma grandeza de pensamento e de tom, afirma que Bruckner “percebeu que a Nona Sinfonia seria a sua última; por isso, seguindo os modelos de Beethoven e Schubert, quis torná-la grandiosa, como coroamento de toda a sua carreira musical, na qual a lentidão composicional, acentuada pelo declínio físico, e a dedicação exclusiva a esse trabalho refletem claramente essa vontade determinada” — como se o “bom Deus” tivesse se tornado o único e verdadeiro interlocutor a quem se dirigir. Nessa elevação de pensamento reconhece-se o orgulho de um músico que atravessou a vida com otimismo inocente, quase indiferente à história e ao tempo, e com forte senso de liberdade.

Na mesma linha, embora sob uma perspectiva mais laica, outro estudioso, Quirino Principe, identifica na crescente atemporalidade da música de Bruckner o traço principal e luminoso da Nona Sinfonia. Talvez, acrescenta, “o senso de espera, absolutamente ininterrupto da primeira à última nota desse monumento sinfônico, não seja apenas o elemento mundano de uma espécie de romance ou poema musical, com seus perfumes noturnos e seus impulsos quase eróticos — ainda que de um erotismo puríssimo; é também a espera do além e, portanto (para Bruckner não havia dúvida), da vida após a morte. Assim, a ascensão da Nona, em suas cores e linhas verticais, rumo ao azul profundo de um ciclo noturno, é uma subida umedecida por um orvalho místico-romântico, muito próxima dos destilados de Wackenroder, Tieck e Novalis. [...] Acima de tudo, um sentido de ordem calma e aveludada, de tranquila lisura que flui em vastas superfícies azuladas”.

Também essa hipótese, embora extremamente fascinante, aspira a uma certeza — mas não a possui.

Daqui 

Anton Bruckner (1824-1896) - 

01 - I. Feierlich, misterioso
02 - II. Scherzo. Bewegt, lebhaft - Trio. Schnell
03 - III. Adagio. Langsam, feierlich

Orchestre de la Suisse Romande 
Marek Janowski, regente 

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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Mozart Camargo Guarnieri (1907-1993) - Piano Concertos Nos. 4, 5 & 6

Esta é a segunda postagem com os concertos para piano de um maiores compositores brasileiros de todos os tempos. Estamos a falar de Mozart Camargo Guarnieri. O compositor paulista escreveu - completos - cinco concertos para piano. O sexto ficou inacabado. Os três concertos aqui presentes fazem parte do período de maturidade do compositor. 

Guarnieri era averso às influências oriundas da Europa. A influência das vanguardas europeias fazia-se sentir por todos os cantos. O compositor rechaçou esse contágio e procurou um caminho próprio. Queria uma música moderna e fincada numa filosofia que realçasse a expressão nacional. Escreveu uma carta aos compositores, no início dos anos 50, sua famosa "Carta Aberta aos Músicos e Críticos do Brasil". Nela, ele criticava aqueles que aderiam irrefletidamente as modas oriundas do continente europeu. Seus últimos concertos para piano estão expressam essa preocupação.

O Concerto No. 4, por exemplo, demonstra isso. Aqui o piano não é apenas virtuose — torna-se um protagonista dramático em diálogo intenso com a orquestra. A escrita é mais compacta, menos “folclórica” de forma explícita, mas ainda sustentada por ritmos brasileiros internalizados. Foi escrito em 1968.

O de Nº 5  tende a maior transparência e equilíbrio. A relação entre piano e orquestra torna-se mais arquitetônica, com temas claramente delineados e desenvolvimento rigoroso. Sua escrita é do ano de 1970.

E o de Nº 6  apresenta uma escrita ainda mais condensada e introspectiva. Quando da sua escrita, Guarnieri já era um compositor octogenário e consagrado. Sua escrita é do ano de 1987, seis anos antes de sua morte. 

É bom saber que existe um compositor com uma escrita tão sofisticada quanto Camargo Guarnieri. Geralmente, quando pensamos em concertos para piano, logo vem à mente os bastiões da tradicional escola musical europeia - Beethoven, Schumann, Chopin, Grieg, Liszt etc. Todavia, é preciso ouvir Guarnieri para que se perceba o quanto procurou autenticidade, independência e a construção de uma linguagem musical arrojada. Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Mozart Camargo Guarnieri (1907-1993) - 

01. Piano Concerto No. 4 - I. Resoluto
02. Piano Concerto No. 4 - II. Profundamente triste
03. Piano Concerto No. 4 - III. Rapido
04. Piano Concerto No. 5 - I. Improvisando
05. Piano Concerto No. 5 - II. Sideral
06. Piano Concerto No. 5 - III. Jocoso
07. Piano Concerto No. 6 - I. Caprichoso, bem ritmado
08. Piano Concerto No. 6 - II. Calmo, muito sentido
09. Piano Concerto No. 6 - III. Alegre, bem ritmado

Warsaw Philharmonic Orchestra

Thomas Conlin, regente
Max Barros, piano 

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domingo, 15 de fevereiro de 2026

Eroica Trio - Baroque - J.S. Bach, Vivaldi e Albinoni

Texto de apresentação do disco do disco:

Às vezes é possível julgar um livro pela capa — e, neste caso, os trajes de seda, renda e veludo usados pelas integrantes do Eroica Trio nas fotos do encarte ao menos antecipam o caráter da interpretação apresentada no disco. Trata-se de repertório barroco executado de forma assumidamente tradicional, com sonoridade quente e elegante, frases suaves conduzidas em andamentos solenes e vibrato abundante, sem qualquer sinal da aspereza de timbre enxuto típica de muitos intérpretes especializados em instrumentos de época.

A postura romântica se manifesta com mais força nas duas obras mais conhecidas apresentadas em arranjos: o grandiosamente trágico Adagio de Tommaso Albinoni e a dramática Chaconne da Partita em ré menor de J. S. Bach, que aqui chega a soar mais como uma peça do século XIX do que do XVIII. As três sonatas em trio de Antonio Vivaldi, de seu compatriota e contemporâneo Antonio Lotti e do francês Jean-Baptiste Loeillet são obras um pouco menos impactantes, mas ainda assim recebem interpretações belas e carregadas de afeto.

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!

01. Sonata in C minor, F. XVI, No. 1 - I. Allegro (2:11)
02. Sonata in C minor, F. XVI, No. 1 - II. Largo (3:28)
03. Sonata in C minor, F. XVI, No. 1 - III. Allegro (2:11)
04. 12 Sonatas, Op. 5 - Sonata in B minor - I. Largo (4:12)
05. 12 Sonatas, Op. 5 - Sonata in B minor - II. Allegro con spirito (1:39)
06. 12 Sonatas, Op. 5 - Sonata in B minor - III. Adagio (1:13)
07. 12 Sonatas, Op. 5 - Sonata in B minor - IV. Allegro (1:53)
08. Violin Partita No. 2 in D minor, BWV 1004 - V. Chaconne (14:48)
09. 7 Trio Sonatas, Op. 2 - Sonata in D - I. Adagio - Allegro (3:32)
10. 7 Trio Sonatas, Op. 2 - Sonata in D - II. Arietta & Variations (3:46)
11. 7 Trio Sonatas, Op. 2 - Sonata in D - III. Largo - Vivace (2:29)
12. Trio Sonata in G major - I. Largo (2:10)
13. Trio Sonata in G major - II. Allegro (1:25)
14. Trio Sonata in G major - III. Adagio (3:29)
15. Trio Sonata in G major - IV. Vivace (1:52)
16. Adagio in G minor (7:01) 

Eroica Trio 

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Franz Schubert (1797-1828) - The Complete Symphonies e Rosamunde, Op. 26, D. 797

Da nota de apresentação do disco:

"No fim da década de 1970, Herbert von Karajan e a Orquestra Filarmônica de Berlim atingiram um ápice de refinamento sonoro. Esta coletânea destaca o ciclo Schubert de 1978 — celebrado pela precisão luminosa e pela elegância estrutural —, no qual o domínio de Karajan sobre a textura orquestral se mantém incomparável. Aqui, o chamado “som Karajan” alcança o seu ponto máximo: uma fusão contínua de potência, transparência e profundidade atmosférica que redefiniu essas obras-primas para a era moderna".

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Franz Schubert (1797-1828) - 

01. Symphony No. 1 in D Major, D. 82: I. Adagio - Allegro vivace (10:07)
02. Symphony No. 1 in D Major, D. 82: II. Andante (8:04)
03. Symphony No. 1 in D Major, D. 82: III. Menuetto. Allegro (6:44)
04. Symphony No. 1 in D Major, D. 82: IV. Allegro vivace (6:23)
05. Symphony No. 2 in B-Flat Major, D. 125: I. Largo - Allegro vivace (11:07)
06. Symphony No. 2 in B-Flat Major, D. 125: II. Andante (7:57)
07. Symphony No. 2 in B-Flat Major, D. 125: III. Menuetto. Allegro vivace (3:38)
08. Symphony No. 2 in B-Flat Major, D. 125: IV. Presto (6:11)
09. Symphony No. 3 in D Major, D. 200: I. Adagio maestoso - Allegro con brio (10:28)
10. Symphony No. 3 in D Major, D. 200: II. Allegretto (5:11)
11. Symphony No. 3 in D Major, D. 200: III. Menuetto. Vivace - Trio (4:20)
12. Symphony No. 3 in D Major, D. 200: IV. Presto vivace (5:17)
13. Symphony No. 4 in C Minor, D. 417: I. Adagio molto - Allegro vivace (7:37)
14. Symphony No. 4 in C Minor, D. 417: II. Andante (8:43)
15. Symphony No. 4 in C Minor, D. 417: III. Menuetto. Allegro vivace - Trio (4:28)
16. Symphony No. 4 in C Minor, D. 417: IV. Allegro (7:15)
17. Symphony No. 5 in B-Flat Major, D. 485: I. Allegro (7:09)
18. Symphony No. 5 in B-Flat Major, D. 485: II. Andante con moto (9:38)
19. Symphony No. 5 in B-Flat Major, D. 485: III. Menuetto. Allegro molto - Trio (5:40)
20. Symphony No. 5 in B-Flat Major, D. 485: IV. Allegro vivace (5:52)
21. Symphony No. 6 in C Major, D. 589: I. Adagio - Allegro (7:56)
22. Symphony No. 6 in C Major, D. 589: II. Andante (7:21)
23. Symphony No. 6 in C Major, D. 589: III. Scherzo. Presto - Trio. Più lento (6:54)
24. Symphony No. 6 in C Major, D. 589: IV. Allegro moderato (11:40)
25. Symphony No. 8 in B Minor, D. 759 "Unfinished": I. Allegro moderato (11:56)
26. Symphony No. 8 in B Minor, D. 759 "Unfinished": II. Andante con moto (13:47)
27. Rosamunde, Op. 26, D. 797: Overture from Die Zauberharfe, D. 644 (12:09)
28. Rosamunde, Op. 26, D. 797: Ballet Music I (7:53)
29. Rosamunde, Op. 26, D. 797: Ballet Music II (7:51)
30. Symphony No. 9 in C Major, D. 944 "The Great": I. Andante - Allegro ma non troppo (13:00)
31. Symphony No. 9 in C Major, D. 944 "The Great": II. Andante con moto (13:11)
32. Symphony No. 9 in C Major, D. 944 "The Great": III. Scherzo. Allegro vivace - Trio (14:15)
33. Symphony No. 9 in C Major, D. 944 "The Great": IV. Finale. Allegro vivace (11:59)

Berliner Philharmoniker
Herbert von Karajan, regente 

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sábado, 14 de fevereiro de 2026

Carl Orff (1895-1982) - Carmina Burana

Quando, na narrativa da história da música do século XX, o conceito de progresso ganha uma importância exagerada, muitas obras acabam excluídas dos registros por não terem nada de novo a dizer. A constatação é do jornalista Alex Ross, no livro O resto é ruído. Para ele, essas peças, não raro, são justamente aquelas que conquistaram um público mais amplo – e, por conta disso, acabaram-se formando dois repertórios distintos no período: um intelectual e outro popular. Exemplo bem-acabado do último grupo é a cantata Carmina Burana, de Carl Orff, uma das mais executadas obras entre as escritas no século XX, dona de uma popularidade nem sempre perdoada pelo establishment musical do período.

Foi às vésperas de completar 40 anos que Carl Orff teve seu primeiro contato com uma edição dos anos 1870 de Carmina Burana, coletânea de poemas e textos dramáticos dos séculos XI e XII, a maior parte escrita por jovens clérigos que, com eles, satirizavam alguns preceitos ligados às doutrinas da Igreja Católica. Ajudado por Michel Hofmann, aluno de direito e estudioso do latim e do grego, o compositor selecionou 24 trechos do livro. A seleção contemplou temas dos mais variados, como a superficialidade da sorte e da riqueza, a natureza efêmera da vida, a primavera, os desejos sexuais, os riscos da bebida e do jogo, e assim por diante.

Inspirado por essas passagens, Orff resolveu escrever o que chamou de uma cantata cênica, para grande orquestra, coro, tenor, soprano e barítono solistas. Do ponto de vista musical, a base da obra é a investigação rítmica – o que, para alguns estudiosos, resulta do impacto provocado pela audição de Les noces, de Igor Stravinsky, com quem o compositor aprendera também lições de orquestração. Já o estilo de canto oscila entre passagens de enorme dificuldade técnica e outras que se assemelham à declamação. Os detratores de Orff, por sua vez, chamariam atenção – e alguns o fazem ainda hoje – para a falta de ousadia na construção harmônica da obra. 

Empolgado com a estreia da peça em Frankfurt, em junho de 1937, Orff escreveria a seu editor dizendo que todas as suas composições anteriores poderiam ser destruídas. “Minha obra completa começa apenas agora.” O entusiasmo era compreensível – Carmina Burana foi um sucesso de público e, desde então, seria interpretada regularmente mundo afora, celebrada por seu estilo direto e envolvente – e criticada, por essa mesma razão, por autores como o próprio Ross, que, anos antes de lançar O resto é ruído, escreveu no New York Times que o fato de a obra “ter aparecido em centenas de filmes e comerciais de televisão é prova de que ela não carrega nenhuma mensagem diabólica, ou melhor, de que não carrega mensagem alguma”.

Texto completo aqui 

Carl Orff (1895 - 1982) - Carmina Burana

01 - Carmina Burana_ I. O Fortuna
02 - Carmina Burana_ II. Fortune plango vulnera
03 - Carmina Burana_ III. Veris leta facies
04 - Carmina Burana_ IV. Omnia sol temperat
05 - Carmina Burana_ V. Ecce gratum
06 - Carmina Burana_ VI. Dance
07 - Carmina Burana_ VII. Floret silva nobilis
08 - Carmina Burana_ VIII. Chramer, gip die varwe mir
09 - Carmina Burana_ IX. Reie ‒ Swaz hie gat umbe ‒ Chume, chum geselle min
10 - Carmina Burana_ X. Were diu werlt alle min
11 - Carmina Burana_ XI. Estuans interius
12 - Carmina Burana_ XII. Olim lacus colueram
13 - Carmina Burana_ XIII. Ego sum abbas
14 - Carmina Burana_ XIV. In taberna quando sumus
15 - Carmina Burana_ XV. Amor volat undique
16 - Carmina Burana_ XVI. Dies, nox et omnia
17 - Carmina Burana_ XVII. Stetit puella
18 - Carmina Burana_ XVIII. Circa mea pectora
19 - Carmina Burana_ XIX. Si puer cum puellula
20 - Carmina Burana_ XX. Veni, veni, venias
21 - Carmina Burana_ XXI. In trutina
22 - Carmina Burana_ XXII. Tempus est iocundum
23 - Carmina Burana_ XXIII. Dulcissime
24 - Carmina Burana_ XXIV. Ave formosissima
25 - Carmina Burana_ XXV. O Fortuna

Münchner Philharmoniker
Alain Altinoglu, regente

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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Robert Schumann (1809-1856) - Arabesque in C Major, Op. 18, Kreisleriana, Op. 16 e Carnaval, Op. 9

Um disco de imensa beleza de um dos maiores poetas musicais da história. A primeira obra é o Arabesque in C Major, Op. 18, escrita em 1839. É uma obra de grande beleza e delicadeza. Quando escreveu a obra, Schumann atravessava um período de grande serenidade. Aqui, Schumann revela sua face mais lírica. A música flui com elegância e leveza, mas sob a superfície tranquila há uma discreta melancolia. É como uma carta de amor escrita em tons suaves. O contraste entre as seções mais luminosas e os momentos levemente sombrios antecipa a dualidade emocional que marcaria tantas de suas obras.

A segunda obra é bem diferente da primeira - Kreisleriana, Op. 16. Enquanto a primeira é serena e evocativa, a segunda é tempestuosa, impetuosa, inquieta. Ela é baseada no personagem Johannes Kreisler, criação do escritor E. T. A. Hoffmann, a obra mergulha no universo do artista atormentado, dividido entre êxtase criativo e desespero. Schumann adorava literatura e muitas das suas impressões e contemplações surgiam em suas obras. A obra foi escrita entre os anos de 1838 e 1839.

E a última obra do disco é o Carnaval, Op. 9. A obra foi escrita entre os anos de 1834 e 1835. Cada miniatura tem personalidade própria, mas juntas formam um mosaico vibrante da imaginação romântica. Entre as figuras retratadas está Clara Schumann, grande pianista e amor de sua vida. Também aparecem alusões a colegas compositores e aos alter egos do próprio autor. Schumann constrói a obra a partir de um jogo musical com as notas que formam a palavra “ASCH”, criando uma espécie de enigma sonoro.

A interpretação da pianista Klara Min é primorosa. Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Robert Schumann (1809-1856) - 

01. Arabesque in C Major, Op. 18
02. Kreisleriana, Op. 16 I. Äußerst bewegt
03. Kreisleriana, Op. 16 II. Sehr innig und nicht zu rasch
04. Kreisleriana, Op. 16 III. Sehr aufgeregt
05. Kreisleriana, Op. 16 IV. Sehr langsam
06. Kreisleriana, Op. 16 V. Sehr lebhaft
07. Kreisleriana, Op. 16 VI. Sehr langsam
08. Kreisleriana, Op. 16 VII. Sehr rasch
09. Kreisleriana, Op. 16 VIII. Schnell und spielend
10. Carnaval, Op. 9 No. 1, Préambule
11. Carnaval, Op. 9 No. 2, Pierrot
12. Carnaval, Op. 9 No. 3, Arlequin
13. Carnaval, Op. 9 No. 4, Valse noble
14. Carnaval, Op. 9 No. 5, Eusebius
15. Carnaval, Op. 9 No. 6, Florestan
16. Carnaval, Op. 9 No. 7, Coquette
17. Carnaval, Op. 9 No. 8, Replique
18. Carnaval, Op. 9 No. 9, Papillons
19. Carnaval, Op. 9 No. 10, Lettres dansantes
20. Carnaval, Op. 9 No. 11, Chiarina
21. Carnaval, Op. 9 No. 12, Chopin
22. Carnaval, Op. 9 No. 13, Estrella
23. Carnaval, Op. 9 No. 14, Reconnaissance
24. Carnaval, Op. 9 No. 15, Pantalon et Colombine
25. Carnaval, Op. 9 No. 16, Valse allemande
26. Carnaval, Op. 9 No. 17, Paganini
27. Carnaval, Op. 9 No. 18, Aveu
28. Carnaval, Op. 9 No. 19, Promenade
29. Carnaval, Op. 9 No. 20, Pause
30. Carnaval, Op. 9 No. 21, Marche des Davidsbündler

Klara Min, piano 

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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Ursina Maria Braun - Bach & Gubaidulina

 

Um pequeno texto de apresentação do disco.

Uma aventura sonora empolgante: os “Dez Prelúdios”, de Sofia Gubaidulina, compostos em 1974, unem-se às Allemandes das Suítes para Violoncelo de Johann Sebastian Bach em um diálogo fascinante entre passado e presente.

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

01. Gubaidulina- Ten Preludes for Cello Solo (1974, rev. 1999)- I. Staccato - Legato
02. Bach- Cello Suite No. 6 in D Major, BWV 1012- II. Allemande
03. Gubaidulina- Ten Preludes for Cello Solo (1974, rev. 1999)- VI. Flagioletti
04. Gubaidulina- Ten Preludes for Cello Solo (1974, rev. 1999)- VII. Al taco - Da punta D'arco
05. Bach- Cello Suite No. 3 in C Major, BWV 1009- II. Allemande
06. Gubaidulina- Ten Preludes for Cello Solo (1974, rev. 1999)- VIII. Arco - Pizzicato
07. Gubaidulina- Ten Preludes for Cello Solo (1974, rev. 1999)- IX. Pizzicato - Arco
08. Gubaidulina- Ten Preludes for Cello Solo (1974, rev. 1999)- III. Con sordino - Senza Sordino
09. Bach- Cello Suite No. 2 in D Minor, BWV 1008- II. Allemande
10. Gubaidulina- Ten Preludes for Cello Solo (1974, rev. 1999)- II. Legato - Staccato
11. Bach- Cello Suite No. 4 in E-Flat Major, BWV 1010- II. Allemande
12. Gubaidulina- Ten Preludes for Cello Solo (1974, rev. 1999)- V. Sul ponticello - Ordinario - Sul Tasto
13. Gubaidulina- Ten Preludes for Cello Solo (1974, rev. 1999)- IV. Ricochet
14. Bach- Cello Suite No. 1 in G Major, BWV 1007- II. Allemande
15. Gubaidulina- Ten Preludes for Cello Solo (1974, rev. 1999)- X. Senza arco, senza Pizzicato
16. Bach- Cello Suite No. 5 in C Minor, BWV 1011- I. Prélude
17. Bach- Cello Suite No. 5 in C Minor, BWV 1011- II. Allemande
18. Bach- Cello Suite No. 5 in C Minor, BWV 1011- III. Courante
19. Bach- Cello Suite No. 5 in C Minor, BWV 1011- IV. Sarabande
20. Bach- Cello Suite No. 5 in C Minor, BWV 1011- V. Gavotte I + II
21. Bach- Cello Suite No. 5 in C Minor, BWV 1011- VI. Gigue
22. Bach- Cello Suite No. 1 in G Major, BWV 1007- I. Prélude 

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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Johann Sebastian Bach (1685-1750) - The Six Trio Sonatas

Da apresentação do disco:

A gravação de E. Power Biggs das seis Sonatas em Trio de Johann Sebastian Bach dispensa apresentações. Registradas em 1966, as interpretações tornaram-se presença constante no catálogo da CBS/Sony, consolidando-se como referência discográfica ao longo das décadas.

Embora tradicionalmente executadas ao órgão, as seis sonatas revelam-se particularmente adequadas ao cravo com pedaleira. Frequentemente considerado apenas um instrumento de estudo para organistas, o cravo-pedal ganha, sob a condução de Biggs, estatura de instrumento de concerto, explorado com autoridade e refinamento.

Se fosse necessário escolher apenas uma versão das Sonatas em Trio, a de Biggs seria a opção inequívoca. Essas obras não ostentam o pathos, a grandiosidade ou a força avassaladora presentes em outras composições organísticas de Bach. Ainda assim, poucos intérpretes — ou nenhum, para este crítico — conseguem evidenciar com tanta clareza as qualidades próprias dessas peças.

Entre os aspectos mais notáveis da leitura de Biggs destacam-se:

  1. Equilíbrio entre dignidade e elegância — As interpretações combinam solenidade e leveza em medida rara.

  2. Expressão jubilosa — As seis sonatas são permeadas por uma musicalidade luminosa, entregue por Biggs com pureza exemplar.

  3. Clareza textural — O detalhamento impressiona: as três vozes parecem emergir de instrumentos distintos, mantendo, ao mesmo tempo, perfeita coesão. O resultado é uma audição rica em contraste e interesse.

  4. Precisão técnica — Andamento, intervalos e articulação soam irrepreensíveis. Como nas melhores gravações, o ouvinte tem a sensação de estar diante da interpretação ideal da obra.

  5. Qualidade sonora duradoura — Apesar de ter sido realizada há mais de três décadas, a gravação mantém excelência técnica, comparável a produções contemporâneas. Diferentemente de muitas gravações de cravo, o som aqui é particularmente agradável e acessível ao ouvido.

Em síntese, a leitura de E. Power Biggs permanece como uma das interpretações mais convincentes das Sonatas em Trio de Bach, combinando rigor, sensibilidade e qualidade sonora em um registro que atravessa o tempo.

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!

Johann Sebastian Bach (1685-1750) - 

Trio Sonata for organ No. 1 in E flat major, BWV 525 (BC J1)
01. I. [ ]
02. II. Adagio
03. III. Allegro

Trio Sonata for organ No. 2 in C minor, BWV 526 (BC J2)
04. I. Vivace
05. II. Largo
06. III. Allegro

Trio Sonata for organ No. 3 in D minor, BWV 527 (BC J3)
07. I. Andante
08. II. Adagio e dolce
09. III. Vivace

Trio Sonata for organ No. 4 in E minor, BWV 528 (BC J4)
10. I. Adagio. Vivace
11. II. Andante
12. III. Un poco allegro

Trio Sonata for organ No. 5 in C major, BWV 529 (BC J5)
13. I. Allegro
14. II. Largo
15. III. Allegro

Trio Sonata for organ No. 6 in G major, BWV 530 (BC J6)

16. I. Vivace
17. II. Lento
18. III. Allegro

E. Power Biggs, pedal harpsichord 

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terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Anton Bruckner (1824-1896) - Symphony No. 8 in C minor


Após sucessivos fracassos e críticas desfavoráveis com Sinfonias anteriores, Bruckner havia conhecido o triunfo com a Sétima, obra aceita e acolhida desde a estréia, e tocada com enorme sucesso pelo amigo Hermann Levi, regente da temporada de concertos em Munique. Foi para ele que Bruckner enviou a recém-terminada Oitava (em sua primeira versão). Levi, sabendo da fragilidade emocional do amigo, não teve como dizer-lhe que a obra lhe era estranha e difícil; encarregou um amigo comum, Franz Schalk, de dar a Bruckner o aviso da recusa. 

Imediatamente a seguir, Bruckner pôs-se a re-escrever a obra, fazendo inúmeras alterações significativas, como o aumento da orquestração (madeiras a 3, ao invés de 2 cada), o encurtamento do final do primeiro movimento, que não mais terminaria estrondosamente, mas sim dissolvendo-se em pianissimo; mudança do tema da parte central do Scherzo; e cortes no Adagio e mais radicais no movimento final. Terminada a segunda versão em 1890, 3 anos depois da outra, temos um Bruckner deprimido e numa febre de remanejamentos — resolvera revisar também a Terceira e Primeira Sinfonias — que vai resultar na impossibilidade de terminar sua Nona e última Sinfonia.

Como Hermann Levi encontrava-se seriamente enfermo, encarregou seu discípulo, o então jovem maestro Feliz von Weingartner, de reger a obra. Mas este experimentou com relação à obra o mesmo estranhamento que seu mestre, achava tudo muito difícil para seus músicos em Mannheim, e dando desculpas ao pobre compositor, foi adiando a estréia. Até que Hans Richter, regente da série de assinaturas da Filarmônica de Viena, concordou em incluir a Oitava na programação.

A estreia em 1892 foi a consagração que Bruckner esperara por toda a vida. Ainda que alguns deixassem a sala ao fim de cada movimento — o que, para ele, era mais que comum —, o fim da apresentação veio encontrar Johannes Brahms, conhecido rival de Bruckner, aplaudindo de pé. O compositor Hugo Wolf, presente à estréia, escreveu que "esta Sinfonia é a criação de um gigante, que excede em dimensão espiritual, em fecundidade e grandeza [...]". De fato esta Oitava ultrapassa todas as obras sinfônicas escritas até então em sua imensidão. É colossal, titânica.

 

Anton Bruckner (1824-1896) - 

01 - I. Allegro moderato
02 - II. Scherzo. Allegro moderato
03 - III. Adagio. Feierlich langsam, doch nicht schleppend
04 - IV. Finale. Feierlich, nicht schnell

Version 1890 / Nowak Edition

Orchestre de la Suisse Romande
Marek Janowski, regente 

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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Franz Schubert (1797-1828) - Die Nacht

Da apresentação do disco:

Apresentados um ao outro pelo amigo em comum Dino Saluzzi, em 2003, a violoncelista alemã Anja Lechner e o guitarrista argentino Pablo Márquez vêm explorando, desde então, um repertório amplo e diversas formas de expressão em seus concertos.

No primeiro álbum em duo da parceria, o fio condutor conceitual é a forte tradição das canções com acompanhamento de violão predominante na Viena do século XIX, contexto no qual Lechner e Márquez interpretam obras de Franz Schubert. Muitas das canções do compositor foram publicadas, ainda em vida, em versões alternativas com violão; em alguns casos, essas versões antecederam inclusive as destinadas ao piano.

Intercaladas no álbum, como eco e comentário ao espírito e à linguagem de Schubert, estão as elegantes Trois Nocturnes, originalmente escritas para violoncelo e violão por Friedrich Burgmüller (1806–1874). Die Nacht é lançado enquanto Lechner e Márquez iniciam uma turnê europeia, com concertos programados na Alemanha, Áustria, França, Hungria e Romênia. 

Franz Schubert (1797-1828) - 

01 Nocturne Nr. 1 in a-Moll Andantino
02 Nacht und Träume
03 Nocturne Nr. 3 in C-Dur Allegro moderato
04 Die Nacht
05 Der Leiermann
06 “Arpeggione” Sonate in a-Moll Allegro moderato
07 “Arpeggione” Sonate in a-Moll Adagio
08 “Arpeggione” Sonate in a-Moll Allegretto
09 Fischerweise
10 Meeres Stille
11 Nocturne Nr. 2 in F-Dur Adagio cantabile
12 Romanze aus Rosamunde
13 Nocturne Nr. 1 in a-moll

Anja Lechner, violoncelo
Pablo Márquez,  guitarra

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Dmitri Shostakovich (1906-1975) - Cello Concerto No. 1 in E flat major Op. 107 e Cello Concerto NO. 2 in G major Op. 126


Shostakovich escreveu dois dos mais significativos concertos para violoncelo da história. São verdadeiras obras-primas. Como era da sua “persona”, a linguagem emanada pelos dois concertos está alicerçada em um território emocional complexo, onde ironia, a angústia, a humor ácido e uma estranha ternura convivem sem pedir licença.

O Primeiro Concerto costuma ser a porta de entrada para muito do que Shostakovich escreveu. Rítmico, dramático, com uma energia impressionante em certos momentos, a obra infunde uma atmosfera de sarcasmo, de uma força magnética que é capaz de prender o ouvinte. É como se Shostakovich insistisse em uma ideia que o mundo não deseja escutar. O solista procura dar ao instrumento uma loquacidade que precisa ser ouvida e essa voz está repleta de camadas de dramas, ironias, sarcasmos e coisas indizíveis. A tensão ganha cores e profundidade.

Já o Segundo Concerto procura outra abordagem. Enquanto o Primeiro tende à inquietação, o Segundo é menos expansivo – e mais introspectivo. Ele parece falar baixo, pedindo que o ouvinte se aproxime com ouvidos atentos a fim de captar os murmúrios ´proferidos. Se o primeiro concerto se dispõe ao conflito, o segundo o contempla o mundo com cansaço e lucidez. Há silêncios, lacônicos gestos de recolhimento.

As duas obras de Shostakovich são tratados que falam sobre a natureza humana e seus múltiplos conflitos. Elas possuem uma psicologia que pode ser facilmente compreendida no momento histórico em que vivemos. O compositor soviético tinha seus motivos para cria-las no momento em que elas surgiram, todavia elas se tornaram filosoficamente relevantes e emblemáticas e atemporais.

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!

Dmitri Shostakovich (1906-1975) - 

Cello Concerto No. 1 in E flat major Op. 107
01. Allegretto
02. Moderato
03. Cadenza
04. Finale: Allegro con moto

Cello Concerto NO. 2 in G major Op. 126
05. Largo
06. Scherzo: Allegretto
07. Finale: Allegretto

WDR Sinfonieorchester
Jukka-Pekka Saraste, regente
Alban Gerhardt, violoncelo 

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domingo, 8 de fevereiro de 2026

Ludwig van Beethoven (1770-1827) - Piano Trios

Quando Ludwig van Beethoven se mudou para Viena, em 1792, chegou com a expectativa de se tornar o sucessor de Mozart. O compositor havia morrido no início de dezembro de 1791, e Beethoven desembarcou na capital austríaca respaldado pelo elogio do compositor e organista alemão Christian Gottlob Neefe (1748–1798).

Aluno de Neefe desde o início da década de 1780, Beethoven estudou piano, órgão, baixo contínuo e composição. Já em 1783, o mestre escrevia que o jovem músico “certamente se tornaria um segundo Wolfgang Amadeus Mozart se continuasse como havia começado… Toca piano com grande habilidade e força… e é merecedor de apoio para que possa viajar”.

Já instalado em Viena, Beethoven iniciou aulas de composição com Joseph Haydn e passou a impressionar a elite financeira da cidade com suas apresentações. Em 1794, o Jahrbuch der Tonkunst von Wien und Prag descreveu-o como “um gênio musical… universalmente admirado por sua virtuosidade singular… parece ter se imposto, de forma quase forçada, ao círculo mais interno da arte, no qual se destaca pela precisão, expressão e bom gosto; dessa maneira, elevou significativamente sua reputação”.

Um de seus principais patronos foi o príncipe Karl Lichnowsky. Como sua primeira obra publicada, Beethoven compôs os Trios para Piano Op. 1, apresentados pela primeira vez no fim de 1793, na presença de Haydn, no palácio de Lichnowsky. As obras foram dedicadas ao patrono, que não apenas arcou com os custos de impressão como também mobilizou seus contatos na nobreza para adquiri-las por meio de subscrição.

Para a editora Artaria, a lista de 123 assinantes garantiu a cobertura antecipada das despesas. A primeira edição, lançada em 1795, foi seguida, ao longo dos 30 anos seguintes, por numerosas adaptações para diferentes formações instrumentais, chegando inclusive a versões para orquestra sinfônica completa. Em 1817, o Op. 1 nº 3 surgiu em um arranjo para quinteto de cordas assinado por um compositor amador chamado Kaufmann, versão que Beethoven revisou e publicou como seu próprio Op. 104.

Continua aqui  

Ludwig van Beethoven (1770-1827) - 

DISCO 01 

Piano Trio No. 1 in E Flat Major, Op. 1 No. 1
01. I. Allegro
02. II. Adagio cantabile
03. III. Scherzo. Allegro assai
04. IV. Finale. Presto

Piano Trio No. 2 in G Major, Op. 1 No. 2:
05. I. Adagio - Allegro vivace
06. II. Largo con espressione
07. III. Scherzo. Allegro
08. IV. Finale. Presto

DISCO 02


Piano Trio No. 3 in C Minor, Op. 1 No. 3:
01. I. Allegro con brio
02. Beethoven: II. Andante cantabile con variazioni
03. Beethoven: III. Menuetto. Quasi allegro
04. IV. Finale. Prestissimo

Piano Trio No. 7 in B Flat Major, Op. 97 "Archduke":

05. I. Allegro moderato
06. II. Scherzo. Allegro
07. III. Andante cantabile, ma però con moto - Poco più adagio
08. IV. Allegro moderato

DISCO 03

Piano Trio No. 5 in D Major, Op. 70 No. 1 "Geistertrio":
01. I. Allegro vivace e con brio
02. II. Largo assai ed espressivo
03. III. Presto

Piano Trio No. 6 in E Flat Major, Op. 70 No. 2:
04. I. Poco sostenuto - Allegro ma non troppo
05. II. Allegretto
06. III. Allegretto ma non troppo
07. IV. Finale. Allegro
10 Variations on "Ich bin der Schneider Kakadu", Op. 121a:
08. Introduction. Adagio assai
09. Theme. Allegretto
10. Var. 1
11. Var. 2
12. Var. 3
13. Var. 4
14. Var. 5
15. Var. 6
16. Var. 7
17. Var. 8
18. Var. 9. Adagio espressivo
19. Var. 10. Presto
20. Coda. Allegretto

Daniel Barenboim, piano
Michael Barenboim, violino
Kian Soltani, violoncelo 

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sábado, 7 de fevereiro de 2026

Johann Graf (1684-1750) - Violin Sonatas

Johann Graf foi um contemporâneo de Bach, todavia nunca havia escutado a sua música. Ele nasceu um ano antes de Bach e faleceu no mesmo ano do autor dos Concertos de Brandenbugo. Graf faz parte daquela constelação de compositores que não tiveram a sua música reverenciada pela posteridade. Esses compositores deram uma contribuição significativa no momento em que viveram, sustentando a vida musical de igrejas, cortes e cidades.

Ativo no mundo germânico entre o fim do século XVII e o início do XVIII, Johann Graf foi compositor e músico em um período de intensa transformação cultural na Europa. A música vivia o auge do Barroco, um estilo marcado pela expressividade, pelo contraste entre emoções e pelo diálogo constante entre vozes e instrumentos.

Grande parte da produção musical desse período não era feita para grandes concertos públicos, mas para o uso diário: celebrações religiosas, eventos da corte, cerimônias oficiais e momentos de devoção. Johann Graf compôs dentro dessa lógica. Suas obras serviam tanto para acompanhar a liturgia cristã quanto para entreter e elevar espiritualmente seus ouvintes.

Ele escreveu música vocal e instrumental, seguindo as formas típicas da época, como corais, peças para conjuntos de câmara e obras pensadas para pequenos grupos de músicos. Tudo era feito para soar bem nos espaços disponíveis - igrejas, salões e capelas - e para músicos que muitas vezes não eram profissionais virtuoses, mas trabalhadores da música local.

Johann Graf não buscava revoluções estéticas. Seu valor está justamente em representar como a música realmente funcionava na vida das pessoas naquele período. Ele dominava a linguagem musical de seu tempo, utilizando melodias claras, harmonias expressivas e estruturas compreensíveis, que facilitavam a comunicação com o público.

Este disco é belíssimo. Transmite uma impressão afirmativa de como era a sua música. Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Johann Graf (1684-1750) - 

01. Violin Sonata in G Minor, Op. 1 No. 4: I. Grave
02. Violin Sonata in G Minor, Op. 1 No. 4: II. Vivace - Adagio
03. Violin Sonata in G Minor, Op. 1 No. 4: III. Allegro
04. Violin Sonata in G Minor, Op. 1 No. 4: IV. Adagio
05. Violin Sonata in G Minor, Op. 1 No. 4: V. Presto
06. Violin Sonata in A Minor, Op. 1 No. 5: I. Largo
07. Violin Sonata in A Minor, Op. 1 No. 5: II. Allegro
08. Violin Sonata in A Minor, Op. 1 No. 5: III. Adagio
09. Violin Sonata in A Minor, Op. 1 No. 5: IV. Presto
10. Violin Sonata in C Minor, Op. 2 No. 2: I. Largo
11. Violin Sonata in C Minor, Op. 2 No. 2: II. Allegro
12. Violin Sonata in C Minor, Op. 2 No. 2: III. Siciliana
13. Violin Sonata in C Minor, Op. 2 No. 2: IV. Allegro
14. Violin Sonata in G Major, Op. 2 No. 6: I. Adagio
15. Violin Sonata in G Major, Op. 2 No. 6: II. Allegro
16. Violin Sonata in G Major, Op. 2 No. 6: III. Siciliana
17. Violin Sonata in G Major, Op. 2 No. 6: IV. Vivace
18. Violin Sonata in A Major, Op. 3 No. 4: I. Adagio
19. Violin Sonata in A Major, Op. 3 No. 4: II. Allegro
20. Violin Sonata in A Major, Op. 3 No. 4: III. Siciliana
21. Violin Sonata in A Major, Op. 3 No. 4: IV. Tempo di minuet
22. Violin Sonata in G Minor, Op. 3 No. 5: I. Adagio
23. Violin Sonata in G Minor, Op. 3 No. 5: II. Vivace
24. Violin Sonata in G Minor, Op. 3 No. 5: III. Siciliana
25. Violin Sonata in G Minor, Op. 3 No. 5: IV. Allegro

Anne Schumann, violino
Klaus Voigt, viola da spalla
Sebastian Knebel, cravo 

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Johann Sebastian Bach (1685-1750) - Trio Sonatas

Este é daqueles discos que você escuta e sente a vida se tornar mais leve, mais repleta de significação. O disco se sobressai pela leveza, pela beleza indescritível. As Trio Sonatas, catalogadas como BWV 525 a 530. Escritas por volta de 1727, elas são um verdadeiro milagre. 

Apesar do nome, essas obras não foram pensadas para três músicos. Bach as escreveu para um único instrumentista ao órgão. O “trio” está na música: três linhas independentes soam ao mesmo tempo. Duas são tocadas com as mãos, em teclados diferentes, e a terceira — o baixo — com os pés, no pedal do órgão.

É como assistir a três personagens conversando ao mesmo tempo, cada um com personalidade própria, mas formando um todo coerente. Para o ouvinte leigo, o resultado é surpreendentemente claro: dá para “seguir” cada voz, mesmo quando tudo acontece junto.

As Trio Sonatas também têm uma história curiosa de bastidores. Muitos estudiosos acreditam que Bach as escreveu com um objetivo pedagógico: treinar o filho mais velho, Wilhelm Friedemann, considerado um virtuose do teclado. Não por acaso, essas peças são famosas por sua dificuldade técnica. Para o organista, é quase um teste de independência corporal total.

Mas não se engane: não é música “acadêmica” no sentido frio da palavra. Cada sonata traz movimentos vivos, dançantes, cheios de ritmo. Há momentos de leveza quase alegre, seguidos de passagens mais introspectivas. Tudo com aquela assinatura bachiana: ordem, equilíbrio e emoção andando de mãos dadas.

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Johann Sebastian Bach (1685-1750) - 

01 - No. 1 in E flat major, BWV 525 1.
02 - No. 1 in E flat major, BWV 525 2. Adagio
03 - No. 1 in E flat major, BWV 525 3. Allegro
04 - No. 2 in C minor, BWV 526 1. Vivace
05 - No. 2 in C minor, BWV 526 2. Largo
06 - No. 2 in C minor, BWV 526 3. Allegro
07 - No. 3 in D minor, BWV 527 1. Andante
08 - No. 3 in D minor, BWV 527 2. Adagio e dolce
09 - No. 3 in D minor, BWV 527 3. Vivace
10 - No. 4 in E minor, BWV 528 1. Adagio vivace
11 - No. 4 in E minor, BWV 528 2. Andante
12 - No. 4 in E minor, BWV 528 3. Un poc' Allegro
13 - No. 5 in C major, BWV 529 1. Allegro
14 - No. 5 in C major, BWV 529 2. Largo
15 - No. 5 in C major, BWV 529 3. Allegro
16 - No. 6 in G major, BWV 530 1. Vivace
17 - No. 6 in G major, BWV 530 2. Lento
18 - No. 6 in G major, BWV 530 3. Allegro

London Baroque
Ingrid Seifert, violino
Richard Gwilt, violino
Charles Medlam, violoncelo
Terence Charlston, cravo 

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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Frédéric Chopin (1810-1849) - Complete Sonatas

Texto extraído da apresentação do disco: 

1826. A família Chopin vive em Varsóvia. Frédéric ainda é muito jovem, à beira da idade adulta. Seu catálogo já é expressivo, reunindo peças para piano, rondós, variações, valsas, mazurcas e polonaises. Em situação de relativo conforto material e recolhido a uma certa solidão — ele que tanto desejava abandonar a escola —, Chopin dedica-se ao estudo do contraponto, apenas do contraponto, já que domina com perfeição a técnica pianística. As aulas são ministradas por Józef Elsner, na Escola Superior de Música.

Paralelamente, matricula-se como ouvinte na Universidade de Varsóvia, frequentando cursos de história e literatura. Ambas as disciplinas refletem as duas grandes correntes intelectuais do período: o Iluminismo, de um lado, e o Sturm und Drang, de outro. Essas influências alimentam a nova literatura polonesa que, por sua vez, impulsiona um nacionalismo orgulhoso e de energia revolucionária.

As tradições eslavas e polonesas são valorizadas por figuras como o próprio Elsner, também compositor de óperas. É nesse contexto que ele projeta o destino de seu aluno mais talentoso: poderia Chopin tornar-se o Messias da ópera polonesa? Afinal, o repertório pianístico parecia destinado a perder espaço diante das prioridades exaltadas do momento. Na prática, Chopin estuda canto e italiano, sem jamais se afastar de suas extraordinárias qualidades como instrumentista.

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!

Frédéric Chopin (1810-1849) - 

01. Sonata No. 1 in C Minor, Op. 4: I. Allegro maestoso (07:02)
02. Sonata No. 1 in C Minor, Op. 4: II. Minuetto. Allegretto (03:25)
03. Sonata No. 1 in C Minor, Op. 4: III. Larghetto (03:56)
04. Sonata No. 1 in C Minor, Op. 4: IV. Finale. Presto (07:11)
05. Sonata No. 2 in B-Flat Minor, Op. 35 "Funeral March": I. Grave. Doppio movimento (07:47)
06. Sonata No. 2 in B-Flat Minor, Op. 35 "Funeral March": II. Scherzo (07:26)
07. Sonata No. 2 in B-Flat Minor, Op. 35 "Funeral March": III. Marche funèbre. Lento (09:03)
08. Sonata No. 2 in B-Flat Minor, Op. 35 "Funeral March": IV. Finale. Presto (01:43)
09. Sonata No. 3 in B Minor, Op. 58: I. Allegro maestoso (09:23)
10. Sonata No. 3 in B Minor, Op. 58: II. Scherzo (02:58)
11. Sonata No. 3 in B Minor, Op. 58: III. Largo (08:49)
12. Sonata No. 3 in B Minor, Op. 58: IV. Finale. Presto non tanto (05:17)

Véronique Bonnecaze, piano 

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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Johannes Brahms (1833-1897) - Symphony No. 3 in F Major, Op. 90 e Symphony No. 4 in E Minor, Op. 98

 

Brahms é um dos meus compositores favoritos da vida. Quem, esporadicamente, aparece por aqui, já percebeu a minha predileção por ele. Sua música é a elevação do humano a categorias do indescritível. Brahms era um sujeito absolutamente reservado e crítico. Não gostava de aparecer. Possuía um senso de respeito pelos vultos do passado, entre eles se inscreviam Haydn, Mozart e Beethoven. Esse respeito, essa percepção da grandiosidade desses sujeitos, fez com que o compositor demorasse bastante a incursionar pelo mundo das obras sinfônicas.

Seu grande modelo de perfeição era Beethoven. Entendemos o compositor. Na sua cabeça, o que poderia ser escrito e pensado após Beethoven? Certamente, muitos esboços foram rasgados. Hoje, enquanto escutamos as quatro sinfonias que escreveu, lamentamos que ele não tenha avançado até à Nona como fez seu grande ídolo.

Neste disco, encontramos as sinfonias 3 e 4. As duas foram escritas na década de 1880, em um período de grande maturidade para o compositor. Nesse período, enquanto a música programática, operística, os poemas sinfônicos se apegavam às grandes histórias de personagens, Brahms seguia pela outra margem do rio. Não se abalava com isso. Para ele o que contava era aquilo que ele chamava de “música absoluta”, ou seja, aquela que não precisa de um enredo para existir. Ela por si só possui eloquência.

Os dois trabalhos aqui colocados não se preocupam em explicitar histórias medievais ou de heróis, como ocorria com a música de Wagner. Sua preocupação é permitir que a música fale – profundamente – sobre o que é ser humano – a força, fragilidade, os silêncios, as ambiguidades, os dilemas existenciais, em suma, a grande tarefa que é existir em um mundo repleto de variáveis, de mudanças.

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

01. Symphony No. 3 in F Major, Op. 90: 1. Allegro con brio 
02. Symphony No. 3 in F Major, Op. 90: 2. Andante 
03. Symphony No. 3 in F Major, Op. 90: 3. Poco allegretto 
04. Symphony No. 3 in F Major, Op. 90: 4. Allegro 
05. Symphony No. 4 in E Minor, Op. 98: 1. Allegro non troppo 
06. Symphony No. 4 in E Minor, Op. 98: 2. Andante moderato 
07. Symphony No. 4 in E Minor, Op. 98: 3. Allegro giocoso 
08. Symphony No. 4 in E Minor, Op. 98: 4. Allegro energico e passionato 

Australian Chamber Orchestra

Richard Tognetti, regente

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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Claude Debussy (1862-1918) - String Quartet in G Minor, Op. 10, L. 85 e Karol Szymanowski (1882-1937) - String Quartet No. 1 in C Major, Op. 37 e String Quartet No. 2, Op. 56

 

Recordo-me, de quando comecei a ouvir música de câmara, isso há quase trinta anos, tive algumas dificuldades. A experiência de deleite foi lenta e gradual. Achava de difícil assimilação. Conseguia ouvir compositores como Haydn ou Mozart, mas ficava explícita uma dificuldade à medida que as obras chegavam ao século XX. Acredito que esse seja o dilema daquelas pessoas que iniciam gradualmente a ouvir a música chamada clássica, principalmente música de câmara.

É importante mencionar que, ao longo dos séculos, a música de câmara proporcionou experimentações ousadas, o que acabou por se tornar em um laboratório relevante de novas possibilidades sonoras. É o que, por exemplo, encontramos neste disco. São três obras – uma de Debussy e outras duas do polonês Szymanowski.

O Opus 10, de Debussy, é o único quarteto de cordas escrito por ele. É uma verdadeira joia. Como tudo que fez, Debussy procurou romper com a influência da música alemã do século XIX, apesar de a obra ser do ano de 1893. Em vez de desenvolver temas de forma tradicional, ele apostou em cores sonoras, em harmonias ousadas, que se insinuam ao longo dos quatro movimentos. O resultado é a construção de uma espécie de pintura musical, um quadro capaz de criar impressões sensoriais. É uma das obras camerísticas de que mais gosto.

Já no caso de Szymanowski, o Opus 37 foi composto em 1917, no momento em que a Europa encontrava-se mergulhada na Primeira Guerra Mundial. A obra é um marco na carreira do compositor, pois representou uma espécie de ruptura com o romantismo tardio e o aproximou de uma linguagem mais moderna, influenciado pela música de Ravel e Debussy. O resultado é uma música introspectiva e elegante.

Já o Opus 2 do compositor polonês, foi escrito em 1927. É uma obra mais concisa, ousada e pessoal. Szymanowski incorpora elementos do folclore polonês, combinando com uma escrita moderna, rítmica e repleta de contrastes. É uma música direta, menos contemplativa do que o Opus 37.

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

01 - String Quartet in G Minor, Op. 10, L. 85_ I. Animé et très décidé
02 - String Quartet in G Minor, Op. 10, L. 85_ II. Assez vif et bien rythmé
03 - String Quartet in G Minor, Op. 10, L. 85_ III. Andantino, doucement expressif
04 - String Quartet in G Minor, Op. 10, L. 85_ IV. Très modéré - Très mouvementé
05 - String Quartet No. 1 in C Major, Op. 37_ I. Lento assai - Allegro moderato
06 - String Quartet No. 1 in C Major, Op. 37_ II. Andantino semplice. In modo d’una canzone
07 - String Quartet No. 1 in C Major, Op. 37_ III. Vivace - Scherzando alla burlesca. Vivace ma non
08 - String Quartet No. 2, Op. 56_ I. Moderato
09 - String Quartet No. 2, Op. 56_ II. Vivace scherzando
10 - String Quartet No. 2, Op. 56_ III. Lento

Belcea Quartet 

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terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Johannes Brahms (1833-1897) - Clarinet Quintet in B Minor, Op. 115 e Clarinet Sonata in E-Flat Major, Op. 120 No. 2

Tenho uma profunda admiração pela música de Johannes Brahms. Para mim, um dos maiores poetas da história. Neste disco, encontramos duas peças extraordinárias, escritas já no final de sua vida. Longe de denotarem uma ideia de cansaço, elas exalam delicadeza e uma sabedoria musical incomum. Trata-se de obras de alguém que aprendeu a conviver com o silêncio; com reflexões demoradas. Afirmo isso, pois dizem os historiadores que Brahms era um sujeito de poucos amigos, que gostava da solidão; que se recolhia e experimentava delicados silêncios.

O Opus 115 foi escrito em 1881, um período de maturidade do compositor. O clarinete se junta a um quarteto de cordas (dois violinos, uma viola e um violoncelo). Não há disputas. Existe um diálogo, um colóquio delicado de cada um dos instrumentos. Há momentos de uma funda densidade melancólica, de gestos sombrios; mas há outros momentos de profunda e enternecida ternura. É uma das obras mais belamente escritas pelo compositor. O clarinete parece nos falar, num gesto íntimo, de histórias antigas, de coisas que se foram, que se perderam nas curvas do tempo. É bonito de morrer.

Já a Sonata para clarinete e piano, o Opus 120, foi escrito pelo compositor em 1894, três anos antes da sua morte. É uma obra de maturidade, de síntese, de alguém que não precisa provar mais nada à vida. Aqui acontece um gesto de delicada intimidade, pois há o encontro – apenas – do clarinete e do piano. A sala é iluminada pela cumplicidade, pelo gesto sobranceiro de alguém que confessa segredos. Há finas camadas de humor, de uma leveza, de alguém que aprendeu a se entusiasmar com a presença. Brahms descreve a vida como uma conversa entre dois indivíduos que estão pouco preocupados com o tempo, com as exigências da agenda. A conversa é leve, despojada, sem preocupação. É uma crônica de como deveria ser o encontro de duas pessoas que se querem bem.

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Johannes Brahms (1833-1897) - 

01. Clarinet Quintet in B Minor, Op. 115 -  I. Allegro
02. Clarinet Quintet in B Minor, Op. 115 -  II. Adagio
03. Clarinet Quintet in B Minor, Op. 115 -  III. Andantino
04. Clarinet Quintet in B Minor, Op. 115 -  IV. Con moto
05. Clarinet Sonata in E-Flat Major, Op. 120 No. 2 -  I. Allegro amabile
06. Clarinet Sonata in E-Flat Major, Op. 120 No. 2 -  II. Allegro appassionato - Sostenuto
07. Clarinet Sonata in E-Flat Major, Op. 120 No. 2 -  III. Andante con moto - Allegro-più tranquillo

Lindsay String Quartet 

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