segunda-feira, 2 de março de 2026

Dmitri Shostakovich (1906-1975) - Symphony No. 4 in C Minor, Op. 43


Cada trabalho sinfônico de Dmitri Shostakovich está permeado pela história. Isso se explica por dois motivos: (1) ele era um compositor genial, sarcástico, irônico, construtor de metáforas sonoras; (2) o período histórico em que viveu, repleto de tensões políticas. Certamente, se tivesse vivido em outro momento, sua obra não teria o mesmo sabor, a mesma força simbólica.

Um exemplo disso é a sua Quarta Sinfonia.  À época da escrita, na década de 30 do século passado, ou seja, há quase cem anos, Shostakovich era um jovem compositor em ascensão.  Sua obra ganhava cada vez mais visibilidade. Certamente, o Partido sob a liderança do camarada Stálin passou a colocar os olhos sobre o compositor. Para piorar as coisas, a ópera Lady Macbeth do Distrito de Mtsensk foi tirada de cartaz a mando do próprio Stálin. O líder supremo da União Soviético enxergou “libertinagens” excessivas no trabalho baseado em uma novela de Nikolai Leskov. Em artigo no Pravda, o jornal do Partido, o líder soviético fez críticas explícitas ao trabalho.

Shostakovich sabia que aquilo não era um bom sinal. A Sinfonia No. 4 estava pronta para ser estreada; o ensaio já havia acontecido. Todavia, consciente das dificuldades que poderiam advir da apresentação, por causa da atmosfera carregada, crítica e irônica do trabalho, o compositor resolveu tirá-la de cartaz, convicto de que haveria represálias mais graves. Resultado: a obra foi colocada no ostracismo e só veio ao mundo no início dos anos 60, mais de trinta após a sua composição.

A pergunta que fica é: o que havia de tão sério nela? A Quarta pode ser considerada como um dos trabalhos mais ousados e visionários do compositor. Não é uma música de conforto – aliás, a obra de Shostakovich pode ser colocada nessa categoria. Ela exige atenção, entrega. Sua força está justamente na recusa de soluções simples - no modo como transforma angústia histórica em arquitetura sonora. Ela possui uma linguagem densa, cáustica, ambígua, inquieta, repleta de nuances psicológicas.

O certo é que o compositor teria dificuldades, caso ela fosse apresentada ainda na década de 30. A coerção stalinista de que a arte deveria ser uma depositária da exaltação do realismo e de que deveria estar a serviço do Estado manietou diversos artistas. Shostakovich sentiu isso, mas soube como ninguém escrever obras evocavam nuvens sutis; metáforas que apontavam, denunciavam, o espírito de uma época.

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!

Dmitri Shostakovich (1906-1975) - 

01 - Symphony No. 4 in C Minor, Op. 43_ I. Allegretto, poco moderato - Presto (Live)
02 - Symphony No. 4 in C Minor, Op. 43_ II. Moderato con moto (Live)
03 - Symphony No. 4 in C Minor, Op. 43_ III. Largo - Allegro (Live)

Münchner Philharmoniker
Valery Gergiev, regente 

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domingo, 1 de março de 2026

Béla Bartók (1881-1945) - Works for Piano & Orchestra

Béla Bartók foi um dos mais importantes compositores do século XX. Sua obra é indispensável. Neste disco encontramos algumas das suas principais composições orquestrais. O húngaro foi compositor com múltiplas qualidades - era virtuose, alguém com uma intuição extraordinária e um pesquisador arguto do folclore do seu país. Importante levar em conta o seus três concertos para piano e orquestra, obras verdadeiramente revolucionárias.

O Primeiro Concerto é do ano de 1926. Bartók havia passado anos mergulhado na pesquisa de músicas camponesas da Hungria, Romênia e Eslováquia, recolhendo melodias e ritmos que mais tarde transformaria em linguagem pessoal. Aqui, o piano surge quase como instrumento de percussão: acordes secos, martelados, diálogos ríspidos com tímpanos e sopros. A orquestração é enxuta, porém poderosa. 

Em 1931, o compositor escreve o seu Segundo Concerto para Piano. Ele mantém a força do ritmo, mas amplia o nível de sofisticação formal. O primeiro movimento é luminoso, quase atlético, com o piano desafiando a orquestra em passagens de virtuosismo extremo. No movimento central, surge um traço marcante da produção orquestral bartokiana: a chamada “música noturna”.

E o Terceiro Concerto, escrito em 1945 - o ano da morte do compositor -, ele é mais lírico e transparente; foi escrito como presente de aniversário para sua esposa, Ditta Pásztory.  

O compositor evidencia em sua obra orquestral um rigor intelectual e uma energia visceral. O aspecto da genialidade do compositor fica evidente pelo fato de buscar conciliar elementos populares a um sofisticação incomum. Ele dialoga com as formas clássicas, mas procura reinventá-las. Talvez, nesse aspecto, nenhum compositor foi tão original e e genial quanto o compositor. 

Há no disco outras composições como, por exemplo,  a extraordinária Music for Strings, Percussion & Celesta, entre outras. Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Béla Bartók (1881-1945) - 

DISCO 01


01 - Piano Concerto No. 1 in A major, Sz. 83, BB 91 I. Allegro moderato
02 - Piano Concerto No. 1 in A major, Sz. 83, BB 91 II. Andante
03 - Piano Concerto No. 1 in A major, Sz. 83, BB 91 III. Allegro molto
04 - Music for Strings, Percussion & Celesta, Sz. 106, BB 114 I. Andante tranquillo
05 - Music for Strings, Percussion & Celesta, Sz. 106, BB 114 II. Allegro
06 - Music for Strings, Percussion & Celesta, Sz. 106, BB 114 III. Adagio
07 - Music for Strings, Percussion & Celesta, Sz. 106, BB 114 IV. Allegro molto

DISCO 02

01 - Piano Concerto No. 2 I. Allegro
02 - Piano Concerto No. 2 II. Adagio - Piu adagio - Presto
03 - Piano Concerto No. 2 III. Allegro molto
04 - Rhapsody for Piano & Orchestra, Op. 1 I. Adagio molto
05 - Rhapsody for Piano & Orchestra, Op. 1 II. Poco allegretto

DISCO 02

01 - Piano Concerto No. 3 in E major, Sz. 119, BB 127 (completed by Tibor Serly)- ...
02 - Piano Concerto No. 3 in E major, Sz. 119, BB 127 (completed by Tibor Serly)- ...
03 - Piano Concerto No. 3 in E major, Sz. 119, BB 127 (completed by Tibor Serly)- ...
04 - Scherzo (Burlesque) for piano & orchestra, DD 68, Sz. 28, BB 25 (Op. 2)- Intr...
05 - Scherzo (Burlesque) for piano & orchestra, DD 68, Sz. 28, BB 25 (Op. 2)- Alle...
06 - Scherzo (Burlesque) for piano & orchestra, DD 68, Sz. 28, BB 25 (Op. 2)- Trio...
07 - Scherzo (Burlesque) for piano & orchestra, DD 68, Sz. 28, BB 25 (Op. 2)- Sche...

Budapest Festival Orchestra
Iván Fischer, regente
Zoltán Kocsis, piano 

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sábado, 28 de fevereiro de 2026

Robert Schumann (1810-1856) - Symphonie No. 3 in E-flat, Op. 97 - "Rhenish" e Symphonie No. 4 in D minor, Op. 120

Como é sabido, Robert Schumann escreveu quatro sinfonias. Gosto de todas elas. São obras do mais alto e sublime romantismo.  Neste disco, encontramos duas delas - as de número 3 e 4. Para bem dizer, a minha preferida entre as quatro é a número 2; todavia, como eu disse, gosto das quatro.

A Nº 3 é um trabalho luminoso, expansivo, digno de uma caráter celebrativo. Escrita em 1850, a Sinfonia é uma obra cujo direcionamento é dado ao rio Reno e à atmosfera cultural da região - ela é chamada "Renana" por causa disso. É, por isso, que é perceptível a atmosfera evocativa do trabalho. Desde o primeiro movimento, o que se impõe é uma sensação de amplitude. O tema inicial irrompe com confiança, quase com um sorriso aberto. É um Schumann otimista, entusiasmado, que deixa evidente sua alegria.  

A Nº 4 possui uma história bastante peculiar, pois ela foi concebida originalmente em 1841 e foi revisada dez anos depois. Sua estrutura é bastante audaciosa, pois Schumann rompe com a ideia de movimentos separados e aposta em um contínuo, em que os temas reaparecem e se transformam ciclicamente. O resultado disso é uma tensão permanente. Há névoas para todos os lados; mas é há momentos de grande idílio, de uma bonita reflexão, como no segundo movimento (Romanze. Ziemlich - langsam). É belíssima. 

Não deixe de ouvir. Escutei este disco duas vezes seguidas. Uma boa apreciação! 

Robert Schumann (1810-1856) - 

01 - I. Lebhaft
02 - II. Scherzo. Sehr mäßig
03 - III. Nicht zu schnell
04 - IV. Feierlich
05 - V. Lebhaft
06 - I. Ziemlich langsam - Lebhaft
07 - II. Romanze. Ziemlich - langsam
08 - III. Scherzo. Lebhaft
09 - IV. Langsam - Lebhaft

Czech Philharmonic Orchestra
Lawrence Foster, regente 

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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Jazz - The Cannonball Adderley Quintet - Mercy, Mercy, Mercy! (1967)

 

Da apresentação do disco:

O álbum mais popular de Cannonball Adderley, Mercy, Mercy, Mercy! Live at 'The Club', não foi, na verdade, gravado “ao vivo no ‘The Club’”, como anuncia o subtítulo. A encenação fazia parte de uma estratégia para divulgar a casa noturna de um amigo em Chicago. Na prática, a gravação ocorreu em Los Angeles, onde o produtor David Axelrod montou um ambiente de clube dentro dos estúdios da Capitol e ofereceu bebidas gratuitas a um público convidado.

O resultado foi previsível: a plateia, em clima festivo, respondeu com entusiasmo, enquanto o quinteto de Adderley, alimentado pela energia da sala, entregava performances vibrantes e cheias de apelo. Àquela altura, o saxofonista já havia refinado uma combinação singular de soul-jazz de raiz com o pós-bop moderno e sutilmente sofisticado — uma fusão rara, em que harmonias e ritmos mais avançados emergiam em meio a uma forte saturação de blues e gospel.

Essas influências são particularmente evidentes na faixa-título, composta pelo pianista acústico/elétrico Joe Zawinul. “Mercy, Mercy, Mercy” tornou-se um verdadeiro sucesso popular, alcançando o Top 40, e apresenta ecos dos instrumentais de soul sulista de meados dos anos 1960, embora com uma levada mais solta e descontraída, marcada por improvisação contida. A atmosfera profunda, quase lânguida, e a textura espaçosa da faixa contrastam com o restante do disco.

O cornetista Nat Adderley contribui com duas composições vigorosas e desafiadoras, “Fun” e “Games”, enquanto a segunda peça de Zawinul, “Hippodelphia”, mantém o mesmo nível de sofisticação. Já as escolhas do líder — o gospel pulsante de “Sticks” e o bop bluesy e vibrante de “Sack O’ Woe”, que se tornaria presença constante em seu repertório — reafirmam a capacidade do grupo de mergulhar fundo em suas raízes musicais.

Parte essencial da popularidade de Adderley residia em sua exuberância irreprimível. Poucos registros capturam essa característica com tanta clareza — e com resultados musicais tão expressivos — quanto Mercy, Mercy, Mercy!.

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

01. Introduction / Fun
02. Games
03. Mercy, Mercy, Mercy
04. Sticks
05. Hippodelphia
06. Sack O' Woe 

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Piotr I. Tchaikovsky (1840-1893) - Symphony No. 5 in E Minor, Op. 64, TH 29 e Marche slav, Op. 31, TH 45

Tchaikovsky foi um dos maiores melodistas da história da música. Ele tinha a incrível capacidade de transformar emoções humanas em melodias extraordinárias. Neste disco, por exemplo, encontramos duas das suas obras mais expressivas - a Sinfonia No. 5 e a Marcha Eslava. 

A Sinfonia No. 5 foi escrita em 1888. O compositor enfrentava um momento de grande instabilidade emocional. Ele tinha dúvidas sobre seu próprio talento e temia estar perdendo a criatividade. Essa insegurança, curiosamente, deu origem a uma obra profundamente humana. Na Sinfonia nº 5, há uma ideia musical que aparece várias vezes ao longo da obra — um tema sombrio que muitos chamam de “tema do destino”. Ele surge logo no início, tocado pelos clarinetes, com um ar quase fúnebre. Ao longo dos quatro movimentos, esse tema vai se transformando.

Já a Marcha Eslava é uma curta e direta, composta em 1876. Ela nasceu em um contexto político: a Sérvia estava em guerra contra o Império Otomano, e na Rússia havia um forte movimento de apoio aos povos eslavos. Tchaikovsky foi convidado a compor uma peça patriótica para um concerto beneficente. O resultado foi essa marcha vibrante e cheia de energia. 

Não deixe de ouvir este disco do selo Naxos. Uma boa apreciação! 

Piotr I. Tchaikovsky (1840-1893) - 

01. Symphony No. 5 in E Minor, Op. 64, TH 29 - I. Andante - Allegro con anima
02. Symphony No. 5 in E Minor, Op. 64, TH 29 - II. Andante cantabile con alcuna licenza - Moderato con anima
03. Symphony No. 5 in E Minor, Op. 64, TH 29 - III. Valse - Allegro moderato
04. Symphony No. 5 in E Minor, Op. 64, TH 29 - IV. Andante maestoso - Allegro vivace
05. Marche slav, Op. 31, TH 45 - Marche slave (Slavonic March), Op. 31 [Live]

Slovak Philharmonic
Stephen Gunzenhauser, regente 

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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Richard Wagner (1813-1883) - The Ring, An Orchestral Adventure

O Anel do Nibelungo é um ciclo de quatro óperas épicas de Richard Wagner.

Esse tipo de obra pode ser analisada tanto do ponto de vista musical, quanto do ponto de vista literário, político e filosófico.

De um ponto de literário, O Anel do Nibelungo de Wagner é um exemplo perfeito de algo que é muito comum na literatura clássica que é a ficcionalização dos mitos. Muitas vezes a literatura se transforma num repositório de mitologias fossilizadas e muitas vezes a literatura acaba até mesmo se tornando um complemento do próprio entendimento da religião. A Divina Comédia de Dante Alighieri, que é uma mistura de cristianismo e épico pagão, é entendida na Enciclopédia Católica como uma obra de arte sacra.

No entanto, devemos ter em mente que o estudo dos mitos é melhor entendido no estudo folclore ou na ciência da religião.

A literatura, na filosofia e até mesmo nas ciências naturais a mitologia é mais uma ferramenta que permite que determinadas ideias se desenvolvam em seus próprios termos. No caso de uma epistemologia naturalista como a psicanálise de Freud, vemos que ele se apropria muito da mitologia para desenhar suas teses, como por exemplo o Mito de Édipo. No entanto, não podemos dizer que o sentido ortodoxo do Mito de Édipo seja o freudiano.

No caso da literatura, vemos como ela se apropria de heróis e deuses e os transforma em personagens. No caso do Anel de Nibelungo, o que vemos não é a vocalização da religião pagã germânica original. O Anel de Nibelungo é tão somente a expressão do próprio espírito de Richard Wagner.

Texto completo aqui 

Richard Wagner (1813-1883) - 

01 - Vorspiel Ruhig heitere Bewegung
02 - Das Rheingold
03 - Nibelheim Sehr schnell
04 - Walhall Mäßig bewegt Lebhaft
05 - Die Walküren
06 - Feuerzauber
07 - Waldweben
08 - Siegfrieds Heldentat Mäßig bewegt Mäßig Lebhaft
09 - Brünnhildes Erwachen
10 - Siegfried und Brünnhilde Sehr ruhig Ziemlich rasch
11 - Siegfrieds Rheinfahrt Schnell Rasch
12 - Siegfrieds Tod Sehr mäßig Allmählich belebter
13 - Trauermusik Feierlich Sehr ruhig
14 - Brünnhildes Opfertat Lebhaft Noch etwas lebhafter
15 - Siegfried Idyll. Ruhig bewegt
16 - Leicht bewegt
17 - Siegfried Idyll Lebhaft Rallentando

Royal Scottish National Orchestra
Neeme Järvi, regente 

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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Max Bruch (1838-1920) - Scottish Fantasy, Op. 46 e Serenade in A Minor, Op. 75

Max Bruch é um compositor que aparece por aqui de tempos em tempos. É uma espécie de cometa Halley entre as postagens que realizo. Bruch foi um compositor romântico tardio. É mais conhecido pelo seu bonito Primeiro Concerto para violino e orquestra. Ficou no imaginário a percepção de que ele é compositor de uma obra apenas. De fato, sua obra é pouco explorada. Neste disco, por exemplo, surgem duas composições do seu repertório. Nelas é possível perceber algumas características das suas obras – o refinamento melódico, a inspiração do folclore e a notável clareza nas harmonias.

A primeira dessas obras é a Fantasia Escocesa, Op. 46, composta entre 1879 e 1880. Trata-se de uma sequência de quatro movimentos baseados em melodias tradicionais escocesas, tratadas com liberdade sinfônica. O resultado é uma Escócia imaginada, filtrada pela sensibilidade continental do século XIX. Não há etnografia aqui, mas sim romantização poética. Isso é característico dos compositores românticos.

A segunda obra é o Op. 75, de inclinação mais introspectiva e crepuscular, já que a obra foi escrita na virada do século XIX para o século XX (1899 e as primeiras execuções sendo realizadas em 1900). A obra é repleta de uma forte carga emocional. Ela evoca o passado. Para a época da escrita, ela já parecia datada, porquanto Debussy e Mahler estavam realizando mudanças revolucionárias na arte de compor. Por sua vez, o compositor alemão mantém-se fiel aos seus princípios e escreve uma obra cuja preocupação é a expansão, a reflexão sobre a própria linguagem.

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Max Bruch (1838-1920) - 

01. Scottish Fantasy, Op. 46 - Ia. Introduction. Grave
02. Scottish Fantasy, Op. 46 - Ib. Adagio cantabile
03. Scottish Fantasy, Op. 46 - II. Scherzo. Allegro
04. Scottish Fantasy, Op. 46 - III. Andante sostenuto
05. Scottish Fantasy, Op. 46 - IV. Finale. Allegro guerriero
06. Serenade in A Minor, Op. 75 - I. Andante con moto
07. Serenade in A Minor, Op. 75 - II. Allegro moderato, alla marcia
08. Serenade in A Minor, Op. 75 - III. Notturno. Andante sostenuto
09. Serenade in A Minor, Op. 75 - IV. Allegro energico e vivace

Russian Philharmonic Orchestra
Dmitry Yablonsky, regente
Maxim Fedotov, violino 

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Richard Strauss (1864-1949) - Eine Alpensinfonie, Op. 64

Para mim, estas é uma das obras mais bonitas e filosoficamente intensas escritas no século XX. É a minha composição favorita entre aquelas que Richard Strauss escreveu. Abaixo, algumas palavras da apresentação do disco:

"Uma Sinfonia Alpina (Eine Alpensinfonie), Op. 64, é um poema sinfônico para grande orquestra composto pelo alemão Richard Strauss e estreado em 1915. Trata-se de uma das maiores obras não operísticas do compositor: a partitura prevê cerca de 125 músicos, e uma execução típica costuma durar aproximadamente 50 minutos.

O programa de Uma Sinfonia Alpina retrata as experiências de onze horas — do romper do dia, pouco antes do amanhecer, até o cair da noite — durante a escalada de uma montanha nos Alpes".

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!

Richard Strauss (1864-1949) - 

01. Eine Alpensinfonie, Op. 64: I. Nacht
02. Eine Alpensinfonie, Op. 64: II. Sonnenaufgang
03. Eine Alpensinfonie, Op. 64: III. Der Anstieg
04. Eine Alpensinfonie, Op. 64: IV. Eintritt in den Wald
05. Eine Alpensinfonie, Op. 64: V. Wanderung neben dem Bache
06. Eine Alpensinfonie, Op. 64: VI. Am Wasserfall
07. Eine Alpensinfonie, Op. 64: VII. Erscheinung
08. Eine Alpensinfonie, Op. 64: VIII. Auf blumige Wiesen
09. Eine Alpensinfonie, Op. 64: IX. Auf der Alm
10. Eine Alpensinfonie, Op. 64: X. Durch Dickicht und Gestrüpp auf Irrwegen
11. Eine Alpensinfonie, Op. 64: XI. Auf dem Gletscher
12. Eine Alpensinfonie, Op. 64: XII. Gefahrvolle Augenblicke
13. Eine Alpensinfonie, Op. 64: XIII. Auf dem Gipfel
14. Eine Alpensinfonie, Op. 64: XIV. Vision
15. Eine Alpensinfonie, Op. 64: XV. Nebel steigen auf
16. Eine Alpensinfonie, Op. 64: XVI. Die Sonne verdüstert sich allmählich
17. Eine Alpensinfonie, Op. 64: XVII. Elegie
18. Eine Alpensinfonie, Op. 64: XVIII. Stille vor dem Sturm
19. Eine Alpensinfonie, Op. 64: XIX. Gewitter und Sturm, Abstieg
20. Eine Alpensinfonie, Op. 64: XX. Sonnenuntergang
21. Eine Alpensinfonie, Op. 64: XXI. Ausklang
22. Eine Alpensinfonie, Op. 64: XXII. Nacht

Vienna Philharmonic Orchestra
Andre Previn, regente 

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terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Luciano Berio (1925-2003) - Chamber Music

Para quem ainda não aprendeu ainda a escutar música contemporânea, Luciano Berio é certamente um nome a ser admitido. Ele foi um dos compositores mais importantes e radicais da música contemporânea. Berio veio de uma família de músicos. Após a Segunda Guerra Mundial, entrou em contato com o movimento de vanguarda europeu, que buscava reinventar a música depois do trauma do conflito. Nesse ambiente, aproximou-se de figuras como Pierre Boulez e Karlheinz Stockhausen, que defendiam novas formas de organização do som.

Berio nunca foi um experimentalista frio. Ele possuía um enorme fascínio pela voz humana. Ele acreditava que a música não se separava da linguagem.  Muitas de suas obras investigam a fronteira entre falar e cantar. Berio mostrou que a música pode ser, ao mesmo tempo, intelectual e profundamente humana - um espaço onde memória cultural, tecnologia e emoção coexistem.

Este disco é uma amostra disso. Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Luciano Berio (1925-2003) - 

01 - Serenata I per flauto e 14 stru
02 - Sequenza IV for Piano
03 - O King for Voice and Five Instr
04 - Sequenza IX a for Clarinet
05 - Linea for Two Pianos, Vibraphon

Ensemble Avantgarde
Thomas Michael Gribow, regente 

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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Johann Sebastian Bach (1685-1750) - Sonatas for Viola da Gamba & Harpsichord

 

Extraído do texto de apresentação do disco:

O aclamado violista da gamba radicado em Amsterdã, Robert Smith, une-se ao renomado cravista italiano Francesco Corti para apresentar uma nova gravação que reúne quatro exemplos marcantes do gênero: as três Sonatas para Viola da Gamba e Cravo, de Bach, além de uma sonata de seu contemporâneo próximo, Christopher Schaffrath.

O álbum é concluído com uma obra inédita do próprio Robert Smith. Inspirada no “Lamento de Dido”, de Henry Purcell, a composição propõe uma abordagem inovadora para o instrumento, incorporando influências que vão do século XVIII até a sonoridade dos dias de hoje. 

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Johann Sebastian Bach (1685-1750) - 

01. Sonata in G Minor, BWV 1029: I. Vivace (5:18)
02. Sonata in G Minor, BWV 102: II. Adagio (5:22)
03. Sonata in G Minor, BWV 1029: III. Allegro (3:35)
04. Sonata in A Major, CSWV:F:29: I. Allegretto (8:13)
05. Sonata in A Major, CSWV:F:29: II. Adagio (4:48)
06. Sonata in A Major, CSWV:F:29: III. Allegro (5:11)
07. Sonata in D Major, BWV 1028: I. Adagio (2:01)
08. Sonata in D Major, BWV 1028: II. Allegro (3:31)
09. Sonata in D Major, BWV 1028: III. Andante (3:48)
10. Sonata in D Major, BWV 1028: IV. Allegro (4:03)
11. Dido's Torment (4:56)
12. Sonata in G Major, BWV 1027: I. Adagio (3:49)
13. Sonata in G Major, BWV 1027: II. Allegro ma non troppo (3:30)
14. Sonata in G Major, BWV 1027: III. Andante (1:46)
15. Sonata in G Major, BWV 1027: IV. Allegro moderato (2:59)

Robert Smith, viola da gamba
Francesco Corti, cravo

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domingo, 22 de fevereiro de 2026

100 Best Opera Classics - Mozart, Rossini, Bellini, Verdi, Puccini, Leoncavallo, Giordano, Gounod, Delibes, Massenet, Bizet, Berlioz etc

 

Escutei esta caixa ao longo da semana. É uma coletânea com passagens imortais de óperas famosas. O material é bom.  

Texto de apresentação do disco:

Uma coletânea reúne algumas das árias de ópera mais celebradas de todos os tempos, interpretadas por grandes estrelas do gênero e lançadas a um preço altamente competitivo. Com mais de sete horas de audição ininterrupta, o box com seis CDs surge como uma oferta imperdível para os amantes da ópera. O repertório traz nomes consagrados do passado e do presente, entre eles Pavarotti, Plácido Domingo, José Carreras, Maria Callas, Elisabeth Schwarzkopf, Victoria de los Angeles, Roberto Alagna, entre muitos outros.

DISCO 01

01 Mozart - Le Nozze di Figaro: Voi che sapete (Cherubino) 2:53
02 Mozart - Le Nozze di Figaro: Porgi, amor (Contessa) 4:15
03 Mozart - Don Giovanni: Serenata - Deh vieni all finestra (Don Giovanni) 2:30
04 Mozart - Don Giovanni: Aria: Batti, batti, o bel Masetto (Zerlina) 3:52
05 Mozart - Die Zauberflöte: Der Hölle Rache kocht in meinem Herzen (Königin) 2:56
06 Mozart - Die Zauberflöte: Aria con coro- O Isis und Osiris … (Sarastro/Priester) 2:31
07 Mozart - Recitative & Aria:Temerari….Come Scoglio 5:49
08 Rossini - Il Barbiere di Siviglia: La calunnia è un venticello (Basilio) 4:54
09 Verdi - Don Carlo: Nei giardin del bello (Eboli/Tebaldo/Dame) 4:56
10 Bellini - Norma: Casta diva (Norma/Coro) 7:00
11 Verdi - Aida: Se quel guerrier io fossi!….Celeste Aida 4:40
12 Verdi - La Traviata: Teneste la promessa…Addio del passato 5:42
13 Verdi - Otello: Niun mi tema (Otello/Cassio/Lodovico/Montano) 6:10
14 Puccini - Madama Butterfly: Un bel di vedremo (Butterfly) 4:40
15 Puccini - Tosca: E lucevan la stelle 2:53
16 Puccini - La Boheme: Sì. Mi chiamano Mimì (Mimì/Rodolfo) 4:54
17 Puccini - Manon Lescaut: In quelle trine morbide (Manon) 2:16
18 Puccini - Turandot: Signore, ascolta! (Act 1) 2:39
19 Leoncavallo - Pagliacci: Recitar!….Vesti la giubba 3:53
20 Giordano - Fedora: Amor ti vieta 1:48

DISCO 02

01 Gounod - Faust: Le veau d'or est toujours debout! (Méphistophélès/Choeur) 2:10
02 Delibes - Lakmé: Où va la jeune indoue (Lakmé) 2:15
03 Gounod - Roméo et Juliette: L'amour! l'amour!…Ah! lève-toi, soleil! (Roméo) 4:20
04 Massenet - Manon: Allons, il le faut … Adieu, notre petite table (Act 2) 3:49
05 Massenet - Werther: Toute mon âme est là!…Pourquoi me réveiller (Charlotte/Werther) 2:36
06 Bizet - La Jolie fille de Perth: Quand la flamme de l'amour 4:57
07 Bizet - Carmen: Récit & Habanera: Quand je vous aimerai?…L'amour est un oiseau rebelle 4:35
08 Bizet - A cette voix…Je crois entendre encore 4:27
09 Berlioz - La Damnation de Faust: Une puce gentille 1:22
10 Berlioz - Les Troyens: Je vais mourir … Adieu, fière cité 5:59
11 Saint-Saens - Samson et Dalila: Mon coeur s'ouvre à ta voix (Dalila/Samson) 5:15
12 Wagner - Tannhäuser: Die Todesahnung … O du mein holder Abendstern 4:14
13 Wagner - Der Fliegende Holländer: Sentas Ballade: I. Johohoe!…Traft ihr das Schiff im Meere an (Senta) 8:12
14 Wagner - Lohengrin: In fernem Land (Lohengrin/König/Chor) 6:13
15 Wagner - Siegfried: Heil dir, Sonne! (Brünnhilde/Siegfried) 5:15
16 Wagner - Tristan und Isolde: Mild und leise wie er lächelt (Isoldes Liebestod) 7:18

DISCO 03

01 Gluck - Orfeo ed Euridice: Che farò senza Euridice? (Orfeo) 5:24
02 Mozart - Die Zauberflöte: Der Vogelfänger bin ich ja (Papageno) 2:35
03 Mozart - Don Giovanni: Aria: Finch'han dal vino (Don Giovanni) 1:19
04 Mozart - Le Nozze di Figaro: E Susanna non vien! …Dove sono i bei momenti (Contessa) 6:25
05 Beethoven - Fidelio: Nr.9: Rezitativ: Abscheulicher! Wo eilst du hin? 8:18
06 Rossini - Guillaume Tell: Ne m'abandonne pas, espoir de la vengeance…Asile hereditaire 6:58
07 Rossini - Il Barbiere di Siviglia: La ran la le ra, la ran la la. Largo al factotum 4:41
08 Verdi - Don Carlo: Ella giammai m'amò! 2:41
09 Verdi - Rigoletto: La donna è mobile (Duca) 2:18
10 Verdi - Il Trovatore: Di quella pira, l'orrendo foco (Manrico, Ruiz, Soldiers) 2:40
11 Verdi - Otello: Esultate! (Otello/Ciprioti) 2:22
12 Verdi - Otello: Dio! Mi potevi scagliar (Monologue) 4:39
13 Puccini - Tosca: Vissi d'arte 2:59
14 Puccini - Turandot: In questa reggia 5:57
15 Puccini - Turandot: L'amore? Tanto amore 2:21
16 Puccini - Gianni Schicchi: O mio babbino caro 2:40
17 Mascagni - L'amico Fritz: Ed anchè Beppe amò 3:15
18 Cilea - Adriana Lecouvreur: Poveri fiori 3:12
19 Giordano - Andrea Chenier:Come un bel dì di maggio 3:30

DISCO 04


01 Gounod - Faust: Les grand seigneurs … Ah! je ris 5:51
02 Massenet - Le Jongleur de Notre-Dame: Légende de la suage:Marie, avec l`Enfant Jésus 7:41
03 Gounod - Mireille: Heureux petit berger 2:40
04 Thomas - Mignon: Connais-tu le pays? 5:39
05 Thomas - Mignon: Elle ne croyait pas dans sa candeur naive (Act 3) 3:31
06 Bizet - Carmen: Couplets: Votre toast, je peux vous le rendre … Toréador 4:54
07 Offenbach - Les Contes d'Hoffman: Les oiseaux dans la charmille (Doll's Song) 5:47
08 Berlioz - La Damnation de Faust: Maintenant, chantons … Devant la maison de celui qui t'adore 2:16
09 Charpentier - Louise: Depuis le jour où je me suis donnée (Louise) 6:18
10 Richard Strauss - Der Rosenkavalier: Da geht er hin, der aufgeblasene schlechte Kerl (Marschallin) 5:22
11 Wagner - Lohengrin: Einsam in trüben Tagen (Elsa's Dream) 6:10
12 Wagner - Tannhäuser: Dich teure Halle (Elisabeth's Greeting) 4:44
13 Wagner - Die Walküre: Leb wohl, du kühnes, herrliches Kind! (Wotan's Farewell) (Wotan) 4:43
14 Wagner - Die Walküre: Heiaha! Heiaha! Hojotoho! (Brünnhilde/Fricka/Wotan) 5:56

DISCO 05

01 Mozart - Le Nozze di Figaro: Non più andrai 3:39
02 Mozart - Don Giovanni: Duet: Là ci darem la mano (Don Giovanni/Zerlina) 3:14
03 Mozart - Die Zauberflöte: Pa-pa-pa … (Papageno/Papagena) 2:21
04 Mozart - Così fan tutte: Terzettino: Soave sia il vento (Fiordiligi/Dorabella/Don Alfonso) 3:10
05 Bellini - Norma: Mira, o Norma (Norma/Adalgisa) 4:16
06 Donizetti - Lucia di Lammermoor: Il dolce suono 16:48
07 Donizetti - Don Pasquale: Com' è gentil la notte a mezzo (Ernesto/Coro) 3:49
08 Rossini - Il Barbiere di Siviglia: Una voce poco fa 6:18
09 Verdi - La Traviata: Brindisi- Libiamo ne' lieti calici 2:50
10 Verdi - Rigoletto: Gualtier Maldè …Caro nome 6:41
11 Verdi - Aida: Ritorna vincitor! (Aida) 6:24
12 Verdi - Otello: Ave Maria, piena di grazia (Desdemona) 5:13
13 Puccini - Turandot: Nessun Dorma (Calaf, Women's voices) 2:48
14 Puccini - La Bohème:Che gelida manina (Rodolfo) 4:27
15 Catalani - La Wally: Ebben?…Ne andrò lontana 4:24

DISCO 06

01 Adam - Le Postillon de Lonjumeau: Mes amis, écoutez l'histoire (Freunde, vernehmet die Geschichte) 3:44
02 Auber - La Muette de Portici: Duo: Mieux vaut mourir … Amour sacré de la patrie 5:45
03 Gounod - Roméo et Juliette: Ah! Je veux vivre dans le rêve 3:49
04 Lalo - Le Roi d'Ys: 'Puisqu'on ne peut fléchir…..Vainement, ma bien aimée' (Act 3) 3:27
05 Massenet - Manon: Suis-je gentille ainsi? … Je marche sur tous les chemins 3:20
06 Offenbach - Les Contes d'Hoffmann: Belle nuit, ô nuit d'amour (Nicklausse/Giulietta/Choeurs) 4:21
07 Bizet - Carmen: La fleur que tu m'avais jetée 4:26
08 Bizet - Les Pêcheurs de Perles: C'est toi….Au fond du temple saint 7:27
09 Massenet - Werther: Ces lettres ! Ces lettres ! (Charlotte) 6:10
10 Delibes - Lakmé: Duetto: Viens, Mallika (Lakmé/Mallika) 5:51
11 Massenet - Ah! je suis seule enfin…Dis-moi que je suis belle (Thaïs, Act II) 6:41
12 Gounod - Faust: Alerte, alerte, ou vous êtes perdus … Anges purs! (Méphistophélès/Marguerite/Faust) 2:30
13 Mussorgsky - Boris Godunov: Proshcháy, moy syn, umiráyu! (Boris) 6:00
14 Weber - Oberon: Schreckensschwur 2:11
15 Wagner - Die Meistersinger von Nürnberg: Die selige Morgentraum-Deutweise….Selig, wie die Sonne (Sachs/Eva/Walther/David/Magdalene) 7:56
16 Wagner - Was am besten er kann…Nothung! Nothung! 5:51 

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sábado, 21 de fevereiro de 2026

Claude Debussy (1862-1918) - The Complete Préludes - Book I e Book II

Compreender Claude Debussy (1862-1918) é muito mais complicado do que parece. Também é muito mais simples do que parece. É como fazer uma jornada cheia de labirintos pra chegar num lugar e, só então, perceber que tinha um atalho. Você, caso não conheça de música clássica, vai ouvir sons e vai achá-los mágicos. Daí vai tentar esmiuçar, compreender, dissecar, só pra depois perceber que a música de Debussy foi feita pra escutar. Escutar atentamente, claro. E então deixar-se levar pelas sensações. Aí está o atalho: a música dele é menos técnica e mais pura mágica. Não que ele seja fraco tecnicamente, sua orquestração e escrita para piano, para qualquer instrumentação, de fato, são perfeitas.

Era um compositor espetacular, conhecedor das velhas formas e um pianista excepcional - Igor Stravinsky conta que ele e Debussy fizeram uma audição privada da sua Sagração da Primavera numa versão de piano a 4 mãos, com Debussy praticamente lendo à primeira vista.

Você só vai entender as intenções desse compositor ao escutá-lo um punhado de vezes. Eu acho que é por isso que as pessoas mais velhas se tornam à música clássica. Elas têm mais paciência. A obra de Debussy é episódica, você tem que apreciar os momentos. 

Aliás, vamos entender o 1º (e o 2º) Livro de Prelúdios como uma coletânea de contos. É só dividir esses contos em parágrafos: meio caminho andado. Ele foi um dos primeiros compositores modernos, saindo do romantismo. Enquanto que no romantismo as músicas são bem descritivas, ainda que apenas de sentimentos, no modernismo elas tendem a ser mais abstratas. É até interessante que Debussy tenha colocado títulos para cada prelúdio. Mas, na partitura, ele coloca o título no fim. Genial! Você deve ler a peça como se não soubesse do que se trata e, então, descobrir.

O que é um prelúdio? 

Nesse sentido usado por Debussy, trata-se de peças para piano com durações diversas (2 e pouco a quase 8 minutos) e com forma livre. Ou seja, a peça se desenvolve sem "ter que fazer" nada: ao gosto do compositor. Ele os compôs entre 1909 e 1910.

Johann Sebastian Bach escreveu O Cravo Bem Temperado, com 24 prelúdios e fugas, cada um em uma das tonalidades existentes. Depois compôs outro livro. Isso abriu precedente para que compositores, famosamente Frédéric Chopin, fizessem seus prelúdios. Chopin fez um livro de 24, respeitando a ideia das 24 tonalidades. Debussy fez 2 livros de 12. Mas ele não fez um para cada tonalidade. Os dele são bem livres. Cada um tem um título, que vem de algum poema (Baudelaire) ou simplesmente de uma alusão.

Daqui

Claude Debussy (1862-1918) - 

01 - Préludes _ Book 1, L.117_ 1. Danseuses de Delphes
02 - Préludes _ Book 1, L.117_ 2. Voiles
03 - Préludes _ Book 1, L.117_ 3. Le vent dans la plaine
04 - Préludes _ Book 1, L.117_ 4. Les sons et les parfums tournent dans l'air du soir
05 - Préludes _ Book 1, L.117_ 5. Les collines d'Anacapri
06 - Préludes _ Book 1, L.117_ 6. Des pas sur la neige
07 - Préludes _ Book 1, L.117_ 7. Ce qu'a vu le vent d'ouest
08 - Préludes _ Book 1, L.117_ 8. La fille aux cheveux de lin
09 - Préludes _ Book 1, L.117_ 9. La sérénade interrompue
10 - Préludes _ Book 1, L.117_ 10. La cathédrale engloutie
11 - Préludes _ Book 1, L.117_ 11. La danse de Puck
12 - Préludes _ Book 1, L.117_ 12. Minstrels
13 - Préludes - Book 2, L.123_ 1. Brouillards
14 - Préludes - Book 2, L.123_ 2. Feuilles mortes
15 - Préludes - Book 2, L.123_ 3. La puerta del vino
16 - Préludes - Book 2, L.123_ 4. _Les fées sont d'exquises danseuses_
17 - Préludes - Book 2, L.123_ 5. Bruyères
18 - Préludes - Book 2, L.123_ 6. _General Lavine_ - eccentric
19 - Préludes - Book 2, L.123_ 7. La terrasse des audiences du clair de lune
20 - Préludes - Book 2, L.123_ 8. Ondine
21 - Préludes - Book 2, L.123_ 9. Hommage à S. Pickwick, Esq., P.P.M.P.C
22 - Préludes - Book 2, L.123_ 10. Canope
23 - Préludes - Book 2, L.123_ 11. Les tierces alternées
24 - Préludes - Book 2, L.123_ 12. Feux d'artifice

Hans Henkemans, piano 

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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Johann Baptist Cramer (1771-1858) - Piano Concerto No 1 in E flat major Op 10, Piano Concerto No 3 in D major Op 26 e Piano Concerto No 6 in E flat major Op 51

Em todos esses anos de existência desse espaço, postei a música de Johann Baptist Cramer esse compositor uma vez. Não lembro quando o fiz pela última vez. O fato é que a música de Cramer possui uma clara dicção mozartiana e haydniana. São bonitas e expressivas. O compositor nasceu na Alemanha, mas passou boa parte de sua vida na Inglaterra. Estudou com Muzio Clementi, um dos maiores mestres do piano do período clássico, cuja influência marcou profundamente sua técnica, estilo composicional e abordagem pedagógica. Cramer, em sua época, foi considerado um dos maiores pianistas da Europa. Beethoven gostava de suas composições. 

Cramer compôs nove concertos para piano, entre os anos de 1790 e 1890. Eles são marcados pela beleza melódica, o que o aproxima de Mozart. Sua escrita pianística prioriza a clareza melódica mais do que o drama orquestral. O presente disco é imensamente agradável. Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!

Johann Baptist Cramer (1771-1858) - 

Piano Concerto No 1 in E flat major Op 10
01. Allegro
02. Andante
03. Rondo: Allegretto

Piano Concerto No 3 in D major Op 26
04. Allegro spiritoso
05. Pastoral e sostenuto: Larghetto
06. Rondo: Scherzando - Allegro

Piano Concerto No 6 in E flat major Op 51
07. Allegro spiritoso
08. Larghetto affettuoso
09. Rondo: Allegretto

London Mozart Players
Howard Shelley, piano & regência 

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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Johannes Brahms (1833-1897) - Symphony No. 2 in D Major, Op. 73 e Academic Festival Overture in C Minor, Op. 80

Sempre que vou ouvir a música de Brahms, passo a ser todo atenção. Sei que ali existe algo grandioso, sensível, digno de que os sentidos se apropriem de cada elemento, de cada insinuação. Neste disco, por exemplo, eis que surgem dois dos trabalhos orquestrais mais significativos do compositor.

O primeiro deles é a Sinfonia No. 2, considerada uma espécie de “sinfonia pastoral” do compositor, justamente pelos idílios e pelas reflexões densas. A obra é luminosa, um pouco diferente dos demais trabalhos sinfônicos do compositor, sempre calcados pelo apelo dramático, pelas incursões por galáxias luminosas. Talvez, esse espírito de afirmação da vida seja resultado do momento em que ela foi escrita, no verão de 1877, enquanto o compositor se encontrava passando uma temporada às margens do lago Wörthersee, na Áustria. Há uma alegria que emana dela, mas essa alegria nunca é ingênua. Ela parece apontar que, mesmo em dias bonitos, ensolarados, é preciso prestar atenção por onde se caminha e ter consciência dos próprios passos.

E a última obra do disco é a festiva “Abertura para um Festival Acadêmico”, composta por volta de 1880. Ela, diferente da Sinfonia No. 2, revela uma atmosfera espirituosa - e quase irreverente. A obra é fruto de uma circunstância bastante curiosa. Após receber um doutorado honorário pela Universidade de Breslau, o compositor apresentou a obra. Esperava-se que fosse algo solene e ligado à circunstância que satisfazia a existência da homenagem. Pelo contrário, Brahms de maneira bastante incomum escreveu uma obra baseada em canções estudantis populares. Ou seja, trata-se de algo que fugia à regra, já que a personalidade é ligada à frugalidade e a expansões contidas. Percebe-se que essa máxima, talvez, não seja totalmente eficaz.

De qualquer forma, é ótimo ouvir esses dois trabalhos extraordinários. Brahms nos mostra que a música é uma forma de pensar e refletir sobre o mundo. Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

 Johannes Brahms (1833-1897) - 

01. Symphony No. 2 in D Major, Op. 73 -  I. Allegro non troppo
02. Symphony No. 2 in D Major, Op. 73 -  II. Adagio non troppo
03. Symphony No. 2 in D Major, Op. 73 -  III. Allegretto grazioso
04. Symphony No. 2 in D Major, Op. 73 -  IV. Allegro con spirito
05. Academic Festival Overture in C Minor, Op. 80

Gewandhausorchester

Herbert Blomstedt, regente 

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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Johann Sebastian Bach (1685-1750) - Concertos for Harpsichord

Da apresentação do disco:

"Os concertos sobreviventes de Johann Sebastian Bach para um cravo e cordas foram todos compostos antes de 1738, o que os coloca entre os primeiros — se não os primeiros — concertos para teclado, gênero que se tornaria um dos mais populares da música clássica. Tudo indica que Bach os escreveu para seu próprio uso (ou para o de seus talentosos filhos), provavelmente destinados a apresentações com o Collegium Musicum de Leipzig, cuja direção assumira em 1729.

O caráter fresco e exuberante presente nesses concertos parece refletir o quanto Bach apreciava a oportunidade de fazer música ao lado de seus colegas. No entanto, grande parte do material musical não era propriamente nova: apesar do forte idiomatismo, muitos dos concertos para cravo de Bach são quase certamente transcrições de obras anteriores compostas para outros instrumentos.

Algumas dessas composições originais não chegaram até nós, mas ainda assim é possível rastrear a origem do BWV 1052 e dos movimentos externos do BWV 1056 a concertos para violino hoje perdidos, enquanto o BWV 1053 resulta da reelaboração de três movimentos de cantata que, por sua vez, provavelmente derivavam de um concerto para órgão também desaparecido. Caso semelhante é o do BWV 1059, conhecido atualmente apenas por um fragmento de nove compassos na partitura original de Bach. Uma versão anterior da obra — um concerto para órgão —, porém, sobreviveu na forma de três movimentos da Cantata nº 35, Geist und Seele wird verwirret, que serviram de base para a reconstrução realizada por Masato Suzuki e incluída no presente disco. O próprio Masato Suzuki interpreta as partes solistas, além de dirigir seus colegas do Bach Collegium Japan".

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Johann Sebastian Bach (1685-1750) - 

Harpsichord Concerto No. 1 in D Minor, BWV 1052
01 I. Allegro
02 II. Adagio
03 III. Allegro

Harpsichord Concerto No. 5 in F minor, BWV 1056
04 I. Allegro
05 II. Adagio
06 III. Presto

Harpsichord Concerto No. 8 in D minor, BWV 1059 R (reconstruction by M. Suzuki)
07 I. Allegro
08 II. (Siciliano)
09 III. Presto

Harpsichord Concerto No. 2 in E Major, BWV 1053
10 I. (Allegro)
11 II. Siciliano
12 III. Allegro

Bach Collegium Japan
Masato Suzuki, ceavo e direção 

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terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Gioacchino Rossini (1792-1868) - Overtures

Gioacchino Rossini pode ser considerado como um dos maiores fenômenos musicais do seu tempo. Ainda muito jovem, conquistou reconhecimento e fortuna. O compositor conseguiu combinar talento melódico excepcional, senso teatral apurado e uma produtividade quase lendária. Seu nome tornou-se sinônimo de energia musical, humor refinado e inovação na escrita vocal. 

Rossini dominou a cena operística do início do século XIX com uma habilidade rara para criar melodias memoráveis e ritmos irresistíveis. Sua música é marcada pelo chamado “crescendo rossiniano” - técnica em que uma frase musical é repetida com aumento gradual de intensidade, orquestração e expectativa dramática, conduzindo o público a um clímax eletrizante. Esse recurso tornou-se uma de suas assinaturas estilísticas mais reconhecíveis.

No campo dramático, Rossini revelou igual versatilidade. Soube equilibrar a leveza da ópera-bufa - cômica, dinâmica e espirituosa - com obras sérias de grande força emocional. Em suas comédias, os conjuntos vocais são ágeis e cheios de diálogos musicais rápidos, exigindo precisão técnica e expressividade dos cantores. Já nas óperas sérias, investiu em linhas vocais amplas, ornamentação sofisticada e intensa carga dramática.

Neste disco, encontramos algumas das principais aberturas das composições operísticas do compositor italiano. Não deixe deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Gioacchino Rossini (1792-1868) - 

01. The Thieving Magpie
02. The Silken Ladder
03. Semiramide
04. The Barber of Seville
05. The Italian Girl in Algiers
06. William Tell

Berliner Philharmoniker
Herbert von Karajan, regente 

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Anton Bruckner (1824-1896) - Symphony No. 9 in D minor


A Nona é a última sinfonia composta por Anton Bruckner. Nem mesmo ele — que ao longo de toda a vida escreveu quase exclusivamente sinfonias — conseguiu ultrapassar a marca simbólica do número nove, a “coluna de Hércules” estabelecida pelo titânico Beethoven. A obra permaneceu, além disso, inacabada, faltando-lhe o quarto movimento; trata-se, portanto, de um verdadeiro torso: não menos sublime e monumental, mas sem uma conclusão que confirme sua completude.

A questão foi amplamente debatida e continua a ser. A obra não foi concluída por um acaso — a morte do compositor — ou permaneceu incompleta porque, após o terceiro movimento, espécie de comovente despedida do mundo, essa sinfonia já não poderia ser finalizada, ou estaria secretamente completa nessa forma, à semelhança de outra célebre “Inacabada” (a Sinfonia em si menor de Franz Schubert)? Nem mesmo a cronologia ajuda a desfazer o mistério. Bruckner compôs os três primeiros movimentos entre 1891 e 1894, com base em esboços de 1887. Rascunhos para o Finale, de consistência muito fragmentária e aproximativa, datam de 1894 a 1896, ano de sua morte. Em teoria, mesmo considerando a lentidão com que Bruckner compunha, teria havido tempo para dar uma conclusão à sinfonia, e é certo que o autor pensava nisso. Na prática, porém, não o fez — ou não viveu o bastante para fazê-lo.

Não é o único mistério que paira sobre essa partitura de um espírito aparentemente tão límpido quanto enigmático. Há, por exemplo, a dedicatória, ao mesmo tempo ingênua e fervorosa, que a acompanha — “Dem lieben Gott”, “Ao bom Deus” — logo após a dedicatória da Oitava Sinfonia ao imperador Francisco José, seu grande protetor em vida. Teria Bruckner pensado em entregar esse fruto maduro de sua arte, sobretudo se pressentido como derradeiro, ao protetor celeste que venerava como crente, sob o signo de uma transcendência ultraterrena?

Essa é a tese sustentada pelo importante estudioso bruckneriano Sergio Martinotti, que, reconhecendo na obra uma grandeza de pensamento e de tom, afirma que Bruckner “percebeu que a Nona Sinfonia seria a sua última; por isso, seguindo os modelos de Beethoven e Schubert, quis torná-la grandiosa, como coroamento de toda a sua carreira musical, na qual a lentidão composicional, acentuada pelo declínio físico, e a dedicação exclusiva a esse trabalho refletem claramente essa vontade determinada” — como se o “bom Deus” tivesse se tornado o único e verdadeiro interlocutor a quem se dirigir. Nessa elevação de pensamento reconhece-se o orgulho de um músico que atravessou a vida com otimismo inocente, quase indiferente à história e ao tempo, e com forte senso de liberdade.

Na mesma linha, embora sob uma perspectiva mais laica, outro estudioso, Quirino Principe, identifica na crescente atemporalidade da música de Bruckner o traço principal e luminoso da Nona Sinfonia. Talvez, acrescenta, “o senso de espera, absolutamente ininterrupto da primeira à última nota desse monumento sinfônico, não seja apenas o elemento mundano de uma espécie de romance ou poema musical, com seus perfumes noturnos e seus impulsos quase eróticos — ainda que de um erotismo puríssimo; é também a espera do além e, portanto (para Bruckner não havia dúvida), da vida após a morte. Assim, a ascensão da Nona, em suas cores e linhas verticais, rumo ao azul profundo de um ciclo noturno, é uma subida umedecida por um orvalho místico-romântico, muito próxima dos destilados de Wackenroder, Tieck e Novalis. [...] Acima de tudo, um sentido de ordem calma e aveludada, de tranquila lisura que flui em vastas superfícies azuladas”.

Também essa hipótese, embora extremamente fascinante, aspira a uma certeza — mas não a possui.

Daqui 

Anton Bruckner (1824-1896) - 

01 - I. Feierlich, misterioso
02 - II. Scherzo. Bewegt, lebhaft - Trio. Schnell
03 - III. Adagio. Langsam, feierlich

Orchestre de la Suisse Romande 
Marek Janowski, regente 

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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Mozart Camargo Guarnieri (1907-1993) - Piano Concertos Nos. 4, 5 & 6

Esta é a segunda postagem com os concertos para piano de um maiores compositores brasileiros de todos os tempos. Estamos a falar de Mozart Camargo Guarnieri. O compositor paulista escreveu - completos - cinco concertos para piano. O sexto ficou inacabado. Os três concertos aqui presentes fazem parte do período de maturidade do compositor. 

Guarnieri era averso às influências oriundas da Europa. A influência das vanguardas europeias fazia-se sentir por todos os cantos. O compositor rechaçou esse contágio e procurou um caminho próprio. Queria uma música moderna e fincada numa filosofia que realçasse a expressão nacional. Escreveu uma carta aos compositores, no início dos anos 50, sua famosa "Carta Aberta aos Músicos e Críticos do Brasil". Nela, ele criticava aqueles que aderiam irrefletidamente as modas oriundas do continente europeu. Seus últimos concertos para piano estão expressam essa preocupação.

O Concerto No. 4, por exemplo, demonstra isso. Aqui o piano não é apenas virtuose — torna-se um protagonista dramático em diálogo intenso com a orquestra. A escrita é mais compacta, menos “folclórica” de forma explícita, mas ainda sustentada por ritmos brasileiros internalizados. Foi escrito em 1968.

O de Nº 5  tende a maior transparência e equilíbrio. A relação entre piano e orquestra torna-se mais arquitetônica, com temas claramente delineados e desenvolvimento rigoroso. Sua escrita é do ano de 1970.

E o de Nº 6  apresenta uma escrita ainda mais condensada e introspectiva. Quando da sua escrita, Guarnieri já era um compositor octogenário e consagrado. Sua escrita é do ano de 1987, seis anos antes de sua morte. 

É bom saber que existe um compositor com uma escrita tão sofisticada quanto Camargo Guarnieri. Geralmente, quando pensamos em concertos para piano, logo vem à mente os bastiões da tradicional escola musical europeia - Beethoven, Schumann, Chopin, Grieg, Liszt etc. Todavia, é preciso ouvir Guarnieri para que se perceba o quanto procurou autenticidade, independência e a construção de uma linguagem musical arrojada. Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Mozart Camargo Guarnieri (1907-1993) - 

01. Piano Concerto No. 4 - I. Resoluto
02. Piano Concerto No. 4 - II. Profundamente triste
03. Piano Concerto No. 4 - III. Rapido
04. Piano Concerto No. 5 - I. Improvisando
05. Piano Concerto No. 5 - II. Sideral
06. Piano Concerto No. 5 - III. Jocoso
07. Piano Concerto No. 6 - I. Caprichoso, bem ritmado
08. Piano Concerto No. 6 - II. Calmo, muito sentido
09. Piano Concerto No. 6 - III. Alegre, bem ritmado

Warsaw Philharmonic Orchestra

Thomas Conlin, regente
Max Barros, piano 

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