domingo, 19 de abril de 2026

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) - The String Quintets

Enquanto o quarteto de cordas consolidava sua célebre evolução a partir da década de 1760, o quinteto de cordas - possivelmente criado por Michael Haydn em 1773 - permaneceu relativamente marginal. O jovem Wolfgang Amadeus Mozart, então com 17 anos, descobriu o gênero ao regressar da Itália. Bastou isso para despertar o interesse do adolescente, que apreciava especialmente executar a parte da viola em apresentações de quartetos. Depois dos seis quintetos mozartianos com duas violas, essa formação continuou rara. Luigi Boccherini escreveu mais de uma centena de quintetos, porém com dois violoncelos, solução também adotada por Franz Schubert. Talvez o gênero encontrasse dificuldade em se distinguir da música de entretenimento. Michael Haydn intitulou seu primeiro quinteto Notturno, enquanto Mozart escreveu o seu em estilo de divertimento.

O primeiro Quinteto, K. 174, em si bemol maior, nasceu da explosão criativa de 1773, ano particularmente fértil que também viu surgir um concerto para piano em ré maior, três sinfonias e seis quartetos dedicados a Joseph Haydn. Após uma versão inicial composta na primavera, a obra passou por ampla revisão em dezembro. O Allegro, em forma-sonata, apresenta diálogo entre o primeiro violino e a primeira viola. O desenvolvimento revela dramaticidade que contrasta com a recapitulação. As surdinas conferem caráter noturno ao Adagio, cuja forma-sonata quase dispensa desenvolvimento. O Minuetto é leve e jubiloso, retomando o diálogo inicial. Já o Finale, que ocupa quase metade da duração total, foi descrito por Harry Halbreich como uma das formas-sonata mais ambiciosas do jovem Mozart. Aos 17 anos, o compositor já demonstrava domínio pleno do gênero.

Depois dessa estreia, os dois quintetos seguintes só seriam compostos 14 anos mais tarde, em 1787, entre o êxito de The Marriage of Figaro em Praga e a estreia de Don Giovanni. As duas obras extensas — uma em dó maior, solene e serena, outra em sol menor, marcada pela angústia — figuram entre os ápices da maturidade criativa de Mozart. Sua gênese costuma ser associada a uma carta enviada ao pai, gravemente enfermo, que morreria menos de duas semanas depois.

Nessa carta, Mozart refletia sobre a morte como destino inevitável da vida e afirmava ter aprendido a encará-la como “a melhor amiga do homem”, imagem que já não lhe causava temor, mas consolo. O compositor dizia agradecer diariamente a Deus por essa serenidade espiritual e desejava o mesmo a todos os semelhantes.

O Quinteto em dó maior, K. 515, abre-se com amplo diálogo entre violoncelo e primeiro violino, dominando grande parte da exposição e explorando tonalidades ousadas antes do surgimento do segundo tema. O desenvolvimento revela completo domínio técnico. O melancólico Andante remete ao canto e à ópera, contrastando com a “graciosa despreocupação” do Minuetto, nas palavras de Henri Ghéon. O vasto Rondo encerra a obra em atmosfera de paz e serenidade.

Essa serenidade desaparece no Quinteto em sol menor, K. 516, escrito em tonalidade que Mozart raramente utilizava e que associava à tragédia. O tema inicial instaura tensão emocional intensa, cuja agitação, segundo Halbreich, denuncia ansiedade irreprimível. O primeiro movimento, em forma-sonata, expande-se novamente na recapitulação. Para Ghéon, sua originalidade exaure emoção, admiração e surpresa. O Menuetto, de ritmo sincopado e áspero, mantém a inquietação, até que o trio deixa entrever breve claridade em sol maior. O admirável Adagio, tocado com surdinas, foi descrito pelo musicólogo Alfred Einstein como a “prece inefável de uma alma isolada cercada por abismos”. Em seguida, surge inesperadamente novo Adagio, sem surdinas, em que o primeiro violino entoa longo lamento. O Allegro final explode subitamente em sol maior. Muito criticado à época, o desfecho parece afirmar que mesmo após o sofrimento extremo permanece o desejo de reencontrar alegria.

A data exata do Quinteto em dó menor, K. 406, permanece incerta. Trata-se de transcrição da Serenata para octeto de sopros composta em 1782. Segundo os biógrafos Brigitte Massin e Jean Massin, Mozart teria realizado a adaptação por necessidade financeira, experiência que possivelmente inspirou os quintetos de 1787. O Allegro inicia-se com arpejo em uníssono e energia rítmica incisiva. O Andante, em tonalidade relativa maior, revela generosa invenção melódica. O espantoso Minuetto apresenta cânone entre primeiro violino e violoncelo, com cânone espelhado no trio. O Finale adota caráter marcial em tema seguido de sete variações.

A concisão dessa obra a aproxima dos dois últimos quintetos, compostos com poucos meses de intervalo. Em 1790, ao escrever o Quinteto em ré maior, K. 593, Mozart vinha de meses de escassa produção, após viagem desastrosa a Frankfurt e agravamento de sua crise financeira, somados a campanha política contra a maçonaria. A obra provavelmente foi encomendada pelo maçom e violinista amador Johann Tost, também patrono de quartetos de Haydn. A introdução lenta, incomum na música de câmara do compositor, retorna inesperadamente ao fim do movimento. O Adagio em sol maior segue despertando admiração. O Menuetto evoca ambiente rural, sobretudo no Ländler central. Já o Finale, marcado por cromatismo ousado e refinamento contrapontístico, sugere a plena recuperação da energia criativa de Mozart.

Também encomendado por Johann Tost, o Quinteto K. 614 afirma intenção maçônica por meio da tonalidade de mi bemol maior. Se a obra anterior privilegiava o contraponto, esta recorre à inspiração popular e a um otimismo luminoso. Para Brigitte e Jean Massin, resta perguntar se se trata de iluminação espiritual ou do alvorecer de uma nova era saudada pelos grandes espíritos europeus do Iluminismo. O Allegro di molto evoca paisagem campestre e caçada, em temas marcados por despreocupação — ou sabedoria. O Andante, em forma de tema e variações, alia transparência, simplicidade e serena emoção. Segue-se um Menuetto claramente haydniano. No Allegro final, Mozart funde rondó e forma-sonata, explorando tonalidades remotas e desenvolvimento contrapontístico. Mais uma vez, demonstra seu dom singular de “transfigurar o ordinário”

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) - 

DISCO 01


01. String Quintet No. 1 in B-Flat Major, K. 174: I. Allegro moderato
02. String Quintet No. 1 in B-Flat Major, K. 174: II. Adagio
03. String Quintet No. 1 in B-Flat Major, K. 174: III. Menuetto
04. String Quintet No. 1 in B-Flat Major, K. 174: IV. Allegro
05. String Quintet No. 2 in C Major, K. 515: I. Allegro
06. String Quintet No. 2 in C Major, K. 515: II. Andante
07. String Quintet No. 2 in C Major, K. 515: III. Menuetto
08. String Quintet No. 2 in C Major, K. 515: IV. Allegro

DISCO 02

01. String Quintet No. 3 in G Minor, K. 516: I. Allegro
02. String Quintet No. 3 in G Minor, K. 516: II. Menuetto
03. String Quintet No. 3 in G Minor, K. 516: III. Adagio ma non troppo
04. String Quintet No. 3 in G Minor, K. 516: IV. Adagio-Allegro
05. String Quintet No. 4 in C Minor, K. 406: I. Allegro
06. String Quintet No. 4 in C Minor, K. 406: II. Andante
07. String Quintet No. 4 in C Minor, K. 406: III. Menuetto
08. String Quintet No. 4 in C Minor, K. 406: IV. Allegro

DISCO 03

01. String Quintet No. 5 in D Major, K. 593: I. Larghetto-Allegro
02. String Quintet No. 5 in D Major, K. 593: II. Adagio
03. String Quintet No. 5 in D Major, K. 593: III. Menuetto. Allegretto
04. String Quintet No. 5 in D Major, K. 593: IV. Allegro
05. String Quintet No. 6 in E-Flat Major, K. 614: I. Allegro di molto
06. String Quintet No. 6 in E-Flat Major, K. 614: II. Andante
07. String Quintet No. 6 in E-Flat Major, K. 614: III. Menuetto
08. String Quintet No. 6 in E-Flat Major, K. 614: IV. Allegro

Oleg Kaskiv, 
Alexander Grytsayenko, 
Eli Karanfilova, 
Valentyna Pryshlyak, 
Pablo de Naverán 

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sábado, 18 de abril de 2026

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) - Violin Concerto No. 1 in B-Flat Major, K. 207, Violin Concerto No. 2 in D Major, K. 211, Adagio in E Major for Violin and Orchestra, K. 261 etc

O Concerto para Violino nº 1 em Si bemol maior, K. 207, escrito em 1773, surge quando Mozart tinha apenas dezessete anos. Salzburgo vivia musicalmente sob forte influência italiana, especialmente da ópera e da escrita violinística de compositores como Antonio Vivaldi e Giuseppe Tartini. O jovem Mozart, violinista competente ele próprio, conhecia intimamente o instrumento e escrevia pensando tanto na elegância sonora quanto no brilho técnico.

Dois anos depois, em 1775, Mozart compõe o Concerto para Violino nº 2 em Ré maior, K. 211. Esse ano seria extraordinariamente produtivo para sua escrita violinística: em poucos meses surgiriam vários dos cinco concertos hoje consagrados. O nº 2 mostra avanço notável em refinamento formal e equilíbrio entre solista e orquestra. Se o primeiro concerto ainda exibe ímpeto juvenil, o segundo revela maior contenção e elegância.

Um baita disco. Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!  

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) - 

01 - Violin Concerto No. 1 in B-Flat Major, K. 207_ I. Allegro Moderato
02 - Violin Concerto No. 1 in B-Flat Major, K. 207_ II. Adagio
03 - Violin Concerto No. 1 in B-Flat Major, K. 207_ III. Presto
04 - Adagio in E Major for Violin and Orchestra, K. 261
05 - Rondo in C Major for Violin and Orchestra, K. 373
06 - Rondo in B-flat Major for Violin and Orchestra, K. 269_261a
07 - Violin Concerto No. 2 in D Major, K. 211_ I. Allegro Moderato
08 - Violin Concerto No. 2 in D Major, K. 211_ II. Andante
09 - Violin Concerto No. 2 in D Major, K. 211_ III. Rondeau. Allegro

Festival Strings Lucerne
Daniel Dodds, regente
Arabella Steinbacher, violino 

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sexta-feira, 17 de abril de 2026

Félix Mendelssohn (1809-1847) - Piano Concerto in A minor e Violin Concerto in D minor

Mendelssohn foi um garoto prodígio. Compôs algumas de suas obras quando ainda era um adolescente de 12 para 14 anos. Por exemplo, o Concerto para piano em A minor foi composto quando o compositor contava com inacreditáveis 14 anos de idade. A obra dialoga diretamente com a tradição de Wolfgang Amadeus Mozart e Ludwig van Beethoven, especialmente na estrutura formal e no equilíbrio entre solista e orquestra. Historicamente, esse concerto revela o ambiente cultural privilegiado em que Mendelssohn cresceu - uma família burguesa culta, que promovia concertos privados em Berlim. Era uma época em que jovens talentos eram incentivados a compor e performar desde cedo, algo que moldou profundamente sua carreira. 

Em seguida, no disco, encontramos o menos conhecido Concerto para violino em Ré menor. A obra também foi escrita na juventude do compositor. Escrito para um círculo próximo de músicos, ele funciona quase como um laboratório de ideias. Esse período coincide com a redescoberta da música de Johann Sebastian Bach, que Mendelssohn ajudou a revitalizar ao reger a Paixão segundo São Mateus em 1829. Esse fato é um verdadeiro marco histórico e celebra a dignificação da música barroca.

Não deixe de ouvir esse disco sensacional. Uma boa apreciação! 

Félix Mendelssohn (1809-1847) - 

01 Piano Concerto in A minor - I. Allegro
02 Piano Concerto in A minor - II. Adagio
03 Piano Concerto in A minor - III. Finale. Allegro ma non troppo
04 Violin Concerto in D minor - I. Allegro
05 Violin Concerto in D minor - II. Adagio
06 Violin Concerto in D minor - III. Allegro molto

Concerto Köln
Andreas Staier, pianoforte
Rainer Kussmaul, violino 

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quinta-feira, 16 de abril de 2026

Poulenc, Franck & Dutilleux - Cello Sonatas

Textinho curto para a apresentação desse disquinho delicioso:

As três obras que compõem este programa de grande apelo abrangem um século. A Sonata de César Franck, apresentada em sua transcrição oficialmente autorizada para violoncelo, deriva de sua popular Sonata para Violino, de 1886, escrita como presente de casamento para o violinista Eugène Ysaÿe.

Trois Strophes sur le nom de Sacher, de Henri Dutilleux, foi composta em homenagem ao aniversário de Paul Sacher e teve sua estreia com Mstislav Rostropovich, acompanhado pelo próprio compositor ao piano. A criação da obra se estendeu por uma década, iniciada em 1976.

A Sonata para Violoncelo de Francis Poulenc, dedicada a Pierre Fournier, foi concluída em 1948.

Michael Petrov e Erden Misirlioğlu integram o aclamado Trio Isimsiz.

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

01. Cello Sonata, Op. 143: I. Allegro tempo di Marcia (6:04)
02. Cello Sonata, Op. 143: II. Cavatina (7:03)
03. Cello Sonata, Op. 143: III. Ballabile (3:44)
04. Cello Sonata, Op. 143: IV. Finale (6:56)
05. Trois Strophes sur le nom de Sacher: I. Un poco indeciso (4:31)
06. Trois Strophes sur le nom de Sacher: II. Andante sostenuto (3:24)
07. Trois Strophes sur le nom de Sacher: III. Vivace (3:10)
08. Cello Sonata in A Major, M. 8: I. Allegro ben moderato (6:02)
09. Cello Sonata in A Major, M. 8: II. Allegro molto (8:37)
10. Cello Sonata in A Major, M. 8: III. Recitativo. Fantasia - Ben moderato (8:48)
11. Cello Sonata in A Major, M. 8: IV. Allegretto poco mosso (6:29)

Erdem Misirlioglu 

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quarta-feira, 15 de abril de 2026

Benedetto Marcello (1686-1739) - Psalm 42 & 50

Textinho de apoio:

Desde cedo, Benedetto Marcello revelou-se uma figura de notável versatilidade: poeta, escritor, músico, advogado, juiz, administrador e filólogo, ocupando cargos relevantes em todas essas áreas ao longo de sua vida. Como compositor, construiu uma obra extensa, abrangendo os principais gêneros musicais de sua época, incluindo peças corais sacras e profanas, ópera e um vasto repertório instrumental.

Parte significativa de sua trajetória foi dedicada ao Estro poetico-armonico, uma ampla coletânea de composições baseadas nos cinquenta primeiros Salmos, em paráfrase italiana escrita por Girolamo Ascanio Giustiniani. Diferentemente das obras litúrgicas tradicionais, esses salmos assumem a forma de cantatas espirituais — um gênero que se desenvolveu a partir do oratório e da música religiosa em geral, difundindo-se rapidamente pela Itália desde o início do século XVII. O estilo adotado na obra evita o uso excessivo de contraponto e harmonia, privilegiando melodias cativantes e a expressão emocional do texto.

Esta nova gravação apresenta os Salmos 42 e 50, interpretados pelo Coro Istituzione Armonica e pelo Ensemble Il Narvalo, sob a regência de Alberto Turco.

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Benedetto Marcello (1686-1739) -  

01. Psalm XLII: I. Dal tribunal augusto in C Minor, S.642
02. Psalm XLII: II. Se mia fortezza sei
03. Psalm XLII: III. Allor fia che a' sacri altari
04. Psalm XLII: IV. Dunque alma mia
05. Psalm L: I. Psalm 50, Hebrew cantillation
06. Psalm L: II. O d'immensa pietà in F Minor. S.650
07. Psalm L: II. di tua misericordia
08. Psalm L: III. Sì, mi lavi per sempre
09. Psalm L: IV. Abbastanza comprendo
10. Psalm L: V. Te solo offesi
11. Psalm L: VI. Ché fra le iniquitadi
12. Psalm L: VII. Ma sò nen io
13. Psalm L: VIII. Coll'issoppo m'aspergi
14. Psalm L: IX. Così farai
15. Psalm L: X. Torci la facia
16. Psalm L: XI. All'or io mostrerò
17. Psalm L: XII. Clemente iddio
18. Psalm L: XIII. Tu mi sciogli la lingua
19. Psalm L: XIV. Se di vittime e sangui
20. Psalm L: X. Ma dolente uno spirto
21. Psalm L: XI. L'immensa tua pietà
22. Psalm L: XII. All'ora offerte

Coro Istituzione Armonica
Ensemble Il Narvalo
Alberto Turco, diretor 

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Johannes Brahms (1833-1897) - Sonata for Clarinet and Piano No. 2 in E-Flat Major, Op. 120 No. 2 e Sonata for Clarinet and Piano No. 1 in F Minor, Op. 120 No. 1


Tenho escutado com recorrência este disco ao longo da semana. Sua beleza e delicadeza me eleva e me deixa absorto. Nele, há as duas sonatas para piano e clarinete, Op. 120, de Brahms. Especialmente, a No.1 é uma das obras mais bonitas e delicadas da história da música. É o “Brahms tardio” em estado puro. Impressiona pela beleza profundamente humana, pela sofisticação; pelo lirismo à flor da pele; pela atmosfera contemplativa, por exemplo, do segundo movimento (Andante un poco adagio); pelas emoções que suscita; pela introspecção que aponta para dentro, que nos convida ao recolhimento.

Após anunciar sua aposentadoria em 1890, Brahms parecia decidido a encerrar sua produção. No entanto, durante uma visita à corte de Meiningen, ele ouviu o clarinetista Richard Mühlfeld, membro da orquestra local. O impacto foi imediato.

Encantado com o timbre caloroso e a expressividade do instrumento nas mãos de Mühlfeld, Brahms voltou a compor. Dessa inspiração nasceram quatro obras fundamentais para o repertório do clarinete, incluindo as duas sonatas Op. 120.

Existem outras interpretações – com outros instrumentos fazendo o papel do clarinete. O próprio Brahms autorizou essas versões alternativas já em sua época. Contudo, penso que o som “fanhoso” do instrumento confira um efeito etéreo e contemplativo a essas duas joias musicais. Tudo parece fica meio suspenso quando as escutamos.

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Johannes Brahms (1833-1897) - 

01. András Schiff & Jörg Widmann – Sonata for Clarinet and Piano No. 2 in E-Flat Major, Op. 120 No. 2: 1. Allegro amabile (08:35)
02. András Schiff & Jörg Widmann – Sonata for Clarinet and Piano No. 2 in E-Flat Major, Op. 120 No. 2: 2. Allegro appassionato (05:17)
03. András Schiff & Jörg Widmann – Sonata for Clarinet and Piano No. 2 in E-Flat Major, Op. 120 No. 2: 3. Andante con moto - Allegro (07:40)
04. András Schiff – Intermezzi for Piano: 1. I (00:46)
05. András Schiff – Intermezzi for Piano: 2. Zart singend (01:22)
06. András Schiff – Intermezzi for Piano: 3. Mit dunkler Glut (Agitato sempre) (11:59)
07. András Schiff – Intermezzi for Piano: 4. Wiegenlied (Ruhig fließend) (04:13)
08. András Schiff – Intermezzi for Piano: 5. Lento un poco andante (01:40)
09. András Schiff & Jörg Widmann – Sonata for Clarinet and Piano No. 1 in F Minor, Op. 120 No. 1: 1. Allegro appassionato (08:08)
10. András Schiff & Jörg Widmann – Sonata for Clarinet and Piano No. 1 in F Minor, Op. 120 No. 1: 2. Andante un poco adagio (05:08)
11. András Schiff & Jörg Widmann – Sonata for Clarinet and Piano No. 1 in F Minor, Op. 120 No. 1: 3. Allegretto grazioso (04:24)
12. András Schiff & Jörg Widmann – Sonata for Clarinet and Piano No. 1 in F Minor, Op. 120 No. 1: 4. Vivace (05:19)

András Schiff, piano
Jörg Widmann, clarinete

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terça-feira, 14 de abril de 2026

P. I. Tchaikovsky (1840-1893) - The Queen of Spades, Op. 68 TH 10_ Overture, Claude Debussy (1862-1918) - Prélude à l’après-midi d’un faune, L. 86 e La mer, L. 109 etc


Textinho da Wikipédia trazendo alguns dados biográficos da carreira de Svetlanov:

"Svetlanov nasceu em Moscou e estudou regência com Alexander Gauk no Conservatório de Moscou . A partir de 1955, regeu no Teatro Bolshoi , sendo nomeado maestro principal em 1962. De 1965 a 1979, foi maestro principal da Orquestra Sinfônica Estatal da URSS (atual Orquestra Sinfônica Estatal Russa). Em 1979, foi nomeado maestro convidado principal da Orquestra Sinfônica de Londres . Svetlanov também foi diretor musical da Orquestra Residentie ( Haia ) de 1992 a 2000 e da Orquestra Sinfônica da Rádio Sueca de 1997 a 1999.

Em 2000, Svetlanov foi demitido de seu cargo na Orquestra Sinfônica Estatal Russa pelo ministro da cultura da Rússia, Mikhail Shvydkoy . O motivo alegado foi que Svetlanov estava passando muito tempo regendo no exterior e pouco tempo em Moscou.

Svetlanov destacou-se particularmente por suas interpretações de obras russas – ele abrangeu toda a gama da música russa, de Mikhail Glinka aos dias atuais. Ele também foi um dos poucos maestros russos a reger toda a obra sinfônica de Gustav Mahler .

Suas próprias composições incluem um Quarteto de Cordas (1948), Daugava, Poema Sinfônico (1952), Fantasia Siberiana para Orquestra, Op. 9 (1953), Images d'Espagne , Rapsódia para orquestra (1954), Sinfonia (1956), Poema Festivo (1966),  Variações Russas para harpa e orquestra (1975), Concerto para Piano em dó menor (1976) e Poema para Violino e Orquestra "À Memória de David Oistrakh" (1975).  Ele compôs a Fantasia Siberiana em 1953/54, em colaboração com Igor Yakushenko [1932-1999].

Svetlanov também era um pianista extremamente competente, tendo gravado três obras notáveis: o Trio para Piano nº 2 em Ré menor e a Sonata para Violoncelo op. 19 de Sergei Rachmaninoff , e um disco de música para piano de Nikolai Medtner .

A Warner Music France lançou uma "Édition officielle Yevgeny Svetlanov" apresentando o legado de gravações de Svetlanov como maestro e pianista, que em julho de 2008 já somava 35 volumes em CDs, frequentemente em caixas com vários CDs. O maior deles é a caixa com 16 CDs contendo as sinfonias completas de Nikolai Myaskovsky , cuja música Svetlanov dedicou-se integralmente".
 

01 - The Queen of Spades, Op. 68 TH 10_ Overture (Live at Royal Festival Hall, London)
02 - Prélude à l’après-midi d’un faune, L. 86 (Live at Royal Festival Hall, London)
03 - La mer, L. 109_ I. De l’aube à midi sur la mer (Live at Royal Festival Hall, London)
04 - La mer, L. 109_ II. Jeux de vagues (Live at Royal Festival Hall, London)
05 - La mer, L. 109_ III. Dialogue du vent et de la mer (Live at Royal Festival Hall, London)
06 - 5 Études-tableaux, Op. 39_ No. 2 in A Minor (Arr. for Orchestra by Ottorino Respighi)
07 - 8 Études-tableaux, Op. 33_ No. 6 in E-Flat Major (Arr. for Orchestra by Ottorino Respighi) (
08 - Overture on Hebrew Themes, Op. 34 (Live at Royal Festival Hall, London)

Philharmonia Orchestra (1-5)
BBC Symphony Orchestra (6,7)
London Symphony Orchestra (8)

Yevgeny Svetlanov, regente 

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segunda-feira, 13 de abril de 2026

Igor Stravinsky (1882-1971) - Le sacre du printemps e The Firebird Suite

Um disco com duas das peças mais importantes do século XX. The Firebird Suite (1910) e Le Sacre du printemps (1913) são que dividem a história. No caso de “Le Sacre du Printemps”, funciona como aquele marco – antes de Cristo; depois de Cristo. Pode-se falar em antes da Sagração; e depois da Sagração. Os fatos em torno dela são bem conhecidos, mas é importante recontá-los.

A obra, coreografada por Vaslav Nijinsky, rompeu com praticamente tudo que o público esperava de um balé. Em vez de elegância clássica, movimentos angulares e quase tribais; em vez de melodias suaves, uma música percussiva, agressiva, cheia de dissonâncias e ritmos irregulares.

O enredo - um ritual pagão em que uma jovem é sacrificada para garantir a chegada da primavera - já era, por si só, perturbador. Mas foi a combinação entre música e coreografia que desencadeou o caos. Relatos da época descrevem vaias, gritos e até brigas entre espectadores. A polícia foi chamada. Houve inúmeros protestos.

O escândalo, hoje lendário, não foi apenas uma reação exagerada. Ele refletia um choque cultural profundo. Le Sacre du printemps expunha uma Europa prestes a entrar em colapso - poucos anos antes da Primeira Guerra Mundial - e antecipava a ruptura com as convenções que marcaria toda a arte do século XX.

Já o “Pássaro de Fogo” é outra importante obra do compositor. Neste disco, encontramos as suas suítes. A obra é baseada em contos populares russos sobre um pássaro mágico, que pode representar tanto sorte quanto desventura para aquele que o captura.

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Igor Stravinsky (1882-1971) - 

01. Le sacre du printemps, Pt. 1 Adoration of the Earth - I. Introduction
02. Le sacre du printemps, Pt. 1 Adoration of the Earth - II. The Augurs of Spring - Dances of the Young Girls
03. Le sacre du printemps, Pt. 1 Adoration of the Earth - III. Ritual of Abduction
04. Le sacre du printemps, Pt. 1 Adoration of the Earth - IV. Spring Rounds
05. Le sacre du printemps, Pt. 1 Adoration of the Earth - V. Ritual of the River Tribes
06. Le sacre du printemps, Pt. 1 Adoration of the Earth - VI. Procession of the Sage
07. Le sacre du printemps, Pt. 1 Adoration of the Earth - VII. Dance of the Earth
08. Le sacre du printemps, Pt. 2 The Sacrifice - VIII. Introduction
09. Le sacre du printemps, Pt. 2 The Sacrifice - IX. Mystic Circles of the Young Girls
10. Le sacre du printemps, Pt. 2 The Sacrifice - X. Glorification of the Chosen One
11. Le sacre du printemps, Pt. 2 The Sacrifice - XI. Evocation of the Ancestors
12. Le sacre du printemps, Pt. 2 The Sacrifice - XII. Ritual Action of the Ancestors
13. Le sacre du printemps, Pt. 2 The Sacrifice - Sacrificial Dance
14. The Firebird Suite - I. Introduction
15. The Firebird Suite - II. L'oiseau de feu et sa danse
16. The Firebird Suite - III. Variation de l'oiseau de feu
17. The Firebird Suite - IV. Ronde des princesses
18. The Firebird Suite - V. Danse infernale du roi Kastcheï
19. The Firebird Suite - VI. Berceuse
20. The Firebird Suite - VII. Finale

Frankfurt Radio Symphony

Andrés Orozco-Estrada, regente 

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domingo, 12 de abril de 2026

Sergei Prokofiev (1891-1953) - The Complete Piano Sonatas

 

Textinho de apoio:

"As nove sonatas para piano de Sergei Prokofiev, compostas entre 1909 e 1951, formam um conjunto monumental que evidencia a evolução estilística do compositor ao longo de um período marcado por intensas turbulências históricas. Reconhecidas por suas elevadas exigências técnicas e pela profundidade psicológica, essas obras são consideradas um dos pilares do repertório pianístico do século XX. Entre elas, destacam-se as célebres “Sonatas de Guerra” (nº 6, 7 e 8), amplamente vistas como algumas das criações mais expressivas e impactantes do autor.

O pianista Carlo Grante, amplamente aclamado, é reconhecido por seu vasto repertório, técnica imponente e interpretações de caráter investigativo. Artista prolífico em gravações, destacou-se ao realizar a primeira integral das sonatas para teclado de Domenico Scarlatti registrada por um único pianista. Além de Scarlatti, seu catálogo abrange um amplo espectro de compositores, desde nomes consagrados como Wolfgang Amadeus Mozart, Frédéric Chopin, Franz Liszt e Johannes Brahms, até figuras menos conhecidas e contemporâneas, como Ferruccio Busoni e Leopold Godowsky.

Diversos compositores contemporâneos dedicaram obras a Grante, entre eles Bruce Adolphe (“Chopin Dreams”), Roman Vlad (“Opus Triplex”) e Michael Finnissy. Elogiado por sua maestria técnica e profundidade musical, o maestro Fabio Luisi, ex-diretor musical da Metropolitan Opera, definiu Carlo Grante como “um dos artistas mais impressionantes que já conheci e com quem trabalhei”. Já o jornal vienense Die Presse o descreveu como “um cavaleiro do piano, sem mácula e sem medo”.

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!

Sergei Prokofiev (1891-1953) - 

01 Piano Sonata No. 1 in F Minor, Op. 1
02 Piano Sonata No. 2 in D Minor, Op. 14_ I. Allegro ma non troppo
03 Piano Sonata No. 2 in D Minor, Op. 14_ II. Scherzo. Allegro marcato
04 Piano Sonata No. 2 in D Minor, Op. 14_ III. Andante
05 Piano Sonata No. 2 in D Minor, Op. 14_ IV. Vivace
06 Piano Sonata No. 3 in A Minor, Op. 28
07 Piano Sonata No. 4 in C Minor, Op. 29 _From Old Notebooks__ I. Allegro molto sostenuto
08 Piano Sonata No. 4 in C Minor, Op. 29 _From Old Notebooks__ II. Andante assai
10 Piano Sonata No. 5 in C Major, Op. 38_ I. Allegro tranquillo
11 Piano Sonata No. 5 in C Major, Op. 38_ II. Andantino
12 Piano Sonata No. 5 in C Major, Op. 38_ III. Un poco allegretto
13 Piano Sonata No. 6 in A Major, Op. 82_ I. Allegro moderato
14 Piano Sonata No. 6 in A Major, Op. 82_ II. Allegretto
15 Piano Sonata No. 6 in A Major, Op. 82_ III. Tempo di valzer, lentissimo
16 Piano Sonata No. 6 in A Major, Op. 82_ IV. Vivace
17 Piano Sonata No. 7 in B-Flat Major, Op. 83 _Stalingrad__ I. Allegro inquieto
18 Piano Sonata No. 7 in B-Flat Major, Op. 83 _Stalingrad__ II. Andante caloroso
19 Piano Sonata No. 7 in B-Flat Major, Op. 83 _Stalingrad__ III. Precipitato
20 Piano Sonata No. 8 in B-Flat Major, Op. 84_ I. Andante dolce
21 Piano Sonata No. 8 in B-Flat Major, Op. 84_ II. Andante sognando
22 Piano Sonata No. 8 in B-Flat Major, Op. 84_ III. Vivace
23 Piano Sonata No. 9 in C Major, Op. 103_ I. Allegretto
24 Piano Sonata No. 9 in C Major, Op. 103_ II. Allegro strepitoso
25 Piano Sonata No. 9 in C Major, Op. 103_ III. Andante tranquillo
26 Piano Sonata No. 9 in C Major, Op. 103_ IV. Allegro con brio, ma non troppo presto

Carlo Grante, piano 

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Antonin Dvořák (1841-1904) - Symphony No. 7 in D Minor, Op. 70 e Symphony No. 8 in G Major, Op. 88

Antonin Dvořák escreveu nove sinfonias, um número cabalístico para qualquer compositor quando estamos a falar de sinfonias  - Schubert, Beethoven, Bruckner entre outros. Das sinfonias escritas por Dvořák, a número 9 - "Do Novo Mundo" - é a minha favorita. Todavia, as sinfonias de número 7 e 8 são espetaculares. Por exemplo, escutei este disco por três vezes seguidas. 

A Sinfonia nº 7, concluída em 1885, nasce em um contexto de afirmação. Dvořák já não era um compositor promissor; era um nome consolidado, impulsionado pelo apoio de Johannes Brahms e pelo interesse de editores como a casa Simrock. A encomenda da obra pela Sociedade Filarmônica de Londres não foi apenas um gesto artístico, mas também político: tratava-se de inserir um compositor boêmio no coração da tradição sinfônica germânica. 

E é justamente isso que se ouve na Sétima. Sombria, densa e arquitetonicamente rigorosa, ela dialoga diretamente com o modelo de Brahms - e, mais distante, com Beethoven. O primeiro movimento se abre com um tema carregado de tensão, frequentemente interpretado como reflexo das inquietações políticas da Boêmia sob domínio austro-húngaro.  

Já a No. 8, composta quatro anos depois, em 1889, caminha para um outra direção. Se a Sétima olha para Viena e para a tradição germânica, a Oitava volta-se para a paisagem boêmia com um sorriso aberto. É uma obra mais luminosa, pastoral, quase celebratória. Dvořák, agora em um momento de maior autonomia artística, afasta-se deliberadamente do molde austro-germânico e abraça uma linguagem mais livre e pessoal.

Não deixe de ouvir este bonito disco. Uma boa apreciação! 

01. Symphony No. 7 in D Minor, Op. 70, B. 141 - I. Allegro maestoso
02. Symphony No. 7 in D Minor, Op. 70, B. 141 - II. Poco adagio
03. Symphony No. 7 in D Minor, Op. 70, B. 141 - III. Scherzo. Vivace
04. Symphony No. 7 in D Minor, Op. 70, B. 141 - IV. Finale. Allegro
05. Symphony No. 8 in G Major, Op. 88, B. 163 - I. Allegro con brio
06. Symphony No. 8 in G Major, Op. 88, B. 163 - II. Adagio
07. Symphony No. 8 in G Major, Op. 88, B. 163 - III. Allegretto grazioso - Molto vivace
08. Symphony No. 8 in G Major, Op. 88, B. 163 - IV. Allegro, ma non troppo

Houston Symphony
Andrés Orozco-Estrada, regente 

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sexta-feira, 10 de abril de 2026

Dmitri Shostakovich (1906-1975) - Symphony No. 6 in B minor, op.54 e Symphony No. 9 in E-flat major, op.70

As sinfonias 6 e 9, de Shostakovich, não são trabalhos tão populares do compositor. A primeira foi escrita em 1939; a segunda, em 1945. Nelas encontramos algumas das características da música do compositor - sobretudo, camadas sutis de ironia. 

Quando a Sexta saiu, havia a expectativa que seguiria a lógica da Quinta, que havia sido bem recebida pelo regime comunista de Joseph Stálin. Mas, a Sexta não possui o fausto. O seu longo primeiro movimento repleto de introspecção e pessimismo, é seguido por dois outros movimentos curtos e rápidos, cheios de ironia.

Já a Nona, escrita logo após o final da Segunda Guerra, também cria um contraste nas expectivas. Por tudo que havia sido a Guerra, esperava-se um trabalho épico - talvez - com um coral triunfante, mas não foi nada que se observou. A Nona Sinfonia é leve, curta e cheia de humor. Em vez de heroísmo, há sarcasmo; em vez de grandiosidade, transparência; em vez de exaltação coletiva, uma espécie de distanciamento irônico. 

Ou seja, eis a fórmula de Shostakovich. Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Dmitri Shostakovich (1906-1975) - 

01. Symphony No. 6 in B minor, op.54 - I. Largo
02. II. Allegro
03. III. Presto
04. Symphony No. 9 in E-flat major, op.70 - I. Allegro
05. II. Moderato
06. III. Presto
07. IV. Largo
08. V. Allegretto

London Philharmonic Orchestra

Sir Adrian Boult, regente
London Symphony Orchestra
Sir Malcolm Sargent, regente 

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quinta-feira, 9 de abril de 2026

Johan Svendsen (1840-1911) - String Quartet op.1 in a minor e String Quintet op.5 in C major

Textinho de apresentação do disco:

"Svendsen reunia qualidades que faltavam a Grieg: como demonstram ambas as obras, possuía um senso natural de forma e uma noção infalível de proporção, em contraste com o lirismo espontâneo e o miniaturismo que caracterizam o gênio de Grieg. Tinha também um talento inato para a orquestração, evidente em seu cativante Op. 4, a Primeira Sinfonia em Ré - cuja estreia levou o próprio Grieg a retirar sua própria Primeira Sinfonia.

Assim como Grieg, Svendsen estudou em Leipzig, mas, ao contrário do compatriota - que jamais perdeu a chance de criticar o academicismo da instituição -, parece ter prosperado naquele ambiente. As duas obras evidenciam a dimensão extraordinária de sua promessa criativa: revelam segurança impressionante e, acima de tudo, frescor.

Svendsen pensava em frases musicais mais amplas, e suas ideias carregam um forte impulso lírico. Fica a dúvida sobre o que teria alcançado caso não tivesse sucumbido ao fascínio da regência, tornando-se aquilo que hoje chamaríamos de um maestro “estrela”.

As obras Op. 1 e Op. 5 já haviam sido gravadas juntas há muitos anos pelo Quarteto Hindar, mas os músicos de Oslo demonstram maior coesão tímbrica, refinamento e unidade de ataque. Trata-se de música gloriosa, injustamente negligenciada, aqui apresentada de forma altamente convincente e com excelente qualidade de gravação".

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Johan Svendsen (1840-1911) -  

01. String Quartet op.1 in a minor - I Allegro [0:08:04.06]
02. String Quartet op.1 in a minor - II Andantino [0:06:14.74]
03. String Quartet op.1 in a minor - III Allegro scherzando [0:04:44.14]
04. String Quartet op.1 in a minor - IV Finale. Allegro con fuoco [0:07:28.29]
05. String Quintet op.5 in C major - I Andante - Allegro [0:10:03.32]
06. String Quintet op.5 in C major - II Tema con Variazioni [0:13:16.05]
07. String Quintet op.5 in C major - IIIFinale - Allegro [0:08:46.29]

Oslo String Quartet
Henning Kraggerud, viola 

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quarta-feira, 8 de abril de 2026

Angela Hewitt - Bach Arrangements

Textinho de apoio:

"Este cativante álbum reúne uma seleção representativa do vasto repertório de transcrições para piano da obra de Johann Sebastian Bach. O movimento de redescoberta de Bach, que ganhou força ao longo do século XIX, criou o ambiente ideal para que compositores-pianistas reinterpretassem suas composições por meio de transcrições próprias — abrangendo desde prelúdios corais até obras originalmente escritas para órgão e outros instrumentos. Durante esse período, grande parte da música de Bach tornou-se acessível ao público doméstico graças a esses arranjos, tradição que se estendeu até o século XX, mesmo após a consolidação do conhecimento das versões originais. Vale lembrar que o próprio Bach já recorria amplamente a esse tipo de prática, adaptando suas obras — e também as de outros compositores — para diferentes formações instrumentais.

Considerada uma das maiores intérpretes contemporâneas de Bach ao piano, Angela Hewitt opta por privilegiar transcrições que equilibram refinamento pianístico e virtuosismo, mantendo a essência do compositor independentemente do instrumento: Bach deve soar como Bach. O disco inclui a imponente transcrição da Passacaglia e Fuga em dó menor para órgão (BWV 582), realizada por Eugen d'Albert, além de cinco delicadas versões assinadas por Wilhelm Kempff. Também figuram no repertório diversos arranjos de compositores ingleses, originalmente reunidos na coletânea A Bach Book for Harriet Cohen, dedicada à pianista Harriet Cohen, que manteve estreitos vínculos com importantes nomes da música britânica do início do século XX.

A própria Angela Hewitt contribui ainda com três transcrições autorais. Funcionando como um complemento instigante às suas aclamadas gravações de Bach pelo selo Hyperion Records, este lançamento se apresenta como uma obra de grande apelo tanto para admiradores de Bach quanto para apreciadores do repertório pianístico".

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Wilhelm Kempff (1895-1991)
01. Wir danken dir, Gott, wir danken dir BWV29: Sinfonia
02. Sonata in E flat major BWV1031: Siciliano
03. Nun komm, der Heiden Heiland BWV659
04. Wachet auf, ruft uns die Stimme BWV645
05. Ich ruf' zu dir, Herr Jesu Christ BWV639
Mary Howe (1882-1964)
06. Was mir behagt, ist nur die muntre Jagd! BWV208: Sheep may safely graze
Myra Hess (1890-1965)
07. Herz und Mund und Tat und Leben, BWV147: Jesu, joy of man's desiring
Angela Hewitt (b1958)
08. Wenn wir in höchsten Nöten sein BWV641
09. Das alte Jahr vergangen ist BWV614
Gerald Hugh Tyrwhitt-Wilson (1883-1950)
10. In dulci jubilo BWV729
William Walton (1902-1983)
11. Herzlich tut mich verlangen BWV727
John Ireland (1879-1962)
12. Meine Seele erhebt den Herrn BWV648
Herbert Howells (1892-1983)
13. O Mensch, bewein' dein' Sünde gross BWV622
Harriet Cohen (1895-1967)
14. Jesus nahm zu sich die Zwölfe BWV22: Sanctify us by thy goodness
Harold Bauer (1873-1951)
15. Herr Jesu Christ, wahr' Mensch und Gott BWV127: Die Seele ruht in Jesu Händen
Eugen d'Albert (1864-1932)
16. Passacaglia in C minor BWV582
Angela Hewitt
17. Alle Menschen müssen sterben BWV643

Angela Hewitt, piano 

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terça-feira, 7 de abril de 2026

Hugo Alfvén (1872-1960) - Festspel, Op. 25, Gustav II Adolf, Op. 49 e Einojuhani Rautavaara (1928-2016) - Cantus arcticus, Op. 61

Gosto muito do Concerto para pássaros e orquestra, de Rautavaara. Às vezes, antes de dormir, coloco esse Concerto para tocar e me ponho a pensar naquela imensidão branca e gelada. Imagino os ventos rodopiantes; a brancura que recobre todas as coisas; alguns animais que se arrastam estrategicamente - e o canto das aves migratórias. 

Abaixo, um textinho sobre o compositor sueco Hugo Alfvén:

Hugo Alfvén foi um artista multifacetado, destacando-se não apenas como músico e compositor, mas também como escritor e pintor. Nascido em Stockholm, em 1872, iniciou sua formação na Kungliga Musikhögskolan e posteriormente aperfeiçoou seus estudos em cidades como Berlin, Dresden, Paris e Brussels.

Influenciado por Richard Wagner e Richard Strauss, Alfvén desenvolveu um estilo que também incorpora de forma marcante elementos da música folclórica sueca.

A obra Festspel (Peça Festival) foi encomendada para marcar a inauguração do novo edifício em estilo art nouveau do Kungliga Dramatiska Teatern, em 1908. Com caráter vibrante e festivo, a composição reflete de maneira adequada o espírito celebratório da ocasião.

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

01. Alfvén: Festspel, Op. 25 (7:50)
02. Rautavaara: Cantus arcticus, Op. 61 (Concerto for Birds and Orchestra): I. The Bog (Think of autumn and of Tchaikovsky) (7:53)
03. Rautavaara: Cantus arcticus, Op. 61 (Concerto for Birds and Orchestra): II. Melancholy (4:00)
04. Rautavaara: Cantus arcticus, Op. 61 (Concerto for Birds and Orchestra): III. Swans migrating (6:52)
05. Alfvén: Gustav II Adolf, Op. 49: I. Vision (3:32)
06. Alfvén: Gustav II Adolf, Op. 49: II. Intermezzo (2:32)
07. Alfvén: Gustav II Adolf, Op. 49: III. I Kejsar Ferdinands slottskapell (In Emperor Ferdinand’s Royal Chapel) (6:26)
08. Alfvén: Gustav II Adolf, Op. 49: IV(a). Sarabanda, for String Orchestra (2:34)
09. Alfvén: Gustav II Adolf, Op. 49: IV(b). Bourrée, for Three Bassoons (1:57)
10. Alfvén: Gustav II Adolf, Op. 49: IV©. Menuett (2:58)
11. Alfvén: Gustav II Adolf, Op. 49: V. Elegi. Till Carin, min hustru (Elegy. To Carin, my wife) (4:45)
12. Alfvén: Gustav II Adolf, Op. 49: VI. Breitenfeld - Bataljmålning (Breitenfeld - Battle Painting) (10:09)

Gothenburg Symphony Orchestra
Neeme Järvi, regente 

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segunda-feira, 6 de abril de 2026

Ludwig Van Beethoven (1770-1827) - Sonata No. 31 in A flat major e Sonata No. 32 in C minor


Eis as duas últimas sonatas para piano de Beethoven. Elas foram escritas entre os anos de 1821 e 1822. São obras monumentais. Beethoven já se encaminhava para a perda completa da audição. Essa experiência de perda de um dos sentidos mais singulares para experiência humana, certamente estava a mexer com ele – e logo ele, que fizera da música a sua própria existência.

Pode-se dizer que as duas obras não parecem destinadas ao grande público. Elas expressam uma linguagem absurdamente pessoal, encharcada de um intimismo quase metafísico. As duas sonatas parecem ser experimentos sofisticados. Beethoven estava a furar as convenções. Esse gesto falava/fala muito sobre ele.

A Sonata No. 31 começa com uma serenidade apenas aparente. Há uma paixão contemplativa, que se mostra enganosa no terceiro movimento. Beethoven combina recitativo, lamento (arioso dolente) e fuga em uma estrutura que desafia qualquer molde tradicional. A música cai, se levanta, volta a cair - e então renasce.  

Já a Sonata No. 32 possui uma atmosfera indômita. São apenas dois movimentos, que contêm a complexidade da vida e do o universo dentro.  O primeiro movimento é turbulento, dramático, cheio de contrastes abruptos. É Beethoven ainda lutando, ainda confrontando o destino. O segundo movimento (Arietta) é uma experiência indizível. Ele começa de forma singela e inocente; todavia, à medida que a música evolui, o tempo parece se dissolver; as texturas se tornam quase etéreas.

Depois dessas duas sonatas, Beethoven não voltaria mais à forma. Viveria mais cinco anos. Nesse período, ele terminaria alguns dos seus quartetos de cordas e escreveria a mítica Nona Sinfonia.

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Ludwig Van Beethoven (1770-1827) - 

01 - Sonata No. 31 in A flat major I. Moderato cantabile molto espressivo)
02 - Sonata No. 31 in A flat major II. Allegro molto
03 - Sonata No. 31 in A flat major III. Adagio, ma non troppo - Fuga. Allegro, ma...
04 - Sonata No. 32 in C minor I. Maestoso - Allegro con brio ed appassionato
05 - Sonata No. 32 in C minor II. Arietta. Adagio molto semplice e cantabile

Daniel Barenboim, piano 

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domingo, 5 de abril de 2026

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) - Complete Sonatas for Keyboard and Violin (CDs 5, 6, 7 e 8 de 8)


Essa postagem era para ter saído no domingo; mas, antes tarde do que nunca. Trata-se dos quatro últimos discos dessa caixa fenomenal. Rachel Podger é uma das principais musicistas da atualidade. Possui uma agenda grandiosa. A quantidade de projetos da qual participa é algo que impressiona. Abaixo, alguns dados extraídos da Wikipédia (em inglês), vertidos para o português pelo Google:

"Podger nasceu na Inglaterra, filha de pai britânico e mãe de Hamburgo , Alemanha. A família mudou-se para a Alemanha quando ela ainda era jovem e ela estudou em uma escola alemã Rudolf Steiner. Depois, retornou ao Reino Unido para estudar primeiro com Perry Hart e, em seguida, na Guildhall School of Music and Drama com David Takeno, Pauline Scott e Micaela Comberti. Durante seus estudos, ela cofundou os grupos de câmara barrocos The Palladian Ensemble e Florilegium, e trabalhou com conjuntos de instrumentos de época, como o New London Consort e o London Baroque.

Podger frequentemente rege orquestras barrocas a partir do violino. Foi líder do Gabrieli Consort and Players e, posteriormente, do The English Concert, de 1997 a 2002, realizando extensas turnês, muitas vezes como solista nos concertos Le quattro stagioni e Grosso mogul de Vivaldi . Em 2004, assumiu a direção convidada da Orchestra of the Age of Enlightenment, iniciando com uma turnê pelos Estados Unidos com os Concertos de Brandemburgo de Bach . Atualmente, trabalha como diretora convidada da Arte dei Suonatori (Polônia), Musica Angelica e Santa Fe Pro Musica (ambas nos Estados Unidos) e como solista da Academy of Ancient Music.

Podger é professora de violino barroco na Guildhall School of Music and Drama e no Royal Welsh College of Music and Drama, e também leciona regularmente na Hochschule für Künste, em Bremen. Em setembro de 2008, assumiu a recém-criada Cátedra Micaela Comberti de violino barroco na Royal Academy of Music, em Londres, e posteriormente tornou-se professora de violino barroco na Real Academia Dinamarquesa de Música, em Copenhague. Em 2022, Podger foi eleita membro da Learned Society of Wales

Quando não está em turnê com várias orquestras e outros músicos clássicos, Podger trabalha com seu parceiro em Brecon, no centro do País de Gales, ajudando jovens músicos por meio do Mozart Music Fund, que ela fundou em 2006, além de realizar workshops e dar recitais. Em 2006, eles fundaram o Festival Barroco de Brecon, que acontece anualmente no penúltimo fim de semana de outubro".

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) - 

DISCO 05

01 - Sonata in A major, KV 305 - I. Allegro di molto
02 - Sonata in A major, KV 305 - II. Thema Andante grazioso
03 - Sonata in C major, KV 403 - I. Allegro moderato
04 - Sonata in C major, KV 403 - II. Andante
05 - Sonata in C major, KV 403 - III. Allegretto
06 - Sonata in B flat major, KV 31 - I. Allegro
07 - Sonata in B flat major, KV 31 - II. Tempo di minuetto Moderato
08 - Sonata in D major, KV 306 - I. Allegro con spirito
09 - Sonata in D major, KV 306 - II. Andantino cantabile
10 - Sonata in D major, KV 306 - III. Allegretto

DISCO 06

01 - Sonata in F major, KV 376 - I. Allegro
02 - Sonata in F major, KV 376 - II. Andante
03 - Sonata in F major, KV 376 - III. Rondeau Allegretto grazioso
04 - Sonata in C major, KV 296 - I. Allegro vivace
05 - Sonata in C major, KV 296 - II. Andante sostenuto
06 - Sonata in C major, KV 296 - III. Rondeau Allegro
07 - Sonata in G major, KV 27 - I. Andante poco Adagio
08 - Sonata in G major, KV 27 - II. Allegro. Minore
09 - Sonata in F major, KV 377 - I. Allegro
10 - Sonata in F major, KV 377 - II. Thema Andante
11 - Sonata in F major, KV 377 - III. Tempo di Menuetto

DISCO 07


01 - Allegro in B flat major, KV 372
02 - Six Variations in G minor 'Hщlas, j'ai perdu mon amant', KV 374b - Thema
03 - Six Variations in G minor 'Hщlas, j'ai perdu mon amant', KV 374b - Var. 1
04 - Six Variations in G minor 'Hщlas, j'ai perdu mon amant', KV 374b - Var. 2
05 - Six Variations in G minor 'Hщlas, j'ai perdu mon amant', KV 374b - Var. 3

(...)

21 - Twelve Variations in G major 'La Bergшre Cщlimшne', KV 374a - Var. 8
22 - Twelve Variations in G major 'La Bergшre Cщlimшne', KV 374a - Var. 9
23 - Twelve Variations in G major 'La Bergшre Cщlimшne', KV 374a - Var. 10
24 - Twelve Variations in G major 'La Bergшre Cщlimшne', KV 374a - Var. 11
25 - Twelve Variations in G major 'La Bergшre Cщlimшne', KV 374a - Var. 12

DISCO 08

01 - Sonata in B flat major, KV 10 - I. Allegro
02 - Sonata in B flat major, KV 10 - II. Andante
03 - Sonata in B flat major, KV 10 - III. Menuetto I & II
04 - Sonata in G major, KV 11 - I. Andante
05 - Sonata in G major, KV 11 - II. Allegro
06 - Sonata in G major, KV 11 - III. Menuetto - Allegro
07 - Sonata in A major, KV 12 - I. Andante
08 - Sonata in A major, KV 12 - II. Allegro
09 - Sonata in F major, KV 13 - I. Allegro
10 - Sonata in F major, KV 13 - II. Andante
11 - Sonata in F major, KV 13 - III. Menuetto I & II
12 - Sonata in C major, KV 14 - I. Allegro
13 - Sonata in C major, KV 14 - II. Allegro
14 - Sonata in C major, KV 14 - III. Menuetto I & II 'Carillon'
15 - Sonata in B flat major, KV 15 - I. Andante maestoso
16 - Sonata in B flat major, KV 15 - II. Allegro grazioso

Rachel Podger, violino
Gary Cooper, piano  

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sábado, 4 de abril de 2026

Dmitri Shostakovich (1906-1975) - Cello Sonata in D Minor, Op. 40 (Arr. V. Hertenstein for Viola & Piano) e Viola Sonata, Op. 147

 
Um disquinho, simplesmente, perfeito; daqueles para ouvir em momentos de quietude e introspecção. As obras aqui encontradas estão entre as minhas obras de câmara favoritas, junto com algumas de Schubert, Brahms, Schumann, Mendelssohn, Bartók e Beethoven. 

As duas obras foram escritas em momentos bastante distintos da trajetória de Shostakovich. O Op. 40, por exemplo, foi escrito em 1934. Quando da sua escrita, o compositor possuía apenas 28 anos de idade. O primeiro movimento equilibra lirismo e estrutura formal com notável clareza, enquanto o Allegro seguinte introduz uma energia quase sarcástica - um traço que se tornaria marca registrada do autor. O Largo, por sua vez, expõe uma introspecção rara, sustentada por linhas longas do violoncelo, antes de um final que mescla leveza e virtuosismo. O primeiro ganha contornos tão sensíveis, que nos faz pensar imediatamente em Brahms. 

Já o Op. 147, foi escrito em 1975, ou seja, no ano da morte do compositor. Sua linguagem é econômica, quase austera. Não há concessões: cada nota parece carregada de significado.

Dividida em três movimentos, a obra abandona qualquer exuberância juvenil. O primeiro movimento é meditativo, marcado por intervalos amplos e um senso de suspensão temporal. O segundo traz ecos grotescos, lembrando as danças distorcidas tão características de Shostakovich. Já o terceiro movimento - uma espécie de elegia - dialoga diretamente com o passado, incluindo referências a Ludwig van Beethoven, num gesto que soa como despedida.

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Dmitri Shostakovich (1906-1975) - 

01. Cello Sonata in D Minor, Op. 40 (Arr. V. Hertenstein for Viola & Piano) I. Allegro non troppo
02. Cello Sonata in D Minor, Op. 40 (Arr. V. Hertenstein for Viola & Piano) II. Allegro
03. Cello Sonata in D Minor, Op. 40 (Arr. V. Hertenstein for Viola & Piano) III. Largo
04. Cello Sonata in D Minor, Op. 40 (Arr. V. Hertenstein for Viola & Piano) IV. Allegro
05. Viola Sonata, Op. 147 I. Moderato
06. Viola Sonata, Op. 147 II. Allegretto
07. Viola Sonata, Op. 147 III. Adagio

Veit Hertenstein, viola
Minze Kim, piano 

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