domingo, 24 de maio de 2026

Johann Sebastian Bach (1685-1750) - Matthaus Passion, BWV 244

 

Composta para a sexta-feira santa de 1727, executada na Igreja de São Tomás de Leipzig da qual Bach era o diretor musical, desde sempre essa “Paixão” foi planejada como algo importante. Já comentamos que Bach teve, por bom tempo, que compor cantatas semanais para a igreja. A “Paixão” se diferencia de todas elas não comente pela duração maior, mas pela ambição maior. Índice melhor disso é sua instrumentação: oito solistas vocais, dois coros, órgão e DUAS orquestras. A obra é grande por design.

Mais exemplos: lembram quando falei da estrutura básica da cantata bachiana, com seu esquema coro-ária-recitativo-coral? Ela está presente aqui, mas em grande escala e com vários twists. Bach aqui brinca de fundir seus moldes, criando compósitos incrivelmente expressivos. Vejam só: a obra já inicia LOGO DE CARA com dois coros sobrepostos a um coral, em que comentários poéticos de Picander são cantados em antífonas, e um hino luterano é cantado por um terceiro coro, ao mesmo tempo. É eletrizante! Funciona como se Bach mostrasse suas credenciais, desse um roundhouse kick e dissesse: “agora o BICHO VAI PEGAR!”.

E pegou mesmo! Seguem a esse coro-coro-coral absurdo mais 67 números de arrepiar os cabelos, em duas grandes partes (1-29, 30-68). É um desfile de momentos de beleza e profundidade inacreditáveis, que não somente contam a história do martírio de Jesus, mas despertam reflexões muito além de qualquer religião.

São cerca de duas horas e meia de música e é até difícil listar minhas partes favoritas. Em geral gosto dos coros (ah, os de abertura e fim de obra!), e das fusões, como o duo/coral do número 27, o recitativo/coro/ária/coro dos números 19-20 ou o recitativo/coro do número 67, o penúltimo. Várias árias ficaram imensamente célebres, como a de número 39, para voz de contralto (e violino obbligato); a de número 35, para tenor (e violoncelo obbligato); e especialmente a de número 65, para baixo, um dos supremos exemplos de alegria triste (ou tristeza alegre?) da história da música.

E pensar que tal monumento tenha passado quase 100 anos na obscuridade? Bach certamente promoveu mais uma ou duas audições da “Paixão” depois da estreia, mas depois disso a obra sumiu. Foi resgatada em 1829 por Mendelssohn e, aí sim, nunca mais deixou de ser reverenciada – universalmente, por músicos e plateia, cristãos e ateus, são-paulinos e corintianos…

Daqui 

Johann Sebastian Bach (1685-1750) - 

DISCO 01

01. First Part: Kommt, Ihr Tochter, Helft Mir Klagen   
02.  First Part. Recitative: Da Jesus Diese Rede   
03.  First Part. Chorale: Herzliebster Jesu   
04.  First Part. Recitative: Da Versammelten Sich   
05.  First Part: Ja Nicht Auf Das Fest/Recitative: Da Nun Jesus War Zu Bethanien   
06.  First Part: Wozu Dienet Dieser Unrath/Recitative: Da Das Jesus Merkete   
07.  First Part. Recitative: Du Lieber Heiland Du   
08.  First Part. Arie: Buss Und Reu   
09.  First Part. Recitative: Da Ging Hin Der Zwolfen Einer   
10.  First Part. Arie: Blute Nur, Du Liebes Herz   
11.  First Part. Recitative: Aber Am Ersten Tag Der Sussen Brod/Wo Willst Du, Dass Wir Dir Bereiten   
12.  First Part. Recitative: Gehet Hin In Die Stadt Zu Einem/Recitative: Und Sie Wurden Sehr Betrubt..."   
13.  First Part. Chorale: Ich Bin's, Ich Sollte Bussen   
14.  First Part. Recitative: Er Antwortete Und Sprach   
15.  First Part. Recitative: Wiewohl Mein Herz In Thranen Schwimmt   
16.  First Part. Arie: Ich Will Dir Mein Herze Schenken   
17.  First Part. Recitative: Und Da Sie Den Lobgesang Gesprochen Hatten   
18.  First Part. Chorale: Erkenne Mich, Mein Huter   
19.  First Part. Recitative: Petrus Aber Antwortete   
20.  First Part. Chorale: Ich Will Hier Bei Dir Stehen   
21.  First Part. Recitative: Da Kam Jesus Mit Ihnen Zu Einem Hofe   
22.  First Part. Recitative: O Schmerz!"  
23.  First Part. Arie: Ich Will Bei Meinem Jesu Wachen   
24.  First Part. Recitative: Und Ging Hin Ein Wenig   
25.  First Part. Recitative: Der Heiland Fallt Vor Seinem Vater Nieder  
26.  First Part. Arie: Gerne Will Ich Mich Bequemen   
27.  First Part. Recitative: Und Er Kam Zu Seinen Jungern   
28.  First Part. Chorale: Was Mein Gott Will  
29.  First Part. Recitative: Und Er Kam Und Fand Sie Aber Schlafend  

DISCO 02

01.  Second Part: So Ist Mein Jesus Nun Gefangen   
02.  Second Part: Und Siehe, Einer Von Denen   
03.  Second Part: O Mensch, Bewein Dein Sunde Gross   
04.  Second Part: Ach Nun Ist Mein Jesus Hin   
05.  Second Part: Die Aber Jesum Gegriffen Hatten   
06.  Second Part: Mir Hat Die Welt Truglich Gericht   
07.  Second Part: Mein Jesus Schweigt Zu Falschen Lugen   
08.  Second Part: Gedult!"   
09.  Second Part: Und Der Hohepriester Antwortete   
10.  Second Part: Da Speieten Sie Aus   
11.  Second Part: Wer Hat Dich So Geschlagen   
12.  Second Part: Petrus Aber Sass Draussen Im Palast   
13.  Second Part: Erbarme Dich, Mein Gott   
14.  Second Part: Bin Ich Gleich Von Dir Gewichen   
15.  Second Part: Des Morgens Aber   
16.  Second Part: Gebt Mir Meinen Jesum Wieder   
17.  Second Part: Sie Aber Hielten Einen Rat   
18.  Second Part: Befiel Du Deine Wege   
19.  Second Part: Auf Das Fest  
20.  Second Part: Wie Wunderbarlich Ist Doch Diese Strafe   
21.  Second Part: Der Landpfleger Sagte   
22.  Second Part: Er Hat Uns Allen Wohlgetan
23. Second Part: Aus Liebe Will Mein Heiland Sterben   

DISCO 03

01.  Third Part: Sie Aber Schrieen Noch Mehr   
02.  Third Part: Erbarm Es Gott   
03.  Third Part: Konnen Tranen Meiner Wangen   
04.  Third Part: Da Nahmen Die Kriegsknechte   
05.  Third Part: O Haupt Voll Blut Und Wunden   
06.  Third Part: Und Da Sie Ihn Verspottet Hatten   
07.  Third Part: Ja! Freilich Will In Uns Das Fleisch Und Blut   
08.  Third Part: Komm, Susses Kreuz, So Will Ich Sagen   
09.  Third Part: Und Als Sie An Die Statte Kamen   
10.  Third Part: Desgleichen Schmaheten Ihn Auch Die Morder   
11.  Third Part: Ach Golgatha, Unsel'ges Golgatha!   
12.  Third Part: Sehet, Jesus Hat Die Hand   
13.  Third Part: Und Von Der Sechsten Stunde An   
14.  Third Part: Wenn Ich Einmal Soll Scheiden   
15.  Third Part: Und Siehe Da   
16.  Third Part: Am Abend, Da Es Kuhle War   
17.  Third Part: Mach Dich Mein Herze Frei   
18.  Third Part: Und Joseph Nahm Den Leib   
19.  Third Part: Nun Ist Der Herr Zur Ruh Gebracht
20.  Third Part: Wir Setzen Uns Mit Tranen Nieder

Großer Chor des Berliner Rundfunks 
The Boys’ Chor der St. Hedwigs-Kathedrale Berlin
Runfunk-Sinfonieorchester Berlin 

Fritz Lehmann, regente 

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sábado, 23 de maio de 2026

Jazz - Randy Weston Trio - Jazz a la Bohemia (1956)

 

"Jazz à la Bohemia (1956), do Randy Weston Trio, é um registro histórico que captura com rara intensidade a energia vibrante do jazz dos anos 1950, ao mesmo tempo em que evidencia a voz composicional singular e o refinado senso rítmico de Randy Weston. Gravado ao vivo no lendário Café Bohemia, em Nova York, o álbum transmite toda a espontaneidade e a eletricidade de uma apresentação em clube intimista, onde cada frase musical parece nascer no instante da execução, equilibrando virtuosismo técnico e criatividade lúdica.

Ao piano, Weston funde blues, bebop e ritmos de inspiração africana, construindo uma base harmônica rica e profundamente pessoal. Ao seu lado, Sam Gill, no contrabaixo, e Art Blakey, na bateria, oferecem um acompanhamento pulsante e altamente interativo, impulsionando a música com energia constante e extraordinária coesão. O repertório alterna composições originais de grande balanço com releituras inventivas de standards, revelando tanto a precisão coletiva do trio quanto a expressividade individual de cada músico.

A atmosfera é simultaneamente íntima e explosiva, permitindo ao ouvinte sentir de perto o entusiasmo do público e a inventividade instantânea dos intérpretes. Jazz à la Bohemia permanece como um exemplo atemporal do esplendor do jazz de meados do século XX — uma celebração da performance ao vivo, do diálogo musical e da alegria inerente à exploração criativa".

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

01. Theme: Solemn Meditation
02. Just A Riff
03. You Go To My Head
04. Once In A While
05. Hold 'Em Joe
06. It's All Right With Me
07. Chessman's Delight
08. Theme: Solemn Meditation

Randy Weston - piano
Cecil Payne - baritone saxophone
Ahmed Abdul-Malik - bass
Wilbert Hogan - drums  

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Claude Debussy (1862-1918) - Violin Sonata, Cello Sonata, Piano Trio etc

 

"As obras reunidas neste CD pertencem tanto ao início quanto ao período final da trajetória criativa de Debussy e, por isso mesmo, revelam um compositor distante da imagem impressionista com a qual seu nome costuma ser associado. O Trio para Piano em Sol maior é uma obra de exuberante romantismo, em que ressoam ecos de Schumann e Franck. Já as sonatas para violoncelo e para violino integram o projeto das seis sonatas iniciado por Debussy em 1915, interrompido prematuramente por sua morte, em 1918 - apenas três chegaram a ser concluídas. Nessas partituras, a escrita se torna mais transparente, com acentos neoclássicos e, por vezes, uma mordacidade rítmica e humorística que remete a Stravinsky. Os intérpretes deste álbum - Federico Guglielmo, Luigi Puxeddu e Jolanda Violante — construíram sua reputação sobretudo no repertório de música antiga, o que confere a estas leituras uma abordagem arejada, espontânea e cheia de vitalidade. Como complemento, o disco inclui arranjos de peças célebres como Rêverie, Arabesque, Minstrels e La fille aux cheveux de lin, além de duas miniaturas juvenis para violoncelo e piano.

O vibrante Trio para Piano em Sol maior desperta imagens de renovação e de paisagens primaveris: riachos cintilantes, flores silvestres e relva coberta de orvalho. Sob o patrocínio de Madame von Meck — célebre mecenas também de Tchaikovsky —, Debussy compôs essa obra promissora e luminosa durante o verão de 1880. Aos dezessete anos, sua voz autoral ainda se formava, e a influência de Franck, Schumann e Brahms se faz perceptível na textura, na arquitetura e na intenção musical. Ainda assim, já emergem traços de charme, leveza e espírito inventivo, enquanto o Finale se afirma com ousadia e vigor. O Trio Stradivari interpreta a peça com calor e delicadeza, construindo um diálogo luminoso de emoções. Essa abordagem flexível e cantabile se evidencia particularmente no uso do pizzicato no segundo movimento, um scherzo-intermezzo de refinada elegância.

Debussy acreditava ser dever do compositor “encontrar a fórmula sinfônica adequada ao seu tempo, aquela exigida pelo progresso, pela audácia e pela vitória da modernidade”, acrescentando com ironia que “o século dos aviões tinha direito à sua própria música”. Escrita nos últimos anos de sua vida, a Sonata para Violino, permeada por discretas reminiscências de Couperin, resgata a essência do barroco francês sob uma linguagem ao mesmo tempo fresca e radicalmente moderna. A interpretação apresentada aqui revela grande sensibilidade, expondo a atmosfera expansiva da obra, seus contrastes cintilantes e sua agilidade expressiva. Abalado pelo impasse sangrento da guerra e atormentado pela doença, Debussy iniciou a sonata em 1916 e só a concluiu no ano seguinte. Ao estreá-la, confessou, exasperado: “Escrevi esta sonata apenas para me livrar dela, pressionado pelo meu querido editor.” Em seguida, porém, ofereceu uma observação mais reveladora: “Esta sonata terá interesse documental como exemplo do que um homem doente pode produzir em tempos de guerra.” Apesar disso, o humor travesso do Intermède e a construção dramática do Finale revelam uma vontade obstinada de permanecer vital, recusando-se a sucumbir à fraqueza ou ao desalento. A obra se torna, assim, um testemunho do espírito combativo de Debussy, em que beleza e pathos atravessam até os trechos mais concisos. O Trio Stradivari aborda essa música com inteligência e compreensão profundas.

A Sonata para Violoncelo, composta em 1915, tinha inicialmente o sugestivo título Pierrot fait fou avec la lune. A referência provavelmente remete ao poema de Albert Giraud que inspirou o Pierrot Lunaire de Schoenberg, escrito três anos antes. O final do século XIX e o início do XX testemunharam, aliás, um renovado fascínio pelas figuras da commedia dell’arte, especialmente Pierrot. Talvez melhor descrita como “um raio de luar aprisionado numa bela garrafa da Boêmia”, nas palavras de Giraud, a sonata reúne uma profusão de elementos interligados: fragmentos líricos agudos que evocam o falsete masculino, mudanças abruptas de andamento, rubatos exagerados, justaposições tonais inesperadas e uma recusa deliberada da regularidade métrica - tudo isso contido dentro de uma forma clássica. Luigi Puxeddu oferece aqui uma interpretação colorida e evocativa.

As peças restantes confirmam a convicção de Debussy de que era preciso “buscar uma disciplina dentro da liberdade” e não se deixar governar por fórmulas oriundas de “filosofias decadentes”, destinadas, segundo ele, “aos espíritos fracos”. Obras como Minstrels e a Première Arabesque, com seus ritmos quase jazzísticos e arpejos fluidos, recebem interpretações vigorosas e límpidas desses músicos consumados. Em perfeita sintonia, os três intérpretes articulam delicadamente contraste, continuidade e refinamento tímbrico. O romantismo impetuoso de Puxeddu reverbera no Intermezzo L27, acompanhado com inteligência e sensibilidade por Jolanda Violante, enquanto o Scherzo L26 surge como uma escapada leve, espirituosa e irreverente.

Este é um CD que celebra a impressionante diversidade da personalidade musical de Debussy. Mais do que uma coletânea de obras, oferece um retrato amplo de suas influências, de seu humor e de suas estratégias composicionais. A gravação desafia a visão limitada de Debussy como compositor exclusivamente impressionista e, ao fazê-lo, o Trio Stradivari revela uma imagem mais rica e complexa de sua música - das emoções que o moviam às técnicas que utilizava para traduzi-las em som. Peças familiares como La fille aux cheveux de lin e a Première Arabesque reaparecem aqui com frescor e espontaneidade renovados. Entre os excelentes músicos reunidos, Federico Guglielmo destaca-se como um intérprete particularmente inventivo e poeticamente cativante".

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Claude Debussy (1862-1918) - 

01. Piano Trio in G major, L3 - I. Andantino con moto allegro (09:04)
02. Piano Trio in G major, L3 - II. Scherzo-Intermezzo: Moderato con allegro (03:30)
03. Piano Trio in G major, L3 - III. Andante espressivo (03:55)
04. Piano Trio in G major, L3 - IV. Finale: Appassionato (05:27)
05. Violin Sonata in G minor, L140 - I. Allegro vivo (05:28)
06. Violin Sonata in G minor, L140 - II. Intermede: Fantasque et leger (04:14)
07. Violin Sonata in G minor, L140 - III. Finale: Tres anime (04:32)
08. Cello Sonata in D minor, L135 - I. Prologue: Lent, sostenuto e molto risoluto (04:42)
09. Cello Sonata in D minor, L135 - II. Serenade: Moderement anime (03:32)
10. Cello Sonata in D minor, L135 - III. Final: Anime, leger et nerveux (03:38)
11. Intermezzo for cello and piano, L27 (05:29)
12. Scherzo for cello and piano, L26 (05:24)
13. Minstrels for violin and piano (Preludes L117, No.12) (02:23)
14. La fille aux cheveux de lin for violin and piano (Preludes L117, No.8) (02:36)
15. Premiere arabesque for violin and piano, L66 (04:57)
16. Romance for cello and piano, L79 No.1 (02:09)
17. Reverie for cello and piano, L68 (04:38)

Trio Stradivari
Federico Guglielmo, violino
Luigi Puxeddu, violoncelo
Jolanda Violante, piano 

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sexta-feira, 22 de maio de 2026

Joseph Haydn (1732-1809) - Symphonies 88-92, Sinfonia Concertante

"Este CD, gravado ao vivo, provoca um raro sentimento de encantamento e surpresa. As sinfonias reunidas aqui figuram entre as maiores realizações de Haydn. Compostas entre 1788 e 1789, revelam toda a extensão de sua maestria técnica, inventividade inspirada e extraordinária amplitude emocional. No auge de sua maturidade criativa, o compositor experimenta novas formas, ousadas modulações e mudanças tonais, além de impressionantes contrastes de atmosfera e caráter.

Uma de suas marcas mais reconhecíveis é a alternância entre a serenidade dos tons maiores e a melancolia dos menores, sobretudo em suas variações. Mas as surpresas surgem a todo instante: a solenidade cede lugar à leveza espirituosa, a elegância ao sabor rústico, a tragédia a um humor travesso e irreverente. As célebres brincadeiras musicais de Haydn - como o golpe repentino dos tímpanos na Sinfonia “Surpresa” - tornaram-se lendárias. Já na Sinfonia nº 90, ele talvez leve esse espírito ao extremo: apresenta não um, mas dois falsos finais de efeito conclusivo, arrancando aplausos prematuros seguidos de risos constrangidos quando a música inesperadamente prossegue.

Simon Rattle explora esse momento com evidente prazer, registrando na gravação tanto os aplausos quanto a reação divertida da plateia, antes de repetir o movimento sem interrupções. Seu amor pela música transparece em cada compasso, acompanhado por uma orquestra que responde com absoluto comprometimento. A execução é brilhante e cristalina, o equilíbrio sonoro impecável, e o fraseado possui a naturalidade e a fluidez da fala humana.

Para valorizar ainda mais seus principais instrumentistas, Rattle inclui a encantadora Sinfonia concertante, cujas partes solistas para violino, violoncelo, oboé e fagote são de tal dificuldade que apenas músicos de excelência se atrevem a enfrentá-las. A interpretação é soberba, embora o violino soe um pouco distante na gravação. A captação sonora também acentua a tendência de Rattle a explorar extremos dinâmicos - convém manter o controle de volume à mão".

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!  

Joseph Haydn (1732-1809) - 

DISCO 01

Symphony No. 88 in G major
01. 1. Adagio - Allegro
02. 2. Largo
03. 3. Menuetto: Allegretto - Trio
04. 4. Finale: Allegro con spirito

Symphony No. 89 in F major
05. 1. Vivace
06. 2. Andante con moto
07. 3. Menuetto: Allegretto - Trio
08. 4. Finale: Vivace assai

Symphony No. 90 in C major
09. 1. Adagio - Allegro
10. 2. Andante
11. 3. Menuetto: Allegretto - Trio
12. 4. Finale Allegro assai
13. 4. Finale Allegro assai (alternate version)

DISCO 02

Symphony No. 91 in E flat major
01. 1. Largo - Allegro assai
02. 2. Andante
03. 3. Menuetto: un pocp allegretto - Trio
04. 4. Finale: Vivace

Symphony No. 92 in G major 'Oxford'
05. 1. Adagio - Allegro
06. 2. Adagio
07. 3. Menuetto: Allegretto - Trio
08. 4. Finale: Presto

Sinfonia Concertante in B flat major, Op. 84, Hob. I / 105

09. 1. Allegro
10. 2. Andante
11. 3. Allegro con spirito

Berliner Philharmoniker
Simon Rattle, regente 

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quinta-feira, 21 de maio de 2026

Leos Janácek (1854-1928) - Sinfonietta JW 6/18 e Taras Bulba Rhapsody, JW VI/15

Textinho de apresentação do disco:

"Dotado de um temperamento poderoso e profundamente singular, Janáček reuniu em sua obra as tradições nacional-românticas às conquistas da linguagem musical moderna, cuja riqueza e frescor o consagraram como a figura dominante da música tcheca no início do século XX. Escrita em 1926, dois anos antes da morte do compositor, a Sinfonietta surpreende pela vitalidade e pelo espírito juvenil de um homem de setenta e dois anos — e permanece até hoje sua obra sinfônica mais popular. Essa composição inspirada e efervescente, marcada por uma liberdade indomável de tom e ritmo, impõe grandes exigências à seção de metais. A interpretação de Karel Ančerl figura entre as maiores da discografia. Reconhece-se de imediato seu incomparável senso de construção dramática, o ritmo orgânico e a maneira como traduz a extraordinária vitalidade de Janáček, preservando ao mesmo tempo um equilíbrio absoluto.

Taras Bulba é um poema sinfônico em três partes inspirado no romance de Gogol. Janáček escolheu os três episódios mais dramáticos da obra: as mortes dos dois filhos de Taras — Andrei, que trai seu povo por amor a uma jovem polonesa e acaba morto pelo próprio pai; Ostap, capturado pelos poloneses e torturado em praça pública —, culminando na morte do próprio Taras, também aprisionado e queimado vivo. A leitura de Karel Ančerl permanece insuperável. Ninguém como ele conseguiu unir a dimensão épica da narrativa de Gogol ao fervoroso amor pela pátria compartilhado por Taras e seus filhos.

Esta remasterização devolve à gravação uma impressionante segunda juventude. A amplitude da cena sonora e a clareza de cada seção da orquestra são excepcionais. Uma joia para audiófilos".

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Leos Janácek (1854-1928) -

01. Sinfonietta JW 6/18: I. Fanfare. Allegretto, Allegro maestoso 
02. Sinfonietta JW 6/18: II. The Castle, Brno. Andante, Allegretto 
03. Sinfonietta JW 6/18: III. The Queen's Monastery, Brno. Moderato
04. Sinfonietta JW 6/18: IV. The Street Leading to the Castle. Allegretto 
05. Sinfonietta JW 6/18: V. The Town Hall, Brno. Andante con moto
06. Taras Bulba Rhapsody, JW VI/15: I. The Death of Andrei 
07. Taras Bulba Rhapsody, JW VI/15: II. The Death of Ostap 
08. Taras Bulba Rhapsody, JW VI/15: III. The Prophecy and Death of Taras Bulba 

Czech Philharmonic
Karel Ančerl, regente 

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quarta-feira, 20 de maio de 2026

Joseph Haydn (1732-1809) - String Quartet in B flat, H.III, Op. 76, No. 4 - Sunrise e String Quartet in E flat,H.III No. 80 Op. 76 No. 6


Que disco belo, de música elegante e espetacular. São duas obras cuja interpretação dispensa apresentações. Sobra-nos a especulação, pois as duas obras encontradas neste disco refletem a musicalidade de um mestre incontestável. Vamos lá!

O String Quartet in B flat, H.III, Op. 76, No. 4, apelidado como “Sunrise” é uma das suas principais obras. O apelido “Sunrise” poderia sugerir uma peça meramente pastoral, delicada ou contemplativa. Mas Haydn jamais foi simples. O primeiro movimento do quarteto nasce de uma ascensão luminosa do violino, como se o som abrisse lentamente o horizonte. É uma das entradas mais célebres da música de câmara. No entanto, o que impressiona não é apenas a beleza melódica, mas o controle dramático. Haydn faz da leveza uma arquitetura rigorosa. O quarteto inteiro parece oscilar entre serenidade e inquietação, como se o amanhecer também carregasse a memória da noite.

Nesse aspecto, o Op. 76 No. 4 revela o compositor em sua maturidade absoluta. Não há excesso. Não há demonstração vazia de virtuosismo. Existe, sim, uma inteligência musical que transforma quatro instrumentos em uma conversa humana completa - cheia de ironias, hesitações, impulsos e reconciliações. Haydn compreendia o quarteto de cordas como um organismo democrático: ninguém domina permanentemente, todos se escutam. Em tempos de ruído e individualismo performático, há algo quase político nessa escuta mútua.

Já o String Quartet in E flat major, Op. 76 No. 6 apresenta outro Haydn: mais sombrio, cerebral e por vezes desconcertante. É talvez o mais introspectivo dos quartetos do conjunto. O fato de cada movimento começar com uma introdução lenta já cria uma atmosfera de suspensão, como se o compositor pedisse ao ouvinte não apenas atenção, mas paciência. É música que exige permanência. Ele é um pouco mais sombrio do que o “Sunrise”. As melodias não são tão impregnantes e sedutoras, mas cria instabilidades emocionais sob medida.

Não deixe de ouvir esse belo disco. Uma boa apreciação!

Joseph Haydn (1732-1809) - 

01. String Quartet in B flat, H.III, Op. 76, No. 4 - Sunrise - 1. Allegro con spirito
02. String Quartet in B flat, H.III, Op. 76, No. 4 - Sunrise - 2. Adagio
03. String Quartet in B flat, H.III, Op. 76, No. 4 - Sunrise - 3. Menuetto (Alllegro)
04. String Quartet in B flat, H.III, Op. 76, No. 4 - Sunrise - 4. Finale (Allegro ma non troppo)
05. String Quartet in E flat,H.III No. 80 Op. 76 No. 6 - 1. Allegretto - Allegro
06. String Quartet in E flat,H.III No. 80 Op. 76 No. 6 - 2. Fantasia (Adagio)
07. String Quartet in E flat,H.III No. 80 Op. 76 No. 6 - 3. Menuetto (Presto)
08. String Quartet in E flat,H.III No. 80 Op. 76 No. 6 - 4. Finale (Allegro spirituoso)

Orlando Quartet 

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terça-feira, 19 de maio de 2026

Duo Gazzana - Prokofiev — Pärt — Schnittke

 Textinho de apresentação do disco:

"Em seu álbum anterior, dedicado a obras de Robert Schumann, Edvard Grieg e Tõnu Kõrvits, as irmãs Gazzana - Natascia e Raffaella - alcançaram “os mais altos níveis de expressão instintiva”, segundo o jornal francês Le Monde. E é possível afirmar que essa impressão se confirma de maneira ainda mais contundente em sua nova gravação, centrada em composições de Sergei Prokofiev, Arvo Pärt e Alfred Schnittke.

A interpretação da Sonata nº 1, op. 80, de Prokofiev, abre o programa com senso de urgência e intensidade dramática, em sintonia com a intenção do compositor - que chegou a declarar que determinada passagem “deveria soar de tal forma que as pessoas saltassem de seus assentos”. Ao mesmo tempo, a dupla imprime à obra uma serenidade lírica marcante, especialmente no terceiro movimento, apresentado sob uma atmosfera hipnótica.

As Cinco Melodias, op. 35a, recebem leitura igualmente convincente, enquanto Spiegel im Spiegel, de Pärt, executada com elegância e contenção, surge como um momento de contemplação e respiro no repertório.

Encerrando o programa, Gratulationsrondo, de Schnittke, revela um compositor que deixa de lado suas habituais inclinações poliestilísticas para se destacar em uma abordagem mais tradicional da linguagem clássica, em uma peça de caráter festivo e luminoso.

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

01 I. Andante assai
02 II. Allegro brusco
03 III. Andante
04 IV. Allegrissimo
05 Spiegel im Spiegel
06 No. 1, Andante
07 No. 2, Lento, ma non troppo
08 No. 3, Animato, ma non allegro
09 No. 4, Allegretto leggero e scherzando
10 No. 5, Andante non troppo
11 Gratulationsrondo

Duo Gazzana

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segunda-feira, 18 de maio de 2026

Aram I. Khachaturian (1903-1978) - Piano Concerto in D-Flat Major, Op. 38 e Concerto-Rhapsody for Piano & Orchestra, Op. 102


Aram I. Khachaturian foi um importante compositor nascido na Armênia, algo que sempre deixou transparecer em sua música. As melodias peculiares da sua terra são uma constante em sua linguagem, além disso viveu durante o regime soviético. Esses episódios foram responsáveis por consolidar a sua personalidade. Nesse excelente disco do selo Naxos encontramos duas obras para piano que servem como um cartão de amostra para a sua importante obra.

Quando Khachaturian compôs o Concerto para Piano em Ré Bemol Maior, em 1936, a União Soviética vivia o endurecimento cultural promovido por Joseph Stalin. A arte deveria servir ao povo, exaltar o espírito nacional e rejeitar o “formalismo” europeu que o regime considerava elitista. Muitos compositores caminhavam sobre gelo fino. Nesse contexto, Khachaturian encontrou um equilíbrio raro: produziu música tecnicamente sofisticada, mas carregada de vitalidade popular, melodias exuberantes e ritmos caucasianos que pareciam perfeitamente alinhados ao ideal soviético de “arte acessível”.

Trinta e dois anos depois, a Concerto-Rapsódia para Piano e Orquestra apresenta outro homem. A União Soviética já havia atravessado a morte de Stalin, o “degelo” cultural de Nikita Khrushchev e uma relativa flexibilização estética. Khachaturian, agora um compositor consagrado, já não precisava provar sua lealdade ao sistema. O Op. 102 nasce, portanto, menos preocupado em agradar e mais interessado em condensar uma linguagem pessoal.

A diferença é evidente desde os primeiros compassos. A exuberância juvenil do concerto de 1936 dá lugar a uma escrita mais fragmentada, quase improvisatória. A forma rapsódica permite episódios abruptos, contrastes violentos e uma liberdade estrutural que o jovem Khachaturian talvez não pudesse assumir durante o auge do realismo socialista. O piano deixa de ser apenas um virtuose heroico; torna-se narrador de memórias, conflitos e fantasmas.

Postagem imperdível. Já escutei três vezes este disco. Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!

Aram I. Khachaturian (1903-1978) - 

01. Piano Concerto in D-Flat Major, Op. 38 - I. Allegro ma non troppo e maestoso
02. Piano Concerto in D-Flat Major, Op. 38 - II. Andante con anima
03. Piano Concerto in D-Flat Major, Op. 38 - III. Allegro brilliante
04. Concerto-Rhapsody for Piano & Orchestra, Op. 102

Moscow Symphony Orchestra

Dmitri Yablonsky, regente
Oxana Yablonskaya, piano 

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domingo, 17 de maio de 2026

Georg Philipp Telemann (1681-1767) - Paris Quartets

 

Textinho de apresentação do disco:

"Com sua nova gravação dos Quartetos de Paris, o conjunto Barockin’, há 15 anos em atividade, busca inspiração no espírito inesgotável de Georg Philipp Telemann. O lançamento, distribuído em três CDs, impressiona pela sonoridade surpreendentemente moderna: uma interpretação vigorosa, repleta de vitalidade, em que cada passagem parece fazer jorrar um fluxo renovado de energia musical.

Paris, inverno de 1737. Aos 57 anos, o compositor e cantor hamburguês Georg Philipp Telemann (1681–1767) vivia o auge de sua consagração internacional. Após o sucesso dos primeiros Quatuors, publicados em 1730, os seis Nouveaux Quatuors (1738) causaram verdadeiro impacto - ultrapassando os círculos musicais de Versalhes e conquistando público em toda a Europa.

“Em poucas semanas, 400 exemplares foram adquiridos antecipadamente, algo jamais visto antes no mercado de partituras”, registrou o próprio compositor, orgulhoso, em sua autobiografia.

O ciclo é hoje reconhecido como uma das obras-primas da música de câmara do Alto Barroco. A instrumentação fixa - flauta transversal, violino, viola da gamba e baixo contínuo - estabeleceu uma combinação sonora inovadora, considerada até hoje uma referência estética no repertório barroco".

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Georg Philipp Telemann (1681-1767) - 

DISCO 01

01. Concerto primo in G Major, TWV 43:G1: I. Grave – Allegro – Grave – Allegro
02. Concerto primo in G Major, TWV 43:G1: II. Largo – Presto – Largo
03. Concerto primo in G Major, TWV 43:G1: III. Allegro
04. Concerto secondo in D Major, TWV 43:D1: I. Allegro
05. Concerto secondo in D Major, TWV 43:D1: II. Affetuoso
06. Concerto secondo in D Major, TWV 43:D1: III. Vivace
07. Sonata prima in A Major, TWV 43:A1: I. Soave
08. Sonata prima in A Major, TWV 43:A1: II. Allegro
09. Sonata prima in A Major, TWV 43:A1: III. Andante
10. Sonata prima in A Major, TWV 43:A1: IV. Vivace
11. Sonata seconda in G Minor, TWV 43:g1: I. Andante
12. Sonata seconda in G Minor, TWV 43:g1: II. Allegro
13. Sonata seconda in G Minor, TWV 43:g1: III. Largo
14. Sonata seconda in G Minor, TWV 43:g1: IV. Allegro
15. Première Suite in E Minor, TWV 43:e1: I. Vivement
16. Première Suite in E Minor, TWV 43:e1: II. Rigaudon
17. Première Suite in E Minor, TWV 43:e1: III. Air
18. Première Suite in E Minor, TWV 43:e1: IV. Replique
19. Première Suite in E Minor, TWV 43:e1: V. Menuet I und Menuet II
20. Première Suite in E Minor, TWV 43:e1: VI. Gigue
21. Deuxième Suite in B Minor, TWV 43:h1: I. Prélude – Gaiment
22. Deuxième Suite in B Minor, TWV 43:h1: II. Air – Modérément
23. Deuxième Suite in B Minor, TWV 43:h1: III. Réjouissance
24. Deuxième Suite in B Minor, TWV 43:h1: IV. Courante
25. Deuxième Suite in B Minor, TWV 43:h1: V. Passpied

DISCO 02

01. 1er Quatuor in D Major, TWV 43:D3: I. Prélude Vivement
02. 1er Quatuor in D Major, TWV 43:D3: II. Tendrement
03. 1er Quatuor in D Major, TWV 43:D3: III. Vite
04. 1er Quatuor in D Major, TWV 43:D3: IV. Gaiment
05. 1er Quatuor in D Major, TWV 43:D3: V. Modérément
06. 1er Quatuor in D Major, TWV 43:D3: VI. Vite
07. 2ème Quatuor in A Minor, TWV 43:a2: I. Prélude Allégrement
08. 2ème Quatuor in A Minor, TWV 43:a2: II. Flatteusement
09. 2ème Quatuor in A Minor, TWV 43:a2: III. Légèrement
10. 2ème Quatuor in A Minor, TWV 43:a2: IV. Un peu vivement
11. 2ème Quatuor in A Minor, TWV 43:a2: V. Vite
12. 2ème Quatuor in A Minor, TWV 43:a2: VI. Coulant (Coulemment)
13. 3ème Quatuor in G Major, TWV 43:G4: I. Prélude Un peu vivement
14. 3ème Quatuor in G Major, TWV 43:G4: II. Légèrment
15. 3ème Quatuor in G Major, TWV 43:G4: III. Gracieusement
16. 3ème Quatuor in G Major, TWV 43:G4: IV. Vite
17. 3ème Quatuor in G Major, TWV 43:G4: V. Modéré
18. 3ème Quatuor in G Major, TWV 43:G4: VI. Gai
19. 3ème Quatuor in G Major, TWV 43:G4: VII. Lentement – Vite – Lentement – Vite

DISCO 03

01. 4ème Quatuor in B Minor, TWV 43:h2: I. Prélude Vivement – Flatteusement – Vivement
02. 4ème Quatuor in B Minor, TWV 43:h2: II. Coulant
03. 4ème Quatuor in B Minor, TWV 43:h2: III. Gai
04. 4ème Quatuor in B Minor, TWV 43:h2: IV. Vite
05. 4ème Quatuor in B Minor, TWV 43:h2: V. Triste
06. 4ème Quatuor in B Minor, TWV 43:h2: VI. Menuet Modéré
07. 5ème Quatuor in A Major, TWV 43:A3: I. Prélude Vivement
08. 5ème Quatuor in A Major, TWV 43:A3: II. Gai
09. 5ème Quatuor in A Major, TWV 43:A3: III. Modéré
10. 5ème Quatuor in A Major, TWV 43:A3: IV. Modéré
11. 5ème Quatuor in A Major, TWV 43:A3: V. Pas Vite
12. 5ème Quatuor in A Major, TWV 43:A3: VI. Un peu gai
13. 6ème Quatuor in E Minor, TWV 43:e4: I. Prélude. A discrétion – très Vite – A discrétion
14. 6ème Quatuor in E Minor, TWV 43:e4: II. Gai
15. 6ème Quatuor in E Minor, TWV 43:e4: III. Vite
16. 6ème Quatuor in E Minor, TWV 43:e4: IV. Gracieusement
17. 6ème Quatuor in E Minor, TWV 43:e4: V. Distrait
18. 6ème Quatuor in E Minor, TWV 43:e4: VI. Modéré

Ensemble Barockin’ 

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sábado, 16 de maio de 2026

Ludwig van Beethoven (1770-1827) - Concerto pour piano et orchestre No 2 en Si Bémol Majeur Op. 19 e Concerto pour piano et orchestre No 1 en Ut Majeur Op. 15

 

A rotina intensa me impediu de fazer postagem de sábado. De qualquer forma, vamos atualizá-la. Disquinho saboroso com os dois primeiros concertos para piano de orquestra de Beethoven. 

Embora seja conhecido como Concerto para Piano nº 1 em Dó maior, Op. 15, ele não foi o primeiro a ser composto. O chamado Concerto nº 2 em Si bemol maior, Op. 19, surgiu antes, ainda nos anos em que Beethoven tentava se firmar em Viena como virtuose do piano.

A inversão numérica aconteceu porque Beethoven revisava obsessivamente suas obras. O concerto em Dó maior foi publicado antes e acabou recebendo o número 1. Esse detalhe aparentemente burocrático diz muito sobre o compositor: perfeccionista, competitivo e consciente da própria imagem artística.

O Piano Concerto No. 2 ainda carrega fortemente a herança mozartiana. A elegância das melodias, a leveza do diálogo entre piano e orquestra e a estrutura formal remetem diretamente aos modelos clássicos da época.

Mas há sinais claros de inquietação.

O piano não se limita a ornamentar o discurso musical; ele provoca, interrompe, responde com ironia. Em vários momentos, Beethoven parece transformar o concerto em uma espécie de duelo teatral entre solista e orquestra.

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Ludwig van Beethoven (1770-1827) - 

01 - Concerto pour piano et orchestre No 2 en Si Bémol Majeur Op. 19 _ I. Allegro con brio
02 - Concerto pour piano et orchestre No 2 en Si Bémol Majeur Op. 19 _ II. Adagio
03 - Concerto pour piano et orchestre No 2 en Si Bémol Majeur Op. 19 _ III. Rondo (Molto allegro)
04 - Concerto pour piano et orchestre No 1 en Ut Majeur Op. 15 _ I. Allegro con brio
05 - Concerto pour piano et orchestre No 1 en Ut Majeur Op. 15 _ II. Largo
06 - Concerto pour piano et orchestre No 1 en Ut Majeur Op. 15 _ III. Rondo (Allegro scherzando)

Orchestre National Bordeaux Aquitaine

Kwamé Ryan, direção
Shani Diluka, piano 

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sexta-feira, 15 de maio de 2026

Jazz - John Coltrane (1926-1967) - The European Tour

 

Este disco, gravado na famosa "The Eropean Tour", já apontava para um projeto que buscava romper com o bop. Observa-se aqui que Coltrane parecia migrar para uma paisagem espiritual. O grande músico não se mostrava preocupado com o mero documento, com o mero registro; sua intenção é expandir a própria ideia do que o jazz poderia expressar. As melodias surgem reconhecíveis, mas rapidamente são tensionadas, fragmentadas e reconstruídas em longos improvisos coletivos que desafiam qualquer expectativa de estabilidade harmônica.

A formação é decisiva para o impacto do álbum. Ao lado de Coltrane estão músicos que compreendiam intuitivamente sua busca: McCoy Tyner ao piano, Jimmy Garrison no contrabaixo e Elvin Jones na bateria. O quarteto, frequentemente chamado de “clássico”, alcança aqui um raro equilíbrio entre caos e disciplina. Tyner cria blocos harmônicos quase arquitetônicos; Jones toca como se conduzisse uma tempestade; Garrison mantém o eixo gravitacional da música enquanto Coltrane avança para territórios emocionais extremos.

Um registro histórico imperdível. Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!  

01 - The Promise (Live In Stockholm, Sweden _ 1963)
02 - I Want To Talk About You (Live In Stockholm, Sweden _ 1963 _ Take 1)
03 - Naima (Live In Stockholm, Sweden _ 1963 _ Take 3)
04 - Mr. P.C. (Live In Stockholm, Sweden _ 1963 _ Take 4)

John Coltrane, tenor and soprano saxophones
McCoy Tyner, piano
Jimmy Garrison, bass
Elvin Jones, drums 

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Frédéric Chopin (1810-1849) - Piano Concerto No. 1 in E minor, Op. 11 e Piano Concerto No. 2 in F minor, Op. 21

Chopin só escreveu - infelizmente - dois concertos para piano. Curiosamente, os dois foram escritos antes dos vinte anos. É sabido que o Concerto No. 2, na verdade, foi escrito primeiro. Esse Concerto traz a influência de Mozart e Hummell, mas já se inclina para uma linguagem mais intimista e subjetiva, traços que identificariam o compositor. O primeiro movimento abre com uma introdução orquestral relativamente extensa, mas quando o piano entra, o centro gravitacional da obra muda completamente: a música parece abandonar o discurso sinfônico tradicional para se transformar numa espécie de monólogo poético.

Já o Concerto No. 1 - escrito por último - foi concluído em 1830 e apresenta uma arquitetura mais ambiciosa. Enquanto o Segundo Concerto é mais introspectivo, o Primeiro é mais dramático. O Allegro maestoso inicial combina passagens de grande brilho técnico. O Romanze central talvez represente o auge do ideal poético de Chopin: uma música suspensa no tempo, de delicadeza quase improvisatória. O Rondo, por sua vez, aproxima-se da dança popular polonesa, especialmente o krakowiak, revelando um nacionalismo discreto, mas exuberante.

Chopin escreveu esses concertos pouco antes de deixar definitivamente a Polônia, num momento em que Varsóvia vivia crescente tensão política às vésperas da Revolta de Novembro de 1830. Embora não sejam obras explicitamente patrióticas, carregam algo da nostalgia e da sensibilidade nacional que marcariam toda sua carreira no exílio parisiense. 

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!

Frédéric Chopin (1810-1849) -

01 - Piano Concerto No. 1 in E minor, Op. 11_ I. Allegro maestoso 
02 - Piano Concerto No. 1 in E minor, Op. 11_ II. Romance_ Larghetto 
03 - Piano Concerto No. 1 in E minor, Op. 11_ III. Rondo, Vivace 
04 - Piano Concerto No. 2 in F minor, Op. 21_ I. Maestoso 
05 - Piano Concerto No. 2 in F minor, Op. 21_ II. Larghetto 
06 - Piano Concerto No. 2 in F minor, Op. 21_ III. Allegro vivace 

Orchestre National de France
Paul Kletzki, regente
Orchetsre Sinfonia di Milano
Mario Rossi, regente
Maurizio Pollini, piano 

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quinta-feira, 14 de maio de 2026

Sergei Rachmaninov (1873-1943) - Piano Concerto No. 2 in C Minor, Op. 18 e Piano Concerto No. 3 in D Minor, Op. 30

Os concertos para piano de Rachmaninov são hoje, uma verdadeira joia do repertório pianístico. Gozam de grande prestígio. A fama que possui nos nossos dias, não era mesma que o compositor experimentava no final do século XIX e início do século XX. Por exemplo, por volta de 1900, quando começou a escrever o Concerto Nº 2, sua carreira parecia arruinada. A estreia de sua Primeira Sinfonia, alguns anos antes, fora um desastre histórico. Críticas impiedosas mergulharam o jovem compositor numa depressão profunda, acompanhada de bloqueio criativo.

O compositor precisou de um tratamento para se restabelecer da crise criativa e da estima afetada. Desde os acordes iniciais do piano, em forma de sinos graves que crescem lentamente até a explosão orquestral, o concerto anuncia sua identidade - trata-se de música de vasto alcance emocional. O sucesso foi imediato. Isso o reconciliou com o mundo.

Já o Concerto de Nº 3 o consagrou definitivamente. Composto em 1909 para a primeira turnê americana de Rachmaninov, o concerto foi concebido para demonstrar não apenas sua habilidade como compositor, mas também sua reputação lendária como pianista. A obra rapidamente ganhou fama de “Everest” do repertório pianístico. Sua dificuldade técnica tornou-se quase mitológica: passagens intermináveis de acordes, saltos brutais, texturas densas e resistência física extrema transformam o concerto num teste máximo para qualquer intérprete.

Aqui encontramos uma excelente interpretação dessas obras caudalosas pelo selo Naxos. Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Sergei Rachmaninov (1873-1943) - 

01. Piano Concerto No. 2 in C Minor, Op. 18 - I. Moderato - Allegro
02. Piano Concerto No. 2 in C Minor, Op. 18 - II. Adagio sostenuto
03. Piano Concerto No. 2 in C Minor, Op. 18 - III. Allegro scherzando
04. Piano Concerto No. 3 in D Minor, Op. 30 - I. Allegro ma non tanto
05. Piano Concerto No. 3 in D Minor, Op. 30 - II. Intermezzo. Adagio
06. Piano Concerto No. 3 in D Minor, Op. 30 - III. Finale. Alla breve

Russian State Symphony Orchestra
Dmitry Yablonsky, regente
Konstantin Scherbarkov, piano

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quarta-feira, 13 de maio de 2026

Edvard Grieg (1843-1907) - Peer Gynt, Op. 23 - Overture - Suites Nos. 1& 2, 2 Lyric Pieces, Op. 68, 3 Orchestral Pieces from Sigurd Jorsalfar, Op. 56 etc

A origem da obra remonta a 1867, quando o dramaturgo Henrik Ibsen publicou o poema dramático Peer Gynt. A peça narrava as aventuras de um anti-herói sonhador, egoísta e fantasioso, inspirado parcialmente em lendas folclóricas escandinavas.

Peer é um camponês que abandona sua aldeia em busca de glória e riqueza. Ao longo da história, atravessa desertos, encontra trolls, vive romances fracassados e mergulha em crises existenciais. A obra mistura sátira social, simbolismo e elementos do folclore norueguês.

Anos depois, em 1874, Ibsen convidou Grieg para compor a música incidental da peça, que seria encenada pela primeira vez em Oslo - então chamada Cristiania.

Apesar do prestígio do convite, Grieg hesitou. Em cartas da época, o compositor afirmava considerar o texto “difícil” e “pouco musical”. Ainda assim, aceitou o desafio.

Percebendo o potencial das composições, Grieg reuniu parte da trilha em duas suítes orquestrais publicadas entre 1888 e 1891. São essas versões que transformaram Peer Gynt em um fenômeno internacional.

Entre os trechos mais famosos está “Morning Mood” (“Manhã”), frequentemente associada ao nascer do sol. A melodia delicada da flauta e dos oboés tornou-se uma das peças clássicas mais reconhecidas do planeta.

Outro destaque é “In the Hall of the Mountain King” (“Na Gruta do Rei da Montanha”), marcada pelo ritmo crescente e obsessivo que acompanha a cena em que Peer encontra os trolls. 

O disco ainda apresenta algumas do compositor, sempre fincadas no folclore de seu país. Já escutei este disco diversas vezes. Adoro Grieg. Uma boa apreciação! 

Edvard Grieg (1843-1907) - 

01. Peer Gynt, Op. 23, Act I - Prelude (I Bryllupsgarden) [At the Wedding]
02. Peer Gynt Suite No. 1, Op. 46 - I. Morning Mood
03. Peer Gynt Suite No. 1, Op. 46 - II. The Death of Aase
04. Peer Gynt Suite No. 1, Op. 46 - III. Anitra's Dance
05. Peer Gynt Suite No. 1, Op. 46 - IV. In the Hall of the Mountain King
06. Peer Gynt Suite No. 2, Op. 55 - I. Ingrid's Lament
07. Peer Gynt Suite No. 2, Op. 55 - II. Arabian Dance
08. Peer Gynt Suite No. 2, Op. 55 - III. Peer Gynt's Homecoming
09. Peer Gynt Suite No. 2, Op. 55 - IV. Solveig's Song
10. 2 Lyric Pieces, Op. 68 - No. 1, Aften pa hoyfjellet (Evening in the Mountains) [Version for orchestra]
11. 2 Lyric Pieces, Op. 68 - Lyric Pieces, Book 9, Op. 68 (version for orchestra) -  No. 5, Badnlat [Lullaby] [Version for orchestra]
12. Folkelivsbilleder, Op. 19, No. 2. Bridal Procession - Folkelivsbilleder, Op. 19 -  No. 2, Bridal Procession (Arr. For orchestra)
13. 3 Orchestral Pieces from Sigurd Jorsalfar, Op. 56 - No. 1, Prelude. In the King's Hall (Version for orchestra)
14. Sigurd Jorsalfar, Op. 22 - No. 2, Borghild's Dream
15. 3 Orchestral Pieces from Sigurd Jorsalfar, Op. 56 - No. 3, Hommage March (Version for orchestra)

Czecho-Slovak State Philharmonic Orchestra
Stephen Gunzenhauser, regente 

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terça-feira, 12 de maio de 2026

Ludwig van Beethoven (1770-1827) - Symphony No. 5 in C Minor, Op. 67 e Symphony No. 7 in A Major, Op. 92

Quando Beethoven compôs a Quinta Sinfonia, entre 1804 e 1808, a Europa vivia sob a sombra de Napoleão Bonaparte. O compositor, inicialmente admirador das ideias revolucionárias francesas, viu com desilusão a transformação de Napoleão em imperador. Ao mesmo tempo, enfrentava uma batalha íntima devastadora: a progressiva perda da audição. É impossível ouvir os quatro golpes iniciais da Quinta - talvez o motivo mais famoso da história da música - sem perceber ali uma espécie de choque contra o destino. Não por acaso, difundiu-se a ideia de que Beethoven teria descrito o tema como “o destino batendo à porta”.

A Quinta Sinfonia é frequentemente interpretada como uma jornada das trevas para a luz. Começa em dó menor, tensa, obsessiva, quase violenta, e termina em dó maior, triunfante, monumental. Essa transformação não é mero recurso técnico; ela encarna o ideal heroico do início do século XIX. Beethoven abandona a elegância aristocrática do classicismo vienense e inaugura uma música de conflito, vontade e superação. Pela primeira vez, uma sinfonia parece não servir apenas ao entretenimento das cortes, mas à expressão dramática da condição humana.

Já a Sétima, como escrevi há alguns dias, é um dos trabalhos musicais mais importantes da história. Ela foi concebida em um momento histórico de grandes mudanças, tanto políticas quanto pessoais para o compositor. Escrita entre 1811 e 1812 - e estreada em 1813 -, a Sinfonia No. 7 teve a sua primeira apresentação em um concerto beneficente a soldados feridos na Batalha de Hanau. O pano de fundo eram as guerras napoleônicas, que redesenharam o mapa da Europa. No mesmo dia da estreia da Sétima, o mundo também conheceu A Vitória de Wellington, que teve uma recepção calorosa – apesar de ser uma obra extravagante, dessas sobre as quais falamos, hoje dia, que o artista a concebeu desejando apenas aclamação e tapinha nas costas. Ela destoa da profundidade emocional característica das obras de Beethoven.

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Ludwig van Beethoven (1770-1827) - 

01 - I. Allegro con brio
02 - II. Andante con moto
03 - III. Scherzo. Allegro
04 - IV. Allegro
05 - I. Poco sostenuto - Vivace
06 - II. Allegretto
07 - III. Presto - Assai meno presto
08 - IV. Allegro con brio

NDR Radiophilharmonie
Andrew Manze, regente 

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segunda-feira, 11 de maio de 2026

Joshua Bell - Voice of the Violin

Texto de apresentação do disco: 

"Temo que isso ainda subestime a qualidade etérea com que Bell extrai notas musicais vivas de seu Stradivarius. A comunhão espiritual que se estabelece entre um virtuose e seu instrumento é o que torna possível a conexão entre intérprete e ouvinte. O instrumento transforma-se em uma voz singular, capaz de transmitir a essência da música - ela própria uma extensão do compositor. Quando essa relação é pura, sua qualidade torna-se imensurável e indizível, comunicando-se apenas entre espíritos, e alcançando plenitude ainda maior nas mãos de uma alma afim. Joshua Bell possui exatamente esse tipo de vínculo: não apenas entre o autor da obra e a excelência do instrumento, mas também entre o compositor e o público. Bell se destaca como a ponte perfeita entre todos eles.

Constantemente incentivados a “cantar” através de seus instrumentos, músicos de cordas naturalmente buscam reproduzir o mais belo de todos os instrumentos musicais: a voz humana. Não surpreende, portanto, que desejem literalmente colocar os dedos sobre os tesouros do repertório vocal. Joshua Bell apropriou-se de algumas das mais célebres canções e árias operísticas, de Mozart aos românticos, passando por Orff. Lentamente conduzidas, sustentadas, líricas e, sim, profundamente “cantáveis”, essas melodias sedutoras e de ampla carga emocional adaptam-se com extraordinária naturalidade ao violino.

Grande parte dos arranjos leva a assinatura de J.A.C. Redford, conhecido compositor de cinema e televisão. E, de fato, as cordas pulsantes e as modulações abruptas típicas de trilhas sonoras permeiam suas orquestrações, em contraste surpreendente com a linguagem original dos compositores. Em “Beau soir”, de Debussy, o pianista Frederic Chiu acompanha Bell com tamanha sensibilidade que se chega a desejar que o piano tivesse substituído a orquestra em todas as canções. As transcrições violinísticas da linha vocal permanecem fiéis aos originais, exceto pelo hábito quase compulsivo de Redford de adicionar oitavas nas repetições e saltar do registro mais grave ao mais agudo.

Naturalmente, Bell executa tudo isso com maestria — e é justamente a interpretação o grande destaque. Seu timbre é arrebatadoramente belo: quente nas cordas graves, luminoso nos registros agudos e sempre intensamente expressivo. Seu amor pela música e sua compreensão instintiva de sua simplicidade interior, de seu anseio romântico e de seu ardor apaixonado atingem diretamente o coração do ouvinte.

Na única participação violinística autenticamente escrita para o instrumento, o obbligato de “Morgen!”, de Richard Strauss, Bell divide a cena com a soprano Anna Netrebko, dona de uma voz dourada. Inicialmente intensa em excesso, ela gradualmente se entrega a um desfecho mágico e sereno".  

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

01. Vocalise, Op. 34, No. 14 (Rachmaninoff) (5:51)
02. Ave Maria (Schubert) (4:43)
03. Pourquoi me reveiller from Werther (Massenet) (2:37)
04. Apres un reve, Op. 7, No. 1 (Faure) (2:50)
05. Song To The Moon from Rusalka (Dvorak) (5:28)
06. Laudate Dominum from Vesperae solennes de confessore (Mozart) (4:43)
07. None But The Lonely Heart, Op. 6/6 (Tchaikovsky) (2:51)
08. Una Furtiva Lagrima from L'Elisir d'Amore (Donizetti) (4:17)
09. In trutina from Carmina Burana (Orff) (2:34)
10. May Breezes from Songs without Words, Op. 62, No. 1 (Mendelssohn) (2:18)
11. Beau soir (Debussy) (2:32)
12. Estrellita (Ponce) (3:16)
13. Nana (Bercuese) from Siete conciones populares Espanolas (De Falla) (2:12)
14. Je crois entendre encore from The Pearl Fishers (Bizet) (3:31)
15. Morgen! Op. 27, No. 4 (R. Strauss) (3:41)

Joshua Bell, violino

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Franz Berwald (1796-1868) - Chamber Music

Ao ouvir as gravações reunidas neste álbum duplo, é inevitável perguntar por que a música de câmara do compositor romântico sueco Franz Berwald ainda aparece tão raramente em catálogo. Certamente não é por falta de temas marcantes - suas melodias são vigorosas, elegantes e inconfundíveis. Tampouco por limitações harmônicas: suas construções sonoras exibem força, densidade e notável coerência. E muito menos pela arquitetura formal de suas obras, marcada por inventividade, ousadia e extraordinária solidez. A explicação mais plausível para esse relativo esquecimento talvez seja simplesmente histórica: o espaço reservado à música de câmara romântica acabou sendo ocupado, quase por completo, por nomes como Schubert, Schumann, Mendelssohn, Brahms e Dvořák.

Ainda assim, qualquer ouvinte deste conjunto de dois discos dificilmente deixará de se perguntar se não haveria lugar também para Berwald entre os grandes do período. A pianista escocesa Susan Tomes e o grupo inglês Gaudier Ensemble revelam-se intérpretes altamente convincentes de sua obra, executando-a com o mesmo empenho e entusiasmo normalmente dedicados aos compositores mais consagrados do século XIX. Basta ouvir qualquer peça desta coletânea - do colorido Quarteto em Mi bemol maior para piano e sopros ao dramático Trio para Piano em Fá menor, passando pelo heroico Quinteto para Piano em Dó menor - para reconhecer um criador plenamente digno de figurar ao lado de seus contemporâneos mais célebres.

Ao final da audição integral dos dois discos, resta apenas uma pergunta: e a música orquestral de Berwald, estaria à altura? A resposta é simples: sem dúvida alguma. Sua produção sinfônica é tão impressionante quanto sua música de câmara. Registradas com a habitual excelência sonora digital da Hyperion, estas interpretações têm todos os méritos para contribuir de forma decisiva para a consolidação da reputação de Franz Berwald.

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Franz Berwald (1796-1868) - 

DISCO 01

Quartet in E flat major for piano and wind
01. I. Adagio — Allegro ma non troppo [11'06]
02. II. Adagio [3'07]
03. III. Finale: Allegro [8'54]

Piano Trio No.2 in F minor
04. I. Allegro molto [7'47]
05. II. Larghetto [6'59]
06. Scherzo: Molto allegro [5'38]
07. IV. Allegro molto [1'26]

Grand Septet in B flat major

08. I. Adagio — Allegro molto [7'03]
09. II. Poco adagio [9'00]
10. III. Finale: Allegro con spirito [5'35]

DISCO 02

Piano Quintet No.1 in C minor
01. I. Allegro molto [6'42]
02. II. Adagio quasi andante [7'03]
03. III. Allegro assai e con spirito [8'45]

Duo in D major for pianoforte and violin

04. I. Allegro [8'35]
05. II. Romance: Andante [4'31]
06. III. Allegro giocoso [6'07]

Piano Trio No.4 in C major
07. I. Allegro [7'31]
08. Adagio [3'55]
09. Finale: Quasi presto [5'45]

The Gaudier Ensemble 

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domingo, 10 de maio de 2026

Félix Mendelssohn (1809-1847) - The Complete String Symphonies

 

O que um adolescente entre os seus 12 e 14 anos pode fazer em matéria de beleza? Quando se é um gênio, ele pode fazer música. É o que temos, por exemplo, em relação a essas composições de Mendelssohn, escritas antes de uma outra obra de juventude - "Sonhos de uma noite de verão".

Entre 1821 e 1823, quando tinha entre 12 e 14 anos, Mendelssohn escreveu doze sinfonias para cordas e uma décima terceira inacabada. O contexto histórico é decisivo para compreender a importância dessas obras. A Europa ainda vivia o impacto cultural do pós-Iluminismo e das transformações provocadas pelas Guerras Napoleônicas. A música instrumental atravessava um período de transição: o classicismo vienense de Wolfgang Amadeus Mozart e Joseph Haydn permanecia como modelo estrutural, enquanto a sombra monumental de Ludwig van Beethoven começava a redefinir os limites emocionais e formais da sinfonia.

É justamente nesse cruzamento histórico que as String Symphonies se tornam fascinantes. Embora sejam obras de estudo - compostas no ambiente intelectual privilegiado da família Mendelssohn, em Berlim - elas não soam como simples exercícios acadêmicos. O jovem compositor absorve a clareza formal herdada do século XVIII, mas injeta nela uma pulsação dramática já tipicamente romântica. A família Mendelssohn recebia inúmeros intelectuais em sua. É esse ambiente que forja Mendelssohn. É perceptível a influência de Bach na música do Mendelssohn adolescente.  

São trabalhos de muito bom gosto, que revelam a elegância advinda do classicismo, o rigor estrutural do barroco e doses precisas de romantismo. Afinal, Mendelssohn - mesmo tão jovem - já parecia sentir as mudanças do seu tempo, mas sem se recusar a prestigiar os grandes nomes - Bach, Haydn e Mozart. 

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Félix Mendelssohn (1809-1847) -  


DISCO 01

01. String Symphony VIII in D major - 1.1. Adagio e Grave - Allegro
02. 1.2. Adagio
03. 3. Menuetto - Trio Presto
04. 4. Allegro molto
05. String Symphony IX in C minor - 5.1. Grave - Allegro
06. 5.2. Andante
07. 3. Scherzo - trio Più lento (La Suisse)
08. 4. Allegro vivace - Presto - Più stretto
09. String Symphony X in B minor 5. Adagio - Allegro - Più presto

DISCO 02

01. String Symphony No.12 in G minor ; I. Fugue (Grave ; Allegro)
02. String Symphony No.12 in G minor ; II. Andante
03. String Symphony No.12 in G minor ; III. Allegro molto
04. String Symphony No.1 in C major ; I. Allegro
05. String Symphony No.1 in C major ; II. Andante
06. String Symphony No.1 in C major ; III. Allegro
07. String Symphony No.7 in D minor ; I. Allegro
08. String Symphony No.7 in D minor ; II. Andante amorevole
09. String Symphony No.7 in D minor ; III. Menuetto ; Trio (Vivace)
10. String Symphony No.7 in D minor ; IV. Allegro molto
11. String Symphony No.4 in C minor ; I. Grave ; Allegro
12. String Symphony No.4 in C minor ; II. Andante
13. String Symphony No.4 in C minor ; III. Allegro vivace
14. String Symphony No.6 in E flat major ; I. Allegro
15. String Symphony No.6 in E flat major ; II. Menuetto ; Trio I ; Menuetto da capo ; Trio II
16. String Symphony No.6 in E flat major ; III. Prestissimo

DISCO 03

01. String Symphony No.11 in F major - I. Adagio-Allegro molto-Adagio-Allegro
02. II. Scherzo (Commodo [Schweizerlied])
03. III. Adagio
04. IV. Menuetto (Allegro moderato)
05. V. Allegro moderato
06. String Symphony No.3 in E minor - I. Allegro di molto
07. II. Andante
08. III. Allegro
09. String Symphony No.2 in D major - I. Allegro
10. II. Andante
11. III. Allegro vivace
12. String Symphony No.5 in B-flat major - I. Allegro vivace
13. II. Andante
14. III. Presto
15. String Symphony No.13 in C minor [Sinfoniesatz] - Allegro molto

Concerto Köln 

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