domingo, 28 de junho de 2026

Wilhelm Friedemann Bach Edition - (CDs 10, 11, 12, 13 e 14 de 14 - final)

Comparativamente com Carl Philipp Emanuel e Johann Christian, o legado de Wilhelm Friedemann Bach tem sido relativamente negligenciado. Apesar da sua qualidade e relevância, na música dos seus irmãos é mais evidente a nova prática expressiva que apontava aos estilos clássico e romântico. Para lá disso, a biografia que se lhe conhece contém alguns aspetos enigmáticos. Ao longo da vida, não serviu sempre uma corte ou a Igreja, o que faz de si um precursor. Porém, é no seu estilo de escrita que reconhecemos maior afinidade com o virtuosismo instrumental e com as técnicas contrapontísticas do «estilo antigo», o estilo do pai Bach.

Wilhelm Friedemann Bach nasceu em 1710 em Weimar, onde seu pai trabalhou durante quase uma década. Era o segundo filho do primeiro casamento de Johann Sebastian e, aparentemente, o mais «indomável» de todos os irmãos. Em 1717 a família mudou-se para Cöthen, e em 1723 para Leipzig. Foi nesta última cidade que recebeu grande parte da sua instrução. Já por sua conta, mudou-se em 1726 para uma outra pequena cidade da Saxónia, Merseburg, para estudar com J. Graun. Regressado a Leipzig, no ano seguinte, foi professor de C. Nichelmann, músico que se juntaria mais tarde a Graun, em Berlim. Em 1733 conseguiu um lugar de organista em Dresden, na igreja de Santa Sofia. Terá sido aí, já no início da década de 1740, que compôs a Sinfonia em Ré Menor F. 65. Era então prática corrente introduzir peças instrumentais a meio da celebração da missa. Seria este o caso, um andamento único que agrega um prelúdio e uma fuga onde se destacam duas flautas sobre as cordas e o baixo contínuo. O primeiro é solene e desenrola-se numa figuração melódica cuidadosamente trabalhada, ao passo que a Fuga se precipita num tempo rápido sobre o mesmo tema melódico que se escutou no Adagio precedente.

Em 1746 o músico mudou-se para Halle, onde assumiu o lugar de organista e diretor musical da igreja daquela cidade – já pertença da Prússia. Vinte anos depois abandonou o cargo, e deparamos-nos então com um hiato de quase uma década em que pouco se sabe acerca da sua biografia. Ter-se-á, eventualmente, apresentado como cravista em várias cortes europeias e como organista em concertos públicos. Em 1774 instalou-se em Berlim, por conta própria, em busca de novas oportunidade profissionais, apesar dos 64 anos de idade. Aí permaneceu na década seguinte, até ao final da vida. 

Para trás, deixava um trajeto profissional que se distinguiu sobretudo quando passou pela cidade de Dresden, onde gozou de grande prestígio como organista. As funções de Wilhelm Friedemann ter-se-ão também estendido para lá da igreja, em particular como cravista. Porém, enquanto compositor, não teve o mesmo sucesso, talvez porque uma das principais características da sua música seja a dificuldade técnica, o que não se ajustava ao mercado de edição de partituras da época, que era fundamentalmente procurado por músicos amadores. As poucas obras que dele nos chegaram, em particular as sonatas para flauta, assim como as sonatas e concertos para cravo, são extremamente difíceis de tocar. É disso exemplo o Concerto F. 46, datado de 1745, um dos mais célebres dos sete que conhecemos. Curiosamente, tem dois cravos como solistas, na vez de um, à frente das trompetes, das trompas, dos tímpanos e das cordas. Destacam-se, ainda, as repetições rítmicas e motívicas obstinadas, para lá de um estilo de escrita próximo da improvisação, por vezes rapsódico e em torno da mesma ideia. Ainda assim, mantém-se bastante próximo do estilo de Johann Sebastian, apesar de não demonstrar o mesmo interesse pela disciplina do contraponto, e também de ser mais contido no que respeita às variações harmónicas. O seu concerto confronta-se aqui com o mais conhecido dos concertos para cravo de J. S. Bach, o BWV 1052, onde se desenham figurações sofisticadas em ambas as mãos. Esta obra data de 1734 e baseia o primeiro e segundo andamentos na sinfonia introdutória e no coro da Cantata N.º 146 (BWV 146, Wir müssen durch viel Trübsal), a qual, por sua vez, resultara da adaptação de um concerto para violino entretanto perdido. A partitura tem início com um poderoso ritornello em uníssono, sobre um motivo que prevalece ao longo de todo o andamento. As partes a solo assemelham-se frequentemente a uma tocata, proporcionando a exibição do virtuosismo do intérprete. Wilhelm Friedemann deveria apreciá-lo bastante.

Daqui

Wilhelm Friedemann Bach (1710-1784) - 

DISCO 10

01. Ouverture in E-Flat Major, BR. A59
02. Minuet I - II in F Major, BR. A50a
03. Variations on Minuet I in F Major, BR. A50b
04. March in F Major, BR. A57
05. Poco allegro, BR. A62
06. Fantasia in D Minor, BR. A105
07. Fantasia in G Major, BR. A106
08. Allegro in D Major, BR. A107
09. Allegro in D Minor, BR. A108
10. Minuet - Trio in C Major, BR. A109
11. Minuet in G Major with 13 Variations, BR. A110 I. Minuet
12. Minuet in G Major with 13 Variations, BR. A110 II. Var. 1
13. Minuet in G Major with 13 Variations, BR. A110 III. Var. 2
14. Minuet in G Major with 13 Variations, BR. A110 IV. Var. 3
15. Minuet in G Major with 13 Variations, BR. A110 V. Var. 4
16. Minuet in G Major with 13 Variations, BR. A110 VI. Var. 5
17. Minuet in G Major with 13 Variations, BR. A110 VII. Var. 6
18. Minuet in G Major with 13 Variations, BR. A110 VIII. Var. 7
19. Minuet in G Major with 13 Variations, BR. A110 IX. Var. 8
20. Minuet in G Major with 13 Variations, BR. A110 X. Var. 9
21. Minuet in G Major with 13 Variations, BR. A110 XI. Var. 10
22. Minuet in G Major with 13 Variations, BR. A110 XII. Var. 11
23. Minuet in G Major with 13 Variations, BR. A110 XIII. Var. 12
24. Minuet in G Major with 13 Variations, BR. A110 XIV. Var. 13
25. Christus, der ist mein Leben, BR. A101
26. Die Seele Christi heilge mich, BR. A102
27. Sey Lob und Her, BR. A103
28. Nun freut euch, lieben Christen, BR. A104

DISCO 11

01. Fugue in B-Flat Major, F. 34
02. Fugue in F Major, F. 33
03. Fugue in C Minor, F. 32
04. 8 Fugues sans pedale, F. 31 I. Fugue in C Major
05. 8 Fugues sans pedale, F. 31 II. Fugue in C Minor
06. 8 Fugues sans pedale, F. 31 III. Fugue in D Major
07. 8 Fugues sans pedale, F. 31 IV. Fugue in D Minor
08. 8 Fugues sans pedale, F. 31 V. Fugue in E-Flat Major
09. 8 Fugues sans pedale, F. 31 VI. Fugue in E Minor
10. 8 Fugues sans pedale, F. 31 VII. Fugue in B-Flat Major
11. 8 Fugues sans pedale, F. 31 VIII. Fugue in F Minor

DISCO 12

01. Fugue in D Major
02. Fugue in C Minor, F. 32 (2)
03. Fugue in G Minor, F. 37
04. Chorale Preludes, F. 38 I. Nun komm der Heiden Heiland
05. Chorale Preludes, F. 38 II. Christe, der du bist Tag und Licht
06. Chorale Preludes, F. 38 III. Jesu, meine Freude
07. Chorale Preludes, F. 38 IV. Durch Adams Fall ist ganz verderbt
08. Chorale Preludes, F. 38 V. Wir danken dir, Herr Jesu Christ
09. Chorale Preludes, F. 38 VI. Wir Christenleut han jetzund Freud
10. Chorale Preludes, F. 38 VII. Was mein Gott will, das g'scheh allzeit
11. Fugue in A Minor
12. Fugue in C Minor
13. Fugue in B-Flat Major
14. Fugue in F Major

DISCO 13

01. Lasset uns ablegen die Werke der Finsternis, F. 80 I. Chorus. Lasset uns ablegen die Werke der Finsternis
02. Lasset uns ablegen die Werke der Finsternis, F. 80 II. Recitative. Es ist nun hohe Zeit
03. Lasset uns ablegen die Werke der Finsternis, F. 80 III. Chorale. Steh auf vom Sundenschlaf
04. Lasset uns ablegen die Werke der Finsternis, F. 80 IV. Recitative. Drum, Vater
05. Lasset uns ablegen die Werke der Finsternis, F. 80 V. Aria. Vater, mit Erbarmen
06. Lasset uns ablegen die Werke der Finsternis, F. 80 VI. Accompanied Recitative. Ich wei?, die Nacht ist schon dahin
07. Lasset uns ablegen die Werke der Finsternis, F. 80 VII. Aria. Ich ziehe Jesum an im Glauben
08. Lasset uns ablegen die Werke der Finsternis, F. 80 VIII. Chorale. Den Geist, der heilig ist
09. Lasset uns ablegen die Werke der Finsternis, F. 80 IX. Chorus (da capo)
10. Es ist eine Stimme eines Predigers in der Wuste, F. 89 I. Chorus. Es ist eine Stimme eines Predigers in der Wuste
11. Es ist eine Stimme eines Predigers in der Wuste, F. 89 II. Recitative. Gott hat uns Gnad und Heil
12. Es ist eine Stimme eines Predigers in der Wuste, F. 89 III. Aria. Der Trost gehoret nur vor Kinder
13. Es ist eine Stimme eines Predigers in der Wuste, F. 89 IV. Accompanied Recitative. Dein Heiland lasst die Bahn
14. Es ist eine Stimme eines Predigers in der Wuste, F. 89 V. Aria. Holdseligster Engel
15. Es ist eine Stimme eines Predigers in der Wuste, F. 89 VI.Chorale. Wir Menschen sind zu dem, o Gott

DISCO 14

01. Dies ist der Tag, F. 85, Sinfonia I. Allegro maestoso
02. Dies ist der Tag, F. 85, Sinfonia II. Andante
03. Dies ist der Tag, F. 85, Sinfonia III. Vivace
04. Dies ist der Tag, F. 85, Cantata I. Accompanied recitative. Dies ist der Tag
05. Dies ist der Tag, F. 85, Cantata II. Aria. Su?er Hauch von Gottes Throne
06. Dies ist der Tag, F. 85, Cantata III. Recitative. Ich folge dir
07. Dies ist der Tag, F. 85, Cantata IV. Aria. Entzunde mich, du Kraft der gro?ten Liebe!
08. Dies ist der Tag, F. 85, Cantata V. Chorale. Heilger Geist in Himmels Throne
09. Erzittert und fallet, F. 83 I. Chorus. Erzittert und fallet
10. Erzittert und fallet, F. 83 II. Aria. Was fur reizend sanfte Blicke
11. Erzittert und fallet, F. 83 III. Recitative. Das Grab ist leer
12. Erzittert und fallet, F. 83 IV. Duet. Komm, mein Hirte
13. Erzittert und fallet, F. 83 V. Recitative. Mein Heiland kommt
14. Erzittert und fallet, F. 83 VI. Aria. Rauscht, ihr Fluten, donnernd Blitzen
15. Erzittert und fallet, F. 83 VII. Chorale. Heut triumphieret Gottes Sohn

Rheinische Kantorei
Das Kleine Konzert

Hermann Max, diretor 

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sábado, 27 de junho de 2026

Jazz - Alice Coltrane (1937-2007) - A Monastic Trio (1968)

 

A Monastic Trio é o primeiro álbum solo de Alice Coltrane . Foi gravado em 1968 na casa de John Coltrane em Dix ​​Hills, Nova York, e lançado ainda naquele ano pela Impulse! Records. No álbum, Coltrane aparece tocando piano e harpa, acompanhada pelo saxofonista Pharoah Sanders , o baixista Jimmy Garrison e o baterista Rashied Ali , todos membros do último quinteto de John Coltrane. O baterista Ben Riley também participa de uma faixa. O álbum foi relançado em CD em 1998 com três faixas adicionais, uma das quais é um solo de piano gravado em 1967. 

O álbum foi concebido como uma homenagem ao falecido marido de Alice Coltrane, John Coltrane, que havia falecido no ano anterior. As notas do encarte trazem a mensagem: "Esta música é dedicada ao místico Ohnedaruth, conhecido como John Coltrane durante o período de 23 de setembro de 1926 a 17 de julho de 1967." Embora Alice Coltrane seja creditada como produtora do álbum, Bob Thiele supervisionou seu lançamento. Mais tarde, Coltrane chamou Thiele de "um cavalheiro e muito profissional" e refletiu: "Acho que, em memória de John, ele queria apenas apresentar tudo da melhor maneira possível."

Daqui 

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

01. Ohnedaruth (07:53)
02. Gospel Trane (06:49)
03. I Want to See You (06:46)
04. Lovely Sky Boat (06:55)
05. Oceanic Beloved (04:21)
06. Atmic Peace (05:54) 

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Anton Bruckner (1824-1896) - Symphony No. 8 in C minor

 

Que espetáculo de interpretação. Talvez, uma das melhores interpretações que eu já escutei dessa obra. Tenho escutado desde ontem. A Oitava, de Bruckner, é daqueles trabalhos que nos elevam enquanto humanos. Ao escutá-la, somos conduzidos a um mundo de perfeição. É o último trabalho sinfônico completo do compositor. Quando ele a escreveu, havia alcançado níveis de controle da arte de compor. Havia conseguido, finalmente, reconhecimento com a Sétima. A estreia se deu em 1892, quatro anos antes da morte do compositor.

O próprio compositor a chamava de "Die Kronung" - "A Coroação".  Ou seja, ele tinha uma compreensão de que o trabalho era o ápice, até aquele momento, de tudo que ele havia escrito. O compositor iniciaria a escrita da Nona, que não conseguiria concluir. O quarto movimento ficou inconcluso. 

A Oitava é uma reflexão poderosa que vai da condição trágica que nos conduz à morte à expectativa de transcendência. O primeiro movimento aponta para uma reflexão grave; uma marcha sombria que o próprio compositor associou ao anúncio inevitável da morte. O segundo movimento possui uma reflexão rítmica, quase militar, de evocação mística. Nota-se um contraste de uma beleza onírica e nostálgica. O terceiro movimento é um dos momentos mais sublimes da história do Romantismo. É possível enxergar a beleza, o indizível, o sublime. Bruckner nos aponta a eternidade. O quarto movimento é o triunfo, a apoteose, uma quase transfiguração. 

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Anton Bruckner (1824-1896) - 

01. Bruckner_ Symphony #8 in C minor (ed.Nowak) I. Allegro Moderato
02. Bruckner_ Symphony #8 in C minor (ed.Nowak) II. Scherzo. Allegro moderato - Trio. Langsam
03. Bruckner_ Symphony #8 in C minor (ed.Nowak) III. Adagio. Feierlich langsam, doch nicht schleppend
04. Bruckner_ Symphony #8 in C minor (ed.Nowak) IV. Finale. Feierlich, nicht schnell

Ed. Nowak Edition

Berliner Philharmoniker
Lorin Maazel, regente 

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sexta-feira, 26 de junho de 2026

Antonio Vivaldi (1678-1741) - Flute Concertos


 Que disquinho maravilhoso. Algumas informações sobre o compositor:

 "De família de origem genovesa, Antonio Lucio Vivaldi nasceu em Veneza em 4 de março de 1678 (data de sua ata de batismo, encontrada apenas em 1963), de Giovanni Battista Vivaldi (1655-1736), que exerceu primeiro como barbeiro e logo como músico, sendo um violinista apreciado na Capela São Marcos, e de Camilla Calicchio (1655-1728), filha de um alfaiate de Brescia.
Teve oito irmãos, dos quais dois falecidos em idade frágil e dois de caráter violento, que acabam sendo banidos da cidade e considerados a vergonha da família; passou, então, sua juventude em um ambiente que não era adequado à sua sensibilidade e temperamento, mesmo assim, seus dotes excepcionais conseguiram florescer.

Ele começou a estudar o violino sob a orientação de seu pai, desde muito novo. Parece que aos dez anos ele tinha já as habilidades para substituir Giovan Battista na orquestra de San Marco. Alguns querem justificar a grandeza do compositor veneziano atribuindo-lhe um professor mais ilustre: Giovanni Legrenzi, mestre da Capela de San Marco. Mas é uma suposição não suportada por qualquer fonte.

Em 1703 tornou-se sacerdote católico e ficou conhecido por “il Prete Rosso” – “o Padre Ruivo” devido à cor do seu cabelo, embora escondido debaixo das perucas, tão em voga nesse período. Em 1704, ele é isento de celebrar a missa por suas precárias condições de saúde, devidas a uma forma grave de asma.
Tal dispensa não deixa de levantar rumores: “Uma vez, que Vivaldi estava celebrando a Missa, de repente pensou num tema de fuga. Deixou o altar no qual estava oficiando e correndo até a sacristia escreveu seu tema, então voltou e terminou a Missa”. Esta era uma maneira pitoresca de justificar o abandono da vida sacerdotal. Mas o mesmo Vivaldi, anos depois, dá outra versão dos fatos, em uma carta ao Marquês Bentivoglio datada de 1737: “(…)bem três vezes tive que deixar o altar, sem acabar a missa, por causa do meu mal. É essa a razão pela qual não posso celebrar a missa”, por causa da asma".

 Texto completo aqui 

Antonio Vivaldi (1678-1741) -

01. Flute Concerto in G Minor, Op. 10 No. 2, RV 439 - I. Largo - II. Presto - III. Largo
02. Flute Concerto in G Minor, Op. 10 No. 2, RV 439 - IV. Presto
03. Flute Concerto in G Minor, Op. 10 No. 2, RV 439 - V. Largo - VI. Allegro
04. Flute Concerto in D Major, Op. 10 No. 3, RV 428 - I. Allegro
05. Flute Concerto in D Major, Op. 10 No. 3, RV 428 - II. Cantabile
06. Flute Concerto in D Major, Op. 10 No. 3, RV 428 - III. Allegro
07. Flute Concerto in G Major, RV 438 - I. Allegro
08. Flute Concerto in G Major, RV 438 - II. Andante
09. Flute Concerto in G Major, RV 438 - III. Allegro
10. Recorder Concerto in C Minor, RV 441 - I. Allegro non molto
11. Recorder Concerto in C Minor, RV 441 - II. Largo
12. Recorder Concerto in C Minor, RV 441 - III. Allegro
13. Flute Concerto in A Minor, RV 440 - I. Allegro non molto
14. Flute Concerto in A Minor, RV 440 - II. Larghetto
15. Flute Concerto in A Minor, RV 440 - III. Allegro
16. Flute Concerto in F Major, Op. 10 No. 1, RV 433 - I. Allegro
17. Flute Concerto in F Major, Op. 10 No. 1, RV 433 - II. Largo
18. Flute Concerto in F Major, Op. 10 No. 1, RV 433 - III. Presto

Ensemble La Partita
Sylvie Dambrine, flauta 

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quinta-feira, 25 de junho de 2026

Ludwig van Beethoven (1770-1827) - Concerto for Violin, Cello and Piano in C major, Op. 56 'Triple Concerto' e Piano Trio in B♭ major, Op. 97 'Archduke Trio'

Eis uma gravação que reúne, de forma particularmente inteligente, tradição e renovação. Instrumentos de época convivem com instrumentos modernos; grandes obras orquestrais dividem espaço com a música de câmara; e jovens intérpretes em ascensão revisitarem algumas das páginas mais consagradas do repertório beethoveniano. Em seu novo lançamento, o Storioni Trio associa o célebre Concerto Triplo ao igualmente monumental Trio para Piano em Si bemol maior, Op. 97, conhecido como Arquiduque.

O Storioni Trio não é novato em gravações de alta resolução e multicanal. Após trabalhos de destaque para os selos Pentatone e Ars Produktion, o conjunto reafirma aqui não apenas sua excelência técnica, mas, sobretudo, sua extraordinária maturidade artística. Afinal, nenhum refinamento tecnológico teria valor sem músicos capazes de imprimir convicção e personalidade a cada interpretação — exatamente o que acontece neste álbum.

Esse compromisso com a autenticidade manifesta-se também na escolha dos instrumentos. O violinista Wouter Vossen e seu irmão, o violoncelista Marc Vossen, utilizam cordas de tripa, enquanto o pianista Bart van de Roer toca um magnífico fortepiano Lagrasse de 1815, cuidadosamente restaurado e pertencente à coleção de Edwin Beunk. A Orquestra Sinfônica dos Países Baixos, responsável pelo acompanhamento no Concerto Triplo, adota igualmente instrumentos historicamente informados, recorrendo a metais de época e a baquetas rígidas nos tímpanos.

É justamente o Concerto Triplo que constitui o grande triunfo deste lançamento. Raramente se ouviu uma gravação capaz de evidenciar com tanta clareza o contraste entre a massa orquestral e o grupo solista, sem jamais perder de vista a verdadeira natureza da obra. Aqui, compreende-se que Beethoven escreveu essencialmente um trio com acompanhamento orquestral, e não um concerto orquestral pontuado por intervenções ocasionais dos solistas.

O mérito pertence igualmente ao Storioni Trio, ao maestro Jan Willem de Vriend e à equipe de gravação da NorthStar Recording Services, liderada por Bert van der Wolf. Os tutti orquestrais surgem com a imponência dramática que a partitura exige, enquanto as passagens camerísticas revelam uma unidade de fraseado e uma delicadeza que apenas muitos anos de convivência musical podem produzir. Não é difícil entender o motivo: trata-se de dois irmãos e de um amigo que parecem antecipar intuitivamente as intenções uns dos outros.

Ao preservar as proporções clássicas da obra e construir uma identidade sonora verdadeiramente coletiva, os intérpretes evitam um erro frequente: transformar um material relativamente simples em um discurso artificialmente grandioso. Em vez disso, deixam que a música fale por si mesma, com naturalidade, elegância e equilíbrio. O resultado supera com facilidade muitas gravações estreladas, reunidas ocasionalmente apenas pelo prestígio dos nomes envolvidos.

A interpretação do Trio Arquiduque também merece elogios, embora o fortepiano revele inevitavelmente algumas limitações expressivas quando comparado ao piano moderno. Há efeitos de sustentação e expansão sonora — sobretudo no movimento lento — que o instrumento histórico simplesmente não consegue oferecer. Em certos momentos, o acompanhamento assume uma intensidade quase obsessiva que pode soar um pouco tensa aos ouvidos atuais, ainda que corresponda exatamente ao que Beethoven escreveu. Convém lembrar, porém, que o compositor jamais conheceu um Steinway de cauda de nove pés.

Ainda assim, a execução do trio impressiona pela precisão, pela coesão e pela sinceridade interpretativa. Além de seu elevado nível artístico, oferece ao ouvinte uma rara oportunidade de aproximar-se da sonoridade que Beethoven provavelmente tinha em mente em 1808.

Depois de semanas de audição, permanece a impressão de que este lançamento representa uma verdadeira lufada de ar fresco para duas obras fundamentais do repertório. Uma leitura historicamente informada, musicalmente convincente e artisticamente inspirada, capaz de renovar o olhar — e sobretudo a escuta — sobre dois dos maiores monumentos da produção camerística e concertante de Beethoven.

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Ludwig van Beethoven (1770-1827) - 

Concerto for Violin, Cello and Piano in C major, Op. 56 'Triple Concerto'
01. I. Allegro
02. II. Largo (attacca)
03. III. Rondo alla polacca

Piano Trio in B♭ major, Op. 97 'Archduke Trio'
04. I. Allegro moderato
05. II. Scherzo (Allegro)
06. III. Andante cantabile ma però con moto. Poco piu adagio
07. IV. Allegro moderato – Presto

Netherlands Symphony Orchestra
Jan Willem de Vriend, regente
Storioni Trio
Wouter Vossen, violino
Marc Vossen, violoncelo
Bart van de Roer, pianoforte 

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quarta-feira, 24 de junho de 2026

Philip Glass (1937 - ) - The Essential Philip Glass

The Essential Philip Glass é uma antologia monumental que oferece um panorama abrangente da trajetória de um dos compositores mais influentes da música contemporânea. Lançada em 2002 pelo prestigiado selo Sony Classical, esta coletânea reúne algumas das obras mais representativas de Philip Glass, figura central do minimalismo musical e um dos arquitetos mais revolucionários da linguagem sonora do século XX.

Ao longo de quase setenta e cinco minutos cuidadosamente organizados, o álbum conduz o ouvinte por treze peças fundamentais que sintetizam o universo criativo de Glass em sua fase de maior maturidade artística. Trata-se de um retrato sonoro de um compositor cuja escrita transformou profundamente a música contemporânea por meio de padrões rítmicos entrelaçados, geometrias harmônicas em constante mutação e cascatas de arpejos que produzem uma sensação singular de movimento contínuo e hipnótico.

A seleção percorre algumas das realizações mais celebradas de sua carreira, abrangendo óperas, trilhas sonoras e obras de caráter mais intimista. Entre os destaques encontram-se as expansivas paisagens vocais de Lightning e Changing Opinion, extraídas de Songs from Liquid Days; as atmosferas melancólicas e envolventes de Façades, com sua marcante escrita para saxofone; e páginas emblemáticas da célebre trilogia operística que consolidou a reputação internacional do compositor.

O ouvinte é conduzido pela força coral e espiritual de Satyagraha, pela grandiosidade quase ritualística de Akhnaten e pelos pulsos rítmicos inovadores de Einstein on the Beach, obra que redefiniu os limites da ópera contemporânea. Cada uma dessas partituras revela facetas distintas de uma estética que transformou repetição em discurso dramático e simplicidade aparente em profunda complexidade expressiva.

O percurso culmina com duas das páginas mais conhecidas de Glass: a introspectiva Metamorphosis Four, de intensa carga emocional, e Closing, cujas linhas em constante expansão produzem uma sensação de luminosidade e transcendência. Juntas, elas encerram o álbum de maneira particularmente eloquente, sintetizando a combinação de clareza estrutural e força poética que caracteriza a arte do compositor.

Mais do que uma simples coletânea, The Essential Philip Glass constitui uma porta de entrada privilegiada para o universo de um criador que redefiniu a música contemporânea. É um documento essencial tanto para admiradores veteranos quanto para novos ouvintes interessados em compreender a importância histórica e artística de um compositor cuja influência continua a se fazer sentir em concertos, óperas, cinema e nas mais diversas manifestações da cultura musical contemporânea.

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Philip Glass (1937 - ) - 

01. Lightning (from Songs From Liquid Days) (06:42)
02. Changing Opinion (from Songs From Liquid Days) (10:38)
03. Façades (from Glassworks) (07:21)
04. A Gentleman's Honor (from The Photographer) (03:17)
05. The Kuru Field of Justice (Extract) (from Satyagraha) (06:09)
06. Protest (from Satyagraha) (04:19)
07. Evening Song (from Satyagraha) (04:07)
08. Hymn to the Sun (from Akhnaten) (06:16)
09. Window of Appearances (from Akhnaten) (04:22)
10. Bed (from Einstein On The Beach) (03:40)
11. Dance VIII (from Dancepieces) (04:58)
12. Metamorphosis Four (from Solo Piano) (07:00)
13. Closing (from Glassworks) (05:59)
 

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Johann Sebastian Bach (1685-1750) - Die Kunst Der Fuge, BWV 1080

Texto escrito por Arthur Nestrovski e publicado na Folha de São Paulo, lá pelos idos de 2000:

"Nesta obra se encontram as mais recônditas belezas possíveis na arte da música." A frase vem do prefácio de Friedrich Marpurg à segunda edição de "A Arte da Fuga", de 1752; os termos são de época, mas expressam um consenso dos músicos até hoje.

Publicada postumamente, inacabada e sem instrumentação definida, "A Arte da Fuga" está num limite do que pode a música. Ela mesma é esse limite para as doze gerações de compositores desde Bach (1685-1750). (...) Em 1746, Bach foi eleito membro da Sociedade de Ciências Musicais de Leipzig. A honraria implicava trabalho: cada membro deveria apresentar à Sociedade uma composição nova por ano, que desse mostra de sua ciência e arte. 

Bach escreveu uma série de cânones em 1747, a "Oferenda Musical" em 1748 e provavelmente tinha intenção de apresentar "A Arte da Fuga" no ano seguinte. Uma catarata, que o levou à cegueira, impediu para sempre a conclusão da partitura. O que se tem é virtualmente a obra inteira: 13 fugas (duas delas em duas versões: normal e "espelhada"), mais quatro cânones. A décima-quarta fuga, verdadeira apoteose, combinaria três temas novos com o tema original do ciclo inteiro. É precisamente este tema que fica faltando quando a partitura se interrompe.

O fato de o terceiro tema corresponder às letras do nome BACH (si bemol, lá, dó, si, em notação alemã) dá um sentido fatídico, para não dizer fantasmagórico, à mais impessoal das composições. "

Texto completo aqui

Johann Sebastian Bach (1685-1750) - 

DISCO 01

01 - Contrapunctus I
02 - Contrapunctus III
03 - Canon alla Decima Contrapunto alla Terza
04 - Contrapunctus II
05 - Contrapunctus IV
06 - Canon alla Ottava
07 - Contrapunctus V
08 - Contrapunctus IX a 4 alla Duodecima
09 - Contrapunctus X a 4 alla Decima

DISCO 02

01 - Contrapunctus VI a 4 in Stylo Francese 
02 - Contrapunctus VII a 4 per Augmentationem et Diminutionem
03 - Canon alla Duodecima in Contrapunto alla Quinta
04 - Contrapunctus VIII a 3
05 - Contrapunctus XI a 4
06 - Canon IV per Augmentationem in Contrario Motu
07 - Fuga a 3 Soggetti (Contrapunctus XIV)

Martha Cook, cravo

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terça-feira, 23 de junho de 2026

Serguei Prokofiev (1891-1953) - Cinderella Suites Nos. 1-3, Scythian Suite, "On the Dnieper"

Suntuosa e profundamente emotiva, voluptuosa em suas cores orquestrais e de uma beleza requintada, a gravação realizada em 1994 por Theodore Kuchar e a Orquestra Sinfônica Estatal da Ucrânia das três suítes extraídas do balé Cinderela, de Prokofiev, parece ter apenas um defeito: deixa o ouvinte desejando mais. E a única forma de satisfazer esse desejo seria se Kuchar e a orquestra tivessem gravado o balé completo.

Não apenas os excertos são executados com extraordinária qualidade técnica e interpretados com absoluta convicção, como cada número encontra seu lugar dentro da arquitetura das suítes, fazendo com que cada uma delas funcione como uma obra coesa e expressiva, e não simplesmente como uma reunião de páginas populares de concerto. O resultado é uma narrativa musical contínua e envolvente, capaz de preservar o encanto dramático e poético da partitura original.

Por outro lado, se Kuchar e a orquestra tivessem registrado Cinderela na íntegra, não haveria espaço no segundo disco para aquilo que os ingleses chamam, com tanto charme, de fillers — peças complementares destinadas a completar a duração do álbum. E, neste caso, essas obras adicionais revelam-se tão valiosas em seu próprio contexto quanto as suítes de Cinderela.

A Suíte Cita surge aqui em uma leitura singular. Pela primeira vez, a obra parece revelar qualidades líricas e até mesmo certa beleza inesperada — na medida em que uma partitura tão deliberadamente áspera, irregular e monumental permite. Kuchar consegue encontrar humanidade e poesia em uma música frequentemente tratada apenas como espetáculo bárbaro e primitivista.

Mais impressionante ainda é a interpretação da suíte extraída do balé Às Margens do Dnieper. Trata-se, sem exagero, de uma das leituras mais refinadas, apaixonadas e convincentes já registradas dessa obra. Essa afirmação provavelmente continuaria válida mesmo que existissem muito mais gravações disponíveis do que as poucas atualmente conhecidas.

A excelência musical encontra correspondência na qualidade técnica da produção. A engenharia de som da Naxos revela-se exemplar: clara, calorosa e imediata, permitindo que toda a riqueza da orquestração de Prokofiev seja apreciada com nitidez e impacto. O resultado é um lançamento que se impõe como uma referência indispensável para admiradores do compositor russo e para todos aqueles que desejam descobrir a extraordinária variedade expressiva de sua música para balé.

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Serguei Prokofiev (1891-1953) - 

DISCO 01

01. Cinderella - Suite No.1 - Introduction [0:02:57.25]
02. Cinderella - Suite No.1 - Pas de Chale [0:04:00.00]
03. Cinderella - Suite No.1 - The Quarrell [0:03:41.00]
04. Cinderella - Suite No.1 - Fairy Godmother and the Winter Fairy [0:05:19.00]
05. Cinderella - Suite No.1 - Mazurka [0:05:52.00]
06. Cinderella - Suite No.1 - Cinderella goes to the Ball [0:02:59.00]
07. Cinderella - Suite No.1 - Cinderella's Waltz [0:02:44.30]
08. Cinderella - Suite No.1 - Midnight [0:02:09.45]
09. Cinderella - Suite No.2 - Cinderella's Dreams [0:03:55.00]
10. Cinderella - Suite No.2 - Dancing Lesson and Gavotte [0:06:04.00]
11. Cinderella - Suite No.2 - Spring Fairy and Sumer Fairy [0:04:05.00]
12. Cinderella - Suite No.2 - Bourée [0:01:41.00]
13. Cinderella - Suite No.2 - Cinderella at the Palace [0:08:21.00]
14. Cinderella - Suite No.2 - Galop [0:05:01.22]

DISCO 02

01. Cinderella, Suite No. 3 for orchestra, Op. 109: Pavane: Andante grazioso [0:04:14.25]
02. Cinderella, Suite No. 3 for orchestra, Op. 109: Cinderella and the Prince: Adagio [0:04:40.00]
03. Cinderella, Suite No. 3 for orchestra, Op. 109: Three Oranges: Moderato [0:01:24.00]
04. Cinderella, Suite No. 3 for orchestra, Op. 109: Dance of Temptation: Moderato [0:04:19.00]
05. Cinderella, Suite No. 3 for orchestra, Op. 109: Oriental Dance: Andante dolce [0:02:16.00]
06. Cinderella, Suite No. 3 for orchestra, Op. 109: The Prince finds Cinderella: Adagio passionato [0:01:50.65]
07. Cinderella, Suite No. 3 for orchestra, Op. 109: Slow Waltz: Adagio [0:04:43.10]
08. Cinderella, Suite No. 3 for orchestra, Op. 109: Amoroso: Andante dolcissimo [0:03:23.00]
09. Scythian Suite, for orchestra, Op. 20: Invocation to Veles and Ala: Allegro feroce [0:05:55.00]
10. Scythian Suite, for orchestra, Op. 20: The Evil God and Dance of the Pagan Monsters: Allegro sostenuto [0:03:08.00]
11. Scythian Suite, for orchestra, Op. 20: Night; Andantino - Poco più mosso [0:07:02.00]
12. Scythian Suite, for orchestra, Op. 20: Lolly's Pursuit of the Evil God and the Sunrise: Tempestoso - Allegro (quasi doppio movimento)- And [0:05:43.00]
13. On the Dnieper (Sur le Borysthène), ballet, Op. 51: Prelude: Andante dolce (quasi andantino) [0:03:17.00]
14. On the Dnieper (Sur le Borysthène), ballet, Op. 51: Variation of the First Dancer: Allegro vivace e ben marcato [0:03:07.00]
15. On the Dnieper (Sur le Borysthène), ballet, Op. 51: The Betrothal: Andante [0:07:00.00]
16. On the Dnieper (Sur le Borysthène), ballet, Op. 51: The Quarrel: Allegro precipitato [0:02:36.00]
17. On the Dnieper (Sur le Borysthène), ballet, Op. 51: Scene: Moderato [0:04:26.00]
18. On the Dnieper (Sur le Borysthène), ballet, Op. 51: Epilogue: Andante amoroso [0:02:01.02]

Ukrainian State Symphony Orchestra
Theodore Kuchar, regente 

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segunda-feira, 22 de junho de 2026

Claudio Monteverdi (1567-1643) - Sacred Works



Claudio Monteverdi não aparece por aqui com tanta frequência. Todavia, o compositor italiano é uma das figuras mais importantes da música ocidental. Sua obra representa uma das mais profundas transformações já ocorridas na linguagem musical. A Renascença legou ao mundo a perfeição do contraponto e o equilíbrio das vozes; Monteverdi, por sua vez, abriu as portas para uma nova era, na qual a música passou a servir às emoções humanas com uma intensidade jamais vista. Nesse sentido, sua contribuição foi revolucionária, principalmente na ópera.

Nascido em 1567, na cidade de Cremona, Monteverdi viveu justamente no período em que o mundo artístico começava a abandonar os ideais renascentistas para abraçar uma visão mais dramática da existência. Sua carreira atravessou um momento de mudanças profundas: a ascensão das cortes principescas, o florescimento das artes cênicas e o surgimento de uma nova sensibilidade estética que culminaria no Barroco.

O grande mérito de Monteverdi foi compreender que a música poderia ser mais do que um exercício de perfeição técnica. Ela poderia expressar dor, amor, angústia, esperança e desespero. Em uma época em que muitos compositores ainda valorizavam sobretudo a complexidade das estruturas polifônicas, Monteverdi ousou colocar a palavra e o sentimento no centro da experiência musical.

O compositor inovou em várias áreas da música, sobretudo na música cantada. Sem ele, talvez, nomes como Bach, Mozart, Verdi e Mozart, teriam escrito suas obras de uma maneira completamente diversa. Nesse disco, fabuloso encontramos algumas de suas obras sacras. Trata-se de um verdadeiro perfeição. Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!

Claudio Monteverdi (1567-1643) - 

DISCO 01


01. Messa da cappella (1610) - I. Kyrie
02. Messa da cappella (1610) - II. Gloria
03. Messa da cappella (1610) - III. Credo
04. Messa da cappella (1610) - IV. Sanctus
05. Messa da cappella (1610) - V. Benedictus
06. Messa da cappella (1610) - VI. Agnus Dei
07. Laudate pueri Dominum (I)
08. Ut queant laxis
09. Messa da cappella (1640) - I. Kyrie
10. Messa da cappella (1640) - II. Gloria
11. Messa da cappella (1640) - III. Credo
12. Messa da cappella (1640) - IV. Sanctus
13. Messa da cappella (1640) - V. Benedictus
14. Messa da cappella (1640) - VI. Agnus Dei
15. Laudate pueri Dominum (III)

DISCO 02

01. Laudate pueri Dominum
02. Sancta Maria
03. Salve Regina
04. Salve, o Regina
05. Exulta filia Sion
06. Magnificat (6vv, 1610) - I. Magnificat
07. Magnificat (6vv, 1610) - II. Anima mea Dominum
08. Magnificat (6vv, 1610) - III. Et exultavit
09. Magnificat (6vv, 1610) - IV. Quia respexit humilitatem
10. Magnificat (6vv, 1610) - V. Quia fecit mihi magna
11. Magnificat (6vv, 1610) - VI. Et misericordia ejus
12. Magnificat (6vv, 1610) - VII. Fecit potentiam
13. Magnificat (6vv, 1610) - VIII. Deposuit potentes
14. Magnificat (6vv, 1610) - IX. Esurientis implevit bonis
15. Magnificat (6vv, 1610) - X. Suscepit Israel
16. Magnificat (6vv, 1610) - XI. Sicut locutus est
17. Magnificat (6vv, 1610) - XII. Gloria Patri
18. Magnificat (6vv, 1610) - XIII. Sicut erat in principio
19. Cantate Domino
20. Domine, ne in furore tuo
21. Adoramus te, Christe
22. Exultent caeli

The Choir of St John's College, Cambridge
The Monteverdi Choir
The Choir of the Carmelite Priory, London

Christopher Hogwood, regente
John Elior Gardiner, regente
George Guest, regente
George Malcolm, regente
Emma Kirkby, Judith Nelson, sopranos
Nigerl Rogers, tenor 

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domingo, 21 de junho de 2026

Wilhelm Friedemann Bach Edition - (CDs 5, 6, 7, 8 e 9 de 14)

Wilhelm Friedemann Bach nasceu em 1710 em Weimar, onde seu pai trabalhou durante quase uma década. Era o segundo filho do primeiro casamento de Johann Sebastian e, aparentemente, o mais «indomável» de todos os irmãos. Em 1717 a família mudou-se para Cöthen, e em 1723 para Leipzig. Foi nesta última cidade que recebeu grande parte da sua instrução. Já por sua conta, mudou-se em 1726 para uma outra pequena cidade da Saxónia, Merseburg, para estudar com J. Graun. Regressado a Leipzig, no ano seguinte, foi professor de C. Nichelmann, músico que se juntaria mais tarde a Graun, em Berlim. Em 1733 conseguiu um lugar de organista em Dresden, na igreja de Santa Sofia. Terá sido aí, já no início da década de 1740, que compôs a Sinfonia em Ré Menor F. 65. Era então prática corrente introduzir peças instrumentais a meio da celebração da missa. Seria este o caso, um andamento único que agrega um prelúdio e uma fuga onde se destacam duas flautas sobre as cordas e o baixo contínuo. O primeiro é solene e desenrola-se numa figuração melódica cuidadosamente trabalhada, ao passo que a Fuga se precipita num tempo rápido sobre o mesmo tema melódico que se escutou no Adagio precedente.

Em 1746 o músico mudou-se para Halle, onde assumiu o lugar de organista e diretor musical da igreja daquela cidade – já pertença da Prússia. Vinte anos depois abandonou o cargo, e deparamos-nos então com um hiato de quase uma década em que pouco se sabe acerca da sua biografia. Ter-se-á, eventualmente, apresentado como cravista em várias cortes europeias e como organista em concertos públicos. Em 1774 instalou-se em Berlim, por conta própria, em busca de novas oportunidade profissionais, apesar dos 64 anos de idade. Aí permaneceu na década seguinte, até ao final da vida. 

Texto completo aqui 

Wilhelm Friedemann Bach (1710-1784) - 

DISCO 05

01. Fantasia in A Minor, F. 23
02. Fantasia in C Major, F. 14
03. Fantasia in D Minor, F. 19
04. Fantasia in E Minor, F. 20
05. Fantasia in C Minor, F. 15
06. Fantasia in D Minor, F. 18
07. Fantasia in D Major, F. 17
08. Fantasia in E Minor, F. 21
09. Fantasia in C Minor, F. 16
10. Fugue in C Minor, F. 32
11. Fugue in F Major, F. 33

DISCO 06

01. Sonata in C Major, F. 200 I. Allegro
02. Sonata in C Major, F. 200 II. Andante
03. Sonata in C Major, F. 200 III. Presto
04. Sonata in F Major, F. 6a I. Poco allegro
05. Sonata in F Major, F. 6a II. Minuetto
06. Sonata in F Major, F. 6a III. Presto
07. Sonata in E Minor, F. 204 I. Allegro non tanto
08. Sonata in E Minor, F. 204 II. Siciliano
09. Sonata in E Minor, F. 204 III. Vivace
10. Sonata in C Major, F. 1a I. Allegro
11. Sonata in C Major, F. 1a II. Minuetto I - II
12. Sonata in C Major, F. 1a III. Vivace
13. Keyboard Sonata in D Major, F. 4 I. Allegretto
14. Keyboard Sonata in D Major, F. 4 II. Suave
15. Keyboard Sonata in D Major, F. 4 III. Vivace
16. Sonata in E-Flat Major, F. 201 I. Allegro
17. Sonata in E-Flat Major, F. 201 II. Andante
18. Sonata in E-Flat Major, F. 201 III. Vivace
19. Sonata in C Major, F. 2 I. Allegro
20. Sonata in C Major, F. 2 II. Grave
21. Sonata in C Major, F. 2 III. Presto

DISCO 07

01. Sonata in A Major, F. 8 I. Allegro
02. Sonata in A Major, F. 8 II. Largo con tenerezza
03. Sonata in A Major, F. 8 III. Allegro assai
04. Sonata in F Major, F. 202 I. Allegro
05. Sonata in F Major, F. 202 II. Siciliana
06. Sonata in F Major, F. 202 III. Presto
07. Keyboard Sonata in E-Flat Major, F. 5 I. Allegro non troppo
08. Keyboard Sonata in E-Flat Major, F. 5 II. Largo
09. Keyboard Sonata in E-Flat Major, F. 5 III. Presto
10. Keyboard Sonata in D Major, F. 3 I. Un poco allegro
11. Keyboard Sonata in D Major, F. 3 II. Adagio
12. Keyboard Sonata in D Major, F. 3 III. Vivace
13. Keyboard Sonata in G Major, F. 7 I. Andantino - Allegro di molto
14. Keyboard Sonata in G Major, F. 7 II. Lamento
15. Keyboard Sonata in G Major, F. 7 III. Presto
16. Sonata in B-Flat Major, F. 9 I. Un poco allegro
17. Sonata in B-Flat Major, F. 9 II. Grazioso
18. Sonata in B-Flat Major, F. 9 III. Allegro molto

DISCO 08

01. 12 Polonaises, F. 12 I. Polonaise in C Major
02. 12 Polonaises, F. 12 II. Polonaise in C Minor
03. 12 Polonaises, F. 12 III. Polonaise in D Major
04. 12 Polonaises, F. 12 IV. Polonaise in D Minor
05. 12 Polonaises, F. 12 V. Polonaise in E-Flat Major
06. 12 Polonaises, F. 12 VI. Polonaise in E-Flat Minor
07. 12 Polonaises, F. 12 VII. Polonaise in E Major
08. 12 Polonaises, F. 12 VIII. Polonaise in E Minor
09. 12 Polonaises, F. 12 IX. Polonaise in F Major
10. 12 Polonaises, F. 12 X. Polonaise in F Minor
11. 12 Polonaises, F. 12 XI. Polonaise in G Major
12. 12 Polonaises, F. 12 XII. Polonaise in G Minor
13. Concerto in G Major, F. 40 I. Allegro non troppo
14. Concerto in G Major, F. 40 II. Andante
15. Concerto in G Major, F. 40 III. Vivace

DISCO 09

01. Suite in G Minor, F. 24 I. Allemande
02. Suite in G Minor, F. 24 II. Courante
03. Suite in G Minor, F. 24 III. Sarabande
04. Suite in G Minor, F. 24 IV. Presto
05. Suite in G Minor, F. 24 V. Bourree
06. Suite in G Minor, F. 24 VI. Trio I - II
07. 8 Fugues sans pedale, F. 31 I. Fugue in C Major
08. 8 Fugues sans pedale, F. 31 II. Fugue in C Minor
09. 8 Fugues sans pedale, F. 31 III. Fugue in D Major
10. 8 Fugues sans pedale, F. 31 IV. Fugue in D Minor
11. 8 Fugues sans pedale, F. 31 V. Fugue in E-Flat Major
12. 8 Fugues sans pedale, F. 31 VI. Fugue in E Minor
13. 8 Fugues sans pedale, F. 31 VII. Fugue in B-Flat Major
14. 8 Fugues sans pedale, F. 31 VIII. Fugue in F Minor
15. Minuet in G Minor, F. 25
16. Presto in D Minor, F. 25a
17. La caccia in C Major, F. 26c
18. La reveille in C Major, F. 27
19. Gigue in G Major, F. 28
20. Prelude in C Minor, F. 29
21. March in E-Flat Major, F. 30
22. Polonaise & Trio in C Major, F. 13
23. Fantasia in G Major, F. 22

Rheinische Kantorei
Das Kleine Konzert
Hermann Max, diretor 

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sábado, 20 de junho de 2026

Johann Bernhard Bach (1676-1759) - Orchestral Suites

Por ocasião do 350º aniversário de Johann Bernhard Bach, celebrado em 23 de maio, volta-se a atenção para uma das figuras mais notáveis da maior dinastia musical da história do Ocidente. Embora seu nome permaneça menos conhecido do grande público, Johann Bernhard ocupava um lugar de destaque na estima de seu primo de segundo grau, Johann Sebastian Bach, que incluía regularmente suas suítes orquestrais nos concertos do Collegium Musicum de Leipzig. Foi, aliás, graças às cópias preservadas nos arquivos pessoais de Johann Sebastian que essas preciosas partituras sobreviveram ao tempo.

As obras de Johann Bernhard Bach representam um elo essencial na evolução da música orquestral europeia, estabelecendo uma ponte entre a tradição francesa do Grand Siècle e a forma da suíte orquestral que alcançaria sua plena maturidade nas mãos de Johann Sebastian. Nelas convivem refinamento cortesão, brilho instrumental e um apurado senso dramático que prenunciam os desenvolvimentos posteriores do gênero.

Para revelar toda a vitalidade teatral e a elegância cosmopolita dessas páginas, são necessários intérpretes dotados de rara sensibilidade estilística. As interpretações vibrantes de Thomas Hengelbrock cumprem essa tarefa de maneira exemplar, oferecendo uma homenagem brilhante — e há muito merecida — a um compositor pioneiro cuja contribuição ocupa um lugar fundamental na história da música barroca.

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Johann Bernhard Bach (1676-1759) - 

01. Overture-Suite No. 1 in G Minor: I. Ouverture (5:35)
02. Overture-Suite No. 1 in G Minor: II. Air (2:39)
03. Overture-Suite No. 1 in G Minor: III. Rondeau (2:25)
04. Overture-Suite No. 1 in G Minor: IV. Loure (2:13)
05. Overture-Suite No. 1 in G Minor: V. Fantaisie (4:20)
06. Overture-Suite No. 1 in G Minor: VI. Passepied (1:50)
07. Overture-Suite No. 2 in G Major: I. Ouverture (4:16)
08. Overture-Suite No. 2 in G Major: II. Gavotte en rondeau (1:59)
09. Overture-Suite No. 2 in G Major: III. Sarabande (1:12)
10. Overture-Suite No. 2 in G Major: IV. Bourrée. Gayement (0:58)
11. Overture-Suite No. 2 in G Major: V. Air. Grave (3:42)
12. Overture-Suite No. 2 in G Major: VI. Gigue (1:48)
13. Overture-Suite No. 3 in E Minor: I. Ouvertüre (0:54)
14. Overture-Suite No. 3 in E Minor: II. Air (4:41)
15. Overture-Suite No. 3 in E Minor: III. Les plaisirs. Vitement (1:51)
16. Overture-Suite No. 3 in E Minor: IV. Air (2:27)
17. Overture-Suite No. 3 in E Minor: V. Rigadon (1:06)
18. Overture-Suite No. 3 in E Minor: VI. Courante (2:01)
19. Overture-Suite No. 3 in E Minor: VII. Gavotte en rondeau (1:13)
20. Overture-Suite No. 4 in D Major: I. Ouverture (7:35)
21. Overture-Suite No. 4 in D Major: II. Caprice I. Vitement (5:08)
22. Overture-Suite No. 4 in D Major: III. Marche (1:14)
23. Overture-Suite No. 4 in D Major: IV. Passepied I (1:33)
24. Overture-Suite No. 4 in D Major: V. Passepied II (5:15)
25. Overture-Suite No. 4 in D Major: VI. Caprice II. Vitement (1:47)
26. Overture-Suite No. 4 in D Major: VII. Air. Lentement (7:21)
27. Overture-Suite No. 4 in D Major: VIII. La joye (4:15)
28. Overture-Suite No. 4 in D Major: IX. Caprice III (1:37)

Freiburger Barockorchester 

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sexta-feira, 19 de junho de 2026

Anton Bruckner (1824-1896) - Symphony No. 7 in E Major, WAB 107

Para Sir Simon Rattle, reger Bruckner constitui uma busca permanente por alguma “paisagem extraordinária, algum momento maravilhoso capaz de nos conduzir para além deste mundo”. Poucas obras confirmam tão plenamente essa visão quanto a Sétima Sinfonia, cuja célebre melodia inicial, segundo a tradição, teria sido revelada ao compositor em um sonho, tocada por um anjo.

Essa vasta cadeia montanhosa de sons, luminosa e monumental, ergue-se simultaneamente majestosa, reverente e inquietante. A Sétima Sinfonia representa um dos pontos culminantes da arte de Bruckner, uma obra em que a grandiosidade arquitetônica se alia a uma profunda espiritualidade, criando uma experiência sonora de rara intensidade.

A presente edição, preparada por Benjamin-Gunnar Cohrs, foi apresentada pela primeira vez pela London Symphony Orchestra sob a direção de Sir Simon Rattle em setembro de 2022. A gravação completa uma trilogia de álbuns dedicada às edições críticas de Cohrs das Sinfonias nº 4, nº 6 e nº 7 de Bruckner.

O trabalho editorial de Cohrs destaca-se por incorporar fragmentos descartados e materiais pouco conhecidos provenientes das sucessivas revisões realizadas pelo compositor. Ao recuperar essas passagens, oferece aos ouvintes uma perspectiva renovada sobre o processo criativo de Bruckner, revelando aspectos de seu pensamento musical que permaneceram ocultos por décadas.

Para os admiradores da obra bruckneriana, esta série de gravações constitui uma audição indispensável. Mais do que apresentar versões alternativas das sinfonias, ela abre uma rara janela para o laboratório criativo de um dos maiores sinfonistas da história, permitindo vislumbrar caminhos musicais que Bruckner imaginou, reconsiderou ou abandonou, mas que continuam a iluminar a extraordinária riqueza de seu universo sonoro.

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Anton Bruckner (1824-1896) - 

01. Symphony No. 7 in E Major, WAB 107 (Version 1881-83; Cohrs A07): I. Allegro moderato
02. Symphony No. 7 in E Major, WAB 107 (Version 1881-83; Cohrs A07): II. Adagio. Sehr feierlich und langsam – Moderato
03. Symphony No. 7 in E Major, WAB 107 (Version 1881-83; Cohrs A07): III. Scherzo. Sehr schnell – Trio. Etwas langsamer – Scherzo da capo
04. Symphony No. 7 in E Major, WAB 107 (Version 1881-83; Cohrs A07): IV. Finale. Bewegt, doch nicht schnell

London Symphony Orchestra
Sir Simon Rattle, regente

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quinta-feira, 18 de junho de 2026

Sergei Prokofiev (1891-1953) - Symphony No. 1 in D Major, Op. 25 - "Classical" e Symphony No. 5 in B-Flat Major, Op. 100

 

Sou um profundo admirador das sinfonias de Sergei Prokofiev. Gosto enormemente delas, principalmente da Quinta, que coloco entre as minhas sinfonias favoritas. Este disco apresenta duas sinfonias do compositor. A primeira delas é a "Clássica", escrita entre 1916 e 1917, em pleno contexto da Primeira Guerra Mundial e antes da Revolução Russa. O jovem Prokofiev tinha pouco mais de vinte anos e já desfrutava da reputação de enfant terrible da música russa. Em vez de seguir a tendência dominante de expandir a orquestra e aprofundar o romantismo tardio, decidiu olhar para trás.

O próprio compositor afirmou que imaginou como Joseph Haydn poderia escrever se estivesse vivo no século XX. O resultado é uma obra de proporções compactas, transparência orquestral exemplar e elegância formal admirável. No entanto, seria um equívoco considerá-la apenas uma homenagem ao classicismo. Sob a superfície refinada, encontram-se as marcas inconfundíveis de Prokofiev, principalmente com relação às modulações abruptas e o humor tão característico, tendendo à irreverência.

Já a Quinta, escrita em 1944, percebemos um compositor mais maduro, circunspecto, vivendo em um momento decisivo para o seu país. Após o retorno à União Soviética, experimentara anos difíceis. Os rigores do regime stalinista eram onipresentes. A Segunda Guerra estava em curso. 

O compositor descreveu a Quinta como um “hino ao homem livre e feliz, às suas forças poderosas, à sua alma nobre e pura”. Embora essa declaração esteja alinhada com o discurso oficial soviético, a música revela uma profundidade muito mais ampla e ambígua. A sinfonia não celebra apenas a vitória militar; ela parece contemplar a própria condição humana diante da destruição e da esperança. Sua força transcendia a própria dimensão do regime vigente. Era um hino à humanidade, à força luminosa e  incontida da expectativa por um tempo em que as grandes questões para o ser humano deveriam ser levadas em conta.

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!  

Sergei Prokofiev (1891-1953) -

01. Jascha Horenstein - Symphony No. 1 in D Major, Op. 25 _Classical__ I. Allegro
02. Jascha Horenstein - Symphony No. 1 in D Major, Op. 25 _Classical__ II. Larghetto
03. Jascha Horenstein - Symphony No. 1 in D Major, Op. 25 _Classical__ III. Gavotte. Non troppo allegro
04. Jascha Horenstein - Symphony No. 1 in D Major, Op. 25 _Classical__ IV. Finale. Molto vivace
05. Jascha Horenstein - Symphony No. 5 in B-Flat Major, Op. 100_ I. Andante
06. Jascha Horenstein - Symphony No. 5 in B-Flat Major, Op. 100_ II. Allegro marcato
07. Jascha Horenstein - Symphony No. 5 in B-Flat Major, Op. 100_ III. Adagio
08. Jascha Horenstein - Symphony No. 5 in B-Flat Major, Op. 100_ IV. Allegro giocoso

Colonne Concerts Orchestra
Jascha Horenstein, regente 

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quarta-feira, 17 de junho de 2026

Franz Schubert (1797-1827) - Works for piano Trio


As obras camerísticas de Schubert estão entre as mais bonitas já escritas na história da música. São primorosas. Delicadas. Possuem reflexões atordoantes e humanas. Schubert foi um gênio incontestável. Morreu muito jovem e, quando morreu, havia alcançado um . Mais jovem do que Mozart, Chopin e Mendelssohn. Todavia, escreveu obras geniais e com uma capacidade inegável de investigação da alma humana.

Além das espetaculares sinfonias, dos mais de 600 lieds e das inúmeras obras para piano, acredito que uma das suas páginas mais densas e profundas sejam as obras camerísticas.  Enquanto, por exemplo, Beethoven parecia desafiar estruturas, com intuições que apontavam para o futuro e realizava reflexões avassaladoras, Schubert incursionava por outros platôs. A geografia do compositor era a alma humana. Ou seja, a música de câmera do compositor austríaco é necessariamente introspectiva. Isso vai se tornando cada vez mais evidente à medida que os anos da sua morte se aproximam.

Neste disco maravilhoso que ora surge, parece o espetacular Trio No. 2, umas obras mais bonitas e sensíveis da história do ser humano. É uma das minhas obras favoritas da vida. Foi escrita em 1827. A obra revela um Schubert capaz de equilibrar lirismo, arquitetura formal e intensidade dramática em proporções extraordinárias. Seu movimento lento tornou-se amplamente conhecido após ser utilizado por Stanley Kubrick no filme Barry Lyndon (1975), mas sua força expressiva transcende qualquer associação cinematográfica. O filme de quase três horas de Kubrick, quando termina, deixa a música em nosso inconsciente. Ela fica assim por semanas. Foi dessa maneira que a conheci.

O que distingue Schubert dos demais mestres da música de câmara é sua capacidade de fazer a melodia carregar o peso da existência humana. Em suas obras, os temas parecem cantar continuamente, como se cada instrumento fosse uma voz humana compartilhando lembranças, sonhos e angústias. Mesmo nos momentos mais sombrios, há sempre uma centelha de esperança; mesmo nos mais luminosos, uma sombra de melancolia.

Essa dualidade talvez reflita a própria vida do compositor. Schubert escreveu grande parte de suas obras-primas enquanto enfrentava graves problemas de saúde e dificuldades financeiras. A consciência da fragilidade da existência impregna sua música, mas nunca a transforma em desespero absoluto. Ao contrário, ela se converte em compaixão, ternura e humanidade.

Não deixe de ouvir este maravilhoso disco. Uma boa apreciação!

Franz Schubert (1797-1827) - 

01. Trio for Piano, Violin and Cello No. 1 in B-Flat Major, Op. 99, D. 898 I. Allegro moderato
02. Trio for Piano, Violin and Cello No. 1 in B-Flat Major, Op. 99, D. 898 II. Andante un poco mosso
03. Trio for Piano, Violin and Cello No. 1 in B-Flat Major, Op. 99, D. 898 III. Scherzo
04. Trio for Piano, Violin and Cello No. 1 in B-Flat Major, Op. 99, D. 898 IV. Rondo
05. Piano Trio in B-Flat Major, D. 28
06. Trio for Piano, Violin and Cello No. 2 in B-Flat Major, Op. 100, D. 929 I. Allegro
07. Trio for Piano, Violin and Cello No. 2 in E-Flat Major, Op. 100, D. 929 II. Andante con moto
08. Trio for Piano, Violin and Cello No. 2 in E-Flat Major, Op. 100, D. 929 III. Scherzando. Allegro moderato - Trio
09. Trio for Piano, Violin and Cello No. 2 in E-Flat Major, Op. 100, D. 929 IV. Allegro moderato
10. Piano Trio in E-Flat Major, Op. 148, D. 897

Trio Rafale
Maki Wiederkehr, piano
Daniel Meller, violino
Flurin Cuonz, violoncelo 

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terça-feira, 16 de junho de 2026

Nikolay Myaskovsky (1881-1950) - Symphony No.24 in F minor Op.63 e Symphony No.25 in D flat major Op.69


Nikolay Myaskovsky é considerado o pai da sinfonia soviética. Escreveu quase trinta sinfonias ao longo da vida. Acompanhou de perto os principais eventos do seu país – desde as primeiras, anteriores à Revolução de 1917; àquelas escritas durante os difíceis anos de 1930, período de aperto da censura stalinista; ou aquelas outras, escritas no período da Segunda Grande Guerra e no pós-Guerra.

Suas sinfonias vão do experimentalismo aos temas característicos da história russa. Neste disco, por exemplo, encontramos dois trabalhos sinfônicos. São obras do período maduro de criação do compositor. A primeira delas – a de número 24 – foi escrita em 1943, no período nebuloso da Guerra. Foi escrita em homenagem ao musicólogo Vladimir Derzhanovsky, amigo próximo do compositor, a sinfonia carrega um sentimento de luto que jamais se converte em desespero absoluto. Além disso, é uma reflexão a respeito da desolação provocada pela Guerra.

E a outra Sinfonia é a de número 25; está entre aquelas de que mais gosto do compositor. O trabalho possui uma temática mais luminosa, mais esperançosa. Escrita em 1946 – e revisada em 1949 – o trabalho parece refletir a história, olhando para o que sobrou após a Guerra. É uma reflexão sobre os escombros. É uma tentativa de entender o que ficou para trás após a destruição provocada pelo desumano conflito.

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!  

Nikolay Myaskovsky (1881-1950) - 

01 - Symphony No.24 in F minor Op.63  Allegro deciso
02 - Symphony No.24 in F minor Op.63  Molto sostenuto
03 - Symphony No.24 in F minor Op.63  Allegro appassionato
04 - Symphony No.25 in D flat major Op.69  Adagio
05 - Symphony No.25 in D flat major Op.69  Moderato
06 - Symphony No.25 in D flat major Op.69  Allegro impetuoso

Moscow Philharmonic Orhestra
Dmitry Yablonsky, regente 

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Alfred Schnittke (1934-1998) - Three Sacred Hymns, Concerto for Choir

"Este novo álbum do Coro Filarmônico de Ecaterimburgo reúne duas das mais significativas criações sacras de Alfred Schnittke: os Três Hinos Sacros e o monumental Concerto para Coro, baseado em textos poéticos de Grigor Narekatsi, mais conhecido como São Gregório de Narek, uma das figuras centrais da espiritualidade armênia.

Andrei Petrenko, diretor artístico do conjunto, descreve o Concerto para Coro como uma obra singular no repertório coral contemporâneo: “Trata-se de uma extraordinária tapeçaria sonora que entrelaça camadas musicais de profunda densidade espiritual. A obra convida intérpretes e ouvintes a transcender os limites da existência terrena e a penetrar nos domínios sublimes revelados por Narekatsi e Schnittke. É uma encarnação da espiritualidade, portadora de uma infinidade de significados que somente podem ser plenamente apreendidos por meio de seu texto sagrado.”

Ao unir a intensidade mística da poesia de São Gregório de Narek à linguagem musical profundamente expressiva de Schnittke, o Concerto para Coro ergue-se como uma das realizações mais impressionantes da literatura coral do século XX. A obra transcende fronteiras confessionais e culturais, oferecendo uma experiência de contemplação e elevação espiritual em que música e palavra se fundem numa poderosa reflexão sobre a condição humana, a fé e a busca pelo transcendente".

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!  

Alfred Schnittke (1934-1998) -

01. Schnittke: Three Sacred Hymns: No. 1, The Lord's Prayer
02. Schnittke: Three Sacred Hymns: No. 2, Ave Maria
03. Schnittke: Three Sacred Hymns: No. 3, Lord Jesus
04. Schnittke: Concerto for Choir: I. Oh Thee the Sovereign of Everything Existing, Who Gives Us Precious Gifts
05. Schnittke: Concerto for Choir: II. Collected Songs, Where Every Verse Is Full of Grief
06. Schnittke: Concerto for Choir: III. For Those Who Will Deeply Go into the Meaning of the Mournful Words
07. Schnittke: Concerto for Choir: IV. This Work, Which I Began with Hope and Name of Thee

Yekaterinburg Philharmonic Choir
Andrei Petrenko, regente 

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segunda-feira, 15 de junho de 2026

Gustav Holst (1874-1934) - The Planets, Op. 32, H. 125 (Version for 2 Pianos) e Sir Edward Elgar (1857-1934) - Introduction & Allegro, Op. 47 e Salut d'amour, Op. 12

  

No início da década de 1910, Holst desenvolveu um profundo interesse pela astrologia, concepção que daria origem a uma de suas obras mais célebres: a suíte orquestral Os Planetas. Antes de assumir sua forma definitiva para grande orquestra, a obra foi inicialmente concebida ao piano. Holst trabalhou na partitura tanto no instrumento instalado em uma sala à prova de som recém-construída na ala de música da St Paul’s Girls’ School quanto no piano de sua residência em Thaxted.

A versão para dois pianos e quatro mãos foi elaborada por duas colegas do compositor na St Paul’s, Vally Lasker e Nora Day, que atuaram como suas assistentes musicais. A colaboração tornou-se necessária porque Holst sofria periodicamente de dolorosas crises de neurite na mão direita. Com o triunfo internacional da versão orquestral de Os Planetas, a partitura original para piano acabou sendo relegada a segundo plano, embora tenha sido publicada separadamente entre 1949 e 1951. Em 1979, Imogen Holst, filha do compositor, reuniu novamente a versão completa para dois pianos em um único volume. É justamente essa edição que Tessa Uys e Ben Schoeman interpretam neste álbum.

A fama de Edward Elgar atingiu tal dimensão que, no auge de sua carreira, diversos músicos de renome receberam encomendas de editoras para transcrever suas obras orquestrais para o piano. A tarefa estava longe de ser simples. As partituras de Elgar são notoriamente detalhadas, com indicações minuciosas sobre fraseado, dinâmica e articulação, muitas vezes especificando a intenção expressiva de cada compasso — e até mesmo de notas individuais.

Foi o compositor, maestro e arranjador Otto Singer II quem realizou a transcrição para piano a quatro mãos da Introduction and Allegro, composta por Elgar em 1905 originalmente para quarteto de cordas solista e orquestra de cordas. A habilidade de Singer torna-se evidente em soluções engenhosas, como a transformação dos acordes duplos característicos das cordas em amplas sonoridades pianísticas distribuídas pelo teclado. Sua versão preserva com admirável fidelidade a riqueza contrapontística e a evolução harmônica da obra, permitindo que a arquitetura musical de Elgar se revele de maneira clara e convincente mesmo fora de seu contexto orquestral original.

O resultado é um programa que não apenas destaca a excelência técnica e musical de Tessa Uys e Ben Schoeman, mas também lança nova luz sobre duas obras fundamentais do repertório britânico, revelando aspectos frequentemente obscurecidos pelas versões orquestrais mais conhecidas.

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

01. The Planets, Op. 32, H. 125 (Version for 2 Pianos): I. Mars, the Bringer of War
02. The Planets, Op. 32, H. 125 (Version for 2 Pianos): II. Venus, the Bringer of Peace
03. The Planets, Op. 32, H. 125 (Version for 2 Pianos): III. Mercury, the Winged Messenger
04. The Planets, Op. 32, H. 125 (Version for 2 Pianos): IV. Jupiter, the Bringer of Jollity
05. The Planets, Op. 32, H. 125 (Version for 2 Pianos): V. Saturn, the Bringer of Old Age
06. The Planets, Op. 32, H. 125 (Version for 2 Pianos): VI. Uranus, the Magician
07. The Planets, Op. 32, H. 125 (Version for 2 Pianos): VII. Neptune, the Mystic
08. Introduction & Allegro, Op. 47 (Arr. for Piano 4 Hands by Otto Singer II)
09. Salut d'amour, Op. 12

Ben Schoeman, piano
Tessa Uys, piano 

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Wolfgang Amadeus Mozart (1756-191) - Piano Concertos Nos. 9 & 22



Mozart escreveu quase trinta concertos para piano e orquestra. Alguns revelam a juventude entusiasmada do compositor; outros, a maturidade, o controle da forma, o equilíbrio, a perfeição. Neste disco, encontramos dois concertos que apresentam estas características. O primeiro, por exemplo, foi escrito em 1777, quando compositor possuía apenas 21 anos de idade. Com essa idade, Mozart já havia escrito obras grandiosas e imortais, todavia o Concerto Nº 9 ainda não possui a grandiosidade de outros concertos – principalmente, o que o austríaco passou a escrever a partir do Concerto Nº 17 (pelo menos no meu humilde ponto de vista).

O nome do Concerto - "Jeunehomme" – possivelmente se deva à homenagem que Mozart realizou à pianista francesa Victoire Jenamy (durante muito tempo identificada erroneamente como "Jeunehomme"), filha do célebre dançarino e coreógrafo Jean-Georges Noverre, amigo da família Mozart.

Já o Concerto Nº 22, uma das obras-primas para o instrumento, foi escrita em 1785. Nesse período, o compositor já desfrutava de um amplo prestígio nos salões vienenses. Nessa época, promovia seus próprios concertos públicos e precisava constantemente de novas obras para apresentar diante do exigente público da capital austríaca.

A motivação para escrever o K. 482 foi, portanto, dupla: atender à intensa demanda de suas apresentações e, ao mesmo tempo, consolidar sua posição como o principal virtuose de Viena. Nessa obra, encontra-se um dos momentos mais bonitos da escrita mozartiana – trata-se do segundo movimento – o “Andante”. Nota-se um drama, uma melancolia, com uma doce dicção romântica, algo que, mais tarde, Beethoven viria a emular em suas produções mais maduras.

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-191) - 

01 I. Allegro
02 II. Andantino
03 III. Rondeau. Presto
04 I. Allegro
05 II. Andante
06 III. Finale. Allegro

Bamberger Symphoniker
Manfred Honeck, regente
Jan Lisiecki, piano 

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