terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Anton Bruckner (1824-1896) - Symphony No. 8 in C minor


Após sucessivos fracassos e críticas desfavoráveis com Sinfonias anteriores, Bruckner havia conhecido o triunfo com a Sétima, obra aceita e acolhida desde a estréia, e tocada com enorme sucesso pelo amigo Hermann Levi, regente da temporada de concertos em Munique. Foi para ele que Bruckner enviou a recém-terminada Oitava (em sua primeira versão). Levi, sabendo da fragilidade emocional do amigo, não teve como dizer-lhe que a obra lhe era estranha e difícil; encarregou um amigo comum, Franz Schalk, de dar a Bruckner o aviso da recusa. 

Imediatamente a seguir, Bruckner pôs-se a re-escrever a obra, fazendo inúmeras alterações significativas, como o aumento da orquestração (madeiras a 3, ao invés de 2 cada), o encurtamento do final do primeiro movimento, que não mais terminaria estrondosamente, mas sim dissolvendo-se em pianissimo; mudança do tema da parte central do Scherzo; e cortes no Adagio e mais radicais no movimento final. Terminada a segunda versão em 1890, 3 anos depois da outra, temos um Bruckner deprimido e numa febre de remanejamentos — resolvera revisar também a Terceira e Primeira Sinfonias — que vai resultar na impossibilidade de terminar sua Nona e última Sinfonia.

Como Hermann Levi encontrava-se seriamente enfermo, encarregou seu discípulo, o então jovem maestro Feliz von Weingartner, de reger a obra. Mas este experimentou com relação à obra o mesmo estranhamento que seu mestre, achava tudo muito difícil para seus músicos em Mannheim, e dando desculpas ao pobre compositor, foi adiando a estréia. Até que Hans Richter, regente da série de assinaturas da Filarmônica de Viena, concordou em incluir a Oitava na programação.

A estreia em 1892 foi a consagração que Bruckner esperara por toda a vida. Ainda que alguns deixassem a sala ao fim de cada movimento — o que, para ele, era mais que comum —, o fim da apresentação veio encontrar Johannes Brahms, conhecido rival de Bruckner, aplaudindo de pé. O compositor Hugo Wolf, presente à estréia, escreveu que "esta Sinfonia é a criação de um gigante, que excede em dimensão espiritual, em fecundidade e grandeza [...]". De fato esta Oitava ultrapassa todas as obras sinfônicas escritas até então em sua imensidão. É colossal, titânica.

 

Anton Bruckner (1824-1896) - 

01 - I. Allegro moderato
02 - II. Scherzo. Allegro moderato
03 - III. Adagio. Feierlich langsam, doch nicht schleppend
04 - IV. Finale. Feierlich, nicht schnell

Version 1890 / Nowak Edition

Orchestre de la Suisse Romande
Marek Janowski, regente 

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