sábado, 14 de fevereiro de 2026

Carl Orff (1895-1982) - Carmina Burana

Quando, na narrativa da história da música do século XX, o conceito de progresso ganha uma importância exagerada, muitas obras acabam excluídas dos registros por não terem nada de novo a dizer. A constatação é do jornalista Alex Ross, no livro O resto é ruído. Para ele, essas peças, não raro, são justamente aquelas que conquistaram um público mais amplo – e, por conta disso, acabaram-se formando dois repertórios distintos no período: um intelectual e outro popular. Exemplo bem-acabado do último grupo é a cantata Carmina Burana, de Carl Orff, uma das mais executadas obras entre as escritas no século XX, dona de uma popularidade nem sempre perdoada pelo establishment musical do período.

Foi às vésperas de completar 40 anos que Carl Orff teve seu primeiro contato com uma edição dos anos 1870 de Carmina Burana, coletânea de poemas e textos dramáticos dos séculos XI e XII, a maior parte escrita por jovens clérigos que, com eles, satirizavam alguns preceitos ligados às doutrinas da Igreja Católica. Ajudado por Michel Hofmann, aluno de direito e estudioso do latim e do grego, o compositor selecionou 24 trechos do livro. A seleção contemplou temas dos mais variados, como a superficialidade da sorte e da riqueza, a natureza efêmera da vida, a primavera, os desejos sexuais, os riscos da bebida e do jogo, e assim por diante.

Inspirado por essas passagens, Orff resolveu escrever o que chamou de uma cantata cênica, para grande orquestra, coro, tenor, soprano e barítono solistas. Do ponto de vista musical, a base da obra é a investigação rítmica – o que, para alguns estudiosos, resulta do impacto provocado pela audição de Les noces, de Igor Stravinsky, com quem o compositor aprendera também lições de orquestração. Já o estilo de canto oscila entre passagens de enorme dificuldade técnica e outras que se assemelham à declamação. Os detratores de Orff, por sua vez, chamariam atenção – e alguns o fazem ainda hoje – para a falta de ousadia na construção harmônica da obra. 

Empolgado com a estreia da peça em Frankfurt, em junho de 1937, Orff escreveria a seu editor dizendo que todas as suas composições anteriores poderiam ser destruídas. “Minha obra completa começa apenas agora.” O entusiasmo era compreensível – Carmina Burana foi um sucesso de público e, desde então, seria interpretada regularmente mundo afora, celebrada por seu estilo direto e envolvente – e criticada, por essa mesma razão, por autores como o próprio Ross, que, anos antes de lançar O resto é ruído, escreveu no New York Times que o fato de a obra “ter aparecido em centenas de filmes e comerciais de televisão é prova de que ela não carrega nenhuma mensagem diabólica, ou melhor, de que não carrega mensagem alguma”.

Texto completo aqui 

Carl Orff (1895 - 1982) - Carmina Burana

01 - Carmina Burana_ I. O Fortuna
02 - Carmina Burana_ II. Fortune plango vulnera
03 - Carmina Burana_ III. Veris leta facies
04 - Carmina Burana_ IV. Omnia sol temperat
05 - Carmina Burana_ V. Ecce gratum
06 - Carmina Burana_ VI. Dance
07 - Carmina Burana_ VII. Floret silva nobilis
08 - Carmina Burana_ VIII. Chramer, gip die varwe mir
09 - Carmina Burana_ IX. Reie ‒ Swaz hie gat umbe ‒ Chume, chum geselle min
10 - Carmina Burana_ X. Were diu werlt alle min
11 - Carmina Burana_ XI. Estuans interius
12 - Carmina Burana_ XII. Olim lacus colueram
13 - Carmina Burana_ XIII. Ego sum abbas
14 - Carmina Burana_ XIV. In taberna quando sumus
15 - Carmina Burana_ XV. Amor volat undique
16 - Carmina Burana_ XVI. Dies, nox et omnia
17 - Carmina Burana_ XVII. Stetit puella
18 - Carmina Burana_ XVIII. Circa mea pectora
19 - Carmina Burana_ XIX. Si puer cum puellula
20 - Carmina Burana_ XX. Veni, veni, venias
21 - Carmina Burana_ XXI. In trutina
22 - Carmina Burana_ XXII. Tempus est iocundum
23 - Carmina Burana_ XXIII. Dulcissime
24 - Carmina Burana_ XXIV. Ave formosissima
25 - Carmina Burana_ XXV. O Fortuna

Münchner Philharmoniker
Alain Altinoglu, regente

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