terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Johannes Brahms (1833-1897) - Clarinet Quintet in B Minor, Op. 115 e Clarinet Sonata in E-Flat Major, Op. 120 No. 2

Tenho uma profunda admiração pela música de Johannes Brahms. Para mim, um dos maiores poetas da história. Neste disco, encontramos duas peças extraordinárias, escritas já no final de sua vida. Longe de denotarem uma ideia de cansaço, elas exalam delicadeza e uma sabedoria musical incomum. Trata-se de obras de alguém que aprendeu a conviver com o silêncio; com reflexões demoradas. Afirmo isso, pois dizem os historiadores que Brahms era um sujeito de poucos amigos, que gostava da solidão; que se recolhia e experimentava delicados silêncios.

O Opus 115 foi escrito em 1881, um período de maturidade do compositor. O clarinete se junta a um quarteto de cordas (dois violinos, uma viola e um violoncelo). Não há disputas. Existe um diálogo, um colóquio delicado de cada um dos instrumentos. Há momentos de uma funda densidade melancólica, de gestos sombrios; mas há outros momentos de profunda e enternecida ternura. É uma das obras mais belamente escritas pelo compositor. O clarinete parece nos falar, num gesto íntimo, de histórias antigas, de coisas que se foram, que se perderam nas curvas do tempo. É bonito de morrer.

Já a Sonata para clarinete e piano, o Opus 120, foi escrito pelo compositor em 1894, três anos antes da sua morte. É uma obra de maturidade, de síntese, de alguém que não precisa provar mais nada à vida. Aqui acontece um gesto de delicada intimidade, pois há o encontro – apenas – do clarinete e do piano. A sala é iluminada pela cumplicidade, pelo gesto sobranceiro de alguém que confessa segredos. Há finas camadas de humor, de uma leveza, de alguém que aprendeu a se entusiasmar com a presença. Brahms descreve a vida como uma conversa entre dois indivíduos que estão pouco preocupados com o tempo, com as exigências da agenda. A conversa é leve, despojada, sem preocupação. É uma crônica de como deveria ser o encontro de duas pessoas que se querem bem.

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Johannes Brahms (1833-1897) - 

01. Clarinet Quintet in B Minor, Op. 115 -  I. Allegro
02. Clarinet Quintet in B Minor, Op. 115 -  II. Adagio
03. Clarinet Quintet in B Minor, Op. 115 -  III. Andantino
04. Clarinet Quintet in B Minor, Op. 115 -  IV. Con moto
05. Clarinet Sonata in E-Flat Major, Op. 120 No. 2 -  I. Allegro amabile
06. Clarinet Sonata in E-Flat Major, Op. 120 No. 2 -  II. Allegro appassionato - Sostenuto
07. Clarinet Sonata in E-Flat Major, Op. 120 No. 2 -  III. Andante con moto - Allegro-più tranquillo

Lindsay String Quartet 

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