quinta-feira, 16 de julho de 2026

Johannes Brahms (1833-1897) - Symphony No. 2 in D Major, Op. 73, Symphony No. 3 in F Major, Op. 90 e Tragic Overture, Op. 81

É curioso que Brahms tenha levado quinze anos para escrever a sua monumental Primeira Sinfonia. Ele parecia saber que, após Beethoven, escrever uma sinfonia era um gesto por demasia excessivo. Demandava uma responsabilidade incomensurável. Por sua, a escrita da Segunda para a Terceira teve um intervalo de apenas seis anos. Olhando de fora parece um tempo excessivo, todavia, quando falamos de Brahms, é tempo curto. 

Brahms era um compositor meticuloso. Revisava. Analisava. Buscava profundidade. Sua música era absoluta. Procurava fugir das grandiloquências wagnerianas tão costumeiras em seu tempo. Ele olhava para trás e só enxergava a tradição de Bach, Haydn, Mozart e Beethoven. 

A sua Segunda Sinfonia é do ano de 1877. O trabalho nasceu após o triunfo da Primeira. rahms retirou-se para Pörtschach, às margens do lago Wörthersee, na Áustria, onde encontrou um ambiente de rara tranquilidade. O resultado foi uma obra frequentemente comparada à "Pastoral" de Beethoven, embora essa analogia diga apenas parte da verdade. Sim, a Segunda Sinfonia respira ar puro, montanhas e lagos. Mas seu lirismo nunca é ingênuo. Sob a superfície luminosa existe uma melancolia discreta, quase outonal, que impede qualquer leitura excessivamente otimista.

A Terceira é do ano de 1883. Ela é menos contemplativa do que a Segunda. É possível perceber uma camada de inquietação existencial abaixo de sua superfície. Seu discurso alterna momentos de ímpeto triunfal, com reflexões que espargem uma fragrância de resignação. 

A Abertura Trágica é do ano de 1880. Nesse mesmo período, vale lembrar que Brahms escreveu a festiva Abertura para um festival acadêmico.  A Abertura Trágica é bem diversa daquela obra. Trata-se de uma das obras orquestrais mais concentradas de Brahms. Em pouco mais de quinze minutos, o compositor constrói uma atmosfera de tensão permanente, baseada em ritmos incisivos, contrastes abruptos e uma escrita orquestral de extraordinária densidade.

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Johannes Brahms (1833-1897) - 

01 - Symphony No. 2 in D Major, Op. 73_ I. Allegro non troppo
02 - Symphony No. 2 in D Major, Op. 73_ II. Adagio non troppo
03 - Symphony No. 2 in D Major, Op. 73_ III. Allegretto grazioso. Quasi andantino - Presto ma non as
04 - Symphony No. 2 in D Major, Op. 73_ IV. Allegro con spirito
05 - Symphony No. 3 in F Major, Op. 90_ I. Allegro con brio
06 - Symphony No. 3 in F Major, Op. 90_ II. Andante
07 - Symphony No. 3 in F Major, Op. 90_ III. Poco allegretto
08 - Symphony No. 3 in F Major, Op. 90_ IV. Allegro - Un poco sostenuto
09 - Tragic Overture, Op. 81

Philharmonia Orchestra
Carlo Maria Giulini, regente 

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