quinta-feira, 2 de julho de 2026

Camille Saint-Säens (1835-1921) - Piano Concerto No. 2 in G Minor, Op. 22, R. 190 e Robert Schumann (1810-1856) - Piano Concerto in A Minor, Op. 54

 

Camille Saint-Säens foi um compositor com muitas habilidades. Aliás, não era unicamente um compositor. Era considerado um polímata, ou seja, adjetivo que se dá àquelas pessoas que possuem múltiplas habilidades. Saint-Säens, além de compositor, gostava de astronomia, filosofia e arqueologia. Chegou a escrever livros de crítica literária. Menino prodígio, aos dois anos, já estudava piano; aos dez, apresentou-se tocando Beethoven. Outra questão interessante é que o compositor viveu bastante.

Nasceu em 1835, ou seja, em uma época em que Mendelssohn e Chopin ainda estavam vivos. Conviveu com Liszt, que o denominava como o maior organista do mundo. Ele era um virtuose do instrumento. Sua produção é vasta e variada, pois, ao longo da prolífica carreira, pôde inovar e experimentar.

Um exemplo são os concertos para piano. O compositor escreveu cinco. O Concerto No. 2, escrito em 1868, é um dos mais famosos – senão o mais famoso. Composto em menos de três semanas para uma apresentação em Paris, na qual o próprio compositor seria o solista, o Concerto Nº 2 tornou-se uma das obras mais célebres do repertório pianístico justamente por desafiar convenções. Em vez de abrir com uma exposição orquestral grandiosa, Saint-Saëns inicia sozinho ao piano, numa introdução livre que lembra uma improvisação sobre um órgão barroco. Não por acaso, muitos ouvintes pensam imediatamente em Johann Sebastian Bach ao ouvir os primeiros compassos.

A abertura solene é contrastada pelo segundo movimento que exibe uma elegância cheia de espírito, ou seja, um aceno quase mozartiano. E o terceiro movimento é tomado por uma enxurrada de arpejos complexos. Há uma oscilação da gravidade, da solenidade, ao humor. É atribuída ao pianista e maestro Anton Rubinstein a seguinte frase: o Segundo Concerto de Saint-Säens “começa como Bach e termina como Offenbach”. Ou seja, a frase apesar de carregar o chiste, captura muito bem o espírito da obra.

Enquanto o Concerto de Saint-Säens é caudaloso, Schumann opta pelo diálogo poético entre o piano e a orquestra. Não há no Concerto apenas a preocupação com virtuosismo. Schumann procura retratar a planícies interiores do artista. Seu Concerto em Lá menor parece menos interessado em impressionar pela velocidade ou pela força do que em revelar emoções contraditórias: entusiasmo e melancolia, esperança e inquietação, serenidade e paixão.

Schumann iniciou a escrita do seu famoso Concerto para piano em 1841 e concluiu quatro anos mais tarde. Inicialmente, a ideia era escrever uma fantasia para piano e orquestra em homenagem à Clara Wieck, sua companheira. A peça acabou ganhando contornos mais amplos, tornando-se em um dos mais bonitos e importantes concertos para piano da história. Ele se destaca pelo lirismo, pela reflexão profunda, pela sensibilidade emocional e pela evocação de uma paisagem interior. Há uma cumplicidade orgânica entre piano e orquestra, o que o torna bem diferente de outros concertos para o instrumento, cuja preocupação era com a forma e com o virtuosismo.

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!

01 - Piano Concerto No. 2 in G Minor, Op. 22, R. 190_ I. Andante sostenuto
02 - Piano Concerto No. 2 in G Minor, Op. 22, R. 190_ II. Scherzando
03 - Piano Concerto No. 2 in G Minor, Op. 22, R. 190_ III. Presto
04 - Piano Concerto in A Minor, Op. 54_ I. Allegro affettuoso
05 - Piano Concerto in A Minor, Op. 54_ II. Intermezzo. Andantino
06 - Piano Concerto in A Minor, Op. 54_ III. Allegro vivace

London Philharmonic Orchestra
Bryden Thmson, regente
Israela Margalit, piano 

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