O compositor César Guerra-Peixe,
cuja família possuía ascendência portuguesa, nascido em Petrópolis, no Rio de Janeiro,
é um dos nomes mais importantes nomes da música brasileira do século XX.
Guerra-Peixe foi um compositor que se debruçou sobre a identidade brasileira. O
compositor mergulhou na história, nas danças, nas festas, nas tradições; na
história por trás de certos eventos.
Por exemplo, no período em que
esteve em Pernambuco, fez pesquisa de campo, viajando pelo interior do estado –
e por outras regiões do Nordeste – a fim de compreender as manifestações
musicais populares. Estudou os ritmos como o maracatu, o côco, o xangô e o frevo.
Sobre o frevo, descobriu que foi trazido para o Brasil por ciganos eslavos e
espanhóis, e não por negros africanos, como se intuía até aquele momento.
Neste disco, encontramos três de
suas principais composições. A primeira delas é “A Retirada da Laguna”, uma
suíte sinfônica, baseada no clássico literário de Visconde de Taunay, que narra
um dos episódios mais graves e trágicos da Guerra do Paraguai. O compositor
constrói uma obra programática; a música procura narrar uma história literal.
Guerra-Peixe se apropria da influência impressionismo de Debussy e Ravel para
estruturar cada movimento da obra. O trabalho com as cores orquestrais é
belíssimo. Há uma enorme preocupação em descrever a natureza e o clima. A obra
foi escrita em 1971.
Em seguida, encontramos o “Violin
Concertino”, escrito em 1972. O compositor era violinista de formação. Seu
domínio do instrumento era íntimo. Há obra é um casamento entre o erudito e o
popular. A maior influência nesta obra é a rabeca do Nordeste brasileiro. Guerra-Peixe
transpõe os modos melódicos (escalas nordestinas), os ritmos, as duplas cordas
e os timbres rústicos da rabeca para o violino de concerto europeu.
E, por
último, encontramos a suíte orquestral “Museu da Inconfidência”, cuja
preocupação é realizar uma visita sonora ao museu localizado em Ouro Preto, uma
das mais importantes cidades históricas do Brasil. O compositor é fortemente influenciado
pela música colonial mineira e, por consequência, pelo Barroco mineiro. A
atmosfera procura dialogar com a herança afro-brasileira e as tradições dos
reisados. É uma das obras mais admiradas e executadas do compositor. Ela
funciona como um mosaico de evocações – dos fantasmas do passado, do heroísmo,
da opressão, da religiosidade.
Não deixe de ouvir este importante disco. Uma boa apreciação!
César Guerra-Peixe (1914-1993) -
01 - A retirada da laguna_ I. Partida para os campos
02 - A retirada da laguna_ II. Pantanais
03 - A retirada da laguna_ III. Alegria em Nioaque
04 - A retirada da laguna_ IV. Laguna
05 - A retirada da laguna_ V. Uma noite calma
06 - A retirada da laguna_ VI. Incêndio, depois o temporal
07 - A retirada da laguna_ VII. Esperança no campo das cruzes
08 - A retirada da laguna_ VIII. A morte do guia Lopes
09 - A retirada da laguna_ IX. Regresso pacífico
10 - A retirada da laguna_ X. Canção à fraternidade universal
11 - Violin Concertino_ I. Allegro comodo
12 - Violin Concertino_ II. Andantino
13 - Violin Concertino_ III. Allegro un poco vivo
14 - Museu da inconfidência_ I. Entrada
15 - Museu da inconfidência_ II. Cadeira de arruar
16 - Museu da inconfidência_ III. Panteão dos inconfidentes
17 - Museu da inconfidência_ IV. Restos de um reinado negro
Goiás Philharmonic Orchestra
Neil Thomson, regente
Você pode comprar este disco na Amazon
*Para acessar o link, por favor, clicar na imagem.

Nenhum comentário:
Postar um comentário