quarta-feira, 2 de abril de 2025

Orlande de Lassus (1532-1594) - Penitential Psalms

Orlando de Lassus foi um importante compositor da Renascença. De tradição católica, Lassus foi um dos nomes mais importante desse período, ao lado de Victoria e Palestrina. Foi um dos mestres da polifonia. O período em que o compositor viveu foi protagonizado por grandes disputas políticas e religiosas. O Concílio de Trento (1545-1563) consolidou importantes mudanças na música sacra a fim de fazer frente ao movimento Protestante. Lassus lidou com muita desenvoltura com essas mudanças. O compositor assimilou as transformações sem perder a referência à sofisticação polifônica.

Um dos exemplos são os chamados Penitential Psalms (Salmos Pentenciais), que refletem sua sensibilidade religiosa e estética. Os chamados “salmos penitenciais” são obras voltadas para introspecção e para o arrependimento, ligados à tradição da Igreja Católica que enxerga na penitência, do ponto de vista teológico, uma forma de purificação espiritual.

No total são sete salmos penitenciais. Os Salmos escolhidos para a coleção são os de número 6, 32, 38, 51, 102, 130 e 143. Apesar de utilizar o modelo da música sacra tradicional, Lassus faz uso de certos recursos expansivos que, de certa forma, antecipam a música barroca. Assim, essas composições demonstram uma importância grandiosa, pois além da beleza, do aspecto sublime, constituem um ponto inflexivo na história da música.

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!   

Orlande de Lassus (1532-1594) -

DISCO 01


01. Penitential Psalm No.1 (14:10)
02. Penitential Psalm No.2 (19:02)
03. Penitential Psalm No.3 (27:24)
04. Laudate Psalms (11:13)

DISCO 02


01. Penitential Psalm No.4 (20:55)
02. Penitential Psalm No.5 (25:38)
03. Penitential Psalm No.6 (8:56)
04. Penitential Psalm No.7 (15:12)

Henry's Eight
Jonathan Brown, diretor

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terça-feira, 1 de abril de 2025

Claude Debussy (1862-1918) - Prélude à l'après-midi d'un faune, L. 86, Nocturnes, L. 98 e Images, L. 122

Já tive dificuldades em ouvir Debussy. Não gostava do sabor da sua música. Hoje, tenho uma admiração desmedida por suas composições. Ainda bem. Amadurecemos. Evoluímos. O universo é muito generoso com a gente. Se não fosse assim, perderíamos a oportunidade de perceber, de crescer, de atentar para fatos e fenômenos. Aprendi a gostar das paisagens, das imagens sinestésicas do compositor. Foi justamente por causa dessa característica, que o compositor revolucionou a linguagem harmônica do século XX.

Neste disco, encontramos três de suas obras orquestrais mais representativas. Faltou só “La Mer” para ficar completo. A primeira delas é “Prélude à l'après-midi d'un faune”, composta em 1894. A obra foi inspirada em poema homônimo de Stéphane Mallarmé. O que chama atenção é a atmosfera sensual e onírica que a obra procura retratar. A melodia conduzida pela flauta que abre a obra cria um cenário de languidez e mistério, enquanto a orquestração rica em cores vai criando as imagens sensuais do poema. Sua linguagem inovadora.

A segunda obra do disco é “Nocturnes”, escrita para orquestra e coro feminino. Cada movimento explora uma atmosfera diferente. É uma obra de grande beleza, de emblemática leveza; há uma riqueza nas texturas. O próprio compositor escreveu a respeito: “O título Noturnos deve ser entendido aqui em um sentido geral e, sobretudo, decorativo. Não se trata, portanto, da forma usual de um noturno, mas das várias impressões e efeitos especiais da luz que a palavra sugere. Nuages (“nuvens”) evoca o aspecto imutável do céu com o movimento lento e melancólico das nuvens, que se dissolvem em tons de cinza com leves toques de branco.  Fêtes (“festas”) trazem o ritmo vibrante, dançante da atmosfera, com lampejos súbitos de luz. Há também o episódio da procissão (uma visão deslumbrante, quimérica), que passa pela cena festiva e se mistura com ela. Mas o pano de fundo permanece sempre o mesmo: o festival com sua mistura de música e poeira luminosa participando do ritmo geral. Sirènes (“sereias”) nos mostra o mar com seus incontáveis ritmos e então, dentre as ondas prateadas pela luz da lua, ouve-se o canto misterioso das Sereias que riem e vão embora”. Os “Noturnos” são do ano de 1899.

A terceira obra do disco é “Images”, escrita entre os anos de 1905 e 1912. É uma obra cuja estrutura é bem audaciosa. Debussy procura explorar um universo sonoro com melodias escocesas (“Gigues”), com a exuberância das cores da música espanhola (“Iberia”) e a leveza primaveril (“Rondes de printemps”).

As três obras são demonstrações da genialidade do compositor. Elas foram responsáveis promover uma revolução na música do século XX. Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Claude Debussy (1862-1918) -

01 - Debussy_ Prélude à l'après-midi d'un faune, L. 86
02 - Debussy_ Nocturnes, L. 98_ I. Nuages
03 - Debussy_ Nocturnes, L. 98_ II. Fêtes
04 - Debussy_ Nocturnes, L. 98_ III. Sirènes
05 - Debussy_ Images, L. 122_ I. Gigues
06 - Debussy_ Images, L. 122_ II. Ibéria
07 - Debussy_ Images, L. 122_ III. Rondes de printemps

Royal Concertgebouw Orchestra
Bernard Haitink, regente
Mariss Jansons, regente

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