sábado, 24 de maio de 2025

Alessandro Scarlatti (1660-1725) - Cantatas & Chamber Music


Alessandro Scarlatti foi um dos mais importantes compositores do período barroco italiano, especialmente reconhecido por suas contribuições à ópera e à música sacra. Pai do também renomado compositor Domenico Scarlatti, Alessandro desempenhou papel central na transição estilística que caracterizou a virada do século XVII para o XVIII, estabelecendo modelos que influenciaram significativamente a música europeia. 

Scarlatti é considerado como um dos maiores desenvolvedores da ópera italiana, conforme já mencionado. Além das óperas, o compositor também compôs inúmeras cantatas de câmara - pequenas obras vocais com acompanhamento instrumental - nas quais demonstrou seu domínio do contraponto, do lirismo melódico e da ornamentação característica do barroco tardio. Sua música sacra, como oratórios e missas, revela profunda sensibilidade religiosa e refinamento estilístico, com uso frequente de coros e orquestrações elaboradas. É o que se pode observar neste disco de música bastante expressiva e bonita. 

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!

Alessandro Scarlatti (1660-1725) -

01. Bella dama di nome Santa - I. Introduzzione
02. Bella dama di nome Santa - II. Recitativo. ‘Tu sei quella, che al nome sembre...
03. Bella dama di nome Santa - III. Aria. ‘Dal nome tuo credei’
04. Bella dama di nome Santa - IV. Recitativo. ‘Fedeltade ne pur ottien ricetto’
05. Bella dama di nome Santa - V. Aria. ‘Il nome non vanta di santa colei’
06. Bella, s’io t’amo - I. Recitativo. ‘Bella, s’io t’amo il sai’
07. Bella, s’io t’amo - II. Aria. ‘Ardo e ver per te d’amore’
08. Bella, s’io t’amo - III. Recitativo. ‘T’amo si, t’amo o cara’
09. Bella, s’io t’amo - IV. Aria. ‘Quel vento che d’intorno’
10. Concerto IX in A minor - I. Allegro
11. Concerto IX in A minor - II. Largo
12. Concerto IX in A minor - III. Fuga
13. Concerto IX in A minor - IV. Largo
14. Concerto IX in A minor - V. Allegro
15. Quella pace gradita - I. [Sinfonia]
16. Quella pace gradita - II. Recitativo. ‘Quella pace gradita’
17. Quella pace gradita - III. Aria. ‘Crudel tiranno Amore’
18. Quella pace gradita - IV. Recitativo. ‘O voi selve beate’
19. Quella pace gradita - V. Aria. ‘Care selve soggiorni di quiete’
20. Quella pace gradita - VI. Recitativo. ‘Lungi, lungi da me tiranno Amore’
21. Quella pace gradita - VII. Aria. ‘Teco o mesta Tortorella’
22. Cantata pastorale - I. Recitativo accompagnato. ‘Non so qual piu m’ingombra’
23. Cantata pastorale - II. Aria. ‘Che sara! chi a me lo dice!’
24. Cantata pastorale - III. Recitativo. ‘E nato, alfin mi dice’
25. Cantata pastorale - IV. Aria Pastorale. ‘Nacque col Gran Messia’

Philadelphia Barque Orchestra
Tempesta di Mare

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sexta-feira, 23 de maio de 2025

Nikolay Myaskovsky (1881-1950) - Sétima Sinfonia em si menor, Op. 24 e Oitava Sinfonia em Lá maior, Op. 26 - vol. 4

Dando continuidade às sinfonias do compositor Nikolay Myaskovsky. Dessa vez, surgem as sinfonias de número 7 e 8. A Sinfonia no. 7, escrita em 1921, é uma das obras mais introspectivas e sombrias de Myaskovsky até então. Composta no pós-guerra civil russa, a sinfonia carrega uma atmosfera melancólica e meditativa, refletindo o estado emocional do compositor diante das enormes perdas humanas e culturais daquele período. A Sétima é uma obra voltada mais para o mundo interior do que para gestos heroicos ou grandiosos, marcando uma fase de retraimento e reflexão na trajetória de Myaskovsky.

A Sinfonia nº 8, concluída em 1925, apresenta um contraste marcante com sua predecessora. Se a Sétima é voltada para o trágico e o introspectivo, a Oitava é mais lírica, leve e até otimista em certos momentos. Essa mudança de tom reflete um Myaskovsky em busca de equilíbrio e estabilidade emocional e artística após os anos difíceis do pós-guerra.

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!

Nikolay Myaskovsky (1881-1950) -

(01) [Svetlanov - Russia SSO] Septieme Symphony(1922) in h-moll op.24- Andante sostenuto, calmo
(02) [Svetlanov - Russia SSO] Septieme Symphony(1922) in h-moll op.24- Andante
(03) [Svetlanov - Russia SSO] Huitieme Symphony(1925) in A-dur op.26- Andante
(04) [Svetlanov - Russia SSO] Huitieme Symphony(1925) in A-dur op.26- Allegro risoluto e con spirito
(05) [Svetlanov - Russia SSO] Huitieme Symphony(1925) in A-dur op.26- Adagio
(06) [Svetlanov - Russia SSO] Huitieme Symphony(1925) in A-dur op.26- Allegro da siso

The Russian State Symphony Orchestra

Yevgeny Svetlanov, regente 

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Anton Bruckner (1824-1896) - Symphony No. 7 in E Major, WAB 107

Das 9 Sinfonias de Bruckner, esta é a mais lírica, de atmosfera mais lúdica, sonhadora. É também a que mais aponta para o futuro, com toques que sugerem um "Art-Noveau musical", principalmente no movimento final (colorido este que posteriormente seria plenamente alcançado por Mahler, um admirador confesso do compositor).

Ela foi o primeiro sucesso genuíno de Bruckner, e ele se viu muito grato à plateia da estreia em Leipzig, que ficou até o fim da apresentação e o aplaudiu por 15 minutos. Antes, Bruckner estava acostumado a ver as pessoas deixando a sala de concertos aos punhados, a cada intervalo entre movimentos. A Sétima é o ápice da forma, nela ele está seguro como compositor — tanto que o problema de inúmeras versões, cheias de modificações, não existe aqui, a não ser pelo toque dos pratos no segundo movimento, do qual tratarei adiante. Aqui Bruckner conseguiu um equilíbrio estrutural que o aproxima de Haydn e da Sinfonia Clássica. Também soube expor cada tema com clareza e conquistando o ouvinte pela poesia melódica, sendo assim menos hermético que nas Sinfonias anteriores.  

Não deixe de ouvir. Daqui.

Anton Bruckner (1824-1896) -

01 - Symphony No. 7 in E Major, WAB 107 (1885 Version, Ed. L. Nowak)_ I. Allegro moderato (Live)
02 - Symphony No. 7 in E Major, WAB 107 (1885 Version, Ed. L. Nowak)_ II. Adagio. Sehr feierlich und sehr langsam (Live)
03 - Symphony No. 7 in E Major, WAB 107 (1885 Version, Ed. L. Nowak)_ III. Scherzo. Sehr schnell (Live)
04 - Symphony No. 7 in E Major, WAB 107 (1885 Version, Ed. L. Nowak)_ IV. Finale. Bewegt, doch nich schnell (Live)

Symphonieorchester des Bayerischen Rundfunks

Bernard Haitink, regente

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quinta-feira, 22 de maio de 2025

Edward Elgar (1857-1934) - Symphony No. 1 in A-Flat Major, Op. 55

A Sinfonia No. 1, de Edward Elgar, é, certamente, uma das obras mais importantes do compositor. Ela é um marco dentro da história da música inglesa. Sua importância pode ser compreendida pelo fato de que, ao longo da história, os compositores ingleses sempre ficaram - aparentemente - "à margem" da música que era feita na Alemanha, na Áustria ou na França. Escrita em 1907, a obra estreou em 1908. Sua primeira apresentação sob a batuta de Hans Richter, aconteceu na cidade de Manchester. Rapidamente, ela conseguiu reconhecimento internacional. Hoje, é considerada um dos grandes trabalhos sinfônicos do século XX. 

O primeiro movimento inicia de maneira, nobre, suave, solene. Elgar denomina "Andante. Nobilmente e semplice - Allegro". O tema inicial funciona como um ideal filosófico que perpassa toda a obra. O segundo movimento é intenso, vivo e carregado de energia. O terceiro movimento possui uma melodia singular, de delicada beleza. O quarto movimento retoma o tema inicial, mas de maneira triunfante e resolutiva. 

Elgar usa camadas de romantismo para estruturar a linguagem do trabalho; todavia, é possível notar elementos do século XX. É perceptível a influência de Brahms e Wagner, mundos completamente antagônicos, mas que se encontram com sotaque tipicamente britânico do compositor. 

Eu, particularmente, sou um grande admirador dessa Sinfonia. O tema que a inicia sempre me remete ao grandioso, ao elevado, ao majestático. Mas não se trata de nada fáustico, mas brando, singelo. O próprio compositor afirmava que não queria buscar retratar eventos externos ou descrever narrativas. Seu objetivo era, simplesmente, expressar "um ideal de espírito nobre e elevado". Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!

01. Symphony No. 1 in A-Flat Major, Op. 55: I. Andante - Nobilmente e semplice - Allegro (Live, Neubrandenburg, 2022)
02. Symphony No. 1 in A-Flat Major, Op. 55: II. Allegro molto (Live, Neubrandenburg, 2022)
03. Symphony No. 1 in A-Flat Major, Op. 55: III. Adagio (Live, Neubrandenburg, 2022)
04. Symphony No. 1 in A-Flat Major, Op. 55: IV. Lento - Allegro (Live, Neubrandenburg, 2022)

NDR Radiophilharmonie
Andrew Manze, regente

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quarta-feira, 21 de maio de 2025

Gustav Mahler (1860-1911) - Das Lied von der Erde

Das Lied von der Erde (A canção da terra) é um misto de sinfonia e oratório para contralto, tenor e orquestra dividido em seis movimentos. Uma das últimas composições de Mahler, foi terminada em 1908, três anos antes de sua morte.

A obra se baseia em A Flauta Chinesa, uma coleção de poemas chineses dos séculos VIII e IX traduzidos por Hans Bethge. Mahler alterou alguns dos poemas para refletirem a mensagem de que a vida é curta e a morte, poderosa e inevitável.

Segue uma transcrição do primeiro movimento, Brinde à Tristeza da Terra, uma celebração com vinho que busca dissipar dúvidas e medos – pelo menos temporariamente:

Brinde à Tristeza da Terra

O vinho já está brilhando na taça de ouro,
Mas não beba ainda, primeiro eu vou cantar
Uma canção para você!
A Canção das Dores
Deve soar rindo em sua alma.
Quando a tristeza se aproxima
Os jardins da alma jazem desolados,
A alegria e o canto fenecem e morrem.
Escura é a vida, é a morte
.

Com adaptações Daqui

Gustav Mahler (1860-1911) -

01. 1. Das Trinklied von Jammer der Erde (Allegro Pesante)
02. 2. Der Einsame im Herbst (Etwas schleichend. Ermüdet)
03. 3. Von der Jugend (Behaglich heiter)
04. 4. Von der Schönheit (Comodo. Dolcissimo)
05. 5. Der Trunkene im Frühling (Allegro)
06. 6. Der Abschied (Schwer)

Ensemble Musique Oblique
Philippe Herreweghe, regente
Birgit Remmert, alto
Hans Peter Blochwitz, tenor

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terça-feira, 20 de maio de 2025

Edvard Grieg (1843-1907) - Peer Gynt & Lyric Suite


A música de Peer Gynt foi composta originalmente como trilha incidental para a peça homônima escrita por Henrik Ibsen. A obra estreou em 1876. Grieg selecionou 26 peças para acompanhar o texto teatral, mas mais tarde extraiu duas suítes orquestrais (as Peer Gynt Suites n.º 1, Op. 46, de 1888, e n.º 2, Op. 55, de 1891) que se tornaram muito mais populares do que a música completa. São belíssimas. Alguns desses movimentos se tornaram bastante populares. Por exemplo, quem não conhece Morning Mood (Manhã), evocando o nascimento do sol em um cenário natural idílico?

Já A Lyric Suite é uma adaptação orquestral de quatro peças originalmente escritas por Grieg para piano, parte de seus Lyric Pieces – uma série de dez cadernos com miniaturas para piano solo, compostos ao longo de sua vida.  A versão orquestral foi realizada em colaboração com o compositor francês Anton Seidl, com base em peças do Livro V dos Lyric Pieces, Op. 54. A suíte orquestral, intitulada Lyric Suite, Op. 54 (não confundir com as versões para piano).  

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!

Edvard Grieg (1843-1907) -

01 Peer Gynt Suite No. 1, Op. 46 I. Morning Mood
02 Peer Gynt Suite No. 1, Op. 46 II. Death of Åse
03 Peer Gynt Suite No. 1, Op. 46 III. Anitra's Dance
04 Peer Gynt Suite No. 1, Op. 46 IV. In the Hall of the Mountain King
05 Peer Gynt Suite No. 2, Op. 55 I. The Abduction of the Bride and Ingrid's Lament
06 Peer Gynt Suite No. 2, Op. 55 II. Arabian Dance
07 Peer Gynt Suite No. 2, Op. 55 III. Peer Gynt's Homecoming
08 Peer Gynt Suite No. 2, Op. 55 IV. Solveig's Song
09 Lyric Suite, Op. 54 I. Shepherd Boy
10 Lyric Suite, Op. 54 II. Norwegian March
11 Lyric Suite, Op. 54 III. Notturno
12 Lyric Suite, Op. 54 IV. March of the Dwarfs

Grand Symphony Orchestra of All-Union National Radio Service and Central Television Networks
Gennady Rozhdestvensky, regente

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segunda-feira, 19 de maio de 2025

Joseph Martin Kraus (1756-1792) - Complete Chamber Music with Keyboard

Joseph Martin Kraus foi um compositor alemão. Todavia, fez o seu nome na Suécia. Foi chamado de “o Mozart sueco”. Sua obra combina influências alemãs, italianas e vienenses. Contemporâneo de Mozart e igualmente nascido em 1756 – morto em 1792, um ano após o compositor austríaco -, Kraus teve uma carreira notável na Suécia, onde atuou como Kapellmeister na corte do rei Gustavo III. Apesar de sua morte precoce, com apenas 36 anos, Kraus deixou um catálogo de obras refinadas, incluindo peças de câmara de grande originalidade. 

As obras de câmara de Kraus destacam-se pela inventividade harmônica, uso expressivo do cromatismo e senso dramático, características que revelam uma sensibilidade pré-romântica incomum entre seus contemporâneos. Ele também se mostrava atento à exploração tímbrica dos instrumentos, com texturas sofisticadas e dinâmicas contrastantes como se pode verificar neste excelente disco pelo selo Naxos. As obras evidenciam um aroma haydeniano e mozartiano, explicitando o quanto esses compositores influenciaram Kraus. A corte sueca ao contratá-lo, sabia dessas qualidades do compositor.

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!

Joseph Martin Kraus (1756-1792) -

DISCO 01


(01) [Kraus] Allegro in D-Dur, VB 163
(02) [Kraus] Sonate in d-moll, VB157 - I- Allegro
(03) [Kraus] Sonate in d-moll, VB157 - II- Andante-Allegro
(04) [Kraus] Sonate in C-Dur, VB160 - I- Moderato
(05) [Kraus] Sonate in C-Dur, VB160 - II- Adagio
(06) [Kraus] Sonate in C-Dur, VB160 - III- Scherzo- Un poco Allegro
(07) [Kraus] Sonate in Es-Dur, VB161 - I- Allegro moderato
(08) [Kraus] Sonate in Es-Dur, VB161 - II- Andantino con variazioni
(09) [Kraus] Sonate in Es-Dur, VB161 - III- Allegro ma non troppo presto

DISCO 02

(01) [Kraus] Sonate in C-Dur, VB162 - I- Largo-Allegro con spirito
(02) [Kraus] Sonate in C-Dur, VB162 - II- Adagio
(03) [Kraus] Sonate in C-Dur, VB162 - III- Allegretto
(04) [Kraus] Sonate in D-Dur, VB159 - I- Allegro
(05) [Kraus] Sonate in D-Dur, VB159 - II- Adagio
(06) [Kraus] Sonate in D-Dur, VB159 - III- Allegro
(07) [Kraus] Trio in D-Dur, VB171 - I- Allegro moderato
(08) [Kraus] Trio in D-Dur, VB171 - II- Largo ma poco con moto
(09) [Kraus] Trio in D-Dur, VB171 - III- Ghiribizzo- Allegro

Walter Schwede, violino
Jacques Després, piano e cravo
John Friesen, violoncelo

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domingo, 18 de maio de 2025

Johannes Brahms (1833-1897) - Complete Symphonies

As quatro sinfonias de Brahms foram escritas em um período de nove anos - entre 1876 e 1885. Ou seja, o compositor demorou, em média, dois anos para lançar cada uma delas. São verdadeiros patrimônios da potência humana. Expressam um dos momentos mais profundos do movimento romântico. Brahms era um sujeito pouco dado a expansões. Segue a tradição clássica e realiza um tributo à grandiosidade de Beethoven.

A Sinfonia No. 1 é do ano de 1876. Brahms sentia uma enorme insegurança em publicá-la, pois, depois do que Beethoven escrevera, seria difícil trazer uma sinfonia ao mundo. Após ouvi-la, o maestro Hans von Bülow, amigo do compositor, chamo-a de "a Décima de Beethoven", dada sua grandiosidade e estrutura monumental. Foi um sucesso imediato. Nesse mesmo período, Bruckner, outro genial sinfonista, estava procurando um lugar ao sol. Só começou a ter o reconhecimento que merecia a partir da Sétima. Brahms, por sua vez, só precisou de uma obter sucesso.

A Sinfonia No. 2 é do ano de 1877.  Ela é descrita como a mais lírica e com fortes ecos pastorais entre as quatro. Brahms escreveu enquanto se encontrava Pörtschach, na Áustria, local que inspirou o compositor com sua rara beleza natural. Ela diverge da Primeira por ser mais suave e ensolarada; evoca uma clima quase bucólico. O segundo movimento é um dos momentos mais bonitos da música ocidental.

A Sinfonia No.3 é do ano de 1883; ou seja, foi escrita seis anos após a Segunda. É a mais compacta das quatro. É relativamente curta e possui uma estrutura bastante coesa. O tema que a atravessa é nobre, mas repleta de tensões internas constantes, como é próprio da linguagem sinfônica do compositor. O terceiro movimento é de uma beleza única, habitado por uma melancolia grave, mas ao mesmo tempo serena. Quando a escreveu, o compositor já se encontrava com cinquenta anos e plenamente seguro e maduro.

A Sinfonia No. 4 é do ano de 1885. É considerada por muitos como a obra-prima sinfônica do compositor. Escrita em um tom austero e destilando grande nobreza, a Quarta possui um tom introspectivo e trágico. Entre as Quatro, é de que mais gosto. Enquanto a Segunda possui uma evocações luminosas, a Quarta é sombria, reflexiva, mas sem ser niilista. Tudo é conduzido com uma enorme solenidade. Seu quarto movimento é a exaltação da perfeição. Brahms demonstra pleno controle de sua arte; deixa explícito o quanto é gigante.

Não deixe de ouvir essa bela integral com John Eliot Gardiner, algo digno da música de Brahms. Uma boa apreciação!

Johannes Brahms (1833-1897) -

01 I. Un poco sostenuto – Allegro
02 II. Andante sostenuto
03 III. Un poco allegretto e grazioso
04 IV. Adagio – Più andante – Allegro non troppo, ma con brio – Più allegro
05 I. Allegro non troppo
06 II. Adagio non troppo
07 III. Allegretto grazioso (quasi andantino)
08 IV. Allegro con spirito
09 I. Allegro con brio
10 II. Andante
11 III. Poco allegretto
12 IV. Allegro
13 I. Allegro non troppo
14 II. Andante moderato
15 III. Allegro giocoso
16 IV. Allegro energico e passionato

Royal Concertgebouw Orchestra
John Eliot Gardiner, regente

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sábado, 17 de maio de 2025

Marin Marais (1656-1728) - Pièces inédites pour flûte

Do encarte do disco:

"Embora Marin Marais seja mais conhecido por suas obras para viola da gamba, ele também compôs para flauta; a redescoberta recente, por Michael Lynn, de manuscritos contendo peças para flauta e baixo contínuo, bem como duetos, chamou a atenção de François Lazarevitch e do conjunto Les Musiciens de Saint-Julien, que agora apresentam as primeiras gravações dessas obras. “Esse território virgem não se revelou para mim de imediato, e só o fez após uma exploração contínua que me tomou mais de um ano... O fascinante é que essas peças de Marais não se assemelham a nada conhecido no repertório da flauta; a flauta, nessa época, por volta de 1700, ainda era um instrumento muito recente.” Para acompanhar a flauta, François Lazarevitch contou com seus parceiros de longa data Éric Bellocq (alaúde) e Lucile Boulanger (viola da gamba), que também interpreta Les Voix humaines, uma das grandes obras-primas escritas para seu instrumento, dialogando com a versão já ouvida de Les Voix humaines composta para a flauta!"

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!

Marin Marais (1656-1728) - 

01. Pièce de viole, Livre 2, Suite No. 2 in D Minor: No. 40, La Polonoise
02. Suite in E Minor: I. Symphonie
03. Suite in E Minor: II. Courante
04. Suite in E Minor: III. Passepied
05. Suite in E Minor: IV. La gratieuse Sarabande
06. Suite in E Minor: V. Menuets
07. Suite in E Minor: VI. Rondeau
08. Suite in E Minor: VII. Gigue
09. Plainte in D Minor
10. Suite in G Major: I. Prélude
11. Suite in G Major: II. Allemande
12. Suite in G Major: III. Gavotte en rondeau
13. Suite in G Major: IV. Voix humaines
14. Suite in G Major: V. Musette de Monsieur Marais
15. Suite in G Major: VI. Sarabande
16. Suite in G Major: VII. Rondeau
17. Suite in G Major: VIII. Gigue
18. Pièce de viole, Livre 2, Suite No. 3 in D Major: No. 63, Les Voix humaines
19. LSuite in C Major: I. Prélude No. 81 (from Livre de viole No. 2)
20. Suite in C Major: II. Gavottes
21. Suite in C Major: III. Sarabande
22. Suite in C Major: IV. La Sautillante
23. Pièce de viole, Livre 3, Suite No. 7 in G Major: No. 107, La guitare
24. Pièce de viole, Livre 4, Suite d'un goût étranger: No. 73, Caprice ou sonate
25. Suite in G Minor: I. Sarabande
26. Suite in G Minor: II. Gavotte
27. Suite in G Minor: III. Menuets
28. Suite in G Minor: IV. Musette
29. Suite in G Minor: V. Gigue

Les Musiciens de Saint-Julien

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Gustav Mahler (1860-1911) - Symphony No. 2 in C Minor - "Ressurrection"

Certamente, a Sinfonia No. 2, de Mahler, denominada "Ressurreição", é um dos trabalhos sinfônicos mais importantes da história. Ela é um marco do repertório sinfônico tanto pelas questões estruturais quanto pela profunda e instigante abordagem religiosa e filosófica, algo bem característico dos trabalhos do compositor austríaco.  

Mahler começou a compor a sinfonia logo após concluir sua Primeira Sinfonia. Inicialmente, o primeiro movimento foi concebido como um poema sinfônico independente intitulado Totenfeier ("Cerimônia Fúnebre"), composto em 1888. No entanto, ele só voltou ao projeto completo da sinfonia em 1893, concluindo os movimentos subsequentes nos anos seguintes, e finalmente orquestrando toda a obra em 1894. A estreia completa da sinfonia ocorreu em 13 de dezembro de 1895, em Berlim, sob a regência do próprio Mahler.

A Sinfonia No. 2 lida com questões as quais são centrais na vida humana: a morte, o sentido da vida, a redenção e a esperança na vida após a morte, ou seja, temas que são caros à doutrina cristã. Mahler usa uma linguagem permeada de drama e beleza para abordar questões filosóficas de grande profundidade. A existência humana é atravessada por essas indagações. Todavia, Mahler aborda essas questões e não permite que os questionamentos filosóficos conduzam ao mero niilismo. No último movimento, observa-se o triunfo, "a ressurreição", como último motor de esperança que dilacera todos os grilhões de incerteza e acaba por fundar um sólido fundamento de luminoso. Não há algo mais cristão do que isso.

O texto principal do hino no final da sinfonia é baseado no poema "Die Auferstehung" (A Ressurreição), escrito por Friedrich Gottlieb Klopstock, um poeta luterano do século XVIII. Mahler conheceu esse poema durante o funeral do maestro e amigo Hans von Bülow, em 1894, e ficou profundamente comovido com sua mensagem de esperança e transcendência. Inspirado por esse momento, ele decidiu usar o poema como base para o desfecho da sinfonia, que até então estava sem uma conclusão clara. Entretanto, Mahler não utilizou o texto de Klopstock integralmente. Ele acrescentou versos próprios para adaptar o conteúdo à sua visão pessoal da vida, da morte e da redenção. Assim, o hino final mistura elementos cristãos com uma espiritualidade mais universal e existencial.

O texto cantado no final fala da ressurreição dos mortos, do julgamento final e da vida eterna — temas centrais da escatologia cristã. Mas Mahler transforma essas ideias em algo mais introspectivo, mais humano do que dogmático.

Os versos (em tradução livre) dizem:

"Você ressuscitará, sim, você ressuscitará, minha alma, após um breve descanso!"
"Aquele que te chamou te dará vida eterna."

E depois, nos versos de Mahler:

"O que você sofreu não foi em vão."
"Você nasceu para não morrer!"

Esse trecho final é grandioso, não só pelo impacto orquestral e coral, mas pelo sentido emocional e espiritual. Ele representa a vitória da alma sobre a morte - não apenas num sentido religioso tradicional, mas como uma metáfora da esperança humana frente à aniquilação.  

Não deixe de ouvir essa boa interpretação do selo Naxos. Uma boa apreciação!

Gustav Mahler (1860-1911) -

DISCO 01

01 - I. Allegro maestoso. Mit durchaus ernstem und feierlichem Ausdruck
02 - II. Andante moderato. Sehr gemächlich

DISCO 02

01 - III. In ruhig fließender Bewegung
02 - IV. Urlicht. Sehr feierlich, aber schlicht
03 - V. Im Tempo des Scherzos. Wild herausfahrend

Polish National Radio Symphony Orchestra (Katowice)
Cracow Radio & TV Choir

Antoni Wit, regente
Hanna Lisowska, soprano
Jadwiga Rappé, alto

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sexta-feira, 16 de maio de 2025

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) - Concerto para Piano nº 15 em Si bemol maior, K. 450, Concerto para Piano nº 16 em Ré maior, K. 451 e Concerto para Piano nº 17 em Sol maior, K. 453

 

Mozart é daqueles compositores que nos capturam pela beleza e pela simplicidade. Tudo o que fez soa com um imenso bom gosto. É algo para ouvir e ficar admirado a cada nova audição. Recordo que tinha um colega que, para ele, a única música de verdade era a de Bach. Ele tinha formação em música pela Universidade de Brasília. Na sua concepção, o único músico que atingiu a perfeição foi Bach. Ficávamos por longos minutos discutindo. Ele condenava tudo aquilo que não era Bach. Dizia que a música de Mozart e a música de Beethoven eram pobres; que estruturalmente não possuíam a complexidade da música de Bach. 

Não recordo o que dizia para ele, mas tentava mostrar o quanto ele estava equivocado. Não que eu questionasse a tese dele sobre a música de Bach. Concordava com todos os termos. Só não concordava com a posição de jogar fora radicalmente os outros compositores. Atualmente, não tenho contato com ele. Sigo admirando os três compositores; sendo sabedor que cada um contribuiu à sua maneira, criando aquilo que de mais bonito a humanidade foi capaz de conceber. 

Neste disco, seguem três bonitos concertos - os de número 15, 16 e 17. Os três foram compostos no ano de 1784, no período vienense do compositor. São obras que revelam um equilíbrio notável entre o virtuosismo pianístico, lirismo melódico e engenhosidade orquestral. Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) -

01 - I. Allegro
02 - II. Andante
03 - III. Rondo. Allegro di molto
04 - I. Allegro
05 - II. Andante
06 - III. Allegro
07 - I. Allegro
08 - II. Andante
09 - III. Allegretto. Presto

Mozarteumorchester Salzburg
Howard Griffiths, regente
Claire Huangci, piano

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quinta-feira, 15 de maio de 2025

Jean Sibelius (1865-1957) - Sinfonia nº 3 em Dó maior, op. 52 e Sinfonia nº 5 em Mi bemol maior, op. 82

Jean Sibelius foi o mais célebre compositor do seu país, a Finlândia. Sibelius escreveu obras que permanecem constantemente sendo visitadas. Entre esses trabalhos belos e extraordinários estão a Terceira e Quinta sinfonias. 

A 3ª Sinfonia, por exemplo, foi composta no ano de 1907. Sua escrita se deu logo após a tempestuosa e épica Segunda Sinfonia (1902) - sendo esta a de que mais gosto entre as sete que escreveu -, a 3ª representa uma guinada estética do compositor. Ao invés de seguir fielmente as influências do romantismo expansivo, bastante comum entre os compositores do seu tempo, Sibelius muda determinadas convenções. Um exemplo é o fato de a Terceira apresentar somente três movimentos. Do ponto de vista estrutural, ele é mais leve, mais suave; de orquestração bem enxuta e elegante. É justamente essa característica que a torna um trabalho singular.

A Quinta foi composta durante a Primeira Guerra Mundial. A Finlândia enfrentava uma turbilhão de eventos. Ela começou a ser escrita em 1915, mas passou por uma revisão em 1917, até ganhar a forma definitiva em 1919. Novamente, o compositor estrutura outra de suas sinfonias em três movimentos. Sibleius viveu em Ainola, sua casa de campo ficava próxima a um lago cercado por florestas, onde a natureza era parte fundamental de sua vida e música. Em seu diário, anotou em 1915:

“Hoje, às dez, vi dezesseis cisnes. Um dos maiores momentos da minha vida! Oh Deus, que beleza! Eles desapareceram em direção ao sol como uma flecha de prata... Isso deixou uma marca profunda em mim. [...] O canto dos cisnes é a ideia da Quinta Sinfonia.”

Essa visão transformou-se no célebre tema dos trompas no terceiro movimento — o tema dos cisnes — que evoca não só majestade e serenidade, mas também um sentimento de destino e eternidade. Trata-se de uma obra cujo senso de evocação da natureza é intenso e profundo. Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!

Jean Sibelius (1865-1957) -

01 - I. Allegro moderato
02 - II. Andantino con moto, quasi allegretto
03 - III. Moderato - Allegro ma non tanto
04 - I. Tempo molto moderato
05 - II. Andante mosso, quasi allegretto
06 - III. Allegro molto
07 - Pohjola's Daughter, Op. 49

Gothenburg Symphony Orchestra
Santtu-Marias Rouvali, regente

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quarta-feira, 14 de maio de 2025

Robert Schumann (1810-1856) - Symphony No. 4 in D Minor, Op. 120 e Jean Sibelius (1865-1957) - Symphony No. 1 in E Minor, Op. 39


Um baita disco; daqueles que geram contentamento pela substância que carrega. No caso, são duas sinfonias espetaculares - a Quarta, de Schumann; e a Primeira, de Sibelius. A primeira, do século XIX; a segunda, ainda do século XIX (1899/1900), mas já às portas do século XX. Sou um grande admirador dos trabalhos sinfônicos dos dois compositores. 

A Sinfonia No. 4 de Robert Schumann foi, originalmente, composta em 1841, durante um período de intensa criatividade sinfônica do compositor, logo após seu casamento com Clara Wieck. No entanto, a obra foi amplamente revisada e reapresentada em 1851, e é essa versão revisada que geralmente é executada atualmente - inclusive, a versão executada neste disco. Essa sinfonia apresenta uma inovação importante para a época: a integração dos quatro movimentos em um único arco contínuo, sem interrupções, o que a distingue no repertório romântico. 

Já a Sinfonia No. 1, de Sibelius, é um trabalho cuja beleza sempre gera admiração. Ela marca sua entrada no repertório sinfônico com uma obra já dotada de voz própria, ainda que sob a sombra de influências como Tchaikovsky e Borodin. Composta entre 1898 e 1899, e revisada em 1900, a obra foi escrita num momento decisivo para a Finlândia, que vivia sob domínio russo, e em que surgia um forte movimento nacionalista. Sibelius, profundamente envolvido com essa causa, construiu nessa obra uma identidade musical que, embora ainda em formação, já delineia o idioma sinfônico nórdico que ele consolidaria nas sinfonias seguintes.

Trata-se de um disco excelente. Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!

01 - Symphony No. 4 in D Minor, Op. 120 (1851 Version)_ I. Ziemlich langsam - Lebhaft (Live)
02 - Symphony No. 4 in D Minor, Op. 120 (1851 Version)_ II. Romanze. Ziemlich langsam (Live)
03 - Symphony No. 4 in D Minor, Op. 120 (1851 Version)_ III. Scherzo. Lebhaft (Live)
04 - Symphony No. 4 in D Minor, Op. 120 (1851 Version)_ IV. Langsam - Lebhaft (Live)
05 - Symphony No. 1 in E Minor, Op. 39_ I. Andante, ma non troppo - Allegro energico (Live)
06 - Symphony No. 1 in E Minor, Op. 39_ II. Andante ma non troppo lento (Live)
07 - Symphony No. 1 in E Minor, Op. 39_ III. Scherzo. Allegro (Live)
08 - Symphony No. 1 in E Minor, Op. 39_ IV. Finale. Andante (Live)

Sinfonieorchester des Südwestfunks
RadioSinfonieorchester Stuttgart des SWR

Eliahu Inbal, regente

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terça-feira, 13 de maio de 2025

Franz Xavier Mozart (1791-1844) - Piano Sonata in G Major, Op. 10, Fantasy on the Russian Song Tchem tebya ya ogortshila and a Krakowiak in A Major, FXWM VII:30, Variations on a Minuet from the First Finale of W.A. Mozart's Don Giovanni in F Major, Op. 2 etc


Franz Xaver Wolfgang Mozart foi o filho mais novo de Wolfgang Amadeus Mozart e Constanze Weber. Nascido em Viena poucos meses antes da morte de seu pai, Franz Xaver cresceu sob a sombra do legado monumental de W.A. Mozart. Desde cedo, sua mãe dedicou-se a preservar a memória do marido e incentivou o filho a seguir a carreira musical. Ele estudou com mestres renomados, como Johann Nepomuk Hummel, Antonio Salieri e Sigismund von Neukomm, desenvolvendo-se como pianista virtuoso, compositor e professor.
 
Apesar do talento, Franz Xaver passou grande parte de sua vida com um profundo senso de insegurança, provocado pelas inevitáveis comparações com o pai. O grande dilema de Franz Xaver é que não se nasce um mesmo Wolfgang Amadeus (pai) no mesmo planeta. Sua música possui uma mescla entre classicismo tardio e um romantismo. Percebe-se um aspecto refinado da influência do pai em seus trabalhos, mas há toques pessoais e uma delicada sensibilidade. Um exemplo é a bonita e elegante sonata para piano, escrita no ano de 1819. As outras obras do disco são variações, que notabilizaram o compositor. Destaque para o Op. 2, escrito quando o Franz Xaver possuía apenas 16 anos de idade. É perceptível o talento do compositor ao produzir uma obra a partir da famosa ópera do seu pai. Outra bonita variação é o Op. 20, do ano de 1824, de caráter bastante melancólico e contemplativo. Não deixe de ouvir esse bonito e agradável disco. Uma boa apreciação!

Franz Xavier Mozart (1791-1844) -

01. Mozart: Piano Sonata in G Major, Op. 10: I. Allegro moderato
02. Mozart: Piano Sonata in G Major, Op. 10: II. Largo
03. Mozart: Piano Sonata in G Major, Op. 10: III. Minuetto - Trio
04. Mozart: Piano Sonata in G Major, Op. 10: IV. Rondo. Allegretto
05. Mozart: Fantasy on the Russian Song Tchem tebya ya ogortshila and a Krakowiak in A Major, FXWM VII:30
06. Mozart: Variations on a Minuet from the First Finale of W.A. Mozart's Don Giovanni in F Major, Op. 2
07. Mozart: Variations on a Russian Theme in G Minor, Op. 20

Robert Markham, piano 

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segunda-feira, 12 de maio de 2025

Nikolay Myaskovsky (1881-1950) - Sinfonia nº 9 em mi menor, Op. 28 e Sinfonia nº 14 em dó maior, Op. 37 - vol. 3


Continuando a nossa saga myaskovskyana, vamos a mais uma postagem. Dessa vez, aparecem as sinfonias 9 e 14. A Nona Sinfonia foi escrita entre os anos de 1926 e 1927 e representa uma inflexão na sua jornada como compositor. Após o lirismo sombrio dos primeiras trabalhos sinfônicos, a Nona segue uma estrutura mais formal e equilibrada. Dividida em quatro movimentos, a obra mostra um claro retorno a estruturas tradicionais, com uma linguagem harmônica ainda complexa, mas menos dissonante do que em suas obras anteriores.

Já a Sinfonia de número 14 é do ano de 1933. Ele indica o ponto em que o Regime Soviético começava a pressionar os compositores por uma música mais "compreensível" e voltada ao público geral. Diferente das obras densas e melancólicas da década anterior, a 14ª Sinfonia é mais luminosa, pastoral e otimista. É um trabalho acessível, mas com profundidade emocional e estrutural. Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Nikolay Myaskovsky (1881-1950) -

(01) Symphony No. 9(1927) in e-moll op.28- Andante sostenuto
(02) Symphony No. 9(1927) in e-moll op.28- Presto
(03) Symphony No. 9(1927) in e-moll op.28- Lento molto
(04) Symphony No. 9(1927) in e-moll op.28- Allegro con grazia
(05) Symphony No. 14(1933) in C-dur op.37- Allegro giocoso
(06) Symphony No. 14(1933) in C-dur op.37- Andantino, quasi allegretto
(07) Symphony No. 14(1933) in C-dur op.37- Quasi presto
(08) Symphony No. 14(1933) in C-dur op.37- Andante sonstenuto
(09) Symphony No. 14(1933) in C-dur op.37- Allegro con fuoco

The Russian State Symphony Orchestra

Yevgeny Svetlanov, regente

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Franz Schubert (1797-1828) - Trio No. 2 en Mi Bémol Majeur, Op. 100, D. 929 e Quintette en la Majeur, Op. 114, D. 667 - "La Truite"


Já explicitei por aqui mais de uma vez o quanto a obra camerística de Schubert é preciosa para mim. Ele escreveu ao longo de sua curta vida, verdadeiras obras-primas do gênero. São obras que evidenciam a maturidade e o domínio da forma. Além disso, o compositor conseguia disseminar um virtuosismo, conciliando uma força emotiva e uma beleza incomum. Neste disco, encontramos duas dessas obras imortais. São duas das obras as quais mais admiro. Não gostei tanto da interpretação do Trio Chausson. Mas é importante conhecê-la. 

Postei há menos de um mês uma outra versão dessa obra. Escrita em 1827, apenas uma ano antes da morte prematura do compositor, é uma das mais importantes e monumentais obras de câmara do século XIX. Ela foi concebida em um período de grande maturidade criativa do compositor, sendo contemporânea do ciclo de canções Winterreise.   Há notícias de que Schumann e Brahms eram grandes admiradores dela.

Já a segunda obra do disco é o monumental Quinteto em Lá menor, Op. 100, popularmente conhecido como "A truta" (Die Forelle). É uma das obras mais encantadoras e originais de Franz Schubert. Composto em 1819, quando Schubert tinha apenas 22 anos, o quinteto recebeu esse apelido porque seu quarto movimento consiste em variações sobre o famoso lied de Schubert "Die Forelle", escrito dois anos antes. É uma obra cuja beleza revela inventividade do compositor, já que a formação para a obra é bastante incomum; ou seja, com piano, violino, viola, violoncelo e contrabaixo, uma formação bastante incomum. 

Não deixe ouvir. Uma boa apreciação!

Franz Schubert (1797-1828) - 

01 - Trio No. 2 en Mi Bémol Majeur, Op. 100, D. 929 _ I. Allegro Vivace
02 - Trio No. 2 en Mi Bémol Majeur, Op. 100, D. 929 _ II. Andante con Moto
03 - Trio No. 2 en Mi Bémol Majeur, Op. 100, D. 929 _ Scherzo_ III. Allegro Moderato
04 - Trio No. 2 en Mi Bémol Majeur, Op. 100, D. 929 _ IV. Allegro Moderato
05 - Quintette en la Majeur, Op. 114 _La Truite_, D. 667 _ I. Allegro Vivace
06 - Quintette en la Majeur, Op. 114 _La Truite_, D. 667 _ II. Andante
07 - Quintette en la Majeur, Op. 114 _La Truite_, D. 667 _ III. Scherzo
08 - Quintette en la Majeur, Op. 114 _La Truite_, D. 667 _ IV. Andantino
09 - Quintette en la Majeur, Op. 114 _La Truite_, D. 667 _ V. Allegro Giusto

Trio Chausson

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domingo, 11 de maio de 2025

Jazz - Herbie Hancock (1940 - ) - Speak Like A Child (1968)

"Speak Like A Child" foi lançado em 1968. As faixas carregam títulos e atmosferas que remetem à infância, à inocência, ao idealismo.  A música-título, "Speak Like a Child", sintetiza bem esse espírito, com sua melodia delicada e harmonias sofisticadas. O disco se posiciona entre o hard bop e os experimentalismos que consagrariam Hancock a partir dos anos 70. 

O álbum se destaca pela formação incomum: um sexteto que, além do piano de Hancock, inclui Ron Carter no baixo e Mickey Roker na bateria, além de um trio de sopros sem saxofone - Thad Jones no flugelhorn, Jerry Dodgion na flauta e Peter Phillips no trombone baixo. Essa combinação de timbres oferece uma sonoridade suave, quase onírica, que casa perfeitamente com o clima introspectivo das composições e com a intenção do disco.

Pode-se dizer que  "Speak Like A Child" é uma obra obra-prima discreta. Aponta para genialidade artística do músico, explorando novas possibilidades melódicas sem perder o lirismo e o senso de beleza que são próprios do seu estilo. Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!

01. Riot (Hancock) - 4:39
02. Speak Like a Child (Hancock) - 7:49
03. First Trip (Carter) - 6:03
04. Toys (Hancock) - 5:52
05. Goodbye to Childhood (Hancock) - 7:07
06. The Sorcerer (Hancock) - 5:37

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Maurice Ravael (1875-1937) - The Complete Solo Piano Works and Concertos

Maurice Ravel foi um dos principais representantes da música francesa do final do século XIX e da primeira metade do século XX. Associado ao impressionismo musical, assim como Claude Debussy, Ravel procurava fugir a esse rótulo e se autodefinia como classicista moderno. E, de fato, quando nos referimos à sua música, a primeira impressão que salta aos ouvidos é a clareza formal, a precisão técnica e a elegância de estilo. 

Ravel era um grande orquestrador. Era capaz de extrair cores e timbres inovadores da orquestra com sutileza e refinamento; seus dois concertos para piano (presentes nesta postagem) atestam isso. Seu domínio técnico era capaz de criar texturas sonoras de grande riqueza e detalhamento. Em sua música encontramos vários estilos como o jazz, o folclore e temas espanhóis. Para o piano, o compositor era indizível ao criar de texturas como, por exemplo, a na peça Miroirs ou Gaspard de la nuit, ambas de grande complexidade técnica e de profunda beleza poética. 

Nesta postagem, o jovem pianista sul coreano Seong-Jin Cho (de apenas 30 anos), coloca-nos diante desse monumento delicado e repleto de reflexos e mistérios diversos. A música de Ravel é habitada por  sinestesias. Ao ouvir as obras do compositor, a impressão que passamos a ter é de que estamos dentro de uma sonho repleto de paredes espelhadas. Ou seja, algo de alta concentração poética.

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!

01. Sérénade grotesque, M. 5
02. Menuet antique, M. 7
03. Pavane pour une infante défunte, M. 19
04. Jeux d'eau, M. 30
05. Sonatine, M. 40: I. Modéré
06. Sonatine, M. 40: II. Mouvement de menuet
07. Sonatine, M. 40: III. Animé
08. Miroirs, M. 43: I. Noctuelles
09. Miroirs, M. 43: II. Oiseaux tristes
10. Miroirs, M. 43: III. Une barque sur l'océan
11. Miroirs, M. 43: IV. Alborada del gracioso
12. Miroirs, M. 43: V. La vallée des cloches
13. Gaspard de la nuit, M. 55: I. Ondine
14. Gaspard de la nuit, M. 55: II. Le Gibet
15. Gaspard de la nuit, M. 55: III. Scarbo
16. Gaspard de la nuit, M. 55: Menuet sur le nom d'Haydn, M. 58
17. Valses nobles et sentimentales, M. 61: I. Modéré, très franc
18. Valses nobles et sentimentales, M. 61: II. Assez lent, avec une expression intense
19. Valses nobles et sentimentales, M. 61: III. Modéré
20. Valses nobles et sentimentales, M. 61: IV. Assez animé
21. Valses nobles et sentimentales, M. 61: V. Presque lent, dans un sentiment intime
22. Valses nobles et sentimentales, M. 61: VI. Vif
23. Valses nobles et sentimentales, M. 61: VII. Moins vif
24. Valses nobles et sentimentales, M. 61: VIII. Epilogue. Lent
25. Valses nobles et sentimentales, M. 61: Prélude in A Minor, M. 65
26. Valses nobles et sentimentales, M. 61: À la manière de Borodine, M. 63/1
27. Valses nobles et sentimentales, M. 61: À la manière de Chabrier, M. 63/2
28. Le tombeau de Couperin, M. 68: I. Prélude
29. Le tombeau de Couperin, M. 68: II. Fugue
30. Le tombeau de Couperin, M. 68: III. Forlane
31. Le tombeau de Couperin, M. 68: IV. Rigaudon
32. Le tombeau de Couperin, M. 68: V. Menuet
33. Le tombeau de Couperin, M. 68: VI. Toccata
34. Piano Concerto in G Major, M. 83: I. Allegramente
35. Piano Concerto in G Major, M. 83: II. Adagio assai
36. Piano Concerto in G Major, M. 83: III. Presto
37. Piano Concerto for the Left Hand in D Major, M. 82: I. Lento
38. Piano Concerto for the Left Hand in D Major, M. 82: II. Allegro
39. Piano Concerto for the Left Hand in D Major, M. 82: III. Tempo I
40. Jeux d'eau, M. 30 (Live Version) 

Boston Symphony Orchestra
Andris Nelsons, regência
Seong-Jin Cho, piano

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sábado, 10 de maio de 2025

Nikolay Myaskovsky (1881-1950) - Sinfonia nº 10 em fá menor, op. 30, Sinfonia nº 11 em si bemol menor, op. 34 e Sinfonia nº 19 em mi bemol maior, op. 46 - vol. 2

Vamos à segunda postagem com as sinfonias de Nikolay Myaskovsky, conhecido como "o pai da sinfonia soviética". Neste disco, aparecem três de suas sinfonias. A primeira delas é de número 10. Escrita em 1927, o trabalho ocorreu em meio a um momento de grande experimentação formal e estética na União Soviética pós-revolução. Quando da sua escrita, comemorava-se dez anos da Revolução de 17, todavia a obra não possui caráter panfletário; pelo contrário, ela apresenta uma reflexão dramática e pessoal.

A Sinfonia de número 11 foi escrita em 1931. Neste trabalho, a busca por uma linguagem mais formal, que atendesse aos interesses do regime fica evidente. O trabalho escrito quatro anos após a Sinfonia de número 10, possui uma linguagem mais acessível e bastante depurada. Há uma influência de temas populares e uma estrutura mais simples. 

A Sinfonia de número 19, também conhecida como "Sinfonia para banda sopros", possui um caráter eminentemente funcional e patriótico. Composta em 1938, esta obra singular foi encomendada pelo Exército Vermelho e escrita para banda de sopros, um gesto claro de adaptação à música de massas e à função de exaltação pública. O compositor alinha o trabalho com ideais do realismo socialista.

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!

Nikolay Myaskovsky (1881-1950) -

(01) Symphony No. 10(1927) in f-moll op.30- Un poco sostenuto
(02) Symphony No. 11(1932) in b-moll op.34- Lento
(03) Symphony No. 11(1932) in b-moll op.34- Andante
(04) Symphony No. 11(1932) in b-moll op.34- Precipitato
(05) Symphony No. 19(1939) in es-dur op.46- Maestoso
(06) Symphony No. 19(1939) in es-dur op.46- Moderato
(07) Symphony No. 19(1939) in es-dur op.46- Andante serioso
(08) Symphony No. 19(1939) in es-dur op.46- Poco maestoso

The Russian State Symphony Orchestra
Yevgeny Svetlanov, regente

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Alexander P. Borodin (1833-1887) - Symphony No. 1 in E flat, Symphony No. 2 in B minor e Polovtsian Dances (From _Prince Igor_)

 

Alexander Borodin foi um dos principais representantes do nacionalismo russo. Vale mencionar que ele fez parte do Grupo dos Cinco. Essa confraria era representado por outros músicos - Balakirev, Cui, Mussorgsky e Rinsky-Korsakov, além do próprio Borodin. Apesar de não possuir uma obra tão vasta, aquilo que escreveu possui uma qualidade ímpar. Borodin era químico de formação e se dividia entre a composição e os experimentos científicos. Neste disco, encontramos duas das sinfonias que ele escreveu.

A Sinfonia No. 1 foi escrita entre os anos de 1862 e 1867. A obra foi produzida sob a orientação de Balakirev. Ela se destaca pelo uso de temas folclóricos e pela orquestração robusta como era próprio dos nacionalistas russos. Nesta obra, o compositor procura consolidar uma linguagem musical nacionalista. Ele procura conciliar a forma clássica aos elementos próprios do conteúdo temático da música russa. 

Já a Sinfonia No. 2 foi escrita entre os anos de 1869 e 1876. Entre as sinfonias escritas por ele, a Segunda é a de que mais gosto. Ela é chamada, por vezes, como "Heroica" pela sua força, pelo seu caráter épico. Seu primeiro movimento é impetuoso, vigoroso e dramático. 

Já a Polovtsian Dances são do ano de 1875 e fazem parte da ópera Príncipe Igor. O compositor trabalhou na obra por mais de uma década e a deixou inacabada. Coube a Korsakov e a Glazunov finalizarem o trabalho. As Danças surgem no segundo ato da ópera, como parte de uma cena na qual os cativos russos assistem à apresentação de dançarinas polovetsianas, um povo nômade das estepes da Ásia Central. A música possui um sabor exótico e vibrante, com orquestração colorida e com forte sabor oriental. Um baita disco para conhecer algumas das obras do compositor. Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!

Alexander P. Borodin (1833-1887) -

01 - Symphony No. 1 in E flat - 1. Adagio - Allegro
02 - Symphony No. 1 in E flat - 2. Scherzo (Prestissimo) - Trio (Allegro)
03 - Symphony No. 1 in E flat - 3. Andante
04 - Symphony No. 1 in E flat - 4. Allegro molto vivace
05 - Symphony No. 2 in B minor - 1. Allegro
06 - Symphony No. 2 in B minor - 2. Scherzo (Prestissimo -
07 - Symphony No. 2 in B minor - 3. Andante
08 - Symphony No. 2 in B minor - 4. Finale (Allegro)
09 - Polovtsian Dances (From _Prince Igor_)

Rotterdam Philharmonic Orchestra
Valéry Gergiev, regente
Philharmonia Orchestra
The London Opera Chorus

Vladimir Ashkenazy, regente

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sexta-feira, 9 de maio de 2025

Jazz - Hank Mobley (1930-1986) - No Room For Squares (1964)

Lançado, em 1964, pelo selo Blue Note, No Room for Squares é um dos álbuns mais expressivos do saxofonista tenor Hank Mobley, figura fundamental do hard bop nos anos 1950 e 1960. Gravado em duas sessões distintas nos dias 7 de março e 2 de outubro de 1963, o disco reúne uma formação de músicos renomados, incluindo Lee Morgan (trompete), Andrew Hill e Herbie Hancock (piano), John Ore e Butch Warren (baixo), e Philly Joe Jones (bateria). 

O disco se destaca pelo equilíbrio entre sofisticação harmônica e o swing contagiante, um das características que notabilizaram Mobley. Hancock ao piano confere um certo ar moderno ao disco; já a presença de Lee Morgan adiciona uma energia explosiva ao trompete. O disco é importante por capturar o momento de transição do jazz, ou seja, o período em que haveria uma maior complexidade, principalmente a partir da segunda metade da década de 60. 

Destaque para as faixas "No Room For Squares" e "Me 'n You", que revelam maestria de Mobley em criar temas melódicos que se desdobram em solos fluentes e líricos. Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!

01. Three Way Split (Mobley)
02. Carolyn (Morgan)
03. Up a Step (Mobley)
04. No Room for Squares (Mobley)
05. Me 'n You (Morgan)
06. Old World, New Imports (Mobley) 

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Joaquín Rodrigo (1901-1999) - Concierto de Aranjuez e Fantasía para un Gentilhombre e Manuel de Falla (1876-1946) - El sombrero de tres picos - Part 2

Joaquin Rodrigo foi um dos compositores espanhóis mais importantes do século XX. Cego desde os três anos de idade, o compositor se notabilizou pela beleza de suas obras, pelo domínio da orquestração e o trabalho sublime com a tradição e com o folclore espanhol. Neste disco, encontramos duas de suas obras principais. 

O Concerto de Aranjuez foi escrito em 1939; é, sem sombras de dúvida, sua obra mais famosas; e uma das peças para violão e orquestra mais populares do repertório clássico. Foi escrito em uma época de grande instabilidade política e social no país, já que se vivia o contexto da Guerra Civil Espanhola. A inspiração veio dos jardins do Palácio Real de Aranjuez. Rodrgo utiliza harmonias claras, melodias cantáveis e uma orquestração precisa que respeita a delicadeza do violão. 

Já a Fantasia para un Gentilhombre foi escrita em 1954 e dedicada ao violonista Andrés Segovia. Rodrigo baseou a peça em danças e temas do compositor barroco espanhol Gaspar Sanz (século XVII), cujas obras para violão haviam sido redescobertas no século XX. A obra é um exemplo claro do neoclassicismo de Rodrigo: ela revisita formas e estilos antigos com uma linguagem moderna e refinada. Ainda aparece neste excelente disco fragmentos do "El sombrero de tres picos", de Manuel de Falla.

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!

Joaquín Rodrigo (1901-1999)
Concierto de Aranjuez

01. 1. Allegro con spirito
02. 2. Adagio
03. 3. Allegro gentile

Manuel de Falla (1876-1946) -
El sombrero de tres picos - Part 2

04. Dance of the Neighbours
05. The miller's dance
06. Final dance

Joaquín Rodrigo
Fantasía para un Gentilhombre
07. 1. Villano y Ricercare (Adagietto - Andante moderato)
08. 2. Españoleta y Fanfare de la Caballería de Nápoles (Adagio - Allegretto molto ritmico)
09. 3. Danza de las hachas (Allegro con brio)
10. 4. Canario (Allegro ma non troppo)

Orchestre Symphonique de Montréal

Charles Dutoit, regente
Carlos Bonell, guitarra

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quinta-feira, 8 de maio de 2025

Frédéric Chopin (1810-1849) - Piano Concerto No.1 in E minor, Op.11 e Piano Concerto No.2 in F minor, Op.21

Não há questionamentos quanto à relevância e à beleza dos dois concertos para piano escritos por Chopin. São obras que fazem parte do repertório pianístico. Chopin escreveu as duas obras ainda muito jovem; ou seja, quando tinha entre 19 e 20 anos de idade. Foram escritas nos anos de 1829 e 1830.  O que é curioso é que os dois concertos são centrados no piano. A orquestra embora presente, exerce um papel secundário. Durante certo tempo, por causa dessa característica, houve críticas à orquestração. Havia quem dissesse que a obra padecia de certa fragilidade na orquestração. Hoje, sabe-se que a intenção do compositor era justamente isso que se testemunha: valorizar o lirismo e o brilho do piano. Isso é incontestável em todos os momentos das duas obras. 

Os dois concertos seguem um esquema: o primeiro movimento se mostra de forma heroica, prevalecendo o aspecto virtuosístico. O segundo movimento é lento e introspectivo, revelando uma reflexão belíssima. O terceiro é animado e dançante. Chopin evita os gestos orquestrais dramáticos como, por exemplo, Liszt e Beethoven o fazem. Prefere a ornamentação melódica e o refinamento. 

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!

Frédéric Chopin (1810-1849) -

Piano Concerto No.1 in E minor, Op.11
01. I. Allegro maestoso
02. II. Romanze: Larghetto
03. III. Rondo: Vivace

Piano Concerto No.2 in F minor, Op.21
04. I. Maestoso
05. II. Larghetto
06. III. Allegro vivace

Warsaw Philharmonic Orchestra
Yundi, piano e regência

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quarta-feira, 7 de maio de 2025

Lepo Sumera (1950-2000) - Symphony No. 1 e Symphony No. 6

Lepo Sumera foi um compositor estoniano. É uma figura central da música do seu país. Escreveu ao todo seis sinfonias.  Neste disco, temos as de número 1 e 6. A Sinfonia No. 1 é do ano de 1981. A obra foi escrita no período criativo do compositor. Possui uma atmosfera introspectiva, mas cheia de texturas orquestrais. É perceptível uma aproximação com a linguagem de Arvo Pärt e Alfred Schnittke. A obra procura ser uma reflexão do individualismo em meio à opressão coletiva. Possui toque sombrio, mas não desesperançado.

Já a Sinfonia No. 6 foi composta em 2000, ou seja, o ano da morte do compositor. A obra não foi concluída com revisão final do compositor. O uso do silêncio e da suspensão da harmonia adquire uma função quase mística. É considerada uma obra de grande espiritualidade e de aceitação da finitude. Por isso, é considerada como um tipo de testamento do compositor.

Desse modo, os dois trabalhos são quase que antitéticas. A Primeira é inquisitiva; a Sexta, resignada e com um forte sabor metafísico. 

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!

Lepo Sumera (1950-2000) -

01. Sumera: Symphony No. 1 (1981): 1st movement
02. Sumera: Symphony No. 1 (1981): 2nd movement
03. Sumera: Symphony No. 6 (2000): I. Andante furioso
04. Sumera: Symphony No. 6 (2000): II. Andante

Estonian National Symphony Orchestra
Olari Elts, regente

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terça-feira, 6 de maio de 2025

Franz Schubert (1797-1828) - Symphony No. 8 (7) In B Minor, D 759 "Unfinished" e Symphony No. 9 (8) In C Major, D 944 "The Great"


Fico pensando quais seriam as produções de Schubert, ou seja, as características que a música do compositor teria, caso tivesse vivido, por exemplo, cinquenta anos. Schubert foi um dos compositores que menos tiveram uma vida longeva. Pelo que sei, lembro apenas o caso de Pergolesi, que morreu aos 26 anos de idade; e Lequeu, que morreu com 24 anos de idade. A grande questão é que Schubert foi um gênio, daqueles que entusiasmam pela fecunda produção que concebeu.

Gosto de tudo o que ele fez. Suas sinfonias são verdadeiras joias. Elas constituem uma espécie de ponte entre o classicismo e o romantismo. Neste disco imperdível, encontramos dois dos trabalhos sinfônicos mais significativos do compositor. A primeira delas e a Sinfonia No. 8, também chamada de "Inacabada". Foi intermédio dela que eu entrei para o mundo da chamada música erudita. Lembro que foi a primeira obra que escutei de forma consciente e intencional. Mexeu comigo de tal maneira que nunca mais consegui parar de me encantar com esse gênero de música. 

Não deixe de ouvir este disco imperdível. Uma boa apreciação!

Franz Schubert (1797-1828) -

Symphony No. 8 (7) In B Minor, D 759 "Unfinished"

01. I. Allegro Moderato
02. II. Andante Con Moto

Symphony No. 9 (8) In C Major, D 944 "The Great"

03. I. Andante - Allegro Ma Non Troppo
04. II. Andante Con Moto
05. III. Scherzo: Allegro Vivace - Trio
06. IV. Finale: Allegro Vivace

Cleveland Orchestra

George Szell, regente

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segunda-feira, 5 de maio de 2025

Sergei Prokofiev (1891-1953) - String Quartet No. 1 in B Minor, op. 50, String Quartet No. 2 in F Major, op. 92 e Visions Fugitives, op. 22


Prokofiev É uma das figuras mais importantes da história da música russa. O compositor era dono de um estilo muito singular que unificava neoclassicismo, modernismo e nacionalismo russo. Com essas características, o compositor criou uma linguagem muito particular. Neste disco imperdível, há três de suas peças.

A primeira delas é o Quarteto No. 1, escrito em 1930. Nesse período, o compositor vivia no Ocidente, mais especificamente em Paris. Reflete uma linguagem moderna. Destaque para o quarto movimento que termina de forma mais introspectiva, diferente do padrão para um quarteto de cordas. O quarto movimento é costumeiramente mais enérgico. O trabalho revela a influência de um padrão romântico, usando o rigor estrutural de Brahms e Beethoven. Todavia, nota-se já o surgimento de uma linguagem prokofieviana. 

Já o Quarteto No. 2 foi composto em 1941. É o período de retorno do compositor à União Soviética. As autoridades soviéticas solicitaram a composição da obra. A grande nação encontrava-se imersa na Segunda Guerra. Eram dias difíceis. Demonstra um certo nível de engajamento do compositor com temas nacionalistas e populares. É uma obra de mais fácil assimilação, marcada por cores vivas e ritmos marcantes. Ou seja, uma expressão do compositor voltado para o contato com o público soviético.

A terceira obra do disco é "Visions Fugitives", obra cuja composição se deu entre 1915 e 1917. Trata-se do período de efervescência revolucionária na Rússia. A obra possui um caráter impressionista, pois se trata de uma série de 20 miniaturas para piano, cada uma com duração de menos de 2 minutos. Cada movimento constitui um pequeno mosaico de humores que se alternam entre a ironia, a introspecção e alegria. É uma obra que revela um compositor atento ao que se dava no continente europeu, mas já antecipando algumas das suas características que seriam marcantes em obras maiores. 

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!
 

Sergei Prokofiev (1891-1953) - 

01. Prokofiev: String Quartet No. 1 in B Minor, op. 50: I. Allegro (6:32)
02. Prokofiev: String Quartet No. 1 in B Minor, op. 50: II. Andante molto. Vivace. (6:44)
03. Prokofiev: String Quartet No. 1 in B Minor, op. 50: III. Andante (8:16)
04. Prokofiev: String Quartet No. 2 in F Major, op. 92: I. Allegro sostenuto (6:06)
05. Prokofiev: String Quartet No. 2 in F Major, op. 92: II. Adagio (6:53)
06. Prokofiev: String Quartet No. 2 in F Major, op. 92: III. Allegro. Andante molto. (8:28)
07. Prokofiev: Visions Fugitives, op. 22: I. Lentamente (1:16)
08. Prokofiev: Visions Fugitives, op. 22: II. Andante (1:34)
09. Prokofiev: Visions Fugitives, op. 22: III. Allegretto (0:58)
10. Prokofiev: Visions Fugitives, op. 22: IV. Animato (0:53)
11. Prokofiev: Visions Fugitives, op. 22: V. Molto giocoso (0:26)
12. Prokofiev: Visions Fugitives, op. 22: VI. Con eleganza (0:32)
13. Prokofiev: Visions Fugitives, op. 22: VII. Pittoresco (2:04)
14. Prokofiev: Visions Fugitives, op. 22: VIII. Commodo (1:15)
15. Prokofiev: Visions Fugitives, op. 22: IX. Allegro tranquillo (1:03)
16. Prokofiev: Visions Fugitives, op. 22: X. Ridicolosamente (1:06)
17. Prokofiev: Visions Fugitives, op. 22: XI. Con vivacità (1:15)
18. Prokofiev: Visions Fugitives, op. 22: XII. Assai moderato (1:19)
19. Prokofiev: Visions Fugitives, op. 22: XIII. Allegretto (0:42)
20. Prokofiev: Visions Fugitives, op. 22: XIV. Feroce (1:02)
21. Prokofiev: Visions Fugitives, op. 22: XV. Inquieto (0:53)
22. Prokofiev: Visions Fugitives, op. 22: XVI. Dolente (1:56)
23. Prokofiev: Visions Fugitives, op. 22: XVII. Poetico (0:58)
24. Prokofiev: Visions Fugitives, op. 22: XVIII. Con una dolce lentezza (1:13)
25. Prokofiev: Visions Fugitives, op. 22: XIX. Presto agitatissimo e molto accentuato (0:45)
26. Prokofiev: Visions Fugitives, op. 22: XX. Lento irrealmente (2:15)

Quatuor Danel

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