sábado, 17 de janeiro de 2026

Anton Bruckner (1824-1896) - Symphony No. 6 in A

Texto escrito pela maestrina Simone Young:

"A primeira sinfonia de Bruckner que regentei foi a Sexta, à frente da Orquestra Bruckner de Linz. Na época, fiquei profundamente fascinado por ela — e continua sendo a minha favorita. É uma obra cheia de surpresas e de um caráter sombrio marcante. Além disso, tenho uma predileção especial por sextas sinfonias, sejam as de Tchaikovsky, Mahler, Martinů ou Schubert.

Sinto-me particularmente atraído pela Sinfonia nº 6 porque, assim como a nº 7, ela é emocionalmente desnudada. É como se Bruckner vivesse, na música, tudo aquilo que não viveu em sua própria vida. Acho isso muito cativante, embora exista ali uma tristeza latente. Há uma palavra alemã, Wehmut, que define uma espécie de melancolia — mas não exatamente; trata-se mais de uma nostalgia que mistura sorriso e lágrima ao mesmo tempo. Creio que esse sentimento permeia constantemente a Sexta Sinfonia.

O movimento lento é uma de suas obras-primas: possui luminosidade, profundidade, paixão e tragédia — tudo está ali. Impressiona-me também a forma como Bruckner leva ao extremo a relação rítmica de dois contra três, especialmente no primeiro movimento, usando-a tanto como figura rítmica quanto como elemento melódico. Admiro, ainda, a complexidade do desenvolvimento do segundo tema. Curiosamente, o primeiro movimento traz a indicação Majestoso (“majestosamente”). Há a tentação de definir o andamento a partir da figura rítmica repetida nos violinos, mas acredito que a indicação se refere à melodia; se pensarmos ao contrário, a marcação de tempo simplesmente não faz sentido.

Outro traço típico de Bruckner são as pausas silenciosas que aparecem ao longo da obra. Ao comparar a primeira versão do último movimento da Segunda Sinfonia com sua revisão posterior, nota-se que a versão original chega a apresentar, em certos momentos, quatro compassos inteiros de silêncio, enquanto na revisão o mesmo trecho é indicado como um único compasso de pausa com uma fermata. Isso mostra claramente que, na concepção de Bruckner, as pausas tinham uma função métrica tão importante quanto as linhas melódicas e as estruturas harmônicas. Essa concepção remete à sua experiência como organista, em que os silêncios enquadram o som devido ao longo tempo de ressonância do instrumento.

É um erro grave — comum tanto entre regentes de ópera quanto de repertório sinfônico — não valorizar a substância contida no silêncio. O silêncio não é um vazio, nem a ausência de som; é a suspensão do som, algo completamente diferente. Essas fermatas não são pontos finais, mas algo mais próximo de reticências".

Texto completo aqui 

Anton Bruckner (1824-1896) - 

01 - I. Majestoso
02 - II. Adagio. Sehr feierlich
03 - III. Scherzo. Nicht schnell - Trio. Langsam
04 - IV. Finale. Bewegt, doch nicht zu schnell

Nowak Edition

Orchestre de la Suisse Romande
Marek Janowski, regente

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