terça-feira, 12 de maio de 2026

Ludwig van Beethoven (1770-1827) - Symphony No. 5 in C Minor, Op. 67 e Symphony No. 7 in A Major, Op. 92

Quando Beethoven compôs a Quinta Sinfonia, entre 1804 e 1808, a Europa vivia sob a sombra de Napoleão Bonaparte. O compositor, inicialmente admirador das ideias revolucionárias francesas, viu com desilusão a transformação de Napoleão em imperador. Ao mesmo tempo, enfrentava uma batalha íntima devastadora: a progressiva perda da audição. É impossível ouvir os quatro golpes iniciais da Quinta - talvez o motivo mais famoso da história da música - sem perceber ali uma espécie de choque contra o destino. Não por acaso, difundiu-se a ideia de que Beethoven teria descrito o tema como “o destino batendo à porta”.

A Quinta Sinfonia é frequentemente interpretada como uma jornada das trevas para a luz. Começa em dó menor, tensa, obsessiva, quase violenta, e termina em dó maior, triunfante, monumental. Essa transformação não é mero recurso técnico; ela encarna o ideal heroico do início do século XIX. Beethoven abandona a elegância aristocrática do classicismo vienense e inaugura uma música de conflito, vontade e superação. Pela primeira vez, uma sinfonia parece não servir apenas ao entretenimento das cortes, mas à expressão dramática da condição humana.

Já a Sétima, como escrevi há alguns dias, é um dos trabalhos musicais mais importantes da história. Ela foi concebida em um momento histórico de grandes mudanças, tanto políticas quanto pessoais para o compositor. Escrita entre 1811 e 1812 - e estreada em 1813 -, a Sinfonia No. 7 teve a sua primeira apresentação em um concerto beneficente a soldados feridos na Batalha de Hanau. O pano de fundo eram as guerras napoleônicas, que redesenharam o mapa da Europa. No mesmo dia da estreia da Sétima, o mundo também conheceu A Vitória de Wellington, que teve uma recepção calorosa – apesar de ser uma obra extravagante, dessas sobre as quais falamos, hoje dia, que o artista a concebeu desejando apenas aclamação e tapinha nas costas. Ela destoa da profundidade emocional característica das obras de Beethoven.

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Ludwig van Beethoven (1770-1827) - 

01 - I. Allegro con brio
02 - II. Andante con moto
03 - III. Scherzo. Allegro
04 - IV. Allegro
05 - I. Poco sostenuto - Vivace
06 - II. Allegretto
07 - III. Presto - Assai meno presto
08 - IV. Allegro con brio

NDR Radiophilharmonie
Andrew Manze, regente 

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5 comentários:

Pedro disse...

Muito obrigado por este excelente Blog.
Gostaria de perguntar se tem alguma musica interpretada por Jaqueline Du Prê. Muito agradecido!

Marcelo disse...

Impossível enjoar de Beethoven, e cada nova interpretação de suas mesmas sinfonias traz sempre algo diferente... Muito obrigado por compartilhar.

Anônimo disse...

Muchísimas gracias por este aporte. Un cordial saludo.

Anônimo disse...

¿No sería esta una buen a ocasión para resubir de nuevo las sinfonías de Brahms dirigidas por Andrew Manze? Por lo que recuerdo, si no es el mejor ciclo que he oído, tiene que estar entre los tres, cuatro mejores de lo que va el siglo.

José Manuel Recillas disse...

¿No sería esta una oportunidad de oro para resubir el link del ciclo sinfónico brahmsiano con Andrew Manze? Hasta donde recuerdo, uno de los mejores que he oído a la fecha. Ojalá sea posible.