Comparativamente com Carl Philipp Emanuel e Johann Christian, o legado de Wilhelm Friedemann Bach tem sido relativamente negligenciado. Apesar da sua qualidade e relevância, na música dos seus irmãos é mais evidente a nova prática expressiva que apontava aos estilos clássico e romântico. Para lá disso, a biografia que se lhe conhece contém alguns aspetos enigmáticos. Ao longo da vida, não serviu sempre uma corte ou a Igreja, o que faz de si um precursor. Porém, é no seu estilo de escrita que reconhecemos maior afinidade com o virtuosismo instrumental e com as técnicas contrapontísticas do «estilo antigo», o estilo do pai Bach.
Wilhelm Friedemann Bach nasceu em 1710 em Weimar, onde seu pai trabalhou durante quase uma década. Era o segundo filho do primeiro casamento de Johann Sebastian e, aparentemente, o mais «indomável» de todos os irmãos. Em 1717 a família mudou-se para Cöthen, e em 1723 para Leipzig. Foi nesta última cidade que recebeu grande parte da sua instrução. Já por sua conta, mudou-se em 1726 para uma outra pequena cidade da Saxónia, Merseburg, para estudar com J. Graun. Regressado a Leipzig, no ano seguinte, foi professor de C. Nichelmann, músico que se juntaria mais tarde a Graun, em Berlim. Em 1733 conseguiu um lugar de organista em Dresden, na igreja de Santa Sofia. Terá sido aí, já no início da década de 1740, que compôs a Sinfonia em Ré Menor F. 65. Era então prática corrente introduzir peças instrumentais a meio da celebração da missa. Seria este o caso, um andamento único que agrega um prelúdio e uma fuga onde se destacam duas flautas sobre as cordas e o baixo contínuo. O primeiro é solene e desenrola-se numa figuração melódica cuidadosamente trabalhada, ao passo que a Fuga se precipita num tempo rápido sobre o mesmo tema melódico que se escutou no Adagio precedente.
Em 1746 o músico mudou-se para Halle, onde assumiu o lugar de organista e diretor musical da igreja daquela cidade – já pertença da Prússia. Vinte anos depois abandonou o cargo, e deparamos-nos então com um hiato de quase uma década em que pouco se sabe acerca da sua biografia. Ter-se-á, eventualmente, apresentado como cravista em várias cortes europeias e como organista em concertos públicos. Em 1774 instalou-se em Berlim, por conta própria, em busca de novas oportunidade profissionais, apesar dos 64 anos de idade. Aí permaneceu na década seguinte, até ao final da vida.
Para trás, deixava um trajeto profissional que se distinguiu sobretudo quando passou pela cidade de Dresden, onde gozou de grande prestígio como organista. As funções de Wilhelm Friedemann ter-se-ão também estendido para lá da igreja, em particular como cravista. Porém, enquanto compositor, não teve o mesmo sucesso, talvez porque uma das principais características da sua música seja a dificuldade técnica, o que não se ajustava ao mercado de edição de partituras da época, que era fundamentalmente procurado por músicos amadores. As poucas obras que dele nos chegaram, em particular as sonatas para flauta, assim como as sonatas e concertos para cravo, são extremamente difíceis de tocar. É disso exemplo o Concerto F. 46, datado de 1745, um dos mais célebres dos sete que conhecemos. Curiosamente, tem dois cravos como solistas, na vez de um, à frente das trompetes, das trompas, dos tímpanos e das cordas. Destacam-se, ainda, as repetições rítmicas e motívicas obstinadas, para lá de um estilo de escrita próximo da improvisação, por vezes rapsódico e em torno da mesma ideia. Ainda assim, mantém-se bastante próximo do estilo de Johann Sebastian, apesar de não demonstrar o mesmo interesse pela disciplina do contraponto, e também de ser mais contido no que respeita às variações harmónicas. O seu concerto confronta-se aqui com o mais conhecido dos concertos para cravo de J. S. Bach, o BWV 1052, onde se desenham figurações sofisticadas em ambas as mãos. Esta obra data de 1734 e baseia o primeiro e segundo andamentos na sinfonia introdutória e no coro da Cantata N.º 146 (BWV 146, Wir müssen durch viel Trübsal), a qual, por sua vez, resultara da adaptação de um concerto para violino entretanto perdido. A partitura tem início com um poderoso ritornello em uníssono, sobre um motivo que prevalece ao longo de todo o andamento. As partes a solo assemelham-se frequentemente a uma tocata, proporcionando a exibição do virtuosismo do intérprete. Wilhelm Friedemann deveria apreciá-lo bastante.
Daqui
Wilhelm Friedemann Bach (1710-1784) -
DISCO 10
01. Ouverture in E-Flat Major, BR. A59
02. Minuet I - II in F Major, BR. A50a
03. Variations on Minuet I in F Major, BR. A50b
04. March in F Major, BR. A57
05. Poco allegro, BR. A62
06. Fantasia in D Minor, BR. A105
07. Fantasia in G Major, BR. A106
08. Allegro in D Major, BR. A107
09. Allegro in D Minor, BR. A108
10. Minuet - Trio in C Major, BR. A109
11. Minuet in G Major with 13 Variations, BR. A110 I. Minuet
12. Minuet in G Major with 13 Variations, BR. A110 II. Var. 1
13. Minuet in G Major with 13 Variations, BR. A110 III. Var. 2
14. Minuet in G Major with 13 Variations, BR. A110 IV. Var. 3
15. Minuet in G Major with 13 Variations, BR. A110 V. Var. 4
16. Minuet in G Major with 13 Variations, BR. A110 VI. Var. 5
17. Minuet in G Major with 13 Variations, BR. A110 VII. Var. 6
18. Minuet in G Major with 13 Variations, BR. A110 VIII. Var. 7
19. Minuet in G Major with 13 Variations, BR. A110 IX. Var. 8
20. Minuet in G Major with 13 Variations, BR. A110 X. Var. 9
21. Minuet in G Major with 13 Variations, BR. A110 XI. Var. 10
22. Minuet in G Major with 13 Variations, BR. A110 XII. Var. 11
23. Minuet in G Major with 13 Variations, BR. A110 XIII. Var. 12
24. Minuet in G Major with 13 Variations, BR. A110 XIV. Var. 13
25. Christus, der ist mein Leben, BR. A101
26. Die Seele Christi heilge mich, BR. A102
27. Sey Lob und Her, BR. A103
28. Nun freut euch, lieben Christen, BR. A104
DISCO 11
01. Fugue in B-Flat Major, F. 34
02. Fugue in F Major, F. 33
03. Fugue in C Minor, F. 32
04. 8 Fugues sans pedale, F. 31 I. Fugue in C Major
05. 8 Fugues sans pedale, F. 31 II. Fugue in C Minor
06. 8 Fugues sans pedale, F. 31 III. Fugue in D Major
07. 8 Fugues sans pedale, F. 31 IV. Fugue in D Minor
08. 8 Fugues sans pedale, F. 31 V. Fugue in E-Flat Major
09. 8 Fugues sans pedale, F. 31 VI. Fugue in E Minor
10. 8 Fugues sans pedale, F. 31 VII. Fugue in B-Flat Major
11. 8 Fugues sans pedale, F. 31 VIII. Fugue in F Minor
DISCO 12
01. Fugue in D Major
02. Fugue in C Minor, F. 32 (2)
03. Fugue in G Minor, F. 37
04. Chorale Preludes, F. 38 I. Nun komm der Heiden Heiland
05. Chorale Preludes, F. 38 II. Christe, der du bist Tag und Licht
06. Chorale Preludes, F. 38 III. Jesu, meine Freude
07. Chorale Preludes, F. 38 IV. Durch Adams Fall ist ganz verderbt
08. Chorale Preludes, F. 38 V. Wir danken dir, Herr Jesu Christ
09. Chorale Preludes, F. 38 VI. Wir Christenleut han jetzund Freud
10. Chorale Preludes, F. 38 VII. Was mein Gott will, das g'scheh allzeit
11. Fugue in A Minor
12. Fugue in C Minor
13. Fugue in B-Flat Major
14. Fugue in F Major
DISCO 13
01. Lasset uns ablegen die Werke der Finsternis, F. 80 I. Chorus. Lasset uns ablegen die Werke der Finsternis
02. Lasset uns ablegen die Werke der Finsternis, F. 80 II. Recitative. Es ist nun hohe Zeit
03. Lasset uns ablegen die Werke der Finsternis, F. 80 III. Chorale. Steh auf vom Sundenschlaf
04. Lasset uns ablegen die Werke der Finsternis, F. 80 IV. Recitative. Drum, Vater
05. Lasset uns ablegen die Werke der Finsternis, F. 80 V. Aria. Vater, mit Erbarmen
06. Lasset uns ablegen die Werke der Finsternis, F. 80 VI. Accompanied Recitative. Ich wei?, die Nacht ist schon dahin
07. Lasset uns ablegen die Werke der Finsternis, F. 80 VII. Aria. Ich ziehe Jesum an im Glauben
08. Lasset uns ablegen die Werke der Finsternis, F. 80 VIII. Chorale. Den Geist, der heilig ist
09. Lasset uns ablegen die Werke der Finsternis, F. 80 IX. Chorus (da capo)
10. Es ist eine Stimme eines Predigers in der Wuste, F. 89 I. Chorus. Es ist eine Stimme eines Predigers in der Wuste
11. Es ist eine Stimme eines Predigers in der Wuste, F. 89 II. Recitative. Gott hat uns Gnad und Heil
12. Es ist eine Stimme eines Predigers in der Wuste, F. 89 III. Aria. Der Trost gehoret nur vor Kinder
13. Es ist eine Stimme eines Predigers in der Wuste, F. 89 IV. Accompanied Recitative. Dein Heiland lasst die Bahn
14. Es ist eine Stimme eines Predigers in der Wuste, F. 89 V. Aria. Holdseligster Engel
15. Es ist eine Stimme eines Predigers in der Wuste, F. 89 VI.Chorale. Wir Menschen sind zu dem, o Gott
DISCO 14
01. Dies ist der Tag, F. 85, Sinfonia I. Allegro maestoso
02. Dies ist der Tag, F. 85, Sinfonia II. Andante
03. Dies ist der Tag, F. 85, Sinfonia III. Vivace
04. Dies ist der Tag, F. 85, Cantata I. Accompanied recitative. Dies ist der Tag
05. Dies ist der Tag, F. 85, Cantata II. Aria. Su?er Hauch von Gottes Throne
06. Dies ist der Tag, F. 85, Cantata III. Recitative. Ich folge dir
07. Dies ist der Tag, F. 85, Cantata IV. Aria. Entzunde mich, du Kraft der gro?ten Liebe!
08. Dies ist der Tag, F. 85, Cantata V. Chorale. Heilger Geist in Himmels Throne
09. Erzittert und fallet, F. 83 I. Chorus. Erzittert und fallet
10. Erzittert und fallet, F. 83 II. Aria. Was fur reizend sanfte Blicke
11. Erzittert und fallet, F. 83 III. Recitative. Das Grab ist leer
12. Erzittert und fallet, F. 83 IV. Duet. Komm, mein Hirte
13. Erzittert und fallet, F. 83 V. Recitative. Mein Heiland kommt
14. Erzittert und fallet, F. 83 VI. Aria. Rauscht, ihr Fluten, donnernd Blitzen
15. Erzittert und fallet, F. 83 VII. Chorale. Heut triumphieret Gottes Sohn
Rheinische Kantorei
Das Kleine Konzert
Hermann Max, diretor
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