quarta-feira, 17 de junho de 2026

Franz Schubert (1797-1827) - Works for piano Trio


As obras camerísticas de Schubert estão entre as mais bonitas já escritas na história da música. São primorosas. Delicadas. Possuem reflexões atordoantes e humanas. Schubert foi um gênio incontestável. Morreu muito jovem e, quando morreu, havia alcançado um . Mais jovem do que Mozart, Chopin e Mendelssohn. Todavia, escreveu obras geniais e com uma capacidade inegável de investigação da alma humana.

Além das espetaculares sinfonias, dos mais de 600 lieds e das inúmeras obras para piano, acredito que uma das suas páginas mais densas e profundas sejam as obras camerísticas.  Enquanto, por exemplo, Beethoven parecia desafiar estruturas, com intuições que apontavam para o futuro e realizava reflexões avassaladoras, Schubert incursionava por outros platôs. A geografia do compositor era a alma humana. Ou seja, a música de câmera do compositor austríaco é necessariamente introspectiva. Isso vai se tornando cada vez mais evidente à medida que os anos da sua morte se aproximam.

Neste disco maravilhoso que ora surge, parece o espetacular Trio No. 2, umas obras mais bonitas e sensíveis da história do ser humano. É uma das minhas obras favoritas da vida. Foi escrita em 1827. A obra revela um Schubert capaz de equilibrar lirismo, arquitetura formal e intensidade dramática em proporções extraordinárias. Seu movimento lento tornou-se amplamente conhecido após ser utilizado por Stanley Kubrick no filme Barry Lyndon (1975), mas sua força expressiva transcende qualquer associação cinematográfica. O filme de quase três horas de Kubrick, quando termina, deixa a música em nosso inconsciente. Ela fica assim por semanas. Foi dessa maneira que a conheci.

O que distingue Schubert dos demais mestres da música de câmara é sua capacidade de fazer a melodia carregar o peso da existência humana. Em suas obras, os temas parecem cantar continuamente, como se cada instrumento fosse uma voz humana compartilhando lembranças, sonhos e angústias. Mesmo nos momentos mais sombrios, há sempre uma centelha de esperança; mesmo nos mais luminosos, uma sombra de melancolia.

Essa dualidade talvez reflita a própria vida do compositor. Schubert escreveu grande parte de suas obras-primas enquanto enfrentava graves problemas de saúde e dificuldades financeiras. A consciência da fragilidade da existência impregna sua música, mas nunca a transforma em desespero absoluto. Ao contrário, ela se converte em compaixão, ternura e humanidade.

Não deixe de ouvir este maravilhoso disco. Uma boa apreciação!

Franz Schubert (1797-1827) - 

01. Trio for Piano, Violin and Cello No. 1 in B-Flat Major, Op. 99, D. 898 I. Allegro moderato
02. Trio for Piano, Violin and Cello No. 1 in B-Flat Major, Op. 99, D. 898 II. Andante un poco mosso
03. Trio for Piano, Violin and Cello No. 1 in B-Flat Major, Op. 99, D. 898 III. Scherzo
04. Trio for Piano, Violin and Cello No. 1 in B-Flat Major, Op. 99, D. 898 IV. Rondo
05. Piano Trio in B-Flat Major, D. 28
06. Trio for Piano, Violin and Cello No. 2 in B-Flat Major, Op. 100, D. 929 I. Allegro
07. Trio for Piano, Violin and Cello No. 2 in E-Flat Major, Op. 100, D. 929 II. Andante con moto
08. Trio for Piano, Violin and Cello No. 2 in E-Flat Major, Op. 100, D. 929 III. Scherzando. Allegro moderato - Trio
09. Trio for Piano, Violin and Cello No. 2 in E-Flat Major, Op. 100, D. 929 IV. Allegro moderato
10. Piano Trio in E-Flat Major, Op. 148, D. 897

Trio Rafale
Maki Wiederkehr, piano
Daniel Meller, violino
Flurin Cuonz, violoncelo 

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