terça-feira, 22 de setembro de 2026

Gustav Holst (1874-1934) - The Planets, Op. 32 e Väinö Raitio (1891-1945) - Moonlight on Jupiter, Op. 24

O novo álbum da Finnish Radio Symphony Orchestra, sob a direção de Nicholas Collon, aproxima duas impressionantes visões musicais do cosmos: a célebre obra orquestral The Planets, de Gustav Holst, e Moonlight on Jupiter, uma verdadeira joia do repertório orquestral finlandês, composta por Väinö Raitio (1891–1945). A obra de Raitio, escrita na década de 1920, volta a ser registrada depois de cinco décadas e recebe, com este projeto, sua primeira edição em CD.

Aos quarenta anos, Holst começou a trabalhar naquela que se tornaria sua obra mais conhecida. A ampla suíte The Planets, composta por sete movimentos, foi concluída em 1916. Embora os títulos dos movimentos façam referência aos planetas, Holst procurou deixar claro que sua música não deveria ser confundida com personagens da mitologia clássica, como Vênus. Tampouco havia uma intenção propriamente astronômica em sua concepção. A fonte de inspiração foi outro campo, bem mais controverso: a astrologia.

Cada movimento da suíte procura traduzir a suposta influência de determinado planeta do sistema solar sobre o caráter humano. Para concretizar essa ambiciosa concepção, Holst empregou uma orquestra de dimensões extraordinárias, com uma grande seção de percussão, duas harpas, celesta, órgão, dois conjuntos de tímpanos e instrumentos menos usuais, como flauta baixo, oboé baixo e tuba tenor.

A experiência prática de Holst como músico de orquestra teve papel decisivo nesse processo. Seu conhecimento direto das possibilidades e limitações dos instrumentos contribuiu para o desenvolvimento de uma orquestração audaciosa e extraordinariamente imaginativa, uma das características mais marcantes de The Planets.

Ao lado da obra de Holst, o álbum apresenta a produção de Väinö Raitio, um dos compositores associados à chamada primeira onda do Modernismo na música finlandesa. Sua linguagem era extremamente avançada para seu tempo e, somada à morte prematura do compositor, contribuiu para a imagem particular que se formou em torno de sua obra entre compositores e musicólogos finlandeses.

A música de Raitio da década de 1920 é frequentemente relacionada ao estilo colorista-expressionista de Alexander Scriabin e ao Impressionismo francês. Mais do que simplesmente um compositor influenciado por essas correntes, porém, Raitio surge neste contexto como um visionário intransigente, cuja imaginação musical não parece ter se submetido facilmente às convenções de seu tempo.

Também sua personalidade permanece envolta em certo mistério. Os relatos contemporâneos o descrevem como um homem reservado, tímido e recluso, chegando a caracterizá-lo como misantropo. Ao mesmo tempo excêntrico e inflexível em suas convicções, Raitio tornou-se uma figura enigmática da música finlandesa.

Essa dimensão visionária encontra expressão particularmente sugestiva em Moonlight on Jupiter. O título da obra nasceu de uma poderosa fantasia relacionada à viagem espacial e às múltiplas luas de Júpiter. Há ainda um detalhe curioso: entre todas as suas composições, esta era a obra de que o próprio Raitio mais gostava.

O manuscrito da partitura traz uma dedicatória singular: o poema sinfônico teria sido oferecido pelo compositor ao seu gato, vindo de Korso, a quem Raitio afirmava ter enviado a obra para Júpiter em outubro de 1922. A afeição do compositor pelos gatos era conhecida e, segundo o relato, sua dedicatória causou grande desconcerto entre seus contemporâneos.

Com o passar das décadas, entretanto, Moonlight on Jupiter adquiriu uma posição cada vez mais destacada dentro do catálogo de Raitio. A obra passou a ser considerada, entre suas composições orquestrais da década de 1920, uma das realizações mais bem-sucedidas do compositor.

Reunidas neste álbum, The Planets e Moonlight on Jupiter estabelecem, assim, um diálogo particularmente sugestivo. Embora pertencentes a universos musicais distintos, ambas nascem de uma imaginação voltada para o cosmos e para aquilo que existe além da experiência cotidiana. De um lado, a astrologia e a influência dos planetas sobre o comportamento humano; de outro, a fantasia de uma viagem às luas de Júpiter. Sob a direção de Nicholas Collon, o registro recupera duas extraordinárias manifestações da capacidade da música de transformar o espaço sideral em matéria poética e sonora.

Uma boa apreciação! 

Gustav Holst (1874-1934) - 

The Planets, Op. 32 
01. Mars, the Bringer of War. Allegro
02. Venus, the Bringer of Peace. Adagio
03. Mercury, the Winged Messenger. Vivace
04. Jupiter, the Bringer of Jollity. Allegro giocoso
05. Saturn, the Bringer of Old Age. Adagio
06. Uranus, the Magician. Allegro
07. Neptune, the Mystic. Andante – Allegretto

Väinö Raitio (1891-1945) - 
08. Moonlight on Jupiter, Op. 24 

Finnish Radio Symphony Orchestra
Helsinki Chamber Choir 

Nicholas Collon, regente 

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*Para acessar o link, por favor, clicar na imagem.

 

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