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sábado, 1 de agosto de 2026

Piotr I. Tchaikovsky (1840-1893) - Orchestral Works

"Esta coletânea reúne algumas das mais célebres páginas orquestrais e trechos de balé de Piotr Ilitch Tchaikovsky, oferecendo um panorama representativo da extraordinária capacidade do compositor russo de unir lirismo, brilho orquestral e intenso poder dramático. O álbum reafirma a força de uma parceria artística amplamente reconhecida pela crítica internacional: o maestro Dmitrij Kitajenko e a Orquestra Gürzenich de Colônia.

Desde que foi nomeado maestro honorário da tradicional formação alemã, em 2009, Kitajenko consolidou uma das mais importantes colaborações discográficas dedicadas ao repertório russo. Juntos, maestro e orquestra registraram as integrais das sinfonias de Dmitri Shostakovich, Sergei Prokofiev, Piotr Ilitch Tchaikovsky e Sergei Rachmaninoff, interpretações que receberam inúmeros prêmios internacionais e hoje figuram entre as principais referências da discografia contemporânea.

Essa afinidade com a música russa também se manifestou de forma marcante na gravação da ópera Iolanta, de Tchaikovsky, lançada em 2015. Reunindo Olesya Golovneva, Alexander Vinogradov e Andrei Bondarenko nos papéis principais, a produção foi amplamente elogiada pela crítica especializada e conquistou o prêmio de Ópera do Ano concedido pelo International Classical Music Awards (ICMA), consolidando ainda mais o prestígio da parceria entre Kitajenko e a Gürzenich.

Nesta nova coletânea, a experiência acumulada ao longo de anos de dedicação ao repertório do compositor traduz-se em interpretações de grande naturalidade e refinamento. As páginas orquestrais revelam toda a riqueza melódica e a sofisticada paleta de cores que caracterizam a escrita de Tchaikovsky, enquanto as seleções extraídas de seus balés evidenciam o vigor rítmico, a elegância da dança e a inesgotável capacidade narrativa que fizeram dessas partituras um patrimônio permanente da música ocidental.

Mais do que uma simples reunião de obras célebres, o álbum sintetiza uma trajetória artística marcada pela excelência interpretativa e pelo profundo conhecimento da tradição sinfônica russa. É uma gravação que confirma Dmitrij Kitajenko e a Orquestra Gürzenich de Colônia entre os mais importantes intérpretes contemporâneos da obra de Tchaikovsky, oferecendo ao público uma leitura ao mesmo tempo vibrante, elegante e fiel ao espírito do compositor".

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!

Piotr I. Tchaikovsky (1840-1893) -

DISCO 01


01. The Queen of Spades, Op. 68, TH 10: Overture (03:56)
02. Capriccio italien, Op. 45, TH 47 (16:42)
03. The Snow Maiden, Op. 12, TH 19 (Excerpts): No. 1, Introduction (05:54)
04. The Snow Maiden, Op. 12, TH 19 (Excerpts): No. 10, Melodrama (04:47)
05. The Snow Maiden, Op. 12, TH 19 (Excerpts): No. 13, Dance of the Tumblers (04:49)
06. The Sleeping Beauty Suite, Op. 66a, TH 234: I. Introduction (05:03)
07. The Sleeping Beauty Suite, Op. 66a, TH 234: II. Adagio - III. Pas de caractère (06:39)
08. The Sleeping Beauty Suite, Op. 66a, TH 234: IV. Panorama (03:06)
09. The Sleeping Beauty Suite, Op. 66a, TH 234: V. Waltz (04:58)
10. Variations on a Rococo Theme, Op. 33, TH 57 (Ed. W. Fitzenhagen): Theme (02:37)
11. Variations on a Rococo Theme, Op. 33, TH 57 (Ed. W. Fitzenhagen): Var. 1 (00:51)
12. Variations on a Rococo Theme, Op. 33, TH 57 (Ed. W. Fitzenhagen): Var. 2 (01:19)
13. Variations on a Rococo Theme, Op. 33, TH 57 (Ed. W. Fitzenhagen): Var. 3 (03:52)
14. Variations on a Rococo Theme, Op. 33, TH 57 (Ed. W. Fitzenhagen): Var. 4 (02:00)
15. Variations on a Rococo Theme, Op. 33, TH 57 (Ed. W. Fitzenhagen): Var. 5 (03:43)
16. Variations on a Rococo Theme, Op. 33, TH 57 (Ed. W. Fitzenhagen): Var. 6 (02:35)
17. Variations on a Rococo Theme, Op. 33, TH 57 (Ed. W. Fitzenhagen): Var. 7 (02:10)

DISCO 02

01. String Quartet No. 1 in D Major, Op. 11: II. Andante cantabile, TH 63 (Version for Cello & String Orchestra) (07:10)
02. The Nutcracker, Op. 71, TH 14 (Excerpts): Overture (03:28)
03. The Nutcracker, Op. 71, TH 14 (Excerpts): No. 1, Decoration of the Christmas Tree (04:21)
04. The Nutcracker, Op. 71, TH 14 (Excerpts): No. 2, March (02:59)
05. The Nutcracker, Op. 71, TH 14 (Excerpts): No. 3, Children's Galop and Entry of the Parents (02:40)
06. The Nutcracker, Op. 71, TH 14 (Excerpts): No. 9, Waltz of the Snowflakes (07:23)
07. The Nutcracker, Op. 71, TH 14 (Excerpts): No. 12a, Divertissement. Chocolate [Spanish Dance] (01:20)
08. The Nutcracker, Op. 71, TH 14 (Excerpts): No. 12b, Divertissement. Coffee [Arabian Dance] (03:11)
09. The Nutcracker, Op. 71, TH 14 (Excerpts): No. 12c, Divertissement. Tea [Chinese Dance] (01:10)
10. The Nutcracker, Op. 71, TH 14 (Excerpts): No. 12d, Divertissement. Trépak [Russian Dance] (01:15)
11. The Nutcracker, Op. 71, TH 14 (Excerpts): No. 12e, Divertissement. Dance of the Reed Flutes (02:32)
12. The Nutcracker, Op. 71, TH 14 (Excerpts): No. 12f, Divertissement. Mother Gigogne and the Clowns (02:56)
13. The Nutcracker, Op. 71, TH 14 (Excerpts): No. 13, Waltz of the Flowers (07:36)
14. The Nutcracker, Op. 71, TH 14 (Excerpts): No. 14a, Pas de deux. Andante maestoso (05:25)
15. The Nutcracker, Op. 71, TH 14 (Excerpts): No. 14b, Pas de deux. Tarantella (00:43)
16. The Nutcracker, Op. 71, TH 14 (Excerpts): No. 14c, Pas de deux. Dance of the Sugarplum Fairy (02:32)
17. The Nutcracker, Op. 71, TH 14 (Excerpts): No. 14d, Pas de deux. Coda (01:34)
18. The Nutcracker, Op. 71, TH 14 (Excerpts): No. 15, Final Waltz and Apotheosis (05:45)

Gürzenich-Orchester Köln
Dmitri Kitayenko, regente 

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domingo, 26 de julho de 2026

Martha Argerich - The Piano Concertos Collection - Prokofiev, Beethoven, Shostakovich, Ravel, J.S. Bach e Tchaikovsky

"The Piano Concertos Collection reúne, em dezenove faixas, um amplo panorama da extraordinária arte pianística de Martha Argerich, uma das intérpretes mais admiradas e influentes da atualidade. Gravado integralmente ao vivo, o álbum registra a pianista argentina em diferentes momentos de sua carreira, revelando a intensidade, a espontaneidade e o virtuosismo que a transformaram em uma referência incontornável da interpretação pianística.

O repertório percorre algumas das mais importantes páginas do concerto romântico, sem deixar de lado obras marcantes do século XX. Essa diversidade permite acompanhar as múltiplas facetas da personalidade musical de Argerich, capaz de transitar com igual naturalidade entre o lirismo, a exuberância técnica e a profundidade expressiva.

Ao longo da coletânea, a pianista divide o palco com um elenco de prestigiados maestros e orquestras. Entre eles destacam-se Charles Dutoit à frente da Orquestra Filarmônica de Israel, Lahav Shani, Sylvain Cambreling dirigindo a Orquestra Sinfônica de Hamburgo e o pianista Adrian Iliescu, parceiros que contribuem para evidenciar diferentes aspectos da interpretação da artista. Cada colaboração acrescenta novas cores ao conjunto, oferecendo leituras marcadas pelo diálogo constante entre solista e orquestra.

O programa percorre universos estéticos bastante distintos. A energia impetuosa dos concertos de Sergei Prokofiev evidencia o vigor e a ousadia técnica de Argerich, enquanto a escrita refinada de Maurice Ravel revela sua precisão cristalina e extraordinária riqueza de timbres. Em contraste, as obras de Johann Sebastian Bach e Ludwig van Beethoven permitem apreciar uma intérprete de rara profundidade musical, capaz de conciliar rigor estrutural, sensibilidade poética e intensa comunicação emocional.

Mais do que uma simples antologia, The Piano Concertos Collection constitui um retrato abrangente de uma artista cuja carreira redefiniu os padrões da interpretação pianística nas últimas décadas. A atmosfera das apresentações ao vivo acrescenta um elemento de espontaneidade que intensifica a força de cada execução, preservando a tensão criativa e a emoção do momento irrepetível do concerto.

Para admiradores de longa data, a coletânea oferece uma síntese eloquente das qualidades que fizeram de Martha Argerich uma verdadeira lenda do piano. Para novos ouvintes, representa uma excelente porta de entrada para o universo artístico de uma intérprete cuja combinação de técnica fulgurante, imaginação musical e intensidade expressiva continua a estabelecer um parâmetro de excelência na música de concerto".

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!  

01. Piano Concerto No. 3 in C Major, Op. 26: I. Andante – Allegro
02. Piano Concerto No. 3 in C Major, Op. 26: II. Tema con variazioni
03. Piano Concerto No. 3 in C Major, Op. 26: III. Allegro ma non troppo
04. Piano Concerto in B-Flat Major No. 2, Op. 19: I. Allegro con brio
05. Piano Concerto in B-Flat Major No. 2, Op. 19: II. Adagio
06. Piano Concerto in B-Flat Major No. 2, Op. 19: III. Rondo. Molto allegro
07. Concerto for Piano, Trumpet and String Orchestra in C Minor, Op. 35: I. Allegro moderato
08. Concerto for Piano, Trumpet and String Orchestra in C Minor, Op. 35: II. Lento
09. Concerto for Piano, Trumpet and String Orchestra in C Minor, Op. 35: III. Moderato
10. Concerto for Piano, Trumpet and String Orchestra in C Minor, Op. 35: IV. Allegro con brio
11. Piano Concerto in G Major: I. Allegramente
12. Piano Concerto in G Major: II. Adagio assai
13. Piano Concerto in G Major: III. Presto
14. Concerto for Four Harpsichords and Strings in A Minor, BWV. 1065: I. Allegro
15. Concerto for Four Harpsichords and Strings in A Minor, BWV. 1065: II. Largo
16. Concerto for Four Harpsichords and Strings in A Minor, BWV. 1065: III. Allegro
17. Piano Concerto No. 1 in B Minor, Op. 23: II. Andantino semplice – Prestissimo – Tempo I
18. Piano Concerto No. 1 in B Minor, Op. 23: III. Allegro con fuoco
19. Piano Concerto No. 1 in B Minor, Op. 23: I. Allegro non troppo e molto maestoso

Symphoniker Hamburg
Sylvain Cambreling, regente
Israel Philharmonic Orchestra
Lahav Shani, regente
Symphoniker Hamburg
Charles Dutoit
Sergei Nakariakov, trumpete
Martha Argerich, piano
 

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sexta-feira, 12 de junho de 2026

Piotr I. Tchaikovsky (1840-1893) - Symphony No. 6 in B Minor, Op. 74 "Pathétique" e Romeo and Juliet, Fantasy Overture

"Gravada em 1948, esta interpretação da Patética constitui um documento histórico de extraordinário valor, capturando um jovem Herbert von Karajan em plena ascensão, movido por uma ambição artística ardente, à frente da Filarmônica de Viena. Muito distante dos monumentais blocos sonoros que caracterizariam suas gravações berlinenses das décadas posteriores, esta leitura - originalmente registrada em discos de 78 rotações sob a supervisão do lendário produtor Walter Legge - revela uma intensidade crua, urgente e profundamente humana.

Entre as obras que Karajan mais frequentemente registrou em estúdio, rivalizando apenas com a Quinta Sinfonia de Beethoven, a Patética ocupa um lugar central em sua discografia. No entanto, esta versão inicial destaca-se por qualidades singulares: uma solidez estrutural sem concessões, uma tensão dramática permanente e, sobretudo, o timbre sombrio e comovente da Filarmônica de Viena do pós-guerra, uma orquestra que parecia tocar não apenas por excelência artística, mas também por sobrevivência.

O resultado é uma interpretação de impressionante força emocional, na qual a urgência histórica do momento se alia à visão de um maestro ainda distante do refinamento calculado dos anos posteriores. Mais do que uma simples gravação, trata-se de um retrato sonoro de uma época marcada pela reconstrução, pela memória e pela determinação - um testemunho eloquente do encontro entre um jovem Karajan e uma das grandes orquestras do mundo em um momento decisivo de suas histórias".

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!

Piotr I. Tchaikovsky (1840-1893) - 

01. Symphony No. 6 in B Minor, Op. 74 "Pathétique": I. Adagio - Allegro non troppo (18:45)
02. Symphony No. 6 in B Minor, Op. 74 "Pathétique": II. Allegro con grazia (8:56)
03. Symphony No. 6 in B Minor, Op. 74 "Pathétique": III. Allegro molto vivace (8:12)
04. Symphony No. 6 in B Minor, Op. 74 "Pathétique": IV. Finale. Adagio lamentoso (10:03)
05. Romeo and Juliet, Fantasy Overture (20:42)

Wiener Philharmoniker
Herbert von Karajan, regente 

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domingo, 7 de junho de 2026

Piotr I. Tchaikovsky (1840-1893) - Symphony No.4 in F minor, Op.36, TH.27, Symphony No.5 in E minor, Op.64, TH.29 e Symphony No. 6 in B minor, Op. 74, TH 30 - Pathétique


 Tchaikovsky escreveu seis sinfonias. As seis possuem uma orquestração fabulosa. As de número 4, 5 e 6, geralmente, aparecem juntas em discos variados. Existem inúmeras gravações desse conjunto. Elas são uma espécie de trilogia poderosa sobre o destino.

A primeira dela, a Nº 4, foi escrita em 1877. É a mais explícita em sua narrativa. O próprio Tchaikovsky descreveu o motivo inicial dos metais como a representação do "Fatum", a força inexorável do destino que paira sobre a vida humana. Desde os primeiros compassos, a obra parece travar uma batalha entre a esperança e a inevitabilidade. O que impressiona não é apenas a qualidade da escrita orquestral, mas a sinceridade brutal da música. Não há heroísmo beethoveniano aqui. Há resistência, sofrimento e, sobretudo, a consciência de que certas forças são maiores do que nós.

A Quinta Sinfonia, escrita onze anos depois, assume um tom mais filosófico. Seu tema recorrente reaparece ao longo dos quatro movimentos como uma ideia obsessiva, quase um pensamento impossível de afastar. Muitos ouvintes interpretam a obra como uma trajetória das trevas para a luz, culminando em um final triunfal. Mas esse triunfo permanece controverso. Há quem veja nele uma vitória genuína da vontade humana; outros enxergam uma celebração forçada, uma máscara colocada sobre feridas ainda abertas.

Sexta Sinfonia, a célebre "Patética", que Tchaikovsky alcança sua expressão mais devastadora. É uma das minhas sinfonias favoritas da vida. Estreada poucos dias antes de sua morte, a obra desafia todas as convenções do gênero. Em vez de terminar com um final brilhante e afirmativo, ela encerra sua jornada em um lento movimento de despedida, que se dissolve gradualmente no silêncio. É uma metáfora da própria vida, repleta de paixões, que se dissolve como se uma esponja eliminasse a sujeira de um copo.

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Piotr I. Tchaikovsky (1840-1893) - 

DISCO 01

01. Symphony No.4 in F minor, Op.36, TH.27 -  1. Andante sostenuto - Moderato con anima -
02. Symphony No.4 in F minor, Op.36, TH.27 -  2. Andantino in modo di canzone 
03. Symphony No.4 in F minor, Op.36, TH.27 -  3. Scherzo. Pizzicato ostinato - Allegro 
04. Symphony No.4 in F minor, Op.36, TH.27 -  4. Finale (Allegro con fuoco) 

DISCO 02

01. Symphony No.5 in E minor, Op.64, TH.29 -  1. Andante - Allegro con anima 
02. Symphony No.5 in E minor, Op.64, TH.29 -  2. Andante cantabile, con alcuna licenza - Moderato con anima
03. Symphony No.5 in E minor, Op.64, TH.29 -  3. Valse (Allegro moderato)
04. Symphony No.5 in E minor, Op.64, TH.29 -  4. Finale (Andante maestoso - Allegro vivace)

DISCO 03

01. Symphony No. 6 in B minor, Op. 74, TH 30 - Pathétique 1. Adagio - Allegro non troppo 
02. Symphony No. 6 in B minor, Op. 74, TH.30 - Pathétique 2. Allegro con grazia 
03. Symphony No. 6 in B minor, Op. 74, TH.30 - Pathétique 3. Allegro molto vivace 
04. Symphony No. 6 in B minor, Op. 74, TH.30 - Pathétique 4. Finale (Adagio lamentoso - Andante) 

Wiener Philharmoniker
Rafael KUbelik, regente 

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segunda-feira, 11 de maio de 2026

Joshua Bell - Voice of the Violin

Texto de apresentação do disco: 

"Temo que isso ainda subestime a qualidade etérea com que Bell extrai notas musicais vivas de seu Stradivarius. A comunhão espiritual que se estabelece entre um virtuose e seu instrumento é o que torna possível a conexão entre intérprete e ouvinte. O instrumento transforma-se em uma voz singular, capaz de transmitir a essência da música - ela própria uma extensão do compositor. Quando essa relação é pura, sua qualidade torna-se imensurável e indizível, comunicando-se apenas entre espíritos, e alcançando plenitude ainda maior nas mãos de uma alma afim. Joshua Bell possui exatamente esse tipo de vínculo: não apenas entre o autor da obra e a excelência do instrumento, mas também entre o compositor e o público. Bell se destaca como a ponte perfeita entre todos eles.

Constantemente incentivados a “cantar” através de seus instrumentos, músicos de cordas naturalmente buscam reproduzir o mais belo de todos os instrumentos musicais: a voz humana. Não surpreende, portanto, que desejem literalmente colocar os dedos sobre os tesouros do repertório vocal. Joshua Bell apropriou-se de algumas das mais célebres canções e árias operísticas, de Mozart aos românticos, passando por Orff. Lentamente conduzidas, sustentadas, líricas e, sim, profundamente “cantáveis”, essas melodias sedutoras e de ampla carga emocional adaptam-se com extraordinária naturalidade ao violino.

Grande parte dos arranjos leva a assinatura de J.A.C. Redford, conhecido compositor de cinema e televisão. E, de fato, as cordas pulsantes e as modulações abruptas típicas de trilhas sonoras permeiam suas orquestrações, em contraste surpreendente com a linguagem original dos compositores. Em “Beau soir”, de Debussy, o pianista Frederic Chiu acompanha Bell com tamanha sensibilidade que se chega a desejar que o piano tivesse substituído a orquestra em todas as canções. As transcrições violinísticas da linha vocal permanecem fiéis aos originais, exceto pelo hábito quase compulsivo de Redford de adicionar oitavas nas repetições e saltar do registro mais grave ao mais agudo.

Naturalmente, Bell executa tudo isso com maestria — e é justamente a interpretação o grande destaque. Seu timbre é arrebatadoramente belo: quente nas cordas graves, luminoso nos registros agudos e sempre intensamente expressivo. Seu amor pela música e sua compreensão instintiva de sua simplicidade interior, de seu anseio romântico e de seu ardor apaixonado atingem diretamente o coração do ouvinte.

Na única participação violinística autenticamente escrita para o instrumento, o obbligato de “Morgen!”, de Richard Strauss, Bell divide a cena com a soprano Anna Netrebko, dona de uma voz dourada. Inicialmente intensa em excesso, ela gradualmente se entrega a um desfecho mágico e sereno".  

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

01. Vocalise, Op. 34, No. 14 (Rachmaninoff) (5:51)
02. Ave Maria (Schubert) (4:43)
03. Pourquoi me reveiller from Werther (Massenet) (2:37)
04. Apres un reve, Op. 7, No. 1 (Faure) (2:50)
05. Song To The Moon from Rusalka (Dvorak) (5:28)
06. Laudate Dominum from Vesperae solennes de confessore (Mozart) (4:43)
07. None But The Lonely Heart, Op. 6/6 (Tchaikovsky) (2:51)
08. Una Furtiva Lagrima from L'Elisir d'Amore (Donizetti) (4:17)
09. In trutina from Carmina Burana (Orff) (2:34)
10. May Breezes from Songs without Words, Op. 62, No. 1 (Mendelssohn) (2:18)
11. Beau soir (Debussy) (2:32)
12. Estrellita (Ponce) (3:16)
13. Nana (Bercuese) from Siete conciones populares Espanolas (De Falla) (2:12)
14. Je crois entendre encore from The Pearl Fishers (Bizet) (3:31)
15. Morgen! Op. 27, No. 4 (R. Strauss) (3:41)

Joshua Bell, violino

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terça-feira, 14 de abril de 2026

P. I. Tchaikovsky (1840-1893) - The Queen of Spades, Op. 68 TH 10_ Overture, Claude Debussy (1862-1918) - Prélude à l’après-midi d’un faune, L. 86 e La mer, L. 109 etc


Textinho da Wikipédia trazendo alguns dados biográficos da carreira de Svetlanov:

"Svetlanov nasceu em Moscou e estudou regência com Alexander Gauk no Conservatório de Moscou . A partir de 1955, regeu no Teatro Bolshoi , sendo nomeado maestro principal em 1962. De 1965 a 1979, foi maestro principal da Orquestra Sinfônica Estatal da URSS (atual Orquestra Sinfônica Estatal Russa). Em 1979, foi nomeado maestro convidado principal da Orquestra Sinfônica de Londres . Svetlanov também foi diretor musical da Orquestra Residentie ( Haia ) de 1992 a 2000 e da Orquestra Sinfônica da Rádio Sueca de 1997 a 1999.

Em 2000, Svetlanov foi demitido de seu cargo na Orquestra Sinfônica Estatal Russa pelo ministro da cultura da Rússia, Mikhail Shvydkoy . O motivo alegado foi que Svetlanov estava passando muito tempo regendo no exterior e pouco tempo em Moscou.

Svetlanov destacou-se particularmente por suas interpretações de obras russas – ele abrangeu toda a gama da música russa, de Mikhail Glinka aos dias atuais. Ele também foi um dos poucos maestros russos a reger toda a obra sinfônica de Gustav Mahler .

Suas próprias composições incluem um Quarteto de Cordas (1948), Daugava, Poema Sinfônico (1952), Fantasia Siberiana para Orquestra, Op. 9 (1953), Images d'Espagne , Rapsódia para orquestra (1954), Sinfonia (1956), Poema Festivo (1966),  Variações Russas para harpa e orquestra (1975), Concerto para Piano em dó menor (1976) e Poema para Violino e Orquestra "À Memória de David Oistrakh" (1975).  Ele compôs a Fantasia Siberiana em 1953/54, em colaboração com Igor Yakushenko [1932-1999].

Svetlanov também era um pianista extremamente competente, tendo gravado três obras notáveis: o Trio para Piano nº 2 em Ré menor e a Sonata para Violoncelo op. 19 de Sergei Rachmaninoff , e um disco de música para piano de Nikolai Medtner .

A Warner Music France lançou uma "Édition officielle Yevgeny Svetlanov" apresentando o legado de gravações de Svetlanov como maestro e pianista, que em julho de 2008 já somava 35 volumes em CDs, frequentemente em caixas com vários CDs. O maior deles é a caixa com 16 CDs contendo as sinfonias completas de Nikolai Myaskovsky , cuja música Svetlanov dedicou-se integralmente".
 

01 - The Queen of Spades, Op. 68 TH 10_ Overture (Live at Royal Festival Hall, London)
02 - Prélude à l’après-midi d’un faune, L. 86 (Live at Royal Festival Hall, London)
03 - La mer, L. 109_ I. De l’aube à midi sur la mer (Live at Royal Festival Hall, London)
04 - La mer, L. 109_ II. Jeux de vagues (Live at Royal Festival Hall, London)
05 - La mer, L. 109_ III. Dialogue du vent et de la mer (Live at Royal Festival Hall, London)
06 - 5 Études-tableaux, Op. 39_ No. 2 in A Minor (Arr. for Orchestra by Ottorino Respighi)
07 - 8 Études-tableaux, Op. 33_ No. 6 in E-Flat Major (Arr. for Orchestra by Ottorino Respighi) (
08 - Overture on Hebrew Themes, Op. 34 (Live at Royal Festival Hall, London)

Philharmonia Orchestra (1-5)
BBC Symphony Orchestra (6,7)
London Symphony Orchestra (8)

Yevgeny Svetlanov, regente 

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quinta-feira, 5 de março de 2026

Piotr I. Tchaikovsky (1840-1893) - Symphony No. 5 in E Minor, Op. 64, Symphony No. 6 in B Minor, Op. 74 - "Pathétique", 1812 Overture, Op. 49, Capriccio italien, Op. 45 etc

Tchaikovsky foi um compositor singular, daqueles que conseguiram deixar uma marca extraordinária em suas composições. É importante pontuar, inicialmente, que a marca do compositor pode ser identificada: (1) como um orquestrador fabuloso; e (2) um imponente melodista. Este disco, por exemplo, reúne um material orquestral de primeira qualidade. Há aberturas e outros materiais orquestrais, além das poderosas e imponentes sinfonias de número 5 e de número 6, uma das minhas favoritas.

A primeira delas é a Sinfonia No. 5, composta em 1888. Tchaikovsky a escreveu após mais de uma década desde a Sinfonia No. 4. O compositor temia ter perdido sua capacidade criativa; a obra nasce, portanto, em meio a dúvidas pessoais. Ironicamente, tornou-se uma das sinfonias mais executadas do repertório. A obra é atravessada por um tema cíclico, frequentemente chamado de “tema do destino”. Apresentado logo na introdução pelos clarinetes e fagotes em registro grave, esse tema percorre toda a sinfonia, reaparecendo transformado em diferentes contextos harmônicos e emocionais. Fica evidente a influência lisztiana nesse fabuloso trabalho.

Em seguida, temos a poderosa Sinfonia No. 6, também conhecida como “Patética”. O ano de sua composição é 1893. O título pode gerar confusão. A ideia emanada da obra não é de sentimentalismo gratuito; o que está em jogo é uma revoluteante paixão, um intenso sofrimento emocional.  A obra possui um forte apelo dramático. As melodias são amplas e surgem em forma de elegia; há explosões rítmicas violentas; humores bruscos que se dissolvem em delicadas reflexões sustentadas pelas cordas.

O último movimento subverte a noção sinfônica tradicional. Até aquele momento, o último movimento era rápido, festivo, como que a emoldurar o triunfo, a resolução de um problema. O compositor quebra essa lógica. Tchaikovsky encerra a obra com um Adagio lamentoso, um final lento e sombrio que se dissolve em silêncio.

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!

Piotr I. Tchaikovsky (1840-1893) - 

DISCO 01


01 - 1812 Overture, Op. 49
02 - Capriccio italien, Op. 45
03 - Symphony No. 5 in E Minor, Op. 64, TH 29_ 1. Andante - Allegro con anima
04 - Symphony No. 5 in E Minor, Op. 64, TH 29_ 2. Andante cantabile, con alcuna licenza - Moderato con anima
05 - Symphony No. 5 in E Minor, Op. 64, TH 29_ 3. Valse (Allegro moderato)
06 - Symphony No. 5 in E Minor, Op. 64, TH 29_ 4. Finale (Andante maestoso - Allegro vivace)

DISCO 02

01 - Romeo and Juliet, Fantasy Overture
02 - Slavonic March, Op. 31
03 - Symphony No. 6 in B Minor, Op. 74, TH 30 _Pathétique__ 1. Adagio - Allegro non troppo
04 - Symphony No. 6 in B Minor, Op. 74, TH 30 _Pathétique__ 2. Allegro con grazia
05 - Symphony No. 6 in B Minor, Op. 74, TH 30 _Pathétique__ 3. Allegro molto vivace
06 - Symphony No. 6 in B Minor, Op. 74, TH 30 _Pathétique__ 4. Finale (Adagio lamentoso - Andante)

Concertgebouw Orchestra
Paul van Kempen, regente

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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Piotr I. Tchaikovsky (1840-1893) - Symphony No. 5 in E Minor, Op. 64, TH 29 e Marche slav, Op. 31, TH 45

Tchaikovsky foi um dos maiores melodistas da história da música. Ele tinha a incrível capacidade de transformar emoções humanas em melodias extraordinárias. Neste disco, por exemplo, encontramos duas das suas obras mais expressivas - a Sinfonia No. 5 e a Marcha Eslava. 

A Sinfonia No. 5 foi escrita em 1888. O compositor enfrentava um momento de grande instabilidade emocional. Ele tinha dúvidas sobre seu próprio talento e temia estar perdendo a criatividade. Essa insegurança, curiosamente, deu origem a uma obra profundamente humana. Na Sinfonia nº 5, há uma ideia musical que aparece várias vezes ao longo da obra — um tema sombrio que muitos chamam de “tema do destino”. Ele surge logo no início, tocado pelos clarinetes, com um ar quase fúnebre. Ao longo dos quatro movimentos, esse tema vai se transformando.

Já a Marcha Eslava é uma curta e direta, composta em 1876. Ela nasceu em um contexto político: a Sérvia estava em guerra contra o Império Otomano, e na Rússia havia um forte movimento de apoio aos povos eslavos. Tchaikovsky foi convidado a compor uma peça patriótica para um concerto beneficente. O resultado foi essa marcha vibrante e cheia de energia. 

Não deixe de ouvir este disco do selo Naxos. Uma boa apreciação! 

Piotr I. Tchaikovsky (1840-1893) - 

01. Symphony No. 5 in E Minor, Op. 64, TH 29 - I. Andante - Allegro con anima
02. Symphony No. 5 in E Minor, Op. 64, TH 29 - II. Andante cantabile con alcuna licenza - Moderato con anima
03. Symphony No. 5 in E Minor, Op. 64, TH 29 - III. Valse - Allegro moderato
04. Symphony No. 5 in E Minor, Op. 64, TH 29 - IV. Andante maestoso - Allegro vivace
05. Marche slav, Op. 31, TH 45 - Marche slave (Slavonic March), Op. 31 [Live]

Slovak Philharmonic
Stephen Gunzenhauser, regente 

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quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Antonin Dvorak (1841-1904) - Serenade in E, Op. 22 e Serenade in D minor, Op. 44 e P. I. Tchaikovsky (1840-1893) - Serenade in C major, Op. 48

Este disco foi separado para ser postado desde o ano de 2024. Ele foi ficando, ficando, mas nunca concretizei a ideia de postá-lo. Trata-se de um registro maravilhoso, de grande lirismo e funda emoção. O Op. 22, de Dvorak, foi escrito em 1875 para cordas e é um marco divisor na carreira do compositor. Nele, Dvořák encontra uma voz própria, equilibrando a herança clássica - especialmente de Mozart e Brahms - com inflexões rítmicas e melódicas do folclore eslavo. 

Já o Op. 44 foi escrito quase uma década depois. Dvorak utiliza um conjunto pouco convencional - sopros, violoncelo e contrabaixo. O resultado é uma obra de cores densas e caráter mais rústico, em que os timbres dos instrumentos de sopro evocam bandas populares e tradições camponesas da Boêmia. Aqui, o compositor explora contrastes mais marcantes entre solenidade e jovialidade, com movimentos que oscilam entre o cerimonial e a dança animada.

E a última obra o disco é o Op. 48, de Tchaikovsky, escrita em 1880. O compositor russo afirmou ter escrito a obra “por amor” à forma clássica, e essa declaração se reflete na estrutura clara e na reverência explícita a Mozart, especialmente no primeiro movimento, Pezzo in forma di sonatina. No entanto, sob essa fachada clássica pulsa uma intensidade emocional tipicamente tchaikovskiana. 

Neste disco, as obras são interpretados em um duo para piano, o que acaba por ressaltar o caráter lírico. Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

01. I. Moderato (Arr. for piano Duet)
02. II. Tempo di Valse (Arr. for piano Duet)
03. III. Scherzo. Vivace (Arr. for piano Duet)
04. IV. Larghetto (Arr. for piano Duet)
05. V. Finale. Allegro vivace (Arr. for piano Duet)
06. I. Moderato quasi marcia (Arr. for piano Duet)
07. II. Minuetto (Arr. for piano Duet)
08. III. Andante con moto (Arr. for piano Duet)
09. IV. Finale. Allegro molto (Arr. for piano Duet)
10. I. Pezzo en forma di Sonatina (Andante non troppo) [Arr. for piano Duet]
11. II. Walzer (Moderato) [Arr. for piano Duet]
12. III. Elegie (Larghetto elegiaco) [Arr. for piano Duet]
13. IV. Finale. Tema russo (Andante - Allegro con spirito) [Arr. for piano Duet]

Zdenka and Martin Hrsel, piano 

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segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Béla Bartók (1881-1945) - Piano Conceto No.2 for piano and Orchestra e Piotr. I. Tchaikovsky (1840-1893) - Symphony No.5 in E minor, op.64


Este disco foi gravado nos anos 50; portanto, é uma gravação antiga, daquelas que possuem chiados e as afetações próprias do tempo. O disco traz duas obras das quais eu gosto bastante. A primeira delas é o monumental Concerto para piano, de Bartok. É uma obra cuja presença folclórica é uma constatação inarredável. A obra é um dos prodígios da arte pianística. Escrito em 1931, o Concerto procura conciliar estética e equilíbrio técnico. A linguagem é um desafio. O piano funciona como um instrumento de percussivo, algo tão diverso do lirismo romântico. Para o ouvinte pouco afeito, essa abordagem é de difícil assimilação. A obra é um retrato da música do século XX – sempre a desafiar as convenções.

Já a Quinta Sinfonia de Tchaikovsky é um monumento existencial, uma confissão; um coração que se revela. Escrita em 1888, a obra é estruturada em torno do "tema do destino", uma melodia sombria que aparece em todos os quatro movimentos. É importante dizer que existe uma conciliação de uma melancolia para um final em que uma esperança luminosa se revela. É uma vitória por pontos contra a melancolia. Uma admissão de que por mais que a vida seja um local de enormes dissabores, há espaço para a esperança, para a estruturação de um sentido para a existência.

É curioso que, tempos depois, Tchaikovsky escreveria a Sexta Sinfonia, a sua “Patética”, repleta de confissões e silêncios sombrios. Nela, voltaria a melancolia e, dessa vez, não há admissão de esperança. Não deixe de ouvir este disco. Uma boa apreciação!

01 - Bartok  Piano Conceto No.2 (G. Sandor on Pinao) - I. Allegro
02 - Bartok  Piano Conceto No.2 (G. Sandor on Pinao) - II. Adagio - Presto - Adagio
03 - Bartok  Piano Conceto No.2 (G. Sandor on Pinao) - III. Allegro molto - Presto
04 - Tchaikovsky  Symphony No.5 in E minor, op.64 - I. Andante - Allegro con anima
05 - Tchaikovsky  Symphony No.5 in E minor, op.64 - II. Andante cantabile con alc...
06 - Tchaikovsky  Symphony No.5 in E minor, op.64 - III. Valse Allegro moderato
07 - Tchaikovsky  Symphony No.5 in E minor, op.64 - IV. Finale Andante maestoso ...

Wiener Symphoniker
Ferenc Fricsay, regente
György Sándor, piano 

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domingo, 21 de dezembro de 2025

Fedoseev - Collection Box - Tchaikovsky, Stravinsky, Khachaturian, Borodin, Mussorgsky, Ippolitov, Glinka & Rimsky-Korsakov

Últimos cinco discos com obras de compositores russos, sob a regência de Vladimir Fedoseev. Como tudo é russo, gostei absolutamente de tudo. Ainda não conhecia o compositor Ivanov Ippolitov. Fiz uma rápida pesquisa e descubri que ele nasceu na segunda metade do século XIX e morreu na década de 30, já no período soviético. 

Vladimir Fedoseev, atualmente, encontra-se com 92 anos de idade. Em fevereiro deste ano, retirou-se da direção da Orquestra Sinfônica Tchaikovsky.  É amplamente considerado um dos maiores intérpretes da música russa (Tchaikovsky, Mussorgsky, Shostakovich), conhecido por sua profundidade interpretativa e sensibilidade emocional. Neste disco, todos os compositores que aparecem são russos, o que nos coloca em contato com a especialidade do maestro. Foi imensamente gratificante escutar os dez discos. 

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

DISCO 06

01 - The Swan Lake - Scene
02 - The Swan Lake - Waltz
03 - The Swan Lake - Dance of Little Four Swans
04 - The Swan Lake - Scene
05 - The Swan Lake - Hungarian Dance (Czardas)
06 - The Swan Lake - Spanish Dance
07 - The Swan Lake - Napolitan Dance
08 - The Swan Lake - Polish Dance (Mazurka)
09 - The Sleeping Beauty - Introduction
10 - The Sleeping Beauty - Adagio
11 - The Sleeping Beauty - Puss
12 - The Sleeping Beauty - Panorama
13 - The Sleeping Beauty - Waltz
14 - The Nutcracker - Miniatuer Overture
15 - The Nutcracker - March
16 - The Nutcracker - Dance of the Sugar
17 - The Nutcracker - Russian Dance
18 - The Nutcracker - Arabian Dance
19 - The Nutcracker - Chinese Dance
20 - The Nutcracker - Dance of the Reed-Pipes
21 - The Nutcracker - Waltz of Flower

DISCO 07

01 - The Rite of Spring - The Adoration of the Earth Introduction
02 - The Rite of Spring - The Adoration of the Earth Auguries of Spring
03 - The Rite of Spring - The Adoration of the Earth Dance of Abduction
04 - The Rite of Spring - The Adoration of the Earth Spring Rounds
05 - The Rite of Spring - The Adoration of the Earth Games of the Rival Towns
06 - The Rite of Spring - The Adoration of the Earth Entrance of the Sage
07 - The Rite of Spring - The Adoration of the Earth The Sage
08 - The Rite of Spring - The Adoration of the Earth Dance to the Earth
09 - The Rite of Spring - The Sacrifice Introduction
10 - The Rite of Spring - The Sacrifice Mystic Circle of Adolescents
11 - The Rite of Spring - The Sacrifice Dance to the Chosen One
12 - The Rite of Spring - The Sacrifice Evocation of the Ancestors
13 - The Rite of Spring - The Sacrifice Ritual Performance of the Ancestors
14 - The Rite of Spring - The Sacrifice The Sacrificial Dance

DISCO 08

01 - Tchaikovsky Ouverture Solennelle '1812', Op.49
02 - Khachaturian Sabre Dance from Gayne
03 - Borodin Polovetsian Dances from 'Prince Igor'
04 - Tchaikovsky Serenade in C major for Strings, Op.48 - 1. Pezzo in for ma di sonatina
05 - Tchaikovsky Serenade in C major for Strings, Op.48 - 2. Waltz
06 - Tchaikovsky Serenade in C major for Strings, Op.48 - 3. Elegie
07 - Tchaikovsky Serenade in C major for Strings, Op.48 - 4. Finale Theme russo

DISCO 09

01 - Mussorgsky Night on Bald Mountain, symphonic poem
02 - Borodin Polovetsian March (from 'Prince Igor')
03 - Borodin In the Steppes of Central Asia, symphonic poem
04 - Ippolitov-Ivanov Caucasian Sketches - 1. In a mountain pass
05 - Ippolitov-Ivanov Caucasian Sketches - 2. In the village
06 - Ippolitov-Ivanov Caucasian Sketches - 3. In the mosque
07 - Ippolitov-Ivanov Caucasian Sketches - 4. Procession of the sardar

DISCO 10

01 - Glinka Ruslan and Lyudmila - Overture
02 - Tchaikovsky Capriccio Italien, Op.45
03 - Tchaikovsky Waltz from Sleeping Beauty
04 - Tchaikovsky Marche slave, Op.31
05 - Rimsky-Korsakov Capriccio espagnol, Op.34

Moscow Radio Symphony Orchestra
Vladimir Fedoseev, regente  

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domingo, 14 de dezembro de 2025

Fedoseev - Collection Box - Tchaikovsky & Shostakovich (CDs 1, 2, 3, 4 & 5 de 10)

Vladimir Ivanovich Fedoseev (em russo, Владимир Иванович Федосеев) nasceu em 5 de agosto de 1932, em Leningrado (atual São Petersburgo). A sua infância foi marcada por circunstâncias extremas: ele sobreviveu ao Cerco de Leningrado durante a Segunda Guerra Mundial, experiência que frequentemente menciona como formadora de seu caráter e de sua visão profundamente humanista da música.

Fedoseev iniciou sua formação musical como instrumentista de bayan (acordeão russo), estudando no Instituto Gnessin de Moscou, onde mais tarde também se dedicou à regência orquestral. Esse percurso - de músico prático a maestro - contribuiu para a forte consciência instrumental e a atenção ao detalhe sonoro que se tornariam marcas de sua atuação.

A posição central de sua carreira foi a de diretor artístico e regente principal da Orquestra Sinfônica Tchaikovsky da Rádio de Moscou, cargo que assumiu em 1974 e manteve por décadas, transformando o conjunto em uma das principais orquestras da Rússia. Paralelamente, regeu importantes casas de ópera e orquestras internacionais, incluindo o Teatro Bolshoi, o Teatro Mariinsky, a Orquestra Filarmônica de Viena, a Filarmônica de Berlim e a Orquestra da Gewandhaus de Leipzig, entre muitas outras.

Nesta excelente caixa, encontramos os principais nomes da música russa, uma das especialidades do regente russo. 

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

DISCO 01

01 - Symphony No.5 in E minor, Op.64 - 1. Andante - Allegro con anima
02 - Symphony No.5 in E minor, Op.64 - 2. Andante cantabile con alcuna licenza
03 - Symphony No.5 in E minor, Op.64 - 3. Valse Allegro moderato
04 - Symphony No.5 in E minor, Op.64 - 4. Finale Andante maestoso - Allegro vivace

DISCO 02

01 - Symphony No.6 in B minor, Op.74 'Pathétique' - 1. Adagio - Allegro - Andante - Allegro - Andante
02 - Symphony No.6 in B minor, Op.74 'Pathétique' - 2. Allegro con grazia
03 - Symphony No.6 in B minor, Op.74 'Pathétique' - 3. Allegro molto vivace
04 - Symphony No.6 in B minor, Op.74 'Pathétique' - 4. Finale Andante lamentoso

DISCO 03

01 - Piano Concerto No.1 in B flat minor, Op.23 - 1. Allegro non troppo e molto maestroso - Allegro con spirito
02 - Piano Concerto No.1 in B flat minor, Op.23 - 2. Andantino semplice - Prestissimo - Tempo I
03 - Piano Concerto No.1 in B flat minor, Op.23 - 3. Allegro con fuoco
04 - Hymn in Honour of SS Cyril and Methodius
05 - Nine Sacred Pieces - 4. We sing to thee
06 - Nine Sacred Pieces - 6. Our Father in heaven
07 - Nine Sacred Pieces - 8. Let my prayer ascend
08 - Nine Sacred Pieces - 9. Today, the heavenly powers
09 - Chorus of Flower and Insects

DISCO 04

01 - Symphony No.5 in D minor, Op.47 - 1. Moderato
02 - Symphony No.5 in D minor, Op.47 - 2. Allegretto
03 - Symphony No.5 in D minor, Op.47 - 3. Largo
04 - Symphony No.5 in D minor, Op.47 - 4. Allegro non troppo

DISCO 05

01 - Song of the Forests, Op.81 - 1. At the war ends
02 - Song of the Forests, Op.81 - 2. 1. forests let us clothe our land
03 - Song of the Forests, Op.81 - 3. Remembrance of the past
04 - Song of the Forests, Op.81 - 4. Children plant the forest
05 - Song of the Forests, Op.81 - 5. Arise to great deeds all ye people
06 - Song of the Forests, Op.81 - 6. Promnade in the future
07 - Song of the Forests, Op.81 - 7. Glory!

Moscow Radio Symphony Orchestra
Vladimir Fedoseev, regente 

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sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Piotr I. Tchaikovsky (1840-1893) - Manfred Symphony, Op. 58

A Sinfonia Manfredo é uma obra programática, escrita no ano de 1885. Ela é inspirada no drama romântico "Manfredo", de Lord Byron, publicado em 1817. Manfredo é um anti-herói, um indivíduo perturbado. Vive nos Alpes, atormentado por uma misteriosa e profunda culpa relacionada à morte de Astarte, sua amada. A obra possui elementos fantásticos e evoca espíritos da natureza, fadas e demônios em busca de esquecimento e perdão para os seus crimes e pecados. Em sua busca desesperada e melancólica, Manfredo demonstra uma altivez e recusa em se submeter a qualquer poder, morrendo sem buscar a redenção religiosa. 

A ideia de musicar o famoso trabalho literário de Byron não foi, originalmente, de Tchaikovsky. Foi insistentemente apresentada pelo seu ex-professor e colega, um dos pais da música russa, Mily Balakirev. Tchaikovsky não se entusiasmou com a ideia, mas acabou escrevendo algo que, mais tarde, pensou em reescrever - principalmente, o primeiro movimento, que arquitetou transformar em um poema sinfônico. O fato é que o trabalho permaneceu. 

O sucesso da obra foi imediato, quando da sua estreia, em 1886. Foi só mais tarde que ele pensou em transformá-la, revisá-la, pois passou a achar a obra "abominável". Deveria ter seus motivos para tal. O fato é que o trabalho é uma das amostras mais poderosas das composições do músico russo. Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!  

Piotr I. Tchaikovsky (1840-1893) -

01 - Manfred Symphony, Op. 58_ I. Lento lugubre
02 - Manfred Symphony, Op. 58_ II. Vivace con spirito
03 - Manfred Symphony, Op. 58_ III. Andante con moto
04 - Manfred Symphony, Op. 58_ IV. Allegro con fuoco

London Philharmonic Orchestra

Vladimir Jurowski, regente 

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segunda-feira, 10 de novembro de 2025

W. A. Mozart (1756-1791) - Violin Concerto No. 5 in A Major, K. 219 - "Turkish", Alexander Glazunov (1896-1936) - Violin Concerto in A Minor, Op. 82 e P.I. Tchaikovsky (1840-1893) - Violin Concerto in D Major, Op. 35


Sir John Barbirolli foi um importante regente inglês. Ficou mais conhecido por ser o maestro senior da Orquestra Hallé, orquestra esta que ele conduziu até o final de sua vida. Além da Hallé, ele atuou à frente das principais orquestras europeias e estadunidenses. Neste disco, por exemplo, ele conduz a Filarmônica de Londres. O disco traz uma gravação bastante antiga – talvez, dos anos 40 ou 50. Percebem-se os chiados e a qualidade afetada do som ; todavia, possui o seu charme. O violinista é o mítico Jascha Heifetz.

A primeira obra a surgir no disco é o Concerto para violino No. 5, de Mozart. Foi escrito em 1775. É o último dos seus concertos para o instrumento. Denominado “Concerto turco”. A segunda obra do disco é o Concerto para violino e em Lá menor, de Glazunov. É do ano de 1904. É considerado um dos mais importantes concertos do romantismo tardio. Seu lirismo é um dos pontos altos, marcado por melodias que cativam o ouvinte. E a última do disco é o famoso Opus 35, de Tchaikovsky. É uma das obras mais populares, aclamadas e desafiadoras para os intérpretes entre aquelas escritas para o repertório violinístico. Ela foi escrita em pouco mais de três semanas por Tchaikovsky, em 1878.

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

01. Mozart_ Violin Concerto No. 5 in A Major, K. 219 _Turkish__ I. Allegro aperto
02. Mozart_ Violin Concerto No. 5 in A Major, K. 219 _Turkish__ II. Adagio
03. Mozart_ Violin Concerto No. 5 in A Major, K. 219 _Turkish__ III. Tempo di menuetto
04. Glazunov_ Violin Concerto in A Minor, Op. 82_ I. Moderato
05. Glazunov_ Violin Concerto in A Minor, Op. 82_ II. Andante
06. Glazunov_ Violin Concerto in A Minor, Op. 82_ III. Cadenza
07. Glazunov_ Violin Concerto in A Minor, Op. 82_ IV. Animando
08. Tchaikovsky_ Violin Concerto in D Major, Op. 35_ I. Allegro moderato
09. Tchaikovsky_ Violin Concerto in D Major, Op. 35_ II. Canzonetta. Andante
10. Tchaikovsky_ Violin Concerto in D Major, Op. 35_ III. Finale. Allegro vivicissimo

London Philharmonic Orchestra
Sir John Barbirolli, regente
Jascha Heifetz, violino 

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quarta-feira, 22 de outubro de 2025

Piotr I. Tchaikovsky (1840-1893) - Souvenir de Florence & Symphony No. 6 ‘Pathetique’

 

Do encarte do disco:

Itália, Florença — “Nada até agora me dá o menor prazer”, confessou Tchaikovsky ao irmão. “Não consigo viver fora da Rússia.” Profundamente abatido pela depressão, o compositor, ainda assim, concluiu sua décima ópera, A Dama de Espadas, e iniciou um sexteto de cordas que se tornaria Souvenir de Florence, finalizado após seu retorno à Rússia, em junho de 1890. Apesar do tom sombrio de suas cartas, ecos de afeto por Florença emergem na música. No Adagio, melodias melancólicas do folclore russo entrelaçam-se a um tema inspirado pela cidade italiana — talvez uma prova de que ele a apreciava mais do que admitia.

Em 1892, as dificuldades criativas persistiam. Uma sinfonia em mi bemol foi abandonada — seus fragmentos seriam reaproveitados mais tarde no Terceiro Concerto para Piano e no Andante e Finale. Pouco depois, Tchaikovsky iniciou uma nova sinfonia em si menor. Se Souvenir de Florence traz a melancolia à flor da pele, nada se compara à profundidade emocional da Sexta Sinfonia. “Tenho muito orgulho desta sinfonia”, escreveu. “Acho que é a melhor das minhas composições.”

Sob a regência de Domingo Hindoyan, a Royal Liverpool Philharmonic Orchestra revela essas nuances com impressionante clareza — a volatilidade, a vulnerabilidade e os breves lampejos de luz. Em suas mãos, o conflito interior de Tchaikovsky torna-se quase palpável, a música se expandindo com todo o peso de uma despedida. Nove dias após reger a estreia da obra, o compositor estava morto — vítima da epidemia de cólera que assolava o Império Russo.

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!

Piotr I. Tchaikovsky (1840-1893) - 

01. Souvenir de Florence, Op. 70: I. Allegro con spirito (11:37)
02. Souvenir de Florence, Op. 70: II. Adagio cantabile e con moto (11:13)
03. Souvenir de Florence, Op. 70: III. Allegro moderato (6:35)
04. Souvenir de Florence, Op. 70: IV. Allegro vivace (7:10)
05. Symphony No. 6 in B Minor, Op. 74, 'Pathetique': I. Adagio - Allegro ma non troppo (18:53)
06. Symphony No. 6 in B Minor, Op. 74, 'Pathetique': II. Allegro con grazia (7:22)
07. Symphony No. 6 in B Minor, Op. 74, 'Pathetique': III. Allegro molto vivace (8:35)
08. Symphony No. 6 in B Minor, Op. 74, 'Pathetique': IV. Adagio lamentoso (10:28)

Royal Liverpool Philharmopnic Orchestra
Domingo Hindoyan, regente 

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sábado, 11 de outubro de 2025

Piotr I. Tchaikovsky (1840-1893) - Manfred Symphony in B minor, Op. 58, Marche slave, Op.31, Romeo and Juliet, fantasy-overture for orchestra in B minor e Sergey Rahmaninov (1873-1943) - Symphony No. 2 in E minor, Op. 27

Um disco para se ouvir mais de uma vez. As obras aqui encontradas são de dois compositores russos; românticos tardios dos quais eu gosto bastante. Destacarei apenas as obras maiores. A primeira delas é Sinfonia Manfredo, inspirada no personagem criado por Lord Byron. É possível observar pelas características e evocações dramáticas e sombrias a influência de Liszt. O herói manfrediano, atormentado por culpa e desespero, encontra em Tchaikovsky um espelho perfeito: o compositor, sempre dividido entre a introspecção e o brilho teatral, transforma o tema em um confessionário orquestral. A orquestra explode em cores, mas o centro é sombrio — não há reconciliação, apenas resignação. É Tchaikovsky olhando o abismo, e encontrando nele uma espécie de beleza trágica. De Tchaikovsky ainda aparecem a impetuosa "Marcha Eslava" e a "Abertura Romeu e Julieta", uma das obras mais bonitas e brilhantes de Tchaikovsky; o compositor capta toda a psicologia em torno do drama dos dois jovens apaixonados. 

A outra grandiosa do disco é a Sinfonia No. 2, Rcahmaninov, já escrita no século XX (1907), 14 anos após a morte de Tchaikovsky. Rach já era um compositor em ascensão, embora a sua Primeira Sinfonia não tenha obtido o sucesso que ele esperava, a Segunda é uma tentativa de se reconciliar consigo mesmo. O século XIX havia passado e a Rússia se equilibrava entre o passado e o modernismo. Rachmaninov procurava equilibrar essa tensão, criando um trabalho belo e repleto de evocações à memória. O Adagio é um dos momentos mais bonitos da música do século XX, não obstante esteja impregnado de um olhar para o passado. 

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!

Piotr I. Tchaikovsky (1840-1893) - 

DISCO 01

01 - Manfred Symphony in B minor, Op. 58 I. Lento lugubre - Moderato con moto - Andante
02 - Manfred Symphony in B minor, Op. 58 II. Vivace con spirito
03 - Manfred Symphony in B minor, Op. 58 III. Andante con moto
04 - Manfred Symphony in B minor, Op. 58 IV. Allegro con fucco
05 - Marche slave, Op.31

DISCO 02

01 - Tchaikovsky - Romeo and Juliet, fantasy-overture for orchestra in B minor (3 versions)
02 - Rachmaninov - Symphony No. 2 in E minor, Op. 27 I. Largo - Allegro moderato
03 - Rachmaninov - Symphony No. 2 in E minor, Op. 27 II. Allegro molto
04 - Rachmaninov - Symphony No. 2 in E minor, Op. 27 III. Adagio
05 - Rachmaninov - Symphony No. 2 in E minor, Op. 27 IV. Allegro vivace

London Symphony Orchestra
André Previn, regente
Royal Philharmonic Orchestra
Yuri Termirkanov, regente 

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sexta-feira, 10 de outubro de 2025

Piotr. I. Tchaikovsky (1840-1893) - Violin Concerto in D Major, Op. 35 e Béla Bartók (1881-1945) - Violin Concerto No. 2, Sz. 112

"No início de 1878, Nadezhda von Meck, patronesse de Tchaikovsky, deu ao compositor uma boa quantia para que ele pudesse repousar no campo. Ela achava que, depois do fracasso de seu casamento com Antonina Miliukova e de sua tentativa de suicídio no Rio Moscou, ele merecia uma viagem de férias fora da Rússia.

Acompanhado pelo violinista Joseph Kotek, os dois rumaram para Clarens, na Suíça, levando uma pilha de partituras de música para violino, incluindo a Symphonie espagnole, de Lalo. Esta teria sido uma fonte de inspiração para o Concerto para Violino e Orquestra em Ré Maior, que Tchaikovsky começou a compor em 17 de março e terminou apenas duas semanas depois.

Mal sabia Tchaikovsky que estava criando uma tempestade de críticas, começando pela própria Nadezhda von Meck, que lhe escreveu expressando sua decepção. “Tenho esperança de que, com o tempo, a peça lhe dará prazer”, respondeu-lhe o compositor.

Leopold Auer, spalla da Orquestra Imperial, a quem o concerto havia sido dedicado, recusou-se a tocá-lo, dizendo ser ele “inapropriado ao caráter do instrumento”. Já Eduard Hanslick, um dos mais importantes críticos da época, escreveu uma verdadeira torrente de impropérios sobre a obra. Tchaikovsky recortou a crítica e a carregou em seu bolso por vários meses.

O concerto parecia destinado ao fracasso, quando as coisas começaram a mudar em dezembro de1881. O violinista Adolf Brodsky, a quem a peça também havia sido dedicada, fez a sua estreia em Viena e escreveu: “O concerto pode ser executado várias vezes sem ficar monótono”. O concerto tinha revivido!

Hoje em dia, a obra faz parte de uma trilogia de concertos para violino da era romântica que inclui ainda os de Mendelssohn e Brahms, sendo o de Tchaikovsky o mais popular. Isto não quer dizer que ela seja fácil.

Apesar de seu caráter lírico, o primeiro movimento termina com uma cadenza extremamente difícil composta por uma série de fogos de artifício técnicos. O segundo movimento, uma Canzonella, tem um sabor italiano, como seu nome implica: música simples, de profundo sentimento, com uma esplêndida transição que leva ao rondó final. Sobre este, diz um crítico: “O final tem de tudo: melodias inesquecíveis, drama, ternura e brilho.” Aqui

"O Concerto para Violino nº 2 , tamanho 112, BB 117, de Béla Bartók , foi escrito em 1937-38. Durante a vida do compositor, era conhecido simplesmente como Concerto para Violino. Seu outro concerto para violino, o Concerto para Violino nº 1 , tamanho 36, BB 48a, foi escrito entre 1907 e 1908, mas só foi publicado em 1956, após a morte do compositor, como "Concerto para Violino nº 1, Op. posth."

Bartók compôs o concerto em uma fase difícil de sua vida, quando estava tomado por sérias preocupações com a crescente força do fascismo . Ele tinha firmes opiniões antifascistas e, por isso, tornou-se alvo de vários ataques na Hungria pré-guerra .

Bartók planejou inicialmente escrever um concerto de movimento único com um conjunto de variações , mas Zoltán Székely queria um concerto padrão de três movimentos. No final, Székely recebeu seus três movimentos, enquanto Bartók recebeu suas variações: o segundo movimento é um conjunto formal de variações, e o terceiro movimento é uma variação do material do primeiro". Daqui

01 - Violin Concerto in D Major, Op. 35_I. Allegro moderato - Moderato assai
02 - Violin Concerto in D Major, Op. 35_II. Canzonetta. Andante - Attacca subito
03 - Violin Concerto in D Major, Op. 35_III. Finale. Allegro vivacissimo
04 - Violin Concerto No. 2, Sz. 112_I. Allegro non troppo
05 - Violin Concerto No. 2, Sz. 112_II. Andante tranquillo
06 - Violin Concerto No. 2, Sz. 112_III. Allegro molto

Swiss Festival Orchestra
Lorin Maazel, regente
Ernest Ansermet, regente
Isaac Stern, violino 

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segunda-feira, 8 de setembro de 2025

Piotri I. Tchaikovsky (1840-1893) - Romeo and Juliet - Fantasy Overture e Symphony no.6 in b minor, op.74 `Pathetique`

Tchaikovsky soube como ninguém verter as emoções, transformando-as em melodias poderosas e únicas. Neste disco, encontramos duas obras separadas por vinte anos, mas que demonstram como seu romantismo era repleto de sensibilidades que expressam o lado mais misterioso da alma humana.

                A primeira obra é a Fantasia Sinfônica Romeo e Julieta, escrita em 1869. Esta é para mim um dos trabalhos mais bonitos e significativos do compositor russo. Tchaikovsky inspira-se na conhecida tragédia de Shakespeare. Ela é um exemplo de como o compositor utiliza certas histórias para fazer música. Não se trata de uma sinfonia; a obra é um poema sinfônico. Tchaikovsky não reconta a história, visitando cena por cena. Ele, simplesmente, foca nos elementos centrais da história. Notam-se os conflitos; os reveses; a disputa entre as duas famílias; as dúvidas; o triunfo; e, ao final, a tragédia. É belíssimo.

                A segunda obra do disco é a poderosa e melancólica Sinfonia No. 6. Em minha humilde opinião, uma obra-prima sobre a psicologia humana. Ela funciona como uma espécie de testamento musical. Escrita em 1893, a “Patética” é a última obra escrita pelo compositor. Ao ser cunhada com o adjetivo pelo qual ficou também conhecida, quer apontar para a paixão que pretende evocar. “Pathetikos”, em grego, significa “capaz de sentir”, “que provoca emoção”. O termo deriva de “Pathos” – “paixão”, “sofrimento”, “sentimento intenso”. A obra é repleta de luzes mortiças, que bruxuleiam, a cada novo sopro dos ventos do pessimismo, da melancolia. A obra é, assim, uma espécie de réquiem de despedida do compositor. O último movimento, lento e com notas decrescentes, é um adeus, um suspiro final que se desvanece no silêncio.

                O compositor regeu a obra nove dias antes de sua morte. Esse fato torna a obra mais poderosa e repleto de significados. Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!

Piotri I. Tchaikovsky (1840-1893) - 

01 Romeo and Juliet - Fantasy Overture - guido cantelli
02 Symphony no.6 in b minor, op.74 `Pathetique` - i.adagio -
03  ii.Allegro con grazia - guido cantelli
04 iii.Allegro molto vivace - guido cantelli
05 iv.Finale- adagio lamentoso - andante - tempo i -

Philharmonia Orchestra

Guido Cantelli, regente 

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segunda-feira, 7 de julho de 2025

Piotr I. Tchaikovsky (1840-1893) - Symphony No. 4 in F Minor, Op. 36 e Symphony No. 5 in E Minor, Op. 64


Tchaikovsky escreveu ao todo seis sinfonias. Elas são referências indiscutíveis tanto pela expressividade orquestral, quanto pela força indiscutível que evocam. Eu, particularmente, gosto de todas elas - com um aceno mais expressivo para a Sexta, também conhecida como "Patética". Neste ótimo disco, gravado ao vivo, aparecem duas delas. 

A primeira é a Quarta, escrita nos anos de 1877 e 1878. A obra foi fecundada em momento de bastante turbulência emocional para o compositor. Por essa época, o compositor ingressou em um casamento desastroso com Antonina Miliukova, uma tentativa frustrada de exorcizar seus conflitos internos e lutar contra a sua homossexualidade. Gerou apenas mais crises e instabilidades. A Sinfonia é, assim, uma interpretação da luta entre o destino inexorável e a busca pela esperança e pela redenção existencial. O primeiro movimento é marcado pela incerteza - " o fatum", uma força impiedosa que paira sobre a felicidade, a tranquilidade e estabilidade do ser humano. 

A Quinta nasceu dez anos após a escrita da Quarta (1888). O compositor encontrava-se em uma situação emocional mais estável; já havia consolidado uma reputação internacional. Tchaikovsky ainda experimentava certa ambiguidade a respeito de sua genialidade. A Quinta também aborda a ideia do destino, todavia de maneira mais contemplativa e redentora, sugerindo uma conciliação com o próprio destino, algo bem diferente do aspecto trágico da Quarta. 

As duas sinfonias foram escritas no Império Russo, um período de ebulições e mudanças. A Rússia passava por grandes transformações. De certa forma, as duas sinfonias parecem apontar para isso, ao mesmo tempo em que são extensões da alma inquieta do compositor. A recepção da Quarta foi de desconfiança, por causa da volatividade emocional que a caracteriza. A Quinta também encontrou resistência. O próprio compositor olhava-a com certo dúvida. Hoje, ambas as sinfonias são estimadas e tidas como referências do repertório sinfônica, seja pelas maravilhosas melodias, seja pela inquestionável arquitetura, o que revela o gênio do compositor.

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!

Piotr I. Tchaikovsky (1840-1893) -

01 - Symphony No. 4 in F Minor, Op. 36_ I. Andante sostenuto - Moderato con anima
02 - Symphony No. 4 in F Minor, Op. 36_ II. Andantino in modo di canzona
03 - Symphony No. 4 in F Minor, Op. 36_ III. Scherzo. Pizzicato ostinato - Allegro
04 - Symphony No. 4 in F Minor, Op. 36_ IV. Finale. Allegro con fuoco
05 - Symphony No. 5 in E Minor, Op. 64_ I. Andante - Allegro con anima
06 - Symphony No. 5 in E Minor, Op. 64_ II. Andante cantabile, con alcuna licenza
07 - Symphony No. 5 in E Minor, Op. 64_ III. Valse. Allegro moderato
08 - Symphony No. 5 in E Minor, Op. 64_ IV. Finale. Andante maestoso - Allegro vivace

Royal Concertgebouw Orchestra
Mariss Jansons, regente 

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quinta-feira, 19 de junho de 2025

Alexander Tcherepnin (1899-1977) - Prelude to "La Princesse lointaine", Op. 4, Nikolai Rimsky-Korsakov (1844-1908) - Capriccio Espagnol, Op. 34 e Piotr I. Tchaikovsky (1840-1893) - Orchestral Suite No. 3 in G Major, Op. 55

 

01. Tcherepnin: Prelude to "La Princesse lointaine", Op. 4
02. Rimsky-Korsakov: Capriccio Espagnol, Op. 34: I. Alborada. Vivo e strepitoso
03. Rimsky-Korsakov: Capriccio Espagnol, Op. 34: II. Variazioni. Andante con moto
04. Rimsky-Korsakov: Capriccio Espagnol, Op. 34: III. Alborada. Vivo e strepitoso
05. Rimsky-Korsakov: Capriccio Espagnol, Op. 34: IV. Scena e canto gitano. Allegretto
06. Rimsky-Korsakov: Capriccio Espagnol, Op. 34: V. Fandango asturiano
07. Tchaikovsky: Orchestral Suite No. 3 in G Major, Op. 55: I. Élégie. Andantino molto cantabile
08. Tchaikovsky: Orchestral Suite No. 3 in G Major, Op. 55: II. Valse mélancolique. Allegro moderato
09. Tchaikovsky: Orchestral Suite No. 3 in G Major, Op. 55: III. Scherzo. Presto
10. Tchaikovsky: Orchestral Suite No. 3 in G Major, Op. 55: IV. Tema con variazioni. Andante con moto

NDR Radiophilharmonie

Stanislav Kochanovsky, regente  

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