quinta-feira, 21 de julho de 2016

Dmitri Shostakovitch (1906-1975): Sinfonia Nº 4 em dó bemol, Op. 43

Esta interpretação do Inbal e o motivo da Sinfonia número 4 de Shostakovich são coisas que nos colocam num grande aturdimento. Par entendê-la é preciso visualizar o ambiente político e cultural da União Soviética na década de 30. Shostakovich era um menino prodígio. Um gênio respeitado além das fronteiras do país. Sua Sinfonia número 1, seguida da número 2, colocaram-no em um lugar de destaque. Em 1928, a ópera O Nariz, baseada em livro de Gogol, notabilizou ainda mais o jovem artista. O soberano da União Soviética, Josef Stálin, colocara os olhos em Shostakovich. O "grande camarada" era desconfiado sobremaneira para suportar os voos ascendentes do músico. Quando da estreia de sua ópera Lady Macbeth de Mtzensk, baseada na novela escrita por Leskov, Stálin entendeu em sua vaidade que Shostakovich havia ultrapassado fronteiras perigosas. Aquele tipo de arte não servia às pretensões revolucionárias do líder. Escreveu um artigo devastador no Pravda, o jornal oficial do Partido Comunista (PCUS), criminalizando o trabalho. Isso fez com que a obra ficasse banida dos palcos soviéticos por quase trinta anos. Shosta, um artista genial em todos os aspectos, escreve, assim, nos anos de 1935 e 1936, a sua Quarta Sinfonia. É uma obra profética. Sua intenção temática faz uma leitura bastante apropriada do momento histórico por que o país passava. Vale ressaltar, que foi na década de 30, que Stálin começou a sua caçada sangrenta a milhares de pessoas, inclusive elementos importantes do PCUS. A Sinfonia número Quatro é um vento poderoso, antiapoteótico, estridente, desarmônico, um estrépito contra a tirania. Ela denuncia a atmosfera cinzenta que permeava todas as coisas; que sugava a liberdade; que encapsulava a força criativa da arte. Shosta aproxima-se de Mahler. Seguidas passagens da estrutura da música fazem referência ao austríaco. Gradações enormes e colapsos marciais apontam para Mahler. São vales sombrios, de reflexões lúgubres; e montanhas que surgem como colunas gigantes, denunciado a força cruel e onipresente da férula stalinista. Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!

Dmitri Shostakovitch (1906-1975): Sinfonia Nº 4, Op. 43

01. Symphony No. 4 In C Minor, Op. 43: I. Allegretto Poco Moderato 28:21
02. Symphony No. 4 In C Minor, Op. 43, II. Moderato Con Moto 9:11
03. Symphony No. 4 In C Minor, Op. 43: III. Largo - Allegro

Vienna Symphony Orchestra
Eliahu Inbal, regente

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3 comentários:

Osnei Machado disse...

A Saga do Anel de Wagner está com links off do megaupload. Se pudesse revalidar os servidores, tenho muito interesse pelas obras.

Osnei Machado disse...

A saga do Anel de Wagner está off nos links do megaupload. Se pudesse revalida-los em novos servidores. Tenho muito interesse pelas 4 peças. São o total de 13 CD.

Marcelo Lasta disse...

Locura sublime,devastación absoluta de la materia y el alma.Para mí,la mejor version,the best sound es la 4 de Shostakovich por la Royal Philahrmonic con V.Ashkenazy en decca,arrasa con todo,es insuperable hasta hoy,al menos desde el punto sónico digital,pero la batuta rusa es vesánica,misteriosa,risueña y exultante(acaso insultante) lo que pide la partitura del gran Dimitri.Abrazo.