terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Gioachino Rossini (1792-1868) - Il Barbiere di Siviglia


Um dos mais bem-sucedidos compositores da história, Gioacchino Rossini (1792-1868) surgiu no início do século XIX como o “salvador” da ópera italiana. Lembrado sobretudo por suas célebres aberturas e pelo “Fígaro lá, Figaro cá” de seu Barbeiro de Sevilha, a importância dele vai muito além desta que é considerada a mais perfeita comédia dos palcos operísticos. Ele rejuvenesceu a opera buffa e a opera seria e também, com seu amor pelo estilo vocal virtuosístico conhecido como bel canto, tornou a por a voz no centro do palco da ópera italiana. Com sua música contagiante, empolgante e rápida, Rossini queria atingir não apenas a elite culta, mas também o povo simples.

O que logo distingue Rossini é a exuberância de sua música. A profunda admiração dele pelo compositor austríaco Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) – “meu ídolo e meu mestre”, como disse certa vez – levou alguns dos primeiros críticos a considerá-lo “demasiado germânico”. Mas esse tipo de ressalva logo seria esquecido, ante os ritmos saltitantes, a colorida orquestração, as melodias irresistíveis e as árias floreadas: seu som era, acima de tudo, italiano. Rossini compôs 35 óperas em duas décadas, deixando uma identidade musical tão própria e única que é conhecida simplesmente como rossiniana. O inovador “código rossiniano” influenciou profundamente o mundo da ópera durante todo o século XIX, notavelmente a produção de Vincenzo Bellini (1801-1835), Gaetano Donizetti (1797-1848) e Giuseppe Verdi (1813-1901).

Como tantos compositores, Rossini nasceu em família de músicos. Muito cedo se revelou como pianista, violinista, cantor e compositor. Aos 25 anos já criara óperas-sérias, como a magnífica Tancredi, e suas quatro comédias mais famosas: Il barbiere di Siviglia (“O barbeiro de Sevilha”), L’italiana in Algeria (“A italiana na Argélia”), Il turco in Italia (“O turco na Itália”) e La Cenerentola (“Cinderela”). Muito solicitado na Itália, compôs para os teatros de ópera de Veneza, Milão, Roma e Nápoles. Era estimulado por excelentes solistas, capazes de dar conta de suas árias de coloratura (com linha melódica vocal muito ornamentada), da complexidade dos ensembles, dos andamentos rápidos, das notas agudas, e dos súbitos crescendos (passagens com elevação progressiva do volume sonoro). Um verdadeiro atletismo musical!

Em 1824, famoso em toda a Europa, Rossini se mudou para Paris, cidade de intensa vida musical, sustentada sobretudo por compositores estrangeiros. Tornou-se diretor do Théâtre-Italien, passando a escrever em francês. Após estrear Guilherme Tell (1829), que traz a abertura mais conhecida de Rossini, decidiu se aposentar aos 37 anos, com grande fortuna e prestígio internacional. Quase dois séculos depois, suas óperas continuam encantando e atraindo multidões.

Texto completo aqui 

Gioachino Rossini (1792-1868) -

DISCO 01

01. Ov - ENO Orch/Gabriele Bellini
02. Act I (Beginning): 'Piano, Pianissimo' - Peter Snipp/ENO Chor/Stephen Harris/Bruce Ford
03. Act I (Beginning): 'See How The Smile Of Heaven' - Bruce Ford
04. Act I (Beginning): 'Hey, Fiorello!' - Bruce Ford/Peter Snipp/ENO Chor/Stephen Harris
05. Act I (Beginning): 'Thank You, Thank You' - ENO Chor/Stephen Harris/Peter Snipp/Bruce Ford
06. Act I (Beginning): 'What Common People!' - Bruce Ford/Peter Snipp
07. Act I (Beginning): 'La La La Lera' - Alan Opie
08. Act I (Beginning): 'Ah Ha! What Could Be Better?' - Alan Opie/Bruce Ford
09. Act I (Beginning): 'I Cannot See Him Anywhere' - Della Jones/Bruce Ford/Andrew Shore/Alan Opie
10. Act I (Beginning): 'Poor Little Innocent Creature!' - Bruce Ford/Alan Opie/Andrew Shore
11. Act I (Beginning): 'My Poor Heart Is So Full Of Emotion' - Bruce Ford/Della Jones/Alan Opie
12. Act I (Beginning): 'What's Happened?' - Bruce Ford/Alan Opie
13. Act I (Beginning): 'You Need Only Mention Money' - Alan Opie/Bruce Ford
14. Act I (Beginning): 'In My Heart A Gentle Voice' - Della Jones
15. Act I (Beginning): 'I Can Be So Demure' - Della Jones
16. Act I (Beginning): 'Oh Yes, I'll Win The Day' - Della Jones
17. Act I (Beginning): 'Good Morning, Signorina' - Alan Opie/Della Jones
18. Act I (Beginning): 'Where Would I Be Without Him?' - Della Jones/Andrew Shore
19. Act I (Beginning): 'Who'd Know?' - Andrew Shore/Peter Rose
20. Act I (Beginning): 'Innuendo, The Slightest Whisper' - Peter Rose
21. Act I (Beginning): 'Well, What D'You Think?' - Peter Rose/Andrew Shore
22. Act I (Beginning): 'So That's It!' - Alan Opie/Della Jones
23. Act I (Beginning): 'Then It's Me...' - Della Jones/Alan Opie
24. Act I (Beginning): 'Now I Feel So Much Better' - Della Jones/Andrew Shore
25. Act I (Beginning): 'Dare You Offer Such Excuses' - Andrew Shore

DISCO 02

01. Act I (Conclusion): 'Where's The Master?' - Bruce Ford/Andrew Shore
02. Act I (Conclusion): 'Ah! How Long 'Til I Behold Her?' - Bruce Ford/Andrew Shore/Della Jones/Jennifer 
Rhys-Davies/Peter Rose
03. Act I (Conclusion): 'Stop This Noise!' - Alan Opie/Andrew Shore/Bruce Ford/Della Jones/Jennifer Rhys-
Davies/Peter Rose
04. Act I (Conclusion): 'Someone Is At The Door' - Della Jones/Jennifer Rhys-Davies/Alan Opie/Bruce 
Ford/Andrew Shore/Peter Rose/ENO Chor...
05. Act I (Conclusion): 'Pay Attention! What's The Trouble?' - ENO Chor/Stephen Harris/Andrew 
Shore/Alan Opie/Peter Rose/Jennifer Rhys-Davies/Bruce Ford...
06. Act I (Conclusion): 'Frozen And Motionless' - Della Jones/Bruce Ford/Andrew Shore/Peter Rose/Alan 
Opie
07. Act I (Conclusion): 'If I May...' - Andrew Shore/Jennifer Rhys-Davies/Peter Rose/ENO Chor/Stephen 
Harris/Della Jones/Bruce Ford...
08. Act II: 'I've Got To Find The Answer!' - Andrew Shore
09. Act II: 'Peace And Joy Be Yours For Ever' - Bruce Ford/Andrew Shore
10. Act II: 'I Don't Think We Have Met, Sir' - Andrew Shore/Bruce Ford
11. Act II: 'Come Along, My Dear, And Listen' - Andrew Shore/Della Jones/Bruce Ford
12. Act II: 'When A Heart For Love Is Yearning' - Della Jones/Bruce Ford
13. Act II: 'What A Talent, Bravissima!' - Bruce Ford/Della Jones/Andrew Shore
14. Act II: 'Sweet Little Seventeena' - Andrew Shore
15. Act II: 'Bravo, Signor Figaro' - Andrew Shore/Alan Opie/Della Jones/Bruce Ford
16. Act II: 'Don Basilio...' - Della Jones/Bruce Ford/Alan Opie/Andrew Shore/Peter Rose
17. Act II: 'Now Then, Signor Don Bartolo' - Alan Opie/Andrew Shore/Bruce Ford/Della Jones
18. Act II: 'Things Can't Get Much Worse' - Andrew Shore
19. Act II: 'He Wouldn't Trust His Mother!' - Jennifer Rhys-Davies
20. Act II: 'First The Doctor Wants To Marry' - Jennifer Rhys-Davies
21. Act II: 'So This Pupil Alonso' - Andrew Shore/Peter Rose
22. Act II: 'By Force Or Persuasion' - Andrew Shore/Della Jones
23. Act II: Thunderstorm - ENO Orch/Gabriele Bellini
24. Act II: 'We've Made It' - Alan Opie/Bruce Ford/Della Jones
25. Act II: 'Almaviva, Not Lindoro!' - Della Jones/Alan Opie/Bruce Ford
26. Act II: 'Ah! That's All We Needed!' - Alan Opie/Bruce Ford/Della Jones
27. Act II: 'Don Bartolo' - Peter Rose/Alan Opie/Bruce Ford/Della Jones
28. Act II: 'Don't Move A Muscle!' - Andrew Shore/Alan Opie/Christopher Ross/Bruce Ford
29. Act II: 'I Love A Happy Ending' - Alan Opie/Jennifer Rhys-Davies/Andrew Shore/Peter Rose/ENO 
Chor/Stephen Harris/Della Jones...

English National Opera Chorus
English National Opera Orchestra

Gabriele Bellini, regente 

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Mozart C. Guarnieri (1907-1993) - Piano Concertos Nos. 1, 2 and 3


Mozart Camargo Guarnieri é um dos nomes mais importantes da música brasileira. Geralmente, Villa-Lobos é o que se verbaliza quando se indaga por produção musical erudita em terras brasileiras. Todavia, Guarnieri teve uma carreira e uma produção necessariamente relevante. Nesta postagem, encontramos três dos seus concertos para piano, escritos em períodos bem diversos da história do Brasil e de sua própria trajetória.

O Primeiro Concerto foi escrito em 1931. Tem-se aqui um compositor um compositor jovem, mas plenamente consciente dos seus meios. A escrita do piano é claramente virtuosística, mas sem o virtuosismo afetado. Há uma economia nesse sentido. O piano surge integrado ao discurso orquestral, ora como força motora, ora como voz lírica que se destaca do conjunto. Guarnieri não insinua de maneira explícita elementos do folclore; o universo popular brasileiro surge de maneira sutil.

O Segundo Concerto é do ano de 1946. Nesta obra, Guarnieri constrói um diálogo tenso e dramático do piano com a orquestra. Aqui, o compositor demonstra pleno domínio da forma concerto, moldando-a às suas necessidades expressivas. O resultado é uma obra de caráter mais expansivo, em que lirismo e vigor rítmico coexistem em equilíbrio instável e fascinante.

O Terceiro Concerto é do ano de 1964, período marcado pela maturidade do compositor. A escrita do compositor torna-se mais concisa. Nada é desperdiçado. A orquestra e o piano caminham juntamente, construindo um bonito discurso poético. Do ponto de vista estético, a obra possui grande fluidez. É bonita em sua proposição.

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!

Mozart C. Guarnieri (1907-1993) - 

01. Piano Concerto No. 1 - I. Salvagem
02. Piano Concerto No. 1 - II. Saudosamente
03. Piano Concerto No. 1 - III. Depressa
04. Piano Concerto No. 2 - I. Decidido
05. Piano Concerto No. 2 - II. Afetuoso -  Scherzando
06. Piano Concerto No. 2 - III. Vivo
07. Piano Concerto No. 3 - I. Allegro deciso
08. Piano Concerto No. 3 - II. Magoado
09. Piano Concerto No. 3 - III. Festivo

Warsaw Philharmonic Orchestra
Thomas Conlin, regente
Max Barros, piano 

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segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Béla Bartók (1881-1945) - Piano Conceto No.2 for piano and Orchestra e Piotr. I. Tchaikovsky (1840-1893) - Symphony No.5 in E minor, op.64


Este disco foi gravado nos anos 50; portanto, é uma gravação antiga, daquelas que possuem chiados e as afetações próprias do tempo. O disco traz duas obras das quais eu gosto bastante. A primeira delas é o monumental Concerto para piano, de Bartok. É uma obra cuja presença folclórica é uma constatação inarredável. A obra é um dos prodígios da arte pianística. Escrito em 1931, o Concerto procura conciliar estética e equilíbrio técnico. A linguagem é um desafio. O piano funciona como um instrumento de percussivo, algo tão diverso do lirismo romântico. Para o ouvinte pouco afeito, essa abordagem é de difícil assimilação. A obra é um retrato da música do século XX – sempre a desafiar as convenções.

Já a Quinta Sinfonia de Tchaikovsky é um monumento existencial, uma confissão; um coração que se revela. Escrita em 1888, a obra é estruturada em torno do "tema do destino", uma melodia sombria que aparece em todos os quatro movimentos. É importante dizer que existe uma conciliação de uma melancolia para um final em que uma esperança luminosa se revela. É uma vitória por pontos contra a melancolia. Uma admissão de que por mais que a vida seja um local de enormes dissabores, há espaço para a esperança, para a estruturação de um sentido para a existência.

É curioso que, tempos depois, Tchaikovsky escreveria a Sexta Sinfonia, a sua “Patética”, repleta de confissões e silêncios sombrios. Nela, voltaria a melancolia e, dessa vez, não há admissão de esperança. Não deixe de ouvir este disco. Uma boa apreciação!

01 - Bartok  Piano Conceto No.2 (G. Sandor on Pinao) - I. Allegro
02 - Bartok  Piano Conceto No.2 (G. Sandor on Pinao) - II. Adagio - Presto - Adagio
03 - Bartok  Piano Conceto No.2 (G. Sandor on Pinao) - III. Allegro molto - Presto
04 - Tchaikovsky  Symphony No.5 in E minor, op.64 - I. Andante - Allegro con anima
05 - Tchaikovsky  Symphony No.5 in E minor, op.64 - II. Andante cantabile con alc...
06 - Tchaikovsky  Symphony No.5 in E minor, op.64 - III. Valse Allegro moderato
07 - Tchaikovsky  Symphony No.5 in E minor, op.64 - IV. Finale Andante maestoso ...

Wiener Symphoniker
Ferenc Fricsay, regente
György Sándor, piano 

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domingo, 11 de janeiro de 2026

Joseph Haydn (1733-1809) - The Complete String Quartets (CDs 1, 2, 3, 4 & 5 de 21)

Da apresentação do disco:

"Houve um tempo em que um projeto dessa envergadura teria despertado a atenção de todo o mundo da música clássica. Hoje, não mais. Pode-se praticamente contar que a Philips lançará esta caixa da forma mais discreta possível, sem qualquer apoio promocional, e a retirará rapidamente de catálogo, apesar de todo o projeto ter sido subsidiado pela Joseph Haydn Society. Em vez de enxergar esse tipo de patrocínio como uma oportunidade, o selo provavelmente tratará o conjunto como um desafio de marketing intransponível - uma enorme lástima, pois se trata de uma coleção magnífica, facilmente o melhor ciclo completo atualmente disponível.

O Angeles String Quartet toca com muito mais vigor e paixão do que os conjuntos Aeolian, da Decca, ou Kodály, da Naxos, além de apresentar um som mais rico e encorpado do que o do excelente Quarteto Tátrai, da Hungaroton. Há abundante energia rítmica, mas nunca à custa da linha longa e de um belo timbre cantabile - uma tendência que compromete as gravações mais recentes dos Lindsays (ASV) nesse repertório. Conjuntos de instrumentos de época pertencem, naturalmente, a outra categoria. Em suma, este grupo reúne todas as qualidades: uma combinação impressionante de excelência técnica e profundidade interpretativa, que resulta em audições sempre prazerosas e consistentemente gratificantes. Estão incluídos todos os quartetos de Haydn, à exceção do arranjo de As Sete Últimas Palavras, que, como quarteto de cordas, soa bastante estranho.

Evidentemente, um conjunto dessa dimensão não pode ser analisado disco a disco, mas alguns exemplos bastam para demonstrar o alto nível artístico alcançado. Um dos maiores desafios na interpretação de Haydn está no domínio do tempo, especialmente das pausas. Haydn foi um mestre do silêncio dramático, explorando-o de formas que vão do inquietante ao cômico. Um exemplo do primeiro caso aparece no desenvolvimento do primeiro movimento do Quarteto em sol menor, Op. 20 nº 3, em que um pequeno “ornamento” melódico altera todo o curso da seção. Já o célebre final do Quarteto “A Piada” (Op. 33 nº 2) mostra o compositor usando o silêncio com efeito hilariante. Em ambos os casos, o Angeles Quartet acerta o tempo com precisão absoluta, potencializando ao máximo o impacto emocional.

O grupo responde com igual competência a uma ampla gama de atmosferas: o quase doloroso extravasamento emocional do trio do Menuetto do Op. 54 nº 2; a magia etérea do movimento lento do Quarteto “O Cavaleiro”; e a severa austeridade da fuga final do Op. 50 nº 4, o notável quarteto em fá sustenido menor. É particularmente prazeroso ouvir a abordagem vibrante e destemida dos numerosos efeitos de bordão e danças folclóricas, especialmente no desenvolvimento do primeiro movimento do Quarteto “Imperador”. As explosões em fortissimo do terceiro movimento do Op. 76 nº 1 evidenciam a ampla paleta dinâmica do conjunto, enquanto o jogo rítmico de “quem tem o tempo forte” no final do Op. 76 nº 6 é conduzido com total segurança e um contagiante senso de humor.

Por fim, nos quartetos iniciais — frequentemente negligenciados —, começando pelos dez históricos quartetos-divertimentos em cinco movimentos, o Angeles Quartet toca com uma sensação envolvente e incansável de frescor e vitalidade. Nos longos e intrincados primeiros movimentos dos Opp. 9 e 17, o caráter intelectual da música jamais se sobrepõe ao seu charme, elegância e força expressiva. Ao conduzir cada movimento de forma lógica até a barra final, celebrando o espírito investigativo da música e evitando a obsessão por detalhes passageiros, o conjunto nos lembra por que essas obras foram tão importantes em sua época — e por que ainda podemos e devemos apreciá-las hoje. Não é pouca coisa.

Em suma, a preço econômico, esta caixa merece integrar a coleção de qualquer apreciador de Haydn, da música de câmara em geral ou, em especial, do quarteto de cordas. Tudo foi gravado com equilíbrio impecável, excelente sensação de presença e genuíno calor tímbrico. Resta torcer para que permaneça disponível tempo suficiente para que os amantes da música tomem conhecimento. Excepcional".

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Joseph Haydn (1733-1809) - 

DISCO 01

01. Str Qt in E flat, Op.0: I. Presto
02. Str Qt in E flat, Op.0: II. Menuetto
03. Str Qt in E flat, Op.0: III. Adagio
04. Str Qt in E flat, Op.0: IV. Menuetto
05. Str Qt in E flat, Op.0: V. Finale: Presto
06. Str Qt in B flat, Op.1 No.1: I. Presto
07. Str Qt in B flat, Op.1 No.1: II. Menuetto
08. Str Qt in B flat, Op.1 No.1: III. Adagio
09. Str Qt in B flat, Op.1 No.1: IV. Menuetto
10. Str Qt in B flat, Op.1 No.1: V. Presto
11. Str Qt in E flat, Op.1 No.2: I. Allegro
12. Str Qt in E flat, Op.1 No.2: II. Menuetto
13. Str Qt in E flat, Op.1 No.2: III. Adagio
14. Str Qt in E flat, Op.1 No.2: IV. Menuetto
15. Str Qt in E flat, Op.1 No.2: V. Presto
16. Str Qt in D, Op.1 No.3: I. Adagio
17. Str Qt in D, Op.1 No.3: II. Menuetto
18. Str Qt in D, Op.1 No.3: III. Presto
19. Str Qt in D, Op.1 No.3: IV. Menuetto
20. Str Qt in D, Op.1 No.3: V. Finale: Presto

DISCO 02

01. Str Qt in G, Op.1 No.4: I. Presto
02. Str Qt in G, Op.1 No.4: II. Menuetto
03. Str Qt in G, Op.1 No.4: III. Adagio Ma Non Tanto
04. Str Qt in G, Op.1 No.4: IV. Menuetto
05. Str Qt in G, Op.1 No.4: V. Presto
06. Str Qt in C, Op.1 No.6: I. Presto Assai
07. Str Qt in C, Op.1 No.6: II. Menuetto
08. Str Qt in C, Op.1 No.6: III. Adagio
09. Str Qt in C, Op.1 No.6: IV. Menuetto
10. Str Qt in C, Op.1 No.6: V. Finale: Presto
11. Str Qt in A, Op.2 No.1: I. Allegro
12. Str Qt in A, Op.2 No.1: II. Menuetto
13. Str Qt in A, Op.2 No.1: III. Adagio
14. Str Qt in A, Op.2 No.1: IV. Menuetto
15. Str Qt in A, Op.2 No.1: V. Allegro Molto

DISCO 03

01. Str Qt in E, Op.2 No.2: I. Allegro Molto
02. Str Qt in E, Op.2 No.2: II. Menuetto
03. Str Qt in E, Op.2 No.2: III. Adagio
04. Str Qt in E, Op.2 No.2: IV. Menuetto
05. Str Qt in E, Op.2 No.2: V. Finale: Presto
06. Str Qt in F, Op.2 No.4: I. Presto
07. Str Qt in F, Op.2 No.4: II. Menuetto
08. Str Qt in F, Op.2 No.4: III. Adagio
09. Str Qt in F, Op.2 No.4: IV Menuetto: Allegretto
10. Str Qt in F, Op.2 No.4: V. Allegro
11. Str Qt in B flat, Op.2 No.6: I. Adagio
12. Str Qt in B flat, Op.2 No.6: II. Menuetto
13. Str Qt in B flat, Op.2 No.6: III. Presto: Scherzo
14. Str Qt in B flat, Op.2 No.6: IV. Menuetto
15. Str Qt in B flat, Op.2 No.6: V. Presto

DISCO 04

01. Str Qt in C, Op.9 No.1: I. Moderato
02. Str Qt in C, Op.9 No.1: II. Menuetto: Un Poco Allegretto
03. Str Qt in C, Op.9 No.1: III. Adagio
04. Str Qt in C, Op.9 No.1: IV. Finale: Presto
05. Str Qt in E flat, Op.9 No.2: I. Moderato
06. Str Qt in E flat, Op.9 No.2: II. Menuetto
07. Str Qt in E flat, Op.9 No.2: III. Adagio
08.  Str Qt in E flat, Op.9 No.2: IV. Finale: Allegro Molto
09. Str Qt in G, Op.9 No.3: I. Allegro Moderato
10. Str Qt in G, Op.9 No.3: II. Menuetto
11. Str Qt in G, Op.9 No.3: III. Largo
12. Str Qt in G, Op.9 No.3: IV. Finale: Presto
13. Str Qt in d, Op.9 No.4: I. Moderato
14. Str Qt in d, Op.9 No.4: II. Menuetto
15. Str Qt in d, Op.9 No.4: III. Adagio Cantabile
16. Str Qt in d, Op.9 No.4: IV. Finale: Presto

DISCO 05

01. Str Qt in B flat, Op.9 No.5: I. Poco Adagio: Theme And Vars
02. Str Qt in B flat, Op.9 No.5: II. Menuet: Allegretto
03. Str Qt in B flat, Op.9 No.5: III. Largo Cantabile
04. Str Qt in B flat, Op.9 No.5: IV. Finale: Presto
05. Str Qt in A, Op.9 No.6: I. Presto
06. Str Qt in A, Op.9 No.6: II. Menuetto
07. Str Qt in A, Op.9 No.6: III. Adagio
08. Str Qt in A, Op.9 No.6: IV. Finale: Presto
09. Str Qt in E, Op.17 No.1: I. Moderato
10. Str Qt in E, Op.17 No.1: II. Menuet
11. Str Qt in E, Op.17 No.1: III. Adagio
12. Str Qt in E, Op.17 No.1: IV. Finale: Presto
13. Str Qt in F, Op.17 No.2: I. Moderato
14. Str Qt in F, Op.17 No.2: II. Menuet: Poco Allegretto
15. Str Qt in F, Op.17 No.2: III. Adagio
16. Str Qt in F, Op.17 No.2: IV. Finale: Allegro Di Molto

The Angeles String Quartet  

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sábado, 10 de janeiro de 2026

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) - Requiem in D Minor, K. 626

Tudo o que Mozart escreveu é superlativo; é elástico. Sua última obra não poderia ser diferente. O ano era 1791. Um homem respeitado pela grandiosidade de sua obra, em um apartamento, escreve obsessivamente. Sua saúde era frágil. As demandas e dívidas eram asfixiantes. Ele recebera uma encomenda misteriosa e se pusera a escrever uma música sombria e solene: um réquiem, uma canção para os mortos. Mal sabia ele, que aquela obra seria uma espécie de testamento para si mesmo; um mausoléu; um memorial para a posteridade.

Tendo decorridos mais de duzentos anos, o Réquiem de Mozart é uma das maiores – senão a maior – canções para este gênero. Existem outros importantes, bonitas e dramáticas composições como esta, mas o Réquiem do compositor austríaco sobrepuja a todas. Ele transcendeu seu contexto original e se transformou num símbolo universal da despedida, da dor e da reflexão sobre a própria vida. Não descartamos os réquiens de Brahms, Verdi, Fauré, Cherubini ou Dvorak; acontece que o Réquiem, de Mozart, possui uma grandiloquência espiritual que é só sua.

O entorno da composição possui aquelas cintilações cinematográficas: Mozart recebe a visita de um mensageiro vestido de cinza, que lhe entrega uma encomenda sem revelar o nome do contratante. O pedido era claro: escrever uma missa fúnebre. Hoje se sabe que o contratante era o conde Franz von Walsegg, que tinha o hábito de contratar compositores e apresentar as obras como se fossem suas.

É isto: a música ganhou proporções extraordinárias. Ela possui o drama, a solenidade, o senso do trágico, da miséria da vida; todavia, há uma camada airosa de uma beleza fugidia, digna de atenção.

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) - 

01 Requiem in D Minor, K. 626_ I. Introitus
02 Requiem in D Minor, K. 626_ II. Kyrie
03 Requiem in D Minor, K. 626_ III. Dies irae
04 Requiem in D Minor, K. 626_ IV. Tuba mirum
05 Requiem in D Minor, K. 626_ V. Rex tremendae
06 Requiem in D Minor, K. 626_ VI. Recordare
07 Requiem in D Minor, K. 626_ VII. Confutatis
08 Requiem in D Minor, K. 626_ VIII. Lacrimosa
09 Requiem in D Minor, K. 626_ IX. Domine Jesu Christe
10 Requiem in D Minor, K. 626_ X. Hostias
11 Requiem in D Minor, K. 626_ XI. Sanctus
12 Requiem in D Minor, K. 626_ XII. Benedictus
13 Requiem in D Minor, K. 626_ XIII. Agnus Dei
14 Requiem in D Minor, K. 626_ XIV. Communio

Philharmonia Orchestra
Carlo Maria Giulini, regente

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sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Jazz - Count Basie & Joe Williams - Count Basie Swings, Joe Williams Sings (1955)

Vamos a mais um disquinho para finalizar o dia de hoje. Dessa vez, um disco de jazz, gravado em 1955, há setenta e um anos. O interessante é que este disco foi gravado em um período bastante sensível, pois procura conciliar o “bop” e o “swing”. O álbum é frequentemente citado por críticos como o ponto de virada da chamada "New Testament" (Novo Testamento) Band de Count Basie. Após um período de incertezas financeiras e mudanças na formação, Basie encontrou em Joe Williams o elemento que faltava: uma voz que carregava a sofisticação do jazz com a alma visceral do blues.

Ele serviu como um modelo de como uma big band poderia soar moderna, potente e comercialmente viável em uma era que começava a flertar com o “rock and roll”. O disco possui algumas faixas que são “quentíssimas” como, por exemplo, "Every Day I Have the Blues", “"The Comeback" e "Alright, Okay, You Win". São músicas potentes e detentoras de uma atmosfera eletrizante.

Não deixe de ouvir este disco bastante singular. Uma boa apreciação! 

01. Every Day I Have The Blues (05:29)
02. The Comeback (05:28)
03. All Right, OK, You Win (03:05)
04. In The Evening (When The Sun Goes Down) (03:39)
05. Roll 'Em Pete (03:12)
06. Teach Me Tonight (03:04)
07. My Baby Upsets Me (02:58)
08. Please Send Me Someone To Love (03:33)
09. Ev'ry Day (I Fall In Love) (03:48)
10. As I Love You (03:06)
11. Stop! Don't! (02:36)
12. Too Close For Comfort (Take 1) (02:53) 

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Gustav Mahler (1860-1911) - Symphony No. 4 in G Major


Já afirmei isso, mas não custa nada ressaltar novamente: a Quarta, de Mahler, é a porta de entrada inquestionável para o seu mundo de fabulosas inquietações filosóficas e existenciais. Todavia, o ouvinte que assimilar a Quarta e tiver por intento a mesma experiência estética nas outras sinfonias, ficará decepcionado. A Quarta é um idílio em meio aos dramas arquiteturais esculpidos pelo compositor austríaco. Ela possui, inegavelmente, uma atmosfera mais ensolarada, mais benfazeja; suave, leve, sorridente. Mahler parecia ter acordado, pela manhã, em algum dia de 1899, e percebido os pássaros em cantorias primaveris. Conduzido por aquele espírito de bem-estar e aquecido pela tepidez da manhã banhada por luminosidade doce, ele sentiu que a vida poderia ser repleta de sentido; que existe uma vocação no Universo e que ele contempla favoravelmente aqueles que procuram experimentá-lo com justiça. A Quarta é esse instante em que a vida ganha dimensões poéticas incontrastáveis, apesar dos seus perigos.

Composta entre 1899 e 1901, a sinfonia encerra um ciclo criativo fortemente ligado ao universo do cancioneiro popular alemão “Des Knaben Wunderhorn” (“A corneta mágica do menino”). Ao contrário das sinfonias anteriores, que incorporam explicitamente canções desse repertório, a Quarta guarda seu segredo até o último movimento, quando a voz humana finalmente aparece para revelar o sentido de tudo o que veio antes.

Desde o início, Mahler propõe um jogo de contrastes. O primeiro movimento se abre com o som de guizos, evocando trenós e paisagens invernais, quase infantis. A música parece caminhar com leveza, mas logo surgem desvios: sombras súbitas, ironias discretas, pequenos abismos emocionais que interrompem a tranquilidade aparente. É Mahler nos lembrando de que, mesmo no idílio, o mundo nunca é totalmente seguro.

O segundo movimento possui um caráter ambíguo. Há uma insinuação trágica representada pelo violino. Um som ácido e espectral faz lembrar que a vida pode ser um lugar de dissabores. Mas nada que seja explicitamente trágico. São insinuações, comedimentos.

No terceiro movimento, surge um adagio de espetacular beleza – daqueles que são colocados na categoria das coisas mais bonitas já escritas por um ser humano.  Uma meditação serena que cresce lentamente até atingir um clímax de intensidade quase transcendental.

E o quarto movimento é o momento em que há a transfiguração, a apoteose, a crença inabalável em um mundo em que não haja tristezas. Uma soprano entoa o poema “Das himmlische Leben” (“A vida celestial”), descrevendo o céu do ponto de vista de uma criança. O paraíso mahleriano não é solene nem grandioso: é um lugar de comida farta, música constante e ausência de sofrimento. Mas mesmo nessa visão luminosa, há algo de inquietante — como se a simplicidade excessiva revelasse também uma distância irreparável entre o mundo ideal e a experiência humana.

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!

Gustav Mahler (1860-1911) - 

01 - I. Bedächtig, nicht eilen
02 - II. In gemächlicher Bewegung
03 - III. Ruhevoll, poco adagio
04 - IV. Sehr behaglich, _Wir geniessen die himmlischen Freuden_

Münchner Philharmoniker
Valery Gergiev, regente 

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quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Erich Wolfgang Korngold (1897-1957) - Symphonische Serenade in B-Flat Major, Op. 39 e String Sextet in D Major, Op. 10 (Arr. H. Rohde for Orchestra)

Não tenho um conhecimento muito acurado sobre a música de Erich W. Korngold. Não o escutei muitas vezes. Korngold foi um compositor austríaco, que viveu parte da sua vida nos Estados Unidos. Sua ligação com Hollywood é uma questão a ser destacada. Ao longo da sua carreira, produziu inúmeras trilhas sonoras para o cinema, o que deu a ele certa fama. Escreveu ao todo 16 trilhas sonoras para o cinema.

Korngold é o que pode ser chamado de ‘romântico tardio’. Sempre procurou instilar a beleza em suas composições. Ele não é um compositor disruptivo. Neste disco, encontramos duas de suas obras. A primeira delas é a Symphonic Serenade, Op. 39. É uma obra escrita em 1947, que revela a sua maturidade. A obra possui uma atmosfera nostálgica, talvez, uma tentativa de fazer reviver a sua Viena. É curioso que, no pós-guerra, o mundo procurava se refazer, apontando novos caminhos; todavia, Korngold faz uma defesa da melodia e do sentimento.

A segunda obra do disco é o Sexteto, Op. 10, cuja escrita foi iniciada quando o compositor tinha dezessete anos de idade. É uma obra ambiciosa. Enquanto a Europa mergulhava na Primeira Guerra Mundial, o jovem compositor entregava uma obra de frescor juvenil mesclado a uma complexidade técnica digna de Richard Strauss ou Brahms. É uma obra cujo lirismo transborda. É uma música de uma confiança inabalável.

O disco não me pegou por completo. Preciso fazer uma nova audição para tentar apreender alguns detalhes; para assimilar alguns elementos que me fugiram na primeira audição. Vale a pena conhecer. Uma boa apreciação!

Erich Wolfgang Korngold (1897-1957) - 

01. Symphonische Serenade in B-Flat Major, Op. 39 -  I. Allegro moderato
02. Symphonische Serenade in B-Flat Major, Op. 39 -  II. Intermezzo
03. Symphonische Serenade in B-Flat Major, Op. 39 -  III. Lento religioso
04. Symphonische Serenade in B-Flat Major, Op. 39 -  IV. Finale
05. String Sextet in D Major, Op. 10 (Arr. H. Rohde for Orchestra) -  I. Moderato - Allegro
06. String Sextet in D Major, Op. 10 (Arr. H. Rohde for Orchestra) -  II. Adagio. Langsam
07. String Sextet in D Major, Op. 10 (Arr. H. Rohde for Orchestra) -  III. Intermezzo. In gemäßigtem Zeitmaß, mit Grazie
08. String Sextet in D Major, Op. 10 (Arr. H. Rohde for Orchestra) -  IV. Finale. Presto

NFM Leopoldinum Orchestra
Harmut Rohde, regente 

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Anton Bruckner (1824-1896) - Symphony No. 5 in B-flat

Após concluir os retoques finais de sua Quarta Sinfonia, no início de 1875, Bruckner sofreu um colapso devastador de autoconfiança, tão profundo que chegou a cogitar o suicídio.

Ainda assim, apesar do estado de absoluto desespero, iniciou a composição de sua Quinta Sinfonia. A primeira versão foi concluída em meados de maio do ano seguinte e, entre 1877 e 1878, a obra passou por uma nova e criteriosa revisão.

Na prática, a Quinta Sinfonia estava então pronta para ser executada. Mesmo assim, permaneceu quase totalmente desconhecida até 1894, quando Franz Schalk a regeu pela primeira vez em Graz, em uma versão severamente abreviada e reorquestrada.

Bruckner, notório por seu perfeccionismo quase obsessivo, fez apenas pequenas alterações na partitura dessa vez. Talvez pela primeira vez em sua carreira marcada por revisões constantes, acreditasse ter acertado praticamente tudo já na versão inicial. Isso, no entanto, não impediu Ferdinand Löwe e os irmãos Schalk — discípulos bem-intencionados, porém equivocados, determinados a fazer com que a música de Bruckner fosse executada a qualquer custo — de interferirem novamente em sua partitura original.

Texto completo aqui.   

Anton Bruckner (1824-1896) - 

01 - I. Introduktion. Adagio - Allegro
02 - II. Adagio. Sehr langsam
03 - III. Scherzo. Molto vivace (schnell) - Trio. Im gleichen Tempo
04 - IV. Finale. Adagio - Allegro moderato

Nowak Edition

Orchestre de la Suisse Romande
Marek Janowski, regente 

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quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Federico Moreno Torroba (1891-1982) - Luisa Fernanda


Ambientada na Espanha do século XIX, em meio às tensões entre liberais e conservadores durante as guerras carlistas, “Luisa Fernanda” vai além de uma simples história de amor. O enredo acompanha o triângulo amoroso entre Luisa Fernanda, o militar liberal Javier, e a aristocrata Duchessina, usando os conflitos sentimentais como reflexo de um país dividido. Torroba constrói uma narrativa na qual sentimentos pessoais e ideologias se entrelaçam, conferindo profundidade dramática à obra. A obra procura fundir temas universais como o amor, a liberdade, a lealdade e as diferenças políticas.

A obra é uma zarzuela, algo bastante peculiar do mundo espanhol. É um gênero lírico-dramático tipicamente espanhol, surgido no século XVII, que alterna números cantados (árias, duetos, coros) com diálogos falados. Diferentemente da ópera, em que toda a narrativa é cantada, a zarzuela se aproxima mais do teatro musical, preservando o uso da palavra falada como elemento central da ação dramática.

Embora eu venha a colocar “Maria Fernanda” na categoria “Óperas” aqui no blog, é importante que se estabeleça a distinção de maneira bem rápida e sintética sobre o que é uma ópera, uma opereta e uma zarzuela. A ópera é inteiramente cantada, sem diálogos falados. Geralmente apresenta maior complexidade musical e vocal, com orquestração densa e estruturas formais rigorosas. Sua origem volta-se para a tradição francesa, alemã e italiana. A opereta surgiu no século XIX, especialmente na França e na Áustria. É mais leve e cômica que a ópera, com melodias simples, temas românticos ou satíricos e diálogos falados. Nomes como Offenbach e Johann Strauss II são referências prioritárias para o gênero. Já a zarzuela combina elementos da ópera e da opereta, mas mantém identidade própria ao valorizar a língua espanhola, os costumes locais e a música popular ibérica; pode combinar ainda elementos cômicos e dramáticos.

Sendo assim, não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!

Federico Moreno Torroba (1891-1982) - 

DISCO 01

01. Introduction - first scene
02. Habanera
03. Duet Javier - Mariana, romance
04. Duet Luisa Fernanda - Vidal
05. Duet Carolina - Javier
06. Act I - Final
07. The pilgrimage of St Anton
08. Mazurka of the umbrellas
09. Duet Carolina - Vidal

DISCO 02


01. Scene
02. Second scene
03. Vidal's romance
04. Acte II - Final
05. Introduction (orchestra)
06. Vidal and choir - Ay mi morena
07. Duet Luisa Fernanda - Javier
08. Acte III - Final

Orquestra Sinfónica de Madrid
Coro da Universidad Politécnica de Madrid

Antoni Ros Marbà, regente 

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Edvard Grieg (1843-1907) - Piano Concerto in A Minor, Op. 16 e Camille Saint-Säens (1835-1921) - Piano Concerto No. 2 in G Minor, Op. 22

Extraído do encarte do disco:

"A pianista franco-húngara Suzana Bartal se une ao maestro Sébastien Rouland e à Saarländische Staatsorchester neste lançamento que reúne dois clássicos incontornáveis do repertório romântico: o Concerto para Piano em Lá menor, de Edvard Grieg, e o Concerto para Piano nº 2 em Sol menor, de Camille Saint-Saëns.

Embora não tenha obtido sucesso em sua estreia - com o próprio compositor ao piano -, o Segundo Concerto de Saint-Saëns acabou conquistando o público e tornou-se, provavelmente, o mais executado entre os cinco concertos para piano que ele compôs. Poucas obras musicais são tão emblemáticas quanto o único concerto que Grieg chegou a concluir: o célebre Concerto para Piano em Lá menor. Franz Liszt, que o leu à primeira vista quando a obra foi escrita, em 1870, não poupou elogios - e, desde então, a peça mantém-se como uma favorita permanente do público".

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

01. Grieg- Piano Concerto in A Minor, Op. 16- I. Allegro molto moderato
02. Grieg- Piano Concerto in A Minor, Op. 16- II. Adagio
03. Grieg- Piano Concerto in A Minor, Op. 16- III. Allegro moderato molto e marcato
04. Saint-Saëns- Piano Concerto No. 2 in G Minor, Op. 22- I. Andante Sostenuto
05. Saint-Saëns- Piano Concerto No. 2 in G Minor, Op. 22- II. Allegro Scherzando
06. Saint-Saëns- Piano Concerto No. 2 in G Minor, Op. 22- III. Presto

Saarländisches Staatsorchester
Sébastien Rouland, regente
Suzana Bartal, piano

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terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Franz Liszt (1811-1886) - Fantasia on Hungarian Folk tunes, S.123, Piano Concerto No. 1 in E flat, S.124, Piano Concerto No. 2 in A, S.125 e Totentanz, S.126. Paraphrase on _Dies Irae_for piano and orchestra

 Um disco excelente! Daqueles que você escuta e fica com um senso de admiração. O Concerto para piano No. 1, de Liszt, na minha humilde opinião, é um dos concertos mais bonitos e espetaculares da história. O compositor era uma figura extraordinária. Quando subia ao palco, não era simplesmente um homem que estava ali - era uma espécie de fenômeno. Liszt causava comoção, admiração. Aquilo que banda como os Beatles causavam nos anos 60 do século XX, Liszt já promovia entre as mocinhas que quase iam ao desmaio quando ele se apresentava. 

Ele era um virtuose; um "exibicionista" no melhor sentido. Neste disco, encontramos seus dois concertos, obras que concentram, brilho, técnica, beleza. O Primeiro é do ano de  1830. O compositor tinha apenas 19 anos ao escrevê-lo. Desde os primeiros compassos, a obra recusa o protocolo clássico: não há uma longa introdução orquestral à espera do solista. Em vez disso, um motivo curto, incisivo, apresentado pela orquestra, percorre todo o concerto, transformando-se constantemente. Liszt adota aqui um princípio que lhe era caro, o da forma cíclica, em que temas reaparecem sob novas roupagens, criando unidade dramática. Para o solista, o desafio surge de maneira imediata e de forma implacável. 

O de Número 2 é menos famoso que o primeiro, mas não menos bonito é poético. Aqui, o compositor vai mais longe na desconstrução da forma tradicional. Os seis episódios que compõem a obra sucedem-se sem interrupção, como se fossem capítulos de um único fluxo musical contínuo. Há momentos de um lirismo que surge como confissão, como drama, como catarse. 

Os dois concertos fazem parte da ambição estética do compositor. Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

 

Franz Liszt (1811-1886) - 

01 - Fantasia on Hungarian Folk tunes, S.123
02 - Piano Concerto No. 1 in E flat, S.124 - 1. Allegro maestoso
03 - Piano Concerto No. 1 in E flat, S.124 - 2a. Quasi adagio
04 - Piano Concerto No. 1 in E flat, S.124 - 3. Allegretto vivace
05 - Piano Concerto No. 1 in E flat, S.124 - 4. Allegro marziale animato
06 - Piano Concerto No. 2 in A, S.125 - 1. Adagio sostenuto assai - Allegro agitato assai
07 - Piano Concerto No. 2 in A, S.125 - 2. Allegro moderato
08 - Piano Concerto No. 2 in A, S.125 - 3. Allegro deciso - Marziale un poco meno allegro
09 - Piano Concerto No. 2 in A, S.125 - 4. Allegro animato
10 - Totentanz, S.126. Paraphrase on _Dies Irae_for piano and orchestra

Orchestre Symphonique de Montréal
Charles Dutoit, regente
Jean-Yves Thibaudet, piano 

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segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Ludwig van Beethoven (1770-1827) Streichquartett F-Moll Op. 95 - "Quartetto Serioso" e Franz Schubert (1797-1828) - Streichquartett G-Dur D 887 (Op. Posth. 161)

Informações extraídas do encarte do disco:

"O Hagen Quartett é um conjunto de quartetos de cordas fundado na década de 1970, em Salzburgo, e figura entre os mais renomados quartetos de cordas do mundo. O grupo ganhou destaque internacional sobretudo por sua gravação integral dos quartetos de cordas de Wolfgang Amadeus Mozart.

O quarteto contou com o apoio do maestro Nikolaus Harnoncourt desde seus primeiros anos. Conhecidos inicialmente como as “crianças Hagen”, seus integrantes conquistaram, em meados da década de 1970, o primeiro prêmio no concurso Jugend musiziert, realizado em Leoben. Em 1981, o violinista Gidon Kremer convidou o grupo para participar de seu primeiro Festival de Música de Câmara de Lockenhaus. Essa apresentação diante de um público internacional é considerada a “certidão de nascimento” oficial do Hagen Quartett.

Desde 2013, o Hagen Quartett toca em quatro instrumentos Stradivarius, conhecidos como o chamado “Quarteto Paganini”. Os instrumentos, que pertenceram ao violinista italiano Niccolò Paganini, foram utilizados até 2012 pelo Tokyo String Quartet, antes de sua dissolução. Posteriormente, passaram a ser cedidos ao Hagen Quartett pela Nippon Music Foundation".

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Ludwig van Beethoven (1770-1827)

Streichquartett F-Moll Op. 95 »Quartetto Serioso«

01. I. Allegro con brio
02. II. Allegretto, ma non troppo – Attacca
03. III. Allegro assai vivace, ma serioso
04. IV. Larghetto espressivo – Allegretto agitato – Allegro

Franz Schubert (1797-1828) - 

Streichquartett G-Dur D 887 (Op. Posth. 161)

05. I. Allegro molto moderato
06. II. Andante un poco mosso
07. III. Scherzo. Allegro vivace – Trio. Allegretto
08. IV. Allegro assai

Hagen Quartett
Lukas Hagen, violino I
Rainer Schmidt, violino II
Veronika Hagen, viiola)
Clemens Hagen, violoncelo 

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domingo, 4 de janeiro de 2026

Johann Sebastian (1685-1750) - Concertos

Extraído do encarte do disco:

"Trata-se de uma excelente coletânea em cinco CDs. O box reúne praticamente todos os concertos de Johann Sebastian Bach, com exceção dos Concertos de Brandemburgo — uma ausência lamentável, já que as gravações de Trevor Pinnock dessas obras são consideradas excepcionais. Ainda assim, o conjunto impressiona pela qualidade e oferece algumas das páginas mais agradáveis da obra de Bach, em interpretações de alto nível.

Nos Concertos para Cravo, Pinnock assume o papel de solista e deixa claro por que é um músico tão respeitado e admirado. Sob seus dedos — e também sob sua direção —, a música ganha vida. Muitas dessas gravações, lançadas originalmente no início dos anos 1980, estabeleceram padrões que influenciaram gerações de intérpretes de Bach. O mais notável é que continuam soando atuais, envolventes e cheias de energia, mesmo décadas depois. Pinnock divide o palco com outros grandes cravistas nos concertos para dois, três e quatro cravos, como Kenneth Gilbert, Nicholas Kraemer e Lars Ulrich Mortensen. O Concerto para Quatro Cravos, em especial, é um verdadeiro destaque e proporciona um prazer musical raro.

Os demais concertos mantêm o mesmo nível de excelência. Simon Standage apresenta interpretações refinadas nos concertos para violino e se une a Elizabeth Wilcock em uma versão memorável do Concerto para Dois Violinos. Já David Reichenberg se destaca tanto no delicado Concerto para Oboé d’Amore quanto no Concerto para Oboé e Violino, ao lado de Standage. De modo geral, todos os solistas entregam atuações de altíssimo nível, com o conjunto The English Consort oferecendo um acompanhamento coeso e exemplar.

Com ótima qualidade de gravação e encartes informativos, este é um box pensado para durar a vida toda. Mesmo quem já possui outras versões dessas obras encontrará aqui novas perspectivas e muito prazer musical. Em resumo, trata-se de uma verdadeira joia".

Não deixe de ouvir este material imperdível. Uma boa apreciação! 

Johann Sebastian Bach (1685-1750) - 

DISCO 01

Concerto for Harpsichord, Strings, and Continuo No.1 in D minor, BWV 1052
01. I. Allegro - 7:26
02. II. Adagio - 6:19
03. III. Allegro - 7:53

Concerto for Harpsichord, Strings, and Continuo No.2 in E, BWV 1053

04. I. (Allegro) - 7:36
05. II. Siciliano - 5:14
06. III. Allegro - 6:04

Concerto for Harpsichord, Strings, and Continuo No.3 in D, BWV 1054
07. I. - 7:42
08. II. Adagio e piano sempre - 6:55
09. III. Allegro - 2:33

DISCO 02

Concerto for Harpsichord, Strings, and Continuo No.4 in A, BWV 1055
01. I. (Allegro moderato) - 4:15
02. II. Larghetto - 5:45
03. III. Allegro ma non tanto - 3:31

Concerto for Harpsichord, Strings, and Continuo No.5 in F minor, BWV 1056
04. I. (Allegro) - 3:05
05. II. Largo - 2:51
06. III. Presto - 3:32

Concerto for Harpsichord, 2 Recorders, Strings, and Continuo No.6 in F, BWV 1057
07. I. – - 7:00
08. II. Andante - 4:21
09. III. Allegro assai - 5:10

Concerto for Harpsichord, Strings, and Continuo No.7 in G minor, BWV 1058
10. I. – - 3:42
11. II. Andante - 6:21
12. III. Allegro assai - 3:46

Concerto for 2 Harpsichords, Strings, and Continuo in C minor, BWV 1060
13. I. Allegro - 5:13
14. II. Adagio - 5:30
15. III. Allegro - 3:39

DISCO 03

Concerto for 2 Harpsichords, Strings, and Continuo in C, BWV 1061
01. I. W/o Tempo Indication - 7:46
02. II. Adagio ovvero Largo - 5:01
03. III. Fuga - 5:57

Concerto for 2 Harpsichords, Strings, and Continuo in C minor, BWV 1062
04. I. W/o Tempo Indication - 3:58
05. II. Andante e piano - 5:56
06. III. Allegro assai - 4:42

Concerto for 3 Harpsichords, Strings, and Continuo No.1 in D minor, BWV 1063
07. I. (Allegro) - 5:10
08. II. Alla siciliana - 3:47
09. III. Allegro - 4:57
10. IV. (Allegro) - 6:15
11. V. Adagio - 5:28
12. VI. Allegro - 4:37

Concerto for 4 Harpsichords, Strings, and Continuo in A minor, BWV 1065
13. I. (Allegro) - 4:02
14. II. Largo - 2:08
15. III. Allegro - 3:23

DISCO 04

Concerto for Flute, Violin, Harpsichord, and Strings in A minor, BWV 1044
01. I. Allegro - 8:40
02. II. Adagio ma non tanto e dolce - 5:38
03. III. Tempo di Allabreve - 7:10

Concerto for 2 Harpsichords, Strings, and Continuo in C minor, BWV 1060

04. I. Allegro - 5:04
05. II. Adagio - 5:03
06. III. Allegro - 3:25

Concerto for Harpsichord, Strings, and Continuo No.4 in A, BWV 1055
07. I. (Allegro moderato) - 4:39
08. II. Larghetto - 5:49
09. III. Allegro ma non tanto - 4:22

DISCO 05

Violin Concerto No.1 in A minor, BWV 1041
01. I. (Allegro moderato) - 3:36
02. II. Andante - 7:14
03. III. Allegro assai - 3:28

Violin Concerto No.2 in E, BWV 1042
04. I. Allegro - 7:35
05. II. Adagio - 6:38
06. III. Allegro assai - 2:34

Concerto for 2 Violins, Strings, and Continuo in D minor, BWV 1043
07. I. Vivace - 3:40
08. II. Largo ma non tanto - 6:32
09. III. Allegro - 4:31

The English Concert
Trevor Pinnock, direção e cravo 

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sábado, 3 de janeiro de 2026

Franz Liszt (1811-1886) - Missa Choralis e Via Crucis

Extraído do encarte do encarte do disco:

"A posição de Liszt como compositor para a Igreja sempre foi controversa. O paradoxo de que o músico mais moderno de sua época - defensor dos ideais revolucionários de 1789, 1830 e 1848 - tenha acabado por escrever música para uma instituição vista como bastião do conservadorismo e da reação levou muitos a questionarem suas motivações. Com a secularização acelerada da cultura, Liszt passou a ser encarado como um artista desiludido, e sua decisão de receber ordens menores em 1865 foi interpretada como uma guinada surpreendente para alguém de vida tão mundana.

Na realidade, Liszt escreveu música sacra com um claro propósito reformador. O estado lamentável da música litúrgica na primeira metade do século XIX - quando era comum ouvir cabalettas de ópera adaptadas a textos religiosos - levou o compositor a buscar inspiração no cantochão e na música de Palestrina. Composta em 1865, o mesmo ano em que recebeu ordens menores, a Missa Choralis incorpora esses dois elementos. A influência do cantochão permeia o material temático, ainda que reinterpretada por meio da linguagem harmônica ousadamente original e intensamente cromática de Liszt.

Via Crucis (1866–1878) é uma obra extraordinária. Trata-se de uma devoção que descreve o caminho de Cristo carregando a cruz, dividida em quatorze “estações” ou etapas. A maioria das igrejas católicas apresenta imagens ou esculturas dessas cenas ao longo das paredes da nave, geralmente sete de cada lado. A prática devocional consiste em meditações sobre cada cena, normalmente acompanhadas de orações e cânticos. Quando o número de participantes permite, o grupo se desloca pela igreja, detendo-se em cada estação. Foi esse percurso que Liszt imaginou ao compor a obra. Em uma de suas criações mais pessoais, o compositor apresenta uma sequência de miniaturas radicalmente expressionistas, de intensidade emocional profunda".

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Franz Liszt (1811-1886) - 

01. Missa Choralis
02. Via Crucis 
03. Missa Choralis: Credo
04. Missa Choralis: Sanctus
05. Missa Choralis: Benedictus
06. Missa Choralis: Agnus Dei
07. Via Crucis: Einleitung
08. Via Crucis: Station I
09. Via Crucis: Station I
10. Via Crucis: Station II
11. Via Crucis: Station IV
12. Via Crucis: Station V
13. Via Crucis: Station VI
14. Via Crucis: Station VII
15. Via Crucis: Station VIII
16. Via Crucis: Station IX
17. Via Crucis: Station X
18. Via Crucis: Station XI 
19. Via Crucis: Station XII
20. Via Crucis: Station XIII 
21. Via Crucis: Station XIV 

Corydon Singer
Matthew Best, regente
Thomas Trotter, órgão
Leigh Melrose, barítono 

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Sir Edward Elgar (1857-1934) - Enigma Variations e Pomp and Circumstance - March No. 1 in D Major Op. 39 e March No. 4 in G Major Op. 39

Existem obras que, de tanto gostar, posso ouvir, duas três, quatro vezes seguidas. É o que acontece com essas "Variações", de Edward Elgar. Existe algo de belo, trágico e solene nelas. Quando foram escritas, em 1899, a música inglesa atravessava um marasmo de alguns séculos. Há quem brinque dizendo que houve um intervalo de silêncio entre Purcell, um dos maiores compositores ingleses de todos os tempos - do século XVI - até o século XX. Por mais que seja uma brincadeira, há um fundo histórico de verdade nessa afirmação.

O fato é que "As Variações Enigmas" é uma obra sofisticada. Após a sua estreia, a obra fez um enorme sucesso e projetou o nome do seu compositor; inevitavelmente, as atenções se voltaram para a Inglaterra. O século XX foi bem mais interessante do que os três séculos anteriores. Pode-se citar, por exemplo, os nomes de Benjamin Britten, Ralph Vaughan Williams e o próprio Edward Elgar. 

A obra parte de um tema simples, apresentado logo na abertura, que serve de base para 14 variações. Cada uma delas é um retrato musical - uma espécie de caricatura sonora - de pessoas próximas ao compositor: amigos, familiares e até o próprio Elgar. As iniciais que dão nome às variações funcionam como pistas de um álbum íntimo transformado em música. 

A Variação que mais me chama a atenção é a de número IX (Nimrod). Foi dedicada a Augustus Jaeger, amigo muito próximo do compositor. Nimrod é um personagem da mítica da Bíblia. A menção ao seu nome se encontra no livro de Gênesis.  Era filho de Cuxe, cujo avô era Cam, filho de Noé; portanto, Nimrod era bisneto de Noé. É descrito como o primeiro homem mais poderoso da terra. Nimrod significa "divino filho do céu". O nome procede um verbo hebraico cujo significado é "rebelar". Não se sabe o que Elgar pretendia dizer quando deu esse nome à nona variação. 

Sua característica lenta e solene, cria um efeito transcendente capaz de nos fazer pensar em realidades sublimes. Ao escutá-la, sentimo-nos mais humanos, pois ela está carregada de um respeito solene pela vida. Talvez, resida aí a ideia divina que emana do céu. Será que Elgar pensou nisso? Eis um verdadeiro enigma (risos). 

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!  

Sir Edward Elgar (1857-1934) - 

01. Theme (Enigma) -  Andante - Variations on an Original Theme (Enigma), Op. 36
02. Variation I - C.A.E. Andante - Variations on an Original Theme (Enigma), Op. 36
03. Variation II - H.D.S.-P. -  Allegro - Variations on an Original Theme (Enigma), Op. 36
04. Variation III - R.B.T. -  Allegretto - Variations on an Original Theme (Enigma), Op. 36
05. Variation IV - W.M.B. -  Allegro di molto - Variations on an Original Theme (Enigma), Op. 36
06. Variation V - R.P.A. -  Moderato - Variations on an Original Theme (Enigma), Op. 36
07. Variation VI - YSOBEL -  Andantino - Variations on an Original Theme (Enigma), Op. 36
08. Variation VII - TROYTE -  Presto - Variations on an Original Theme (Enigma), Op. 36
09. Variation VIII - W.N. -  Allegretto - Variations on an Original Theme (Enigma), Op. 36
10. Variation IX - NIMROD -  Adagio - Variations on an Original Theme (Enigma), Op. 36
11. Variation X - DORABELLA (Intermezzo) -  Allegretto - Variations on an Original Theme
12. Variation XI - G.R.S. -  Allegro di molto - Variations on an Original Theme (Enigma), Op. 36
13. Variation XII - B.G.N. -  Andante - Variations on an Original Theme (Enigma), Op. 36
14. Variation XIII -  (Romanza) -  Moderato - Variations on an Original Theme (Enigma), Op. 36
15. Variation XIV - E.D.U. (Finale) -  Allegro - Variations on an Original Theme (Enigma), Op. 36
16. Pomp and Circumstance -  March No. 1 in D Major Op. 39 (
17. Pomp and Circumstance -  March No. 4 in G Major Op. 39

Philharmonia Orchestra
Sir John Barbirolli, regente 

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sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Claude Debussy (1862-1918) - Etudes, CD 143, Sergei Prokofiev (1891-1953) - Etudes, Op. 2 e Béla Bartók (1881-1945) - 3 Etudes, Sz. 72

Este disco é um muito bom. Reúne três dos mais importantes compositores do século XX. Embora tenham nascido no final do século XIX, foram responsáveis por determinar o destino da música do século XX. O disco reúne "estudos" de Debussy, Prokofiev e Bartók. Diferentemente dos famosos estudos de Chopin, que eram repletos de camadas de poesia, lirismo e técnica, os estudos aqui encontrados não são apenas uma realização de destreza estética; eles estão carregados por uma linguagem que aponta para a a possibilidade sonora, estética e de expressividade.

O primeiro deles é o de Debussy. Foram escritos entre os anos de 1915 e 1917. É o seu último grande ciclo para piano. O piano deixa de ser meramente percussivo e passa a ter uma fluidez e uma ambiguidade sonora e inventiva. É bonito e poético. É um exercício de ousadia estética. 

Em seguida, aparece o Opus 2 de Prokofiev. Foi escrito em 1909. À época, o compositor tinha apenas dezenove anos de idade. O russo não procura a sutileza, mas, sim, o impacto. A estética do choque, da energia e da ironia, marcas que seguirão o compositor pelos anos à frente. E, finalmente, aparece Bartók. Os três estudos aqui apresentados foram escritos em 1918 e revelam um compositor interessado tanto na exploração técnica quanto na reorganização profunda da linguagem musical.Os estudos apresentam estruturas rigorosas, padrões repetitivos e uma pulsação quase primitiva, que antecipa muitas das experimentações do século XX.

Sendo assim, não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!

01 - Etudes, CD 143_ I. Pour les cinq doigts (d'après Monsieur Czerny)
02 - Etudes, CD 143_ II. Pour les tierces
03 - Etudes, CD 143_ III. Pour les quartes
04 - Etudes, CD 143_ IV. Pour les sixtes
05 - Etudes, CD 143_ V. Pour les octaves
06 - Etudes, CD 143_ VI. Pour les huit doigts
07 - Etudes, CD 143_ VII. Pour les degrés chromatiques
08 - Etudes, CD 143_ VIII. Pour les agréments
09 - Etudes, CD 143_ IX. Pour les notes répétées
10 - Etudes, CD 143_ X. Pour les sonorités opposées
11 - Etudes, CD 143_ XI. Pour les arpèges composés
12 - Etudes, CD 143_ XII. Pour les accords
13 - Etudes, Op. 2_ I. Allegro in D Minor
14 - Etudes, Op. 2_ II. Moderato in E Minor
15 - Etudes, Op. 2_ III. Andante semplice in C Minor
16 - Etudes, Op. 2_ IV. Presto energico in C Minor
17 - 3 Etudes, Sz. 72_ I. Allegro molto
18 - 3 Etudes, Sz. 72_ II. Andante sostenuto – Più mosso
19 - 3 Etudes, Sz. 72_ III. Rubato – Molto sostenuto – Tempo giusto – Rubato

Garrick Ohlsson, piano 

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quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Wilhelm Stenhammar (1871–1927) - Symphony No. 2 in G minor, Op. 34 e Musik Till August Strindberg's "Ett drömspel"

Texto extraído da apresentação do disco:

"O compositor sueco Wilhelm Stenhammar escreveu três sinfonias, mas a primeira foi retirada de circulação pública e a terceira permaneceu inacabada. Com isso, a Sinfonia nº 2 em sol menor (1911–1915) destaca-se como a única obra plenamente realizada e representativa de seu pensamento sinfônico, revelando considerável inovação formal e um estilo pessoal vigoroso. Ainda assim, é evidente que grande parte de sua inspiração vem da Sinfonia nº 2 em ré maior, de Jean Sibelius.

Nesta gravação, sob a regência de Christian Lindberg à frente da Orquestra Sinfônica da Antuérpia, a obra recebe uma interpretação robusta, que não minimiza a influência sibeliana — ao contrário, parece celebrá-la, sobretudo no desenvolvimento orgânico de temas amplos e nos longos e intensos crescendos.

O programa é complementado por uma versão de concerto de Ett drömspel (Um Sonho), música incidental composta por Stenhammar em 1916 para a peça homônima de August Strindberg. As imagens mutáveis e a ação irracional do palco encontram eco em uma música sombria e atmosférica, posteriormente condensada em uma fantasia orquestral contínua por Hilding Rosenberg, em 1970".

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!  

Wilhelm Stenhammar (1871–1927) - 

Symphony No. 2 in G minor, Op. 34
01. Allegro energico
02. Andante
03. Scherzo. Allegro, ma non troppo presto
04. Finale. Sostenuto - Allegro vivace alla breve
05. Musik Till August Strindberg's "Ett drömspel" (1916)

Antwerp Symphony Orchestra
Christian Lindberg, regente 

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Johannes Brahms (1833-1897) - Symphony No. 4 in E Minor, Op. 98 e Ludwig van Beethoven (1770-1827) - Symphony No. 7 in A Major, Op. 92

Primeira postagem de 2026. Após 16 anos de blog, ainda continuamos por aqui. Impelimos a marcha solitariamente. Em abril, se tudo der certo, chegaremos ao décimo sétimo ano de existência. Em 2025, foram 470 postagens; um número bem menor que o de 2024; naquela ocasião, foram 630. Mas, é importante mencionar que, naquele ano, não havia texto inserido nas postagens, algo que voltamos a fazer em 2025. 

O fato é que após tanto tempo, fica um questionamento: até quando continuar? Além disso, outra pergunta surge: por que continuar a fazer um trabalho como este em tempos de Spotify, Amazon Music, Deezer ou Tidal, por exemplo? Não sei. Talvez, eu o faça (1), pois me força a ouvir música clássica diariamente - algo sem a qual eu não consigo viver; (2) por ser uma forma prazerosa de aprender com a vida de artistas extraordinários; e (3) pela possibilidade de fazer algo em prol da beleza. Isso parece meio vago, mas são justificativas que estruturam a a minha vontade. 

Sei que, às vezes, pareço meio insensível, pois não respondo às mensagens para revalidar links quebrados. Não parece, mas leio todos os pedidos. É difícil atender a todas as solicitações. Tenho os arquivos. Revalidá-los é um trabalho de outra ordem, que exige tempo. E tempo para mim é uma coisa complicada. Portanto, peço desculpas pelo fato de não atender à maioria das solicitações. Vou tentar me esforçar, em 2026, para ser mais rápido; e, ao menos, uma vez por semana, restaurar um arquivo quebrado. 

Escutei o presente disco ontem. Escute-o também. Todo início de ano, promessas são feitas. Eu, por exemplo, prometi para mim mesmo que, em 2026, lerei mais poesia - pelo menos um poema por dia.  Também desejo que você faça o mesmo. A melhor forma de começar o ano é entrando em contato com a beleza, com o indizível, portanto escute as duas sinfonias deste disco. 

Mais uma vez, aos seis visitantes que ainda frequentam este espaço - ou àqueles que chegam por aqui de forma acidental -, desejo um extraordinário 2026. Que a beleza - e a música propicia isso - conduza os nossos afetos. Boa apreciação!

01. Symphony No. 4 in E Minor, Op. 98: I. Allegro non troppo (12:53)
02. Symphony No. 4 in E Minor, Op. 98: II. Andante moderato (12:19)
03. Symphony No. 4 in E Minor, Op. 98: III. Allegro giocoso (7:01)
04. Symphony No. 4 in E Minor, Op. 98: IV. Allegro energico e passionato (10:54)
05. Symphony No. 7 in A Major, Op. 92: I. Poco sostenuto - Vivace (15:08)
06. Symphony No. 7 in A Major, Op. 92: II. Allegretto (9:34)
07. Symphony No. 7 in A Major, Op. 92: III. Presto - Assai meno presto (8:14)
08. Symphony No. 7 in A Major, Op. 92: IV. Allegro con brio (7:34)

Chicago Symphony Orchestra
Carlo Maria Giulini, regente 

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