domingo, 13 de abril de 2014

Franz Schubert (1797-1828) - Quintet in C major, D.956 e Quartet in C minor, D.703 - 'Quartettzatz'

Há alguns dias atrás, um visitante deste espaço deixou o seguinte comentário. Acredito que ele seja português, por causa das marcas linguísticas de seu texto. Entendi o comentário como uma espécie de "puxão de orelha". Penso que tenha empregado uma palavra que acabou gerando ambivalências. Mas, apesar de tudo, gostei de comentário dele sobre Schubert: "(...) Schubert foi de facto especial (como tantos outros) - cada grande compositor na sua essencial singularidade): morreu novo (como tantos outros), mas para o tentar compreender (como homem e como compositor) é necessário conhecer a sua história biográfica, o seu contexto sócio-económico e a sua densa complexidade psicológica. Schubert, por vários motivos que não cabem aqui discorrer, era inseguro e a sua falta de auto-confiança reflectia-se nas obras "incompletas". Não se tratava de ser indisciplinado no seu método criativo, mas antes inseguro e demasiado exigente consigo mesmo. Viveu miseravelmente, mesmo na pobreza, e foi explorado por vários empresários que pegavam numa melodia sua, anteviam o seu potencial mas não lhe pagavam de acordo com ele. Czerny foi um deles. Pagavam-lhe para poderem publicar um "lied" uma ninharia que depois rendia rios de dinheiro. Schubert, desinteressado e materialmente desapegado, não tinha o que hoje chamamos "espírito de iniciativa", "olho para o negócio" nem ferocidade capitalista. A sua vida emocional e sentimental também não correu bem, vivendo sempre sozinho. Apenas alguns amigos faziam a diferença, acolhendo-o e alimentando-o quando necessário, além de lhe reconhecerem valor artístico - ficaram famosas as "Schubertíades" (serões musicais noite dentro entre amigos músicos e ligados às artes). Pessoalmente, as características que mais admiro nas suas obras são o sentido intimista, a facilidade melódica de grande lirismo e uma textura tímbrica (principalmente na sua obra de câmara) simultaneamente calorosa, clara e translúcida. As suas últimas obras são brilhantes no sentido trágico do termo. Existem nelas um sentimento de angústia, revolta contida, de profunda injustiça e desilusão perante a vida". Uma boa apreciação!

Franz Schubert (1797-1828) - 

Quintet in C major, D.956
01. I. Allegro ma non troppo
02. II. Adagio
03. III. Scherzo_ Presto - Trio_ Andante sostenuto
04. IV. Allegretto

Quartet in C minor, D.703 - 'Quartettzatz'
05. I. Allegro
06. II. Andante (fragment)

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Tokyo String Quartett
Martin Beaver, Kikuei Ikeda, violinos
Kazuhide Isomura, viola
Clive Greensmith, cello
David Waltkin, cello (D. 956)


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Um comentário:

Leonardo Linhares disse...

Carlinus, que postagem maravilhosa. Como, aliás, tantas outras postagens maravilhosas. Minha gratidão pelo seu incansável e importante trabalho é imensa!
Grande abraço de Itanhaém/SP!