As duas obras foram escritas em momentos bastante distintos da trajetória de Shostakovich. O Op. 40, por exemplo, foi escrito em 1934. Quando da sua escrita, o compositor possuía apenas 28 anos de idade. O primeiro movimento equilibra lirismo e estrutura formal com notável clareza, enquanto o Allegro seguinte introduz uma energia quase sarcástica - um traço que se tornaria marca registrada do autor. O Largo, por sua vez, expõe uma introspecção rara, sustentada por linhas longas do violoncelo, antes de um final que mescla leveza e virtuosismo. O primeiro ganha contornos tão sensíveis, que nos faz pensar imediatamente em Brahms.
Já o Op. 147, foi escrito em 1975, ou seja, no ano da morte do compositor. Sua linguagem é econômica, quase austera. Não há concessões: cada nota parece carregada de significado.
Dividida em três movimentos, a obra abandona qualquer exuberância juvenil. O primeiro movimento é meditativo, marcado por intervalos amplos e um senso de suspensão temporal. O segundo traz ecos grotescos, lembrando as danças distorcidas tão características de Shostakovich. Já o terceiro movimento - uma espécie de elegia - dialoga diretamente com o passado, incluindo referências a Ludwig van Beethoven, num gesto que soa como despedida.
Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!
Dmitri Shostakovich (1906-1975) -
01. Cello Sonata in D Minor, Op. 40 (Arr. V. Hertenstein for Viola & Piano) I. Allegro non troppo
02. Cello Sonata in D Minor, Op. 40 (Arr. V. Hertenstein for Viola & Piano) II. Allegro
03. Cello Sonata in D Minor, Op. 40 (Arr. V. Hertenstein for Viola & Piano) III. Largo
04. Cello Sonata in D Minor, Op. 40 (Arr. V. Hertenstein for Viola & Piano) IV. Allegro
05. Viola Sonata, Op. 147 I. Moderato
06. Viola Sonata, Op. 147 II. Allegretto
07. Viola Sonata, Op. 147 III. Adagio
Veit Hertenstein, viola
Minze Kim, piano
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