Marek Janowski, regente
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Poucos compositores na história da música tiveram uma carreira tão longeva, prolífica e, por assim dizer, feliz como teve Haydn. Compositor símbolo do Classicismo, ao lado de Mozart, Haydn foi respeitado e admirado quase unanimemente em seu tempo. A imensa quantidade de obras que deixou ilustra não apenas o compositor incansável e de grande imaginação musical que ele foi, mas também a organização da música em seu tempo: Haydn foi o último grande beneficiário de um sistema de patronagem que vigorava entre a nobreza europeia desde a Renascença.
Joseph Haydn nasceu em 1732, em uma família humilde de Rohrau, vila austríaca próxima à fronteira com a Hungria. Foi o segundo de doze filhos do fabricante de carroças Mathias Haydn e da cozinheira Anna Maria Koller. Desses, apenas seis chegaram à idade adulta, e dois se tornaram músicos: Johann Michael Haydn, excelente compositor, e Johann Evangelist, tenor. Haydn recebeu as primeiras lições de música quando foi viver sob custódia de um tio, aos 4 anos de idade. Até 1748, fez parte do coro infantil da Catedral de Santo Estevão em Viena. Sabe-se pouco sobre sua vida nesse período, mas entre as informações disponíveis está a de que instalou-se em Viena em 1748, vivendo no sótão da casa em que residia o poeta e libretista Metastasio. Este o apresentou ao compositor Porpora, de quem Haydn tornou-se auxiliar e aluno. O jovem completou sua formação por meio de “Gradus ad Parnassum”, famoso tratado do compositor barroco Johann Joseph Fux.
Haydn já havia escrito as primeiras sonatas, quartetos de cordas e pequenas missas quando, em 1761, foi contratado como segundo mestre de capela do príncipe Paul Anton Esterházy, um dos mais ricos senhores da Hungria. Aos 29 anos, Haydn assinou um contrato que se tornaria célebre como retrato da condição do músico no Antigo Regime. Além de detalhar que, na frente do príncipe, ele deveria se apresentar “impecavelmente de meias brancas, linho branco, empoado e com rabo de cavalo ou aparência semelhante”, o documento estabelecia a obrigação de compor as peças que o príncipe ordenasse, as quais seriam de uso exclusivo de “Sua Alteza Sereníssima”, não podendo ser copiadas. Haydn também não poderia compor para outra pessoa “sem o conhecimento e a generosa permissão de Sua Alteza”. Tratava-se mais de uma espécie de laço feudal que de um contrato profissional, o que ficava patente nos detalhes de remuneração, que incluía pagamentos com produtos como vinho, lenha, banha, trigo e carne. O compositor permaneceria ligado à família Esterházy até a morte, servindo a quatro gerações de príncipes. Paul Anton faleceu em 1762 e foi sucedido por seu irmão Nicolas, a quem Haydn serviu por 28 anos.
Texto completo aqui
Joseph Haydn (1732-1809) -
DISCO 16
(01)_String_Quartet_in_G_major,_op.64_no.4_-_I._Allegro_con_brio
(02)_String_Quartet_in_G_major,_op.64_no.4_-_II._Menuetto-Trio
(03)_tring_Quartet_in_G_major,_op.64_no.4_-_III._Adagio_cantabile_sostenuto
(04)_String_Quartet_in_G_major,_op.64_no.4_-_IV._Finale_(Presto)
(05)_String_Quartet_in_D_major,_op.64_no.5_[The_Lark]_-_I._Allegro_moderato
(06)_String_Quartet_in_D_major,_op.64_no.5_[The_Lark]_-_II._Adagio
(07)_String_Quartet_in_D_major,_op.64_no.5_[The_Lark]_-_III._Menuet_(Allegretto)
(09)_String_Quartet_in_E_flat_major,_op.64_no.6_-_I._Allegro
(10)_String_Quartet_in_E_flat_major,_op.64_no.6_-_II._Andante
(11)_String_Quartet_in_E_flat_major,_op.64_no.6_-_III._Menuetto_(Allegretto)
(12)_String_Quartet_in_E_flat_major,_op.64_no.6_-_IV._Finale_(Presto)
DISCO 17
(01)_String_Quartet_in_B_flat_major,_op.71_no.1_-_I._Allegro
(02)_String_Quartet_in_B_flat_major,_op.71_no.1_-_II._Adagio
(03)_String_Quartet_in_B_flat_major,_op.71_no.1_-_III._Menuetto_(Allegretto)
(04)_String_Quartet_in_B_flat_major,_op.71_no.1_-_IV._Vivace
(05)_String_Quartet_in_D_major,_op.71_no.2_-_I._Adagio-Allegro
(06)_String_Quartet_in_D_major,_op.71_no.2_-_II._Adagio_cantabile
(07)_String_Quartet_in_D_major,_op.71_no.2_-_III._Menuetto_(Allegro)
(08)_String_Quartet_in_D_major,_op.71_no.2_-_IV._Finale_(Allegretto-Vivace)
(09)_String_Quartet_in_E-flat_major,_op.71_no.3_-_I._Vivace
(10)_String_Quartet_in_E-flat_major,_op.71_no.3_-_II._Andante_con_moto
(11)_String_Quartet_in_E-flat_major,_op.71_no.3_-_III._Menuetto
(12)_String_Quartet_in_E-flat_major,_op.71_no.3_-_IV._Finale_(Vivace)
DISCO 18
(01)_String_Quartet_in_C_major,_op.74_no.1_-_I._Allegro_moderato
(02)_String_Quartet_in_C_major,_op.74_no.1_-_II._Andantino_grazioso
(03)_String_Quartet_in_C_major,_op.74_no.1_-_III._Menuetto_(Allegretto)
(04)_String_Quartet_in_C_major,_op.74_no.1_-_IV._Finale_(Vivace)
(05)_String_Quartet_in_F_major,_op.74_no.2_-_I._Allegro_spiritoso
(06)_String_Quartet_in_F_major,_op.74_no.2_-_II._Andante_grazioso
(07)_String_Quartet_in_F_major,_op.74_no.2_-_III._Menuetto_(Allegro)
(08)_String_Quartet_in_F_major,_op.74_no.2_-_IV._Finale_(Presto)
(09)_String_Quartet_in_G_minor,_op.74_no.3_[The_Rider]_-_I._Allegro
(10)_String_Quartet_in_G_minor,_op.74_no.3_[The_Rider]_-_II._Largo_assai
(11)_String_Quartet_in_G_minor,_op.74_no.3_[The_Rider]_-_III._Menuetto_(Allegretto...
(12)_String_Quartet_in_G_minor,_op.74_no.3_[The_Rider]_-_IV._Finale_(Allegro_con_b...
DISCO 19
(01)_String_Quartet_in_G_major,_op.76_no.1_-_I._Allegro_Con_Spirito
(02)_String_Quartet_in_G_major,_op.76_no.1_-_II._Adagio_Sostenuto
(03)_String_Quartet_in_G_major,_op.76_no.1_-_III._Minuet_Presto
(04)_String_Quartet_in_G_major,_op.76_no.1_-_IV._Allegro_Ma_Non_Troppo
(05)_String_Quartet_in_D_minor,_op.76_no.2_'Quinten'_-_I._Allegro
(06)_String_Quartet_in_D_minor,_op.76_no.2_'Quinten'_-_II._Andante_O_Piu_Tosto_All...
(07)_String_Quartet_in_D_minor,_op.76_no.2_'Quinten'_-_III._Minuet_Allegro_Ma_Non_...
(08)_String_Quartet_in_D_minor,_op.76_no.2_'Quinten'_-_IV._Vivace_Assai
(09)_String_Quartet_in_C_major,_op.76_no.3_'Emperor'_-_I._Allegro
(10)_String_Quartet_in_C_major,_op.76_no.3_'Emperor'_-_II._Poco_Adagio_Cantabile
(11)_String_Quartet_in_C_major,_op.76_no.3_'Emperor'_-_III._Minuet_Allegro
(12)_String_Quartet_in_C_major,_op.76_no.3_'Emperor'_-_IV._Finale_Presto
DISCO 20
(01)_String_Quartet_in_B_flat_major,_op.76_no.4_'Sunrise'_-_I._Allegro_con_spirito
(02)_String_Quartet_in_B_flat_major,_op.76_no.4_'Sunrise'_-_II._Adagio
(03)_String_Quartet_in_B_flat_major,_op.76_no.4_'Sunrise'_-_III._Menuetto_(Allegro)
(04)_String_Quartet_in_B_flat_major,_op.76_no.4_'Sunrise'_-_IV._Finale_(Allegro_ma...
(05)_String_Quartet_in_D_major,_op.76_no.5_-_I._Allegretto
(06)_String_Quartet_in_D_major,_op.76_no.5_-_II._Largo_ma_non_troppo_(Cantabile_e_...
(07)_String_Quartet_in_D_major,_op.76_no.5_-_III._Menuetto_(Allegro)
(08)_String_Quartet_in_D_major,_op.76_no.5_-_IV._Finale_(Presto)
(09)_String_Quartet_in_E_flat_major,_op.76_no.6_-_I._Allegretto_-_Allegro
(10)_String_Quartet_in_E_flat_major,_op.76_no.6_-_II._Fantasia_(Adagio)
(11)_String_Quartet_in_E_flat_major,_op.76_no.6_-_III._Menuetto_(Presto)
(12)_String_Quartet_in_E_flat_major,_op.76_no.6_-_IV._Finale_(Allegro_spirituoso)
DISCO 21
(01)_String_Quartet_in_G_major,_op.77_no.1_-_I._Allegro_moderato
(02)_String_Quartet_in_G_major,_op.77_no.1_-_II._Adagio
(03)_String_Quartet_in_G_major,_op.77_no.1_-_III._Menuetto_(Presto)
(04)_String_Quartet_in_G_major,_op.77_no.1_-_IV._Finale_(Presto)
(05)_String_Quartet_in_F_major,_op.77_no.2_-_I._Allegro_moderato
(06)_String_Quartet_in_F_major,_op.77_no.2_-_II._Menuetto_(Presto_ma_non_troppo)
(07)_String_Quartet_in_F_major,_op.77_no.2_-_III._Andante
(08)_String_Quartet_in_F_major,_op.77_no.2_-_IV._Finale_(Vivace_assai)
(09)_[String_Quartet_in_D_minor,_op.103_(unfinished)_-_II._Andante_grazioso
(10)_String_Quartet_in_D_minor,_op.103_(unfinished)_-_III._Menuetto_ma_non_troppo_...
The Angeles String Quartet
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Do texto de apresentação do disco:
"A violinista americana Stella Chen estabelece uma ponte entre os séculos XIX e XX neste excelente emparelhamento de concertos. Sua leitura do extenso movimento inicial do Concerto para Violino de Beethoven é amplamente expansiva, valorizando os matizes pastorais límpidos da obra e a escrita calorosamente lírica destinada ao instrumento solista. O timbre é sedutoramente maduro, a afinação irrepreensível, e a interpretação, como um todo, irradia uma sensação irresistível de bem-estar e afeto.
O instinto poético de Chen se transfere com naturalidade para a obra que completa o programa, o Concerto para Violino de seu compatriota Samuel Barber. Ela se eleva nas longas linhas melódicas da abertura e condensa comoventemente a carga emocional do intenso movimento lento. O finale, conhecido por sua dificuldade extrema, não a intimida: Chen mantém absoluto controle e lapida detalhes frequentemente negligenciados por violinistas menos atentos. O acompanhamento é vigoroso, a cargo da Academy of St Martin in the Fields e do maestro Jean-Jacques Kantorow, parceiros sensíveis e coesos ao longo de toda a execução".
01. Violin Concerto in D Major, Op. 61: I. Allegro ma non troppo
02. Violin Concerto in D Major, Op. 61: II. Larghetto
03. Violin Concerto in D Major, Op. 61: III. Rondo. Allegro
04. Violin Concerto, Op. 14: I. Allegro
05. Violin Concerto, Op. 14: II. Andante
06. Violin Concerto, Op. 14: III. Presto in moto perpetuo
Academy of St Martin in the Fields
Jean-Jacques Kantorow, regente
Stella Chen, violino
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Franz Schubert - para mim - foi um dos maiores gênios que já passaram por este Planeta. Viveu pouco, mas produziu uma obra bonita, profunda e visionária sob vários aspectos. Schubert é o compositor que se posiciona no limiar entre o Classicismo e o Romantismo - muitas das suas produções possuem uma dicção clássica, mas, outras, um ímpeto romântico arrebatável.
A Sinfonia No. 8, também conhecida como "Inacabada", foi composta em 1822. Em torno dela repousa um grande mistério - por que o compositor a deixou apenas com dois movimentos? Insegurança estética ou da forma? Um fluxo intenso de novas ideias? Novos interesses criativos? Vale mencionar que a década de 20 foi um período de grande produtividade para o compositor. Há um fluxo incrível de novas ideias e composições. O fato é que a obra é de uma beleza esmagadora. Ela é sombria. Carregada de drama. Foi com esta Sinfonia que aprendi a gostar de música clássica. Ela faz parte de minha história.
Já a Sinfonia No. 9, escrita entre os anos de 1825 e 1826, diferente da Oitava - que possui uma atmosfera concentrada - é uma sinfonia de afirmação. Ela é longa, vigorosa e possui uma estrutura ambiciosa. Schubert é mais conhecido por ser um compositor de miniaturas, mas a Nona prova o contrário. Ela, de certa forma, inaugura um tipo de estrutura grandiosa que, mais tarde, Bruckner e Mahler seriam os principais seguidores dessa tendência.
Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!
Franz Schubert (1797-1828) -
01 - Symphony No. 8 in B minor _Unfinished_, D. 759, IFS 739_ I. Alleg
02 - Symphony No. 8 in B minor _Unfinished_, D. 759, IFS 739_ II. Anda
03 - Symphony No. 9 in C Major _The Great_, D. 944, IFS 740_ I. Andant
04 - Symphony No. 9 in C Major _The Great_, D. 944, IFS 740_ II. Andan
05 - Symphony No. 9 in C Major _The Great_, D. 944, IFS 740_ III. Sche
06 - Symphony No. 9 in C Major _The Great_, D. 944, IFS 740_ IV. Final
Cleveland Orchestra
George Szell, regente
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"A Sinfonia nº 5 em dó menor, de Ludwig van Beethoven (Op. 67), foi composta entre 1804 e 1808. Trata-se de uma das obras mais conhecidas da música clássica e de uma das sinfonias mais executadas da história, sendo amplamente considerada um dos pilares da música ocidental.
Estreada em 1808, no Theater an der Wien, em Viena, a obra conquistou rapidamente uma reputação extraordinária. O escritor e crítico E. T. A. Hoffmann descreveu a sinfonia como “uma das obras mais importantes de seu tempo”.
Como era característico das sinfonias compostas durante o período de transição entre o Classicismo e o Romantismo, a Quinta Sinfonia de Beethoven é estruturada em quatro movimentos".
Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!
Ludwig van Beethoven (1770-1827) -
01. Symphony No. 5 in C Minor, Op. 67: I. Allegro con brio (07:24)
02. Symphony No. 5 in C Minor, Op. 67: II. Andante con moto (09:06)
03. Symphony No. 5 in C Minor, Op. 67: III. Allegro - (04:47)
04. Symphony No. 5 in C Minor, Op. 67: IV. Allegro - Presto (10:39)
Wiener Philharmoniker
Simon Rattle, regente
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Uma obra-prima incontestável. Escrito entre os anos de 1878 e 1881, o Concerto para piano e orquestra No. 2, de Brahms, é uma obra cujos adjetivos são insuficientes. Nele, encontramos equilíbrio; Brahms propõe um diálogo amplo, maduro e profundamente arquitetado entre o piano e orquestra.
Brahms extrapola a convenção e escreve quatro movimentos, o que aproxima a obra quase de uma sinfonia. Maduro e seguro de si, o compositor parece ir além dos concertos. O Segundo Concerto de Brahms é uma afirmação de equilíbrio entre intelecto e emoção, rigor formal e liberdade expressiva. É música que exige não apenas técnica extraordinária do solista, mas também escuta atenta. Ele se derrama em um lirismo que procura fugir dos esquemas sentimentais do romantismo. Brahms emociona sem ser piegas. Coisa de gente sabida.
Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!
Johannes Brahms (1833-1897) -
01 Brahms_ Piano Concerto No.2 in B Flat Major, Op.83 - 1. Allegro non troppo
02 Brahms_ Piano Concerto No.2 in B Flat Major, Op.83 - 2. Allegro appassionato
03 Brahms_ Piano Concerto No.2 in B Flat Major, Op.83 - 3. Andante - Più adagio
04 Brahms_ Piano Concerto No.2 in B Flat Major, Op.83 - 4. Allegretto grazioso - Un poco più presto
Wiener Philharmoniker
Bernard Haitink, regente
Vladimir Ashkenazy, piano
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Extraído da apresentação do disco:
"Tão atraente quanto fluente e abundante, a música de Joseph Bodin de Boismortier (1682–1765) proporcionou enorme prazer ao público cortesão francês de seu tempo - e também retorno financeiro suficiente para que o compositor, de forma incomum para a época, construísse uma carreira relativamente independente do mecenato aristocrático. Boismortier personificou o homme du monde do século XVIII, e sua obra reflete de maneira constante a convivialidade e o gosto refinado que permeavam a sociedade parisiense daquele período.
Esta coleção de música de câmara abre com o Ballet de village em sol maior, Op. 52 nº 1, publicado em 1752. A sequência tradicional de danças é tratada com sutileza e charme, culminando em uma chaconne exuberante - exemplo marcante do refinamento, da elegância e da escrita virtuosa para flauta, instrumento do próprio compositor.
O conjunto italiano de música antiga explora, em seguida, um lado mais italiano do idioma musical de Boismortier, com sonatas extraídas dos opus 34, 37 e 91. Essas obras alternam-se com trechos das expressivas e pictóricas Pièces de clavecin Op. 59, que retratam, com humor e até simpatia, arquétipos da sociedade francesa contemporânea em peças como La Valétudinaire. Escritas de forma idiomática, essas composições se destacam pela clareza, refinamento e força expressiva, sendo comparáveis, em inventividade e forma, à música para teclado de François Couperin. Também plenamente francesa em estilo é a Suite em ré maior, Op. 31, para viola da gamba e baixo contínuo, cujo caráter cantabile, fluido e sensual pode ser ouvido como uma homenagem a Marin Marais, falecido em 1728.
O álbum é o mais recente lançamento de uma série de gravações amplamente elogiadas pela crítica, realizadas pelo flautista doce e flautista transversal Stefano Bagliano, que também atua como diretor musical. Entre os lançamentos anteriores pela Brilliant Classics estão concertos e sonatas de Quantz (BC95386), descritos pela MusicWeb International como “uma excelente gravação para conhecer Quantz… depois de ficar encantado com a interpretação de Bagliano, pode-se querer buscar outras gravações do músico”.
Joseph Bodin de Boismortier foi um compositor francês de grande sucesso, autor de música instrumental e vocal. Considerado o primeiro compositor independente, sem patrono fixo, publicou suas próprias obras, o que lhe garantiu grande prosperidade financeira. Cavalheiro refinado e típico homem do mundo do século XVIII, escreveu música agradável e envolvente, amplamente apreciada por seu público. Este CD reúne obras para um, dois ou três flautas doces, uma suíte para viola da gamba e uma sonata em trio para flauta doce, viola da gamba e baixo contínuo.
As obras são interpretadas com gosto apurado, charme e brilho pelo jovem grupo de música antiga Umbra Lucis Ensemble, cujas performances se baseiam em pesquisa aprofundada sobre as práticas interpretativas da época".
Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!
Joseph Bodin de Boismortier (1682-1765) -
01. Ballet de village No. 1 in G Major, Op. 52: I. Gaiment
02. Ballet de village No. 1 in G Major, Op. 52: II. Gracieusement
03. Ballet de village No. 1 in G Major, Op. 52: III. Vivement
04. Ballet de village No. 1 in G Major, Op. 52: IV. Modérément
05. Ballet de village No. 1 in G Major, Op. 52: V. Mouvement de chaconne
06. Pièces de clavecin, Op. 59: I. La caverneuse
07. Pièces de clavecin, Op. 59: II. La transalpine
08. Trio Sonata No. 2 in E Minor, Op. 37: I. Allegro
09. Trio Sonata No. 2 in E Minor, Op. 37: II. Adagio
10. Trio Sonata No. 2 in E Minor, Op. 37: III. Allegro
11. Pièces de clavecin, Op. 59: III. La valétudinaire
12. Sonata No. 1 in F Major, Op. 91: I. Sicilienne
13. Sonata No. 1 in F Major, Op. 91: II .Gaiment
14. Sonata No. 1 in F Major, Op. 91: III. Gracieusement
15. Sonata No. 1 in F Major, Op. 91: IV. Gaiment
16. Suite in D Major, Op. 31: I. Prelude
17. Suite in D Major, Op. 31: II. Gavotte
18. Suite in D Major, Op. 31: III. Sarabande
19. Suite in D Major, Op. 31: IV. Courante
20. Suite in D Major, Op. 31: V. Rondeau la maiesteuse
21. Suite in D Major, Op. 31: VI. Rondeau. Le brut
22. Pièces de clavecin, Op. 59: IV. La sérénissime
23. Pièces de clavecin, Op. 59: V. La frénétique
24. Sonata No. 6 in C Minor, Op. 34: I. Adagio
25. Sonata No. 6 in C Minor, Op. 34: II. Allegro
26. Sonata No. 6 in C Minor, Op. 34: III. Largo-Allegro
Umbra Lucis Ensemble
Stefano Bagliano, regente
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Do encarte do disco:
Este álbum apresenta a Décima Quarta Sinfonia de Shostakovitch, dedicada a Benjamin Britten. Com onze movimentos para vozes solistas, orquestra de cordas e percussão, a obra investiga o tema da morte a partir de poemas em diferentes línguas, oferecendo uma abordagem direta, crua e despojada de sentimentalismo.
Penúltima composição do autor, a Décima Quarta Sinfonia distingue-se de forma clara no conjunto de sua produção. Escrita para soprano, baixo, orquestra de cordas e percussão, a obra organiza seus onze movimentos em torno de igual número de poemas, cantados em francês, russo, alemão e espanhol. Em todos eles, a morte surge como eixo central, refletindo a obsessão de Shostakovitch em encará-la frontalmente, aceitá-la e aprender a conviver com sua presença inevitável.
Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!
Dmitri Shostakovich (1906-1975) -
01. Symphony No. 14, Op. 135: I. De profundis. Adagio
02. Symphony No. 14, Op. 135: II. Malagueña. Allegretto
03. Symphony No. 14, Op. 135: III. Loreley. Allegro molto
04. Symphony No. 14, Op. 135: IV. Le suicidé. Adagio
05. Symphony No. 14, Op. 135: V. Les attentives I. Allegretto
06. Symphony No. 14, Op. 135: VI. Les attentives II. Adagio
07. Symphony No. 14, Op. 135: VII. А la santé. Allegretto
08. Symphony No. 14, Op. 135: VIII. Réponse des cosaques zaporogues au sultan de Constantinople. Allegro
09. Symphony No. 14, Op. 135: IX. O Delvig, Delvig! Adagio
10. Symphony No. 14, Op. 135: X. Der Tod des Dichters. Largo
11. Symphony No. 14, Op. 135: XI. Schlußstück. Moderato
Orchestre Royal de Chambre de Wallonie
Vahan Mardirossian, regente
Sarah Traubel, soprano
Roman Lyulkin, baixo
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Um disco com um programa espetacular. São duas sonatas escritas em momentos bem diversos da vida de Beethoven. A primeira, remonta ainda o século XVIII, de um Beethoven impetuoso, com apenas 25 anos de idade. Escrita em 1795, quando Beethoven ainda se afirmava em Viena como pianista virtuose, a Sonata nº 3 impressiona pela ambição. Dedicada a Joseph Haydn, seu antigo mestre, a obra já ultrapassa os limites do modelo clássico herdado de Mozart e do próprio Haydn. O primeiro movimento, expansivo e musculoso, exige do intérprete não só brilho técnico, mas clareza arquitetônica. Há aqui um Beethoven jovem, confiante, que testa a resistência do piano e do ouvinte, sem abrir mão da elegância formal.
Já a Appassionata, composta entre 1804 e 1805, pertence a um outro mundo. Aqui estamos no chamado período “heroico”, quando Beethoven, enfrentando o avanço da surdez, passa a explorar a música como campo de tensão extrema. Desde os primeiros acordes em fá menor, o clima é sombrio e instável. Não há concessões ao conforto do ouvinte. Tudo é conflito, impulso, ruptura.
Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!
Ludwig van Beethoven (1770-1827) -
Piano Sonata No.3 in C major, Op.2 No.3
01. I. Allegro con brio
02. II. Adagio
03. III. Scherzo. Allegro – Trio
04. IV. Allegro assai
Piano Sonata No.23 in F minor, Op.57 'Appassionata'
05. I. Allegro assai – Più Allegro
06 II. Andante con moto – attacca
07 III. Allegro ma non troppo – Presto
Piano Sonata No.17 in D minor, Op.31 No.2 'Tempest'
08. III. Allegretto
Lang Lang, piano
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O período clássico trouxe muitas mudanças para a música ocidental. Os dias das texturas polifônicas densas e complexas ficaram para trás (1). O novo estilo clássico, em vez disso, focava em melodias periódicas curtas (2). Essas melodias apresentavam um acompanhamento leve que visava tornar a música mais atraente para todas as nacionalidades, entretendo assim todos os ouvintes (3). Um dos melhores exemplos desse estilo musical leve e divertido é a música de câmara, particularmente o quarteto de cordas. Como observado no Oxford New Grove Dictionary , “com exceção da sonata acompanhada, o quarteto foi provavelmente o gênero de 'música de câmara' mais amplamente cultivado” (4). O quarteto personificava o estilo clássico de música refinada e cheia de nuances (5). O quarteto era único porque, diferentemente de outros gêneros musicais, dentro da textura de cordas a quatro vozes, todas as quatro partes são iguais e interagem intimamente entre si (6), embora a igualdade absoluta das vozes raramente exista nos primeiros quartetos (7). Ao estudar a ascensão do quarteto de cordas, não há compositor mais influente do que Joseph Haydn.
Joseph Haydn (1732-1809) foi um dos compositores mais influentes do século XVIII. Conhecido como o primeiro dos "clássicos vienenses" (8), Haydn foi um compositor prolífico em todos os gêneros musicais: obras vocais, concertos, música orquestral, etc. No entanto, foi no quarteto de cordas que ele causou um dos seus maiores impactos na história. Diz-se que, de todas as obras de Haydn, os quartetos de cordas são "o reflexo mais fiel de sua personalidade humana e artística", pois ele começou a escrevê-los ainda jovem e só os concluiu no final de sua carreira (9). Conhecido como o "pai do quarteto de cordas" (10), o impacto de Haydn no gênero foi sentido por alguns dos compositores mais renomados da história, como Mozart, Beethoven e Shostakovich.
Há muitas evidências que apontam para Haydn como o pai do quarteto de cordas. Curiosamente, ser o primeiro a escrever um quarteto de cordas não é uma delas. Haydn teve outros contemporâneos que também compunham música para esse gênero. Franz Xavier Richter e Ignaz Holzbauer escreveram quartetos e possivelmente os escreveram antes mesmo de Haydn tentar seu primeiro quarteto (11). Alessandro Scarlatti escreveu um conjunto de seis obras que chamou de “Sonata a Quattro per Due Violini, Violette e Violoncello senza Cembalo”, que se traduz aproximadamente como “Quarteto para dois violinos, viola e violoncelo sem teclado”. Alguns especulam que a obra de Scarlatti foi precursora do quarteto de cordas, embora não haja evidências concretas para essa afirmação, pois a instrumentação que ele utilizou era comum em sinfonias e outras sonatas da época (12). Se Haydn claramente não foi o primeiro a escrever um quarteto de cordas, por que então ele é considerado seu criador? Acredito que ele seja considerado o verdadeiro 'pai do quarteto de cordas' com base em sua produção, no estabelecimento de estrutura e forma, e por seu impacto em compositores posteriores.
Texto completo aqui
Joseph Haydn (1733-1809) -
DISCO 11
(01)_String_Quartet_in_B_flat_major,_op.50_no.1_-_I._Allegro
(02)_String_Quartet_in_B_flat_major,_op.50_no.1_-_II._Adagio_non_lento
(03)_String_Quartet_in_B_flat_major,_op.50_no.1_-_III._Poco_allegretto
(04)_String_Quartet_in_B_flat_major,_op.50_no.1_-_IV._Finale_(Vivace)
(05)_String_Quartet_in_C_major,_op.50_no.2_-_I._Vivace
(06)_String_Quartet_in_C_major,_op.50_no.2_-_II._Adagio_cantabile
(07)_String_Quartet_in_C_major,_op.50_no.2_-_III._Menuetto_(Allegretto)
(08)_String_Quartet_in_C_major,_op.50_no.2_-_IV._Finale_(Vivace_assai)
(09)_String_Quartet_in_E-flat_major,_op.50_no.3_-_I._Allegro_con_brio
(10)_String_Quartet_in_E-flat_major,_op.50_no.3_-_II._Andante_piu_tosto_allegretto
(11)_String_Quartet_in_E-flat_major,_op.50_no.3_-_III._Menuetto_(Allegretto)
(12)_String_Quartet_in_E-flat_major,_op.50_no.3_-_IV._Finale_(Presto)
DISCO 12
(01)_String_Quartet_in_F_sharp_minor,_op.50_no.4_-_I._Allegro_spirituoso
(02)_String_Quartet_in_F_sharp_minor,_op.50_no.4_-_II._Andante
(03)_String_Quartet_in_F_sharp_minor,_op.50_no.4_-_III._Menuetto
(04)_String_Quartet_in_F_sharp_minor,_op.50_no.4_-_IV._Fuga_(Allegro_moderato)
(05)_String_Quartet_in_F_major,_op.50_no.5_[The_Dream]_-_I._Allegro_moderato
(06)_String_Quartet_in_F_major,_op.50_no.5_[The_Dream]_-_II._Poco_adagio
(07)_String_Quartet_in_F_major,_op.50_no.5_[The_Dream]_-_III._Menuetto
(08)_String_Quartet_in_F_major,_op.50_no.5_[The_Dream]_-_IV._Finale_(Vivace)
(09)_String_Quartet_in_D_major,_op.50_no.6_[The_Frog]_-_I._Allegro
(10)_String_Quartet_in_D_major,_op.50_no.6_[The_Frog]_-_II._Poco_adagio
(11)_String_Quartet_in_D_major,_op.50_no.6_[The_Frog]_-_III._Menuetto_(Allegretto)
(12)_String_Quartet_in_D_major,_op.50_no.6_[The_Frog]_-_IV._Finale_(Allegro_con_sp...
DISCO 13
(01)_String_Quartet_in_G_major,_op.54_no.1_-_I._Vivace_assai
(02)_String_Quartet_in_G_major,_op.54_no.1_-_II._Allegretto
(03)_String_Quartet_in_G_major,_op.54_no.1_-_III._Menuet
(04)_String_Quartet_in_G_major,_op.54_no.1_-_IV._Vivace
(05)_String_Quartet_in_C_major,_op.54_no.2_-_I._Vivace
(06)_String_Quartet_in_C_major,_op.54_no.2_-_II._Adagio
(07)_String_Quartet_in_C_major,_op.54_no.2_-_III._Menuetto_(Allegretto)
(08)_String_Quartet_in_C_major,_op.54_no.2_-_IV._Adagio
(09)_String_Quartet_in_E_major,_op.54_no.3_-_I._Allegretto
(10)_String_Quartet_in_E_major,_op.54_no.3_-_II._Largo
(11)_String_Quartet_in_E_major,_op.54_no.3_-_III._Menuetto_(Allegretto)
(12)_String_Quartet_in_E_major,_op.54_no.3_-_IV._Finale_(Presto)
DISCO 14
(01)_String_Quartet_in_A_major,_op.55_no.1_-_I._Allegro
(02)_String_Quartet_in_A_major,_op.55_no.1_-_II._Adagio_cantabile
(03)_String_Quartet_in_A_major,_op.55_no.1_-_III._Menuet
(04)_String_Quartet_in_A_major,_op.55_no.1_-_IV._Finale_(Vivace)
(05)_String_Quartet_in_F_minor,_op.55_no.2_[The_Razor]_-_I._Andante
(06)_String_Quartet_in_F_minor,_op.55_no.2_[The_Razor]_-_II._Allegro
(07)_String_Quartet_in_F_minor,_op.55_no.2_[The_Razor]_-_III._Menuetto_(Allegretto)
(08)_String_Quartet_in_F_minor,_op.55_no.2_[The_Razor]_-_IV._Presto
(09)_String_Quartet_in_B-flat_major,_op.55_no.3_-_I._Vivace_assai
(10)_String_Quartet_in_B-flat_major,_op.55_no.3_-_II._Adagio_ma_non_troppo
(11)_String_Quartet_in_B-flat_major,_op.55_no.3_-_III._Menuetto
(12)_String_Quartet_in_B-flat_major,_op.55_no.3_-_IV._Presto
DISCO 15
(01)_String_Quartet_in_C_major,_op.64_no.1_-_I._Allegro_moderato
(02)_String_Quartet_in_C_major,_op.64_no.1_-_II._Menuet_(Allegro_ma_non_troppo)
(03)_String_Quartet_in_C_major,_op.64_no.1_-_III._Allegretto_scherzando
(04)_String_Quartet_in_C_major,_op.64_no.1_-_IV._Finale_(Presto)
(05)_String_Quartet_in_B_minor,_op.64_no.2_-_I._Allegro_spiritoso
(06)_String_Quartet_in_B_minor,_op.64_no.2_-_II._Adagio_ma_non_troppo
(07)_String_Quartet_in_B_minor,_op.64_no.2_-_III._Menuetto
(08)_String_Quartet_in_B_minor,_op.64_no.2_-_IV._Finale_(Presto)
(09)_String_Quartet_in_B-flat_major,_op.64_no.3_-_I._Vivace_assai
(10)_String_Quartet_in_B-flat_major,_op.64_no.3_-_II._Adagio
(11)_String_Quartet_in_B-flat_major,_op.64_no.3_-_III._Menuet_(Allegretto)
(12)_String_Quartet_in_B-flat_major,_op.64_no.3_-_IV._Finale_(Allegro_con_spirito)
The Angeles String Quartet
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"Lançado em 1979, The Mastery of John Coltrane / Vol. IV – Trane’s Modes reúne gravações de 1961 que capturam um dos momentos mais intensos e criativos da trajetória de Coltrane. O álbum compila registros ao vivo do Village Vanguard e faixas de estúdio, revelando um saxofonista em plena expansão, mergulhado de vez no universo do jazz modal.
As performances são longas, abertas e profundamente exploratórias. Temas como “Impressions”, “Miles’ Mode” e “Chasin’ Another Trane” mostram a força do quarteto com McCoy Tyner, Elvin Jones e Jimmy Garrison (além de Reggie Workman e Eric Dolphy em algumas faixas), em diálogos incendiários e cheios de tensão criativa. Aqui, Coltrane usa os modos não como limite, mas como ponto de partida para ir além".
DISCO 01
01 - Impressions (take 1)
02 - Miles' Mode
03 - Chasin' Another Trane
04 - Greensleeves (take 2)
DISCO 02
01 - Impressions (take 2)
02 - Naima
03 - Africa (first version)
04 - The Damned Don't Cry
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"Má Vlast" (Minha Pátria) foi composta entre os anos de 1874 e 1879. É um ciclo de poemas sinfônicos que retratam a história, os mitos e as paisagens da Boêmia. Trata-se de um manifesto de afirmação da nacionalidade musical no final do século XIX. A música soa como um desejo de exaltar a cultura dos povos eslavos dentro do Império Austro-Húngaro, em um período de grande tensões políticas. Desse modo, a música ganha contornos não somente artísticos, mas também políticos.
Smetana recorre ao idioma musical do romantismo - com melodias amplas, contrastes expressivos e orquestração colorida - para construir uma narrativa profundamente ligada à terra e ao passado de seu povo. O ciclo é formado por seis poemas sinfônicos independentes, que são ligados por ideias temáticas e simbólicas: Vyšehrad, Vltava, Šárka, Z českých luhů a hájů, Tábor e Blaník. Cada um deles aborda um aspecto específico da identidade tcheca, seja um local histórico, uma paisagem natural ou uma lenda heroica. O mais célebre deles, Vltava (O Moldava), acompanha musicalmente o curso do principal rio da Boêmia, desde sua nascente até a chegada majestosa a Praga, tornando-se um verdadeiro emblema sonoro do país.
Outro aspecto que confere forte apelo dramático e épico à obra é o ambiente que gestou a música. Quando "Minha Pátria" foi composta, o compositor encontrava-se surdo. A música ganha, dessa forma, um caráter ainda mais comovente. A surdez do compositor não limita a sua imaginação. A música teve a sua estreia em 1882, dois anos antes da morte do compositor e tem sido, ao longo do tempo, reverenciada pela sua beleza e a força simbólica daquilo que evoca. Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!
Bedrich Smetana (1824-1884) -
01. Má Vlast, JB1 - 112 - I. Vyšehrad
02. Má Vlast, JB1 - 112 - II. Vltava
03. Má Vlast, JB1 - 112 - III. Šárka
04. Má Vlast, JB1 - 112 - IV. Z českých luhů a hájů
05. Má Vlast, JB1 - 112 - V. Tábor
06. Má Vlast, JB1 - 112 - VI. Blaník
Czech Philharmonic
Semyon Bychkov, regente
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Adoro a música russa. Gosto do caráter severo; da maneira como os russos compreendem a existência humana e seus dissabores. Neste disco, regido pelo grande maestro Evgeny Svetlanov, encontramos três obras que afirmam a preocupação da música russa em adquirir uma linguagem própria.
A primeira obra do disco é a abertura da ópera "The Maid of Pskov", de Korsakov, ambientada no século XVI. A obra procura seguir a filosofia inaugurada pelo "Grupo dos Cinco". Essa dimensão foi proposta por Glinka. Nela, escutam-se temas de caráter severo e quase ritualístico, evocando tanto o peso da história quanto o espírito coletivo do povo russo. A escrita orquestral é direta, sólida, sem excessos decorativos - uma música que busca identidade antes de buscar brilho.
Já a segunda obra do disco é o extraordinário poema sinfônico "Scheherazade", de Korsakov. A obra foi composta quase meio século depois de Glinka e sua história não é nada russa. A história foi retirada de "As mil e uma noites", um conjunto de narrativas extraídas da tradição literária do mundo árabe. O que encanta na obra é como Nikolai Rimsky-Korsakov transforma o exotismo da história em em cores sonoras. Aqui, a orquestra deixa de ser apenas um meio narrativo e torna-se protagonista absoluta. Desde o famoso solo de violino que representa a voz de Scheherazade, a obra mergulha o ouvinte em um universo de sensualidade, fantasia e movimento contínuo. Os timbres trabalhados pelo compositor criam uma paisagem sonora que parece cintilar diante dos ouvidos.
"Symphony on Two Russian Themes", de Glinka, é uma obra que evidencia como funcionavam os intentos nacionalistas do compositor. Composta na década de 1830, durante o período em que Glinka ainda absorvia influências da tradição europeia - especialmente alemã e italiana -, a sinfonia parte de dois temas populares russos claramente reconhecíveis. Em vez de simplesmente citá-los como curiosidade folclórica, o compositor os submete a um tratamento sinfônico rigoroso, inserindo melodias de origem popular dentro de uma arquitetura formal herdada do classicismo e do primeiro romantismo.
Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!
01. The Maid of Pskov - Overture (Live)
02. Scheherazade, Op. 35 - I. The Sea and Sinbad’s Ship (Live)
03. Scheherazade, Op. 35 - II. The Story of the Kalendar Prince (Live)
04. Scheherazade, Op. 35 - III. The Young Prince and the Young Princess (Live)
05. Scheherazade, Op. 35 - IV. Festival at Baghdad - The Sea - The Ship Breaks Against a Cliff Surmounted by a Bronze Horseman (Live)
06. Symphony on Two Russian Themes, G.i193 (Live)
USSR States Symphony Orchestra
London Symphony Orchestra
Evgeny Svetlanov, regente
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Este disco foi separado para ser postado desde o ano de 2024. Ele foi ficando, ficando, mas nunca concretizei a ideia de postá-lo. Trata-se de um registro maravilhoso, de grande lirismo e funda emoção. O Op. 22, de Dvorak, foi escrito em 1875 para cordas e é um marco divisor na carreira do compositor. Nele, Dvořák encontra uma voz própria, equilibrando a herança clássica - especialmente de Mozart e Brahms - com inflexões rítmicas e melódicas do folclore eslavo.
Já o Op. 44 foi escrito quase uma década depois. Dvorak utiliza um conjunto pouco convencional - sopros, violoncelo e contrabaixo. O resultado é uma obra de cores densas e caráter mais rústico, em que os timbres dos instrumentos de sopro evocam bandas populares e tradições camponesas da Boêmia. Aqui, o compositor explora contrastes mais marcantes entre solenidade e jovialidade, com movimentos que oscilam entre o cerimonial e a dança animada.
E a última obra o disco é o Op. 48, de Tchaikovsky, escrita em 1880. O compositor russo afirmou ter escrito a obra “por amor” à forma clássica, e essa declaração se reflete na estrutura clara e na reverência explícita a Mozart, especialmente no primeiro movimento, Pezzo in forma di sonatina. No entanto, sob essa fachada clássica pulsa uma intensidade emocional tipicamente tchaikovskiana.
Neste disco, as obras são interpretados em um duo para piano, o que acaba por ressaltar o caráter lírico. Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!
01. I. Moderato (Arr. for piano Duet)
02. II. Tempo di Valse (Arr. for piano Duet)
03. III. Scherzo. Vivace (Arr. for piano Duet)
04. IV. Larghetto (Arr. for piano Duet)
05. V. Finale. Allegro vivace (Arr. for piano Duet)
06. I. Moderato quasi marcia (Arr. for piano Duet)
07. II. Minuetto (Arr. for piano Duet)
08. III. Andante con moto (Arr. for piano Duet)
09. IV. Finale. Allegro molto (Arr. for piano Duet)
10. I. Pezzo en forma di Sonatina (Andante non troppo) [Arr. for piano Duet]
11. II. Walzer (Moderato) [Arr. for piano Duet]
12. III. Elegie (Larghetto elegiaco) [Arr. for piano Duet]
13. IV. Finale. Tema russo (Andante - Allegro con spirito) [Arr. for piano Duet]
Zdenka and Martin Hrsel, piano
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Johann Sebastian Bach foi um compositor, cravista, Kapellmeister, regente, organista, professor, violinista e violista oriundo do Sacro Império Romano-Germânico, atual Alemanha. Nascido numa família de longa tradição musical, cedo mostrou possuir talento e logo tornou-se um músico completo. Estudante incansável, adquiriu um vasto conhecimento da música europeia de sua época e das gerações anteriores. J. S. Bach foi um Cristão convicto e escreveu grande parte de sua obra para Deus. Em suas partituras originais costumava escrever "Somente Glória a Deus". J. S. Bach desempenhou vários cargos em cortes e igrejas alemãs, mas suas funções mais destacadas foram a de Kantor da Igreja de São Tomás e Diretor Musical da cidade de Leipzig, onde desenvolveu a parte final e mais importante de sua carreira. Absorvendo inicialmente o grande repertório de música contrapontística germânica como base de seu estilo, recebeu mais tarde a influência italiana e francesa, através das quais sua obra se enriqueceu e transformou, realizando uma síntese original de uma multiplicidade de tendências. Praticou quase todos os gêneros musicais conhecidos em seu tempo, com a notável exceção da ópera, embora suas cantatas maduras revelem bastante influência desta que foi uma das formas mais populares do período Barroco.J. S. Bach é considerado o maior gênio da música barroca, uma das maiores referência de genealidade da música clássica. Sua Obras para flauta, Concertos, Suítes e Sonatas são obras primas e repertório padrão e obrigatório para flauta.
Texto completo aqui
Johann Sebastian Bach (1685-1750) -
DISCO 01
01. Flute Sonata in E Minor, BWV 1034: I. Adagio ma non tanto
02. Flute Sonata in E Minor, BWV 1034: II. Allegro
03. Flute Sonata in E Minor, BWV 1034: III. Andante
04. Flute Sonata in E Minor, BWV 1034: IV. Allegro
05. Flute Sonata in A Major, BWV 1032: I. Vivace
06. Flute Sonata in A Major, BWV 1032: II. Largo e dolce
07. Flute Sonata in A Major, BWV 1032: III. Allegro
08. Flute Sonata in E Major, BWV 1035: I. Adagio ma non tanto
09. Flute Sonata in E Major, BWV 1035: II. Allegro
10. Flute Sonata in E Major, BWV 1035: III. Siciliano
11. Flute Sonata in E Major, BWV 1035: IV. Allegro assai
12. Flute Sonata in C Major, BWV 1033: I. Andante
13. Flute Sonata in C Major, BWV 1033: II. Allegro
14. Flute Sonata in C Major, BWV 1033: III. Adagio
15. Flute Sonata in C Major, BWV 1033: IV. Menuets I & II
16. Flute Sonata in B Minor, BWV 1030: I. Andante
17. Flute Sonata in B Minor, BWV 1030: II. Largo e dolce
18. Flute Sonata in B Minor, BWV 1030: III. Presto
DISCO 02
01. Violin Sonata in G Major, BWV 1021 (Arr. for Flute & Continuo): I. Adagio
02. Violin Sonata in G Major, BWV 1021 (Arr. for Flute & Continuo): II. Vivace
03. Violin Sonata in G Major, BWV 1021 (Arr. for Flute & Continuo): III. Largo
04. Violin Sonata in G Major, BWV 1021 (Arr. for Flute & Continuo): IV. Presto
05. Flute Sonata in E-Flat Major, BWV 1031 (Attrib. C.P.E. Bach): I. Allegro moderato
06. Flute Sonata in E-Flat Major, BWV 1031 (Attrib. C.P.E. Bach): II. Siciliano
07. Flute Sonata in E-Flat Major, BWV 1031 (Attrib. C.P.E. Bach): III. Allegro
08. Flute Sonata in G Minor, BWV 1020 (Attrib. C.P.E. Bach): I. Allegro
09. Flute Sonata in G Minor, BWV 1020 (Attrib. C.P.E. Bach): II. Adagio
10. Flute Sonata in G Minor, BWV 1020 (Attrib. C.P.E. Bach): III. Allegro
11. Musikalisches Opfer, BWV 1079, Sonata sopra' il soggetto reale (Arr. for Flute & Continuo): I. Largo
12. Musikalisches Opfer, BWV 1079, Sonata sopra' il soggetto reale (Arr. for Flute & Continuo): II. Allegro
13. Musikalisches Opfer, BWV 1079, Sonata sopra' il soggetto reale (Arr. for Flute & Continuo): III. Andante
14. Musikalisches Opfer, BWV 1079, Sonata sopra' il soggetto reale (Arr. for Flute & Continuo): IV. Allegro
Wilbert Hazelzet, flauta
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Richard Wagner foi um dos maiores músicos do século XIX. Criou obras que mantém sua qualidade mais de um século depois. Personalidade forte e controvertida, Wagner colocou sua obra a serviço do nacionalismo alemão.
“O caminho até a unificação alemã em 1871 foi resultado, dentre muitas outras ações, da influência militar do chanceler Otto von Bismarck. E o fervor nacionalista aceso na época é resultado da existência do grande compositor e maestro Richard Wagner. É inevitável ressaltar que esse mesmo músico teve uma explicita atuação militar (chegou a ser exilado entre 1848 e 1860) e nesse mesmo espectro, foi se envolvendo cada vez mais entre os políticos e chefes da época, sempre buscando maior valor às suas obras, embasando-as em faces míticas da região, onde antes ocupavam pequenos principados e ducados.
Wilhelm, nome de batismo de Wagner, ressaltava sua convicção nacionalista, em que sua verdadeira missão era difundir a revolução aonde quer que passasse. E é aqui nesse contexto que se enquadra o ser papel decisivo para a formação do ‘kultur’ alemão, caracterizando a plena defesa da cultura local e a ênfase da particularidade de cada povo, mesmo antes de ser concretizada a noção territorial de Alemanha.
O grande compositor foi responsável por explorar muito mais do que o simples plano orquestral, submetendo não só os músicos, mas também os ouvintes ao caráter fabuloso dos mitos alemães. No turbulento período do segundo Reich, ficaram evidente os laços entre a cultura e a política, era como uma aliança indireta de objetivos entre o líder político-militar Otto Von Bismarck, e o otimista Richard Wagner, que apesar de sua importância, recebeu muitas críticas por parte dos poderosos da época, inclusive por parte do chanceler, quando sugeriu seu ingresso (Wagner) no Renascimento Espiritual da Alemanha.
Texto completo aqui
Richard Wagner (1813-1886) -
01 - Lohengrin, WWV 75_ Prelude, Act 1 (2023 Remastered, Vienna 1958)
02 - Lohengrin, WWV 75_ Prelude, Act 3 (2023 Remastered, Vienna 1958)
03 - Tristan und Isolde, WWV 90_ Vorspiel (2023 Remastered, Vienna 195
04 - Tristan und Isolde, WWV 90_ Isolde's Liebestod (2023 Remastered,
05 - Parsifal, WWV 111_ Prelude (2023 Remastered, Vienna 1958)
06 - Parsifal, WWV 111_ Good Friday Music (2023 Remastered, Vienna 195
07 - Lohengrin, WWV 75_ Prelude, Act 1 (2023 Remastered, Dresden 1949)
Wiener Philharmoniker
Staatskapelle Dresden
Rudolf Kempe, regente
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Um disco bonito, triste, melancólico, delicado. É a música russa com toda a sua profundidade e apelo existencial. A primeira obra do disco (de Prokofiev) foi escrita em 1949. Pertence ao último período de produção do compositor; portanto, possui uma linguagem depurada e está inserida dentro de um quadro de tensões motivadas pelo regime soviético. Ela foi escrita, originalmente, para piano e violoncelo; mas acabou ganhando, também, interpretações para outros instrumentos. A obra abandona o aspecto ríspido e sarcástico do compositor e assume uma linguagem - quase - neoclássica pela clareza. Ela é concisa, transparente e ambígua; parece olhar para o passado formal enquanto mantém um pé firmemente cravado na modernidade do século XX.
Por sua vez, quase como um contraste, aparece o Op. 19, de Sergei Rachmaninov. É uma obra de 1901. Ou seja, é uma obra de um Rach ainda jovem à procura de afirmação. É uma obra de um grande peso emocional, cuja linguagem procura ser direta, sem filtros, sem ironias. É bonita, sensível, repleta por um pathos romântico indiscutível. Eu gosto disso.
Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!
01 Emanuel Ax, Yo-Yo Ma - Prokofiev Sonata in C major, Op. 119 - I. Adante Grave-Moderato animato
02 Emanuel Ax, Yo-Yo Ma - Prokofiev Sonata in C major, Op. 119 - II. Moderato-Adante dolce
03 Emanuel Ax, Yo-Yo Ma - Prokofiev Sonata in C major, Op. 119 - III. Allegro ma non troppo-Adant
04 Emanuel Ax, Yo-Yo Ma - Rachmaninov Sonata in G minor, Op. 19 - I. Lento-Allegrao moderato-Mode
05 Emanuel Ax, Yo-Yo Ma - Rachmaninov Sonata in G minor, Op. 19 - II. Allegro Scherzando
06 Emanuel Ax, Yo-Yo Ma - Rachmaninov Sonata in G minor, Op. 19 - III. Andante
07 Emanuel Ax, Yo-Yo Ma - Rachmaninov Sonata in G minor, Op. 19 - IV. Allegro mosso-Moderato-Viva
Emanuel Ax, piano
Yo-Yo Ma, violoncelo
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Eu tenho uma grande admiração pela Sinfonia Fantástica. Já a escutei com certa indiferença. HOje, todas as vezes que encontro alguma nova interpretação, escuto com recobrada atenção. É uma das obras românticas mais importantes da história. Ela é um evento pré-Liszt. Pode-se afirmar que ela carrega o espírito do indivíduo do Romantismo. Há um pano de fundo sombrio; o trágico, o destino com sua força inexorável, o drama, a danação. Essa gravação foi realizada em 1960. É possível perceber as guturações; a respiração da plateia. Foi conduzida pela mítica Filarmônica de Leningrado e seu indefinível regente Evgeny Mravinsky.
Aparecem no disco, ainda, duas obras de Ravel - a linda e melancólica Pavane e o Bolero. Trata-se de um disco para quem gosta dessas gravações em que os recursos e os detalhes técnicos são bem deficitários. A distância da captação do som é o que faz isso acontecer. Mas, existe uma força, um ímpeto que é próprio de Mravinsky, um dos grandes nomes da regência do século XX. Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!
01. Berlioz Symphonie fantastique - 1. Reveries - Passions
02. Berlioz Symphonie fantastique - 2. Un bal
03. Berlioz Symphonie fantastique - 3. Scene aux champs
04. Berlioz Symphonie fantastique - 4. Marche au supplice
05. Berlioz Symphonie fantastique - 5. Songe d'une nuit de Sabbat
06. Ravel Pavane pour une infante defunte
07. Ravel Bolero
Leningrad Philharmonic Orchestra
Evgeny Mravinsky, regente
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