sábado, 7 de junho de 2025

Carl Philipp Emanuel Bach (1714-1788) - The Prussian Sonatas e Piano Concerto in A Minor, Wq. 26

As “Prussian Sonatas” ou, simplesmente, vertido para a língua portuguesa – “Sonatas Prussianas” – são um conjunto de seis sonatas compostas por Carl Philipp Emanuel Bach, em 1742, dedicadas ao rei Frederico II da Prússia. O monarca era também conhecido como Frederico, O Grande. Essas obras foram compostas no contexto que envolve a chegada de C.P.E. Bach à corte de Frederico II, onde serviu como cravista oficial da orquestra real.

A corte era um local de intensa produção musical e era povoada por instrumentistas e compositores importantes da época. Ao dedicar essas sonatas ao monarca, C.P.E. Bach demonstrava sua homenagem, a sua deferência, mas também afirmava a sua sofisticação e o domínio da escrita para piano. Vale lembrar que as obras foram escritas para cravo.

Essas obras imprimem uma grande sensibilidade. São belíssimas. Refinadas. Há emoções profundas e sutis envolvidas em cada uma delas. Observa-se ainda uma expressividade marcante. C.P.E. Bach foge do modelo rigoroso do contraponto tão característico da escrita do seu pai, Johann Sebastian Bach. Os ornamentos das sonatas são expressivos; as pausas, dramáticas. Essas sonatas exigem habilidade do intérprete. Uma versatilidade para que as emoções envolvidas em cada uma possa fluir.

Elas constituem uma ponte entre o barroco tardio e o classicismo emergente que se afirmava. “As Sonatas Prussianas” foram responsáveis pela evolução da forma sonata e o desenvolvimento musical do século XVIII.

Impossível ouvir esse disco e não se impressionar com a sua beleza. Que grande pianista é essa Ana-Marija Markovina. Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Carl Philipp Emanuel Bach (1714-1788) -

01 - Keyboard Sonata in E Major, Wq. 48_3, H. 26, _Prussian Sonata No. 3__ I. Poco allegro
02 - Keyboard Sonata in E Major, Wq. 48_3, H. 26, _Prussian Sonata No. 3__ II. Adagio
03 - Keyboard Sonata in E Major, Wq. 48_3, H. 26, _Prussian Sonata No. 3__ III. Presto
04 - Keyboard Sonata in B-Flat Major, Wq. 48_2, H. 25, _Prussian Sonata No. 2__ I. Vivace
05 - Keyboard Sonata in B-Flat Major, Wq. 48_2, H. 25, _Prussian Sonata No. 2__ II. Adagio
06 - Keyboard Sonata in B-Flat Major, Wq. 48_2, H. 25, _Prussian Sonata No. 2__ III. Allegro assai
07 - Keyboard Sonata in F Major, Wq. 48_1, H. 24, _Prussian Sonata No. 1__ I. Poco allegro
08 - Keyboard Sonata in F Major, Wq. 48_1, H. 24, _Prussian Sonata No. 1__ II. Andante
09 - Keyboard Sonata in F Major, Wq. 48_1, H. 24, _Prussian Sonata No. 1__ III. Vivace
10 - Keyboard Sonata in C Minor, Wq. 48_4, H. 27, _Prussian Sonata No. 4__ I. Allegro
11 - Keyboard Sonata in C Minor, Wq. 48_4, H. 27, _Prussian Sonata No. 4__ II. Adagio
12 - Keyboard Sonata in C Minor, Wq. 48_4, H. 27, _Prussian Sonata No. 4__ III. Presto
13 - Keyboard Sonata in C Major, Wq. 48_5, H. 28, _Prussian Sonata No. 5__ I. Poco allegro
14 - Keyboard Sonata in C Major, Wq. 48_5, H. 28, _Prussian Sonata No. 5__ II. Andante
15 - Keyboard Sonata in C Major, Wq. 48_5, H. 28, _Prussian Sonata No. 5__ III. Allegro assai
16 - Keyboard Sonata in A Major, Wq. 48_6, H. 29, _Prussian Sonata No. 6__ I. Allegro
17 - Keyboard Sonata in A Major, Wq. 48_6, H. 29, _Prussian Sonata No. 6__ II. Adagio
18 - Keyboard Sonata in A Major, Wq. 48_6, H. 29, _Prussian Sonata No. 6__ III. Allegro
19 - Keyboard Concerto in A Minor, Wq. 26, H. 430_ I. Allegro assai
20 - Keyboard Concerto in A Minor, Wq. 26, H. 430_ II. Andante
21 - Keyboard Concerto in A Minor, Wq. 26, H. 430_ III. Allegro assai

Ana-Marija Markovina, piano 

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sexta-feira, 6 de junho de 2025

Gustav Mahler (1860-1911) - Symphony No. 5 in C-Sharp Minor

A Quinta Sinfonia, de Mahler, talvez, seja um dos trabalhados mais conhecidos do compositor. É uma obra poderosa e sofisticada. Talvez, seja um dos seus trabalhos mais acessíveis. Composta entre os anos de 1901 e 1902, ou seja, já na abertura do século XX, a Sinfonia foi escrita em um período de grandes transformações na vida do compositor. Ao contrário das sinfonias anteriores - 2, 3 e 4 - a Quinta não possui vozes humanas. É puramente orquestral. Isso denota uma mudança no compositor, que se volta mais para a linguagem sinfônica.

O trabalho é notável pelas complexas mudanças de humor, indo da solenidade à tragédia; da marcha fúnebre à atmosfera idílica do quarto movimento. Todos os temas são trabalhados com enorme sofisticação orquestral. A sinfonia progride de uma atmosfera dramática e fúnebre para uma paisagem de triunfo, quase em tom celebratório.  Pode-se dizer que a obra é uma viagem filosófica pela interioridade humana. É um dos grandes momentos musicais do século XX. Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!

Gustav Mahler (1860-1911) - 

01. Mahler Symphony No. 5 in C-Sharp Minor I. Trauermarsch. In gemessenem Schritt. Streng. Wie ein Kondukt
02. Mahler Symphony No. 5 in C-Sharp Minor II. Stürmisch bewegt. Mit grösster Vehemenz
03. Mahler Symphony No. 5 in C-Sharp Minor III. Scherzo. Kräftig, nicht zu schnell
04. Mahler Symphony No. 5 in C-Sharp Minor IV. Adagietto. Sehr langsam
05. Mahler Symphony No. 5 in C-Sharp Minor V. Rondo - Finale. Allegro - Allegro giocoso. Frisch

Tonhalle-Orchester Zürich
Paavo Järvi, regente 

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quinta-feira, 5 de junho de 2025

Nikolay Myaskovsky (1881-1950) - Sinfonia nº 4 em mi menor, op. 17 e Sinfonia nº 15 em ré menor, op. 38 - vol. 6

Sigamos com mais uma postagem das sinfonias, Myaskovsky. Dessa vez, surgem as sinfonias de número 4 e a de número 15. São dois trabalhos separados por mais de 16 anos de diferença. Ou seja, dois momentos bem distintos da vida do compositor. 

A Sinfonia de número 4 foi  composta em 1918, durante os turbulentos anos da Revolução e da Guerra Civil. É uma obra cujas preocupações românticas acabam por evidenciar as influências de Tchaikovsky, Mahler e Scriabin. Ela possui três movimentos. Apresenta um quadro geral de melancolia e introspecção. A atmosfera é sombria, talvez para deixar transparecer o momento histórico. Mas, embora apresenta esse quadro geral de pessimismo, é possível enxergar certos lampejos de uma frágil esperança.
 
Já a Sinfonia de número 15 foi escrita em 1934. Ela faz parte do realismo socialista. O compositor procura deixar a sua voz, mesmo com as imposições do regime para que ele enquadre suas composições dentro de certo receita. A Sinfonia apresenta um estilos mais direto, com uma linguagem mais clara, melodias acessíveis e uma estrutura mais tradicional com quatro movimentos. Essa sinfonia é considerada um marco, pois, a partir dela, o compositor passou a dispor de uma estilo mais objetivo e clássico, distinguindo de maneira diferente em relação às sinfonias anteriores.
 
Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 
 

Nikolay Myaskovsky (1881-1950) -

(01) [Svetlanov - Russia SSO] Symphony No. 4(1918) in e-moll op.17- Andante, mesto con santimento
(02) [Svetlanov - Russia SSO] Symphony No. 4(1918) in e-moll op.17- Largo, freddo e senza espressione
(03) [Svetlanov - Russia SSO] Symphony No. 4(1918) in e-moll op.17- Allegro energico e marcato
(04) [Svetlanov - Russia SSO] Symphony No. 15(1934) in d-moll op.38- Andante.Allegro apassionato
(05) [Svetlanov - Russia SSO] Symphony No. 15(1934) in d-moll op.38 - Moderato assai
(06) [Svetlanov - Russia SSO] Symphony No. 15(1934) in d-moll op.38 - Allegro molto, ma con garbo
(07) [Svetlanov - Russia SSO] Symphony No. 15(1934) in d-moll op.38 - Poco pesante. Allegro ma non troppo

The Russian State Symphony Orchestra
Yevgeny Svetlanov, regente  

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Piotr I. Tchaikovsky (1840-1893) - 1812 Overture, Op. 49, Alexander P. Borodin (1833-1887) - In the Steppes of Central Asia e Polovtsian Dance e Modest Musorgsky (1839-1881) - Night on Bald Mountain


Alguns dados bastante interessantes sobre a obra de Tchaikovsky que consta neste disco. "

Abertura Solene Para o Ano de 1812 em Mi bemol Maior, Op. 49, conhecida por Abertura 1812, de Tchaikovsky, tornou-se uma das obra mais populares do compositor, em conjunto com os seus ballets O Quebra-nozes, A Bela Adormecida e Lago dos Cisnes. A abertura comemora o fracasso da invasão francesa da Rússia em 1812 e a subsequente devastação do “Grande Armée” de Napoleão. De carácter altamente nacionalista, é também conhecida pela sua sequência de tiros de canhão que é, em alguns concertos ao ar livre, executada com canhões verdadeiros".

Ainda aparecem no disco duas das obras do repertório russo de que mais gosto. Refiro-me às obras de Borodin. A última obra do disco é "Night on Bald Mountain", de Mussorgsky. Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!

Daqui

01. 1812 Overture, Op. 49, TH 49
02. In the Steppes of Central Asia
03. Dance of the Polovtsian Maidens
04. Polovtsian Dance Introduzione. Andantino
05. Allegro vivo
06. Allegro
07. Presto I
08. Moderato alla breve
09. Presto II
10. Allegro con spirito - Coda. Più animato
11. Night on Bald Mountain

The Philadelphia Orchestra
Eugene Ormandy, regente

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quarta-feira, 4 de junho de 2025

Anton Bruckner (1824-1896) - Symphony No. 7 in E Major, WAB 107

"Anton Bruckner (Linz, 1824 – Viena, 1896), compositor austríaco dos mais importantes do período romântico, ficou famoso principalmente pelas colossais sinfonias e extensa música sacra que escreveu. Se esta última surge como resposta à sua profunda devoção religiosa, as sinfonias tornaram-se marcos incontornáveis do grande sinfonismo tardo-romântico germânico. Nestas, o compositor alargou o conceito estrutural da forma, inovou ao nível do plano tonal, e deu relevo ao contraponto como meio preferencial da textura polifónica. A sua influência é notória, nomeadamente na geração seguinte, em Gustav Mahler e na concepção das suas próprias, também monumentais, sinfonias.

Das onze sinfonias que Bruckner escreveu (9 numeradas, com a última incompleta, mais duas preliminares, ou “sinfonias-estudo”), as mais frequentes na sala de concerto actualmente são a Quarta, a Sétima e a Nona. A Sétima, composta entre 1881 e 1883, foi um dos maiores triunfos da vida do compositor, aquando da sua estreia em Leipzig (Alemanha), a 30 de Dezembro de 1884. Escrita num período em que chegavam as notícias da doença final e ulterior morte de Richard Wagner (por quem Bruckner nutria grande admiração, tendo-lhe mesmo dedicado a sua Sinfonia nº3), no andamento lento da Sétima (Adagio), Bruckner introduz um quarteto de tubas wagnerianas em homenagem ao grande mestre da ópera alemã.

Apesar da grandiosidade da forma e do conceito orquestral, a suprema organização do pensamento criativo nas sinfonias brucknerianas torna-as perfeitamente aptas ao que se chama “redução instrumental”. Schoenberg foi o primeiro a perceber isto, não só em relação à música de Bruckner, como também de Mahler e Debussy, entre outros. Especificamente para a Sinfonia nº7 de Bruckner, Schoenberg encarregou os seus alunos Hanns Eisler, Erwin Stein e Karl Rankl, para prepararem uma redução instrumental da sinfonia, concebida na altura para um ensemble instrumental de dimensão muito modesta, constituído apenas por 2 violinos, viola, violoncelo, contrabaixo, clarinete, trompa, piano a 4 mãos e harmónio. Pensado, como tantos outros arranjos, para a Sociedade Privada de Concertos (Verein für musikalische Privataufführungen) que Schoenberg fundou em Viena nos anos 1920s, não chegou a ser executado naquela época, tendo sido estreado apenas mais de 60 anos depois.

Inspirado pelo conceito de Schoenberg, Luís Carvalho realizou em 2018-2019 uma nova versão para ensemble (ou orquestra de câmara) da Sétima. O efectivo de cerca de 15 instrumentistas (expansível, na versão para orquestra de câmara, até um máximo de 34), ao contrário da versão “schoenberguiana”, tenta simular uma orquestra em miniatura, ao incluir todos os principais naipes da orquestra sinfónica tipicamente bruckneriana. Assim, procurou-se uma versão instrumental mais compacta da obra, mas, ao mesmo tempo, tentando manter alguma da imponência original. Em paralelo, busca-se um certo refrescar tímbrico pela inclusão de instrumentos menos usuais como o eufónio, o fliscorne e o acordeão (que pode ser substituído por um harmónio, uma opção mais próxima dos arranjos schoenberguianos).

A perspectiva é, sempre, que a fruição musical do ouvinte seja igualmente recompensadora quando comparada com o original. Afinal, esta música continua a ser do melhor que o romantismo produziu!"

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!

Daqui

Anton Bruckner (1824-1896) -

01. Symphony No. 7 in E Major, WAB 107 I. Allegro moderato
02. Symphony No. 7 in E Major, WAB 107 II. Adagio. Sehr feierlich und sehr langsam
03. Symphony No. 7 in E Major, WAB 107 III. Scherzo. Sehr schnell - Trio. Etwas langsamer
04. Symphony No. 7 in E Major, WAB 107 IV. Finale. Bewegt, doch nicht schnell

London Philharmonic Orchestra
Stanislaw Skrowaczewski, regente

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terça-feira, 3 de junho de 2025

Franz Liszt (1811-1886) - The 19 Hungarian Rhapsodies

"O termo [rapsódia] vem da literatura e quer dizer “recitação de poema”. Trata-se de fragmentos ou citações de cantos épicos ou de qualquer composição poética ou folclórica.

Semelhante à literatura, na música, a rapsódia também consiste em citações ou variações de alguma obra. Ela é formada a partir de trechos melódicos extraídos de outras obras vocais ou instrumentais, muitas vezes oriundos de temas tradicionais ou folclóricos.

O termo “rapsódia” foi usado pela primeira vez como título musical somente na primeira metade do século 19, pelo compositor tcheco Václav Tomášek. Ele escreveu um grupo de seis peças para piano e intitulou Raphsodies.

As rapsódias mais conhecidas são as que possuem melodias extraídas de canções de determinadas regiões ou países. Dentre elas, destacam-se as famosas “Rapsódias Húngaras”, de Franz Liszt. Compostas entre 1846 e 1853, estas rapsódias de Liszt são constituídas por 19 obras para piano baseadas em temas populares húngaros. Posteriormente, algumas destas rapsódias receberam versões para grupos de câmara ou até mesmo para grandes orquestras, principalmente a “Rapsódia número 2”, que é a mais famosa de todas e já foi utilizada em comerciais, filmes e até desenhos animados".

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!

Daqui 

Franz Liszt (1811-1886) -

DISCO 01


01.Hungarian Rhapsody No.1 in cis-moll, S.244
02.Hungarian Rhapsody No.2 in cis-moll, S.244
03.Hungarian Rhapsody No.3 in B-dur, S.244
04.Hungarian Rhapsody No.4 in Es-dur, S.244
05.Hungarian Rhapsody No.5 in e-moll, S.244 'Heroide elegiaque'
06.Hungarian Rhapsody No.6 in Des-dur, S.244
07.Hungarian Rhapsody No.7 in d-moll, S.244
08.Hungarian Rhapsody No.8 in fis-moll, S.244
09.Hungarian Rhapsody No.9 in Es-dur, S.244 'Carnival in Pest'
10.Hungarian Rhapsody No.10 in E-dur, S.244

DISCO 02


01.Hungarian Rhapsody No.11 in f-moll, S.244
02.Hungarian Rhapsody No.12 in cis-moll, S.244
03.Hungarian Rhapsody No.13 in a-moll, S.244
04.Hungarian Rhapsody No.14 in f-moll, S.244
05.Hungarian Rhapsody No.15 in a-moll, S.244 'Rakoczy March'
06.Hungarian Rhapsody No.16 in a-moll, S.244
07.Hungarian Rhapsody No.17 in d-moll, S.244
08.Hungarian Rhapsody No.18 in cis-moll, S.244
09.Hungarian Rhapsody No.19 in d-moll, S.244
10.Rhapsodie espagnole, S.254

Roberto Szidon, piano

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segunda-feira, 2 de junho de 2025

Johann Strauss (1825-1899) - Waltzes

 
Geralmente, cria-se uma confusão com a família Strauss. São muitos personagens com o sobrenome da família. O pai, Johann Strauss I (1804-1849), deu o mesmo nome ao filho, por isso, afirma-se Johann Strauss II para distinguir o pai do filho. O Strauss II conseguiu uma fama incomum. Tornou-se conhecido como "O Rei da Valsa" e foi um dos mais célebres compositores do século XIX. Sua importância se deve, sobretudo, ao papel decisivo que desempenhou na elevação da valsa vienense de uma simples dança popular a um gênero refinado e aclamado nos salões e palcos da Europa.
 
Ao longo de sua carreira, Strauss II compôs mais de 500 obras, incluindo valsas, polcas, marchas e operetas. Entre suas composições mais emblemáticas estão as valsas "Danúbio Azul" (An der schönen blauen Donau), "Contos dos Bosques de Viena" (Geschichten aus dem Wienerwald) e "Valsa do Imperador" (Kaiser-Walzer). Essas obras tornaram-se símbolos não apenas da música austríaca, mas de toda uma era da cultura europeia.

Strauss foi responsável por transformar a valsa em uma forma artística nobre, com melodias envolventes, orquestrações ricas e estrutura sofisticada, conquistando tanto a aristocracia vienense quanto o grande público. Sua música expressava o espírito festivo, romântico e elegante do final do século XIX na Áustria-Hungria.
 
Johann Strauss foi um dos homens mais famosos do seu tempo. Conquistou dinheiro e respeito. Chegou a fazer e prestigiadas turnês por vários países europeus e também pelos Estados Unidos. O compositor deu à valsa um lugar de destaque na música chamada de erudita. Neste disco duplo, encontramos algumas de suas mais famosas composições como a "Valsa do Imperador". Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Johann Strauss (1825-1899) -

DISCO 01


01. An der schönen, blauen Donau (On the Beautiful, Blue Danube), waltz for orchestra (with chorus ad lib), Op. 314 (RV 314) [0:09:18.40]
02. Frühlingsstimmen (Voices of Spring), waltz for orchestra (with voice ad lib), Op. 410 (RV 410) [0:06:04.68]
03. Sphären-Klänge (Music of the Spheres), walzer, Op. 235 [0:08:28.70]
04. Geschichten aus dem Wienerwald (Tales from the Vienna Woods), waltz for orchestra, Op. 325 (RV 325) [0:11:10.05]
05. Du und Du (You and You), waltz for orchestra, Op. 367 (RV 367) [0:07:23.05]
06. Wein, Weib und Gesang (Wine, Women and Song), waltz for orchestra (with voice ad lib), Op. 333 (RV 333) [0:09:47.12]
07. Tausend und eine Nacht (A Thousand and One Nights), waltz for orchestra, Op. 346 (RV 346) [0:08:23.60]
08. Wo die Zitronen Blüh'n! (Where the Lemons Bloom), waltz for orchestra, Op. 364 (RV 364) [0:08:27.08]
09. Liebes-Lieder (Love Songs), waltz for orchestra, Op. 114 (RV 114) [0:06:41.50]

DISCO 02

01. Wiener Blut (Vienna Blood), waltz for orchestra, Op. 354 (RV 354) [0:08:08.00]
02. Wiener Bonbons (Vienna Bon-Bons), waltz for orchestra, Op. 307 (RV 307) [0:08:34.47]
03. Künstler-Leben (Artists' Life), waltz for orchestra, Op. 316 (RV 316) [0:08:23.03]
04. Morgenblätter (Morning Papers), waltz for orchestra, Op. 279 (RV 279) [0:09:25.72]
05. Dorfschwalben Aus Osterreich (Austrian Village Swallows), waltz for orchestra, Op. 164 [0:08:04.05]
06. Rosen aus dem Süden (Roses from the South), waltz for orchestra, Op. 388 (RV 388) [0:08:08.68]
07. Kaiser-Walzer (Emperor Waltz), for orchestra, Op. 437 (RV 437) [0:10:15.02]
08. Accelerationen, waltz for orchestra, Op. 234 (RV 234) [0:07:57.48]

Wiener Philharmoniker
Willi Boskovsky, regente

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domingo, 1 de junho de 2025

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) - Complete Piano Concertos Nos. 18, 19, 20, 21, 22, 23, 24, 25, 26 & 27 (CDs 6, 7, 8, 9 e 10 de 10 - final)

Que Mozart seja um gênio, não há o que se discutir. É chover no molhado. É como se disséssemos que a roda é circular ou qualquer outra extravagância dessa natureza. O compositor escreveu ao todo 27 concertos para piano e orquestra. Eles foram compostos em um período de aproximadamente vinte anos. Alguns foram escritos quando o compositor era apenas um adolescente, mas já exibem qualidades notáveis do gênio; outros, no período de maior maturidade do compositor. Os doze últimos escritos são verdadeiras obras-primas do gênero. 

O que os torna tão especiais é a fusão perfeita entre a virtuosidade pianística e a expressividade musical. Ao contrário de muitos concertos anteriores, em que o solista era um protagonista isolado, nos concertos de Mozart o piano dialoga constantemente com a orquestra. Essa interação traz uma riqueza de nuances, drama e lirismo que faz com que essas obras sejam intensamente comunicativas e emocionantes.

Os concertos presentes nesta postagem foram escritos entre os anos de 1784 e 1791, o ano da morte do compositor. Cada um exibe um quadro perfeito sobre articulação, clareza e equilíbrio sonoro. Impossível dizer este é melhor do que aquele. Todos apresentam uma rica variedade emocional - que vai do humor leve à mais profunda paixão. Pessoalmente, tenho uma grande admiração pelos de número 20, 21 e 26. O larghetto do Concerto 26 é uma das coisas mais bonitas já escritas. É simples, melancólico, repleto de larguezas inexprimíveis.  Ao escrever esses concertos, Mozart atinge o ápice do Classicismo vienense. Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) -

DISCO 06

01. Concert 18 B-Dur KV 456 1. Allegro vivace
02. Concert 18 B-Dur KV 456 2. Andante un poco sostenuto
03. Concert 18 B-Dur KV 456 3. Allegro vivace
04. Concert 19 F-Dur KV 459 1. Allegro
05. Concert 19 F-Dur KV 459 2. Allegretto
06. Concert 19 F-Dur KV 459 3. Allegro assai

DISCO 07

01. Concert 20 d-moll KV 466 1. Allegro
02. Concert 20 d-moll KV 466 2. Romanze
03. Concert 20 d-moll KV 466 3. Allegro assai
04. Concert 21 C-Dur KV 467 1. Allegro maestoso
05. Concert 21 C-Dur KV 467 2. Andante
06. Concert 21 C-Dur KV 467 3. Allegro vivace

DISCO 08

01. Concert 22 Es-Dur KV 482 1. Allegro
02. Concert 22 Es-Dur KV 482 2. Andante
03. Concert 22 Es-Dur KV 482 3. Allegro
04. Concert 23 A-Dur KV 488 1. Allegro
05. Concert 23 A-Dur KV 488 2. Andante
06. Concert 23 A-Dur KV 488 3. Presto

DISCO 09

01. Concert 24 c-moll KV 491 1. Allegro
02. Concert 24 c-moll KV 491 2. Larghetto
03. Concert 24 c-moll KV 491 3. Allegretto
04. Concert 25 C-Dur KV 503 1. Allegro maestoso
05. Concert 25 C-Dur KV 503 2. Andante
06. Concert 25 C-Dur KV 503 3. Allegretto

DISCO 10

01. Concert 26 D-Dur KV 537 1. Allegro
02. Concert 26 D-Dur KV 537 2. Larghetto
03. Concert 26 D-Dur KV 537 3. Allegretto
04. Concert 27 B-Dur KV 595 1. Allegro
05. Concert 27 B-Dur KV 595 2. Larghetto
06. Concert 27 B-Dur KV 595 3. Allegro

Anima Eterna
Jos van Immerseel, fortepiano 

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sábado, 31 de maio de 2025

Sergei Rachmmaninov (1873-1943) - Symphony No. 1 in D Minor, Op. 13 e Symphonic Dances, Op. 45

 
 
A Sinfonia No. 1 foi a primeira das três sinfonias do compositor que eu conheci. Fiquei impressionado com ela. Escrita em 1895, ela foi um projeto ambicioso do jovem compositor. As marcas da influências de Tchaikovsky e Rinsky-Korsakov estão gravadas nela. A obra é estruturada em quatro movimentos e apresenta uma linguagem ousada e dramática, com uma orquestração intensa e temas de forte carga emocional. E foi justamente isso que me chamou a atenção.

A estreia da obra provocou abalos na autoestima do compositor. Segundo relatos, a estreia, em 1897, sob a regência de Alexander Glazunov foi um desastre. Glazunov era um alcoolista e, no dia da estreia, subiu ao palco bêbado. Por sua vez, a crítica demolidora de César Cui ajudou a pôr abaixo os últimos fiapos de otimismo do compositor. A obra acabou sendo esquecida, vindo a ter o devido reconhecimento após a morte do compositor. 

Já as "Danças Sinfônicas" são uma das obras mais conhecidas do compositor. Sua composição é do ano de 1940. Foi escrita no período em que o compositor vivia no Estados Unidos. Ao contrário da Sinfonia No. 1, essa obra é produto da maturidade artística do compositor, refletindo sua habilidade refinada de orquestração, seu domínio do ritmo e sua fusão entre o lirismo romântico e a modernidade harmônica do século XX. É um dos últimos trabalhos do compositor; uma espécie de testamento. Rachmaninov a dedicou a Eugene Ormandy, que a regeu na estreia. 

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!

Sergei Rachmaninov (1873-1943) -

01. Symphony No. 1 in D Minor, Op. 13: I. Grave - Allegro ma non troppo
02. Symphony No. 1 in D Minor, Op. 13: II. Allegro animato
03. Symphony No. 1 in D Minor, Op. 13: III. Larghetto
04. Symphony No. 1 in D Minor, Op. 13: IV. Allegro con fuoco
05. Symphonic Dances, Op. 45: I. Non allegro
06. Symphonic Dances, Op. 45: II. Andante con moto. Tempo di valse
07. Symphonic Dances, Op. 45: III. Lento assai - Allegro vivace

Sinfonia of London
John Wilson, regente

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sexta-feira, 30 de maio de 2025

Max Reger (1873-1916) - Clarinet Quintet, Op. 146 e String Sextet, Op. 188


Max Reger foi um compositor alemão que se situa entre o final do romantismo e início do modernismo experimentado no século XX. Sua música possui um rigor acadêmico e uma profunda seriedade estética. No compositor, observam-se influências variadas, que passam por Bach, Beethoven, Wagner e Brahms. Ao longo de sua curta existência, ele escreveu uma quantidade significativa de obras. Neste disco, encontramos duas delas.
 
A primeira delas é o Quinteto para clarinete, Op. 146. Foi escrita entre os anos de 1915 e 1916. Foi concluída poucos meses antes de sua morte. É, portanto, uma obra tardia e do período de maturidade do compositor. A peça reflete uma surpreendente serenidade e clareza - mesmo tendo sido escrita em plena efervescência da Primeira Guerra Mundial -, contrastando com o estilo normalmente mais denso e complexo do compositor. Influenciado pelo Quinteto para Clarinete, de Brahms, o opus 146 é estruturado em quatro movimentos e apresenta uma linguagem lírica, introspectiva e nostálgica. 

Já o Op. 118 é o do ano de 1904. A obra é bastante ambiciosa do ponto de vista formal. Foi escrita para dois violinos, duas violas e dois violoncelos. Nota-se uma preponderante influência brahnsiana. Reger vai além do romantismo, demonstrando tinturas fortemente expressionistas. O primeiro movimento é marcado por uma energia rítmica vigorosa, o segundo por um lirismo sombrio, o terceiro por um scherzo tenso e o último por uma conclusão grandiosa, refletindo a exuberância intelectual e emocional do compositor.
 
Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!

Max Reger (1873-1916) -

01 - Clarinet Quintet, Op. 146- I. Moderato ed amabile
02 - Clarinet Quintet, Op. 146- II. Vivace
03 - Clarinet Quintet, Op. 146- III. Largo
04 - Clarinet Quintet, Op. 146- IV. Poco allegretto
05 - String Sextet, Op. 188- I. Allegro energico
06 - String Sextet, Op. 188- II. Vivace
07 - String Sextet, Op. 188- III. Largo con gran espres
08 - String Sextet, Op. 188- IV. Allegro commodo

Ensemble Villa Musica

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Giovanni Battista Sammartini (1700-1775) - Trio I, III, IV, V & Sonata III

Sammartini foi um dos mais influentes compositores italianos do período pré-clássico. Nascido e ativo em Milão, Sammartini é frequentemente considerado um dos pioneiros da sinfonia clássica, exercendo grande influência sobre compositores como Johann Christian Bach e o jovem Wolfgang Amadeus Mozart. Sua produção inclui sinfonias, sonatas, música sacra e obras de câmara, nas quais se pode observar a transição entre o estilo barroco tardio e as novas tendências do classicismo emergente. 

Neste disco, encontramos algumas de suas obras. O Trio I, III, IV, V & Sonata III são a demonstração, uma ponte entre os estilos barroco e clássico. Essas obras camerísticas mostram uma linguagem elegante e estruturada, com atenção ao diálogo entre os instrumentos e o desenvolvimento temático. Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!

Giovanni Battista Sammartini (1700-1775) -

01. Roberto Noferini - I. Allegro
02. Roberto Noferini - II. Affettuoso
03. Roberto Noferini - I. Allegro
04. Roberto Noferini - II. Tempo di minuetto
05. Andrea Noferini - I. Allegro non troppo
06. Andrea Noferini - II. Grave con espressione
07. Andrea Noferini - III. Vivace
08. Roberto Noferini - I. Andante molto
09. Roberto Noferini - II. Tempo di minuetto
10. Roberto Noferini - I. Affettuoso
11. Roberto Noferini - II. Minuetto

Roberto Noferini, violino I
Gianfranco Iannetta, violino II
Andrea Noferini, violoncelo
Bruno Canino, cravo

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quinta-feira, 29 de maio de 2025

Richard Wagner (1813-1883) - Tannhäuser, opera, WWV 70- Ouvertüre, Siegfried Idyll, for small orchestra in E major, WWV 103 e Tristan und Isolde, opera, WWV 90

Para Wagner, aplica-se a seguinte frase - "há homens que são um destino". A frase sugere que ao longo da história, há pessoas que, devido à sua influência, impacto ou capacidade de transformar as coisas, são vistas como um ponto de inflexão ou uma força que guia eventos importantes, quase como se fossem predestinados a causar um efeito significativo. 

Quer queira ou não; quer goste, quer não goste, Wagner metaforiza o significado dessa frase. Sua influência foi fundamental para construção de uma estética e de uma intencionalidade densamente romântica e filosófica a partir de suas produções. Sua concepção de música - principalmente, a ópera como uma obra de arte total, unindo música, poesia, teatro e artes visuais - influenciou inúmeros compositores no século XIX e ao longo do século XX. Para citar alguns - Bruckner, Mahler, Richard Strauss e até mesmo Debussy. 

Neste disco, encontramos excertos de algumas de suas poderosas e icônicas óperas. Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!

Richard Wagner (1813-1883) -

01 Tannhäuser, opera, WWV 70- Ouvertüre
02 Siegfried Idyll, for small orchestra in E major, WWV 103
03 Tristan und Isolde, opera, WWV 90- Vorspiel zum I. Aufzug
04 Tristan und Isolde, opera, WWV 90- Isoldes Liebestod

Wiener Philharmoniker

Herbert von Karajan, regente
Jessye Norman, soprano

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quarta-feira, 28 de maio de 2025

Antonio Rosetti (1750-1792) - Jesus in Gethsemane (Postagem de número 8 mil)


O compositor Antonio Rosetti foi nomeado inicialmente como Franz Anton Rösler. Nascido na Boêmia, mais tarde latinizou o seu nome. De início, quando se depara com o nome Antonio Rosetti, pensa-se de imediato que se trata de um compositor italiano como aconteceu comigo. Não. Sua atuação se deu na Alemanha. Ele não se tornou tão famoso como Mozart ou Haydn, mas foi um dos compositores mais famosos de sua geração. Destacou-se, sobretudo, na música sinfônica e religiosa. É o que vemos neste disco com a cantata “Jesus no Getsêmani”.

A obra foi escrita nos últimos anos da vida do compositor – ano de 1790. A obra retrata o episódio evangélico da presença de Jesus, no lugar chamado Getsêmani, descrita nos evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas. Conforme a descrição, foi um momento dramático, decisivo, para efetivação da tarefa de se entregar voluntariamente às autoridades romanas com o intuito de ser crucificado e morto. Getsêmani era um jardim. Há uma similitude desse evento com o que é descrito no livro de Gênesis. Se de acordo com os mitos judaicos, a humanidade perdeu-se em um jardim, no cristianismo, a decisão pela salvação, em Jesus, acontece em um jardim.  Não se trata de uma coincidência, mas de um paralelo teológico.

Esse episódio ocorre na noite anterior à crucificação, quando Jesus, profundamente angustiado, ora a Deus pedindo que, se possível, o "cálice" (isto é, o sofrimento que viria) lhe seja poupado, mas, acima de tudo, aceita a vontade do Pai. O foco da obra está na agonia emocional e espiritual de Jesus. O texto enfatiza a tensão interna entre o medo humano da dor e a obediência à vontade divina. Essa representação da emoção sagrada é típica da música sacra do período clássico, que busca não só exaltar, mas também humanizar o sofrimento de Cristo, aproximando-o da experiência do ouvinte.  Musicalmente, Rosetti capta essa dualidade por meio de mudanças sutis de tonalidade, dinâmica e ritmo, reforçando o clima de suspense, oração e resignação.

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!

Antonio Rosetti (1750-1792) -

01. Jesus in Gethsemane (Murray G2) I. Chor Nehmet wahr des Hohenpriesters
02. Jesus in Gethsemane (Murray G2) II. Arioso und Rezitativ (Tenore) Steht auf und lasset uns von hinnen gehn!
03. Jesus in Gethsemane (Murray G2) III. Cavatina (Basso) Siehe, ich komme!
04. Jesus in Gethsemane (Murray G2) IV. Choral Da gehst du hin! mein Schmerz erwacht!
06. Jesus in Gethsemane (Murray G2) VI. Aria (Soprano) Erhabenster Triumph der Liebe
07. Jesus in Gethsemane (Murray G2) VII. Rezitativ (Alto) Wen seh ich dort an jenem Berge liegen
08. Jesus in Gethsemane (Murray G2) VIII. Chor Sei ihm nicht schrecklich
09. Jesus in Gethsemane (Murray G2) IX. Rezitativ (Alto) Denn, ach, wer soll mit Qualen
10. Jesus in Gethsemane (Murray G2) X. Arietta (Alto) Schone! Weltenrichter, schone!
11. Jesus in Gethsemane (Murray G2) XI. Quartett Er ist um unserer Missetat willen verwundet
12. Jesus in Gethsemane (Murray G2) XII. Rezitativ (Tenore) Und ihr, von ihm gewahlt als Augenzeugen jener Not
13. Jesus in Gethsemane (Murray G2) XIII. Arietta (Tenore) Schlag an dein Herz, Christus Junger
14. Jesus in Gethsemane (Murray G2) XIV. Choral O Fleisch, wie bist du mir verhasst
15. Jesus in Gethsemane (Murray G2) XV. Rezitativ (Basso) Doch was verschlummert ihr, ihr Tragen!
16. Jesus in Gethsemane (Murray G2) XVI. Cavate (Soprano) Dein Wille! lass das hohe Wort
17. Jesus in Gethsemane (Murray G2) XVII. Rezitativ (Soprano) So standhaft nimmt  der Weltensundiger den Kelch
18. Jesus in Gethsemane (Murray G2) XVIII. Chor mit Soli Ihr seid kommen zu dem Mittler
19. Jesus in Gethsemane (Murray G2) XIX. Chor (Finale) Preis dir! Ihn, der von dir verlassen

Mecklenburgisches Baroorchester

Johannes Moesus, regente

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terça-feira, 27 de maio de 2025

Krzysztof Penderecki (1933-2020) - Utrenja

 "Utrenja" é o nome que se dá aos textos utilizados na liturgia da manhã de Páscoa. A obra foi escrita entre os anos de 1970 e 1971. Trata-se de uma das obras mais espiritualmente intensas de Penderecki. À medida que a escutava, ficou a impressão de algo denso, desafiador; de uma beleza áspera. A linguagem musical de "Utrenja" está profundamente enraizada nas técnicas vanguardistas que consagraram Penderecki nas décadas de 1960 e 1970. A obra é marcada por dissonâncias intensas, aglomerados sonoros (clusters), glissandi, texturas densas, e uma ênfase dramática no colorido tímbrico da orquestra e dos coros. Utiliza-se de coro misto, coro de meninos, orquestra e solistas, criando uma massa sonora monumental e espiritualmente impactante.

Apesar da linguagem moderna e por vezes atonal, Penderecki incorpora elementos da tradição litúrgica ortodoxa, como os cantos responsoriais, as inflexões melódicas bizantinas e o uso ritualístico do silêncio e da repetição. Há momentos de grande tensão e sofrimento, particularmente na primeira parte, seguidos por passagens de êxtase místico e redenção na segunda parte, refletindo o ciclo da morte e ressurreição de Cristo.

O que se pode dizer sobre "Utrenja" é de que é uma obra espetacular. Bonita. Repleta de uma sensibilidade que procura fundir modernidade, religião e vanguarda, emoção e reflexão. Vale mencionar ainda que a obra convida o ouvinte para uma experiência que transcende a própria realidade. Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Krzysztof Penderecki (1933-2020) -

01 - I. Troparion
02 - II. Songs of Praise
03 - III. Irmos
04 - IV. Canon of the Holy Saturday, Song 9
05 - V. Irmologion (Stichira)
06 - I. The Gospel
07 - II. Stichira
08 - III. Psalm with Troparion
09 - IV. Passover Canon, Songs 1 and 3
10 - V. Passover Canon, Song 8
11 - VI. Kontakion
12 - VII. Ikos
13 - VIII. Passover Canon, fragments

Warsaw Philharmonic Choir and Orchestra
Warsaw Boys' Choir

Antoni Wit, regente 

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segunda-feira, 26 de maio de 2025

Nikolay Myaskovsky (1881-1950) - Sinfonia No. 5 em ré maior, op. 18 e Sinfonia No. 12 em sol menor, op. 35 - vol. 5


Voltamos às sinfonias de Nikolay Myaskovsky. Dessa vez, surgirão mais duas sinfonias - as de número 5 e 12. Entre elas existe um intervalo de 13 anos, o que sugere uma série transformações com a União Soviética e, inevitavelmente, com o próprio compositor. Vale mencionar que se reputa ao compositor o epíteto de "o pai da sinfonia soviética". Ele escreveu ao todo 27 sinfonias; doze a mais que Shostakovich, por exemplo. No entorno de cada uma, existe uma plêiade de eventos. 

A número 5, por exemplo, foi escrita em 1918, nos turbulentos anos pós-Revolução. É considerada como uma das mais líricas acessíveis do compositor. Funciona como uma espécie de fuga de uma série de questões políticas - consolidação da Revolução Russa, fim da Primeira Guerra e início da Guerra Civil Russa. Impressiona saber que o compositor faça algo tão delicado em um contexto de tantas transformações e incertezas. Faz lembrar aquele famoso verso de Fernando Pessoa: "O poeta é um fingidor". Estava fingindo? Era uma forma de abstrair do contexto caótico? Sua atmosfera pastoral e contemplativa é contraditória com o ambiente em que foi criada.

Já a número 12 foi escrita entre os anos de 1931 e 1932. Foi composta em um período em que o regime começava a demandar um controle mais rígido às produções dos artistas. Por exemplo, é desse período o escandaloso caso do banimento da ópera "Lady Macbeth do Distrito de Mtzensk", obra de Shostakovich baseada na novela homônima de Nikolai Leskov. O controle se fazia, pois o realismo impunha uma pedagogia. As obras deveriam evocar os feitos grandiosos do povo soviético. Deveriam ser sóbrias; transmitir a ideia de clareza, acessibilidade e otimismo revolucionário. Desse modo, a obra foi composta para comemorar o 15º aniversário da Revolução de Outubro.

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Nikolay Myaskovsky (1881-1950) -

(01) Symphony No. 5(1918) in D-dur op.18- Allegretto amabile
(02) Symphony No. 5(1918) in D-dur op.18- Lento (Quasi andante)
(03) Symphony No. 5(1918) in D-dur op.18- Allegro burlando
(04) Symphony No. 5(1918) in D-dur op.18- Allegro risoluto e con brio
(05) Symphony No. 12(1931) in g-moll op.35- Andante
(06) Symphony No. 12(1931) in g-moll op.35- Presto agitato
(07) Symphony No. 12(1931) in g-moll op.35- Allegro festivo e maestoso

The Russian State Symphony Orchestra
Yevgeny Svetlanov, regente  

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Richard Strauss (1864-1949) - Tod und Verklärung Op. 24, Metamorphosen, TrV 290 e Four Last Songs

Richard Strauss foi um dos maiores compositores alemães do século XX.  Suas obras são referências no que tange à profundidade da orquestração, dos estados emocionais humanos e outras temáticas essenciais. Strauss foi um sujeito sensível, uma espécie de psicólogo. Em suas obras - como as três encontradas aqui - há uma preocupação profunda diante da morte, da memória e da transcendência, que são temas caros ao idealismo. 

A primeira obra é a extraordinária "Tod und Verklärung" ("Morte e transfiguração"), que foi escrita entre os anos de 1888 e 1889. Nesse momento histórico, o compositor estava na casa dos vinte anos. A influência wagneriana é evidente. A obra é um poema sinfônico. A intenção do trabalho é representar musicalmente a vida de um artista e sua transfiguração após a morte. O enredo da obra é dividido em quatro partes: a doença, a luta contra a morte, as reminiscências da vida e a transfiguração.

A segunda obra é  "Metamorphosen", cuja escrita se deu já em um período maduro da vida do compositor, a saber, os anos de 1944 e 1945. A obra foi escrita para 23 instrumentos de cordas solistas. Possui uma atmosfera de lamento, de desolação, de uma melancolia asfixiante e provocadora de luto. Strauss lamenta nesta obra a destruição do seu país pela guerra; a ruína das instituições que abrigaram o que havia de mais extraordinário em seu país, como a Ópera de Munique. 

A terceira obra do disco é As Four Last Songs ("As quatro últimas cançõe"s), compostas em 1948, no último ano de vida de Strauss, e são consideradas seu testamento musical. Escritas originalmente para soprano e orquestra, as canções utilizam textos de Hermann Hesse e Joseph von Eichendorff e tratam do tema da aceitação serena da morte. 

As três obras evidenciam a grandiosidade dos ideais trabalhados pelo compositor em suas composições. Condução primorosa de Karajan. Não deixe de ouvir, Uma boa apreciação!

Richard Strauss (1864-1949) -

01 - Tod und Verklärung Op. 24
02 - Metamorphosen, TrV 290 (Recorded 1969)
03 - No. 1, Frühling
04 - No. 2, September
05 - No. 3, Beim Schlafengehen
06 - No. 4, Im Abendrot

Berliner Philharmoniker
Herbert von Karajan, regente
Gundula Janowitz, soprano 

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