sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) - Concertos para violino no. 3, K216, no. 2 K211 e no. 5 K219

Em 1775, quando Mozart tinha apenas 19 anos, ele estava na corte do arcebispo Colloredo, em Salzburgo. Estando nesta cidade, Mozart tornou-se spalla da corte do clérigo. O fato é que Mozart compôs, infelizmente, apenas 5 concertos para violino - e todos neste ano de 1775. Parece que Mozart afasta-se por completo do violino. Penso que o compositor deveria ter composto uns 50 concertos para o instrumento, assim como compôs quase 30 concertos para piano; ou quase 50 sinfonias. Mas é curioso o fato! Neste registro maravilhoso com Repin e Menuhin (na regência), há três dos cinco concertos - K 216, K 211 e K 219. Ficam faltando apenas o K 207 e K 218. É música genuinamente mozartiana, carregada, grávida de beleza, sentimento e leveza. Não deixe de apreciar. Boa fruição!

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) - Concertos para violino no. 3, K216, no. 2 K211 e no. 5 K219

Concerto para violino No. 3 in G major, K. 216
01. Allegro
02. Adagio
03. Rondeau (Allegro)

Concerto para violino No. 2 in D major, K. 211
04. Allegro moderato
05. Andante
06. Rondeau (Allegro)

Concerto para violino No. 5 in A major, K. 219
07. Allegro aperto
08. Adagio
09. Rondeau (Tempo di Menuetto)

Wiener Kammerorchester
Vadim Repin, violino
Yehudi Menuhin, regente

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quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Robert Schumann (1810-1856) - Trabalhos para piano (Piano Works) - CD 1

Desde o primeiro momento em que ouvir as músicas do box que ora posto, com a obra pianística de Schumann, decidi-me a compartilhá-lo. Além do que, na interpretação temos um mago, um gênio, um virtuose para o instrumento, Wilhelm Kempff. São 4 CDs no total. Encontramos peças expressivas do compositor alemão - O Arabesco, Cenas Infantis, Kreisleriana, Cenas da Floresta, O Carnaval, entre outras. Ou seja, é simplesmente imperdível. Hoje à noite, por me encontrar propenso às boas ações, decidir postar o primeiro CD. Não deixe de ouvir essas peças docemente românticas de Robert Schumann, um alemão genuinamente sentimental. Boa apreciação!

Robert Schumann (1810-1856) - Trabalhos para piano (Piano Works) - CD 1

Papillons, Op. 2

01. Papillons Op. 2

Danças de Davidsbndlertanze Op. 6, 18 peças características

02. 1. Lebhaft
03. 2. Innig
04. 3. Humor (Etwas hahnbchen)
05. 4. Ungeduldig
06. 5. Einfach
07. 6. Sehr rasch (Sehr rasch und in sich hinein)
08. 7. Nicht Schnell (Mit uerst starker Empfindung)
09. 8. Frisch
10. 9. Lebhaft
11. 10. Balladenmig. Sehr Rasch
12. 11. Einfach
13. 12. Mit Humor
14. 13. Wild und lustig
15. 14. Zart und singend
16. 15. Frisch
17. 16. Mit gutem Humor
18. 17. Wie aus der Ferne
19. 18. Nicht Schnell

Carnaval Op. 9

20. 1. Preambule. Quasi maestoso - Pi moto - Animato - Vivo - Presto
21. 2. Pierrot. Moderato
22. 3. Arlequin. Vivo
23. 4. Valse noble. Un poco maestoso
24. 5. Eusebius. Adagio
25. 6. Florestan. Passionato
26. 7. Coquette. Vivo
27. 8. Rplique. L'istesso tempo - (Sphinxes)
28. 9. Papillons. Prestissimo
29. 10. A.S.C.H -S.C.H.A. (Lettres dansantes) Presto
30. 11. Chiarina. Passionato
31. 12. Chopin. Agitato
32. 13. Estrella. Con Affetto
33. 14. Reconnaissance. Animato
34. 15 Pantalon et Colombine. Presto
35. 16 Valse allemande. Molto vivace
36. 17. Paganini. Intermezzo. Presto
37. 18. Aveu. Passionato
38. 19. Promenade. Comodo
39. 20 Pause. Vivo
40. 21 Marche des »Davidsbndler« contre les Philistins. Non Allegro - Molto pi vivo - Animato - Vivo - Animato

Wilhelm Kempff, piano

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terça-feira, 3 de novembro de 2009

Antonio Lucio Vivaldi (1678-1741) - Concertos para Dois Violinos e Orquestra - RV 509, 514, 522, 523 e 524

É sempre agradável ouvir o "padre ruivo" de músicas elegantes e características. Hoje à noite eu escutei este CD e me sentir emulado a postá-lo. O conjunto Vistuosi di Praga se reponsabiliza por trazer à vida estas peças para violino. É sabido que Vivaldi era um grande violinista. Suas peças deixam evidente o seu domínio do instrumento. Aqui, neste registro, temos os concertos para dois violinos e orquestra - RV 509, 514, 522, 523 e 524. Boa apreciação!

Antonio Lucio Vivaldi (1678-1741) - Concertos para Dois Violinos e Orquestra - RV 509, 514, 522, 523 e 524

Concerto em Sol menor, F.I. No. 12, RV 509
1. Allegro ma poco e cantabile
2. Andante molto
3. Allegro

Concerto em B flat maior, F. I. No. 40, RV 524
4. Allegro
5. Andante
6. Allegro

Concerto em Lá menor, F.I. No. 61, RV 523
7. Allegro molto
8. Largo
9. Allegro

Concerto em Ré menor, F.I. No. 100, RV 514
10. Allegro non molto
11. Adagio
12. Allegro molto

Concerto em Lá menor, F.I. No. 177, RV 522
13. Allegro
14. Larghetto e spiritoso
15. Allegro

Virtuosi di Praga
Josef Suk, violino
Jaroslav Tuma, baixo continuo
Jindrich Ptacek, violoncelo continuo
Oldrich Vlcek, violino e regência

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Por Carlos Antônio M. Albuquerque
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segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Gabriel Fauré (1845-1924) - Missa de Réquiem em D menor, Op. 48

Por hoje ser um feriado com conotações necessariamente religiosas, estive pensando no real significado das implicações da data - Dia de Finados, Dia dos Mortos... Sem querer adentrar em querelas judiciosamente religiosas, resta-me analisar apenas o fato histórico. Por que um dia dos mortos para ser comemorado em pleno século XXI? Nesta data, 2 de novembro, as pessoas rumam para os cemitérios. Levam flores, velas, badulaques e outros apetrechos necessários para enfeitar os jazigos e tornar, quiça, a estadia dos mortos mais confortável. Perdoem-me a indiscrição. Mas o Dia de Finados faz parte de uma tradição antiga, revitalizada, sacralizada, legitimada pela Igreja. Quando a Igreja tornou-se a religião oficial do Estado Romano, herdou também muitas das celebrações ditas "pagãs". Tal iniciativa foi utilizada para tornar a nova religião em algo mais aceitável para os novos crentes. Junto veio o feriado do dia dos mortos. O culto ao mortos é uma das mais antigas práticas da humanidade. O homem para lidar com morte, viu-se forçado a criar símbolos que servissem de explicação para muitas das questões suscitadas pelo fato do fim da existência. Ao ler as palavras de Fustel de Coulanges em A Cidade Antiga, a minha desconfiança se acentuou: "[Os antigos] ao deixarem de oferecer aos mortos o repasto fúnebre, deixavam estes seus túmulos; como sombras errantes, ouviam-nos gemer pela calada da noite silenciosa. Censuravam os vivos por sua negligência ímpia; peocuravam puni-los enviando-lhes doenças ou castigavam-nos com esterilidade da terra. Enfim, não davam descanso aos vivos até o dia em que se restabelecessem os repastos fúnebres. O sacríficio, a oferenda de alimentos faziam-nos voltar ao túmulo e proporcionavam-lhes o repouso e os atributos divinos. O homem estava então em paz com os seus mortos". A morte foi o fenômeno mais forte e misterioso, colocando o homem no caminho de outros mistérios. Fez com que elevasse o seu pensamento do vísivel para o invísivel, do passageiro ao eterno, do humano ao divino. Todavia, deixando de lado estas análises, volto-me para a postagem, que é, sem sombras de dúvidas, maravilhosa. A missa de réquiem é um tipo de celebração católica de entrega da alma dos mortos no céu. A Missa de Réquiem em D menor, Op. 48 de Gabriel Fauré é uma das mais belas que já foram compostos para o gênero. Possui uma beleza incomum. Fiquei pensando qual Réquiem eu postaria - Cherubini, Berlioz, Dvorak, Mozart, Schnittke, Marcelo, Britten, Cimarosa, Verdi, Lygeti, Hindemith entre outros. Acabei optando por Fauré. O Réquiem do compositor francês faz jus ao significado de uma verdadeiro réquiem - requiem aeternam dona eis - "dai-lhes o repouso eterno". É o triunfo da beleza, da chegada ao paraíso. Boa apreciação!

P.S. Fato curioso: quem quiser se sentir embriagado por um celeuma de impressões e atordoamentos, não deixe de assistir ao filme São Jerônimo do brasileiro Júlio Bressane. O diretor ao tratar da vida do anacoreta dos desertos, do beato das asceses mortificadoras, Jerônimo, em uma das cenas do filme colocou um dos fragmentos do Réquiem de Fauré - o Sanctus. Quando vi àquilo sentir um misto de sentimentos tão densos que percebi que o meu estômago embrulhava. Em alguns instantes eu me senti um santo plenamente beatificado, a tocar nas asas de seres angélicos.

Gabriel Fauré (1845-1924) - Missa de Réquiem em D menor, Op. 48

01. Introit et Kyrie
02. Offertoire
03. Sanctus
04. Pie Jesu
05. Agnus Dei
06. Libera me
07. In Paradisum

La Chapelle Royale
Les Petits Chanteurs de Saint-Louis
Ensemble Musique Oblique
Agnès Mellon, soprano
Peter Kooy, barítono
Philippe Herreweghe, regente

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Por Carlos Antônio M. Albuquerque
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sábado, 31 de outubro de 2009

Igor Stravinsky - O Pássaro de Fogo (The Firebird) e Alexander Nikolayevich Scriabin - Promethée - Le Pòeme du Feu, Op. 60

Até por me encontrar com uma certa indisposição, decidir não escrever muito neste príncipio de tarde de sábado. Tomei emprestado o texto da wikipédia sobre O Pássaro de Fogo de Igor Stravinsky, esse mago, esse bruxo da músico do século XX. O Pássaro de Fogo é uma das primeiras peças a consagrar Igor. Assim diz o texto: "L'Oiseau de feu (em português: O Pássaro de Fogo; em russo: Жар-птица) é um ballet de Igor Stravinsky de 1910 baseado nos contos populares russos sobre o pássaro mágico brilhante (ver Pássaro de Fogo) que é tanto uma bênção como uma perdição para o seu captor. A música foi pela primeira vez apresentada como ballet pelos Ballets Russes de Sergei Diaghilev, a primeira das suas produções feita com música especialmente composta para a companhia. O ballet tem significado histórico por ser a peça que deu a Stravinsky o primeiro grande êxito, e por ter sido o início de uma colaboração entre Diaghilev e Stravinsky de que iria também resultar Petrushka e Le Sacre du Printemps. O trabalho de Stravinsky exerceu grande influência na música para além da chamada música clássica ou erudita. ao longo da sua carreira, o grupo de rock progressivo Yes abriu alguns espectáculos ao vivo com excertos do Pássaro de Fogo, e a sua canção "The Gates of Delirium", de 1974, é altamente influenciada pelas ideias musicais pioneiras de Stravinsky". Sob a condução deste fabuloso CD, temos Valéry Gérgiev e sua Kirov Orchestra. Aparece ainda outro russo, Alexander Scriabin. Boa apreciação da música stravinskyana!

Igor Stravinsky (1882-1971) - O Pássaro de Fogo (The Firebird)

01 - Introduction
02 - Le jardin enchanté de Kastcheï
03 - Apparition de l'oiseau de feu poursuivi par Ivan Tsarévitch
04 - Danse de l'oiseau de feu
05 - Capture de l'oiseau de feu
06 - Supplications de l'oiseau de feu
07 - Jeu des princesses avec les pommes d'or
08 - Brusque apparition d'Ivan Tsarévitch
09 - Ronde des princesses (Corovod)
10 - Lever du jour
11 - Carillon féérique, apparition des monstres-gardiens de Kastcheï
12 - Danse de la suite de Kastcheï enchantée par l'oiseau de feu
13 - Danse infernale de tous les sujets de Kastcheï
14 - Berceuse (l'oiseau de feu)
15 - Disparition du palais et des sortilèges

Kirov Orchestra, St. Petersburg
Valery Gergiev, regente

Alexander Nikolayevich Scriabin (1872-1915) - Promethée - Le Pòeme du Feu, Op. 60

16. Promethée - Le Pòeme du Feu

Kirov Orchestra, St. Petersburg
Alexander Toradze

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quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Ludwig van Beethoven (1770-1827) Sinfonia No. 6 em fá maior, Op. 68 - Pastoral e Sinfonia No. 4 em Si bemol maior, Op. 60

Apesar de me encontrar com certa pressa, não deixarei de "depositar" algumas palavras sobre a Sinfonia Pastoral de Beethoven. Durante muito tempo, até porque era um dos poucos Cds que possuía de música genuinamente clássica, eu ouvi a obra com muita instância. Adquiri o disco num sebo aqui em Brasília. Entrei no mundo de Beethoven por intermédio da Sexta Sinfonia, uma das peças que mais gosto do compositor. A Sexta Sinfonia é uma obra de cenas do campo. Ela está repleta por um espiríto contemplativo. Somente quem gosta de paisagens naturais; do cheiro do campo; do marulho de regatos; das emanações das flores silvestres, pode compreender o que Beethoven quis retratar nesta sinfonia. O homem das cidades precisa ir até o campo para sentir essa sinfonia. Ela tem o cheiro e a fragrância de prados e planícies. Em suma: somente quem nasceu e morou no campo pode captar as devidas emanações desta peça. Já ouvir muitas opiniões sobre ela: Uns abominam, afirmando que ela é enfadonha e aborrecente; outros, desenvolvem um olhar meramente de curiosidade. No meu caso, eu desenvolvir um relação de profunda existencialidade. Recordo-me que quando a descobrir, isso lá nos idos de 2003, eu estava lendo Os sofrimentos do jovem Werther, de Goethe. Aquilo provocou em mim um tipo de evocação necessária da tristeza. Mas era um tipo de tristeza que me conduzia à alegria. Num tipo de experiência que Rubem Alves retrata em uma de suas crônicas. Diz ele que sofria de beleza, um tipo de doença necessária. Diz ele: "A beleza me produz uma tristeza mansa. Não julgo que ela deva ser curada. Se eu a curasse, se eu ficasse alegrinho, eu deixaria de ser o que sou. Minha tristeza é tanto parte de mim quanto a cor dos meus olhos, as batidas do meu coração, as minhas mãos. Sem a minha tristeza eu ficaria aleijado - acho que até pararia de escrever. Porque a minha escritura é um contraponto musical à minha triteza". E Rubem cita Alberto Caeiro, e o seu Guardador de Rebanhos (uma evocação pastoral):
Mas eu fico triste como um pôr-do-sol quando esfria no fundo da planície e se sente a noite entrada como uma borboleta pela janela. Mas minha tristeza é sossego porque é natural e justa e é o que deve estar na alma... É preciso ser de vez em quando infeliz para se poder ser natural Rubem escreve estas palavras no livro Concertos para o corpo e a alma (Editora Papirus), uma obra que possui uma estrutura didática como se fosse um concerto musical. As várias partes possuem nomes de formas musicais (Andante grazioso, languido, espressivo, delicato e etc). Assim, na época em que descobri a peça, aquilo foi uma revelação. Ao ler as páginas do Werther de Goethe e as descrições que eram feitas pela mão habilidosa do escritor alemão, apalpei cada uma das descrições. Uma das passagens do livro de Goethe me embalava e me levava a compreender os sentimentos que eram necessários para fruir a música, diz assim: "Meu caro Wilhelm, arquitetei toda sorte de reflexões a respeita do desejo que o homem sente ao dilatar o seu horizonte, fazendo novas descobertas, errando a aventura, e, além disso, a respeito do sentimento que o leva a acomodar-se numa existência limitada, e a caminhar com os antolhos do hábito, sem preocupar-se com o que se acha à direita ou à esquerda. Quando aqui cheguei, e do alto da colina pus-me a contemplar esse lindo vale, senti-me atraído de modo estranho por todo esse vasto horizonte. ‘Ah! se eu pudesse mergulhar nas sombras daquele pequeno bosque, lá longe!... Ah! se eu pudesse galgar o pico daquela montanha distante e de lá abarcar a região inteira! Não poder errar por aquelas colinas que se ligam umas às outras, e pelos vales cheios de sombra pensativa!’ (...) A distância, naquelas paragens, parece-se com o futuro. Um todo imenso, e como que envolvido por uma neblina, estende-se diante da nossa alma; nosso coração aí mergulha e se perde, da mesma forma que os nossos olhos e ardentemente aspiramos a nos abandonarmos por completo, deixando-nos impregnar de um sentimento único, sublime, delicioso... Mas, ai de nós, quando lá chegamos, vemos que nada mudou: encontramo-nos tão pobres, tão mesquinhos como antes, e nossa alma sequiosa pela água refrescante que lhe fugiu” (grifo meu). A Pastoral é uma obra programática. O seu programa é a vida, o passeio, a relação com o campo, com a natureza. Deve ser assim interpretada: 1. Allegro ma non troppo (em forma-sonata) - "Despertar de sentimentos alegres diante da chegada ao campo" 2. Andante molto mosso - "Cena à beira de um regato" 3. Allegro - "Dança campestre" 4. Allegro - "A tempestade" 5. Allegretto - Hino de ação de graças dos pastores, após a tempestade Acredito, como afirma Arthur da Távola em um dos seus livros (Maurice Ravel - Um Feiticeiro sem Deus. Editora Nova Fronteira), que é necessário "fugir do tecnicismo invasor [a serviço da interpretação] e voltar aos tempos em que a literatura atuava como intérprete adequada do fato musical". Espero não ter cansado os possíveis e eventuais leitores dessa exposição livremente pessoal. Que a música fale e apresente os seus motivos artísticos! Aparece ainda a Sinfonia no. 4 neste registro imperdível com Toscanini. Boa apreciação! 

Ludwig van Beethoven (1770-1827) Sinfonia No. 6 em fá maior, Op. 68 - Pastoral e Sinfonia No. 4 em Si bemol maior, Op. 60 

Sinfonia No. 6 em Fá maior, Op. 68 - Pastoral 
01. Allefro ma no troppo 
02. Andante molto nosso 
03. Allegro 
04. Allegro 
05. Allegretto 

Sinfonia No. 4 em Si bemol maior, Op. 60 
06. Adagio, Allegro vivace 
07. Adagio 
08. Menuetto-Allegro vivace 
09. Allegro ma non troppo 

NBC Symphony Orchestra 
Arturo Toscanini, regente 


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quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Dmitri Shostakovich (1906-1975) - 24 Prelúdios e Fugas para Piano, Op. 87

Decidir postar um dos meus compositores favoritos: Shostakovich. A postagem que farei estava selecionada desde o mês de julho, mas somente agora, seguindo um cronograma lento, eu conseguir trazê-la à tona. Antes tarde do que nunca! O texto que se segue foi extraído do livro de Lauro Machado Coelho (Shostakovich - Vida, Música, Tempo - Editora Perspectiva), um calhamaço necessário a todo aquele que admira a obra do compositor russo. O livro possui mais de 500 páginas e faz uma análise impressionante sobre a vida, a obra e o tempo de Shosta. Sobre os 24 Prelúdios e Fugas para piano, Op. 87, Lauro escreve assim: "Antes de embarcar para a Alemanha Oriental, Shostakovich discutira no conservatório a possibilidade de escrever exercícios polifônicos, à maneira dos de Tchaikovcky e Rimski-Kórsakov, destinados a seus alunos de composição. Mas em Laipzig, debatendo a música de Bach com os musicólogos alemães, mudou de ideia. Ao voltar para casa, entre outubro de 1950 e fevereiro de 1951, redigiu os 24 Prelúdios e Fugas para Piano, cujo modelo era o Cravo Bem Temperado. Ele os apresentou em abril e maio de 1951, a seus colegas da União dos Compositores. Músicos, críticos e musicólogos, reunidos para discutirem-nos em 16 de maio, voltaram à velha tecla do formalismo decadente, acrescentando-lhe a da cacofonia, a respeito dos prelúdios como o em ré bemol maior. Disseram-lhe que estava se afastando da temática atual ("de quem serve repetir o Cravo Bem Temperado?"). Kóval, Kabaliévski, Izraíl Niéstiev e Serguêi Kriébkov foram os que atacaram mais furiosamente. Apenas seus alunos Svirídov e Iúri Lievitín, e as pianistas Maríya Iúdina e Nikoláieva ousaram falar a seu favor. (...) Nos 24 Prelúdios e Fugas, Op. 87, Shostakovich mostrou como os elementos da linguagem barroca podem ser adaptados ao seu idioma pessoal. Começa com um arranjo quase estilizado (dó sustenido menor), para culminar no cromatismo total, em que tonalidade ocupa posição secundária, apenas por uma questão de convenção (a fuga em ré bemol maior). São peças desiguais, e nem todas apresentam as características do estilo Shostakovich. Algumas delas (dó maior ou fá sustenido maior) são de um arcaísmo de superfície, pouco convincente, sem com isso tirar o valor da obra como um todo. O ciclo passa de peças profundamente dramáticas, impregnadas de pessimismo (mi bemol menor ou fuga em si bemol maior). Há páginas grotescas (fá sustenido menor ou a fuga em lá bemol maior); outras são líricas (Fá menor ou a fuga em sol menor), alegres (ré maior ou a fuga em lá maior). Mas todas elas apresentam um artesanato pianístico de primeira ordem. Como tudo em Shostakovich, as contradições não são poucas; miniaturas de corte perfeitamente tradicional (fá sustenido maior) estão lado a lado com peças de escrita nada convencional (a fuga em ré bemol maior). Algumas delas ligam-se à maneira contemporânea do compositor (dó maior), lembrando por exemplo, O Canto da Floresta; em outras, (fá sustenido menor), ressurge o estilo do jovem autor das primeiras sinfonias. Algunmas delas têm uma polifonia um tanto árida (a fuga em lá menor); em outras, a feitura bachiana une-se à dramaticidade do mundo de Mussorgski (mi bemol menor). (...) Mesmo para um compositor como Shostakovich, que possuía prodigiosa facilidade para escrever, é enorme a disciplina, a inteligência quase matemática para edificar um edifício com elementos combinatórios tão complexos. Os 24 Prelúdios e Fugas são desiguais, sim - isso já foi dito antes -, mas mesmo essa desigualdade tem de ser encarada em função da não-autonomia de cada peça, de sua inter-relação, da posição que ela ocupa dentro de um conjunto mais vasto. (...) Os 24 Prelúdios e Fugas são uma das obras de Shostakovich que mais resistiram ao tempo, pois até hoje os mais variados pianistas incluem em seu repertório". Como se percebe, após estas palavras tão precisas e definidoras do Lauro, os 24 Prelúdios e Fugas para Piano, Op. 87, é uma obra demasiadamente importante. Shosta era um excelente pianista. É fato que se ele tivesse seguido a carreira de pianista, teria sido um executor de fama internacional. Aqui ele deixou os seus profundos conhecimentos sobre o instrumento. Como executor desses 24 Prelúdios e Fugas temos Tatiana Kikolaeva, que foi aluna de Shosta - como está explícito no texto do Lauro. Não deixe de ouvir este registro imperdível. Boa apreciação!

Dmitri Shostakovich (1906-1975) - 24 Prelúdios e Fugas para Piano, Op. 87

Disco 1

01. Prelude and Fugue No.1 in C major - Fugue
02. Prelude and Fugue No.1 in C major - Prelude
03. Prelude and Fugue No.2 in A minor - Fugue
04. Prelude and Fugue No.2 in A minor - Prelude
05. Prelude and Fugue No.3 in G major - Fugue
06. Prelude and Fugue No.3 in G major - Prelude
07. Prelude and Fugue No.4 in E minor - Fugue
08. Prelude and Fugue No.4 in E minor - Prelude
09. Prelude and Fugue No.5 in D major - Fugue
10. Prelude and Fugue No.5 in D major - Prelude
11. Prelude and Fugue No.6 in B minor - Fugue
12. Prelude and Fugue No.6 in B minor - Prelude
13. Prelude and Fugue No.7 in A major - Fugue
14. Prelude and Fugue No.7 in A major - Prelude
15. Prelude and Fugue No.8 in F sharp minor - Fugue
16. Prelude and Fugue No.8 in F sharp minor - Prelude
17. Prelude and Fugue No.9 in E major - Fugue
18. Prelude and Fugue No.9 in E major - Prelude
19. Prelude and Fugue No.10 in C sharp minor - Fugue
20. Prelude and Fugue No.10 in C sharp minor - Prelude

Disco 2

01. Prelude and Fugue No.11 in B major - Fugue
02. Prelude and Fugue No.11 in B major - Prelude
03. Prelude and Fugue No.12 in G sharp minor - Fugue
04. Prelude and Fugue No.12 in G sharp minor - Prelude
05. Prelude and Fugue No.13 in F sharp major - Fugue
06. Prelude and Fugue No.13 in F sharp major - Prelude
07. Prelude and Fugue No.14 in E flat minor - Fugue
08. Prelude and Fugue No.14 in E flat minor - Prelude
09. Prelude and Fugue No.15 in D flat major - Fugue
10. Prelude and Fugue No.15 in D flat major - Prelude
11. Prelude and Fugue No.16 in B flat minor - Fugue
12. Prelude and Fugue No.16 in B flat minor - Prelude
13. Prelude and Fugue No.17 in A flat major - Fugue
14. Prelude and Fugue No.17 in A flat major - Prelude

Disco 3

01. Prelude and Fugue No.18 in Bb minor - Prelude
02. Prelude and Fugue No.18 in F minor - Fugue
03. Prelude and Fugue No.19 in Eb - Fugue
04. Prelude and Fugue No.19 in Eb - Prelude
05. Prelude and Fugue No.20 in C minor - Fugue
06. Prelude and Fugue No.20 in C minor - Prelude
07. Prelude and Fugue No.21 in Bb - Fugue
08. Prelude and Fugue No.21 in Bb - Prelude
09. Prelude and Fugue No.22 in G minor - Fugue
10. Prelude and Fugue No.22 in G minor - Prelude
11. Prelude and Fugue No.23 in F - Fugue
12. Prelude and Fugue No.23 in F - Prelude
13. Prelude and Fugue No.24 in D minor - Fugue
14. Prelude and Fugue No.24 in D minor - Prelude

Tatiana Nikolaeva, piano

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terça-feira, 27 de outubro de 2009

S. Prokofiev - Concerto para piano e orquestra No. 3 em C maior, Op. 26 e M. Ravel - Concerto para piano e orquestra em C maior e Gaspard de la nuit

Como hoje me encontro razoavelmente disposto para as boas ações, decidir postar um extraordinário CD. Nada mais nada menos do que Prokofiev e Ravel. Na interpretação, outro time da pesada: Abbado e Argerich. É simplesmente incrível! É um registro atordoador com dois dos músicos mais importantes do século XX. Palavras serão desnecessárias, por isso apenas escute a eloquencia da música. Boa apreciação!

Serge Prokofiev (1891-1953) - Concerto para piano e orquestra No. 3 em C maior, Op. 26

1. Andante - Allegro [9:01]
2. Thema Andantino - Variation 1. L'istesso tempo - Var. II. Allegro - Var. III. Allegro moderato. - Var. IV. Andantino Meditativo - Var. V - Allegro giusto - Thema. L'istesso tempo [9:03]
3. Allegro ma non troppo [9:00]

Maurice Ravel (1875-1937) - Concerto para piano e orquestra em C maior

4. Allegramente [8:10]
5. Adagio assai [9:03]
6. Presto [3:52]

Berliner Philharmoniker
Claudio Abbado, regente
Martha Argerich, piano

Gaspard de la nuit - Trois piano d'après Aloysius Bertrand

7. Ondine. Lent [6:19]
8. Le Gibet. Très lent [6:41]
9. Scarbo. Modéré [9:21]

Martha Argerich, piano

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segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Franz Joseph Haydn (1732-1809) - Sonatas No. 02, 24, 32 e 46 - disco 2

Vamos ao segundo e último CD com as sonatas do velho Haydn, bom como vinho antigo. Hoje dispensarei verbosidades mais acentuadas. A única explicação que aparece é da wikipédia: "Haydn é considerado o pai da sinfonia clássica e do quarteto de cordas, além de ter escrito muitas sonatas para piano, trios, divertimentos e missas, que se tornou a base do estilo clássico de composição de música erudita. Além disso, escreveu também algumas músicas de câmara, óperas e concertos, que hoje não são tão conhecidos. Haydn foi o maior influenciador do estilo da época. O desenvolvimento da forma-sonata de um esquema rígido em uma maneira sutil e flexível de expressão musical, que se tornou dominante no pensamento musical clássico, é devido quase que completamente a Haydn. Ele também criou a forma sonata, a forma de variação dupla, e foi também o primeiro a integrar a fuga e outros modelos contrapontísticos à forma clássica". Boa apreciação!

Franz Joseph Haydn (1732-1809) - Sonatas No. 02, 24, 32 e 46 - disco 2

Piano Sonata no. 2 in B minor Hob. XVI:32
1. Allegro-moderat0
2. Menueto
3. Finale:presto

Piano Sonata no. 24 in D minor Hob. XVI:24
4. Allegro
5. Adagio
6. Finale:presto

Piano Sonata no. 32 in A flat major Hob.XVI:46
07. Allegro moderato
08. Adagio
09. Finale:presto

Piano Sonata no. 46 in B flat major Hob.XVI:2
10. Moderato
11. Largo
12. Menueto

Teatro de Bibiena, Mantova, 1987
Sviatoslav Richter, piano

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Fréderic Chopin (1810-1849) - Noturnos

Desde que ouvir este CD com os Noturnos de Chopin há alguns dias, senti-me estimulado a postá-lo. É simplesmente a condensação do lirismo chopiniano, numa das páginas mais belas da história da música. "Em Chopin, Noturno significa um canto livre da sua intimidade, pôr meio da qual conta uma história íntima que o músico não poderia exprimir de outra forma. Chopin baseou-se num modelo próximo, os noturnos do irlandês Field, mas submeteu-os a tal modificação que apenas poderemos notar um vago parentesco entre os dois músicos. Nos últimos noturnos encontramos sonoridades e uma escrita pianística próximas do impressionismo". O que há de fato é a certeza de que a música do polonês é docemente infantil. Acerca de Chopin, diz a História que Schumann assim se expressou: "Tirem os chapéus, senhores, um gênio!" E o compositor provou isso. Conquistou a França. Possuía as idiossincrasias requeridas pela burguesia francesa: era gentil, fino, educado, elegante. Tais predicados o ajudaram. Chopin era um jovem de alma triste e canções que silenciavam os ouvintes. Ouvi-lo nos dá uma sensação de quietude triste e reflexiva. Ele era um anjo soturno. Suas peças nos põe impressões melancólicas no coração. Mas, como é bom ouvi-lo! Na condução dessa música cheia de poderes de mistério, temos Maria João Pires. Boa apreciação!

Alguns dados extraídos DAQUI.

Fréderic Chopin (1810-1849) - Noturnos

Disco 1

01. No.01 in B flat minor, Op.9 No.1- Larghetto
02. No.02 in E flat major, Op.9 No.2- Andante
03. No.03 in B major, Op.9 No.3- Allegretto
04. No.04 in F major, Op.15 No.1- Andante cantabile
05. No.05 in F sharp major, Op.15 No.2- Larghetto
06. No.06 in G minor, Op.15 No.3- Lento
07. No.07 in C sharp minor, Op.27 No.1- Larghetto
08. No.08 in D flat major, Op.27 No.2- Lento sostenuto
09. No.09 in B major, Op.32 No.1- Andante sostenuto
10. No.10 in A flat major, Op.32 No.2- Lento

Disco 2

01. No. 11 In G minor, Op. 37 No. 1 - Andante
02. No. 12 In G major, Op. 37 No. 2 - Andantino
03. No. 13 In C minor, Op. 48 No. 1 - Lento
04. No. 14 in F sharp minor, Op. 48 No. 2 - Andantino
05. No. 15 In F minor, Op. 55 No. 1 - Andante
06. No. 16 in E flat major, Op. 55 No. 2 - Lento
07. No. 17 In B major, Op. 82 No. 1 - Andante
08. No. 18 In major, Op. 82 No. 2 - Lento
09. No. 19 In E minor, Op. post 72 No. 1 - Andante
10. No. 20 In C sharp minor, Op. post - Lento
11. No. 21 In C minor, Op. post

Maria João Pires, piano

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sábado, 24 de outubro de 2009

Johannes Brahms (1833-1897) - Sonatas para Clarinete & Piano Nos. 1 e 2, Op. 120, Scherzo e Lieder, Op.91

Uma afirmação acerca de Brahms é exatamente correta: "o verdadeiro classicismo é aquele que nasce da subjugação de emoções românicas pela disciplina severa". Essa é uma das afirmações mais plausíveis sobre a arte do compositor. Brahms foi um homem severo, amante da arte severa. Sua solidão era um dos principais elementos de sua inspiração. É preciso aprender a apreciar a Brahms. Quem se recusa a ouvi-lo, certamente deixa desaparecer um patrimônio espiritual não-morredouro. O opus 120, encontrado aqui neste registro, é música plena, absoluta. É música para ouvirmos em dias frios e nublados. Feito isso, alcançamos a possibilidade de reflexões duras, severas e exatas. Aparecem ainda dois lieds (canções) tristes, eivadas por um espírito de melancolia solitária. Acredito que a música de Brahms, a exemplo da que aqui está posta neste registro, não é bem aceita pelo coração do homem moderno - dos nossos dias. Vivemos a época dos contatos epidêrmicos, das algazarras barulhentas; da ostentação banal, dos aglomerados heterôgeneos; da sede pela matéria; da fuga das reflexões capazes de transformar os homens em seres humanos. Este é um aspecto impensado em nossos dias, portanto, indesejado. A música de Brahms é um portal dimensional que nos conduz a possibilidades existenciais; capazes de "aquietar" o coração. Não deixe de ouvir esse excelente registro com um pouco da arte extraordinária de Johannes Brahms, um alemão fundamental. Boa apreciação!

Johannes Brahms (1833-1897) - Sonatas para Clarinete & Piano Nos. 1 e 2, Op. 120, Scherzo e Lieder, Op.91

Sonata para clarinete e piano, Op. 120, No. 1
01. Allegro appassionato
02. Andante, un poco adagio
03. Allegretto grazioso
04. Vivace

Sonata em E flat major para Clarinete e Piano, Op.120, No.2
05. Allegro amabile
06. Allegro, molto appassionato
07. Andante con moto - Allegro

Sonatensatz- Scherzo
08 - Sonatensatz- Scherzo

Lieder, Op.91- No.1
09. Gestillte Sehnsucht

Lieder, Op.91- No.2
10. Geistliches Wiegenlied

Você pode comprar na Amazon

Kálman Berkes, clarinete
Jenó Jandó, piano

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quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Heitor Villa-Lobos (1887-1959) - Alma Brasileira

Principiei a audição da Bachiana Brasileira No. 4 de Villa-Lobos e minha alma ficou cheia de expectações nebulosas. O que seria isso? Deve ser a evocação tristemente poética emanada da dimensionalidade dessa música. Veio-me à mente o filme Villa-Lobos: Uma Vida de Paixão - do diretor Zelito Viana - que vi há alguns atrás. Achei uma película sofrível. Antônio Fagundes não encarnou o Villa. O compositor era maior que a interpretação do Fagundes. Não o considero um grande ator. Talvez em Gaijin - Os caminhos da liberdade - filme da Tizuka Yamazaki - ele estivesse melhor. Com a interpretação que ele dedicou a Villa-Lobos: Uma Vida de Paixão, eu diria que serve apenas para ser posta numa novela das 9 da Rede Globo. Essas produções ordinárias que despertam interesse pelos valores insossos que tratam; e pelas abordagens de temas ditos relevantes para a sociedade brasileira, que no fundo é a "arte" previsivelmente medonha. Mas não quero me deter nesse aspecto. O que é mais importante no filme do diretor Zelito Viana é a escolha musical. Ele quis dar um aspecto dramático à produção. Dedicou demasiada atenção aos cortes de sequências lógicas a fim de criar restrospectivas da vida do compositor. Todavia, o elemento humano do filme "estragou", ao meu modo de ver, o trabalho. Zelito entregou a produção musical ao maestro Sílvio Barbato, que escolheu primorosamente a trilha sonora. Os momentos musicais são belíssimos. Esse aspecto redime a obra de Zelito Viana. Finalmente: neste CD que ora posto, aparecem as Bachianas Brasileiras No. 4, 5, 7 e 9, além do Choro no. 10. Não deixe de ouvir este imperdível registro com Tilson Thomas. Boa apreciação!

Heitor Villa-Lobos (1887-1959) - Alma Brasileira

Bachinas Brasileiras No. 4
01. Preludio (Introdução) Lento
02. Coral (Canto do Sertão) Largo
03. Aria (Cantiga) Moderato
04. Danza (Miudinho) Molto animato

Bachianas Brasileiras No. 5
05. Aria (Cantilena) Adagio
06. Dansa (Martelo) Allegretto

Bachianas Brasileiras No. 7
07. Preludio (Ponteio) Adagio
08. Giga (Quadrilha Caipira) Allegretto scherzando
09. Tocata (Desafío) Andantino quasi allegretto
10. Fuga (Convera) Andante

Bachianas Brasieliras No. 9
11. Prélude Vagaroso e mistico
12. Fugue Poco apressado

Chôros Nr.10 - Animé; Lent; Animé; Très peu animé
13. Chôros Nr.10 - Animé; Lent; Animé; Très peu animé

New World Symphony
Michael Tilson Thomas, regente

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quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Felix Mendelssohn - Concerto para violino e orquestra em Mi menor, Op. 64 e Ludwig van Beethoven - Concerto para violino e orquestra em D maior op 61

Já havia algum tempo que eu tencionava postar o opus 64 de Mendelssohn, essa figura ridente da música alemã. Ao meu modo de ver, Mendelssohn possui uma pecualiaridade que o distingue dos demais compositores românticos. Ele é dono de uma virtuosidade moral e cultural que impressiona. Felix ("feliz", em latim), como o nome sugere, não conheceu "aperreios" ou privações materiais. Era filho de banqueiros; e neto de filósofo. Foi financiador, uma espécie de mecenas cultural. Fundou os famosos concertos sinfônicos do Gewandhaus, em Laipzig e o não menos famoso conservatório dessa cidade; teve sorte em tudo, até morrer cedo, antes que a sua glória alcançada em vida começasse a empalidecer. Gosto imensamente de Mendelssohn. Ouvi-lo sempre constitui uma experiência positiva. Sua genialidade é precoce. Compôs peças expressivas ainda muito jovem - quartetos de cordas, poemas sinfônicos, entre outras peças significativas. O Concerto para violino e orquestra em mi menor, Op. 64 (1845), é obra de um Mendelssohn maduro. Foi terminado dois anos antes de sua morte. O ponto importante com relação a esta obra é que nem mesmo os adversários ou quem não gosta do compositor, ousa falar mal: é a mais melodiosa, a mais nobre e a mais brilhante entre as obras desse gênero. Posso afirmar - com certa ousadia - que é uma das composições mais puras da música alemã. A outra peça não menos importante do registro é o Concerto para violino de Beethoven, o opus 61. Há aqui uma gravação deste concerto com Menuhin. Joshua Bell, que nos conduz pelos corredores dessa música absoluta, é convincente em sua jovialidade competente. Não deixe de ouvir esta maravilha. Boa apreciação!

Felix Mendelssohn (1809-1847) - Concerto para violino e orquestra em Mi menor, Op. 64

01. Allegro molto appassionato
02. Andante
03. Allegretto non troppo - Allegro molto vivace

Ludwig van Beethoven (1770-1827) - Concerto para violino e orquestra em Ré maior, Op. 61

04. Allegro ma mon troppo
05. Larghetto
06. Rondo (Allegro)

Camerata Salzburg

Sir Roger Norrington, regente
Joshua Bell, violino

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segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Ludwig van Beethoven (1770 - 1827) - Sinfonia No. 7 em Lá maior, Op. 92 e Sinfonia No. 2 em Ré maior, Op. 36

Daremos continuidade à série de postagens com as sinfonias de Beethoven sob a condução de Arturo Toscanini. Traremos à tona duas importantes sinfonias: a de número 2, não tão conhecida e aclamada como a outra, que surge neste registro, a número 7. Confesso que as sinfonias que mais ouvir/estimo entre as que Beethoven compôs são as de no. 1, 3, 5, 6 e 9. Atualmente, tenho dedicado uma atenção toda especial à No. 7 de Beethoven. A Sétima Sinfonia é uma obra de uma alma desabotoada, livre. Parece incrível que quando Beethoven a compôs estivesse em convalescença. Uma alma achacada talvez se voltasse para algo mais denso e tenebroso. Embora percebamos no Allegretto (do segundo movimento), uma reflexão "nebulosa", típica do gênio de Beethoven. Mas sei que a arte é expansiva e livre. No mais, a Sétima Sinfonia recende a Baco, um Baco cheio de frenesi, grávido de volúpia e que destila o vinho do espírito para a humanidade. Esta sinfonia em Lá, deixa-me uma impressão de soltura, liberdade zizagueante. Aparece ainda a Sinfonia no. 2 em Ré Maior, que revela um Beethoven ainda juvenil. Uma força irresistível parece varrer-lhes os pensamentos. O compositor é alguém cheio de esperança nessa sinfonia de número 2. Como me encontro envolvido por uma expectativa positiva em relação à Sétima Sinfonia, decidi colocar não somente a gravação com Toscanini, mas uma versão com com Carlos Kleiber. Enquanto digito estas palavras, escuto-a. Decidir colocá-la para estabelecer um paralelo comparativo. Sendo assim, passam ao número de 3 as versões da número 7 aqui em O SER DA MÚSICA - Karajan, Toscanini e Kleiber. A interpretação de Kleiber é primorosa. O maestro está à frente da Filarmônica de Viena. É uma interpretação de um maestro exigente, que presta atenção a cada detalhe e exige perfeição dos músicos. Foi por conta desse aspecto que escolhi a versão de Kleiber para fazer a devida comparação. Não deixe de ouvir as duas versões - uma com Toscanini e a outra com Kleiber. Ambas imperdíveis. Boa apreciação!

Ludwig van Beethoven (1770 - 1827) - Sinfonia No. 7 em Lá maior, Op. 92 e Sinfonia No. 2 em Ré maior, Op. 36

Sinfonia No. 7 em Lá maior, Op. 92 
01. Poco sostenuto, Vivace 
02. Allegretto 
03. Presto, Assai menu presto, Presto 
04. Allegro con brio 

Sinfonia No. 2 em Ré maior, Op. 36 
05. Adagio molto, Allegro con brio 
06. Larghetto 
07. Scherzo, Trio 
08. Allegro molto 

NBC Symphony Orchestra 
Arturo Toscanini, regente 

(Recorded 1949, 1951) 

Total playing: 61:49 


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sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Franz Schubert - Sinfonia No. 8 in B minor, D 759 - "Inacabada" e Félix Mendelssohn - Sinfonia No. 4 in A major, Op. 90 - "Italiana"

Confesso que este CD é maravilho. Por que afirmo isso? Baseado em qual perspectiva? Ora, em experência pessoal. Reúne simplesmente duas das sinfonias que mais admiro - a Sinfonia No. 8, "Inacabada", de Franz Schubert e a Sinfonia no. 4, "Italiana", de Mendelssohn. Uma celebra o trágico ( a "Inacabada") e, a outra, a alegria ("Italiana"). Durante muito tempo, foram as peças que mais ouvir em minha existência. Passava manhãs inteiras a ouvir a "Inacabada" de Schubert. Em outras ocasiões, deitava-me e era conduzido pela alegria jovial, ensolarada, da "Italiana" de Mendelssohn. Acredito sinceramente que estas peças podem ser admiradas por qualquer pessoa. Elas possuem evocações da própria vida, o que as tornam sempre necessárias. Não deixe de ouvir, apreciar, se deliciar, com estes dois importantes trabalhos. Esta é a terceira vez que a "Italiana" de Mendelssohn aparece por aqui. Não faz mal o excesso neste aspecto, já que estamos falando de uma obra imortal. Um bom prenúncio de final de semana se faz quando ouvimos estas duas obras que trazem bons augúrios. Boa apreciação!

Franz Schubert (1797-1828) - Sinfonia No. 8 in B minor, D 759 - "Inacabada"

01. Allegro moderato
02. Andante con moto

Félix Mendelssohn (1809-1847) - Sinfonia No. 4 in A major, Op. 90 - "Italiana"

03. Allegro vivace
04. Andante con moto
05. Con moto moderato
06. Saltarello: Presto

Philharmonia Orchestra
Giuseppe Sinopoli, regente

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Por Carlos Antônio M. albuquerque
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Anton Bruckner (1824-1896) - Te Deum in C major, Wab. 45 e Psalm 150, Wab. 38

Adquiri este material de Anton Bruckner por aí. Ainda não havia escutado esta obra. Não disponho de maiores informações sobre ele. Refiro-me à interpretação. O Te Deum é um hino litúrgico católico atribuído a Santo Agostinho e a Santo Ambrósio. É iniciado pelas palavras latinas Te Deum Laudamus. Uma tradução aproximada seria "A Vós, ó Deus, louvamos". Segundo a tradição da Igreja, estes hinos teriam a sua gênese na Catedral de Milão quando esses dois santos tiveram um arroubo de fervor religioso. Bruckner consegue, como lhe é peculiar, construir uma densa massa sonora, que nos faz pensar em hostes celestiais. É como se tivéssemos chegado ao paraíso e contemplassêmos querubins e serafins melômanos. Outra peça que ainda surge é o Psalm 150. Conforme, mostra-se no texto bíblico, é uma canção de exaltação a Deus. Um hino de louvor. É o fechamento do Saltério hebraico, ou seja, a reunião dos salmos. Os Salmos são poemas criados, escritos, por vários sujeitos da história de Israel. Bruckner se utilizou do último poema do livro, que possui uma caracteírtica eminentemente glorificadora. É característico do compositor. Suas peças possuem esta densidade peculiar. Bruckner é o homem dos mosteiros barrocos escondidos e encravados no coração das montanhas. Sua alma era uma catedral cheia de temores religiosos. Infelizmente, não possuo maiores informações obre os intérpretes da obra. Mas, mesmo assim, desejo a você uma boa apreciação!

Anton Bruckner (1824-1896) - Te Deum in C major, Wab. 45 e Psalm 150, Wab. 38

Te Deum in C major, Wab. 45
01. Te Deum laudamus
02. Te ergo quaesumus
03. Aeterna fac
04. Salvum fac populum tuum
05. In te Domine speravi

Psalm 150, Wab. 3806. Psalm 150

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quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Sergei Rachmaninov (1873-1943) - Sinfonia No. 3 in A menor, Op. 44 e Os Sinos, Op. 35

Vamos à Terceira Sinfonia de Rach. Há um grande intervalo entre a segunda e a terceira. Aproximadamente 30 anos. Ela foi estreada em 1936 por Leopold Stokowski, conduzindo a Orquestra da Filadélfia. Possui apenas três movimentos. Ela é habitada por um profundo senso emocional. A música está saturada de tristeza e angústia. Apesar de ter uma certa "desconfiança" para com Rach, gosto muito desta sinfonia. Das três sinfonias é a que possui uma maior ênfase na alma russa. O adagio do segundo movimento é um dos momentos musicais mais belos que conheço. Há um sentimento de desolação, de tristeza, de tragédia, de solidão fria. Aparece ainda neste registro a sinfonia coral The Bells ("Os sinos"). As palavras foram extraídas do poema "Os Sinos" de Edgar Allan Poe. Esta é uma das peças mais conhecidas do compositor. Encerramos, assim, com expectativa positiva de que tenhamos cumprido o papel de forma fausta neste nosso empreendimento com as sinfonias de Rach. Uma boa apreciação!

Sergei Rachmaninov (1873-1943) - Sinfonia No. 3 in A menor, Op. 44 e Os Sinos, Op. 35

Sinfonia No. 3 in A menor, Op. 44
01. Lento - Allegro moderato
02. Adagio ma non troppo - Allegro vivace
03. Allegro

Os Sinos (The Bells), Op. 35
04. Allegro ma non tanto
05. Lento
06. Presto
07. Lento lugubre

Concertgebouw Orchestra
Vladimir Ashkenazy, regente

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quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Franz Joseph Haydn (1732-1809) - Sonatas No. 40, 41, 44, 48 e 52 - disco 1

Ainda não havia escutado este CD belíssimo com Richter. Reúne sonatas para piano de Joseph Haydn. É música absoluta, sensível, necessária. Serão ao todo duas postagens. Neste volume temos as sonatas # 40, 41, 44, 48 e 52. Haydn é o sujeito dos repertórios extensos. Mas nem por isso, simples, trivial, desnecessário. É sempre bom ouvi-lo. Aqui vai mais uma prova de sua incontestável qualidade. Boa apreciação!

Franz Joseph Haydn (1732-1809) - Sonatas No. 40, 41, 44, 48 e 52

Piano Sonata no. 40 in G minor, Hob. XVI:44 [13:32]
1. Moderato
2. Allegretto

Piano Sonata no. 41 in G major, Hob. XVI:40 [09:51]
3. Allegretto e innocente
4. Presto

Piano Sonata no. 44 in B flat major, Hob. XVI:41 [10:37]
5. Allegro
6. Allegro di molto

Piano Sonata no. 48 in C major, Hob. XVI:48 [12:34]
7. Andante con espressione
8. Rondo: presto

Piano Sonata no. 52 in E flat major Hob.XVI:52 [20:38]
9. Allegro
10. Adagio
11. Presto

Teatro del Bibiena, Mantova, 1987
Sviatoslav Richter, piano

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terça-feira, 13 de outubro de 2009

Fréderic Chopin (1810-1849) - 4 Ballades, Piano Sonata No. 2 e "Funeral March"

Não sou de ouvir o mesmo álbum várias vezes de forma contínua. Mas o contrário se deu com este extraordinário CD com peças de Chopin. A obra do compositor é exlusivamente pianística e isso já é um elemento singular. Chopin é daqueles a quem denominamos gênio. Sua arte é sonhadora - suas infinitas ornamentações, suas harmonias docemente melancólicas. Aos 20 anos, deixou sua terra natal, a Polônia, e foi para a França. Visitou os sítios da alta sociedade aristocrática parisiense e foi bem recepcionado. Perante essa audiência seleta costumava tocar e era apreciado. A tuberculose o fulminou ainda muito jovem. De forma emblemática, ao morrer, teve o seu coração transladado para uma catedral em Varsóvia, cidade da qual era natural. O corpo ficou em Paris, cidade esta que foi receptiva ao seu gênio. O coração foi para a sua pátria. Foi fincado na terra dos seus pais e antepassados. A música de Chopin é de forte tom nacionalista. Seu romantismo é exagerado. O compositor é uma espécie de trovador do piano. Sua arte é sensível e emocionalmente madura. Há muito que faltava uma boa mostra da arte desse polaco-franco - ou franco-polaco? - aqui no blogger. Não deixe de apreciar este excelente registro com a música de Chopin. Boa apreciação!

Fréderic Chopin (1810-1849) - 4 Ballades, Piano Sonata No. 2 e "Funeral March"

01. Ballade No. 1 Op 23
02. Ballade No. 2 Op 38
03. Ballade No. 3 Op 47
04. Ballade No. 4 Op 42
05. Piano Sonata nr. 2 - I
06. Piano Sonata nr. 2 - II
07. Piano Sonata nr. 2 - III
08. Piano Sonata nr. 3 - IV

Emanuel Ax, piano

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Por Carlos Antônio M. Albuquerque
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domingo, 11 de outubro de 2009

Sergei Rachmaninov (1873-1943) - Sinfonia No. 2 in E minor, Op. 27 e A Ilha dos Mortos, Op. 29

Vamos mais uma vez a Rachmaninov. Desta vez, surge a sinfonia no. 2, que já foi apresentada aqui no blogger. Rach compôs este trabalho entre os anos de 1906 e 1907. O compositor possuía dentro de si a impressão de que não era um grande sinfonista, por conta da sinfonia no. 1. Quando esta sinfonia foi estreada em 1897 por Alexandre Glazunov, não foi bem recepcionada. Isso rendeu a Rach uma carga de sentimentos negativos e contraditórios. Mesmo reticente no que tange à escrita desta sinfonia, Rach conduziu a estréia da mesma. O resultado foi um esplendoroso sucesso - ao contrário do que acontecera com a sua sinfonia número 1. Aparece ainda o poema sinfônico A Ilha dos Mortos, op. 29. Rach se inspirou na pintura de Arnold Böcklin para escrever esta peça. O compositor viu a pintura em Paris no ano de 1907 e teria concluído a composição em 1908, quando esteve em Dresden. Considero este como sendo um dos trabalhos mais sérios do compositor, pela evoção reflexiva que ele sugere. Rachmaninov consegue produzir uma atmosfera de gravidade. Parece não haver esperança. A morte é austera. Uma certa solenidade triste também pode ser percebida. A abertura da peça sugere uma tensão fúnebre. Rach conseguiu captar os aspectos essenciais da pintura. A imagem de Böcklin é misteriosa. Uma pessoa de pé, vestida de branco. Um sujeito incógnito que impele o barco pelas águas plácidas e esverdeadas. Um céu cinzento, com nuvens ralas. A Ilha é apenas um pedregulho. A única vida existente são os ciprestes, lugar onde, quiça, fique o cemitério. A vida, assim, se mescla com a morte. A Ilha dos Mortos é um nome apropriado. O pintor (Böcklin) elaborou cinco versões para o quadro. Não se sabe ao certo qual das versões Rach teria visto. Não deixe de ouvir este registro significativo. Uma boa apreciação!

Sergei Rachmaninov (1873-1943) - Sinfonia No. 2 in E minor, Op. 27 e A Ilha dos Mortos, Op. 29

Sinfonia No. 2 in E minor, Op. 27

01. Largo - Allegro moderato
02. Allegro molto
03. Adagio
04. Allegro vivace

The Isle of the Dead, Op. 29

05. The Isle of the Dead

Concertgebouw Orchestra
Vladimir Ashkenazy, regente

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