Extraído da apresentação do disco:
"Embora não possa ser considerada uma gravação de primeira escolha das Suítes (Aberturas) de Bach, esta edição se impõe como uma adição valiosa à discoteca de qualquer apreciador do compositor. Amparado por numerosos exemplos de pesquisas recentes — incluindo estudos do próprio maestro Siegbert Rampe, além de artigos de Dirst, Rifkin e Wolff —, Rampe e seu excelente conjunto de instrumentos de época, Nova Stravaganza, propõem uma reconstrução do que podem ter sido as formas originais dessas quatro obras célebres.
O resultado é, no mínimo, instigante. As suítes nº 3 e nº 4 aparecem sem trompetes e tímpanos; a suíte nº 2 é apresentada em lá menor, em vez do tradicional si menor — e com violino solista no lugar da flauta; já a suíte nº 1 surge como um “simples septeto”, formado por dois oboés, dois violinos solistas, viola solo, fagote e cravo, reforçado, “de acordo com a prática da época”, por um violone de 16 pés.
Embora a música permaneça essencialmente a mesma, essas reconstruções revelam sonoridades surpreendentemente novas. E, ao contrário do que se poderia imaginar, o resultado não é mais frágil nem menos impressionante do que as versões consagradas. A música preserva sua elegância, vitalidade, expressividade e força, ao mesmo tempo em que permite perceber com maior nitidez o funcionamento interno de cada movimento.
Um exemplo emblemático é a célebre Air da suíte nº 3: como soa quando executada por um violino solo, acompanhado apenas por violino, viola e contínuo? Tirando um leve excesso de peso na linha do baixo, a interpretação se desenvolve com a mesma beleza encontrada em formações orquestrais mais amplas. A violinista Margarete Adorf se destaca pela ornamentação refinada, que valoriza ainda mais uma melodia que, por definição, já é um ornamento em si.
Ao programa cuidadosamente concebido, Rampe acrescenta ainda duas aberturas — sem movimentos de dança — que, segundo ele e outros estudiosos, teriam pertencido originalmente a suítes completas, mas que Bach posteriormente retirou e revisou para servir como movimentos iniciais das cantatas BWV 119 e BWV 97. De duração relativamente breve, essas peças, escritas para oboés, fagote, cordas e contínuo, encontram aqui um equilíbrio convincente entre o caráter festivo e a intimidade de suas versões camerísticas reconstruídas.
Do ponto de vista técnico, a gravação apresenta brilho confortável — sensivelmente maior do que na versão de referência de Savall —, com definição particularmente clara nas vozes superiores. As linhas de baixo, executadas por violoncelo ou violone, soam menos nítidas, mais perceptíveis pelo peso do que pela articulação precisa. Ainda assim, o som do conjunto é notavelmente encorpado, os ritmos de dança ganham impulso e as extensas notas de encarte assinadas por Rampe merecem leitura atenta.
Talvez não sejam exatamente as suítes de Bach como o público está acostumado a ouvi-las. Ainda assim, trata-se inequivocamente de Bach — e de uma leitura que certamente agradará aos admiradores dessas obras".
Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!
Johann Sebastian Bach (1685-1750) -
DISCO 01
01 Ouverture BWV 119[a] in C major- Ouverture
02 Ouverture (No. 1) BWV 1066 in C major- Ouverture
03 Ouverture (No. 1) BWV 1066 in C major- Courante
04 Ouverture (No. 1) BWV 1066 in C major- Gavotte 1 & 2 alternativement
05 Ouverture (No. 1) BWV 1066 in C major- Forlane
06 Ouverture (No. 1) BWV 1066 in C major- Menuet 1 & Menuet 2 pour les violons
07 Ouverture (No. 1) BWV 1066 in C major- Bourrée 1 & Bourrée 2
08 Ouverture (No. 1) BWV 1066 in C major- Passepied 1 & 2 alternativement
09 Ouverture (No. 2) BWV 1067[a] in A minor- Ouverture
10 Ouverture (No. 2) BWV 1067[a] in A minor- Rondeaux
11 Ouverture (No. 2) BWV 1067[a] in A minor- Sarabande
12 Ouverture (No. 2) BWV 1067[a] in A minor- Bourée 1 & 2 alternativement
13 Ouverture (No. 2) BWV 1067[a] in A minor- Polonoise- Lentement & Double
14 Ouverture (No. 2) BWV 1067[a] in A minor- Menuet
15 Ouverture (No. 2) BWV 1067[a] in A minor- Battinerie
DISCO 02
01 Ouverture BWV 97[a] in B flat major- Ouverture
02 Ouverture (No. 3) BWV 1068[a] in D major- Ouverture
03 Ouverture (No. 3) BWV 1068[a] in D major- Air
04 Ouverture (No. 3) BWV 1068[a] in D major- Gavotte 1 & 2
05 Ouverture (No. 3) BWV 1068[a] in D major- Bourée
06 Ouverture (No. 3) BWV 1068[a] in D major- Gigue
07 Ouverture (No. 4) BWV 1069[a] in D major- Ouverture
08 Ouverture (No. 4) BWV 1069[a] in D major- Bourée 1 & 2 alternativement
09 Ouverture (No. 4) BWV 1069[a] in D major- Gavotte
10 Ouverture (No. 4) BWV 1069[a] in D major- Menuet 1 & 2
11 Ouverture (No. 4) BWV 1069[a] in D major- Rejouißance
Nova Stravaganza (on period instruments)
Siegbert Rampe, direção e cravo
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